Advento das Três Calamidades

Capítulo 624

Advento das Três Calamidades

— Que diabos?!

An'as estava prestes a correr até a borda do píer quando Lazarus o impediu, mantendo a expressão still calm.

— Não seja precipitado.

An'as abriu a boca, mas logo se conteve. O comerciante tinha razão. Não havia necessidade de tanta pressa. A situação era extremamente anormal, e agir impulsivamente só traria mais problemas do que soluções.

— Entendo.

An'as sentou-se na banco, seus olhos ainda fixos na área onde a figura tinha estado anteriormente.

Splash!

As ondas se chocaram contra o muro de proteção, espirrando água por toda parte com um estrondo ensurdecedor.

An'as só podia esperar em silêncio enquanto Lazarus fixava o olhar no local onde a figura havia pulado. An'as tinha curiosidade de entender o que ele tentava fazer, mas resolveu ficar calado enquanto Lazarus inclinava ligeiramente a cabeça.

Seus olhos brilhavam ao perceber o contorno tênue de uma figura se mexendo logo abaixo da água, esperando... esperando por algo.

O sorriso de Lazarus se abriu lentamente ao ver a silhueta se mover na superfície da água.

'Então ele está esperando.'

Era uma pena que ele pudesse ver através dele com sua skill [Sentido de Mana]. Se os dois tivessem pulado nele logo depois, provavelmente tivessem caído na armadilha.

Lazarus manteve o olhar fixo na silhueta sob a água, aguardando.

...Esperando ela se afastar lentamente.

E, claro, após vinte minutos, seus olhos finalmente perceberam movimentos vindo da figura ao mergulhar fundo na água, afundando-se nas profundezas.

— Ok, já podemos começar a nos mover.

Lazarus levantou-se do assento, surpreendendo An'as, que estava esperando o tempo todo.

— Para onde vamos?

— Para onde...?

Lazarus riu, seus olhos fixos nas águas distantes.

— Dentro da água, é claro.

— Hã?

Ignorando a expressão de choque de An'as, Lazarus se aproximou do muro de proteção e olhou para baixo. A água ficava a poucos metros, e as ondas estavam começando a ficar furiosas.

A água espirrava em seu rosto, o cheiro metálico persistia no nariz enquanto ele fechava os olhos e respirava fundo.

Então—

Splash!

Ele mergulhou na água.

— Espera!

A voz de An'as ecoou atrás dele, mas já era tarde demais: logo foi engolido pela água, seu corpo frio o envolvendo por todos os lados.

Ao cair nas águas vermelhas, seu corpo ficou pesado, suspenso no ar. Quase como se estivesse de volta ao ventre de sua mãe, mas, ao invés de calor, tudo o que sentia era frio. Lazarus abriu os olhos e viu nada mais do que uma cena assustadora.

Um mar infinito de vermelho o cercava, a cor sufocante, pressionando de todos os lados. Quanto mais ele olhava para dentro, mais escuro ficava, como se o próprio oceano fosse feito de sangue.

O mundo ao seu redor permanecia em silêncio, aumentando a sensação de sufocamento.

Porém, o silêncio foi logo quebrado por um som de água splashing enquanto Lazarus virou a cabeça para ver An'as aparecer ao seu lado.

Ele tinha os olhos fechados, com o dedo tampando o nariz.

Ao ver aquilo, Lazarus sorriu.

'Mesmo que ele pareça sempre discordar de mim ou queira envolver o templo, ele ainda me acompanha.'

Lazarus sentiu-se feliz. No final, seus olhos não o enganaram.

Ele realmente tinha encontrado um assistente perfeito.

'Se não fosse a obsessão estranha dele com a Deusa, seria perfeito.'

Lazarus esperou An'as abrir os olhos antes de apontar para baixo.

Seu gesto foi simples, e An'as imediatamente compreendeu o que ele tentava dizer.

'Vamos descer.'

An'as balançou a cabeça, mas Lazarus ignorou e envolveu as mãos na água, empurrando-se para baixo.

De qualquer forma, ele iria seguir...

E, com certeza, An'as o seguiu.

Mergulhando, Lazarus manteve o foco na silhueta tênue ao longe, que se movia cada vez mais fundo nas profundezas do mar vermelho.

'Tomara que isso não dure muito. Não sei quanto tempo poderei segurar a respiração.'

Ainda tinha algumas preocupações ao mergulhar fundo na água. Sua maior preocupação vinha da impossibilidade de respirar. Se fosse um usuário de [Corpo], poderia prender a respiração por muito mais tempo, mas, como mago de [Mente] e [Elemental], seu corpo não era tão resistente.

Porém, apesar disso, seu corpo ainda era muito mais forte que o de um humano comum.

Se tivesse que estimar, conseguiria segurar a respiração por cerca de dez a vinte minutos.

'Considerando o tempo que levaria para subir de novo, preciso me planejar para voltar antes de acabar o oxigênio.'

Lazarus rapidamente calculou sua situação atual antes de mergulhar ainda mais fundo, a escuridão ao redor se tornando mais intensa à medida que o frio grudava na sua pele por todos os lados, como se mil dedos gelados o estivessem tocando.

Quanto mais fundo ia, maior ficava a pressão, e seu peito começou a ficar mais apertado, como se a própria água estivesse tentando esmagar o ar de seus pulmões.

De tempos em tempos, ele se dava o direito de olhar atrás para verificar como An'as estava.

Por ora, parecia bem. Na verdade, parecia estar melhor do que ele próprio.

Lazarus acenou com a cabeça, mergulhando ainda mais fundo, a quietude ao redor começando a se tornar quase insuportável.

Continuou seguindo a silhueta, sem desviar o olhar.

Mas, ao avançar mais, seu corpo virou a cabeça repentinamente, sentindo algo estranho. Quando olhou à sua frente, seus olhos se estreitaram.

Ativou novamente [Sentido de Mana], tentando captar qualquer coisa, mas...

'Nada?'

Silêncio.

O mundo ao seu redor estava silencioso.

Olhou para baixo para ver a silhueta se distanciando, e continuou a descer.

Porém, exatamente neste momento, seus sentidos gritaram quando uma sombra gigantesca surgiu na sua visão, cobrindo tudo ao redor.

— …!

Seus olhos tremularam ao ver a sombra colossal, que se erguia acima de tudo que seus olhos podiam alcançar, enquanto uma luz pálida de repente apareceu.

Foi só quando a luz pálida surgiu que Lazarus sentiu a presença da criatura, sua silhueta se estendendo por toda sua visão, tão grande quanto o templo da Deusa da Luz.

Lazarus prendeu a respiração e olhou para An'as, que tinha um rosto de horror, com o corpo tremendo todo.

A sombra se aproximou, revelando o que antes era apenas um contorno vago. Pele escura, com vários ossos afiados protrusos, seus olhos brancos, dispersos e piscando, acrescentando ao seu aspecto aterrorizante.

A luz pálida piscou novamente, e, por um instante, Lazarus viu a boca da criatura. Os dentes eram enormes, afiados e finos. Cada um tinha pelo menos cinco vezes o tamanho dele, brilhando como uma armadilha prestes a se fechar.

Em segundos, a mandíbula já estava sobre ele.

Lazarus não pensou duas vezes.

Estendeu a mão para agarrar An'as e deu um passo à frente, ativando o Passo da Supressão.

Swoooosh!

Sua figura caiu rapidamente, formando bolhas conforme a pressão ao redor aumentava.

Sentiu An'as lutando enquanto era puxado para baixo, mas não se importou com o que sentia no momento. Olhou para cima e viu a luz pálida piscar novamente, voltando-se na direção dele.

A criatura...

Continuava seguindo-o.

O corpo de Lazarus ficou tenso, a escuridão o engolindo por todos os lados, enquanto ele mergulhava cada vez mais fundo na escuridão.

Quanto mais fundo ia, maior ficava a pressão.

Sentia seu peito doer. O aumento súbito na pressão estava cobrando seu preço, mas ele não tinha escolha: precisava fazer isso.

'Só mais um pouco, só mais...!'

Thump!

Sintiu algo tocar seus pés.

'Cheguei ao fundo?'

Sem muito pensar, Lazarus ativou [Lamento das Mentiras], misturando-se perfeitamente à escuridão ao redor com An'as.

Ao mesmo tempo, manteve o foco na criatura gigante à sua frente, a luz piscando e a escuridão tomando conta.

Foi justamente nesse momento que perdeu totalmente o contato visual com ela.

Até mesmo com [Sentido de Mana].

Lazarus prendeu a respiração, agachado, tentando se esconder nas rochas ao seu redor. Elas pareciam lisas ao toque, mas ele não deu muita atenção a isso. Fez o máximo para esconder sua presença, enquanto seu corpo começava a tremer com o frio.

Não sabia quanto tempo tinha se passado, mas sentia que seu oxigênio começava a acabar lentamente.

Estava prestes a chegar ao limite para subir antes que fosse tarde demais.

Mas seria mesmo possível subir agora?

Ele olhou ao redor, o silêncio pesando, a respiração tensa, como se só existissem eles dois. Mas Lazarus percebeu a presença de uma terceira figura...

Ela estava espreitando em algum lugar.

Procurando por eles.

E, com certeza...

Flick!

Uma luz pálida surgiu a poucos metros, fazendo Lazarus estremecer ao ver o corpo da figura colossal passar por ele.

An'as congelou completamente ao seu lado, a respiração parecendo parar enquanto ambos permaneciam em silêncio absoluto, assistindo à silhueta se mover pela água.

Lazarus ficou cauteloso, tentando ao máximo minimizar sua presença.

Estava tão atento que quase pulou quando sentiu uma puxada sutil vinda de An'as. Lazarus franziu a testa, voltando a olhar para ele tentando sinalizar para que parasse.

Porém, foi justamente ao virar a cabeça que viu a expressão de choque no rosto de An'as.

'Hm?'

Lazarus inclinou a cabeça, e, justamente quando começou a se perguntar o que estava acontecendo, viu An'as apontar para baixo.

'Para baixo?'

Lazarus seguiu o gesto de An'as e logo sua expressão mudou.

Pela escuridão anterior, não conseguia perceber direito, mas com a leve luz vindo da criatura gigante, finalmente notou seus arredores.

As rochas... ele estudou mais de perto. Eram lisas, redondas, bem delineadas, estendendo-se ao redor dele.

Uma, duas, três, quatro, cinco... Contou cinco dessas rochas.

Lazarus olhou com mais atenção, seus olhos lentamente se abrindo.

Dedos?

Devagar, Lazarus abaixou a cabeça, o peito se comprimindo.

Nesse momento, ele viu.

A estrutura gigante de uma estátua que parecia ser duas vezes maior que a criatura misteriosa, sua forma colossal semi-submersa no leito do mar, enquanto eles estavam em cima de sua palma aberta.

— ...H-há.

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