
Capítulo 625
Advento das Três Calamidades
A luz fraca alcançava apenas uma pequena área ao redor deles, iluminando uma porção limitada do ambiente. Além dos dedos estendidos, curvando-se para dentro como as barras de uma jaula, e da silhueta tênue da forma da estátua, tudo que Lazaru podia ver era escuridão.
A escuridão era opressora, assim como o frio que os rodeava de todos os lados.
Olhando ao redor, Lazarus não conseguiu mais detectar a silhueta de antes.
Ela tinha desaparecido antes mesmo que ele percebesse, e tudo que restava era o estranho monstro marinho que circulava ao redor deles, sua luz lançando um brilho tênue enquanto girava na área.
'Isso é bem complicado.'
O olhar de Lazarus varreu o entorno.
Ele tentava avaliar sua situação.
'O oxigênio está acabando lentamente. Se eu não subir nas próximas vezes, já era pra mim. Mas, ao mesmo tempo, não posso lutar contra esse monstro...'
Não era como se o monstro fosse extremamente forte. Pelo que ele percebia das oscilações provenientes do corpo do ser, talvez estivesse quase no nível de Um Destroyer, mas ainda não tinha chegado lá.
Isso significava que ainda era uma criatura de nível Terror.
Lazarus tinha confiança de lidar com uma criatura dessas, mas... isso era na terra.
Seus talentos eram limitados na água. O tempo para conjurar um feitiço era maior, e a eficácia das suas magias também era menor.
Havia uma razão pela qual An'as dizia que os piratas dominavam os mares, mesmo ao enfrentar oponentes de nível superior.
O mundo debaixo d'água era completamente diferente.
Dentro desse mundo, ele era um ninguém.
Uma criatura insignificante.
E então—
Fecho!
A escuridão retornou, engolindo-o completamente.
Lazarus sentiu seu peito ficar mais pesado à medida que a escuridão o engolia, seu olhar tornando-se mais afiado do que antes, enquanto ele perdia toda noção da criatura que rastejava ao seu redor.
Ele ficou próximo de um dos dedos, a mão tocando a superfície lisa, porém áspera, do seu exterior.
'Será que ela foi embora...?'
Ele olhou ao redor, cauteloso.
Mesmo com [Percepção de Mana], não conseguiu detectar nada.
O tempo passava, e ele sentia o oxigênio dentro dos pulmões se esgotando a cada segundo.
Uma sensação de medo crescente começava a se instalar em sua mente.
Porém, ele manteve a calma e a racionalidade. Não podia se desesperar. Não podia permitir-se entrar em pânico.
Era uma questão de esperar.
Um jogo de paciência para determinar quem tinha mais resistência.
Por outro lado, era um jogo desvantajoso. Ele não podia esperar muito, ao contrário da criatura que podia respirar debaixo d'água.
A mente de Lazarus começou a oscilar enquanto o tempo continuava a passar.
Ele começava a sentir o frio cortando sua pele, enquanto tentava ganhar tempo, sua mente fervilhando com ideias e pensamentos.
Mas logo, o tempo acabou.
'Preciso me mover.'
Não podia ficar na água por mais tempo.
E assim, ao empurrar An'as ao seu lado, colocou a mão na ponta do dedo e, suavemente, impulsionou-se para cima, seu corpo flutuando na escuridão enquanto examinava cuidadosamente o ambiente ao redor.
'...Será que foi embora?'
Lazarus não tinha como saber ao certo.
Ele foi lentamente ascendendo, seus movimentos os mais suaves possíveis. Não queria atrair atenção indesejada.
Com cuidado, começou a subir na água, seu peito formigando ao observar ao redor.
Tudo ocorria sem problemas, mas ele não baixava sua guarda.
O silêncio ao redor deixava-o completamente inquieto. Além disso, não sabia se o monstro apareceria ou não.
Ele entrelaçou os braços na água mais uma vez, prosseguindo sua ascensão.
Mas justamente quando fazia isso...
Fecho!
Uma luz pálida apareceu sob ele, obrigando seu corpo inteiro a ficar rígido enquanto ele parava imediatamente.
An'as, que o acompanhava de trás, também parou na mesma hora.
Ambos olharam para baixo e viram a forma colossal da criatura deslizando sob eles. Foi nesse momento que tiveram uma visão mais clara da luz piscarà e que estava ligada ao corpo do monstro por uma extensão longa, coluna semelhante a uma haste.
Um sentimento crescente de desconforto tomou conta de seus corpos ao verem a luz, e justo quando An'as começou a ficar nervoso, o olhar de Lazarus se desviou para outro ponto.
Com o monstro ainda sob eles, iluminando o leito do mar, seus olhos finalmente avistaram outra estrutura ao longe.
Ele não conseguia ver muito, a luz mal alcançava alguns metros além, mas era suficiente para sentir a imensa escala do lugar. Algas grudavam nas paredes, e padrões e linhas intricadas estavam gravados na pedra, representando algo que ele não conseguia identificar claramente.
Lazarus olhou para a estrutura estranha por alguns segundos, gravando-a profundamente na memória antes de lentamente se virar e concentrar sua atenção para cima.
Não sabia se tinha oxigênio suficiente nos pulmões para subir.
Para piorar, podia sentir que a criatura sob eles reagia a cada movimento. Quanto menos se movimentavam, menos ela parecia perceber sua presença.
Eles... precisavam ir devagar.
Um movimento suave e lento de cada vez.
Era exatamente isso que fizeram, tentando lentamente voltar à superfície.
O monstro de baixo parecia não notar sua movimentação, mas ao mesmo tempo, quase parecia ciente deles.
Vigiando-os.
Esse sentimento nunca parecia passar, mesmo quando conseguiam chegar à metade do caminho para subir.
Na verdade, parecia aumentar à medida que se aproximavam do topo.
Ba... Bate! Ba... Bate!
Naquietude, Lazarus conseguiu sentir e ouvir seu próprio coração batendo acelerado. Sem perceber, começou a acelerar seus movimentos, tentando subir o mais rápido possível, mas foi justamente nesse momento que sentiu algo se contorcendo sob ele.
'Ah...'
O coração de Lazarus apertou ao avistar um vórtice preto sob ele, retorcendo-se enquanto se movimentava rapidamente na direção deles, o pequeno ponto de luz dentro do vórtice ficando mais brilhante à medida que se aproximava.
Seu coração quase pulou pela garganta ao ver quão rápido aquilo avançava, e foi então que ele percebeu que o monstro finalmente estava vindo atrás deles.
'....!?'
Primeiro a se mover, An'as viu a área ao seu redor se contorcer com bolhas enquanto disparava para cima.
Sua velocidade era alta, mas de forma alguma tão rápida quanto a enorme criatura que se aproximava rapidamente sob eles.
Olhando para ela e para cima, Lazarus sabia que também era impossível para ele.
Simplesmente não tinham como escapar dela.
An'as, que viu isso, começou a entrar em pânico ainda mais, sua mente acelerando enquanto olhava para Lazarus, que permanecia imóvel na água.
'O que você está fazendo!? Vá para cima! Droga!'
Seus olhos se dilataram ao ver a enorme criatura se aproximando rapidamente.
'Caramba! Não devia ter vindo para cá! Por que eu ainda tive que seguir ele!? Droga! Que a Deusa da Luz me proteja!'
Em pânico, An'as permaneceu focado no comerciante, que continuava imóvel na água. Isso deixou An'as louco, especialmente ao ver que o monstro já estava a poucos metros debaixo deles, com a boca aberta e dentes afiados à mostra.
'Não!'
Internamente, An'as gritou ao ver o monstro prestes a engolir o comerciante, mas essa sensação durou pouco.
Justo quando o monstro ia engolir Lazarus, o comerciante deu um passo à frente, seu corpo inteiro se lançando rapidamente para baixo logo depois.
Colidiu!
Um som abafado de "banco" ecoou na água logo após, quando o comerciante caiu direto na ponta do dente afiado da criatura.
'O quê...'
An'as ficou chocado com as ações do comerciante.
Mas as coisas ainda não tinham acabado. No momento em que o comerciante se estabilizou sobre os dentes do monstro, ele disparou a mão, e várias dezenas de fios finos surgiram, cada um saindo de seu braço e se apertando ao redor dos dentes do monstro.
Todo o processo foi extremamente rápido, e em questão de segundos, os dentes do monstro estavam cobertos por filamentos finos.
Quando o monstro teve tempo de reagir, já era tarde demais, pois Lazarus fechou a mão, forçando seu corpo a começar a se fechar lentamente.
Mas ainda havia mais.
No momento em que o monstro percebeu que algo estava errado, seu corpo se estremeceu e se moveu de forma rápida, tentando afastar Lazarus, mas, como se estivesse um passo na frente, Lazarus impulsionou-se e pressionou a mão contra a cabeça do monstro.
An'as observou várias runas roxas formando-se ao redor da palma de Lazarus, profundamente embutidas no corpo da criatura.
'Magia de maldição?'
An'as reconheceu imediatamente as runas. Pela cor roxa e pela complexidade, parecia algum tipo de feitiço avançado.
Todo o processo durou menos de meio segundo enquanto Lazarus afastava a mão, empurrando seu corpo para longe enquanto a criatura se contorcia e agitava na água, sua luz pálida piscando intermitentemente.
Lazarus olhou para a criatura por alguns segundos, antes de levantar o rosto e olhar para cima, em direção à superfície.
An'as ficou apenas flutuando na água, completamente pasmo com o que havia acabado de presenciar.
Isso...
Embora ele já soubesse que o homem à sua frente não era um comerciante comum, a cena diante dele o deixou sem palavras.
No entanto, não podia ficar assim por muito tempo; não era momento de parar para pensar.
Sem a ameaça do monstro, subir até a superfície não foi difícil. Ambos conseguiram chegar logo depois, com suas cabeças emergindo da água.
Splash!
'Haa... Haa...'
An'as respirou fundo assim que saiu da água, seu corpo ficando mole, como se fosse gelatina.
Apesar de não ter feito nada extremamente cansativo, sentia-se exausto pela experiência.
Queria apenas voltar para terra firme.
E, no entanto, ao pensar no que testemunhara debaixo d'água, entendeu que não era hora de descansar.
'Precisamos relatar rapidamente o que encontramos ao templo. Com a ajuda deles, talvez possamos—'
'Chega de falar no templo.'
A voz calma de Lazarus cortou-o antes que pudesse terminar, enquanto sua expressão parecia examinar as águas abaixo, as sobrancelhas franzidas em concentração.
An'as piscou os olhos.
O que ele estava olhando?
'Respire fundo.'
Disse o comerciante, pressionando a mão sobre o ombro de An'as.
'Heh?'
Antes mesmo de conseguir gritar, seu corpo foi sugado de volta profundamente para a água.
A escuridão o engoliu novamente.
Mas não por muito tempo.
Assim que recuperou o equilíbrio, avistou um corpo gigante repousando no leito do oceano, seu vulto se contorcendo incessantemente na pouca luz pálida que os cercava.
Os olhos de An'as se arregalaram.
'Isso...!'