
Volume 6 - Capítulo 4
The Water Magician
Dois dias depois, a delegação partiu de Karnak após entregar os prisioneiros. Cinco dias depois, eles finalmente chegaram a Tebas, a capital da Terra do Crepúsculo. Ao passarem pelos portões e entrarem na cidade, dezenas de residentes se reuniram em ambos os lados da avenida principal para dar as boas-vindas aos enviados do Reino. Eles seguravam versões em miniatura das bandeiras da Terra do Crepúsculo e de Knightley em cada mão, agitando-as alegremente.
— Que visão incrível...
— Pois é.
Ryo e Abel estavam, na verdade, pensando coisas completamente opostas. O primeiro nunca imaginou que veria uma cena tão comum na Terra acontecer em Phi, enquanto Abel nunca imaginou que o povo da Terra do Crepúsculo receberia uma delegação estrangeira tão calorosamente. Independentemente disso, ambos apreciaram a fanfarra.
Imediatamente após a chegada, o negociador-chefe, Ignus, os funcionários públicos, Abel e Ryo deveriam encontrar o arquiduque.
— E-eu sou apenas um aventureiro — disse Ryo —, então eu realmente não acho que preciso estar lá...
— Você não vai escapar dessa tão fácil! Você sabe por que tivemos o luxo de andar de carruagem? Porque essas reuniões fazem parte do nosso trabalho aqui. O Reino até se deu ao trabalho de preparar trajes cerimoniais para você, então não há a menor chance de você não ir! — argumentou Abel.
— Uuurk... — Ryo gemeu, incapaz de pensar em uma réplica.
Nem precisava dizer que ele não tinha escolha a não ser comparecer. A cerimônia em si terminou sem incidentes. Ignus fez todo o discurso em nome da delegação, enquanto Abel e Ryo simplesmente se ajoelharam e ouviram. Durante todo o tempo, Ryo não conseguia deixar de pensar: Eu sei que ele deveria ser o avô da Myu, mas não se parecem muito, hm?
Depois, a delegação foi para suas acomodações, uma casa de hóspedes nos terrenos do castelo.
— Eu tinha certeza que haveria algum tipo de festa de boas-vindas, mas acho que me enganei.
— Não, vai ter — está marcada para daqui a quatro dias. A propósito, a presença é obrigatória. Isso vale para mim, para os funcionários públicos e para você.
Ryo suspirou. — Outra?
— Faz parte do trabalho — disse Abel, e ele falava sério.
Duas horas depois, a melancolia de Ryo havia se dissipado, tudo porque...
— Nada como um bom banho, certo, Abel?! O povo do Crepúsculo com certeza sabe definir suas prioridades, hm?
— Nossa, você realmente ama banhos, hein?
— ...a banheira da casa de hóspedes era enorme!
— Pode apostar! Afinal, nascemos em banhos e morremos em banhos! — A julgar pelo entusiasmo de Ryo, ele parecia convencido de que o futuro da humanidade dependia de espuma e água quente.
— É, acho que a vida não funciona assim.
— Bem, eu, por exemplo, planejo ter as palavras “Ele viveu e morreu pelo banho” gravadas na minha lápide.
— O que te fizer feliz, cara.
Abel não fazia ideia de onde vinha a paixão inabalável de Ryo por banhos e também não se importava muito com isso. Mas não importava, contanto que Ryo se sentisse melhor, então ele apenas balançou a cabeça com um sorriso irônico.
◆
Um mordomo entrou no Escritório, uma enorme biblioteca particular repleta de livros. Hoje, como sempre, o dono estava sentado, absorto em um deles. O mordomo se aproximou e fez uma reverência respeitosa.
— Ah, Drab — disse o homem. — Já é essa hora?
— Sim, meu senhor. Um de seus subordinados está pronto para fazer o relatório.
— Entendo — disse o mestre com um aceno de cabeça. — Deixe-o entrar.
— Tenho duas notícias. Primeiro, uma delegação do Reino chegou. Segundo, a guerra civil está programada para começar em seis dias, dois dias após o banquete no castelo.
— Explique a última, por favor.
— Claro. O campo de batalha se estenderá por toda Tebas. Lorde Vicente, Marquês de Espier, é o agressor, enquanto Lorde Sandalio, Conde de Contreras, é o defensor. Cada um tem o apoio de várias dezenas de nobres.
— Mais de cem nobres no total? — perguntou o mestre.
— Correto, meu senhor — disse o subordinado com um aceno de cabeça.
— Isso pode se tornar tedioso rapidamente... — murmurou o outro homem. — Ou talvez não. Suponho que teremos que esperar para ver.
O subordinado observava, com a expressão inalterada.
— Entendo — disse o homem finalmente. — Obrigado por seus esforços.
O subordinado fez uma reverência e se preparou para sair.
— Ah, mais uma coisa — disse o outro.
Seu subordinado parou imediatamente e se virou para encará-lo.
— A delegação de Knightley...
— Sim, meu senhor?
— Eu gostaria de mais informações sobre seus membros. Não tenho pressa, então me envie por escrito.
— Entendido.
◆
No dia seguinte à chegada da delegação em Tebas, as negociações bilaterais finalmente começaram. Ignus e os funcionários públicos realizaram várias reuniões, às vezes simultaneamente, no salão de recepção adjacente à casa de hóspedes. Enquanto isso, os cavaleiros e aventureiros ficavam ociosos, esperando para retomar suas funções na viagem de volta.
Abel e Ryo eram exceções, no entanto. Eles foram convidados para a sede da guilda de aventureiros da Terra do Crepúsculo, onde participaram de várias reuniões e ocasionalmente assistiram a batalhas simuladas enquanto cuidavam de suas outras obrigações. Atualmente, não havia aventureiros ativos acima do Rank A na Terra do Crepúsculo, o que explicava por que as expectativas eram tão altas para Abel, um aventureiro de Rank A do Reino.
Ryo, por sua vez, era um Rank C e subordinado de Abel. Deixá-lo ir por conta própria não era uma opção, então Abel arrastou o mago da água com ele...
— Eu tenho o pior azar... — disse Ryo com um suspiro.
Sua reclamação não foi ouvida.
Sua primeira tarefa foi participar de um seminário na sede da guilda de aventureiros da Terra do Crepúsculo, mas só pareceu um seminário de verdade por um breve momento. No meio da palestra de Abel, discussões acaloradas eclodiram até que os participantes estavam prestes a trocar socos. Nesse ponto, Abel ergueu a voz e levou todos para os campos de treinamento, onde o seminário basicamente se transformou em uma batalha simulada completa.
— No fim, é assim que os aventureiros são — disse Ryo. — Eles agem antes de pensar...
— Não discordo — respondeu Abel. Em um movimento raro, ele realmente concordou com o mago da água.
Os participantes ficaram mais animados nos campos de treinamento. Eles bombardearam Ryo com perguntas — sobre magia, o curso para iniciantes na guilda de aventureiros de Lune e tudo mais. Ele respondeu com a confiança nascida da experiência em primeira mão. E por que não deveria? Ele era muito mais do que o lacaio de Abel — ou pelo menos era o que dizia a si mesmo.
◆
— Ufa. Admito que estava um pouco preocupado, mas lidei com isso melhor do que pensava — disse Ryo enquanto ele e Abel pegavam uma carruagem de volta para a casa de hóspedes.
— Eu te disse que seria fácil.
— Não quero nem pensar no que poderia ter acontecido se as brigas tivessem começado na sala de conferências.
— Ainda bem que não começaram, então, hein? Além disso, isso é bem normal para aventureiros.
— Sério?
Aventureiros podiam ser bem barulhentos, mas Ryo — um jovem tranquilo — naturalmente não conseguia se identificar com isso.
— Deixa eu adivinhar — disse Abel com um suspiro. — Você está pensando em como é um bom menino que nunca causa problemas, certo?
— Uau, é isso mesmo! Como você sabia?
— Porque eu sei melhor do que ninguém que isso não é verdade.
— Mentiras e calúnias. — Ryo zombou, recusando-se a aceitar o absurdo que saía da boca de Abel. — Se eu digo que sou um jovem dócil, então é a mais pura verdade.
— Você sabia que você sorri quando luta? É especialmente assustador quando você está contra um oponente forte. Alguém que é realmente dócil não faria isso.
— Isso é ridículo! — Ryo ofegou, surpreso com o fato de sorrir durante a batalha, ou talvez com a sugestão de Abel de que uma pessoa verdadeiramente dócil não agia dessa maneira — ou, mais provavelmente, com ambos.
— Parece que há algum tipo de confusão lá na frente — disse Ryo enquanto a carruagem se aproximava do portão principal do castelo.
— Hã?
Perplexo, Abel colocou a cabeça para fora da janela.
— Ok, sim. Parece uma discussão. Mas estamos bem em frente ao portão principal — os guardas já não deveriam tê-los dispersado?
— Embora eu duvide que hesitariam em despachar um espadachim cruel, perverso e maligno — alguém como você, por exemplo —, eles certamente se sentiriam culpados em usar a força contra civis.
— Queria que você se sentisse culpado por metade das coisas que me diz, Ryo.
A carruagem chegou ao portão, e Ryo e Abel ouviram uma voz gritando da confusão.
— Ali está! É aquela carruagem!
Ryo e Abel se entreolharam.
— Parece que somos o alvo deles.
— Parece que sim.
— Abel, o que você quer fazer? Devo erradicá-los com uma saraivada de Lanças de Gelo?
— Não. — Abel franziu a testa. — Quero saber por que eles estão atrás de nós. Quer dizer, não é garantido que sejam inimigos, certo?
— Que ingênuo, Abel! Você tem que agir enquanto é tempo! Vacile uma vez e ficará para trás.
— Sim, eu entendo o que você está tentando dizer, mas... e se eles forem civis, como você disse antes?
— Nesse caso, deixe comigo. Eu simplesmente coloco toda a culpa em você.
— É, nem pensar.
Eles estavam em um impasse.
— Pode parar aqui — disse Abel ao cocheiro, e a carruagem parou.
Ele saiu imediatamente. As pessoas que estavam fazendo barulho no portão correram em direção a eles. O homem na frente tinha um porte atlético como o de Abel, embora fosse um pouco esguio para um espadachim. Ele usava o cabelo comprido em um rabo de cavalo, e sua barba por fazer lhe dava uma aparência rude.
— Aventureiros? — murmurou Ryo pela janela da carruagem.
De fato, as cinco pessoas pareciam um grupo bem equilibrado. Tinham um espadachim, um batedor, um portador de escudo, um mago e um sacerdote.
— Podemos ajudar? — chamou Abel.
— Você é o Abel, não é?
— Sou eu. Quem pergunta?
— Tenho um favor a pedir. Venha, lute comigo.
— Fazer o quê?
Ryo, Abel e os cinco aventureiros decidiram discutir o assunto ali mesmo na praça. À sombra do portão principal, sentaram-se em cadeiras de pedra ao redor de uma mesa de pedra. Quando Ryo começou a fazer café, Abel olhou para ele, mas não questionou mais de onde o mago da água tinha tirado as ferramentas. Ele sabia que as tinha criado, mas de onde vinham os grãos de café?
— Eu guardo alguns grãos torrados na minha bolsa caso algo assim aconteça — explicou Ryo, como se tivesse lido a mente de Abel.
Quatro dos aventureiros olhavam para Ryo enquanto ele preparava o café. Enquanto isso, o espadachim olhava para Abel.
— Somos o grupo de Rank B, Cinco Montanhas, com base em Tebas. Eu sou Ceferino, o líder e espadachim.
Ele explicou que, como havia apenas dois grupos de Rank B na capital da Terra do Crepúsculo, os Cinco Montanhas estavam originalmente programados para participar da reunião de hoje. No entanto, eles foram chamados para um pedido urgente do arquiduque e só retornaram a Tebas há pouco tempo. Eles correram para a sede da guilda, mas não encontraram a dupla. Depois de ouvir sobre o caos durante o seminário, o grupo queria Abel — então correram para encontrá-los o mais rápido que puderam.
— Acho que estamos entendidos — disse Abel com um aceno de cabeça.
— Que tal um café? — perguntou Ryo, servindo e distribuindo sete xícaras. — Há mais alguma coisa na história?
— Aceito uma xícara, obrigado. Mas não, isso resume tudo.
Ceferino tomou um gole, e seus companheiros de grupo fizeram o mesmo.
— Uauuu...
— Incrível.
— Delicioso...
Murmúrios de prazer vieram do grupo. A cabeça de Ryo balançou feliz em resposta.
— Tenho que admitir, Ryo, seu café é sempre bom pra caramba — disse Abel.
— Não é? — Ryo assentiu com satisfação.
Eles relaxaram um pouco, apreciando suas bebidas. Eventualmente, Abel olhou para o espadachim.
— Se você tem certeza, ficarei feliz em lutar com você — comentou ele.
— Ahhh, muito obrigado! — respondeu Ceferino, mais do que grato.
E foi assim que um duelo entre um espadachim de Rank A e um de Rank B começou no pátio do castelo.
Abel empunhava sua lâmina mágica de sempre, iluminada por um brilho vermelho. Enquanto isso, Ceferino usava uma espada fina, de um só gume, com uma lâmina curva.
— Uma espada japonesa? — murmurou Ryo, sem conseguir se conter.
Ele e os outros haviam se afastado para assistir à luta dos espadachins. Sua Murasame também tinha a forma de uma espada japonesa — muito parecida com a Mikazuki Munechika, famosa como uma das katanas mais bonitas, com uma curva pronunciada perto da guarda que se suavizava em direção à ponta.
A espada de Ceferino, no entanto, lembrava a Otenta Mitsuyo ou a Sohayanotsurugi, com sua curva correndo quase uniformemente da guarda à ponta...
Claro, não era uma questão de um estilo ser melhor que o outro. E mesmo que ninguém tivesse perguntado, Ryo assentiu com firmeza.
— Ambas são lindas — disse ele.
— A família de Ceferino passou essa espada de geração em geração — explicou Ilana, a maga dos Cinco Montanhas. — Ele pode não parecer, mas vem de uma família de cavaleiros que emigraram do Reino.
Aliás, todos os cinco membros do grupo tinham vinte e cinco anos. Ceferino e Ilana eram amigos de infância, o que explicava por que ela parecia saber tanto sobre ele.
— Os pais dele morreram pouco antes de ele atingir a maioridade... Essa espada foi um dos poucos bens que eles deixaram, e ele a estima profundamente.
— Entendo — disse Ryo com um aceno de cabeça.
Mesmo à distância, parecia uma katana bem-feita. Claro, Ryo não tinha ideia se era realmente uma espada japonesa ou não.
A esgrima de Abel e Ceferino foi um espetáculo de se ver desde o primeiro aparo, mas talvez fosse porque era uma batalha simulada, não uma luta real com vidas em jogo. Ainda assim, lutar era perigoso — um erro poderia ser fatal, e ferimentos graves não eram incomuns. Até mesmo perder um membro não era algo inédito...
Klink, klink, klink.
Suas espadas se chocavam incessantemente. Ceferino havia pedido a Abel para ensiná-lo, mas Abel certamente não estava em posição de dar lições. Tornou-se uma competição acirrada entre espadachins de força quase igual, com o equilíbrio mudando frequentemente entre ataque e defesa.
— Ah, golpe limpo, Ceferino! Você é muito bom nisso, sabia...
— Nem tanto. Eu sei que você está se segurando, Abel.
Apenas pessoas verdadeiramente habilidosas com a lâmina podiam manter uma conversa completa enquanto lutavam. Na verdade, o melhor lutador muitas vezes dava conselhos durante as lutas de treino.
— Acho que não há mais nada que eu possa te ensinar — disse Abel honestamente.
A esgrima de Ceferino não tinha pontos fracos. Ele podia atacar e defender em um nível de elite, e podia transitar entre os dois com uma facilidade chocante.
— Você nem precisava disso, não é? — perguntou Abel. — Você só queria medir sua força — ou, se tiver sorte, me vencer.
— Adoraria vencer — disse Ceferino, sorrindo. — Mas a verdadeira questão é: você vai me deixar?
— Que tal você ver por si mesmo?! — respondeu Abel.
— Ceferino parece emocionado... — murmurou Ilana.
Ryo assentiu. — Abel parece que está se divertindo também.
Os outros três membros dos Cinco Montanhas assentiram em concordância.
Ambos os homens intensificaram o ritmo, mas era impossível dizer quem tinha a vantagem do lado de fora.
O da esquerda desviou o golpe descendente do outro e contra-atacou com um corte diagonal. Seu oponente recuou para evitá-lo e então avançou assim que o outro homem se inclinou para frente.
Em um instante, o espaço entre eles se reduziu à largura de um punho. Duas mãos direitas seguravam suas espadas, mas suas mãos livres...
— Um golpe no fígado! — gritou Ryo.
— Ao mesmo tempo! — disse Ilana.
Cada homem havia atingido o outro no lado direito do tronco, logo abaixo das costelas — bem sobre o fígado. Com tão pouco músculo protegendo-o, esse ponto é um dos pontos fracos do corpo humano. No boxe profissional, um único golpe limpo no fígado pode derrubar até mesmo um lutador experiente. É muito mais eficaz do que a maioria dos outros golpes no corpo!
Não estava claro se algum dos espadachins entendia a mecânica subjacente, mas eles haviam transitado da espada para o punho com tanta fluidez que obviamente tinham experiência em lutas de punho. Ryo ficou impressionado com o talento e a experiência deles como aventureiros.
No entanto, embora os golpes no fígado parecessem iguais em força, os momentos seguintes provaram o contrário. Abel recuou novamente para a distância da espada, mas os pés de Ceferino não se moveram. O golpe no fígado de Abel o havia imobilizado efetivamente! Ele apontou sua espada para a garganta de Ceferino... e a batalha simulada chegou a um fim abrupto.
Ceferino caiu de joelhos, e Nieves, a sacerdotisa dos Cinco Montanhas, lançou repetidamente a magia de Cura nele.
— O nome dele era Ceferino, certo? — perguntou Ryo a Abel, entregando-lhe uma poção caseira. — Ele era forte?
Abel bebeu a poção, mas não parecia ter ferimentos graves. — Sim, eu tive que levar a sério naquela.
Depois de um tempo, Ceferino se levantou, foi até Abel e fez uma reverência.
— Foi muito educativo. Obrigado.
— Não, você é fera. Não pude me dar ao luxo de me segurar no final.
Ceferino sorriu timidamente. Em vez de ficar chateado com o dano que havia sofrido, ele parecia satisfeito por um especialista do calibre de Abel tê-lo levado a sério.
— Talvez pudéssemos lutar de novo amanhã... — disse ele, incerto. — Bem, eu sei que você está ocupado, então se não der, talvez depois de amanhã? Ou no dia seguinte?
— Uhhh... — Abel coçou a bochecha, lutando para encontrar as palavras certas. Ele havia antecipado o pedido, mas ainda precisava considerar sua agenda. Como aventureiro de Rank A, ele era uma das “atrações principais” da delegação, o que significava que estava ocupado em quase todos os seus dias em Tebas.
Mas então o apoio veio das laterais.
— Ceferino é o aventureiro mais forte deste país — disse Ilana. — Não há ninguém aqui que possa lutar com ele quando está lutando com força total.
Os outros três assentiram em concordância.
Abel ponderou por um tempo. — Hmm. A partir de amanhã, provavelmente estaremos voltando mais ou menos nesta hora. Funciona para você?
— Claro! — Ceferino nem hesitou, sua cabeça balançando ansiosamente.
◆
Depois de se despedir dos Cinco Montanhas, Ryo e Abel finalmente retornaram à casa de hóspedes nos terrenos do castelo. Durante um banho e o jantar, eles discutiram sua luta de treinamento com Ceferino.
— Abel, você é o tipo de cara que simplesmente não consegue recusar um favor a um novato.
— Você não está errado. Quando alguém que está motivado e se esforça pede sua ajuda, você não pode dizer não. Você é do mesmo jeito, Ryo.
— Tch... você não está errado.
Esses dois eram farinha do mesmo saco.
— Mas os vigaristas se aproveitarão desse tipo de gentileza — continuou Ryo.
— Vigaristas?
— Sim, vigaristas. Você tem que ficar de olho neles. Eles fingirão estar do seu lado para cair nas suas graças, e então BAM, você foi enganado!
— E o que exatamente eles tentariam tirar de mim? Uma refeição? Guloseimas? — Abel olhou para o mago da água de forma incisiva. — Se for esse o caso, parece que estou sendo enganado 24 horas por dia, 7 dias por semana.
— E-ei, talvez eles não fossem tão diretos. V-você nunca sabe... — gaguejou Ryo, mas ele sabia que tinha que se defender! — Claro, a gentileza é uma coisa maravilhosa. Acho incrivelmente generoso tratar seus colegas e associados com uma refeição por pura bondade do seu coração.
— Você quer dizer Shoken e os outros aventureiros que trabalharam tanto como nossos guarda-costas, mais Zach, Scotty e os outros cavaleiros?
— Certamente. No entanto, embora eu tenha certeza de que eles fizeram o seu melhor, também há um mago perto de você que trabalha ainda mais!
Abel olhou ao redor, fingindo ignorância. — Oh? Onde?
Ryo, indignado, levantou a mão. — Bem aqui!
— Hmm...
— Sabe, Abel, eu também sou seu júnior. É seu dever me pagar as coisas!
— Não sinto a menor obrigação de pagar nada a um novato com bolsos tão fundos quanto os seus.
— R-riqueza ou a falta dela é irrelevante.
Desgastado pelo argumento de Ryo, Abel finalmente assentiu em derrota. — Tudo bem. Você venceu.
— Louvado seja!
— Coma o quanto quiser enquanto estivermos aqui. Eu cubro tudo.
— Espere — disse Ryo, franzindo a testa. — Mas a comida na casa de hóspedes é de graça!
— Droga. — Abel sorriu como um garotinho travesso. — Fui pego.
Se não outra coisa, isso mostrava o quão próximos eles haviam se tornado...
◆
No dia seguinte, Ryo e Abel foram incumbidos de instruir os cavaleiros do arquiduque. Para surpresa de ninguém, no entanto, a palestra se transformou em uma sessão de treinamento completa no meio do caminho. Aventureiros e cavaleiros simplesmente preferiam a experiência prática à escuta passiva — ou algo assim...
Como no dia anterior, Abel e Ceferino passaram a noite lutando no pátio do lado de fora dos portões do castelo. Enquanto isso, Ryo organizou uma festa do chá com os outros quatro membros dos Cinco Montanhas. Ele fez café e ouviu enquanto eles se apresentavam, falavam sobre como o grupo se formou e discutiam alguns de seus maiores trabalhos.
O grupo consistia na maga do ar Ilana, na clériga Nieves, no batedor Primo e no portador de escudo Leoncio. Ilana e Nieves eram mulheres, e o resto eram homens. Todos tinham vinte e cinco anos.
Eventualmente, a conversa deles mudou para assuntos atuais.
— Sério? Você nunca conheceu um aristocrata? — perguntou Ryo, intrigado.
— Isso mesmo. E são tantos, o que torna ainda mais estranho. Como Rank B, recebemos muitas comissões da nobreza, mas eu ainda nunca conheci um, muito menos suas famílias. Mordomos e administradores são nossos pontos de contato. Nada de errado com isso, mas... — Ilana encolheu os ombros.
— Ela não está sozinha — respondeu Nieves, franzindo a testa. — Nenhum de nós conheceu um nobre.
Leoncio assentiu silenciosamente, assim como Warren da Lâmina Carmesim costumava fazer. Talvez os portadores de escudo fossem naturalmente taciturnos.
— É assim que as coisas funcionam no Crepúsculo, pelo menos — disse Primo. Ele era o único homem do grupo a falar. — Estou curioso sobre como as coisas funcionam no Reino, no entanto.
— Hmm... Eu diria que é um pouco diferente em Knightley. — Ryo pensou em Phelps por um momento. — Conheço um Rank B em Lune que é filho e herdeiro do marquês, então acho que há pelo menos alguma sobreposição entre aventureiros e a nobreza.
Ilana ofegou. — O herdeiro de um marquesado!
— Incrível! — disse Nieves.
Primo piscou surpreso. — Não é à toa que chamam o Reino de país de aventureiros.
Embora Leoncio permanecesse em silêncio, seus olhos se arregalaram e sua boca se abriu em choque.
— Os nobres nunca fazem aparições públicas por aqui? — perguntou Ryo. — Certamente alguns trabalham para o governo ou servem como ministros.
— Eles não fazem. Isso pode ser a norma em outros países, mas a Terra do Crepúsculo é completamente diferente.
— Os nobres não ocupam cargos no governo central.
— Bem, a única exceção é o arquiduque.
Isso fazia sentido. Como líder do país e chefe do governo central, ele basicamente tinha que fazer aparições públicas frequentes.
— Então, o que os aristocratas aqui fazem?
— Eles têm territórios por todo o país, então suponho que passem a maior parte do tempo lá...
— Eles têm mansões aqui em Tebas também. São absolutamente enormes.
— Sabe o que é enorme? O abismo entre nós, plebeus, e a aristocracia...
Mais uma vez, Ilana, Nieves e Primo responderam na mesma ordem e, mais uma vez, Leoncio assentiu silenciosamente.
— Alguém pode se tornar um nobre? — perguntou Ryo.
Ilana inclinou a cabeça em confusão. — O que você quer dizer?
— Tipo, um plebeu pode elevar seu status fazendo boas ações e realizando coisas incríveis?
— Não.
— Isso não aconteceu nenhuma vez desde que o país foi fundado.
— É o jeito do Crepúsculo.
Parecia que a divisão entre nobreza e plebeus era inteiramente determinada no nascimento.
— Mas certamente isso não significa que pessoas comuns nunca encontrem aristocratas, certo?
— Certo. Seus empregados os encontram, claro, e ocasionalmente seus súditos terão a chance.
— Ouvimos muito sobre como as nobres são lindas e os homens são arrojados.
— Talvez eles sejam apenas de uma raça diferente de nós, plebeus.
Todos os três soltaram um suspiro profundo. Apenas o portador do escudo, Leoncio, balançou a cabeça silenciosamente e sorriu. Talvez seu papel fosse ouvir em silêncio as queixas de seus companheiros.
Enquanto os cinco conversavam, a batalha simulada de hoje chegou ao fim. Assim como antes, Ceferino caiu de joelhos, e Nieves correu para curá-lo.
Avistando Abel, Ryo caminhou casualmente em sua direção.
— Não tive a chance de assistir, mas você parece bem.
— É? O que você estava fazendo?
— Muitas coisas.
— Tudo o que vi você fazer foi conversar.
Ryo encolheu os ombros. — Não, estávamos trocando informações.
Após se recuperar, Ceferino se aproximou deles. — Por que parece que eu fui pior do que ontem?
— Você está imaginando coisas, Ceferino.
— Não, você estava definitivamente mais confortável hoje.
— Ohhh, sim... Provavelmente porque agora eu tenho uma ideia melhor da sua esgrima, o que torna mais fácil prever seus movimentos.
— Você só pode estar brincando comigo... — Os ombros de Ceferino caíram por um momento, mas ele rapidamente levantou a cabeça. — Isso não importa, e certamente não vai me parar. Conto com você amanhã!
— Uh, claro. Até lá.
◆
— Abel, você sabe qual é a sua fraqueza? — perguntou Ryo. — Você é um coração mole demais.
— De onde diabos veio isso?
— Ele pediu para lutar de novo amanhã, e você simplesmente não conseguiu recusar.
— Ok, tudo bem, você me pegou. Mas... — Abel fez uma pausa, considerando algo. — Acho que me beneficiei mais da nossa última sessão do que ele.
— Sério? — perguntou Ryo, surpreso.
— A técnica de Ceferino é interessante. Eu aprendo todo tipo de coisa quando luto com ele. Me ajuda a crescer, sabe? — disse Abel com uma risada.
Depois de se despedir dos Cinco Montanhas, Ryo e Abel voltaram para a casa de hóspedes nos terrenos do castelo, onde, assim como ontem, tomaram um banho e conversaram durante o jantar.
— Bem, é bom que você também aprenda algo.
— Sim.
— Você pode lutar com ele de novo amanhã, mas não se esqueça que você está ocupado no dia seguinte.
— Ohhh, sim. O banquete é naquela noite, não é?
— Isso mesmo. Se não avisarmos os Cinco Montanhas, eles podem esperar até tarde, no escuro e no frio, ressentidos por você não ter aparecido.
— Duvido muito disso. — Abel balançou a cabeça com desdém.
— E então, à noite, a guarnição ducal expulsaria quaisquer aventureiros vadiando na praça, desencadeando uma guerra de facções que acabaria por escalar para uma guerra civil total entre os nobres.
Abel olhou fixamente.
— O que seria inteiramente sua culpa, Abel...
— Sabe o que eu sempre me perguntei? Por que você não consegue encontrar um uso mais produtivo para seus poderes de delírio... quer dizer, imaginação?
— Eu encontrei! Eu trago alegria e risos aos corações tristes e deprimidos das pessoas em todo o mundo.
— Se você diz. Eu nunca vi isso, mas claro.
As grandiosas empreitadas do mago da água eram incompreendidas pelo espadachim pragmático. Que mundo cruel, cruel.
Na noite seguinte, Abel e Ceferino lutaram novamente. No final, Abel disse a ele que não estaria disponível na noite seguinte devido ao banquete. A expressão desanimada de Ceferino deve ter feito Abel se sentir culpado, no entanto, porque o espadachim se apressou em acrescentar que certamente poderia lutar no dia seguinte ao banquete. Ceferino se animou instantaneamente, e os outros membros dos Cinco Montanhas sorriram em resposta. Eles deram a Abel suas informações de contato e depois partiram.
◆
O banquete foi realizado para dar as boas-vindas à delegação do Reino. Naquela noite, muitos dos altos funcionários do governo e nobres da Terra do Crepúsculo estavam presentes, incluindo muitos que nunca se dignaram a aparecer na frente de aventureiros antes.
Até mesmo um plebeu como Ryo podia distinguir um nobre de um burocrata simplesmente por suas roupas.
— Abel, só preciso de um único olhar para dizer quem é um nobre de verdade! — ele murmurou para o espadachim.
— Sim. Bem, é menos pelas roupas dos aristocratas e mais pelas dos funcionários do governo. O estilo deles é tão simples — é uma pista óbvia.
Os burocratas usavam roupas bastante simples e monocromáticas, que contrastavam fortemente com as roupas coloridas dos nobres. As mulheres usavam vestidos, e os homens usavam calças e algum tipo de blusa antiga — talvez um gibão? — que Ryo não sabia o nome. Sob a luz, seus tecidos vibrantes e joias — que tanto homens quanto mulheres usavam — brilhavam.
— A nobreza do Reino se veste da mesma forma nesses tipos de banquetes? — perguntou Ryo.
— As mulheres, sim. Os homens... — Abel sorriu ironicamente. — Bem, varia.
Ryo teve a impressão de que seu amigo não estava acostumado a esses tipos de festas, mesmo que ele devesse ser o segundo príncipe. Dito isso, Abel era hábil em se adaptar a qualquer situação e resolver problemas com tato. Depois de um tempo, alguns altos funcionários do governo se aproximaram de Abel e iniciaram uma conversa com ele. Este jantar era um evento estilo buffet, o que significava que as pessoas não tinham assentos designados e eram livres para interagir com quem quisessem.
Além de Abel, os funcionários públicos de Ignis também estavam conversando com pessoas do Crepúsculo por todo o salão. Eles viam este banquete como outra parte de seus trabalhos. Abel, aparentemente da mesma opinião, sorria e conversava com os outros.
— Boa sorte para você, meu amigo! — Ryo murmurou antes de se esgueirar para garantir uma posição em frente ao seu novo alvo: uma mesa cheia de comida. Ele havia decidido jogar Abel aos lobos e desfrutar de sua refeição.
Ryo normalmente não era um grande comilão. Quando estava ocupado com magia ou alquimia, ele se virava apenas com carne seca. No entanto, em uma situação como esta, onde estava cercado por convidados absortos em conversas e uma variedade deliciosa de comida esperando para ser comida... bem, quem poderia resistir? Certamente não ele. Então, ele devorou.
Isso não era de forma alguma um ato de gula! Não, ele estava apenas atendendo a um justo chamado às armas para salvar a comida que estava ali, triste e abandonada! Isso era um banquete, então Ryo ainda tinha que ficar ali e devorar cada prato de maneira digna. Ele era a própria imagem da “gula refinada”.
Para comer sem fazer um espetáculo vulgar, tudo o que você precisa fazer é abrir bem a boca e garantir que a comida não toque seus lábios. Contanto que você mantenha as costas retas e uma expressão séria, você ficará bem!
Assim, nossa cena estava montada — e os oficiais e nobres do Crepúsculo mantinham uma distância segura da mesa do buffet enquanto Ryo comia...
— Minha nossa — disse alguém ao se aproximar de Ryo —, vocês, aventureiros de Knightley, têm um apetite e tanto, hm?
Quando Ryo se virou para cumprimentá-la, ele viu uma “beleza incomparável”. Mesmo em seu breve tempo ali, Ryo achava que a aristocracia do Crepúsculo estava cheia de homens e mulheres atraentes — mas a dama à sua frente eclipsava todos eles. “Beleza incomparável” era a única frase que ele conseguia formular, já que não confiava em seu vocabulário. Até agora, Ryo havia encontrado apenas duas pessoas que ele havia categorizado como tal: Sera e Elizabeth. Ambas, coincidentemente, eram elfas.
Esta mulher era humana, no entanto. Ele teria descrito a beleza de Sera como digna e a de Elizabeth como delicada, mas a única maneira que ele poderia caracterizar a beleza desta mulher era como sedutora.
Ryo estava prestes a responder quando se lembrou que sua boca estava cheia.
— Oh, por favor, não se apresse. — Ela sorriu. — Eu simplesmente não pude deixar de comentar sobre como você come com tanto entusiasmo.
Ryo finalmente conseguiu engolir a comida. — Fico honrado com sua opinião.
A mulher, que parecia estar na casa dos vinte e poucos anos, apoiou o queixo em silêncio pensativo. — Você deve ser o Mestre Ryo, o mago de quem tanto ouvi falar. Eu sou Agnes.
— Prazer em conhecê-la, Lady Agnes. Você está bem informada.
Seu instinto lhe dizia que ela era uma aristocrata de alto escalão. Com um prato na mão esquerda e um garfo na direita, ele não estava exatamente preparado para se ajoelhar — então ele simplesmente inclinou a cabeça.
— Você gosta de massa, Mestre Ryo? — Agnes perguntou, olhando para o prato em sua mão, bem como para os outros, amontoados de comida, na mesa à sua frente.
— Hum... é um dos pratos que eu gosto, sim.
Ele havia comido muito mais do que apenas massa, mas ela o pegou com um prato cheio dela. Isso acabou sendo uma feliz coincidência para Ryo.
— Nesse caso, eu adoraria convidá-lo para minha propriedade e ouvir sua opinião sobre ramen.
Ryo piscou. — O que você acabou de dizer?
◆
O banquete terminou sem incidentes, mas Ryo não tinha memória de como havia voltado para a casa de hóspedes. Naturalmente, Abel o trouxera de volta.
Depois de um banho, Ryo finalmente recobrou os sentidos.
— Abel! — ele chamou. — Você nunca vai adivinhar o que aconteceu! Tive o choque da minha vida!
— Sim, eu imaginei. Não importava o que eu perguntasse, você apenas continuava a murmurar coisas sem sentido.
Depois que a dupla terminou o banho, eles foram para a sala de jantar, onde encontraram a maioria dos funcionários públicos da delegação olhando atentamente para algo.
— O que será que está acontecendo? — disse Ryo.
— Talvez eles estejam planejando negociações ou algo assim? — disse Abel casualmente.
Não era da conta deles. A agenda deles para os dias restantes já estava definida, e ele sabia o quão agitada era.
— Ryo! — um dos funcionários públicos chamou.
Imediatamente, todos os olhos se fixaram no mago da água.
— Uh. — Ryo hesitou. — Esse... sou eu?
— O mensageiro ali trouxe uma carta para você — disse o funcionário público, gesticulando em direção a um homem que parecia um mordomo parado nas proximidades. Ele fez uma reverência educada, caminhou até onde os funcionários públicos estavam reunidos e pegou o envelope que havia atraído a atenção da delegação.
Então ele o trouxe para Ryo.
— Lorde Ryo — disse ele —, minha senhora, a Duquesa Alba, cordialmente lhe estende este convite.
Os funcionários públicos começaram a murmurar entre si novamente, mas Ryo parecia decididamente confuso.
— Duquesa Alba? — ele murmurou.
Ele sequer conhecia alguém com esse nome? Não importava o quanto ele vasculhasse sua memória, ninguém aparecia.
— Sim — respondeu o mensageiro. — Lady Agnes gostaria de lhe oferecer ramen.
— Oh, Lady Agnes! Minhas desculpas. Tenho vergonha de admitir que não sabia que Lady Agnes e a Duquesa Alba eram a mesma pessoa. Eu humildemente aceito seu convite. Por favor, dê a ela meus cumprimentos.
Ryo pegou o envelope dele. Ele não sabia a data e a hora, mas era um convite que não podia recusar. Afinal, era ramen! Naturalmente, ele não o comera nenhuma vez desde que chegara a Phi. Na verdade, ele nunca tinha visto o prato aqui ou ouvido sequer um sussurro de sua existência. Além disso, um convite de uma duquesa significava que ele teria que reorganizar seus planos, então era melhor aceitar.
— Muito obrigado — respondeu o mensageiro. — Informarei Sua Graça.
Com outra reverência respeitosa, ele saiu graciosamente da sala de jantar.
Imediatamente, os funcionários públicos se aglomeraram ao redor de Ryo e o bombardearam com perguntas.
— Ryo, como você conheceu a Casa de Alba?
— Há quanto tempo vocês se conhecem?
— A família Alba é uma das mais poderosas do Crepúsculo. Sua riqueza excede em muito não apenas a do arquiduque, mas a de todo o governo central...
— Dizem que ela é uma mulher muito bonita, mas os rumores também dizem que ela tem pelo menos noventa anos...
— Uma bruxa bonita — murmurou Ryo.
— Por bruxa, você quer dizer uma maga? Você sabe bastante, não é, Ryo? Sim, de fato, a duquesa é uma maga poderosa.
— Se bem me lembro, o atributo dela é água... Assim como o seu, Ryo. Ah, entendi agora! É por isso!
Ryo não entendeu, claro, but the civil servants assumed that he and the duchess had formed a connection due to their shared elemental affinity. They certainly could’ve never imagined that they’d actually met because Ryo was stuffing his face at a banquet.
Mas uma pessoa ali sabia a verdade...
— Ele me abandonou como o único convidado de honra enquanto ia aproveitar a comida sozinho — resmungou Abel. — O desgraçado...
Claro, sua queixa caiu em ouvidos surdos.