Advento das Três Calamidades

Capítulo 626

Advento das Três Calamidades

Ainda não está morto. Apenas temporariamente afetado pela maldição.

Lazarus olhava com cuidado pesado para o monstro à sua frente. Ainda não tinha morrido e poderia se libertar da maldição quase que imediatamente.

Por isso, ele voltou a mergulhar.

No momento em que tocou na esteira e encontrou a criatura através do fio que ainda permanecia conectado a ela, não perdeu um segundo e colocou a mão sobre seu corpo. Vários fios saíram de sua mão, tentando perfurar sua pele externa resistente, mas ficou surpreso ao perceber que seus fios não conseguiam penetrar em seu corpo.

“Isso é um pouco problemático.”

Lazarus olhou para o monstro e decidiu aplicar ainda mais maldições a ele, envolvendo todo o seu corpo com elas.

Ele pôde ver a criatura começando a perder ainda mais força enquanto fazia isso, e não demorou muito para que ela simplesmente se deitasse no leito do mar, imóvel.

Lazarus encarou o corpo da criatura antes de fixar o olhar na sua “antenna”.

Ele se aproximou e inclinou a cabeça em direção a An'as. Ao fazer isso, fez um movimento de Corte com a mão.

“O que? Quer que eu corte?”

An'as entendeu rapidamente o significado de Lazarus, mas ficou sem saber o que fazer.

Ele realmente não entendia por que queria que cortasse a “antenna”, mas mesmo assim decidiu obedecer e se aproximou, pegando um par de adagas e cortando para baixo.

Seu movimento foi rápido, e a antenna foi cortada limpidamente.

Logo depois, a escuridão os envolveu.

Silêncio.

An'as ficou em silêncio, olhando na direção de onde Lazarus tinha estado há poucos instantes, esperando que ele fizesse algo.

E logo...

Flick!

Uma luz pálida acendeu-se lentamente.

Os olhos de An'as se arregalaram ao ver aquilo.

Sustentando a ponta da antenna, Lazarus a ergueu calmamente e iluminou os arredores.

“Funciona.”

Ele se sentiu orgulhoso ao olhar para a “lâmpada” na mão.

An'as também parecia extremamente surpreso ao olhar para a lâmpada, aparentemente tentando perguntar como ele tinha feito aquilo. A resposta era bem simples.

Tudo o que precisava fazer era canalizar mana para a parte inferior da “lâmpada” e a luz acenderia.

O mecanismo era simples e, o mais importante, olhando ao redor, Lazarus sentia que qualquer criatura que visse a luz se afastaria imediatamente de ambos.

Ele acreditava que apenas essa luz funcionaria, e qualquer outra tentativa só provocaria o efeito oposto.

Agora, ele se sentia um pouco mais seguro.

“Isso, claro, a menos que seja uma criatura de Rank de Destruidor que caçou essa criatura...”

Lazarus só podia torcer para não encontrar uma criatura assim.

Se realmente acontecesse, a única coisa que podia fazer era esperar que sobrevivesse.

Com a “lâmpada” lançando uma luz tênue ao redor, Lazarus cutucou An'as e seguiu em frente. Ao mesmo tempo, ativou [Lament of Lies], e a imagem do monstro de antes começou a dominar os dois.

“Agora, deveríamos ser indistinguíveis daquele ser.”

Com a luz iluminando uma pequena área ao redor deles, An'as e Lazarus avançaram, e a escuridão deixou de ser uma preocupação.

Ainda havia a questão do silêncio, mas os dois rapidamente se ajustaram a ele.

“...Deve estar por aqui.”

Lazarus esforçava-se para lembrar onde tinha visto aquela estrutura estranha antes. À medida que avançava, uma silhueta longa e afiada emergiu no horizonte.

Suas sobrancelhas se levantaram imediatamente ao ver aquilo, enquanto olhava para An'as, que também observava a estrutura distante com curiosidade. Ele acelerou o passo, suas pernas se movendo como se estivesse na superfície.

Tudo isso graças ao [Step of Suppression], que permitia que ele e An'as se movessem sem esforço sob a água.

Ela os mantinha ancorados ao leito do mar, impedindo que flutuassem para cima.

“Isto...”

Finalmente chegando diante da estrutura, Lazarus parou. Seus olhos se fixaram em um obelisco maciço que surgia do fundo do mar como uma presa negra. Símbolos estranhos estavam gravados fundo na pedra, mas a maior parte deles estava escondida sob longas fibras de algas vermelhas que se agarravam à superfície como veias.

As marcações pulsavam suavemente sob o brilho pálido de sua lâmpada, mas ele não conseguia distinguir se era apenas o movimento da água ou algo mais.

Mas aquilo não foi o que o fez congelar.

Ele levantou a lâmpada um pouco mais alto. O feixe pousou contra a névoa e, ao longe, as sombras tomaram forma.

Construções. Várias delas.

Eram enormes e retorcidas, feitas de pedra escura que havia se oxidado e degringolado ao longo do tempo. Corais vermelhos pontiagudos cresceram sobre a maior parte de suas superfícies, cobrindo-as em camadas espessas, envolvendo-as de um jeito que parecia quase que as estrangulando.

Algumas estruturas lembravam templos quebrados ou catedrais submersas, com torres partidas ao meio ou inclinadas em ângulos agudos e antinaturais.

Na frente de várias construções, havia estátuas.

Deveria haver tantas que nem dava para contar. A maioria sem braços ou cabeça. As que ainda estavam inteiras podiam ser ainda piores. Seus rostos quase tinham sido apagados pelos séculos debaixo d’água, mas os contornos restantes… não eram serenos.

Eram distorcidos.

Bocas abertas de forma exagerada.

Olhos vazios e fundos. Pareciam que tinham sido pegos no meio de um grito, e o que quer que tenham visto foi suficiente para destruí-los.

Lazarus ficou imóvel por um longo tempo.

Algo neste lugar parecia errado. E não era só o silêncio.

“Foque. Foque. Preciso descobrir para onde o cara foi. Ele deve estar aqui em algum lugar.”

Lazarus tentou manter a calma ao escanear o local, seus olhos passando pelas construções e estátuas caídas ao redor. Estava certo de que a silhueta que tinha perseguido antes estava aqui.

Ele só precisava encontrá-lo.

Mas por onde exatamente começar?

Lazarus fechou os olhos e olhou ao redor. Não podia perder tempo. Ainda tinha cerca de quinze minutos de respiração dentro de si.

Precisava, rapidamente, descobrir onde o grupo estranho responsável por toda essa situação se escondia e entender o que eles planejavam.

Era algo que ele precisava fazer.

Se uma Maré Vermelha ocorresse, então não teria como cruzar o Mar Vermelho e chegar ao Remanescente do Sul, que sempre fora seu objetivo.

Essa situação não podia acontecer.

Assim, ele continuou a avançar mais fundo na cidade.

Mas justo quando dava o próximo passo, sua cabeça se levantou rapidamente, pois percebeu algo se aproximando rapidamente por cima. Seu corpo ficou tenso ao sentir a presença acima, mas já era tarde demais para perceber.

Pum!

Um som abafado ecoou logo em seguida, enquanto duas silhuetas surgiam ao longe.

No instante em que avistaram as figuras, Lazarus e An'as arregalaram os olhos ao reconhecer imediatamente um deles.

Sylas.

O Capitão dos Espectros Carmesim. Ao lado dele, uma figura desconhecida. Com cabelo castanho encaracolado e olhos verdes, ela usava um casaco vermelho escuro com acabamento em dourado, o tecido desgastado nas bordas. Uma ampla faixa de couro atravessava sua cintura, segurando uma espada longa e estreita.

An'as ficou pálido no momento em que a viu — como se a própria vida tivesse sido sugada de suas veias. Ele não falou. Não podia. Seus dedos trêmulos alcançaram Lazarus, mas pararam no meio do movimento.

Já era tarde.

Na hora em que tentou alertar Lazarus, as duas figuras já haviam avistado ambos, seus olhos fixando-os, fazendo An'as ficar paralisado no local.

“Droga...”

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