Advento das Três Calamidades

Capítulo 489

Advento das Três Calamidades

Thu Thump!

Os tambores ecoaram forte.

Preso na mesma fila de antes, comecei a bater palmas.

Clap, clap—!

'....O que está acontecendo?'

Prendi a respiração enquanto fixava o que via diante de mim. Não conseguia entender o que estava acontecendo e, ao tentar mover as mãos, percebi que o fio conectado aos meus braços havia ficado mais forte do que antes.

Isto...

Olhei para baixo e também percebi que, diferente de antes, um fio agora estava conectado a uma das minhas pernas.

'Os fios aumentam e ficam mais poderosos com o tempo?'

Ao olhar ao redor e perceber como alguns dos outros se movimentavam de forma rígida, tive a sensação de que essa era realmente a questão. Meu coração afundou ao fazer essa descoberta.

Ergui a cabeça novamente e logo notei Caius e Kaelion.

Eles também pareciam chocados e confusos com a situação. Pensando bem, toda a situação era confusa.

'Por que todas as marionetes pararam ao mesmo tempo? Por que voltamos todos para cá e quem era aquele velho? Também me lembro dele falando algo sobre reiniciar...'

Pensei na cena diante de mim.

'Será que ele estava falando sobre isso?'

Mas então...

Como ele ainda poderia estar se mexendo normalmente?

Muitas coisas não faziam sentido para mim. No entanto, permaneci calmo. A situação era problemática, mas não impossível.

Eu só precisava descobrir as regras deste lugar.

Levando em conta que tudo foi resetado, havia regras que as 'marionetes' precisavam seguir. Desde que eu entendesse essas regras, conseguiria encontrar uma saída para este lugar.

Mas primeiro, o mais importante...

"Coruja-Feroz, Pedregulho."

Duas figuras apareceram bem na minha frente.

Confusos, eles olharam ao redor.

"Onde é isso?"

"É barulhento."

Thu Thump! Thu Thump!

Enquanto os tambores ecoavam ao fundo, ambos pularam na minha direção.

'Ok, ótimo. Parece que eles não estão sendo notados.'

No início, eu estremeci, mas logo suspirei aliviado ao perceber que as marionetes ao meu redor não reagiram à aparição deles. Olhando para os dois uma vez, percebi que não seria preciso trocar palavras entre nós, pois ambos imediatamente saíram correndo.

Coruja-Feroz foi na direção de Caius, enquanto Pedregulho foi para Kaelion.

Como ambos eram feitos de energia, nenhuma das marionetes reagiu. Isso era bom. Pelo menos, garantia que os três pudéssemos nos comunicar.

—Uh? Isso...?

—O que é isso?

Como esperado, no momento em que Pedregulho e Coruja-Feroz chegaram, eles recitaram na minha cabeça as palavras de Kaelion e Caius.

"Fique calmo, sou eu."

Requando, Coruja-Feroz e Caius transmitiram a mensagem enquanto olhavam diretamente para mim.

Assenti para garantir que eles entendessem e comecei a falar novamente:

"Se quisermos nos comunicar, podem falar diretamente suas palavras para o gato e a coruja à sua frente. Eles transmitirão suas palavras diretamente para mim."

—Tem isso mesmo?

Ao ouvir a voz de Pedregulho, virei a cabeça para olhar para Kaelion e assenti com a cabeça.

Seus olhos se arregalaram levemente, e sua expressão se suavizou.

—Certo, parece que funciona. Nenhuma das pessoas ao meu redor parece notar que estou falando.

"Sim, há a possibilidade de que eles apenas reajem aos nossos movimentos, mas não tenho certeza."

Talvez não precisássemos de Coruja-Feroz e Pedregulho.

Os três poderíamos simplesmente gritar um com o outro de nossas respectivas posições, mas isso era um risco que não queria correr.

Além disso, com os tambores tão altos, duvido que conseguimos passar nossa mensagem.

"Considerando o que o velho falou, tudo aqui reseta em determinado tempo. Que horas são agora? Algum de vocês sabe?"

—São 00h09.

A voz de Coruja-Feroz, plana, entrou na minha mente enquanto ele transmitia as palavras de Caius. Olhei para o céu, que já estava escuro, e fez sentido.

"Se for assim, o horário de reset é provavelmente meia-noite."

Calculando o tempo desde que voltamos ao pátio, passada cerca de dez minutos, essa seria a hipótese mais provável.

—Mas quem era aquele velho?

"Não faço ideia."

Respondi a Kaelion, balançando a cabeça. Estava tão confuso quanto eles. Ver como todos aqui estavam sob controle dos fios, inclusive nós, fazia acreditar que o velho tinha um ar suspeito.

Ele era o responsável pelo controle das pessoas?

...Ou também era vítima dos fios?

"Pelo jeito que ele se parece, é provável que seja o chefe da família Astrid. Com o nível de força dele, há chance de resistir ao controle dos fios."

Não tinha certeza, na verdade.

Se alguém tão poderoso quanto ele estivesse nessa situação, só aumentava minha apreensão quanto ao real poder do mestre que orquestrou tudo isso.

Quão forte ele era?

—Então, o que fazemos? O velho parece suspeito, mas além de irmos até ele, qual outra alternativa temos?

—...Você consegue pedir ajuda usando essa Coruja?

Ao ouvir a sugestão de Caius, olhei para Coruja-Feroz.

Pensei em enviá-lo para avisar Leon e os outros, mas antes, queria estabelecer um meio de comunicação entre os três.

"Sim, parece possível."

Pelo menos, parecia.

Se era realmente possível ou não, não tinha certeza completa.

Só descobriria tentando.

"Mas mesmo que eu consiga, o que eles podem fazer? Estariam tão indefesos quanto nós. No máximo, poderiam trazer reforços da Academia, se ainda tiverem alguns disponíveis, mas isso levaria tempo."

—E a Casa de Myron?

"Provavelmente estão ocupados demais lutando contra monstros para se preocupar conosco. E mesmo que tenham forças sobrando, duvido que se importem o suficiente para ajudar."

Olhei especialmente para Kaelion.

"...Afinal, quebramos a regra deles."

Isso foi nosso erro.

Bem, eu não culpo exatamente Kaelion. Na verdade, fiquei até surpreso com as ações dele. Não imaginava que ele tivesse esse nível de compaixão. Parecia mais uma cobra, para mim. Uma cobra que faria qualquer coisa por si mesma.

Esse evento...

Alterou minha percepção dele um pouco.

'Acho que até cobras podem sentir alguma compaixão.'

Isso me fez pensar.

Será que há mais em Kaelion do que eu imagino?

— Certo... A culpa é minha.

— É mesmo.

Caius não poupou palavras.

Provavelmente por não demonstrar emoções, ele era bastante direto em tudo que dizia. Além disso, não era de falar muito, ao contrário de Kaelion.

Senti o olhar de Caius e ele olhou para o céu escuro.

— Vale a pena tentar. Mesmo que não consigam ajudar, talvez seja bom avisá-los.

"Você tem razão."

Inclinei minha cabeça em direção à Coruja-Feroz, que entendeu minha mensagem, e a vi bater as asas, voando em direção ao céu, fundindo-se com a escuridão acima.

Ao mesmo tempo, lembrei: "Diga a eles para não fazerem movimentos impulsivos. Fale que estamos bem por enquanto. Vou atualizá-los sobre nossa situação e é melhor que os professores sejam informados."

Já tinha uma ideia de que iríamos nos meter em muitas confusões, mas já estava acostumado com isso.

'Não é a primeira vez que me meto em encrenca.'

Olhei para a coruja que desaparecia na distância, suspirei e olhei para minhas habilidades.

Particularmente, olhei para [Olhos do Visionário], que ainda estava cinza. Faz tempo que não uso essa habilidade, e ainda não consegui ativá-la.

'Por quê?'

Quanto tempo mais seria o tempo de recarga?

Um mês? Alguns meses?

Olhei ao meu redor, consciente de que precisava da habilidade. Para sair daquela situação, tinha que conseguir ativá-la.

Somente com a habilidade descobriria se o velho estava conosco ou contra nós.

Não só isso, mas também precisava encontrar uma maneira adequada de não ser detectado pelos fios.

Por isso, essa habilidade era fundamental para mim.

...Um passo em falso e eu sabia que estaríamos ferrados.

Não podia me dar ao luxo de arriscar.

Então...

"Ah."

Uma ideia surgiu e meu corpo tremeu.

'Se for assim, então...'

Com os dentes cerrados, lancei um olhar para Pedregulho, que parecia entender meu comando e começou a se mover em minha direção. A expressão de Kaelion passou rapidamente de surpresa para calma, seu olhar firme e concentrado em mim.

Pouco depois, duas coisas apareceram na minha mão, sendo rapidamente pegas por Pedregulho.

Tik, tik—

Uma pochete e uma pequena ampola vermelha.

Sim, uma ampola.

Dentro dela, estava o sangue de Oracleus.

Meu sangue.

Depois dos eventos na mina de ouro, coletei algumas ampolas com sangue de Oracleus.

Pensando no que aconteceu quando o Papa me injetou sangue de Oracleus, tive a sensação de que essa poderia ser exatamente a coisa que eu precisava para reduzir o tempo de recarga da habilidade.

Abri a boca e Pedregulho abriu a ampola, derramando o sangue na minha boca.

Sha—

Um gosto forte, metálico, invadiu minha boca, fazendo eu fazer careta ao sentir que grudava na minha amígdala. Meu corpo começou a tremer incontrolavelmente por causa do sabor.

Resisti ao nojo e rapidamente engoli o sangue. Quase que imediatamente, uma sensação quente se espalhou pelo meu peito.

"....!"

Ela invadiu todo o meu corpo, deixando-me completamente imóvel.

Antes que percebesse, o mundo ao meu redor começou a se distorcer em uma espiral longa, quase me fazendo perder o equilíbrio.

Mas, bem no centro da espiral, consegui ver algo...

Uma figura.

Não, eram duas.

Eles estavam frente a frente, suas silhuetas obscuras.

Quem...?

'Ei, ei...!'

A voz soava bastante aguda, quase como a de um adolescente. Quase como meu irmão, mas diferente.

No entanto, conseguia sentir que quem falava tinha grande respeito pelo outro, que eu não podia ver.

'O que foi, Toren?'

'Hehe, finalmente criei um nome para mim.'

'Um nome?'

'Sim, como um pseudônimo.'

'Ah? Qual é...?'

'...Sithrus. Sim, vou me chamar assim. Parece bem imponente, né?'

Meus olhos se arregalaram enquanto a outra figura lentamente se virou, fixando contato comigo. Fiquei parado, incapaz de me mover sob o peso do olhar dele. Ele examinou meus arredores com uma calma inquietante, depois assentiu com a cabeça em sinal de compreensão.

Pouco depois, baixou o olhar para o garoto, com uma expressão que não consegui decifrar completamente.

'Sithrus...? Não é ruim. É—'

"Huaa...!"

Tudo terminou ali.

Com o suor escorrendo pelos lados da cabeça e o peito subindo e descendo de forma irregular, olhei para a tela de habilidades e fixei o olhar em [Olhos do Visionário].

De fato, minha suspeita não estava errada.

O sangue ajudou, mas...

'Isso...'

O que foi que eu acabei de ver?

Comentários