The Water Magician

Volume 4 - Capítulo 4

The Water Magician

O grito de uma mulher ecoou pela cabine: “Droga! Qual é o problema? Por que você não consegue controlar?!”

“Porque uma anomalia foi detectada e o motor de suspensão parou”, respondeu um homem sem qualquer entonação.

Ambos pareciam humanos normais — exceto que seus cabelos eram roxos e seus olhos azuis, embora não estivessem brilhando naquele momento.

Se Ryo e Abel estivessem lá, talvez ficassem surpresos ao ver as pessoas que os atacaram — ou talvez apenas impressionados por se encontrarem na ponte de um continente flutuante.

No entanto, a situação atual que envolvia os dois na cabine estava longe de ser impressionante.

“Eu já sei muito bem que uma anomalia foi detectada, Julius! Minha pergunta é, por que, num lugar infernal como este? Você esqueceu que esta é a maldita capital do Reino de Knightley?! A cidade que o próprio Ashton escolheu! Logo, é simplesmente impossível que existam anomalias aqui!” A mulher, Livia, tentava desesperadamente reverter a situação enquanto batia no console.

“Fatos não mentem, Livia”, Julius apontou friamente.

De qualquer forma, a realidade era cruel. Os dois estavam pilotando uma nave de transporte classe ilha flutuante de pequena escala com um comprimento total de duzentos metros. Embora a organização a que pertenciam a considerasse pequena, seu comprimento certamente não podia ser negado.

Parecia uma ilha. De fato, uma nave de transporte classe ilha flutuante era um pedaço de terra que havia sido escavado, equipado com um motor de suspensão, transformado em um navio e então lançado ao céu. Então, se uma ilha de duzentos metros de comprimento voando pelo céu perdesse sua capacidade de gerar sustentação... Naturalmente, ela cairia. Não havia como contornar essa inevitabilidade.

“As asas estão travadas! Elas não se movem, não importa o que eu faça!” Livia estava completamente enfurecida.

“Bem, está começando a girar agora”. O tom calmo de Julius permaneceu inalterado.

A ilha virou para a direita e começou a descer...

“Prepare-se para o impacto!”

“Tão prontos quanto possível.”

E então... ela caiu.

A ilha colidiu com um rugido estrondoso e ecoante... Mas as pessoas na cabine não conseguiam ouvi-lo por causa do som agudo do alarme de aviso. Livia tocou no console uma vez para parar o som e outra vez para coletar informações.

“Qual é o status da nave?” Julius perguntou.

“Uma colisão deste nível não deveria ser suficiente para danificar o casco... Argh! Exceto que foi exatamente isso que aconteceu com a saída frontal!”

“Isso facilitará a infiltração de estranhos”, disse Julius em voz baixa, levantando-se de seu assento. “Quanto tempo até conseguirmos decolar novamente?”

“Boa pergunta...” disse ela, agora calma. “Eu diria que cerca de duas horas para cortar os circuitos danificados, reconectar o desvio e fazer outros reparos necessários.”

“Entendido. Então, enquanto isso, vou garantir que ninguém se aproxime.”

“Por favor. Hm? Espere...” Livia olhou para a tela conectada a um dispositivo semelhante a um periscópio. “Aqueles são ogros?!” ela gritou. “Orcs também! O quê? Como? Esta é a capital real, não é? Você ouviu algo sobre a destruição de Knightley? Não? Então, por que essas criaturas estão correndo à solta?”

“Concluímos nossas investigações em Lune e Wingston recentemente. O Reino ainda está de pé.”

“Mesmo assim, estamos literalmente no coração da capital. Na verdade, parece que pousamos no palácio... Não há o que fazer agora. De qualquer forma, não pode ser normal ter ogros aqui?”

Livia caiu em um silêncio pensativo nesse ponto. Julius esperou sem dizer uma palavra.

“Certo, não temos escolha. Julius, eu te dou permissão para remover um nível de suas amarras. Desfaça nas costas. Você também pode levar um ajudante com você. Vejamos... Acorde Drusus do sono criogênico. Vocês dois protegerão esta nave.” Ela fez uma pausa. “Você tem minha permissão para eliminar qualquer coisa ou qualquer um que se aproxime. Ogro, humano e qualquer coisa no meio.”

Seu tom havia mudado... para o de um oficial superior comandando um subordinado.

“Muito bem.” Ele pressionou o punho direito no lado esquerdo do peito, curvou-se bruscamente e aceitou suas ordens.

“Isso definitivamente tem algo a ver com as lendas sobre os continentes flutuantes, não é?” Ryo murmurou.

“Parece que sim”, respondeu Abel.

“Será que tem gente assustadora a bordo?”

“As chances são boas, eu diria”, concordou Abel.

“Eu acredito que a culpa é sua, Abel.”

“É, acho que não”, disse Abel sem rodeios.

“Você não sabe que admitir seus erros é um sinal de maturidade? Acho que seria melhor se você cedesse e aceitasse seus erros, Abel.”

“Sim, não tenho a menor ideia do que você está tagarelando, Ryo.”

Enquanto eles brincavam, corriam o mais rápido que podiam do templo central para o castelo real. No caminho, eles derrubaram todos os monstros que encontraram. Por quê? Bem, momentos atrás...

Assim que Ryo, Abel e Roman emergiram na superfície, a primeira coisa que viram foi uma ilha cravada na lateral do castelo real. Quando o resto dos membros do grupo emergiu alguns minutos depois, a mesma visão os fez congelar também.

“Ryo e eu vamos verificar as coisas no palácio”, disse Abel. “O resto de vocês, proteja o templo.”

Os clérigos na superfície estavam repelindo quaisquer monstros que se aproximassem demais. Comparado à inundação subterrânea, no entanto, o número de monstros na superfície era muito menor. Porque a maioria deles estava caminhando para o norte.

Rihya, Lyn e Warren assentiram em concordância silenciosa. Todos os três sabiam por que Abel estava impaciente para ir ao palácio. Ele se virou para Roman e continuou.

“Sinto muito por pedir isso a você e ao seu povo, Roman, mas você se importa de proteger quaisquer cidadãos que consigam escapar para cá?”

“De forma alguma. Pode contar conosco”, disse ele sem hesitar. Como esperado, esse espírito era muito adequado ao Herói.

No entanto, apenas uma pessoa aqui, um certo mago da água, permanecia não convencido. Antes que ele percebesse, foi arrastado para a excursão de Abel em direção ao palácio — uma excursão que seria perigosa e preocupante, não importando como se olhasse.

“Abel, por que você decidiu unilateralmente que eu iria com você?”

“Porque meu pai e meu irmão mais velho estão no palácio. Estou preocupado com eles, então tenho que ir. E eu quero que você me ajude, Ryo”, disse Abel honestamente, mesmo que tenha omitido quem seu pai e irmão eram exatamente.

“B-Bem... Eu percebo que eles provavelmente estão em apuros, já que trabalham lá e essa situação é obviamente assustadora, então nós deveríamos ajudar... Mas...”

“Se você me ajudar agora, eu te pago o prato do dia na cantina da guilda.”

“Nesse caso, eu não tenho muita escolha, hm? É claro que vou te ajudar a resgatar seu pai e seu irmão! Eu estava pronto e disposto desde o início, sabe. Falo sério.”

“Ceeerto. Se você diz.”

Apenas um único prato do dia foi o suficiente para tornar Ryo proativo.

Isso nos trouxe até agora. A estrada que se estendia do templo central ao castelo real era incrivelmente larga. Ryo e Abel se concentraram em alcançar seu destino enquanto ultrapassavam os monstros que caminhavam para o norte no caminho. Abel lidou com quaisquer goblins e orcs perto deles, enquanto Ryo cuidou dos ogros e esqueletos mais distantes.

Abel derrubou a maioria deles com um único golpe, cortando cabeças ou apunhalando-os no peito para estilhaçar suas pedras mágicas. À primeira vista, Ryo não parecia estar fazendo muita coisa. No entanto, um olhar mais atento revelava monstros mortos espalhados aqui e ali, com lanças de gelo saindo de seus peitos.

Abel olhou para Ryo pelo canto do olho. “Caaara, os magos com certeza levam a vida numa boa, hein?”

“E-Ei, eu estou trabalhando duro do meu jeito, tá legal?”

O complexo de perseguição de Ryo o fez interpretar a piada de Abel como uma crítica mordaz. “Trabalhar duro não é sobre dar a impressão de que você está trabalhando duro. É sobre produzir resultados. Se você consegue reduzir a quantidade de trabalho que precisa fazer para produzir resultados, ora, isso é apenas o resultado de seus próprios esforços. Acho que mais chefes precisam reconhecer isso!”

“Calma, amigo. Ninguém acha que você está enrolando.” Abel sorriu com tristeza para a insistência de Ryo. Ele realmente não estava pensando nada parecido. Na verdade, ele estava impressionado com a eficiência de seu amigo em derrotar os monstros.

“S-Sério? Então fico feliz em saber que você não é um chefe inútil, Abel.” Ryo ficou aliviado ao perceber que Abel falava sério. Ele continuou, mesmo com os olhos grudados na ilha que perfurava o castelo. “Sabe o que me surpreende? Ninguém veio olhar boquiaberto para a visão espantosa.”

“Bem, é óbvio. Você ao menos viu o pandemônio acontecendo nas ruas?” Abel respondeu enquanto decapitava casualmente um orc que passava.

“A capital do mal, Palácio de Cristal...”

“Sabe... Me irrita um pouco que nem eu consigo discordar disso.” Abel aceitou o murmúrio de Ryo sem mais comentários. Apesar de Lune ser sua base de operações agora, a capital real era onde ele cresceu. Vê-la invadida por monstros assim definitivamente não era nada divertido.

“Eu não percebi que o palácio era tão longe”, observou Ryo.

“Porque a capital é massiva. Eu estimaria que são cerca de dois quilômetros do templo central?” Abel disse com um aceno de cabeça.

Como o próprio castelo era enorme e a ilha que se projetava nele ainda maior, a visão era clara mesmo do templo. No entanto, uma distância considerável separava os dois locais.

“Quanto mais avançamos para o norte, mais densos esses bandos de monstros se tornam.”

“Sim. Isso é ruim, de muitas maneiras.”

“A propósito, que tipo de trabalho seu pai e seu irmão fazem no palácio, Abel?”

“Uh... Hum. Por quê? Por que você pergunta?” Abel parecia um pouco em pânico.

“Bem... considerando quantos ogros e tal estão aqui, eu só me perguntei se eles eram cavaleiros ou guardas forçados a lidar com uma situação tão difícil.”

“Ah, sim, nesse caso, não precisa se preocupar. Porque o trabalho deles os mantém dentro, então...” Abel respondeu, um suor nervoso escorrendo por suas costas.

“Ah, então trabalho de escritório? Sorte a deles, então.” Ryo assentiu vigorosamente em compreensão.

Por um momento, Abel encarou Ryo. A luz em seus olhos mostrava que ele estava debatendo se deveria revelar toda a verdade ao amigo. Ele imaginou que não seria um problema se Ryo soubesse de tudo...

Mas o pensamento morreu quase imediatamente quando, no instante seguinte, um orc os atacou.

Enquanto isso, a situação no castelo real era ainda mais caótica do que os dois poderiam ter imaginado.

“P-Por que goblins estão saindo de debaixo do palácio...”

“Orcs também!”

“Espere. Espere, espere, espere. Você disse esqueletos?”

“Oh, não... Oh, não. Ogros!”

A ponta da “ilha” havia perfurado o castelo real até o depósito subterrâneo. A “esfera negra com fumaça se movendo dentro” armazenada lá havia se quebrado, e monstros começaram a sair...

Claro, ninguém sabia disso ainda.

A Segunda Guarda Real, que guardava o príncipe herdeiro na embaixada da Monarquia de Joux, havia solicitado uma avaliação da esfera negra. Eles pediram especificamente por Arthur, conselheiro especial do Bureau de Magos Reais, mas ele estava em um exercício de treinamento longe da capital real. A maioria das pessoas desconhecia a existência da esfera, então o fato de ninguém entender a verdade do que estava acontecendo não podia ser evitado.

No entanto, mesmo que não soubessem da existência da esfera, os moradores da cidade viram as criaturas saindo do castelo real... E os monstros que se originaram em outros lugares da capital também começaram a se dirigir para o palácio, como se atraídos pela ilha que havia caído do céu.

Naquele momento, se houvesse alguém que pudesse ver através dos movimentos dos monstros, poderia ter notado que eles estavam se dirigindo em duas direções diferentes — para o noroeste da capital e para o palácio.

No entanto, monstros não eram o único problema que o castelo enfrentava. De fato, eles também tinham que lidar com a ilha caída...

“Vice-Capitão, tem certeza de que tudo o que temos a fazer é cercá-los?”

“Não temos escolha. Fomos informados de que a Primeira Guarda Real invadiria a ilha por conta própria...” O Vice-Capitão Lex da Guarda da Capital respondeu à pergunta de seu subordinado com um pequeno aceno de cabeça.

O papel da Primeira Guarda Real era servir e proteger o rei. Essa posição lhes conferia um senso de prestígio surpreendentemente forte em comparação com os outros regimentos. Naturalmente, todos os membros eram nobres ou herdeiros de títulos de nobreza. Claro, isso não significava que não tivessem habilidade com a espada. Pessoas inábeis nunca conseguiriam se tornar membros da Guarda Real. No entanto, do comandante para baixo, todos os membros da Primeira olhavam com desdém para os outros regimentos.

A Segunda Guarda Real, de nome semelhante, considerada protetora do príncipe herdeiro, era completamente diferente. Embora muitos de seus membros também fossem de famílias nobres, a maioria eram segundos filhos ou inferiores. Além disso, a Segunda também incluía plebeus a critério do príncipe herdeiro. O único critério era a força. No entanto, o próprio príncipe herdeiro sempre entrevistava pessoalmente os candidatos em potencial, e dizia-se que qualquer um com um caráter podre seria rejeitado na hora.

De qualquer forma, a Primeira foi encarregada de invadir a ilha. A Guarda da Capital a cercaria, pronta para o caso de algo acontecer... Essas eram as tarefas dadas a essas unidades, mesmo que fossem praticamente a última força de combate remanescente do palácio. Portanto, a ilha caída não deveria ser sua prioridade agora. O problema mais urgente era a horda de monstros fora das muralhas e fossos do palácio. Se levantassem a ponte levadiça e fechassem os portões, o palácio não cairia tão facilmente. Era por isso que a Primeira Guarda Real estava determinada a entrar na “ilha” e provar seu valor nesta situação sem precedentes.

Infelizmente...

“P-Problema! Eles estão vindo do subsolo!”

Lex foi o primeiro a reagir ao alarme. Neste ponto, ele nem perguntou quem eram “eles”. Nem perguntou por que estavam vindo de debaixo do castelo. Eles haviam aparecido, então ele não tinha escolha a não ser lidar com eles.

“Todos os membros da Guarda da Capital, sigam-me! Protegeremos Sua Majestade!” Com esse grito, ele liderou o ataque em direção às portas. O resto de seus subordinados estava logo atrás dele. Todos os pensamentos sobre a ilha caída haviam desaparecido de suas mentes, deixando a Primeira Guarda Real em frente à ilha. Sozinha...

A Guarda da Capital retornou ao palácio, onde confirmaram que os monstros já haviam se espalhado pelo primeiro andar a partir do subsolo.

“Quero que a Terceira Companhia defenda a Grande Escadaria Central até o fim. A Quarta pegará a escada leste e a Quinta, a oeste. Sob nenhuma circunstância permitiremos que eles cheguem ao segundo andar. Entendido?”

“Sim, senhor!”

“Primeira e Segunda Companhia, comigo. Protegeremos a área em frente ao escritório de Sua Majestade e a Pequena Escadaria Norte.”

“Sim, senhor!”

Cada companhia correu para seus postos depois que o Vice-Capitão Lex deu suas ordens.

O escritório do rei ficava no lado norte do segundo andar. Perto havia um conjunto de escadas chamado Pequena Escadaria Norte. Ao contrário das grandes escadarias nos lados leste, oeste e central, esta era frequentemente usada por oficiais ao levar documentos de e para o escritório do rei.

Devido à sua localização bastante inacessível, alguns nobres e membros do gabinete que trabalhavam no castelo real desconheciam sua existência. E havia Lex. Ele era um velho amigo de um certo jovem que agora era um espadachim na cidade de Lune, então ele estava familiarizado com todos os lugares incomuns como este dentro do palácio.

Dois guardas estavam em frente ao escritório do rei. Como esperado, a Primeira Guarda Real havia cumprido seu dever ao posicioná-los ali. No entanto... Enquanto Lex e os outros se aproximavam, ouviram a seguinte conversa.

“Ah, eu queria que tivéssemos sido levados na incursão da ilha também.”

“Supostamente, há uma tonelada de tesouros lá dentro.”

Uma conversa especialmente inútil.

“Claro que são inúteis”, murmurou Lex. “Por que não estou surpreso?”

Nem é preciso dizer que a dupla não ouviu o murmúrio de Lex. Mas seus subordinados atrás dele definitivamente ouviram. Eles também fizeram uma careta, balançando a cabeça um pouco com a bagunça em que se meteram.

De todas as forças militares estacionadas nesta cidade corrupta, a Guarda da Capital talvez fosse a única com integridade...

“Sou Lex, Vice-Capitão da Guarda da Capital. Monstros apareceram de debaixo do palácio. Portanto, agora ajudaremos a proteger este edifício.”

“Hã?”

“Do que você está falando?”

Os dois Guardas Reais pareceram perplexos com o anúncio de Lex. Se ouvissem com atenção, teriam ouvido os sons fracos de luta e gritos. No entanto, pareciam totalmente inconscientes.

“Abram os ouvidos — o interior deste castelo já é um campo de batalha!” Lex retrucou.

Suas palavras finalmente se assentaram em suas cabeças e os dois homens empalideceram. Embora tivessem sido notificados do surto de monstros ocorrendo na capital, eles certamente não haviam previsto que as criaturas apareceriam dentro do próprio palácio — ou que fariam parte do pessoal que responderia a isso. Eles perderam a compostura completamente.

“Monstros já apareceram no primeiro andar. Nós, da Guarda da Capital, nos dividimos entre as três escadarias principais e as guardaremos até a morte para evitar que cheguem ao segundo andar. Em seguida, planejamos guardar a área que inclui a Pequena Escadaria Norte e o escritório de Sua Majestade. Confio que não tenham objeções?” Lex só perguntou por cortesia. Seu tom não admitia recusas.

“N-Nenhuma...” Os dois guardas reais assentiram mansamente em resposta.

Thud. O som veio da pequena escadaria mais ao fundo.

“Droga, eles já estão aqui! Primeira Companhia, proteja Sua Majestade aqui. Segunda, comigo!”

Mal ele gritou o comando, ele saiu correndo. Atrás dele estava a Segunda Companhia da Guarda da Capital, composta por vinte homens. A Primeira permaneceu em frente ao escritório do rei.

Quanto à dupla de Guardas Reais, apesar de sua palidez, a determinação encheu seus rostos enquanto lembravam de seu dever. Afinal, eles não eram podres até o âmago. Sua disciplina simplesmente carecia um pouco. Cabia a eles se redimirem agora...

Apesar de ser chamada de Pequena Escadaria Norte, era uma das escadarias mais medianas do castelo real... A largura dos degraus era de pelo menos cinco metros. Monstros subiam, um orc na frente.

Lex cortou sua cabeça com um único golpe sem sequer trocar golpes com a criatura. Ele desceu os degraus e decapitou monstros um após o outro, cada um exigindo apenas um único corte.

Até mesmo seus subordinados, que tinham ouvido falar da habilidade do vice-capitão com a espada, ficaram hipnotizados por sua esgrima. A arma brilhava como um chicote ou um urumi cada vez que ele a balançava. Ele era muito mais habilidoso do que até mesmo os cavaleiros, que eram considerados especialistas em esgrima.

A Guarda da Capital era uma organização que mantinha a ordem pública na capital real, então raramente matavam pessoas. Ao subjugar bêbados ou aventureiros violentos, eles poderiam ferir seus oponentes no processo, mas nunca brandiam suas espadas com a intenção de tirar uma vida. Se houvesse motivo para tirar uma vida, seria durante um ataque a um reduto de bandidos que abrigava espiões estrangeiros. No entanto, estritamente falando, mesmo nesses casos, seu propósito não era matar o inimigo, mas incapacitá-lo e prendê-lo, se possível.

Em outras palavras, os membros da Guarda da Capital nunca empunhavam suas espadas com intenção letal. Mesmo contra monstros. Afinal, esta era a capital real — o único lugar no Reino onde era menos provável que entrassem em contato com eles.

À luz dessa informação, era fácil ver como a proeza de Lex com a espada era chocante. Sua arma era peculiar, mais adequada para o campo de batalha do que para um guarda da cidade. Talvez até mais parecida com a de um aventureiro ou de um assassino...

Claro, nenhum de seus subordinados sabia por que ele era tão habilidoso. Eles ouviram rumores dentro da unidade, mas esta era a primeira vez que realmente testemunhavam a cena. No entanto, qualquer um que visse entenderia: seu talento era extraordinário.

Lex desferiu um golpe fatal, assumiu o controle das escadas e chegou ao primeiro andar. Seus subordinados correram atrás dele. A densidade de monstros era maior aqui ao redor desta escadaria menor do que nas outras áreas.

“Tsk. Orcs demais... Que dor de cabeça. Escutem, homens. Vamos enfrentá-los entre o primeiro andar e o patamar no meio do caminho. Certifiquem-se de atacar de um terreno mais alto. Há muitos inimigos, então preparem-se!”

“Senhor, sim, senhor!”

Suas palavras incendiaram a Segunda Companhia. Assim, a batalha começou.

As escadas se transformaram em um campo de batalha: pessoas contra não-pessoas.

“Segundo Pelotão, recue. Terceiro e Quarto, avancem.”

Sob a liderança de Lex, a Segunda Companhia defendeu a Pequena Escadaria Norte. No momento, eles estavam se defendendo contra os monstros, mas ele estava preocupado.

Houve relatos de ogros no resto da capital também. Ainda não vimos nenhum dentro do palácio, mas no instante em que um aparecer, a linha defensiva falhará, independentemente de qual escadaria.

Ogros tinham cerca de dois metros e meio de altura e usavam seus corpos massivos para balançar instrumentos contundentes como porretes. As pessoas não podiam aparar ou bloquear seus ataques, especialmente quando um único golpe era suficiente para destruir um escudo. Além disso, sua pele surpreendentemente grossa significava que nem flechas nem uma lâmina empunhada de forma desajeitada poderiam perfurá-los.

A altura dos ogros eliminava a vantagem de qualquer terreno elevado, o que significava que eles precisariam se preparar para baixas consideráveis se um ogro aparecesse. Isso nem sequer levava em conta a falta de clérigos da Guarda da Capital. Atualmente, eles estavam curando quaisquer ferimentos com as poções que tinham em mãos, mas seu suprimento não era infinito. Quanto mais a batalha se prolongasse, maior seria sua desvantagem. Até uma criança podia ver essa lógica.

Foi quando eles ouviram um grito de longe.

“É um ogro!”

O medo de Lex se tornou realidade.

“Bem, era apenas uma questão de tempo, hein?” ele murmurou para si mesmo. Ele notou a inquietação de seus subordinados imediatamente. Como poderia não notar, quando lutavam lado a lado?

“Não se preocupem”, disse ele. “Eu cuido do ogro. O resto de vocês continue lutando contra os outros inimigos.”

“Sim, senhor!”

Todos eles tinham visto a demonstração anterior de esgrima de Lex, que foi uma das razões pelas quais aqueles sob seu comando permaneceram calmos. Não importava que o próprio Lex não tivesse certeza se poderia derrubar um ogro...

Albert... Não, ele é Abel agora. Lembro-me dele me dizendo uma vez para apunhalá-los nos olhos ou através das orelhas. Mas... temo que isso seja impossível para mim.

No entanto, sua ansiedade e falta de confiança não apareceram em seu rosto. Afinal, ele era um oficial comandante. Se ele vacilasse, seus subordinados também vacilariam. Essa era a única coisa que ele precisava evitar.

Então, cinco minutos depois.

“Isso é...”

“Um ogro...”

Suas tropas murmuraram ao avistar o monstro se arrastando em direção às escadas.

“Haaa...”

Lex respirou fundo. Deixando os outros monstros para seu pessoal, ele esperou o momento certo para atacar. O ogro deu um passo. Outro. Mais um. Agora!

No instante em que alcançou a base da escadaria, ele saltou do patamar. Lex segurou sua espada em um aperto reverso com as duas mãos e usou seu impulso para cravá-la no olho do ogro. Ele sentiu a lâmina perfurar o osso da órbita ocular e penetrar em seu cérebro.

De boca aberta, o ogro convulsionou silenciosamente. Lex usou isso como deixa para retirar sua espada, chutar seu corpo enorme e saltar de volta para o patamar. O ogro caiu para trás com um baque, de barriga para cima.

A Segunda Companhia rugiu em triunfo. Aquele grito de batalha explodiu a fadiga de todos e rejuvenesceu sua vontade de lutar. O que Lex havia feito era simplesmente seu trabalho como capitão deles.

Dez minutos depois, outro desafio estava prestes a testar a defesa da Segunda Companhia na Pequena Escadaria Norte.

“Ogros avistados!”

“Cinco deles desta vez...”

Aquele que sentiu o maior senso de perigo com essa notícia foi o próprio Lex.

Isso... não vai ser fácil.

Como ele havia confirmado anteriormente, apunhalar um ogro na cabeça através de um olho ou orelha era a melhor maneira de matá-los. No entanto, era impossível executar tal técnica em cinco ogros de uma vez. Isso significava que havia uma alta chance de que os outros ogros matassem seus subordinados enquanto ele os eliminava um de cada vez.

Claro, abandonar esta escadaria estava fora de questão. O escritório do rei ficava bem ali, então se eles saíssem deste local, teriam que defender a área imediatamente em frente ao escritório. E essa não era uma opção realista.

Acho que não tenho escolha a não ser derrubá-los um por um, mesmo que isso signifique incorrer em baixas.

Mas algo inesperado aconteceu assim que ele endureceu sua resolução e abriu a boca para informar seus subordinados sobre este curso de ação.

“Lança de Gelo 5. Permafrost.”

Lanças de gelo empalaram as cabeças dos ogros que se aproximavam, apunhalando-os através do olho direito, olho esquerdo, orelha direita, orelha esquerda e boca bem aberta, respectivamente. Ao mesmo tempo, a área circundante — e os monstros que corriam em sua direção — congelaram.

“Tudo bem, Abel, admito que você estava certo sobre como é fácil perfurá-los pelos olhos e orelhas. Mas... parece-me que apunhalá-los pela boca é na verdade a maneira mais simples.”

“Só porque você pode usar gelo, Ryo. Não é o caso de um espadachim, já que é complicado apunhalar uma lâmina através da boca de um ogro.”

O mago e o espadachim correram em direção a eles enquanto mantinham tal conversa. O gelo que cobria o chão tinha pequenas saliências, permitindo que eles corressem sem escorregar.

Quanto à Segunda Companhia da Guarda da Capital, seus membros ficaram sem palavras. Incluindo Lex. No início, eles não conseguiam entender o que acabara de acontecer. Mesmo quando finalmente registraram o que havia acontecido, eles ainda não conseguiam encontrar palavras. Afinal, eles não tinham ideia de como algo assim poderia ter acontecido.

Lex, reconhecendo uma das duas pessoas que se aproximavam deles, entendeu a situação primeiro.

“Al— Abel?” Ele se apressou para se corrigir antes de dizer o nome verdadeiro de seu amigo. Ele ouvira dizer que “Abel” era o nome sob o qual ele operava desde que se tornou um aventureiro.

“Hm? Lex, é você? Que coincidência encontrá-lo aqui. Espere, por que a Guarda da Capital está defendendo o palácio?”

“Bem, vamos apenas dizer que é complicado e deixar por isso mesmo, que tal?” Lex respondeu a Abel com um pequeno aceno de cabeça.

“Estranhamente, eu entendo completamente. Ah, sim, Sua Majes— Pai e Irmão estão seguros?”

“Aha. Agora entendo por que você veio. Sua Majes— Seu pai está em seu escritório no andar de cima, e seu irmão está atualmente fora do castelo real em funções oficiais”, respondeu Lex, olhando para Ryo. Ele percebeu que seu amigo não havia contado toda a verdade a Ryo, então escolheu suas palavras com cuidado ao responder.

“Você está falando sério? Na condição dele?”

“Sim. Ontem, um príncipe da Monarquia de Joux chegou. Ele foi prestar suas homenagens hoje de manhã.”

“Então ele está na embaixada de Joux.” Abel lançou um olhar para Ryo, depois desviou os olhos.

Ryo percebeu e olhou de volta, surpreso, mas em silêncio.

“Você... acha que ele está bem?” Abel perguntou.

“A Segunda Guarda Real está com ele, além disso a embaixada fica na parte sul do distrito leste, então... Acredito que sim, sim.”

“Por quê?” Abel pressionou, a última parte da resposta de Lex despertando sua atenção. “Há algo de especial naquela área?”

“De acordo com as informações coletadas no quartel-general, os monstros apareceram na metade norte da capital real. Eles não foram mais ao sul do que o templo central.”

“Ah, entendi agora.” Abel assentiu. “O que significa que alguém definitivamente estava por trás disso, hein?”

“É natural chegar a essa conclusão”, concordou Lex.

Ryo assentiu silenciosamente também.

“Ah, certo, Abel. Você gostaria de ver Sua Majes— Ahem, seu pai?” Lex espiou Ryo novamente. O pai de Abel era o rei. Não era um problema para Abel entrar no escritório do rei, mas o mesmo não podia ser dito de seu companheiro, que Lex não conhecia bem... Abel pareceu entender o significado por trás do olhar pontudo de Lex. Ele respondeu com um leve aceno de cabeça.

“Não, está tudo bem. Fico feliz em saber que ele está seguro. Na verdade, eu estava mais preocupado com o Irmão, considerando sua saúde, mas não há muito que eu possa fazer sobre isso agora, já que ele não está aqui.”

“Qual é o seu próximo passo então?”

“Boa pergunta. Hmmm... Acho que vamos voltar para o templo central. Pedi a Rihya e aos outros para cuidarem do pessoal lá, então devemos fazer nossa parte também, hein?”

Lex parecia que queria dizer algo, mas estava claramente hesitante sobre se deveria dizê-lo.

“Desembucha, Lex. Você precisa da nossa ajuda com algo?”

“Bem... sim, na verdade. Quero que você verifique algo.”

“O quê?”

“Como a Primeira Guarda Real está se saindo.” Lex fez uma pausa para organizar seus pensamentos, depois continuou. “Eles foram investigar a ilha caída. Embora eu não negue que os ache um bando detestável, eles ainda são a última linha de defesa remanescente do palácio, ao nosso lado na Guarda da Capital. Então estou preocupado.”

“Droga, de todos os lugares para eles irem...” Abel resmungou com um pequeno aceno de cabeça. Então ele olhou para Ryo. Ele presumiu que seu amigo não iria querer ir. Mas...

“Vamos, Abel.”

“Tem certeza? Você não disse que não quer ir a nenhum lugar tão perigoso?”

“Seria um desastre para o palácio se sua última linha de defesa desaparecesse. Além disso, já que estamos aqui, não tenho certeza se minha consciência aguentaria se fôssemos embora sem pelo menos dar uma espiada.”

“Não posso dizer que não sei de onde você vem.” Então Abel encarou Lex. “Ok, vamos verificar as coisas lá. A Primeira é cheia de caras bem durões, então talvez a gente acabe observando de longe. Mas voltaremos aqui e te atualizaremos assim que tivermos uma noção da situação.”

Ryo assentiu em concordância vigorosa. Um momento depois, no entanto, ele parou abruptamente.

“O que foi, Ryo?”

“Você acha que... havia alguém realmente naquela ilha...?”

“Óóótima pergunta. Se havia, vamos apenas esperar que a Primeira não tenha feito nada estúpido.”

“Ei, Abel, você sabia que é isso que as pessoas normalmente chamam de ‘premonição’?”

“Hã? Do que você está falando agora?”

Quando Ryo e Abel chegaram onde a “ilha” se projetava do palácio, não encontraram ninguém.

“Onde está todo mundo...?”

“Sim, isso é estranho. Lex disse que a Primeira Guarda Real deveria estar aqui.”

Ambos estavam perplexos. Não havia uma única alma aqui. Ninguém da Primeira nem nenhum dos monstros que haviam surgido de debaixo do castelo real.

“Oh, vejo espadas e coisas espalhadas aqui e ali.”

“Eu também. E isso é provavelmente... sangue, hein?”

Embora não houvesse ninguém aqui, armas jaziam caídas no chão ao lado de rastros de sangue.

“Eu tenho um pressentimento muito ruim sobre isso.”

“O mesmo.”

Nesse exato momento, uma voz soou.

Coruscare.

Muralha de Gelo de 10 Camadas.

A muralha de gelo de Ryo bloqueou os dois aglomerados de chamas vividamente cintilantes que corriam em direção a eles.

“Aquele fogo—”

“É a magia daquelas pessoas de cabelo roxo!”

Tanto Abel quanto Ryo perceberam a mesma coisa. Isso tinha sido uma possibilidade, é claro, desde que ouviram da Matriarca dos elfos sobre a conexão das pessoas de cabelo roxo com a lenda dos continentes flutuantes. Eles estavam preparados para a presença de ditos indivíduos a bordo da “ilha” flutuante no segundo em que a viram.

E o que aconteceu foi a prova. Dois homens apareceram das sombras da ilha — ambos com cabelos roxos e olhos azuis brilhantes.

“Aproximem-se mais e nós os mataremos. Retirem-se, agora”, gritou um deles.

“Você ouve isso, Abel? A audácia de fazer exigências depois de atacar primeiro. Nós dois estaríamos mortos se não fosse por mim.”

“Mais alto, Ryo. Qual é o sentido de sussurrar tudo isso? Manda ver”, respondeu Abel, exasperado.

“Mas isso só vai irritá-los e levar a uma briga. Você sabe que sou pacifista. Prefiro que você não me misture com um espadachim louco por batalhas como você, Abel.”

“Não há como alguém acreditar que você, de todas as pessoas, é um pacifista, Ryo. De jeito nenhum.”

“Que rude!”

A briga deles significou que perderam a chance de recuar. Porque um dos homens de cabelo roxo os reconheceu.

“Eu me lembro de vocês dois...” Assim que ele falou, a raiva inundou seu rosto.

“Abel, fomos descobertos! Sua estratégia falhou.”

“Exceto que eu não fiz nada... De qualquer forma. Parece que ele é o cara que enfrentamos em Lune, hein?”

“Parece que sim. Decidi chamá-lo de Cabelo Roxo Número 1 por enquanto. Isso me lembra... Você e o resto da Espada Carmesim não o enfrentaram em Wingston também? Lyn fez buracos nele com seu feitiço Chuva de Balas, certo?”

“Sim.”

“Bem, o rosto do Cabelo Roxo Número 1 está vermelho de raiva. Embora eu suponha que qualquer um ficaria furioso por ter o corpo crivado de buracos. Ele tem o direito de estar com raiva”, disse Ryo, cruzando arrogantemente os braços sobre o peito.

“Dane-se isso. Ele... Ah, com licença. Número 1. Bem, o Número 1 foi quem atacou primeiro, então a culpa é toda dele”, insistiu Abel, tendo aparentemente aceitado o apelido de Ryo para o vilão. “Além disso, parece que ele está irritado com você também, Ryo, não apenas comigo.”

“Mesmo que eu não tenha feito nada com ele? Parece haver algum tipo de mal-entendido. Eu deveria falar com ele agora e esclarecer as coisas...”

A ideia de Ryo foi rejeitada antes mesmo que ele pudesse tentar.

Cascata de Fogo.

Muralha de Gelo de 10 Camadas.

Através de seu feitiço, o homem gerou uma barragem de fogo contínua — como uma cascata de chamas lateral e interminável — em direção a eles. Ryo imediatamente construiu sua muralha de gelo, mas percebeu seu erro imediatamente.

“Que nível de força inesperado. Laminar, Alternar.

A muralha de gelo começou a engrossar automaticamente, reforçada por camada após camada... E a cachoeira de fogo continuou seu ataque implacável, lascando-a. Faíscas voaram com o fenômeno da aniquilação.

Chocantemente, os dois estavam em pé de igualdade!

“Tão poderoso...”

Ryo não pôde deixar de fazer uma careta. O poder desta magia estava no mesmo nível da de Leonore, a akuma. Em outras palavras, não havia nada de normal nisso. Ele havia se tornado mais forte desde que lutou com ela no espaço que ela chamou de “claustro”, então seu feitiço de laminação podia resistir à ofensiva do Cabelo Roxo Número 1. Ele havia percorrido um longo caminho, considerando que ela quase superou suas camadas naquela época...

“Então eu te darei cobertura.”

Mal as palavras saíram da boca de Abel, ele circulou por fora da Muralha de Gelo de Ryo e atacou o Cabelo Roxo 1 pelo flanco. Infelizmente, o inimigo deles não estava sozinho.

Klang.

Antes mesmo que pudesse alcançar o Número 1, alguém interveio: o outro homem de cabelo roxo.

“Cabelo Roxo Número 2...”

Até Abel ouviu o murmúrio do mago da água. Ele também não se surpreendeu com o nome.

Assim começou sua luta de espadas com o Número 2.

Ryo observou a batalha enquanto afastava a cachoeira de chamas com suas camadas de gelo.

Ele não é exatamente fraco... Eu diria que está no mesmo nível do Número 1 quando o encontramos em Lune? Nesse caso...

Com esse julgamento, ele elaborou um plano em sua cabeça. Uma estratégia complicada teria sido impossível no momento, então ele improvisou algo simples — algo que Abel poderia executar facilmente. Ryo estava apenas operando por intuição.

Pista de Gelo.

No instante em que ele lançou o feitiço, gelo se formou sob os pés do Número 2. Naturalmente, incapaz de se firmar, o homem escorregou e caiu para frente. Abel o chutou na cabeça no momento perfeito. Então, sem perder o ritmo, ele correu em direção ao Número 1, diminuiu a distância entre eles e desceu sua espada.

Klang.

Sem se mover um único centímetro, o Número 1 aparou o golpe descendente de Abel usando uma espada que parecia ter saído do nada. A torrente de fogo continuou inabalável — o que significava que ele estava atacando Ryo com magia e simultaneamente se defendendo de Abel com sua lâmina.

“Impressionante...” Ryo ficou genuinamente atordoado.

Abel balançou sua espada repetidamente. Para baixo, para cima, estocada... Este não era o Abel que Ryo conhecia. Ele estava atacando com muita frequência, o que só poderia significar...

“Uma distração? Entendi. Lança de Gelo 16.

Lança de Gelo 256.

Enquanto mantinha sua muralha de gelo, Ryo gerou dezesseis lanças de gelo e as arremessou diretamente no Número 1.

Abel estava atacando com tanta frequência para desviar a atenção do homem de Ryo. Era uma distração para sinalizar a Ryo para atacar com magia enquanto o Número 1 estava distraído. Infelizmente...

Murus Lapis”, disse o Número 1 sem sequer olhar para Ryo. Uma parede de pedra apareceu instantaneamente, repelindo todas as suas dezesseis Lanças de Gelo. Nem um único arranhão nele...

“Essa dureza é inacreditável.”

Embora Ryo estivesse surpreso, essa reviravolta não foi completamente inesperada. Com base em como as coisas se desenrolaram até agora, ele começou a prever que as coisas poderiam terminar assim.

A capacidade de se adaptar era uma arma por si só.

E foi exatamente por isso que suas dezesseis lanças de gelo também foram uma distração. Abel deve ter sabido também, já que dezesseis era muito pouco para o Ryo que ele conhecia, e o próprio número era uma pista nesta situação onde eles não podiam se comunicar usando palavras.

Ele saltou para trás ao mesmo tempo em que o Número 1 construiu sua parede de pedra. Naquele momento, lanças de gelo choveram silenciosamente de cima.

Murus Lapis.

O inimigo deles mal conseguiu reconstruir sua parede de pedra a tempo acima dele, repelindo novamente o ataque de Ryo.

O tabuleiro estava montado. Acima. Abaixo. A atenção do Número 1 dividida...

Abel se agachou e avançou para o alcance do homem, usando seu impulso para cravar sua espada para cima no peito do homem.

“Ngh!” O Número 1 grunhiu. Mas então... “Tsk.”

Depois de ouvir o homem estalar a língua em escárnio, Abel saltou para trás novamente. A lâmina do Número 1 ceifou o local onde a cabeça de Abel estivera um instante antes.

“Eu o apunhalei no peito e ele ainda não está morto?” Abel reclamou.

“Suponho que não devamos assumir que ele tem apenas um coração”, respondeu Ryo com uma carranca.

“Acho que estraguei tudo. Deveria tê-lo apunhalado na cabeça, hein?”

“Ou tê-lo decapitado.”

O cérebro é o centro de controle do corpo, então a maneira mais eficaz de controlar um oponente é esmagá-lo ou impedi-lo de emitir comandos para o corpo. Claro, isso efetivamente significava matar o oponente.

À primeira vista, o conflito deles parecia ser uma batalha entre dois indivíduos. Um olhar mais atento, no entanto, via o quão unilateral era a luta deles... Em suma, uma situação difícil de compreender.

“Não cometerei o mesmo erro duas vezes”, murmurou Abel.

Então, naquele exato instante: “Invólucro Laminado de Muralha de Gelo de 10 Camadas.

Meteor Inver.

Ryo detectou o fluxo de poder mágico de seu oponente e rapidamente ergueu uma barreira de gelo para desviar as inúmeras peças de algo que choviam sobre ele. Thwak, thwak, thwak, thwak, thwak, thwak, thwak, thwak, thwak... Parecia uma metralhadora. Os projéteis explodiram no impacto com a parede de gelo auto-espessante, criando uma chuva de faíscas de aniquilação ainda mais brilhante do que a criada pela cachoeira flamejante.

“Que ataque de saturação incrível... ‘Meteoro’, foi isso? Hasan tinha um feitiço com o mesmo nome também. Aqueles projéteis devem ser pequenos meteoritos projetados para explodir no impacto, hm?” Ryo estava se lembrando da magia que Hasan, o chefe da Seita dos Assassinos, usou nele. Ele a chamou de “Meteoro”.

“Pequenos o quê? Eu também não entendi a segunda palavra que ele disse. ‘In’ algo?”

Aparentemente, Abel não conhecia a palavra “meteorito”.

“São rochas que caem do céu”, explicou Ryo.

“Espera, isso realmente existe? Droga, Ryo, o mundo que você conhece parece perigoso.”

“Abel, não é hora de se fazer de bobo.”

“Mas não estou. Estou falando muito sério.”

O invólucro laminado estava bloqueando o ataque do Número 1, mas sua cobertura de quatro lados impedia Abel de atacar. Tudo o que podiam fazer era ficar na defensiva. Os meteoritos do tamanho de um polegar caíam sem parar sobre eles do céu.

“Ryo, a este ritmo...”

“Eu sei, eu sei. Estou fazendo o meu melhor para pensar em uma maneira de te libertar das garras daquele desperdício de espaço, para que você possa fazer o que sabe, Abel.”

“Uau, diga a ele o que você realmente pensa.”

Insultos duros à parte, Ryo estava tentando elaborar um plano para sair desse impasse. Ele usaria o Escudo de Gelo Aprimorado Nº 2, o feitiço que ele criou durante sua batalha com Hasan. O fato de ele só se lembrar disso graças à palavra “Meteoro” mais cedo era um segredo.

“O problema: como parar um fluxo interminável de meteoritos... Hm, será que a Muralha de Gelo funcionará?”

Abel manteve o silêncio e simplesmente esperou enquanto Ryo murmurava para si mesmo. Porque ele sabia que em momentos como este, seu amigo sempre encontraria uma solução.

“Ok, é agora ou nunca. Invólucro Laminado de Muralha de Gelo de 10 Camadas. Escudo de Gelo Aprimorado Nº 2.

Ele gerou uma nova parede de gelo um metro fora da Muralha de Gelo Laminada que os protegia. Claro, ela foi destruída assim que os pequenos meteoritos a atingiram. Sem um segundo de atraso, ele implantou um Escudo de Gelo Aprimorado Nº 2 no interior da parede de gelo.

O Escudo de Gelo Aprimorado Nº 2 era um feitiço que congelava automaticamente o vapor de água no ar quando entrava em contato com um objeto estranho, como outra magia. Com efeito, criava dezenas de milhares de pequenos escudos de gelo instantaneamente. De fato, cada vez que um pequeno meteorito colidia com ele, o impacto gerava outro escudo de gelo, e então, quando outro pequeno meteorito atingia este novo, o choque emitia uma faísca de aniquilação... Basicamente, uma reação em cadeia estava ocorrendo.

Escudo de Gelo Aprimorado Nº 2. Escudo de Gelo Aprimorado Nº 2. Escudo de Gelo Aprimorado Nº 2.

Usando o tempo que ele comprou para eles, Ryo criou um escudo de vapor de água ainda mais espesso.

“Abel, você está pronto?”

“Você sabe que sim. É só dizer.”

Com um escudo tão espesso, era altamente improvável que quaisquer pequenos meteoritos passassem. Em suma...

Muralha de Gelo, Liberar.

Eles estariam bem mesmo com a barreira de gelo que os cercava removida. Desfazê-la significava que Abel estava livre mais uma vez para ir à ofensiva. No momento em que Ryo dissipou a muralha, ele atacou. Ele diminuiu a distância entre ele e o Número 1 em um piscar de olhos e estocou com sua espada. Corte.

“O q...?!”

O Número 1 estendeu a palma da mão direita. Claro, sua lâmina mergulhou direto na carne do homem. O Cabelo Roxo 1 fizera isso de propósito. Mas por quê? Para impedir que sua presa escapasse, é claro. Quando Abel percebeu que estava preso, ele rangeu os dentes em frustração.

Wham. Klink.

“Ngh!”

O Número 1 o socou no plexo solar com o punho direito. A armadura de gelo que o cobria se estilhaçou explosivamente e Abel sofreu danos... Então seu corpo voou para trás. O Número 1 estava em seu encalço, com a intenção de finalizá-lo.

Abel se impulsionou em um salto mortal reverso com a mão esquerda, e então imediatamente se endireitou em uma posição para interceptar. Claro, o Número 1 viu isso, mas não parou de correr em sua direção. Levou apenas um segundo para alcançar Abel. Quando o fez, ele firmou os pés e desferiu outro golpe com o punho direito...

Escorregão. Ele não conseguiu encontrar apoio. Será que ele sequer estava ciente do gelo se espalhando magicamente apenas sob seus pés? O Número 1 perdeu o equilíbrio.

Como se tivesse previsto isso, Abel balançou sua espada rapidamente como um raio, cortando a cabeça do homem.

Após o golpe, Abel se recusou a baixar a guarda. Ele manteve os olhos em seu oponente mesmo enquanto o Número 1 caía de costas.

E então, Abel finalmente conseguiu recuperar o fôlego. Uma pausa, finalmente. A tensão que ele carregava se dissipou.

Krak. Uma luz roxa o assaltou, mas uma luz azul a bloqueou.

“Abel, ainda não acabou!”

“Valeu, cara.”

Ryo correu para ficar na frente dele e bloqueou o ataque com a Murasame.

Quanto à luz roxa que os atacou...

“Pensar que você iria perder a cabeça após a remoção de um nível de suas amarras...”

...era uma mulher segurando uma lança, seus olhos azuis e cabelo roxo ambos brilhando. Ela estava franzindo a testa, embora quem possa dizer se era porque seu ataque a Abel havia sido frustrado ou o Número 1 havia sido decapitado. Seus olhos se estreitaram quando ela viu a lâmina que Ryo usara para detê-la.

“Essa é... a espada do Rei das Fadas, não é?”

“Sim”, respondeu Ryo honestamente. Ele tinha a sensação de que mentir teria sido inútil, o que dizia muito sobre o tipo de oponente que a mulher brilhante à sua frente era.

“E o manto também?”

“Sim.” Mais uma vez, ele respondeu honestamente.

“Permanece invisível para mim, mas sinto uma faceta feérica transbordando de você.”

“Já ouvi algo semelhante antes.”

Ontem, na verdade, de Sera. Que alguém como ele era uma fonte de nutrição muito valiosa para aqueles que possuíam as facetas feéricas. Embora ela não tivesse dito diretamente que o próprio Ryo transbordava com uma faceta, parecia seguro assumir que sim.

“Mal posso acreditar, mas evidentemente, você era o ponto fora da curva, hm? Leituras mais fortes que um vulcão, e tudo vindo de uma pessoa... Ninguém vai acreditar em mim, não importa o quanto eu insista. O mero pensamento de relatar isso me deixa desanimada.”

Ryo ouviu os murmúrios da mulher com uma expressão inescrutável. Claro, ele nem entendeu metade do que ela disse.

“Mudei para a navegação por ressaltos”, ela continuou, “então a nave deve conseguir decolar, mas isso significa que o motor de suspensão quebra facilmente... Argh... Definitivamente terei que escrever um relatório sobre isso também...”

Ryo continuou, inexpressivo. A essa altura, ele havia desistido de entender qualquer coisa que ela dissesse.

“Eh, a vida é assim. Vou levar Julius de volta, muito obrigada, já que precisarei recolocar a cabeça dele em seu corpo. Ah, Drusus também, evidentemente. Até nosso próximo encontro.”

O corpo do Número 1 — e sua cabeça — desapareceram no segundo em que ela falou. O inconsciente Número 2 desapareceu com ele. Então, um momento depois, o mesmo aconteceu com a mulher brilhante.

Enquanto Abel e Ryo ficaram ali, boquiabertos, para seu maior espanto, a ilha também desapareceu. Sim, desapareceu. Não começou a flutuar ou disparou para o céu. Não, simplesmente desapareceu sem um som, sem rima nem razão.

Os dois ficaram ali, pasmos, pelo que pareceu uma eternidade, mas na verdade foram apenas um minuto ou dois. Ryo quebrou o silêncio primeiro.

“Pelo menos sabemos que o nome verdadeiro do Cabelo Roxo Número 1 é Julius.”

“Com certeza sabemos.”

“Ela era a mesma mulher que vimos em Lune, não era?”

“Com certeza era.”

“Nunca senti uma pressão como aquela antes.”

“Por um segundo, pensei que íamos ser esmagados.”

“Não quero lutar com ela, mesmo que você me implore, Abel.”

“É, não acho que isso vai acontecer. Nunca.”

“Só para você saber, se você for capturado e eles te trancarem no continente flutuante, não vou te resgatar.”

“Duvido que isso vá acontecer também.”

Ryo segurou a Murasame como se fosse um bastão cerimonial. “Bem, na remota chance de acontecer, será adieu, Abel”, disse ele, proferindo as palavras como d'Artagnan teria feito.

Abel não conseguiu pensar em nada para dizer em resposta. Aparentemente, a vida vinha primeiro, antes mesmo da amizade.

Um grupo de pessoas, liderado pelo Vice-Capitão Lex da Guarda da Capital, correu em direção a eles. Ele sorriu aliviado ao ver que ambos estavam bem. Então ele notou que a ilha havia sumido.

“O que aconteceu com a ilha caída?”

Os outros soldados que vieram com ele também examinaram a área. Não havia como alguém ter perdido algo tão gigantesco. Então, o fato de não conseguirem mais vê-la significava que ela não estava mais aqui... Mesmo assim, eles não puderam deixar de procurá-la.

“Eles partiram.”

“Eles partiram?” Lex disse incrédulo.

“Sim. Uma ameaça a menos para lidar.”

“Huh. Bem, isso é uma boa notícia. Você ficará feliz em saber que exterminamos a maioria das criaturas que surgiram de debaixo do palácio.” Lex olhou para o castelo real. O problema dos monstros foi resolvido lá, mas não na capital em si, onde mais ainda vagavam.

“De acordo com o relatório que acabei de receber, muitos dos monstros na cidade estão se dirigindo para o distrito noroeste.”

“Espera, sério?” Abel inclinou a cabeça em confusão.

“Sim. Eles estão na avenida que leva direto para lá”, disse Lex, apontando para uma das três ruas largas em frente ao castelo real.

“Ah, cara, você está certo... Essa é a única em que eles estão agrupados... As outras duas estão quase vazias...” Abel respondeu, olhando para a estrada que Lex apontou. Era a única com uma densidade anormalmente alta de monstros.

Ryo deve ter sentido algo neste ponto, porque ele finalmente falou: “Abel, o que há no final desta rua?”

“Quero dizer, apenas o seu velho e bom... Não, espera — O bairro dos nobres! Ryo, é onde fica o Enclave dos elfos!”

Ryo saiu correndo então.

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