The Water Magician

Volume 5 - Capítulo 2

The Water Magician

—“Glória, glória, aleluia! Kona vai cair direto em nossas mãos! ♪”—

—“Por que você está cantando o que parece uma marcha de invasores?” — disse Nils.

—“Sabe, Nils, ultimamente você tem soado cada vez mais como o Abel...”—

—“Sério?! Ah, puxa, isso vai subir à minha cabeça!” — Nils respondeu encantado, especialmente quando ouviu a palavra “Abel”.

Enquanto caminhavam juntos, Eto e Amon riam enquanto ouviam a conversa deles. Eles estavam a caminho da aldeia de Kona, vindos da cidade de Lune, tendo partido ao amanhecer para chegar antes do anoitecer.

—“Deixando de lado o negócio dos insetos que nunca vimos antes... estou curioso sobre o fenômeno estranho” — disse Amon para o grupo em geral.

—“Pois é, né?” — Eto inclinou a cabeça. —“Não houve menção a monstros nem nada, apenas um mistério esquisito. O que será que vamos encontrar?”—

—“Não importa o que seja. Eu vou fatiar e picar!” — gritou Nils, um típico cabeça-quente cérebro-de-músculo. Ele era o líder do grupo.

Com um olhar discreto para ele, Ryo percebeu que um líder de grupo não precisava de intelecto — eles só precisavam da capacidade de reunir seus seguidores.

—“Ryo, eu sei que você estava pensando algo seriamente rude agora mesmo.”—

A intuição misteriosa de Nils fez o cérebro de Ryo entrar em curto-circuito. —“O-O quê... A que você poderia estar se referindo?” — disse ele rigidamente.

O olhar penetrante de Nils não vacilou. Ele claramente não ia deixar Ryo sair dessa enrascada sem uma resposta de verdade.

—“Eu estava simplesmente impressionado com o quão bem você se adequa à liderança, Nils” — declarou Ryo corajosamente. Não era mentira, pelo menos.

—“Ah, é? Nesse caso, acho que vou deixar pra lá.”—

Eto e Amon acharam que Nils era um pouco mole quando viram o quão arrependido ele parecia.

—“Nils, o Ryo estava definitivamente...”—

—“...pensando em algo maldoso.”—

Os dois sussurraram um para o outro, suas vozes tão baixas que Nils e Ryo não os ouviram.

E assim, eles chegaram à aldeia às duas da tarde, mais cedo do que haviam planejado. A aldeia em si era bastante grande, com suas estradas ladeadas por fileiras de casas. Mais ao fundo, eles podiam ver uma vasta plantação de café.

—“Eu tinha ouvido falar, mas não esperava essa escala...” — murmurou Nils.

—“A população é de mais de cinco mil, então... é basicamente uma cidade, hein?” — Eto murmurou.

—“Eu me pergunto por que ainda é chamada de aldeia” — disse Amon.

—“Porque este lugar está sob o controle direto da família real.”—

Os três se viraram surpresos.

Ryo não se surpreendeu porque sabia que alguém estava se aproximando deles, mas ficou surpreso ao saber daquela informação.

Sua Majestade Real também gosta de café?

A pessoa que se aproximou era um homem maduro, em seus quarenta e poucos anos. Ele era alto, com um andar elegante, pele profundamente bronzeada, olhos pretos e cabelos castanhos. Talvez a razão pela qual Ryo presumiu que ele não era um fazendeiro foram suas roupas: sua camisa, embora fina, era obviamente muito bem feita, combinada com suas calças curtas e sandálias.

—“Ah, com licença. Eu sou o magistrado aqui em Kona, enviado pela família real. Meu nome é Goro Ganda. Podem me chamar de Goro.”—

Goro? Parece um nome japonês, mas... o rosto dele parece latino? Quer dizer, suas feições são tão esculpidas.

—“Olá, nós somos o grupo de aventureiros, Quarto 10, da cidade de Lune. Eu sou o Nils, e estes são Eto, Amon e Ryo. Nós aceitamos a comissão que esta aldeia postou.”—

Eto pegou o formulário relevante de sua bolsa e o entregou a Goro, que o leu.

—“Obrigado. Tudo parece estar em ordem. Sigam-me até meu escritório. Explicarei tudo a vocês lá. Também funciona como uma residência, então vocês podem ficar lá enquanto estiverem em Kona.”—

Goro começou a andar, liderando o caminho.

—“Tenho certeza de que vocês já sabem, mas também submetemos este pedido à guilda de aventureiros de Kailadi. Um grupo de lá está programado para chegar à noite, e é por isso que explicarei tudo quando eles também estiverem aqui. Desculpem o inconveniente.”—

—“Sem problemas. Nós entendemos” — respondeu Nils educadamente. Ele sabia como lidar com clientes como Goro.

Até um cabeça-dura como ele se sai bem com as coisas interpessoais, hm?

Por alguma razão, Ryo assentiu com condescendência. Que rudeza da parte dele.

—“Sobre suas acomodações... Considerando a natureza desta aldeia, burocratas e aristocratas frequentemente visitam da capital, então podem esperar que as acomodações reflitam isso.”—

—“Tem certeza de que está tudo bem para aventureiros como nós ficarmos lá?” — Nils parecia um pouco ansioso agora.

—“Claro. Como magistrado, tenho total discrição sobre tais assuntos. Além disso, você não acha que seria mais um desperdício não usar a residência?” — Goro estava sorrindo um pouco.

Ryo presumiu que oficiais como Goro agiriam com arrogância em relação a aventureiros e plebeus, então ele gostou de Goro, que não se comportava assim de forma alguma. Claro, essa imagem autoritária era apenas um produto de sua imaginação, já que ele nunca havia conhecido um magistrado local até agora.

O grupo chegou à residência do magistrado e entrou na sala de conferências ao lado de seu escritório. Uma mesa redonda bastante grande estava lá dentro; ele usava esta sala para realizar reuniões e receber relatórios de cada departamento.

—“Por favor, sentem-se ali.”—

Goro sentou-se na cadeira central enquanto os outros quatro sentaram-se à sua direita. As cadeiras vazias à esquerda deviam ser para o grupo que vinha de Kailadi. Assim que se sentaram, um funcionário trouxe bebidas — café de Kona, é claro.

—“Já que fizeram a viagem até aqui em Kona, precisam provar nosso café. Conversaremos depois” — disse Goro com um sorriso.

O cheiro de café permeava todos os cantos da sala. Goro, que recebera uma xícara junto com os outros, levou-a ao nariz e inalou profundamente. Os outros quatro seguiram o exemplo, pegando suas xícaras e cheirando o aroma antes de tomar pequenos goles.

Isto é diferente do Kona havaiano da Terra. Claro que é. Mas... ainda é delicioso. Claramente, eles descartaram quaisquer grãos ruins antes de torrar, resultando em um sabor quase perfeito. Ahhh... Essas pessoas levam o café muito a sério, não é... Eles também não usaram o método de gotejamento. Acho que isso é... prensa? Como se chamava? Prensa francesa? Era isso que bebíamos quando mamãe e papai ainda estavam vivos...

Ryo bebeu seu café enquanto relembrava memórias queridas.

Goro o observava com grande interesse. Comparado aos outros três, que bebiam seu café com cautela, Ryo emanava a aura de alguém que sabia o que era um bom café. Não era à toa que Ryo havia chamado sua atenção.

No entanto, ele não disse nada. Goro não era tão indelicado. Ele sabia que comida, bebida e os sabores e aromas que continham poderiam trazer de volta memórias do passado. E algumas dessas memórias eram do tipo que é melhor não invadir, então ele não faria perguntas indiscretas. Goro Ganda era um homem extremamente competente.

Eles conversaram por uma hora sobre todo tipo de coisas, então Goro recebeu a notícia de que os aventureiros de Kailadi haviam chegado.

—“Por favor, esperem aqui enquanto eu os recebo.”—

Os quatro falaram entre si em sussurros suaves depois que ele saiu da sala.

—“Ele parece ser um sujeito decente” — disse Eto.

—“Sim, de fato ele parece” — concordou Amon.

—“Espero que possamos dizer o mesmo sobre esses outros aventureiros” — disse Nils, preocupado.

—“Esta aldeia está sob a jurisdição direta da família real, certo? Faz sentido, então, que eles tenham submetido seus pedidos não a uma, mas a duas guildas de aventureiros separadas.”—

—“Ah, droga...” — Nils não conseguiu pensar em mais nada para dizer em resposta ao comentário de Ryo.

—“Nils... Você esqueceu de contar ao Ryo, não é?” — Eto perguntou com um sorriso triste.

—“Você é tão malvado...” — Ryo se debruçou sobre a mesa redonda.

Logo depois, Goro retornou com os aventureiros de Kailadi.

—“Este é o Queixada do Dragão, o grupo de Kailadi. E estes são os membros do Quarto 10 de Lune.”—

Enquanto o Quarto 10 consistia em quatro homens, a Queixada do Dragão era composta por três homens e duas mulheres. Todos se apresentaram educadamente depois que os outros também se sentaram. E, como um relógio, outra rodada de café foi servida. Para o Quarto 10 também.

Mais uma vez, Ryo saboreou o aroma e o sabor. Seus três amigos pareciam ter se acostumado mais com a bebida agora... Ou pelo menos tentavam desesperadamente fazer parecer que sim.

Nenhuma pessoa da Queixada do Dragão tocou em suas xícaras. Goro também notou isso.

—“Nosso café de Kona não é do agrado de vocês?” — Seu tom era calmo, nem intimidador nem arrogante.

—“Não, o café não é o problema” — disse o espadachim, provavelmente o líder deles. —“Nós só não queremos comer ou beber com eles.”—

Ryo quase cuspiu seu café, mas isso teria sido um desperdício de um café perfeitamente bom, então ele conseguiu se controlar. Além disso, ele estava mais preocupado com Nils perdendo a cabeça, mas quando olhou para o lado, viu que seu amigo permanecia composto.

Qualquer um que não conseguisse controlar suas emoções na frente de um cliente era um lixo de terceira categoria. Abel, de fato, havia ensinado essa lição a Nils exaustivamente. Ryo não sabia disso, daí sua surpresa. Eto e Amon, no entanto, assentiram levemente em aprovação. Nils estava definitivamente amadurecendo.

Eto foi o único que notou os olhos de Goro se estreitando um pouquinho quando o líder da Queixada do Dragão falou. Ele suspirou internamente.

Quão estúpido você tem que ser para deixar o cliente desconfortável logo de cara? Este grupo pode se tornar uma verdadeira pedra no sapato de todo mundo.

—“Entendo. Então vamos direto ao ponto. Explicarei os detalhes desta missão. Vocês podem me fazer quaisquer perguntas no final” — disse Goro. —“Há uma infestação de insetos como nunca vimos antes destruindo nossos cafeeiros. Atualmente, cinco por cento de nossa colheita foi infestada. Quanto aos detalhes sobre as criaturas... Bem, isso é difícil. Consultamos um especialista na capital real há algum tempo, mas ele não conseguiu identificar a espécie. No momento, devemos procurá-los um por um com nossos olhos, depois pegá-los e esmagá-los com as mãos. Se puderem pensar em métodos melhores, por favor, me avisem. Esse é o primeiro problema. O outro tem a ver com pessoas desaparecendo da aldeia.”—

Nesse ponto, Goro estendeu um mapa sobre a mesa redonda.

—“Este é um mapa da aldeia. Aqueles que desapareceram foram frequentemente vistos pela última vez perto da entrada da floresta oriental. No entanto, ela se estende por uma vasta área, e muitos monstros vivem lá, nenhum dos quais jamais se aproximou da aldeia até agora. Portanto, não temos certeza se eles são a causa dos desaparecimentos. Se forem, pediremos que os cacem. Se não, gostaríamos que investigassem. Estes são nossos pedidos.”—

Ele fez uma pausa, respirou fundo e continuou.

—“Se tiverem alguma pergunta, por favor, façam.”—

O espadachim-líder da Queixada do Dragão levantou a mão.

—“Não acho que possamos trabalhar com eles. Então, o mais eficiente a fazer aqui seria nós investigarmos os desaparecimentos enquanto eles lidam com os insetos.”—

Acho que pessoas assim existem mesmo, hm? Abertamente hostis desde o início... Eu realmente gostaria de saber o que os figurões da guilda de aventureiros de Kailadi estavam pensando quando enviaram eles.

Ryo teve o cuidado de não deixar seu rosto trair seus pensamentos.

—“Não nos importamos com a forma como vocês decidem proceder” — disse Ryo. —“Tudo o que peço é que não causem problemas para a aldeia ou seus residentes. Deixe-me lembrá-los de que este lugar está sob o controle direto da família real. Vocês podem pensar nos aldeões como vassalos imediatos de Sua Majestade.”—

O peso que ele colocou naquela última frase não passou despercebido. Foi também a primeira vez desde que conheceu todos ali que sua voz assumiu um tom severo. Até os membros da Queixada do Dragão enrijeceram em reação, suas expressões tensas.

—“Quarto 10, vocês concordam com a divisão de trabalho proposta?” — Goro perguntou a Nils de sua maneira original e branda.

Nils lançou um olhar para Eto, que lhe deu um pequeno aceno. Então ele respondeu: —“Sim, concordamos.”—

Sua resposta surpreendeu o outro grupo. Eles haviam presumido que ele se oporia e discutiria. O problema dos insetos era obviamente uma tarefa impossível e inadequada para aventureiros de rank D. No entanto, o Quarto 10 aceitou os termos injustos.

Assim que Goro terminou sua explicação, ele ofereceu mais café de Kona. Claro, os quatro membros do Quarto 10 aceitaram. Como a Queixada do Dragão se recusou a beber novamente, ele convocou seu secretário para mostrar-lhes suas acomodações e responder a quaisquer perguntas que tivessem.

Depois que eles saíram, as cinco pessoas restantes na sala de conferências saborearam seus cafés. Originalmente, Goro havia planejado dar a ambos os grupos um tour simultaneamente. Em termos de eficiência, essa era a melhor opção. Foi a mesma razão pela qual ele esperou até que ambos os grupos estivessem presentes para informá-los.

Infelizmente, os dois grupos poderiam ser comparados a óleo e água, principalmente devido à hostilidade unilateral da Queixada do Dragão... Isso explicava por que eles saíram quando ele ofereceu café novamente, e o Quarto 10 ficou.

Uma maneira bem inteligente de nos separar para que as tensões não explodam, pensou Ryo presunçosamente enquanto bebia seu café de Kona.

—“Daqui para frente, vou me certificar de trabalhar com o grupo de vocês e o deles separadamente” — disse Goro com um sorriso irônico, uma mão segurando sua xícara.

Os outros quatro responderam com sorrisos sem graça. Pedir desculpas não parecia certo nesta situação... especialmente quando os outros caras é que estavam sendo idiotas! Mas insultá-los pelas costas também não parecia certo... Então, tudo o que podiam fazer era sorrir sem graça.

Após cerca de quinze minutos, eles terminaram de beber seus cafés e Goro os mostrou suas acomodações e a sala de jantar enquanto elaborava sobre as circunstâncias atuais.

—“Não posso negar que os desaparecimentos estão preocupando os aldeões. No entanto, para o bem ou para o mal, o tamanho da nossa população impediu que as coisas escalassem. Duvido que seria o caso se esta fosse uma aldeia comum com poucos residentes.” — Ele fez uma pausa ali, sua expressão tornando-se grave. —“Acho que vocês enfrentarão inúmeros desafios nesta comissão, mas espero sinceramente que possam nos ajudar.”—

Então ele inclinou a cabeça profundamente para os quatro.

—“Ok, pessoal, são quatro horas e o sol vai se pôr em menos de três horas. O que vocês querem fazer?” — Nils perguntou, olhando para seu amado relógio de bolso.

—“Por que não conversamos com as pessoas que trabalham na plantação? Podemos aprender algo.”—

Os outros três concordaram com a sugestão de Eto.

A plantação de café ficava atrás da parte principal da aldeia. Quando chegaram, viram um vasto campo de café se estendendo à distância. Por mais que amasse beber, nem mesmo Ryo tinha visto um cafeeiro antes. As árvores se erguiam tão altas quanto pessoas, alinhadas em fileiras intermináveis a intervalos de dois metros. Era uma visão deslumbrante e avassaladora.

—“Incrível...” — murmurou Ryo.

Os agricultores estavam colhendo apenas os grãos maduros das árvores. Bem ao longe, Ryo avistou um mago do ar usando um feitiço semelhante a um Corte de Ar para aparar as ervas daninhas entre as árvores... Uma cena saída de um cenário de fantasia!

—“Tudo bem, pessoal, vamos fazer isso.”—

Os outros três não ficaram nem de longe tão impressionados quanto Ryo. Isso o desapontou um pouquinho.

Depois de conversarem com vários agricultores, os colhedores concordaram em mostrar-lhes os insetos que infestavam suas colheitas. Mas primeiro, eles tinham que encontrar as pragas. O agricultor que os guiava, um homem chamado Takka que acabara de atingir a maioridade, estudou as árvores onde a infestação havia começado. Três minutos depois, ele os chamou.

—“Aqui está um.”—

Ele apontou para um inseto preto como piche com cerca de meio centímetro de comprimento. Mesmo que esticasse bem as pernas, ainda teria apenas o tamanho da unha do dedo mindinho.

—“São muitas pernas” — murmurou Ryo.

—“Ryo?” — disse Nils, ouvindo por acaso.

—“Tem dez pernas.”—

—“Nossa, tem mesmo” — murmurou Amon, olhando para ele.

—“Agora que penso nisso, a maioria dos insetos não tem seis pernas?” — Nils ponderou por um momento. —“Espera, as aranhas têm oito.”—

—“De fato, têm. Aprendi que as aranhas são mais parentes dos caranguejos-ferradura e dos escorpiões.”—

—“Escorpiões são aqueles com caudas venenosas e garras enormes que vivem no deserto, certo? Há muito, muito tempo, meu avô me mostrou um álcool com um escorpião dentro. Eu não tinha ideia de que as aranhas eram parentes...” — Amon comentou enquanto se lembrava do passado. Ele tremeu, aparentemente apavorado com a memória da criatura.

Nossa, embeber substâncias altamente venenosas em álcool é um costume em todo lugar, hein?

Era o que Ryo estava pensando.

Enquanto discutiam o assunto, Eto olhava silenciosamente para o inseto.

—“Eto?” — Ryo chamou.

—“Hã? Ah, Ryo. Eu estava pensando que é um pouco pequeno demais para examinar direito... Se ao menos fosse um pouco maior...” — Apertando os olhos, Eto se aproximou do inseto.

—“Bem, hoje é seu dia de sorte, porque eu tenho o feitiço de magia da água perfeito.”—

Lente de Gelo.

Enquanto cantava as palavras em sua mente, uma lente convexa do tamanho da palma da mão, feita de gelo, se formou. No início, ele levava mais de quinze minutos para criar uma. Agora, ele podia fazer isso quase instantaneamente. Ryo se deleitava com os frutos de seu trabalho.

—“Olhe através disso” — disse Ryo. —“Vai parecer maior.”—

—“Uau...” — disse Eto, e então começou seu escrutínio do inseto.

Cinco minutos depois, ele levantou a cabeça. Depois de devolver a lente de gelo para Ryo, ele assentiu e falou.

—“Acho que sei o que é isso.”—

—“Acho provável que sejam insetos cacodemônicos” — disse Eto firmemente de volta ao escritório de Goro.

—“Insetos cacodemônicos? É a primeira vez que ouço falar deles. Poderia elaborar?” — Apesar de sua confusão, Goro o pressionou por mais detalhes.

—“Eles são uma espécie de servos dos cacodemônios. Quando um cacodemônio é ressuscitado, ele os envia para reunir poder em seu nome.”—

—“Cacodemônios...” — Goro disse a palavra em voz alta com medo.

Cacodemônios!

Enquanto isso, Ryo disse a palavra em sua mente com deleite.

Tivemos diabos e reis demônios e... príncipes demônios, foi isso? Mas fracos, todos eles... Então isso significa que os cacodemônios são os verdadeiros poderosos em Phi?!

Tanto reis demônios quanto cacodemônios eram elementos básicos em histórias de reencarnação isekai! No entanto, um era sempre forte e o outro fraco. Ou, mais frequentemente, apenas um tipo aparecia. E agora que o cacodemônio finalmente fez sua estreia, a empolgação de Ryo disparou.

—“Dito isso” — continuou Eto —, “só aprendi sobre eles durante meus estudos no Templo, então recomendo que você procure um especialista no assunto.”—

—“O que solicitamos antes era especializado em insetos, então nunca me ocorreria que precisávamos de alguém cujo campo de estudo fossem os cacodemônios...”—

Goro exalou profundamente. Então ele de repente levantou a cabeça como se tivesse tido um lampejo de insight.

—“Eto, os folcloristas do templo central saberiam muito sobre a lore cacodemônica e, portanto, sobre esses insetos, certo?”—

—“Sim, eles são muito conhecedores do assunto.”—

—“Excelente. Um deles, com quem tenho relações, está atualmente em uma estadia em Kailadi, então enviarei um pedido de ajuda imediatamente. E não aceitarei um não como resposta.”—

Decidido, Goro rapidamente escreveu uma carta e a entregou ao seu secretário para ser postada imediatamente para a cidade por pombo-correio.

—“Agora simplesmente esperamos.”—

Então ele exalou novamente.

—“Francamente, eu não esperava que o problema dos insetos fosse resolvido tão rapidamente. Fico feliz que seu grupo tenha um sacerdote” — disse ele com um sorriso.

—“Ah, não, não foi nada, realmente...” — Eto respondeu, um pouco envergonhado.

—“Numa agradável reviravolta do destino, a divisão de trabalho anterior acabou sendo uma coisa muito boa, considerando que a Queixada do Dragão não tem clérigo.”—

O outro grupo consistia em um espadachim, uma batedora, um homem do machado, um mago e uma arqueira. Nenhum sacerdote ou sacerdotisa entre eles.

—“Bem, simplesmente não há muitos aventureiros que são clérigos” — Eto respondeu com um aceno.

Os quatro cumpriram sua tarefa designada pouco menos de duas horas após sua chegada. Apenas com essa informação, pode-se dizer que eles produziram excelentes resultados. Claro, o folclorista investigaria a situação amanhã e inspecionaria os insetos eles mesmos, mas por hoje, o trabalho deles estava feito.

—“Primeiro de tudo: hora do banho!” — Nils ordenou alegremente.

—“Eba!” — os outros comemoraram.

Como esta residência frequentemente abrigava nobres e funcionários do governo, era naturalmente mobiliada com um grande banho. Aparentemente, também estava aberto aos aldeões nos fins de semana.

É a melhor maneira de manter as instalações. Porque se as coisas não são usadas, você as encontrará quebradas quando precisar delas.

A opinião de Ryo sobre Goro subiu ainda mais.

Depois do banho, era hora do jantar. Goro lhes dissera que o chefe de cozinha também preparava refeições para ele e seus convidados de alto escalão, então os quatro tinham grandes expectativas. Ele as atenderia, no entanto? Vamos descobrir...

—“Isso é incrível pra caramba!”—

—“Delicioso!”—

—“Não poderia concordar mais!”—

—“Tanto a carne quanto o peixe estão soberbos!”—

O jantar satisfez Nils, Eto, Amon e Ryo.

Observando de longe, o chefe de cozinha assentiu feliz.

Para surpresa de ninguém, os quatro aventureiros devoraram até a última migalha, apesar das porções bastante grandes. Eles praticamente lamberam os pratos. Eto, cujo apetite geralmente era pequeno, também comeu tudo. A fome deles pode ter tido algo a ver com a longa caminhada de Lune, além do fato de que eles só tinham comido carne seca no almoço.

E, claro, eles terminaram a refeição com café de Kona.

Enquanto os quatro apreciavam seu café pós-jantar, os outros cinco aventureiros da Queixada do Dragão, o grupo de Kailadi, entraram.

—“Tsc.” — O espadachim estalou a língua ruidosamente.

Claro, os quatro membros do Quarto 10 ouviram. Ryo estava preocupado com Nils. Durante a explicação de Goro naquela tarde, Nils havia mantido a calma porque o cliente estava bem ali, mas esse não era o caso agora. Com esse pensamento em mente, Ryo olhou para Nils.

No entanto, Nils continuou a beber seu café sem se importar com o mundo. Os outros dois tinham a mesma atitude indiferente.

Eles são tão maduros!

Ryo ficou impressionado com o quanto os três haviam crescido.

Isso durou apenas dez segundos.

—“Ei, Ryo, você sabia?” — disse Nils. —“Quanto menor o cão, mais alto o seu latido. Então, na mesma linha, quanto mais inútil o aventureiro, mais alto ele estala a língua.”—

Não, eu não sabia! E você com certeza acabou de inventar essa última parte!

—“Diga isso na minha cara, seu idiota!”—

Naturalmente, os cinco membros da Queixada do Dragão não conseguiram ficar quietos depois de ouvir algo assim. Instantaneamente, eles ficaram enfurecidos. As duas mulheres pareciam tão prontas para uma briga quanto os homens... Talvez fosse um caso de elas se tornarem as pessoas com quem se cercavam...

Ryo balançou a cabeça ligeiramente.

—“Tudo bem, cavalheiros, eu digo que voltemos para o nosso quarto. Chef, obrigado pela refeição” — disse Nils educadamente.

—“Obrigado pela refeição” — ecoaram os outros três.

Então os membros do Quarto 10 se levantaram de seus assentos, ignorando completamente o outro grupo enquanto saíam da sala de jantar.

—“Ei! Voltem aqui, seus merdas!”—

O espadachim da Queixada do Dragão tentou agarrar Ryo, que estava na retaguarda, pelo ombro.

Naquele momento...

Clatter. Crash.

O espadachim caiu ruidosamente no chão. Ninguém havia notado que o chão sob seus pés havia congelado. Em sua queda, ele derrubou uma cadeira próxima e um vaso na mesa, deixando a área em frangalhos.

—“Oh, não, você está bem? Você realmente deveria olhar por onde anda ou pode se machucar” — disse Ryo altivamente, saindo direto do refeitório.

Apenas os cinco aventureiros furiosos sem saída para sua raiva e os chefs, fazendo caretas da cozinha, permaneceram. Sempre profissionais, no entanto, os chefs fizeram seu trabalho e serviram o jantar para eles. Mas o mordomo mais tarde testemunhou a Goro que os aventureiros de Kailadi pareciam descontentes do início ao fim.

Na manhã seguinte, o Quarto 10 se preparou para o dia sem pressa. Quando o mordomo lhes disse que a Queixada do Dragão já havia partido para a floresta oriental após um café da manhã cedo, os quatro se entreolharam com conhecimento de causa e assentiram.

Agora que não teriam que lidar com o quinteto irritante por um tempo, eles saborearam suas suntuosas refeições. Eles até beberam café antes de ir para o escritório do magistrado. Na noite anterior, Goro havia solicitado que o vissem até as dez horas. Eles foram levados para a mesma sala de conferências, onde o encontraram com outra pessoa.

Ele não está usando um manto branco de clérigo, mas um traje sagrado formal... Eu nunca vi aquele brasão antes, no entanto. Então, isso é um folclorista... pensou Ryo.

Até onde ele podia ver, o homem parecia ter aproximadamente a mesma idade de Goro. Ele era tão alto quanto um homem comum e de constituição esguia. Não magro como Ryo, mas genuinamente magro. Se Ryo tivesse que dizer, em termos de constituição, ele era o mais próximo de Eto.

—“Bom, vocês todos estão aqui. Pessoal, este é o Visconde Larshata Deveaux, o folclorista do templo central. Larshata, estes são os aventureiros de Lune de quem eu estava falando, o Quarto 10” — disse Goro.

Eto ergueu as sobrancelhas. —“Visconde?”—

—“Olá, e prazer em conhecê-los. Eu entendo sua confusão. É realmente muito estranho ter um título enquanto faz parte do Templo, hm? Digamos apenas que minhas circunstâncias são... complicadas, e deixemos por isso mesmo. Agora, por que não discutimos esses insetos?”—

—“Sim, claro. Aqui está.”—

Ryo colocou a caixa de gelo que ele estava carregando debaixo do braço na mesa. Dentro estava o inseto preto que eles haviam capturado ontem.

—“Bem, bem, o que temos aqui? Para dizer a verdade, estou mais intrigado com esta caixa— Ah, mas o inseto em si também é fascinante... Você é um mago da água, então?”—

—“Sim, sou.” — Ryo assentiu.

—“Olhando para esta caixa, lembro-me do conto de ‘A Deusa do Gelo e o Soberano da Geada’. Mais de dez mil anos atrás, ou assim diz a história...”—

—“Larshata, odeio interromper, mas o inseto primeiro, por favor” — Goro interveio, redirecionando a atenção de seu amigo para o que o havia trazido ali.

—“Ah, perdoe-me. Certo, você está certo” — respondeu Larshata com uma risada.

Então ele começou a inspecionar o inseto, resmungando para si mesmo o tempo todo.

Depois de três minutos disso, ele se virou para Ryo.

—“Você seria tão gentil a ponto de abrir esta caixa?”—

—“Claro.”—

Ryo tirou a tampa. Larshata enfiou a mão, pegou o inseto, depois fechou o punho, esmagando-o na palma da mão. Ele abriu a mão, espalhando os dedos.

—“Hm... Fluido corporal vermelho, assim como diz a lenda...”—

Um líquido vermelho reminiscente de sangue vazou dos restos do inseto espalhados pela palma de Larshata.

—“O que significa...” — Goro o incentivou.

—“Um inseto cacodemônico de fato” — Larshata respondeu com um aceno. —“Deve ser o ‘cacodemônio selado no sul’ que se regenerou e está reunindo forças para se erguer mais uma vez” — continuou ele, pensativo.

—“Entendido. A primeira coisa que farei é enviar um relatório para a capital. Vou escrever seu nome e o de Eto como os indivíduos que verificaram a identidade desta criatura. Confio que está tudo bem para vocês dois?”—

—“Faça o que precisa ser feito.”—

—“Claro, não me importo de forma alguma.”—

—“Eto, os cacodemônios são fortes?” — Ryo perguntou ao lado dele, sua voz baixa.

—“Hum...” — Eto piscou, surpreso com a pergunta. —“Eu... acho que sim. Mas, sinceramente, ninguém sabe ao certo. Faz séculos que um não é relatado...” — Eto então olhou inquisitivamente para Larshata, o folclorista.

—“Exatamente, jovem. Eto, não é? É como ele diz. O último registro que narra a derrota de um cacodemônio foi há novecentos e cinquenta anos. Claro, isso não exclui a possibilidade de outros terem sido derrotados sem que fosse registrado. Adultos costumam tomar tais decisões por uma razão ou outra, eh? Suspeito que o cacodemônio desta vez seja o mesmo de novecentos e cinquenta anos atrás, no entanto.”—

—“Desta vez?” — Ryo perguntou.

—“Sim. De acordo com as lendas transmitidas no Reino, dois cacodemônios foram selados, um no sul e outro no leste. Muitos contos sobre o do leste têm muito a dizer sobre sua força aterrorizante. Evidentemente, o dano que causou não se estendeu apenas à parte leste do Reino, mas também à área que agora é a Federação Handalieu.”—

Larshata apoiou o queixo na mão e pensou um pouco.

—“Diante disso, existe a possibilidade de a nação enviar forças adicionais desta vez?”—

—“Você quer dizer como cavaleiros?” — perguntou Nils.

—“Talvez o Bureau?” — Eto se juntou.

—“Aventureiros de alto escalão, talvez?” — Amon perguntou.

—“Ou o Herói?” — Ryo imaginou.

Os três se assustaram, virando-se para olhar para Ryo em choque. Nils se recuperou primeiro e quebrou o silêncio.

—“Ryo, o Herói atual está nas Províncias Ocidentais. Não há como ele estar aqui” — disse ele, extremamente confiante.

—“Heh heh heh. Nils, Nils, Nils. Obviamente, sua informação está desatualizada. Permita-me informar que Roman, o Herói, e seu grupo estavam, de fato, na capital real recentemente” — disse Ryo com a certeza de alguém que acabara de lutar lado a lado com eles.

—“Você está falando sério?!” — os olhos de Nils se arregalaram.

—“Ah, sim” — disse Larshata. —“Eu ouvi falar sobre o Herói ajudando na defesa dos níveis subterrâneos do templo central durante o caos na capital. Devo dizer, você está bem informado, Ryo.”—

—“Ok, mas... já passou um bom tempo desde então, então eu duvido seriamente que ele ainda esteja aqui.”—

—“Você realmente acha? Bem, que pena.” — Ryo não quis dizer uma palavra do que disse.

Ryo acreditava de todo o coração que Roman, o Herói, era um bom sujeito. O jovem possuía um espírito perfeitamente adequado ao de um herói. Após o caos na capital, ele havia desafiado Ryo para treinar com ele inúmeras vezes. Ryo havia literalmente perdido a conta do número de vezes e, eventualmente, teve que esconder sua irritação com a persistência de Roman. Embora não tivesse problemas em treinar com Sera, ele achava que duelar com o Herói seria nada mais do que uma dor de cabeça. Ryo não era um bom sujeito.

Enquanto os outros conversavam, Goro retornou à sala de conferências.

—“Eu providenciei para que relatórios breves fossem enviados para a capital real, Lune e Kailadi.”—

Tão rápido?

Ryo ficou surpreso. Nem meia hora havia se passado, então o homem devia ser outra coisa para ter feito a tarefa tão rapidamente.

—“Eu redigi a maior parte da minha mensagem ontem depois que Eto sugeriu que era um inseto cacodemônico. Assim que Larshata confirmou sua suspeita hoje, anotei os fatos adicionais, dupliquei o relatório usando Transcrever e o enviei para todas as partes relevantes” — Goro explicou casualmente, sorrindo.

—“Sempre o paradigma do trabalho. Você não se cansa de envergonhar um preguiçoso como eu, Goro? Você ainda não tem planos de voltar para a capital?” — Larshata perguntou ao amigo.

—“Não por enquanto, não. Eu amo demais esta aldeia. Mas mais do que isso, eu amo o café de Kona.”—

O timing dele não poderia ter sido mais perfeito. Nesse momento, a porta se abriu e um de seus funcionários entrou para lhes servir café de Kona. Com a reunião e seu relatório concluídos, agora era hora de beber o ambrosia líquido. E que momento feliz foi...

—“Bem, então, estou voltando para Kailadi por enquanto” — disse Larshata quando o tempo feliz terminou.

—“Gah, não me diga...” — Goro parou, já suspeitando da resposta de seu amigo.

—“Você estaria certo. Eu deixei meu trabalho de lado para vir aqui.” — Então Larshata caiu na gargalhada.

—“Bem, suponho que eu deveria me desculpar por isso.”—

—“Não, está tudo bem. Graças a você, eu vi um inseto cacodemônico com meus próprios olhos. Eu gostaria de ver como nossas forças lidam com o cacodemônio em si, entãooo... vou me certificar de terminar meu trabalho e voltar o mais rápido possível. Sentem-se, sentem-se, não precisam me acompanhar até a saída.”—

E com isso, ele deixou a sala de conferências.

—“Embora ele se chame de preguiçoso, isso é uma grande mentira” — Goro começou com um pequeno sorriso. —“Por algum tempo, ele retornou à vida secular. Em outras palavras, ele deixou seu posto de sacerdote para herdar o título de sua família. No entanto, seu status como folclorista era tal que era difícil substituí-lo, então a família real e o Templo concederam-lhe permissão especial para retornar ao seu posto, permanecendo um visconde.”—

—“Isso é... inédito. Ele deve ser realmente incrível, então...” — Eto, como sacerdote, foi o mais surpreso com a revelação de Goro.

—“Ele é realmente tão incrível?” — Nils pressionou.

—“Sim. Normalmente, tais isenções são impensáveis. Até mesmo os santos raramente as recebem.”—

—“Ohhh. Bem, quando você coloca assim, eu definitivamente entendo.” — Os talentos de Larshata como folclorista eram ainda mais raros do que os talentos dos santos — a ponto de ele ter permissão para manter seu título de nobreza e retornar ao seu posto de sacerdote, uma impossibilidade nas Províncias Centrais.

—“Tudo bem, cavalheiros, vamos deixar de lado a questão dos insetos por enquanto. Eu cumpri meu dever de relatar à família real, então como procederemos é para eles decidirem. Isso nos deixa com o problema dos desaparecimentos...”—

Goro fez uma careta.

—“E, infelizmente, a Queixada do Dragão, que parece considerá-los com hostilidade.”—

Ele suspirou profundamente.

—“Sim, eles consideram... Sentimos muito por isso.” — Eto inclinou a cabeça.

—“Não, a culpa não é de vocês... Não é, certo? Vocês não brigaram com eles antes, não é?”—

—“Não. Quer dizer, nossa primeira vez nos encontrando com eles foi aqui” — disse Nils. —“Não é como se tivéssemos sequer encontrado aventureiros de Kai—”—

—“Nils?” — Ryo perguntou ao amigo, cuja expressão parecia estranha.

—“Bem, a única vez que tivemos algo a ver com Kailadi foi... a vez que pegamos o trabalho para minha aldeia. Agora estou me perguntando se isso tem algo a ver com as atitudes péssimas deles?”—

—“Sabe, eu na verdade me perguntei a mesma coisa” — disse Eto. —“Talvez eles fossem um dos grupos que bateram em retirada apressada depois de sofrerem ferimentos graves, ou os aldeões os mandaram embora logo de cara...”—

—“É, talvez” — respondeu Nils.

Enquanto isso, Amon e Ryo assentiram ao mesmo tempo com a sugestão de Eto.

Goro os ouvira silenciosamente. Eto deu-lhe um breve resumo do que havia acontecido. Para simplificar, o ressentimento do outro grupo poderia ser injustificado.

—“Entendo. É possível que a Queixada do Dragão fosse um desses grupos. Seja qual for o caso, o problema não está com vocês... Na verdade, seria melhor se ambos os grupos contribuíssem para a investigação dos desaparecimentos, mas seria problemático se algo acontecesse na floresta... Por enquanto, quero que todos vocês fiquem de prontidão. Enviei meu relatório para Lune, então podemos receber notícias em breve.”—

E assim, os quatro membros do Quarto 10 desfrutaram de um breve descanso, aprovado pelo magistrado.

A notícia chegou ao escritório de Goro dois dias depois. Tanto o Quarto 10 quanto a Queixada do Dragão foram convocados para a grande sala de conferências. O folclorista Larshata, já de volta de Kailadi, estava sentado ao lado de Goro.

—“Recebemos comunicação da capital real. No momento, eles não enviarão reforços oficiais. Em vez disso, o governo solicitará ajuda às guildas de aventureiros de Lune e Kailadi. Em outras palavras, as duas cidades enviarão aventureiros adicionais.”—

Isso significava que os que viriam para Kona seriam aventureiros de alto escalão. A previsão de Amon se mostrou correta. Ele assentiu vigorosamente. Nils parecia um pouco frustrado.

No entanto, uma pessoa permaneceu totalmente não convencida. Claro, não era um membro do Quarto 10, mas o líder e espadachim da Queixada do Dragão.

—“Nem a pau! Este aqui é o nosso trabalho. Você realmente acha que vamos deixar esses retardatários o roubarem?! Retardatários de outra cidade, ainda por cima! Dane-se isso!”—

Eu entendo como você se sente, mas isso não é algo que você deva dizer na frente do cliente.

Até mesmo Ryo, com sua escassa experiência em trabalhos de aventureiro, sabia que o homem havia cometido uma gafe. Você só podia imaginar o que os outros três do Quarto 10 estavam pensando.

—“Dogon, cuidado com a língua. Esta é uma decisão do governo real, tomada por alguém ainda mais alto na hierarquia do que nós na aldeia, seus clientes. É, efetivamente, a decisão da família real. Você entende que se opor à família real significa cometer o crime de alta traição?” — Goro disse em um tom baixo e repreensivo que os membros do Quarto 10 nunca tinham ouvido antes.

Até mesmo Dogon pareceu intimidado com a menção das palavras “alta traição”, sua palidez tornando-se doentia. Ainda assim, ele sentiu que tinha que dizer algo. Encurralado como estava, ele decidiu que as coisas não melhorariam a esse ritmo. E em sua refutação infantil estava o problema.

—“Aposto que esses desgraçados de Lune estão mentindo descaradamente sobre os insetos serem insetos cacodemônicos ou o que quer que seja! Eles estão apenas tentando se fazer de bonitos e levar o crédito! Como podemos confiar em qualquer coisa que eles dizem?!”—

Os quatro membros do Quarto 10 engoliram em seco coletivamente. Eles não estavam irritados ou interessados em discutir de volta. Eles simplesmente sabiam que—

—“Eu fui quem identificou aquelas criaturas como insetos cacodemônicos” — Larshata interveio. —“Se você quer saber, sou o chefe folclorista do templo central.”—

—“En-Então você conspirou com eles para inventar essa história da carochinha!”—

Isso é absolutamente absurdo, Espadachim Dogon... Embora eu suponha que seja natural para um animal encurralado atacar.

Ryo rezou por ele em sua mente.

—“Eu sou um sacerdote, sim. No entanto, eu também sou o Visconde Larshata Deveaux. Você entende agora? Isso significa que sou um nobre. Então, aconselho que você cuide da maneira como fala comigo.”—

—“Um nobre” — murmurou Dogon, chocado. Os outros quatro membros da Queixada do Dragão também ficaram sem palavras. O silêncio caiu sobre a sala de conferências.

Depois de um tempo, o Magistrado Goro falou.

—“Manteremos o status quo até que a ajuda adicional chegue de Lune e Kailadi. Quaisquer ações futuras dependem de quem chegar, então decidirei na hora. Peço que ambos os grupos permaneçam na aldeia nesse meio tempo. Como sua estadia aqui foi estendida, sua compensação será aumentada de acordo.”—

Os membros do Quarto 10 internamente cerraram os punhos. Os outros não perceberam, é claro.

Com isso, a reunião terminou e, como de costume, Goro os convidou para se juntarem a ele para um café depois. Como de costume, os cinco membros da Queixada do Dragão recusaram e deixaram a sala de conferências.

Goro, Larshata e os quatro membros do Quarto 10 permaneceram. Quando o café chegou, Larshata falou primeiro.

—“Goro, o que há com aqueles sujeitos da Queixada do Dragão? Naturalmente, não espero que sejam tão amigáveis quanto os jovens do Quarto 10, mas devo dizer, nunca conheci aventureiros tão horríveis em minha vida.”—

Os quatro se entreolharam com sorrisos irônicos.

—“Eu não discordo” — disse Goro. —“Para ser perfeitamente franco, a reputação das guildas de aventureiros de Kailadi cai cada vez mais a cada dia... Tive minhas dúvidas quando submeti o pedido a eles pela primeira vez e, infelizmente, esses aventureiros provaram que essas dúvidas eram bem fundadas.” — Ele balançou a cabeça em desapontamento.

—“A guilda de Kailadi sempre foi tão ruim?” — Ryo perguntou em um murmúrio pensativo.

—“Bem, quando visitamos, o sub-mestre era um cara decente. Qual era o nome dele mesmo?” — Nils parou.

—“Landenbier” — Eto forneceu.

Embora falassem baixinho um com o outro, era difícil não serem ouvidos, considerando quão poucas pessoas estavam na sala de conferências.

—“O Sub-mestre Landenbier era o que se poderia chamar de consciência de Kailadi” — Goro interveio com um sorriso triste. —“Mas há cerca de meio ano, ele foi nomeado mestre da guilda de Acray. Desde então, a guilda de aventureiros de Kailadi está em declínio...” — Ele suspirou profundamente.

Acray era a maior cidade na parte sul do Reino e a capital do território do Marquês Heinlein. Pode-se dizer que se tornar o mestre de sua guilda foi uma grande promoção. No entanto, as organizações que perdem pessoas talentosas muitas vezes acabam em um estado triste...

—“Bem, sendo a situação o que é, procurei ajuda tanto de Kailadi quanto de Lune. Embora Kailadi seja um pouco mais perto desta aldeia, há outros fatores a serem considerados, como vocês aprenderam anteriormente. É por isso que eu ‘erroneamente’ entrei em contato com Lune em primeiro lugar.”—

O Magistrado Goro era um homem capaz.

Dois dias depois, o tempo passava pacificamente na aldeia de Kona. Sempre que os aldeões encontravam um inseto cacodemônico, eles o exterminavam arrancando-o da árvore e esmagando-o. Os quatro membros do Quarto 10 os ajudaram com a tarefa, às vezes treinando entre uma coisa e outra, ocasionalmente bebendo café, antes de ajudar novamente...

Por alguma razão, as cinco pessoas da Queixada do Dragão iam para a floresta oriental todos os dias.

—“Ei, eles estão sequer tentando fazer o que o cliente quer?”—

—“Shhh!” — Ryo colocou o dedo nos lábios.

—“O-O que diabos, cara?”—

—“Não diga mais nada. Você pode acabar ativando uma bandeira de evento.”—

—“E o que exatamente isso quer dizer?”—

—“É um fenômeno assustador onde as palavras se tornam realidade. Por exemplo, se eu disser que a Nina vai te rejeitar...”—

—“Ei, nem termine esse pensamento!” — Nils estalou.

—“Você odeia a ideia disso, certo? Agora você entende o quão importantes são as palavras. Então, não sejamos precipitados com as coisas que dizemos.”—

—“Eu ainda não entendo, mas... acho que vou manter minha boca fechada sobre isso.”—

Ninguém chamaria a explicação da bandeira de evento de Ryo de satisfatória. No entanto, ele tinha um mau pressentimento. Se Nils dissesse mais alguma coisa, algo ruim aconteceria... Claro, isso era apenas Ryo sendo Ryo, fazendo suposições sem fundamento.

Mas, às vezes, essas suposições se tornam certezas. Naquela tarde, a primeira onda de reforços chegou de Kailadi. Como se estivessem esperando por eles, a Queixada do Dragão apareceu magicamente na frente do Quarto 10 para apresentar os cinco recém-chegados.

Todos no Quarto 10 pareciam descontentes. Todos sentiram um pressentimento ruim com a situação.

—“Este aqui é o grupo de rank C, Cinco Estrelas Binárias” — disse Dogon. —“Eles são o grupo mais experiente de Kailadi.”—

Se eles são veteranos apenas no rank C, isso não significa que eles não têm talento para subir para o B...? Ryo se perguntou.

O grupo consistia de cinco homens na casa dos trinta e poucos anos.

Todos eles parecem vilões.

Ryo continuou a entreter seus pensamentos rudes.

—“Vocês devem ser D-ranks, hein?” — disse o lanceiro das Cinco Estrelas Binárias. —“Isso significa que o que nós dissermos, vale, já que temos um rank superior ao de vocês.”—

—“É assim que funciona?” — Ryo perguntou a Eto, que estava ao seu lado.

—“Tecnicamente não é uma regra, mas é um costume. Quando vários grupos aceitam trabalhos de escolta, geralmente o líder do grupo de maior rank assume o comando, certo? Então, é tipo isso.” — Eto não se deu ao trabalho de disfarçar sua irritação, que se destacava como um polegar dolorido, dada sua natureza geralmente despreocupada.

—“Aí está.” — A boca do lanceiro se contorceu em um sorriso zombeteiro. —“Estamos muuuito cansados da viagem até aqui, então sejam bons meninos e massageiem nossos pés, hein?”—

Tanto seus membros de grupo quanto os da Queixada do Dragão caíram na gargalhada. Por algum motivo, eles acharam aquilo engraçado.

—“Vão se ferrar” — murmurou Nils entre dentes.

—“Hããã? Não entendi. Quer repetir pra mim?” — o lanceiro disse em um tom ameaçador.

Ryo se colocou na frente de Nils. —“Hum, nós entendemos.”—

Nils agarrou seu braço. —“Ryo, que diabos?!”—

Ryo o ignorou. —“No entanto, não tenho certeza sobre suas alegações de serem C-ranks...”—

—“O que você disse, seu merdinha?!”—

—“Portanto, vocês poderiam gentilmente nos mostrar seus cartões da guilda?”—

—“Tudo bem. É melhor vocês massagearem nossos pés quando virem que estamos dizendo a verdade.”—

—“Claro. Se vocês estiverem dizendo a verdade.” — Ryo assentiu magnanimamente.

Enquanto procurava por seu cartão da guilda, o lanceiro caminhou em direção a Ryo — e tropeçou.

—“Gaaah!”—

E que queda dramática foi. Naturalmente, na Pista de Gelo de Ryo. A essa altura, o feitiço poderia ter sido o que ele mais usava nessas situações...

—“Oh, não, você está bem?” — Ryo gritou, fingindo preocupação sem se aproximar.

—“Puta merda, como diabos eu escorreguei assim?”—

O lanceiro apoiou o peso nos pés na tentativa de se levantar... e prontamente caiu de novo.

—“Nggh!”—

—“M-Meu Deus do céu! Você não está machucado, está?” — Mais uma vez, Ryo fingiu estar preocupado.

Depois de sua segunda queda, os outros três do Quarto 10 tiveram um pressentimento de que isso era obra de Ryo. Quando o homem caiu pela terceira vez, o pressentimento deles se tornou certeza. Eles não sabiam como, mas sabiam que era ele. Então eles entraram na onda de sua atuação.

—“Tem certeza que está bem?” — disseram os outros três. Naturalmente, eles entraram na ilusão e pareceram genuinamente preocupados. Atuação como essa exigia engano em vez de honestidade.

—“Merda... O que diabos está acontecendo...” —

O lanceiro não conseguia se levantar. Este gelo era muito, muito mais escorregadio do que o gelo a que ele estava acostumado... Além disso, ele se formou instantaneamente sob seus pés. Imagine alguém tentando andar em um piso de madeira coberto de bolinhas de gude... Eles irão, sem dúvida, cair... O lanceiro se encontrava exatamente nessa situação — no inferno, em outras palavras.

Seus nove camaradas de Kailadi começaram a perceber que não havia nada de normal nisso. Eles não sabiam exatamente o que estava acontecendo, mas sabiam que algo estava acontecendo. Quase parecia que algum tipo de maldição havia caído sobre seu amigo...

—“Ei, Ryo, o que você espera conseguir com isso?” — Nils sussurrou para Ryo ao seu lado.

Toda vez que o lanceiro tentava se levantar, ele simplesmente caía. De novo e de novo. Os outros aventureiros de Kailadi ficaram bem longe, com medo de tocá-lo com uma vara de dez pés.

Nils não tinha ideia do que Ryo planejava fazer em seguida. Nem Ryo, naturalmente. Ele não havia pensado tão à frente. Então...

—“Hum, acho que vou deixá-lo assim até os reforços de Lune chegarem” — disse Ryo.

—“Você está falando sério?” — murmurou Nils. Até ele achou aquilo uma loucura. Ninguém sabia quando os outros iriam aparecer, e não havia nem mesmo uma garantia de que seria hoje. Imaginar o lanceiro sofrendo todo esse tempo fez Nils começar a sentir pena dele.

—“Falando nisso...” — Ryo respondeu, também sussurrando.

Nils voltou sua atenção para Ryo e o que quer que estivesse prestes a sair de sua boca em seguida.

—“Eu me pergunto quem está vindo de Lune.”—

—“Ah, qual é, cara” — disse Nils, suspirando. —“É realmente sobre isso que deveríamos estar falando agora?”—

Mas então uma coisa engraçada aconteceu...

—“Espero que seja a Espada Carmesim. Já que talvez tenhamos que derrotar um cacodemônio, a guilda não enviaria seu recurso mais forte?”—

Amon, o membro mais sensato do Quarto 10, apesar de ser o mais jovem, pegou o bastão proverbial de Ryo e começou a correr.

Isso por si só foi um choque para Nils.

Então até o Amon foi infectado pelo Ryo, hein?

Que rudeza.

Mas os golpes continuaram vindo para Nils...

—“Tenho quase certeza de que a Espada Carmesim está no oeste em um trabalho” — disse Eto, juntando-se à loucura. —“Maaas... eles podem acabar vindo para cá assim que voltarem para Lune. Acho que vamos descobrir!”—

Como líder do grupo, Nils não pôde deixar de soltar o suspiro mais profundo que conseguiu. Então ele pensou consigo mesmo, Acho que não tenho outra escolha a não ser seguir o fluxo...

E foi exatamente o que ele fez.

—“Sera do Vento é outra possibilidade, embora seja uma aposta arriscada” — sugeriu ele.

—“De jeito nenhum” — disseram os outros três sem pensar duas vezes.

Os salvadores do lanceiro chegaram trinta minutos depois na forma de duas carruagens com o brasão da guilda de aventureiros de Lune. Elas pararam em frente ao prédio do escritório do magistrado, bem ao lado de onde o lanceiro continuava a escorregar no chão.

Um gigante de aparência feroz desceu da primeira carruagem.

—“Hugh?” — murmurou Ryo.

—“Mestre da Guilda?” — disse Amon.

Um jovem espadachim desceu depois de Hugh.

—“Roman...”—

O resto de sua comitiva das Províncias Ocidentais saiu da segunda carruagem. Ryo os conhecia também. O Mestre da Guilda Hugh McGlass, mais o grupo do Herói Roman, somavam oito no total. Este grupo acabou sendo os reforços da guilda de Lune.

—“Ora, ora, se não são alguns dos meus rapazes favoritos. Agradeço por estenderem o tapete de boas-vindas” — disse Hugh, e então olhou para o lanceiro. —“Falei cedo demais, pelo visto.”—

O homem havia desistido de se levantar de novo.

—“O que ele está fazendo?” — Hugh perguntou.

—“Tentando se levantar” — respondeu Ryo.

—“C-Certo... Longe de mim criticar os métodos de treinamento de um homem, eh? Não se preocupem conosco. Continuem fazendo o que estavam fazendo antes de chegarmos.”—

Ele se virou para ir embora.

—“E-Espere aí.” — Embora ele tivesse desistido de se levantar, a expressão no rosto do lanceiro era sombria. —“Nós somos o grupo de rank C, Cinco Estrelas Binárias, de Kailadi, e nós vamos assumir a liderança neste trabalho. Então, fiquem fora disso.”—

De todos os ângulos, Hugh McGlass, o homem enorme com o rosto assustador, parecia um aventureiro de alto escalão. No entanto, todo aquele escorregar e deslizar roubou do lanceiro sua capacidade de pensar com calma.

—“Ah, ho, é mesmo? Então vocês são os aventureiros de Kailadi, hein? Bem, meu nome é Hugh McGlass e eu sou o mestre da guilda de Lune. Isso significa que serei eu quem estará no comando. Azar o de vocês, eh?”—

—“Você é o mestre da guilda?”—

—“McGlass... Espere, Campeão McGlass?”—

—“Uau. Mestre McGlass... em carne e osso...”—

Os murmúrios se espalharam pelos aventureiros de Kailadi.

—“Ele é famoso, sabe” — Nils sussurrou para Ryo.

—“Isso faz sentido, considerando que ele é o herói da Grande Guerra” — Ryo sussurrou de volta com a mesma suavidade.

—“Deixem-me apresentar a vocês o Herói atual, Roman, e seu grupo. Acontece que eles estavam em Lune e foram generosos o suficiente para oferecer ajuda. Vamos todos nos dar bem, eh?” — Hugh lançou esta segunda bomba.

Seus cérebros já haviam entrado em curto-circuito, então os aventureiros de Kailadi não conseguiram processar mais informações, o que significa que Hugh não obteve a reação que esperava.

—“Hã?”—

Foi tudo o que conseguiram dizer.

Os outros três do Quarto 10 reagiram por eles.

—“Espere... Ele acabou de dizer o Herói? De jeito nenhum.”—

—“Vamos lutar lado a lado com o Herói.”—

—“Esta será uma experiência de aprendizado muito boa para mim como colega espadachim.”—

Nils, Eto e Amon comentaram, usando expressões semelhantes de admiração e surpresa.

Então Roman, o Herói em questão, caminhou até os quatro membros do Quarto 10.

—“Ryo, bom te ver de novo. Espero que você esteja bem.” — Ele inclinou a cabeça em saudação educada.

—“Ah, sim, igualmente...” — a resposta de Ryo foi superficial, mas ele inclinou a cabeça também.

—“Não acredito que você conhece o Herói, Ryo.” — Amon ficou genuinamente surpreso.

—“Estamos falando do Ryo, então não posso dizer que estou muito chocado.” — Eto assentiu em compreensão.

—“Sinceramente, o mesmo. A essa altura, conhecer as pessoas mais inesperadas é normal para ele.” — Nils balançou a cabeça em exasperação, nada surpreso.

—“Mestre McGlass, eu certamente não esperava que você se juntasse a nós pessoalmente. Não há apoio maior! Sem mencionar que você trouxe o grupo do Herói também... Estou grato a todos vocês.”—

O Magistrado Goro parecia verdadeiramente encantado ao cumprimentar os reforços de Lune.

—“Aposto que ele está ainda mais feliz por causa dos idiotas que Kailadi enviou” — murmurou Ryo.

—“O que você quer dizer com isso?” — disse Hugh, ouvindo-o. Ele prendeu a respiração. —“Ryo, é melhor você não ter começado nada com os aventureiros de Kailadi.”—

—“Como se eu fosse! Sinceramente, Hugh, que tipo de pessoa você acha que eu sou?” — Ryo balançou a cabeça, parecendo muito chateado.

O Quarto 10 se entreolhou com conhecimento de causa em segredo.

—“Tudo bem, tudo bem, vou acreditar na sua palavra, então” — disse Hugh com um aceno.

Depois de fazer uma pausa e beber seu café, Hugh virou-se para Larshata. —“Ouvi dizer que você acha que há algumas possibilidades de onde o cacodemônio poderia estar adormecido?” — ele perguntou.

—“Sim. Analisei documentos do passado no templo central e estou razoavelmente certo de que ele se encontra na floresta a leste desta aldeia. Reduzi a três locais.”—

—“Entendido. Mas... desculpe minha franqueza, você não gostaria de resolver isso pacificamente como magistrado?” — Hugh parecia ter lido a mente de Goro.

—“Absolutamente. Não é como se eu guardasse algum rancor contra ele. Contanto que os insetos não se prendam às árvores, não tenho problema em deixar a criatura em paz. Não acorde um dragão adormecido, como diz o ditado” — Goro respondeu com um aceno firme.

—“Entendido. Outra coisa que estou curioso, então. Qual é o seu progresso nos desaparecimentos dos aldeões?”—

—“A Queixada do Dragão tem trabalhado nisso. No entanto, eles não fizeram nenhuma nova descoberta.”—

Hugh apoiou o queixo na mão e mergulhou em pensamentos profundos.

Doze pessoas estão desaparecidas. Na segunda metade do relatório, ele escreveu que os aldeões se reuniram para uma busca, mas não conseguiram encontrar ninguém, nem mesmo seus corpos. Esta é uma floresta habitada por monstros, não é? Então, o que significa que eles não conseguiram encontrar nem mesmo seus restos? Eu preferiria não imaginar, mas se eles foram atacados por monstros, seus restos não deveriam estar por aí? Talvez eles tenham sido levados por alguém ou alguma outra coisa.

Várias possibilidades flutuaram em sua cabeça depois que ele leu a mensagem do magistrado. Hugh McGlass podia parecer um gigante, um brutamontes intimidador, mas seu cérebro funcionava muito bem. Caso contrário, ele não seria um aventureiro de classe A.

Você pode chegar ao topo sem inteligência em qualquer campo, mas ser o melhor dos melhores requer intelecto — isso é verdade nos esportes, no entretenimento e até mesmo na vida de aventureiro.

—“Eu tenho que ser bem honesto com você — esses desaparecimentos representam um problema real. Acho que precisamos mudar a forma como investigamos. Eu gostaria de discutir isso com os aventureiros de Kailadi amanhã. Importa-se de arranjar as coisas para nós?”—

—“Entendido. Deixe-me ver... Há uma sala de conferências maior neste andar. Podemos usar essa. Vou avisá-los para se reunirem lá às nove da manhã de amanhã.”—

No dia seguinte, nenhum aventureiro de Kailadi apareceu na sala de conferências.

—“Por que nenhum deles está aqui?” — Hugh franziu a testa enquanto andava de um lado para o outro.

Eram quase dez horas. Os quatro membros do Quarto 10 e os sete membros do grupo do Herói, incluindo Roman, estavam esperando por quase uma hora.

Naquele momento, o Magistrado Goro irrompeu na sala, ofegante e sem fôlego.

—“Mestre McGlass, eles evidentemente foram para a floresta no início da manhã.”—

—“O quê?!”—

—“Perdoe-me. Eu os convoquei ao meu escritório ontem e lhes falei sobre a reunião” — disse Goro com um suspiro. —“Como eles puderam fazer isso?”—

—“Bem... Eles disseram que resolveriam este problema por conta própria... Mas não há nada que possamos fazer sobre isso agora que eles se foram. Pode apostar que vou dar uma bronca neles assim que voltarem.” — Hugh suspirou e depois se virou para o Quarto 10 e o grupo do Herói.

—“Desculpem, pessoal. Como podem ver, terminamos por hoje.” — Então ele se jogou em um assento próximo.

—“Então esta é a vontade divina” — disse Roman. —“Os deuses falaram e desejam que eu treine com você, Ryo.”—

—“Os deuses estão errados” — Ryo recusou friamente.

Os olhos de Roman se arregalaram em desânimo. —“Mas por quê?”—

—“Você esqueceu nossas batalhas simuladas na capital real?” — Ryo respondeu com naturalidade.

—“Ei, vocês dois é melhor não destruírem a aldeia com o seu treino. Entenderam?” — Hugh interveio, um pouco surpreso.

—“Como se fossemos. Que tipo de pessoas você acha que somos?” — Ryo olhou para Hugh com incredulidade.

—“Exatamente. Apenas um choque amigável de espadas” — Roman acrescentou com um sorriso sarcástico. —“Mas se Ryo fosse usar magia em uma de nossas batalhas, a aldeia certamente seria destruída.”—

—“Ei!” — Ryo e Hugh intervieram ao mesmo tempo.

Ryo quis dizer “Eu nunca faria isso”.

Hugh quis dizer “Definitivamente não podemos ter isso”.

Quanto aos outros três do Quarto 10, todos estavam pensando a mesma coisa: De jeito nenhum vou pedir para o Ryo treinar comigo.

Um pouco depois do meio-dia.

—“Aaaaaah!”—

Enquanto ajudavam a exterminar os insetos, os membros do Quarto 10 ouviram o grito de uma mulher.

—“De que lado veio isso?” — perguntou Nils.

—“Leste. Em direção à floresta” — respondeu Ryo.

Os quatro pegaram suas armas e correram na direção do grito. Ao longo do caminho, foram acompanhados pelo grupo do Herói, que também o havia ouvido. Quando chegaram, encontraram uma mulher da aldeia sentada no chão, com os olhos fixos em pessoas cobertas de sangue.

—“Verifiquem os pulsos, por favor” — disse Graham, o clérigo do grupo do Herói.

—“Tem pulso aqui.”—

—“Aqui também.”—

—“Está muito fraco, mas tem.”—

—“Sem pulso.”—

Vozes se ergueram enquanto seguiam sua ordem.

As vítimas eram os aventureiros de Kailadi. Deveria haver dez ali — cinco da Queixada do Dragão e cinco das Cinco Estrelas Binárias — mas eles contaram apenas sete. Desses, apenas dois não tinham pulso.

—“Ele está em maior perigo. O homem ali também. Eu curarei esses dois. Aquele está em estado crítico, embora não tão ruim quanto esses dois, então, por favor, cuide dele, Eto. Os dois restantes estão feridos, mas não estão batendo na porta da morte, então alguém poderia dar-lhes uma poção?”—

Como esperado de um clérigo, a triagem de Graham foi brilhante. Com tantas vítimas, a priorização do tratamento era essencial, mas também incrivelmente difícil. Ryo ficou honestamente impressionado. O homem mais velho devia ter passado por muitas batalhas... Ele havia adquirido um conjunto diversificado de habilidades, o que era um ativo inestimável e uma arma poderosa para um aventureiro.

Com esses pensamentos, Ryo removeu uma poção caseira de sua bolsa.

—“Hum... vou dar isso para o Dogon.”—

Ryo levou o frasco à boca do homem e derramou o líquido para dentro. Embora sua vida não estivesse em perigo, ele havia sofrido ferimentos graves por todo o corpo. No momento em que bebeu a poção, começou a se recuperar. Não importa quantas vezes visse isso, a cena confundia Ryo.

—“Obrigado... por me salvar...”—

Dogon disse as palavras sem um traço de sua arrogância e hostilidade usuais.

—“Está tudo bem.”—

Graças ao hábil manuseio da situação por Graham, seu Cura Extra e as Curas sucessivas de Eto, os cinco sobreviveram. A essa altura, Hugh e o Magistrado Goro também haviam chegado ao local, com protocolos de resgate em vigor.

Os três feridos mais graves viveriam, mas foram colocados em repouso na enfermaria, devido à quantidade de sangue que haviam perdido. Os dois com apenas ferimentos leves, incluindo Dogon, foram imediatamente levados para a sala de conferências principal para dar um relatório. Naturalmente, o Quarto 10 e o grupo do Herói os seguiram. Afinal, todos estavam curiosos sobre o que havia acontecido.

—“Fomos pegos em uma armadilha” — disse Dogon.

Hugh não foi o único a franzir a testa. Os aventureiros veteranos — ou seja, Graham e Berlocke — fizeram o mesmo.

Claro, eles sabiam que Dogon não quis dizer que eles haviam caído acidentalmente em uma das armadilhas dos aldeões. Aventureiros de rank F recém-formados poderiam ter cometido esse erro, mas nenhum aventureiro de rank D ou C que se preze o faria. Em outras palavras, o fato de terem sido enredados indicava a existência de algo senciente que poderia armar armadilhas e atrair humanos para elas.

Falando em monstros que armam armadilhas, aranhas vêm à mente. Muitas delas são um problema, principalmente porque são venenosas. Outros que se enquadram na categoria seriam os formigas-leão, suponho. Mas eles habitam áreas arenosas, então duvido seriamente que encontraremos algum nesta floresta. Quanto a florestas, então... De jeito nenhum é um centauro. A parte sul do Reino é muito longe de seu habitat natural... mas... as chances não são zero, eh? O que mais, o que mais? Talvez um espreitador das sombras, embora eles não sejam bem conhecidos. A floresta aqui é densa e exuberante, então é possível... Dito isso, eu realmente preferiria não lidar com isso. Muita trabalheira. Deuses, acabei de perceber que toda possibilidade é uma grande dor de cabeça.

Como esperado de um ex-aventureiro de rank A, Hugh já havia feito uma lista mental de monstros capazes de armar armadilhas.

—“Então, que tipo de armadilha foi?” — ele perguntou.

—“Uma armadilha de fosso.”—

A resposta de Dogon enviou uma onda de choque através dos três indivíduos mencionados em particular.

—“Impossível...”—

Quem murmurou essas palavras...? Foi Hugh...? Ou Graham...?

De todas as armadilhas feitas pelo homem, a de fosso era a mais simples e fácil de armar. A maioria das armadilhas era projetada para conter ou incapacitar um alvo usando ferramentas ou engenharia inteligente. As armadilhas de fosso, no entanto, eram eficazes mesmo sem uma construção tão elaborada, porque o buraco impedia o movimento de suas vítimas. Mas havia um porém: como esconder tal armadilha? Para uma armadilha de fosso ser eficaz, ela tinha que ser cavada larga e profunda, e então escondida da vista. Não era um exagero dizer que as armadilhas de fosso estavam entre as mais difíceis de esconder.

Na TV e em vídeos na Terra moderna, as armadilhas de fosso são escondidas sob uma fina camada de uretano ou um tapete de esponja e, em seguida, uma camada adicional de camuflagem. Nenhum dos dois existia em Phi, então as pessoas teciam galhos finos em uma treliça e cobriam com folhas para esconder o buraco. O trabalho era intrincado: arrumar os galhos para que não caíssem no buraco antes que o alvo pisasse neles exigia um pensamento bastante avançado.

Havia um monstro capaz de tudo isso? Para alguém com anos de experiência de campo, incluindo lutar contra inúmeros monstros, a mera ideia era inacreditável. Ainda assim, as dúvidas permaneciam.

—“Seu grupo e o Cinco Estrelas Binárias não têm batedores? Como é que ninguém notou a armadilha?” — perguntou Hugh.

Dogon balançou a cabeça. —“É isso que eu também não entendo. Estávamos em nossa formação de busca típica, com batedores na frente e atrás e os magos no meio. Mas... os três da frente, incluindo o batedor, caíram no fosso...”—

Ele mordeu o lábio e olhou para baixo, como se lembrasse do que aconteceu a seguir.

Talvez algo que mexa com os sentidos? Um feitiço ou veneno? Mas eu nunca ouvi falar de um monstro capaz de fazer algo assim...

Hugh tentou não deixar seu rosto trair seus pensamentos.

—“Dogon, a memória pode doer, mas não se esqueça que você também é um aventureiro. Você entende a importância de relatar, não entende? Precisaremos de todos os detalhes para vingar seus camaradas. Confio que você também sabe disso. Então me diga o que aconteceu com os três primeiros depois que caíram no buraco.”—

Hugh fez o seu melhor para falar com calma e racionalidade. Alguns aventureiros batiam o pé se sentissem que os outros estavam com pena deles. Como espadachim, Hugh sabia muito bem que havia muitos desses aventureiros, especialmente em trabalhos de linha de frente.

—“Depois que eles caíram, nós sete cercamos o buraco e tentamos resgatá-los. Olhando para trás, não acho que fomos atacados até o resgate começar, porque quem quer que fosse esperou o momento certo. A profundidade do buraco era o dobro da altura de um homem, então pegamos um monte de corda e nos orientamos. Foi quando fomos atacados. Não é como se tivéssemos baixado a guarda enquanto tentávamos o esforço de resgate. Mas... o inimigo era... poderoso.”—

—“Você pode descrever o que quer que os tenha atacado?” — Hugh perguntou, sua voz mais calma e composta do que nunca.

—“Parecia... humano. Mas podia saltar para o topo de uma árvore em um único pulo e possuía habilidades físicas como nada que eu já tivesse visto antes... Sem armas, no entanto. Atacava com garras longas... E seus olhos, aqueles olhos vermelhos... escarlates... Era...”— Dogon parou e cobriu o rosto com medo, encolhendo-se.

—“Olhos vermelhos e garras longas...” — Graham, o clérigo, murmurou com uma carranca.

Talvez encorajado pelas palavras suaves do clérigo, Dogon levantou a cabeça de sua posição fetal. —“Joe, o líder das Cinco Estrelas Binárias, disse que era um vampiro.”—

A revelação chocou os quatro membros do Quarto 10, ainda inexperientes como aventureiros, bem como os membros mais jovens do grupo do Herói.

Seres do crepúsculo. Senhores dos monstros. Governantes dos mortos-vivos. Conhecidos por esses nomes e mais, os vampiros estão entre as criaturas mais famosas da história da fantasia. Vocês ouviram bem, pessoal! Os governantes dos mortos-vivos definitivamente não são esqueletos! Os únicos aptos para o trono sombrio são os vampiros!

Ryo queria declarar tudo isso em voz alta... mas não era a hora nem o lugar, então ele ficou quieto.

Vampiros e criaturas semelhantes existem na Terra desde os tempos antigos, tanto no Oriente quanto no Ocidente. Na maioria das pessoas, incluindo Ryo, os vampiros evocam uma imagem amplamente moldada na Europa moderna e enormemente influenciada pelo Drácula de Bram Stoker.

Bram Stoker deve ter reencarnado na Terra de outro mundo! Assim como J. R. R. Tolkien!

Claro, esse pensamento era apenas um produto da imaginação de Ryo.

Vlad III da Casa de Drăculești, comumente conhecido como Vlad Țepeș e o modelo para Drácula, não estava nem perto de ser o vampiro estereotipado. As únicas coisas que poderiam ser consideradas remotamente vampíricas sobre ele eram a vibe de seu retrato e o fato de que ele empalava e exibia seus inimigos otomanos... Pelo menos, essa era a opinião de Ryo. Na verdade, ele foi um herói que fez o seu melhor para proteger sua pátria fraca, o Principado da Valáquia, de sua superpotência vizinha, o Império Otomano.

—“Meus ouvidos me enganam, ou você acabou de dizer ‘vampiro’?” — perguntou Graham. Até então, ele apenas ouvira, deixando as perguntas para Hugh.

O mestre da guilda olhou para Graham, notando a mudança em sua atitude.

—“Eu não saberia dizer, mas foi o que Joe disse” — Dogon respondeu com um aceno.

—“Mestre McGlass, Joe está entre os sobreviventes?” — perguntou Graham.

—“Ele está. O primeiro homem que você salvou, aquele com os ferimentos mais graves — é ele. Ele é um lanceiro” — respondeu Hugh.

—“Entendo. Embora sua vida não esteja mais em perigo, levará algum tempo para ele recuperar a consciência. Quando ele puder falar, desejo falar com ele eu mesmo.”—

—“Claro, vou te chamar quando ele acordar, Graham.”—

A reunião terminou então, e Dogon saiu com seu camarada para cuidar de seus amigos na enfermaria.

Ryo virou-se para Roman e acenou para ele se aproximar.

—“O que foi, Ryo?”—

Ingênuo, o jovem Herói veio até ele imediatamente.

—“O humor de Graham mudou drasticamente com a simples menção de vampiros. Eu estava me perguntando se você poderia me esclarecer por que isso pode ser?”—

Ryo queria saber se algo havia acontecido entre Graham e os vampiros. Ele não queria que os sentimentos pessoais do homem comprometessem a forma como eles poderiam lidar com essa situação daqui para frente. Naturalmente, sua pergunta não tinha nada a ver com pura e simples curiosidade. Não, de forma alguma.

—“Certo, bem... Nas Províncias Ocidentais, os vampiros são uma raça especial. Nós os consideramos o mal encarnado... Em particular, a Igreja os caçou inúmeras vezes...”—

Pela postura desconfortável de Roman, Ryo adivinhou que a verdade era, na verdade, muito mais complicada. Ele também percebeu que pressionar por mais informações seria um erro.

—“Entendo. Muito obrigado por me dar atenção.”—

Parecendo um tanto aliviado, Roman deixou a sala.

No escritório do magistrado, Goro e o folclorista Larshata sentaram-se frente a frente.

—“Vampiros... É de espantar a mente, hein...” — O último quase soou como se estivesse falando consigo mesmo.

—“Larshata, existe uma conexão entre cacodemônios e vampiros?” — perguntou Goro.

—“Eu estive ponderando sobre essa mesma questão... Pelo que eu sei, nada nas lendas do Reino indica uma relação entre os dois.”—

O fato de que nem mesmo Larshata havia descoberto uma conexão provavelmente significava que não existia nenhuma.

—“Nós até vasculhamos a montanha em busca dos aldeões desaparecidos, e muitos de nós, incluindo eu, entramos na floresta... Suponho que tivemos sorte de não encontrar nenhum vampiro, hm?” — Goro franziu a testa ao recordar as caminhadas. Um encontro com apenas uma das criaturas poderia ter trazido a ruína para a aldeia.

—“Então é uma coisa boa termos descoberto agora, eh? Você sabe tão bem quanto eu que ter o Mestre McGlass entre os reforços está longe de ser comum. Sem mencionar o grupo do Herói... Você foi, sem dúvida, favorecido pela sorte, Goro, meu amigo. Confie nisso.”—

—“Esta é a sua maneira de me animar, seu malandro?”—

Ambos riram.

Os membros do Quarto 10 sentaram-se na sala de jantar do alojamento. Naturalmente, xícaras de café de Kona estavam na frente de cada um deles.

—“Vampiros” — Nils disse de repente, quebrando o silêncio de forma incomum. Mesmo assim, seu tom era sério. —“Malditos vampiros. Nunca teria pensado neles.”—

—“Você sabe sobre eles?” — Ryo ficou um pouco surpreso. Fazia sentido Eto saber muito sobre o assunto, mas Nils?

—“Sim. Filhos da puta assustadores que bebem sangue humano.”—

Ryo baixou a cabeça, desanimado. Era a resposta que ele esperava. —“Sabe, a culpa é minha por esperar mais de você, Nils.”—

—“Sério, Ryo?” — Nils estalou, furioso. —“Que diabos?”—

Amon sorriu, observando a interação.

Então Ryo notou o rosto de Eto. Ele não estava sorrindo, o que era incomum para o jovem geralmente otimista.

—“Eto? A resposta do Nils realmente te deixou sem palavras?”—

—“Como você vai colocar a culpa em mim?!” — disse Nils.

—“Não, desculpe, nada disso” — disse Eto com um sorriso irônico. —“É só que — Graham, era ele? Tenho pensado na expressão dele” — continuou ele com uma inclinação pensativa da cabeça.

—“Ah, sim, agora que você mencionou, ele parecia bem intenso. Talvez ele tenha algum tipo de rancor contra os vampiros?” — Nils comentou, lembrando-se do comportamento do clérigo na sala de conferências.

—“Eu me pergunto. Não é tão ruim nas Províncias Centrais, mas... quando eu estava no Templo, ouvi muita animosidade em relação aos vampiros nas Províncias Ocidentais, particularmente de sua Igreja” — disse Eto.

—“Algo sobre caça a vampiros, certo? Eu já ouvi falar delas” — disse Ryo, lembrando-se da história da caça às bruxas e da Inquisição na Terra. Claro, a caça às bruxas foi realizada muito antes da fundação do cristianismo, e estava bem estabelecido que a igreja cristã não havia realmente liderado muitas delas após a Idade Média.

Então, quem tinha? Os próprios cidadãos, é claro. Os habitantes da cidade acusavam seus vizinhos de bruxaria e os queimavam na fogueira... Embora trágico, os humanos são inevitavelmente responsáveis por seu próprio sofrimento.

—“Sim” — respondeu Eto —, “elas aconteceram muitas vezes. Nas Províncias Centrais, houve apenas algumas aparições de vampiros no último século. Se isso for realmente um vampiro, será uma dessas poucas. Essa infrequência é o motivo pelo qual o Templo não tem muita informação sobre como combatê-los ou quais ataques são eficazes.” — Eto devia ter muito em que pensar, porque falava mais devagar do que o habitual. —“Tudo isso para dizer que podemos precisar do conhecimento de Graham para esta batalha. Tenho um palpite de que o mestre da guilda pensou sobre isso ainda mais profundamente do que nós.” — Ele sorriu com tristeza.

Na manhã seguinte, Hugh recebeu a notícia de que Joe, o lanceiro das Cinco Estrelas Binárias, havia despertado. Ele decidiu visitar a enfermaria com Graham, do grupo do Herói, e Eto, do Quarto 10. Quando foi buscar o último, ele avistou um certo mago da água o seguindo furtivamente por trás — embora não estivesse fazendo um trabalho muito bom na parte da furtividade.

—“Ei, Ryo. Não aja tão chocado, garoto! Um homem teria que ser cego para não te ver se esgueirando por aí.”—

—“Eu ficaria muito grato se você me levasse junto também...” — disse Ryo, praticamente implorando.

Hugh cruzou os braços e pensou por uns bons dez segundos. Então ele se virou para Graham e perguntou: —“O que você acha?”—

—“Eu testemunhei suas habilidades pessoalmente outro dia na batalha subterrânea no templo da capital real. Ele é um mago bastante talentoso. Acredito que sua ajuda seria um tremendo benefício para nós nesta situação.”—

—“Bem, bem, não é um grande elogio? Acho que você vem conosco, Ryo.”—

Com isso, eles foram para a enfermaria com Hugh liderando o caminho.

—“Mestre McGlass...” — murmurou Joe quando os viu entrar em grupo.

—“Feliz por ter vivido para contar a história?”—

—“Estou, e... sinto muito. Por tudo.”—

—“Antes de se desculpar, há algo que você deveria dizer para Graham aqui. Ele fez suas partes ausentes crescerem de volta usando Cura Extra” — Hugh disse enfaticamente, gesticulando para o clérigo.

—“Ah, então foi você... Você é quem me salvou. Obrigado.” — Joe inclinou a cabeça em gratidão. —“E meus amigos?”—

—“Sobre isso... Dois deles morreram antes de voltarmos para a aldeia. Entre ambos os grupos, apenas cinco de vocês sobreviveram” — Hugh disse, dando a notícia da forma mais calma que pôde.

—“Entendo...”—

Joe provavelmente se preparou para isso, porque não perdeu a compostura. Mas Hugh não deixou de notar seus punhos cerrados ou o leve tremor em seus braços. Ele estava apenas reprimindo sua frustração.

Um minuto se passou em silêncio.

Depois de se certificar de que Joe estava um pouco mais calmo, Hugh falou.

—“Joe, sei que isso é difícil para você, mas preciso confirmar algo. Dogon já nos contou os detalhes ontem. Foram realmente vampiros que atacaram vocês?”—

—“Sim...” — ele respondeu.

—“Graham, algo que queira perguntar?”—

—“Obrigado, Mestre McGlass.” — Graham parecia e soava muito mais composto do que ontem na sala de conferências. —“Joe, gostaria de saber como você chegou à sua conclusão. Você já viu um vampiro antes?”—

Eto deve ter notado a nova compostura de Graham, porque ele e Ryo trocaram olhares, assentindo levemente.

—“Eu nunca vi um vampiro pessoalmente. A única razão pela qual disse isso foi... por causa do que ouvi de meu amigo no templo há muito tempo. Olhos vermelhos, garras longas, força sobre-humana...” — Joe falou lentamente, sua mente repassando suas memórias.

—“O que eles estavam vestindo? Estavam vestidos como nobres? E tinham sapatos nos pés?”—

—“As roupas deles? Hm... Eram esfarrapadas, como algo que agricultores ou pescadores usariam. Definitivamente nada chique como aristocratas. Quanto aos sapatos... Bem, aquele que pulou na árvore estava descalço. Por que pergunta?”—

—“Não se preocupe com isso. Sua percepção é inestimável. Obrigado.”—

Então Hugh, Eto e Ryo deixaram a enfermaria sem fazer mais perguntas.

—“Roupas... Sapatos... Qual é o sentido desse tipo de pergunta?” — Eto praticamente sussurrou.

Ryo, caminhando ao lado dele, ouviu mesmo assim.

—“Tenho certeza de que vampiros de verdade se vestem como nobres e usam sapatos adequados. Em outras palavras, o que atacou Joe e os outros deve ser semelhante a vampiros...” — disse Ryo, ainda baseando sua conjectura em nada além do Conde Drácula. Ao contrário de Eto, Ryo falou alto o suficiente para que Graham, caminhando à frente deles, ouvisse.

O clérigo parou de repente, abriu os olhos e virou-se para Ryo.

—“Ryo, você já encontrou um vampiro?”—

—“N-Não, não posso dizer que sim...”—

Sua expressão intensa assustou Ryo. Até o amedrontou um pouco.

—“Entendo... Você está bem certo, no entanto. Vampiros são particulares com suas roupas, como se se considerassem nobres. Assim, eles deixam o trabalho manual e coisas do gênero para seus servos. Nas Províncias Ocidentais, eles são chamados de strigoi. E são as criaturas que acredito que Joe e seus amigos tiveram o infortúnio de encontrar.”—

—“Os strigoi são pessoas que foram mordidas por vampiros...?”—

—“Correto” — Graham respondeu com uma careta, rugas profundas se formando em sua testa.

—“Graham, existe uma maneira de transformar strigoi de volta em humanos?” — perguntou Eto.

—“Não existe. Lamentavelmente.” — Sua expressão tornou-se ainda mais sombria.

—“Hum... Se você não se importa, tenho outra pergunta enquanto estamos no assunto...” — Ryo decidiu que poderia muito bem perguntar o que estava em sua mente.

—“Prossiga.”—

—“Gostaria de saber as propriedades mágicas dos strigoi e dos vampiros de verdade.”—

—“Por exemplo?”—

—“Suas forças e fraquezas elementares. O que eles podem usar? O que é eficaz contra eles?”—

—“Ahhh, entendo.” — Graham inclinou a cabeça em compreensão.

—“Que tal nos sentarmos naquele refeitório e conversarmos lá?” — Hugh sugeriu antes de entrar.

E então...

—“Quatro cafés.” — Ele pediu para todos eles antes de se sentar.

Chefes que tomam a iniciativa como Hugh existiam na Terra, mas ouvir as palavras “quatro cafés” em Phi foi uma experiência nova para Ryo.

Na verdade, é até legal.

Ryo não pôde deixar de sorrir com uma coisa tão pequena.

—“Primeiro de tudo, os strigoi são fracos à luz do sol, mas não são incapacitados por ela. A pesquisa mostra que suas habilidades são meramente reduzidas pela metade sob luz solar direta. Infelizmente, temos uma floresta densa em jogo nesta ocasião, então...”—

—“Aha. Não é à toa que todas as vítimas desapareceram na floresta oriental e ninguém foi levado diretamente da aldeia” — Hugh interveio.

—“Acredito que seja esse o caso. Claro, nada os confina à noite, na chuva ou em dias nublados. Quanto à magia, os strigoi não podem usá-la. Dito isso, nunca ouvi falar deles serem fracos contra qualquer elemento em particular, incluindo a luz.”—

Graham tomou um gole de café.

—“Além disso, como eles não possuem pedras mágicas em seus corpos, a única maneira segura de matá-los é a decapitação.”—

Ele passou a mão direita pelo pescoço em um gesto de corte. Era um gesto universal, aparentemente até mesmo entre mundos.

—“Agora, quanto aos vampiros... Embora não possuam fraquezas mágicas, assim como os strigoi, eles podem usar todos os elementos.”—

—“O quê...?” — disse Eto.

—“Todos eles?” — perguntou Ryo.

Suas reações fizeram Graham perceber que ele acabara de criar um mal-entendido com essa revelação.

—“Desculpem, eu deveria ter sido mais claro. Por todos os elementos, quero dizer vampiros como um todo. Um indivíduo comanda elementos distintos: alguns usam magia de fogo, outros de terra, e assim por diante.”—

—“Assim como as pessoas normais, então” — observou Hugh.

—“De fato” — Graham concordou com uma careta.

—“Algumas denominações na Igreja defendem a doutrina de que os vampiros nascem na escuridão. Como eles não possuem pedras mágicas, não podem ser classificados como monstros. No entanto, sua raça tem sido hostil aos humanos ao longo da história, então muitos nas Províncias Ocidentais têm sentimentos mistos sobre eles. Eles também têm um sistema aristocrático, de duques no topo a barões na base. Você pode pensar no rank como uma medida aproximada de força.”—

O tom de Graham permaneceu calmo durante toda a sua explicação.

—“Todos acima do rank de conde são indescritivelmente, monstruosamente poderosos. No entanto, poucos encontros com vampiros de alto status ocorreram nas Províncias Ocidentais nos últimos cem anos.”—

Ninguém disse uma palavra enquanto o ouviam. Para as pessoas das Províncias Centrais, esta era uma informação incrivelmente valiosa.

—“Você não saberá que tipo de magia um vampiro usa até enfrentá-lo, mas todos eles compartilham uma característica racial — uma prodigiosa resistência mágica a todos os elementos.”—

—“Uma resistência a todos os elementos...” — Ryo murmurou, incapaz de se conter. Parecia algo saído dos jogos que ele costumava jogar na Terra.

—“Portanto, em batalhas contra vampiros, os magos fornecem suporte enquanto os lutadores corpo a corpo são os que os combatem diretamente.”—

—“Em outras palavras, a vitória repousa sobre os ombros de Roman e Hugh, hein!” — Ryo exclamou.

—“Eu, eh...” — Hugh suspirou. —“Faz um tempo desde que estive em campo...”—

Mas então...

—“Ryo, você não é bem versado no caminho da espada também?” — Graham inclinou a cabeça. Ele sabia que o mago da água havia participado de muitas lutas de espada simuladas com Roman, então não entendia por que o jovem não havia sido incluído no pessoal de combate corpo a corpo.

—“Exceto que eu sou um mago!” — Ryo declarou orgulhosamente, até estufando o peito.

—“Isso mesmo, acabei de me lembrar. Ryo, você não tem treinado com Sera também? Nenhum de nossos cavaleiros pode se comparar a você.” — Em Lune, Ryo participava de batalhas simuladas com Sera, um espadachim considerado superior até mesmo a Abel, unanimemente considerado um prodígio com a lâmina. Hugh também achara estranho que Ryo não estivesse incluído na contagem de combate corpo a corpo.

—“Exceto que eu sou um mago!!!” — Ryo disse mais uma vez, estufando o peito.

—“Mas existem mesmo vampiros de verdade aqui?” — disse Eto, sua pergunta cortando a troca farsesca. —“Parece que definitivamente há strigoi, dado o ataque aos grupos de Kailadi, mas não podemos ter certeza sobre a presença de vampiros, certo?”—

—“Você está correto nesse ponto” — disse Graham, assentindo enfaticamente. —“No entanto, os strigoi não podem nascer sem vampiros, e se um vampiro morrer por qualquer motivo, seus strigoi também morrerão. Em outras palavras, se há strigoi, devemos assumir que há pelo menos um vampiro por perto.”—

Eles agora sabiam que os vampiros possuíam resistência mágica a todos os elementos, o que representava um problema sério por si só.

—“Então, mesmo um único é uma ameaça tremenda” — murmurou o clérigo.

Depois, os quatro foram atualizar Goro no escritório do magistrado, onde encontraram Larshata sentado ao lado dele.

—“Agora sabemos com certeza que pelo menos um vampiro está nas proximidades e pelo menos dez de seus servos, os strigoi.”—

—“Então os aldeões que desapareceram agora são...” — Goro parou com um olhar solene, buscando confirmação mesmo enquanto chegava à conclusão sozinho.

—“Provavelmente strigoi a esta altura” — Hugh respondeu com um aceno.

Como mestre da guilda, Hugh conhecia o peso do comando. Se aqueles que ele era encarregado de proteger tivessem se transformado em tais... tais coisas, seu arrependimento seria inimaginável. Ele tomou seu café sem palavras, permitindo que Goro tivesse tempo para lidar com sua culpa.

—“Entendido” — disse ele trinta segundos depois. —“Então a base do vampiro ou vampiros está na floresta oriental?”—

Hugh hesitou, depois olhou para Graham, incitando-o a responder em seu lugar.

—“Bem... A possibilidade não é zero, mas...” — Graham começou, seu rosto pensativo. —“Mas, para ser perfeitamente franco, também não é muito provável. Os strigoi vivem em todos os tipos de lugares. O mesmo não pode ser dito dos vampiros, que tendem a viver em casas. Seria uma coisa se houvesse uma mansão ou aldeia abandonada na floresta. No entanto, como não ouvi falar de nada do gênero, isso me faz pensar o que exatamente está do outro lado da floresta oriental.”—

Nesse ponto, Goro pegou um mapa grande de um armário e o estendeu sobre sua mesa.

—“Este é um mapa aproximado da área ao redor da Aldeia de Kona. Como podem ver, a floresta oriental é bastante grande. A única coisa além dela é uma vila de pescadores nos confins do Reino, que deve fazer parte do território do Barão Momor. O próprio barão vive na capital real, então esta vila e sua mansão isolada devem ser administradas por seu zelador. Graham, você não está insinuando...”—

—“É apenas uma possibilidade. Mas... Sim, há uma chance de que a vila de pescadores já tenha caído nas mãos dos vampiros.”—

Goro e Graham franziram a testa enquanto conversavam. Embora a vila de pescadores fosse pequena, várias dezenas de pessoas viviam lá. E se todos eles tivessem se transformado em strigoi...? Não admira que suas expressões tenham se tornado sombrias.

—“De qualquer forma, precisamos ir lá e verificar as coisas por nós mesmos” — disse Hugh decisivamente.

—“Como chegamos lá de Kona sem passar pela floresta? O lado sul da floresta se projeta para a costa, então você teria que ir pelo mar, mas não recomendo isso. As correntes do oceano tornam a navegação complicada, e isso sem falar nos monstros. Sem o repelente de monstros marinhos que os pescadores usam, seria difícil.”—

Espere, o quê?! Algo assim existe?!

Ryo estava secretamente exultante. Ele precisava que o povo da vila de pescadores lhe mostrasse o repelente. Ele o colocou no topo de sua lista mental.

—“A opção prática é contornar o lado norte da floresta” — continuou Goro. —“Essa rota o levaria primeiro à residência do Barão Momor.”—

—“Ah, é? Você acha que eles vão deixar aventureiros entrarem?” — Hugh parecia preocupado.

—“Bem... isso depende do procurador de Sua Senhoria, que está administrando as coisas por lá.”—

—“Nesse caso, eu os acompanharei” — disse Larshata. —“Ao contrário da minha aparência, eu sou um visconde. O procurador de um barão não poderia muito bem se recusar a cooperar, eh?”—

Um argumento muito razoável, de fato.

—“Muito obrigado, meu senhor.”—

—“Não pense nisso. Agora posso ser de alguma utilidade para Kona também.” — Larshata caiu na gargalhada.

Que aristocrata maravilhoso... Mas acho que nem todos eles serão tão decentes quanto ele, hein? pensou Ryo.

—“Mais uma coisa. Vou deixar Dogon e seus companheiros para defender a aldeia. Aqueles na enfermaria estarão em perfeitas condições e prontos para lutar antes que você perceba.”—

—“Uma excelente ideia, pela qual sou grato. Embora eu espere que nada aconteça... é melhor prevenir do que remediar, hm?” — Goro assentiu feliz.

Assim que soube que estavam lidando com vampiros e seus servos, ele começou a se preocupar com a fraca defesa da aldeia. Mesmo assim, não era um problema fácil de resolver. Claro, alguns dos aldeões podiam lutar, mas quando se tratava de vampiros, eles não poderiam se defender sozinhos. Naturalmente, ouvir que os aventureiros de Kailadi ficariam para trás foi uma notícia bem-vinda. Embora o comportamento inicial deles tenha deixado muito a desejar, Goro pensou que talvez eles tivessem mudado para melhor depois de sobreviver a uma experiência de quase morte.

Eto e Ryo voltaram para a casa de hóspedes e explicaram a situação para Nils e Amon na sala de jantar.

—“Se a magia não funciona em vampiros, então é hora de nós, espadachins, assumirmos o centro do palco!” — Nils exclamou, claramente animado com a oportunidade.

Mas Ryo permaneceu suspeitosamente silencioso, seus olhos dardejando por toda parte.

—“Desembucha, Ryo. Eu sei que há algo em sua mente.”—

—“Hum, bem... Tenho quase certeza de que serão Roman e Hugh na linha de frente...”—

—“Nãooo...” — Nils congelou.

—“Eu não ficaria surpreso.” — Amon assentiu. —“Aposto que eles são incríveis em batalha, sendo um um Herói de verdade e o outro um campeão da Grande Guerra.”—

—“M-Mas... Mas nós somos... Nós somos...” — A voz de Nils ficava cada vez mais baixa.

—“Nils, estar na vanguarda não é o mais importante no campo de batalha! Proteger a retaguarda também é um papel vital para um espadachim!” — disse Ryo, tentando animá-lo.

—“V-Você está certo! Eu não sou inútil!” — Nils conseguiu se recuperar um pouco do golpe.

Embora a estrela do Quarto 10 estivesse em ascensão, nenhum de seus membros podia competir com o Herói Roman ou o Campeão McGlass. Porque, agora, eles ainda estavam ganhando suas listras nesta fase de suas carreiras de aventureiros...

Desta vez, acho que meu trabalho é proteger esses três.

Não importava como você olhasse, o grupo do Herói e Hugh McGlass não precisavam de Ryo. Mas os três membros do Quarto 10 eram uma história diferente... Ryo assentiu em sua mente.

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