
Volume 4 - Capítulo 2
The Water Magician
“A todos, a minha gratidão.”
Com essas palavras, o Príncipe Willie inclinou a cabeça. O Sr. Rodrigo, de pé na diagonal atrás dele, fez o mesmo.
“Não, não, por favor. Fico feliz por termos conseguido trazê-lo aqui em segurança”, disse Cohn, envergonhado.
“Estávamos apenas fazendo nosso trabalho. Por favor, levante a cabeça, Vossa Alteza.” Ryo soou um pouco em pânico.
Eles estavam em frente ao castelo real do Reino de Knightley. Os voluntários do Departamento de Magos Reais, que haviam escoltado a comitiva do príncipe, já haviam partido, retornando aos seus deveres oficiais. Quanto a Matthew e Luca, depois de expressarem seus agradecimentos, partiram para o ministério das finanças, acompanhados por guarda-costas robustos que surgiram do nada.
Restavam o Príncipe Willie e o Sr. Rodrigo, que agora se despediam de Ryo e dos outros aventureiros.
“Ryo, não me concederias um último favor?!” O garoto parecia determinado.
“Como posso ajudá-lo, Vossa Alteza?” Curioso, Ryo manteve um tom leve em sua resposta.
“Posso chamá-lo de ‘Mestre’ de agora em diante?”
“Lamento, mas eu preferiria que não...”
“Que pena”, disse o Príncipe Willie, desapontado. “Então, simplesmente o chamarei de meu mentor.”
“Eu preferia que não...” Mas a palavra não pareceu uma grande concessão para Ryo.
E então o garoto e seu assistente entraram no castelo para relatar sua chegada segura à capital.
“Tudo bem, Ryo, estamos pensando em visitar a guilda dos aventureiros. E você?”
Com a partida deles, restavam apenas Ryo, Cohn e os outros aventureiros que o outro homem havia liderado na jornada. Assim que Cohn e os outros fossem para a guilda, este grupo temporário se dissolveria. Como era sua primeira vez na capital real, Ryo não tinha pressa para ir a lugar nenhum em particular. A única coisa em sua agenda para o futuro próximo era cumprimentar o Conselheiro Especial Berasus.
Então, assim que decidiu ir junto com Cohn e o resto... ouviu uma voz familiar chamá-lo de um grupo de pessoas que saía do castelo.
“Ryo?”
Quando ele se virou, Sera correu para ele na velocidade do som e o abraçou apertado.
“Ngh...! S-Sera? Por que você está aqui? Suponho que essa pergunta vale para todos vocês da ordem dos cavaleiros de Lune também.”
Por alguns momentos, ela simplesmente o abraçou em silêncio. Eden, um comandante de pelotão da ordem, respondeu a Ryo em seu lugar.
“Ummm, fomos encarregados de transportar certos itens para a família real. O que, na verdade, acabamos de concluir.”
“Hã... Espere, Sera também?”
“Sim, a Senhora Sera também. Embora, tecnicamente falando... ela não fizesse parte do plano original. Poderia se dizer que ela foi uma adição de última hora...” Eden estava claramente tentando ser diplomático.
“Não é como se eu tivesse outra escolha.” Levantando a cabeça do peito de Ryo, Sera finalmente falou. “Você pediu a Sue de Switchback para me entregar sua carta, certo? Então, quando a abri e li que você estaria visitando a capital real, eu... Deixe-me explicar direito. Veja bem, Ryo, nós elfos precisamos de um suplemento nutricional vital, e... é isso que você é para mim. Sem você, estou perdida. Então, agora que você sabe, por favor, aja de acordo daqui em diante!”
“Uhhh... Eu... desculpe?”
“Suplemento nutricional”...? Que diabos de suplemento nutricional eu sou? Mas também... é a primeira vez que alguém me diz algo assim.
“Bom.” Ela sorriu radiante. “Desde que você entenda.”
O poder destrutivo de seu sorriso transcendia tudo. Ryo estava disposto e capaz de lutar contra o mundo inteiro por aquele sorriso...
Mas primeiro, ele precisava de uma resposta para o mistério que ela acabara de lhe apresentar.
“A propósito, o que exatamente você quer dizer com ‘suplemento nutricional’?”
“Hm? Ah, isso. Certo. Você se lembra da besta guardiã que mencionou algo sobre como estar perto de você prolonga a vida de alguém?”
“Lembro...”
“Isso. É isso. Eu te disse antes como os elfos são essencialmente meio fadas, então suspeito que a besta guardiã que você encontrou também se enquadra na categoria feérica. Nosso termo para isso é a ‘faceta feérica’ e para aqueles que a possuem, você é uma fonte de nutrição muito valiosa, Ryo. Outra característica disso envolve a capacidade de exorcizar o mal... é a melhor maneira que consigo descrever. E, claro, o efeito revigorante. Não podemos nos esquecer disso também. Sugiro que você mantenha tudo isso em mente.”
Os cavaleiros que ouviam a conversa assentiram enquanto faziam “ooh” e “aah”.
“Uh”, disse Ryo, “isso tem efeito em humanos também...?”
“Não, de forma alguma”, disse ela francamente. “Até onde eu sei, pelo menos.”
“Hum... então... isso tem efeito em mim?”
“Não, provavelmente não. Até onde eu sei, pelo menos.” Sua franqueza permaneceu inalterada quando ele insistiu.
Por alguma razão, um tremendo sentimento de derrota afligiu Ryo então. Em meio a tudo isso, ele nem percebeu Cohn se desculpando e os outros aventureiros com um “Uhhh, nós já vamos indo.”
◆
“Então, deixe-me ver se entendi direito. Luca se refugiou no ministério das finanças e o paradeiro de Sica é desconhecido. Com as amarras que colocamos nele desfeitas, o Ministro das Finanças não só não tem incentivo para se aliar a mim, mas há uma boa chance de que eu tenha feito dele um inimigo? Ouvi dizer que a Agência de Informações da Federação era composta apenas pela elite, mas vocês, seus patetas, não conseguem nem pegar um homem. Parece que os rumores sobre vocês eram apenas isso, considerando esses resultados desastrosos.”
“Estamos profundamente envergonhados.”
“Sem mencionar que Hilarion está apoiando Fuca das sombras. Perdi mais alguma coisa?”
Esta era a propriedade do Duque Flitwick na capital real. Um homem e uma mulher conversavam no escritório do duque. O homem esguio usando um monóculo falou enquanto examinava os documentos à sua frente.
Quanto à mulher, seu cabelo castanho estava cortado na altura dos ombros e seus olhos cinzentos brilhavam com inteligência. Embora sua aparência fosse adorável, sua conversa com o homem deixava claro que tudo era calculado e que ela, de fato, trabalhava para a Agência de Informações da Federação. Até mesmo seu pedido de desculpas não passou de um gesto simbólico...
“Continuando. Esse homem chamado Abel conecta todos eles?”
“Correto. Ele também estava conduzindo sua própria investigação sobre a Poeira Negra.”
Abel já havia atraído o escrutínio não apenas de Sica e seu pessoal, mas também daqueles sob o comando do duque. Uma circunstância inevitável, porque sua ocupação principal era aventureiro e não analista de inteligência. No entanto, o que essas pessoas não perceberam foram os pedaços de desinformação e contrainformação que crivavam os documentos.
“Onde está Hilarion agora?”
“Recebemos relatórios de que ele deixou a capital ontem e seguia para o leste na Segunda Estrada.”
“O que significa que agora pode ser nossa única oportunidade de nos livrarmos desse tal de Abel.”
O homem de monóculo mergulhou em um silêncio pensativo por um momento. Livrar-se dele poderia ser mais difícil do que o esperado. De acordo com seus dados, ele era um jovem bastante capaz. Se não enviassem seus melhores homens, poderiam esperar que o feitiço se virasse contra o feiticeiro.
“Então... teremos que usar eles para garantir sua eliminação.”
“Concordo. Já tomamos as medidas necessárias.”
“Oh? Conte-me mais.”
“Gordon, Berlocke e Roman — estes são os três que serão mobilizados. Gordon sozinho deve ser capaz de lidar com ele com facilidade, mas incluir os outros dois garante o sucesso.”
“Ótimo. Limpe essa bagunça antes que Hilarion retorne.”
“Entendido.” Com isso, a mulher de cabelos castanhos saiu do escritório.
O homem com o monóculo sorriu levemente.
“Uma emboscada pelo Herói, eh...”
◆
Gordon estava nas nuvens. Esta era a primeira vez em seus vinte e três anos de vida que ele era popular com as mulheres. Como o mago do fogo no grupo do Herói, Gordon definitivamente não era um cara de má aparência. Na verdade, poderia se dizer que ele era mais bonito que a média.
No entanto, ele era um pouco insensível, um pouco autoconfiante demais e um pouco condescendente, tudo o que explicava por que as mulheres nunca lhe davam a mínima atenção. Elas poderiam ter ignorado uma dessas falhas, mas todas as três? Em um único homem? Impossível.
Mas sua hora de brilhar finalmente chegou porque uma mulher louca por ele apareceu aqui na capital real. O nome dela era Nancy e ela era a secretária do Visconde Othniel Fletcher. O nobre de monóculo era um homem possuído por uma aura calma. O principal assessor do Duque Flitwick em tudo, exceto no nome, ele administrava os interesses do duque na capital. Quanto a Nancy, sua secretária, ela era uma mulher adorável na casa dos vinte anos com olhos muito expressivos.
E Gordon estava perdidamente apaixonado por ela.
Finalmente, a primavera havia chegado para Gordon...
Roman, o Herói, não poderia estar mais feliz por seu amigo. O mesmo valia para Berlocke, o mago da terra, que brindou à felicidade de Gordon inúmeras vezes. Graham, o clérigo, simplesmente assentiu com sua expressão estoica de sempre. Enquanto isso, Alicia, Morris e Ashkhan — a maga do ar, a batedora e a encantadora — todas franziram a testa.
“Você tem certeza de que está tudo bem? Você não está sendo enganado nem nada?” Alicia perguntou.
“Acho que qualquer mulher atraída por Gordon precisa ter os olhos examinados”, Morris brincou.
Ashkhan deixou seu silêncio falar por si.
Em suma, cada uma das três mulheres expressou suas preocupações à sua maneira.
Depois de chegar à capital do Reino, o grupo do Herói solicitou uma audiência com o Rei Stafford IV. Infelizmente, devido à saúde debilitada de Sua Majestade, eles estavam atualmente detidos na residência do Duque Flitwick. Embora “detidos” pudesse ser uma palavra forte demais, já que podiam fazer o que quisessem. Havia também o fato de Gordon estar aproveitando a primavera de sua vida. Em suma, as coisas estavam ótimas.
Para Graham, seus dias na propriedade ducal não poderiam ser mais gratificantes, pois ele os passava em conversas profundas com os clérigos da luz das Províncias Centrais, discutindo avidamente sobre suas respectivas divindades e ensinamentos religiosos. O trio de mulheres do grupo do Herói — Alicia, Morris e Ashkhan — também aproveitou seu tempo lá, organizando festas de chá com as damas de companhia da senhora e desenvolvendo conexões individuais.
Durante a estada deles, os passeios de Gordon com Nancy se tornaram mais frequentes. Há pouco tempo, ela o convidara para ir com ela a um restaurante recém-inaugurado na capital real. Simplificando, um encontro! Ele não achava que poderia voar mais alto, de tão animado que estava. Infelizmente para ele, um terceiro e um quarto penetra apareceram, estragando completamente seu humor.
“Roman, Berlocke, por que vocês dois estão aqui?” Gordon perguntou, sua expressão temível.
“Nancy disse que nos pagaria a conta, por isso”, respondeu Berlocke, coçando a cabeça.
“Tenho que admitir, eu estava preocupado em estragar as coisas para você...” Roman respondeu, coçando a bochecha.
E então Nancy chegou. Ela sussurrou em tom de desculpa para Gordon. “Sinto muito, Gordon. Sua Senhoria me ordenou que fosse hospitaleira e os levasse conosco...”
“Ahhh, entendo. Nem se preocupe com isso! Definitivamente não gostaria que você se metesse em problemas por desobedecer ao visconde. Então, sim, sem problema algum!”
“Sério?! Oh, Gordon, você é tão gentil!” Nancy disse, agarrando-se ao braço dele.
Em resposta, seu rosto ficou escarlate enquanto ele sorria timidamente...
O primeiro encontro de Gordon estava indo muito bem. Ele ignorou completamente os dois homens que os seguiam e se certificou de focar tanto seu olhar quanto sua mente em Nancy. O caminho que eles percorreram contornava o Instituto de Pesquisa Mágica, uma área cheia de restaurantes deliciosos e lojas de roupas estilosas, todas coisas que não chamaram sua atenção. Ele nem sabia onde estavam ou para onde iam, porque não estava familiarizado com o mapa da capital real.
Quanto aos dois homens que os seguiam, eles aproveitaram o passeio à sua maneira, despreocupados com o casal que andava na frente deles. Eles entraram em vários pequenos cafés e lojas e compraram guloseimas com aparência saborosa. Eles também olharam as coleções em diferentes lojas de armas.
Infelizmente, a tragédia sempre ataca inesperadamente.
Com os outros dois sabe-se lá onde, Gordon e Nancy almoçaram em um restaurante chique. Quando ele disse que pagaria a conta, ela saiu antes dele. Depois de pagar, ele saiu do estabelecimento, apenas para encontrar... Nancy caída no chão, tossindo sangue.
“Nancy!”
Ele correu para ajudá-la a se levantar.
“Gordon...” ela ofegou, sua respiração fraca.
“Como diabos isso aconteceu?!”
Ele apressadamente a fez beber uma das poções que sempre carregava consigo. Assim que ela terminou o frasco, Nancy gesticulou em direção à outra extremidade da rua.
“Aquele... espadachim...”
Ela apontou para um homem solitário de costas para eles.
“Ele?! Ele fez isso com você?!”
A visão de Gordon escureceu de raiva. Tudo o que ele conseguia ver era Nancy tossindo sangue e o homem responsável por isso. Ele a deitou gentilmente na beira da estrada antes de se levantar. Com os olhos ardendo de raiva, ele agarrou seu cajado. Então ele entoou.
“Blade Lange Trident.”
Três línguas de chamas giratórias saíram do cajado de Gordon em direção ao homem. Este feitiço era o mais poderoso de seu arsenal para batalhas um contra um.
“Abel!” uma mulher gritou.
“Santuário.”
A mesma mulher se plantou na frente do trio de chamas que se aproximava e lançou o feitiço. Era um tipo de magia de defesa de emergência. Em um instante, ela criou a barreira sem recitar um encantamento. A técnica secreta de um clérigo.
Santuário foi ativado corretamente e negou o Tridente da Lâmina de Gordon, mas a energia cinética de seu feitiço ainda enviou a mulher voando contra a parede atrás dela.
“Rihya!”
Os olhos de Abel se voltaram para Rihya enquanto ela era arremessada para longe. Naquele momento, Lyn e Warren apareceram, virando a esquina.
“Lyn, Warren, cuidem dela.”
Então Abel correu na direção oposta.
Gordon, com seu feitiço mais poderoso bloqueado, correu para lançar outro.
“Bola de Fogo.”
Ela correu em direção ao seu alvo em velocidade incrível, mas Abel cortou a Bola de Fogo com sua espada mágica.
“Não pode ser!”
Essas foram as últimas palavras de Gordon antes que o punho esquerdo de Abel se chocasse contra seu plexo solar, nocauteando-o. Infelizmente, isso não resolveu o problema. Roman e Berlocke estavam saindo da loja ao lado naquele momento. Enquanto observavam Gordon cair inconsciente no chão graças ao soco de Abel, eles não conseguiam entender nada do que estava acontecendo.
De um lado, havia Gordon, inconsciente após levar o golpe na barriga. Do outro, estava Nancy, tossindo sangue. A ficha finalmente caiu para Roman. O homem que derrubou Gordon era o inimigo. E ele era o vilão aqui.
Roman desembainhou sua espada sagrada, Astarte, enquanto corria em direção a Gordon e Abel. Abel o viu pelo canto do olho. Bem a tempo de evitar sua estocada total.
Assim, através de uma infeliz combinação de coincidência, mal-entendido e malícia, começou a batalha entre Roman, o Herói, e Abel, o gênio espadachim, nas ruas da capital real.
No momento em que Roman atacou Abel, Berlocke lançou um feitiço.
“Dardo de Pedra.”
Mas sua lança de pedra foi obliterada por um Corte de Ar lançado do outro lado da rua. Lá, ele viu uma jovem segurando um cajado olhando para ele.
“Devem ser os amigos daquele espadachim, eh?”
Enquanto a batalha entre os espadachins se intensificava, os magos de cada lado mantinham seus homólogos sob controle sem interferir.
Não havia um único espectador curioso na área. Na verdade, ninguém se aproximou deles. As lojas próximas haviam fechado firmemente suas portas e persianas por dentro.
Sempre que brigas de rua acontecem, um de dois fenômenos ocorre: os espectadores ou se aglomeram no local ou as pessoas se trancam dentro de suas casas. Você pode estar se perguntando o que determina uma resposta da outra. Bem, isso depende inteiramente de quão perigosa é a briga.
Basta imaginar e você entenderá. Digamos que os oponentes estejam duelando com rifles. Você acha que isso atrairá espectadores? Claro que não, já que ninguém quer arriscar a vida se for pego no tiroteio.
Era assim que o choque de espadas entre Roman e Abel parecia para os residentes da capital. Embora alguém geralmente já tivesse relatado à guarnição para que os guardas da cidade lidassem com a situação, este país não tinha telefones ou qualquer outro método de comunicação instantânea. Notificar as autoridades não era uma questão simples.
Esse cara é assustadoramente rápido. Seus golpes são poderosos também.
Enquanto continuava a desviar da espada de Roman, Abel não pôde deixar de se sentir espantado. Embora seu oponente não estivesse no mesmo nível dos príncipes demônios que ele uma vez lutou na Camada 40 da masmorra, sua velocidade e força eram definitivamente anormais para um humano. Mesmo que Abel se defendesse através de uma combinação de técnica e experiência, ele entendeu que essa luta seria difícil.
Acho que ele está com o mago do fogo que eu derrotei há alguns minutos, hã... Eles foram contratados pelos mentores que orquestraram todos os desastres recentes em sequência? Não, isso é impossível. A força dele é algo que o colocaria no topo do grupo em qualquer país.
Bem, eu certamente não esperava que ele fosse um espadachim tão habilidoso... Isso significa que o Reino está cheio de guerreiros talentosos como ele? Com base apenas em sua habilidade, de todas as pessoas que enfrentei até agora, ele é sem dúvida um dos melhores... Não importa como eu o ataque, ele me frustra todas as vezes. Parece uma parede indescritivelmente alta, diferente daquela vez contra Leonore...
Roman, o Herói, estava começando a se divertir um pouco. A visão de Gordon sendo derrotado e Nancy tossindo sangue alimentou seu ataque inicial. No início, ele se concentrou inteiramente em derrubar o inimigo, mas agora ele estava além desses sentimentos.
Ele estocou, e então cortou, mas seu ângulo estava apenas o suficiente para seu oponente afastar sua lâmina limpamente. Então, para seu próximo ataque, ele cortou para baixo com força. Novamente, o outro homem brandiu sua própria espada com um tempo primoroso, pegando Roman no ponto antes que ele pudesse usar totalmente sua força, sobrepujando-o.
Evadir assim exigia habilidade e experiência muito além da profundidade de Roman. E isso se provou uma lição valiosa para o próprio Herói.
A essa altura, Alicia, Morris e Ashkhan se juntaram a seus camaradas. Elas estavam se divertindo na cidade por conta própria. Mas, como Berlocke, elas não conseguiram interferir por causa da resistência que as mantinha sob controle do outro lado da estrada.
Isso, no entanto, não representava um grande problema para o grupo do Herói. Por quê? Porque era Roman quem estava lutando. Mais importante, ele não estava lutando contra Leonore ou o Mago do Inferno. Em uma batalha um contra um contra qualquer outra pessoa, não havia chance de ele perder.
“Por outro lado, pessoas como Sua Alteza também existem.”
Os camaradas de Morris fingiram não ouvir seu murmúrio porque aquela princesa imperial era uma exceção também.
◆
Ryo e Sera estavam andando pela capital real enquanto comiam crepes. Para sua agradável surpresa, a Crepe, a barraca de comida que ele encontrou tanto em Whitnash quanto em Lune, também estava aqui no Palácio de Cristal. Eles decidiram parar depois que Ryo insistiu, onde um velho bem nos seus setenta anos lhes vendeu os crepes. Agora, quanto à reação de Sera...
“Uau! Isso é verdadeiramente delicioso!” Ela elogiou a guloseima com sua primeira mordida.
“Né?” Ryo estufou o peito com orgulho. Ele estava confiante de que ela gostaria, pois tinham gostos semelhantes para comida. “Há um tempo, a loja tinha uma barraca perto do portão leste de Lune, e aquilo também era delicioso. Deve ser uma rede de lojas, hã... De qualquer forma, meu favorito é essa combinação de chantilly e banana. Nunca me decepciona!”
“Agora entendo por que você foi tão insistente, Ryo. A vida seria muito mais pobre se nunca se experimentasse um prato tão divino!”
Comida deliciosa faz as pessoas felizes. Comida deliciosa torna a vida das pessoas mais rica. Esta é uma verdade imutável, não importa a era e o mundo.
Envolvidos nessa felicidade, os dois continuaram andando. Em pouco tempo, ouviram o som de espadas se chocando.
“Quem no mundo é tolo o suficiente para entrar em uma briga de espadas no meio da capital real?” Sera soou perplexa.
“Parece uma luta um contra um, e apenas os dois estão nisso...” Ryo disse pensativo.
Ambos tinham uma audição acima da média, então podiam determinar facilmente o número de combatentes. Como o barulho vinha da direção em que estavam indo, se continuassem, descobririam o que estava acontecendo... E assim, com esse pensamento casual, eles fizeram exatamente isso enquanto desfrutavam de seus crepes. O que eles encontraram foi...
“Que choque incrível de espadas...” Ryo deixou escapar.
“De fato, ambos são bastante talentosos.” Sera também ficou impressionada.
“É impressão minha”, disse Ryo, “ou um deles se parece suspeitosamente com Abel?”
“Hm... certamente não é só você”, disse Sera, confirmando sua suspeita. “Considerando que Lyn e os outros estão do outro lado da rua, acho que seu palpite está certo.”
“Bem, essa luta está se tornando uma para a história, hã? Nenhum de nós consegue sequer se aproximar deles”, comentou Morris, a batedora.
“Sem brincadeira. O fato de o oponente de Roman conseguir acompanhá-lo é inacreditável. O que ele é?” Alicia, a maga do ar, murmurou baixinho em resposta.
“Sim... exatamente o que eu estava pensando! Como é possível que ele esteja se defendendo contra a espada sagrada, Astarte? Qualquer lâmina normal teria sido estilhaçada após o primeiro golpe de Roman!” Morris questionou, incapaz de entender a situação.
“Isso só significa que a espada dele não é normal então. Olhe de perto. Está brilhando em vermelho, então deve ser mágica”, respondeu Alicia.
“Ele empunha uma lâmina mágica...? Honestamente, o que ele é...” Morris perguntou, intrigada.
Aventureiros comuns não conseguiam pôr as mãos em armas mágicas. Encontrar alguém em posse de tal item por coincidência no meio de uma cidade... as chances eram incrivelmente baixas.
Morris balançou a cabeça novamente e examinou os arredores.
“Não é à toa que não há multidões aqui.”
“Não posso dizer que não entendo. Eu também não gostaria de arriscar minha vida. Além de nós e dos camaradas do outro homem, Roman e seu oponente são os únicos na rua. Falando nisso, e aqueles dois? Eles não planejam escapar?” Alicia perguntou, olhando para o final da rua.
Lá, um homem que parecia ser um mago e uma mulher bonita usando uma capa estavam comendo algo...
“Oh, a mulher, ela é uma elfa...”
“Você está certa! Exatamente o que eu esperaria de uma capital real. Primeiro, um portador de espada mágica e agora uma elfa. Deve haver tantas outras pessoas incomuns aqui também, hã?” Morris parecia animada.
“Eu-eu me pergunto...” Quanto a Alicia, ela não parecia tão convencida, então simplesmente manteve sua resposta evasiva.
A luta de espadas de Roman e Abel continuou. E enquanto eles lutavam, Abel percebeu algo.
Vou perder nesse ritmo.
A diferença entre suas habilidades era quase inexistente. Embora Abel fosse mais tecnicamente proficiente, ele só conseguia infligir ferimentos leves e ocasionais em seu oponente. Cada vez que o fazia, os membros do grupo do jovem ficavam ainda mais tensos.
Mas a taxa com que sua resistência mental se esgotava era muito diferente. O estilo de esgrima de Roman, que personificava a audácia constante, garantia que ele estivesse sempre na ofensiva. Enquanto isso, o estilo mais técnico de Abel significava que ele permanecia na defensiva. Abel sabia que se não conseguisse desviar nem mesmo de um golpe, o dano seria fatal. Porque Roman o superava em termos de velocidade e poder.
Um erro era a diferença entre a vida e a morte... Apenas aqueles que confrontaram a realidade dessa tensão a entendiam. E essa tensão vinha corroendo Abel desde o início. O fato de ele ter conseguido sobreviver à luta até agora por meio de habilidade, sem vacilar, era um testemunho de seu gênio com a espada. No entanto, era precisamente por isso que ele sentia a derrota inevitável que o aguardava.
“Ser capaz de encurralar Abel com sua espada... Ele é incrível”, murmurou Ryo.
Ele esperava que Sera respondesse, já que ela estava conversando durante a luta. Quando ela não o fez, ele ficou preocupado.
“Sera?”
“H-Hã? Oh, me desculpe. Aquela espada, a que o oponente de Abel está empunhando... Tenho quase certeza de que é Astarte, a espada sagrada”, ela murmurou.
“Uaaau, uma espada sagrada! Então isso significa que a espada de Abel também é uma espada mágica, já que brilha em vermelho?”
As palavras “espada sagrada” tiveram um efeito poderoso em Ryo. Quando se fala de um cenário de fantasia, as palavras “espada mágica” e “espada sagrada” deixam as pessoas animadas! Palavras maravilhosas, de fato.
“Isso mesmo. Ouvi dizer que a espada sagrada Astarte tem sido usada por gerações pelo Herói nascido nas Províncias Ocidentais.”
“O Herói!”
Então este mundo tem um Herói também, hã?!
Esta era a primeira vez que Ryo ouvia falar da existência do Herói.
“Além do mais, um número chocante de espíritos está reunido ao redor dele. Eles me dizem que ele é conhecido como ‘Roman, o Herói’.”
“Uau... Eu... O quê... Honestamente, o fato de você poder falar com espíritos é mais chocante para mim, Sera.”
“Os elfos têm uma conexão profunda com os espíritos desde o momento em que nascem”, explicou ela, um tanto orgulhosa.
Ryo achou que ela estava ridiculamente fofa naquele momento, mas decidiu manter isso em segredo.
“Se há um Herói, então isso significa que deve haver um Rei Demônio também... Espere um segundo... Lembro-me vagamente de algo sobre príncipes demônios, era isso...?”
“O quê?! Ryo, não me diga que você encontrou um príncipe demônio! Onde?! Quando?! Você deve me contar tudo porque não podemos ignorar algo tão importante!”
“Ah, nesse caso, você não precisa se preocupar. Encontramos alguns na quadragésima camada da masmorra, mas os derrotamos.”
“E-Entendo. Ahhh, você deve estar se referindo ao incidente de teletransporte forçado, certo? No entanto, não me lembro de ter ouvido falar de príncipes demônios...”
“Deixa isso pra lá, Sera. Se Abel matar o Herói aqui, isso não se tornará um grande problema?” ele perguntou.
Seus olhos se arregalaram brevemente com a pergunta dele, então ela respondeu. “Essa... é uma boa observação. A morte do Herói significa que não haveria ninguém para derrotar o Rei Demônio... Sem mencionar a crise diplomática que se seguiria entre o Reino e as Províncias Ocidentais.”
“Entendido. Então... a luta de espadas deles está prestes a chegar ao fim, hm?”
“De fato. Abel está em uma posição desfavorável.”
Ryo e Sera chegaram à mesma conclusão.
“Mas estamos falando de Abel. Acho que ele vai arriscar tudo em uma aposta de último segundo e virar o jogo.”
“E se ele conseguir, o Herói pode morrer. O que não é o ideal.”
“Concordo, então devemos detê-los o mais rápido possível. Abel interveio e acalmou a situação em Whitnash, o que significa que desta vez é a minha vez. Tenho um plano, Sera. Você se importaria de comprar mais dois crepes iguais para mim?”
“C-Claro...? Não tenho ideia do que você está tramando, mas considere feito.” Então ela partiu para a barraca de crepes.
“Tudo bem, agora para a minha parte nisso...” Com esse murmúrio, Ryo começou a caminhar em direção à luta de espadas.
Morris, a batedora, só notou o mago da água depois que ele passou por elas.
“Ei, você”, ela chamou. “Volte. É perigoso.”
Embora ela achasse estranho não o ter sentido até então, o fato de não conseguir se aproximar dele enquanto ele continuava caminhando em direção à luta de espadas de Roman e Abel era ainda mais estranho. A essa altura, era tarde demais para fazer qualquer coisa, porque o mago já estava perto dos dois lutadores.
“Cavalheiros, embainhem suas espadas!”
Ao seu grito, tanto Abel quanto Roman saltaram para trás.
Muralha de Gelo de 10 Camadas.
Instantaneamente, uma parede invisível de gelo surgiu entre eles e os separou à força.
“Ryo, fique fora disso. Porque eu não sei o que vou fazer, mesmo que seja você.”
“Você não tem coragem de me matar, Abel. Você não consegue”, disse Ryo firmemente.
Apesar de saber que estava lutando uma batalha perdida, Abel não tinha a menor intenção de desistir. Afinal, Rihya havia se ferido defendendo-o. Ser forçado a terminar a luta era inaceitável, mesmo que fosse Ryo quem estivesse intervindo.
No entanto, Ryo ignorou os sentimentos de Abel sobre o assunto e continuou obstinadamente. “Abel, fique quieto por um segundo. Você aí. Você é Roman, o Herói, certo?” Ryo perguntou, querendo confirmação sobre a informação de Sera.
“Uhhh... Sim, sim, sou eu”, respondeu Roman.
“Ele é o quê?!” Abel parecia agitado.
“Você ouviu direito. Este é o Herói, Roman, e, no mínimo, ele não pode morrer até que o Rei Demônio seja derrotado.”
“Arrrgggh!” Abel gemeu.
“Agora, então, Lorde Herói. Permita-me apresentar seu oponente — Abel, um aventureiro de rank B do Reino. Ele não é um personagem suspeito. Ele é uma pessoa maravilhosa. Ele até trabalha como substituto do mestre da guilda na cidade de Lune.”
“Um aventureiro de rank B do Reino...” Roman murmurou pensativo.
“Algo sobre os aventureiros de Knightley te preocupa?” Ryo perguntou.
“Oh, não, é que... Bem, a verdade é que viemos aqui depois de treinar no Império Debuhi sob o comando do Lorde Oscar Luska, também conhecido como o Mago do Inferno. Durante nosso tempo lá, ouvimos que há um aventureiro no Reino, um mago da água, a quem até mesmo o Lorde Oscar supostamente vê como um rival. Então eu estava apenas me perguntando... Se você tivesse alguma informação sobre o indivíduo em questão, eu agradeceria muito...” Roman perguntou educadamente, já tendo embainhado sua espada.
“Que diabos? Um mago da água? Espere um minuto... Não...” Abel começou.
“Entendo”, Ryo interrompeu, ansioso para calar Abel antes que ele deixasse escapar mais alguma coisa. “Então você está procurando por um mago da água, Mestre Roman. Até onde eu sei, a família Schwartzkoff são os mestres da magia da água no Reino. Talvez essa informação seja útil para você.”
“A família Schwartzkoff. Vou manter isso em mente. Muito obrigado.”
Ryo forneceu a Roman informações que, embora não fossem falsas, o despistariam. Abel só pôde encarar o Herói genuinamente agradecido com pena nos olhos. Por quê? Porque ele sabia a resposta real para a pergunta do jovem. Aquele mesmo mago da água estava bem ali, agindo como mediador com uma expressão extremamente indiferente.
“Excelente. Que tal um símbolo de sua trégua? Sera, se puder.”
Ela apareceu imediatamente ao lado de Ryo e lhe entregou dois crepes.
Muralha de Gelo, Liberar.
Ryo dissipou a parede invisível de gelo e deu um crepe para Roman e outro para Abel.
“Comer comida deliciosa deixa as pessoas felizes. Então aproveitem seus crepes e vamos considerar este pequeno incidente como águas passadas.” Ryo assentiu com satisfação. “E se ainda não estiverem satisfeitos, Sera e eu teremos o prazer de servir como seus oponentes. Abel, Sera disse que está pronta quando você estiver.” Essas últimas palavras foram definitivamente projetadas para provocar Abel.
“Estou mesmo. Acredito que melhorei um pouco com meus treinos com Ryo”, acrescentou Sera, feliz em se juntar a ele na provocação.
“Como se você já não fosse forte o suficiente. Se for realmente o caso, posso muito bem desistir desde o início”, murmurou Abel.
Sera sorriu levemente. “De qualquer forma, se vocês dois realmente terminaram aqui, vamos nos retirar. Ryo, vamos. Há um famoso café antigo naquela rua. O conjunto de bolo deles é positivamente de morrer.”
“Ooooh, mal posso esperar.”
Conversando, Sera e Ryo deixaram a cena. A paz foi restaurada.
“Espere, por que diabos eles estão aqui em primeiro lugar?”
Ninguém ouviu as palavras de Abel.
Assim que Ryo e Sera pediram o conjunto de bolo na filial do Café de Chocolat na capital real, um espadachim solitário entrou no restaurante e sentou-se perto de Ryo.
“Oh, Abel, eu não sabia que você também gostava deste restaurante”, observou Sera.
“Sente-se aí o quanto quiser, Abel, mas eu ainda não vou pagar para você”, Ryo falou antes que ele pudesse dizer qualquer coisa.
“Não é como se eu quisesse que um novato pagasse para mim de qualquer maneira!” Abel retrucou em um sussurro irritado. Abel era talentoso de muitas maneiras.
“Ahhh, agora entendo... Você está tentando fazer com que a Sera pague por você, hã?” Ryo disse com nojo.
“Tenho quase certeza de que você ganha tanto quanto eu, mas... suponho que não me importaria”, respondeu Sera com um balançar de cabeça.
“Droga, não é por isso que estou aqui! Eu só vim agradecer a vocês, seus idiotas, por mais cedo. Por nos parar”, disse Abel, inclinando a cabeça.
“Pensar que chegaria o dia em que você falaria palavras de gratidão do coração... Oh, espere, é só porque a Sera está aqui, não é? Eu gostaria que você fosse sempre tão honesto.” Ryo simplesmente não conseguia parar de provocá-lo.
“Abel, você quer dizer que normalmente não exibe tais boas maneiras quando a ocasião pede?” Sera inclinou a cabeça, curiosa.
“Deixe-me responder por ele”, Ryo interveio. “Ele definitivamente não exibe. Ele realmente é um estorvo. Se ao menos ele fosse um pouco mais direto... Espere, acabei de pensar em uma ótima maneira de você expressar seu apreço, Abel. Me dê dinheiro. Sempre que quiser, quanto quiser, eu sempre aceitarei sua generosidade!”
A sugestão de Ryo foi tão absurda que Abel explodiu. “Uau, que ideia fantástica. Eu ia te apresentar a um alquimista incrível como agradecimento, Ryo, mas vamos apenas seguir com a sua ideia, amigo. Que tal isso como apreço, hã? Hã?!”
“Sinto muito, Abel. Você é uma pessoa maravilhosa! Incomparável!” A atitude de Ryo imediatamente deu uma virada de 180 graus diante da ira de Abel.
Sera riu da troca deles. “Heh heh heh. Vocês dois certamente sabem como entreter.” Abel suspirou, exasperado. “É, é, tanto faz. De qualquer forma, o alquimista é o Barão Kenneth Hayward. Ele ainda é jovem, mas o cara é um gênio, habilidoso o suficiente para ser o rosto da alquimia do país.”
“Um barão... Abel, eu não tenho muita experiência em conversar com nobres...”
“Ah, agora você fica sério? Relaxe, você vai ficar bem. Kenneth é originalmente um plebeu, elevado à aristocracia por causa de sua habilidade e resultados incomparáveis com a alquimia. Além disso, ele é de Lune. Essas dicas são suficientes para você descobrir? Se não, aqui está outra — a casa que você comprou.”
“Minha casa? Os donos anteriores se mudaram para a capital depois que seu filho engenheiro se tornou um nobre e os convidou para morar com ele — Espere, é ele?! Não pode ser!”
“Pode sim. É essa a família. Eu fui beber com ele e alguns amigos não muito tempo atrás e falei sobre você. Ele ficou grato por você ter pago tudo em dinheiro, então disse que ficaria feliz em discutir alquimia com você. Mas ele é um homem ocupado no centro dos desenvolvimentos deste país em alquimia, então não seja um incômodo, ok?”
“Não se preocupe, não vou. Só vou perguntar algumas coisas a ele. Contanto que ele possa me ensinar o básico, ficarei feliz como um molusco. Então posso começar a estudar a sério quando voltar para Lune.”
Ryo herdara um caderno de alquimia de Hasan, o líder da Seita dos Assassinos, mas ainda não conseguia entender seu conteúdo. Dito isso, ele não tinha intenção de mostrá-lo a outros. Porque Hasan o confiara a Ryo como seu sucessor, ele estava determinado a aprimorar suas habilidades alquímicas e entender os escritos do homem sobre o assunto.
“Parece um bom plano. Ele trabalha no Centro Real de Alquimia. Quanto a onde fica... é meio difícil de explicar. Entrarei em contato com ele hoje, depois te levo até ele amanhã de manhã.”
“Entendido. Onde exatamente você está hospedado, Abel? Só para eu saber onde te encontrar.”
“No Instituto de Pesquisa Mágica, a duas quadras daqui.”
Então ele começou a explicar a localização do Instituto. Ryo e Sera ouviram enquanto comiam bolo. No meio de tudo isso, Sera silenciosamente soltou uma bomba verbal.
“Abel, você pediu alguma coisa?”
“Agora que você mencionou, ele não pediu. Apenas ocupando um lugar como se fosse o dono, hm?” Ryo disse de forma incisiva.
“Gah...” Abel ficou pasmo com sua própria gafe.
Nem é preciso dizer que ele pediu um conjunto de bolo em seguida.
Depois que os três terminaram de comer, sentaram-se no restaurante por mais um tempo conversando, depois saíram. Enquanto saíam, ouviram uma voz à distância.
“Senhora Seraaa!” Era um dos cavaleiros que viera com ela de Lune. “Eu a encontrei, eu a encontrei!”
Os outros cavaleiros, espalhados pela área, se reuniram quando ouviram isso.
“Acho que eles estavam procurando por você, Sera”, disse Ryo ao lado dela.
“Parece que sim”, respondeu ela com um aceno de cabeça.
“Finalmente a encontramos, Senhora Sera.”
“Algo errado, Eden?”
Eden era o comandante do pelotão da unidade despachada nesta ocasião para entregar as mercadorias. Ele entregou a carta a Sera.
“Quando voltei para a mansão do margrave, recebi esta carta endereçada a você. Parece ser do Enclave. Eles me pediram para entregá-la o mais rápido possível.”
Sera pegou a carta dele e a abriu na hora.
“O que é o Enclave?” Ryo sussurrou para Abel ao seu lado.
“Os elfos que vivem no Reino habitam a área conhecida como a Floresta Ocidental, localizada na parte oeste do país”, explicou Abel. “Eles têm autonomia concedida pelo governo nacional. O Enclave existe na capital real como um ponto de ligação para a Floresta Ocidental. Oito anos atrás, quando eu ainda morava aqui, apenas dois elfos estavam permanentemente estacionados no Enclave.” Abel deu-lhe essa explicação completa.
“Com a expansão do Enclave nos últimos cinco anos, o número de elfos residentes na capital aumentou. Ouvi dizer que uma dúzia ou mais até entraram na Ordem Real de Cavaleiros e no Departamento de Magos Reais para treinar nessas respectivas disciplinas. E esta carta está relacionada a isso.” Sera fez uma pausa, mergulhando em um silêncio pensativo por alguns momentos, antes de continuar. “Para simplificar, a equipe do Enclave soube da minha chegada aqui e está solicitando que eu instrua os elfos de lá. Além disso, a Grande Anciã também está na capital por algum motivo. Tudo isso me faz pensar que o momento... é conveniente demais.”
Ela fez uma nova pausa para analisar a situação, depois olhou para Ryo e Abel antes de ponderar as coisas mais uma vez. Longos vinte segundos depois, ela falou novamente, tendo chegado a alguma conclusão.
“Ryo, Abel, vocês dois vêm comigo. Acho que essa é a melhor opção neste caso.” E com isso, ela começou a andar rapidamente.
“O quê?”
“Hum, Sera?”
Apesar da óbvia confusão, tanto Abel quanto Ryo a seguiram. Os únicos deixados para trás foram o grupo de cavaleiros de Lune, parecendo aliviados por terem cumprido seu dever.
Os três foram juntos para o Enclave, com Sera na liderança e os dois homens a seguindo. Eles passaram por uma grande praça dominada por uma magnífica estátua de um cavaleiro erguendo uma espada para o céu.
Ryo olhou de soslaio para ela.
“Aquele é Ashton, o fundador do Reino”, explicou Abel.
“Oh, uau. Eu só pensei que era uma réplica incrível de algum cavaleiro.”
“Bem, o Rei Ashton era um cavaleiro antes de estabelecer este país, então você não está necessariamente errado. É por isso que o sobrenome da família real e o nome do Reino têm sido Knightley por gerações. Porque era originalmente uma nação de cavaleiros.” Abel assentiu sombriamente.
“Um cavaleiro que se tornou rei... Meu Deus! Não me diga que ele usurpou o trono matando o rei original...?!”
“Não! De onde você tira essas coisas?!” Abel disse, exasperado com as hipóteses bizarras de Ryo.
“Ele recebeu permissão do país que servia para construir este aqui.”
“Qual país era esse?”
“Bem, segundo a lenda, o Supremo Império da Babilônia.”
“Babilônia...” Ryo sussurrou, incapaz de articular outras palavras.
Babilônia... Um dos dois antigos e poderosos impérios, ao lado de Canaã! Ambos os nomes apareciam no Antigo Testamento. Babilônia, o inimigo de Deus. Canaã, a terra prometida de Deus. Seus contextos culturais eram completamente opostos. Então, este Supremo Império da Babilônia era politeísta ou monoteísta? Ou talvez eles acreditassem em anjos e demônios. O nome por si só carregava implicações tão grandiosas.
É bastante fascinante que Babilônia, que originalmente significa o “portão de Deus” na língua acádia, tenha sido vilipendiada no Antigo Testamento. Mesmo ignorando isso, qualquer um poderia deduzir que quem quer que tivesse nomeado o Supremo Império da Babilônia era definitivamente uma pessoa reencarnada. Claro, também não era difícil imaginar que a pessoa devia sofrer da Síndrome do Protagonista.
Uma pergunta de repente cruzou a mente de Ryo.
“Então, onde este Supremo Império estava originalmente localizado?”
Em resposta, Abel apontou seu dedo indicador direito para cima. “O céu.”
“O quê?” Ele soou estupefato.
“Supostamente, o Supremo Império era um continente voador.”
Fantasia pura! O mais clássico dos tropos de fantasia clássicos!
“E este c-continente voador ainda está voando por aí em algum lugar agora...?”
Ryo estava praticamente ofegante de excitação. Em contraste, Abel era o epítome da calma.
“Até onde eu sei, é apenas parte da lenda passada por milênios. Nunca ouvi falar de um continente voador sendo descoberto, no entanto, então quem realmente sabe.”
“Claro que nunca foi descoberto! Porque continentes voadores e castelos no céu estão sempre escondidos por nuvens incrivelmente espessas, tornando-os invisíveis a olho nu!” Ryo disse de forma muito natural.
“Ah-Ah, é? Aprendendo algo novo todo dia, eu acho?” Abel foi vencido pela intensidade de Ryo.
Então Sera, andando na frente deles, juntou-se à conversa.
“A lenda do continente flutuante foi passada para os elfos também. Dependendo de qual Grande Anciã está atualmente visitando a capital real, você pode ter as respostas que procura, Ryo.”
Seu rosto se iluminou instantaneamente com as palavras dela.
“Fantástico! Sempre posso contar com você, Sera. Quanto a você, Abel...”
“Ei, eu nem fiz nada, então por que você está me pintando como o vilão aqui?!”
◆
“Acabei de me lembrar, Abel”, disse Ryo. “Eu vi a Rihya caída no chão durante sua luta com o Herói. Ela está bem?”
A expressão de Abel assumiu um ar sombrio. “Sim, ela vai ficar bem. O mago do fogo do Herói de repente me atacou com sua magia e Rihya me protegeu usando Santuário. Mas... Mas mesmo que as chamas tenham desaparecido, o impulso de seu feitiço não desapareceu, e a arremessou contra a parede. Ela está praticamente recuperada graças a uma poção, mas estamos fazendo com que ela descanse no Templo Central por precaução. É meio que um retorno para casa para ela também.”
Quando Abel terminou de falar, sua expressão foi de sombria para frustrada. Ele claramente não conseguia perdoar sua própria negligência por deixá-la se machucar.
“Então foi isso que aconteceu. Agora que você mencionou, eu notei um jovem caído na beira da rua de onde viemos. Ele parecia um mago também, então deve ter sido esse mago do fogo de que você está falando. Suponho que todos os magos do fogo sejam assim. Dá vontade de juntar todos eles e congelá-los, hm?”
“Eu... não iria tão longe...”
Abel não conseguiu concordar com a opinião exagerada de Ryo. Sem dúvida, a imagem de um certo mago do fogo em um certo império alimentava sua malícia. Mesmo que ele entendesse que a raiva de seu amigo estava enraizada no homem que machucou seus companheiros do Quarto 10.
“De qualquer forma. Acontece que a guia deles — o que quer que ela fosse — foi a causa das coisas. Quando a luta terminou, ela havia desaparecido. Eles se separaram para procurá-la depois.”
“Aposto que ela estava enrolando aquele mago do fogo idiota. Na minha terra natal, temos vários nomes para esses tipos de esquemas de extorsão, como o golpe do mel. Então, acho que o que quer que ela tenha feito claramente funcionou naquele mago do fogo idiota.”
Toda vez que Ryo dizia as palavras “mago do fogo idiota”, ele se certificava de enfatizar a parte “idiota”.
“Bem, se eu esqueci antes, com certeza não vou esquecer agora o quanto você odeia magos do fogo, Ryo.”
E então, não muito tempo depois, eles chegaram ao Enclave. As residências da nobreza se alinhavam nesta seção particular do bairro.
“Uau. Antes era uma casa tão normal...” Abel sussurrou enquanto olhava para o prédio.
O Enclave era uma estrutura de pedra de três andares com prédios nos quatro lados cercando um grande pátio de paralelepípedos. Ryo achou que parecia a Somerset House de Londres, que muitas vezes aparecia em filmes.
“Eles se mudaram para cá para dar lugar a um prédio maior. Esta terra pertencia a algum conde cuja mansão dilapidada ficava aqui antes. Embora eu tenha que admitir, eu gostava bastante da localização antiga do Enclave, por menor que fosse”, respondeu Sera, sorrindo com tristeza.
Naquele momento, Ryo de repente sentiu como se o sol tivesse desaparecido atrás de uma parede de nuvens. Quando ele olhou para cima, no entanto, o céu estava completamente claro.
“É um eclipse”, disse Sera, olhando para cima. “O sol está faltando.”
“Um eclipse solar parcial...” Ryo de repente ficou tenso ao se lembrar do que aconteceu durante o eclipse solar total em Lune. Quando ele foi aprisionado em algum tipo de claustro e forçado a lutar contra Leonore, a akuma[1]. O início deste eclipse parcial o levou a supor que a mesma coisa poderia acontecer novamente, mas... nada aconteceu até agora.
[1] - Demônio (termo em japonês).
Sera sorriu levemente com a reação dele. “Não se preocupe, Ryo. Não há masmorra na capital. Uma Grande Onda de Maré não ocorrerá.”
Ela claramente entendeu mal.
“O que masmorras e Grandes Ondas de Maré têm a ver com isso?” Abel perguntou, confuso.
Ficou claro que Abel ainda não sabia da conexão entre eclipses e Grandes Ondas de Maré.
Com Sera à frente, Abel no meio e Ryo atrás, o trio entrou no Enclave e pisou no pátio. Assim como haviam visto do lado de fora, prédios cercavam o espaço por todos os quatro lados. Parecia que treinos e lutas de treino poderiam ser realizados aqui...
Duas pessoas se dirigiram a eles do fundo do pátio. A primeira era uma mulher que parecia ter cerca de trinta anos. Um homem de cerca de vinte anos caminhava ao seu lado. Ambos tinham orelhas ligeiramente pontudas... Elfos.
E ambos eram lindos. Elfos sempre foram lindos. Este era um fato indiscutível.
“Bem-vinda de volta, Sera”, a mulher chamou com um sorriso.
“Senhora Matriarca? Você é a Grande Anciã que visita a capital real?”
Sera inclinou a cabeça profundamente. Vendo isso, Abel e Ryo apressadamente seguiram o exemplo.
“Minha senhora, este é Abel, um aventureiro de Lune.”
“Mestre...” A Matriarca murmurou, intrigada, “Abel, é?”
“Isso mesmo, minha senhora. Abel, um aventureiro”, Sera repetiu, enfatizando sua vocação.
“E-Entendo. Bem-vindo ao Enclave, Mestre Abel.”
A Matriarca pareceu finalmente entender a implicação de Sera enquanto o cumprimentava com um sorriso.
Sua resposta aparentemente derrubou a noção que Ryo tinha dos elfos como uma raça excludente, com base em seu conhecimento de light novels. Claro, a base desse tropo na Terra pode ser atribuída à lore dos elfos criada por J.R.R. Tolkien, um homem que deve ter sido reencarnado na Terra de outro mundo.
Fatos e falácias abundam.
Ryo acreditava nisso de todo o coração.
Assim que Sera terminou de apresentar Abel, a Matriarca fixou os olhos em Ryo. Seu olhar intenso e sem piscar o deixou um pouco inquieto...
“E este é Ryo, outro aventureiro de Lune.”
“Olá, sou Ryo.”
A Matriarca ficou ali, congelada e sem resposta.
“Minha senhora?” questionou o jovem parado atrás dela.
Ela finalmente voltou à vida.
“Perdoem-me, perdoem-me. Fiquei completamente encantada.”
A mulher parecia ter trinta anos, mas falava como alguém muito mais velha, o que pareceu estranho para Ryo. Mas, vendo que ninguém mais reagia à sua maneira de falar, ele se perguntou se era apenas coisa da sua cabeça.
“Encantada?” Os olhos de Sera se estreitaram um pouquinho.
“De fato. Bem, para ser precisa... o manto do Mestre Ryo é o que me cativou. Pensar que eu o veria novamente em minha vida é uma alegria inesperada.”
E com isso, a Matriarca examinou seu manto de cima a baixo de novo e de novo.
“Minha senhora...” Sera interveio. “Embora eu seja compreensiva, você está deixando Ryo um pouco desconfortável.”
“Hmmm... Quando foi a última vez que encontrei o manto do Rei das Fadas? Acredito que há quase vinte anos. Então você não pode me invejar minha excitação, criança”, ela objetou.
Vinte anos? Quantos anos ela tem, então...?
Enquanto Ryo guardava a pergunta para si, o mesmo não podia ser dito de Abel ao seu lado. Seus lábios eram muito mais soltos.
“Vinte anos?”
“Senhora Matriarca... Com licença, posso chamá-la assim também...?” Ryo perguntou a ela hesitantemente.
“Sim, claro. Perdoe-me pela minha descortesia.”
Então ela olhou para o rosto dele. E congelou novamente.
“U-Ummm?”
Ele sentiu-se em pânico. E em seu pânico, olhou suplicante para Sera.
“Não se preocupe, Ryo. Ela meramente reconheceu seu verdadeiro valor. Ela voltará para nós antes que você perceba”, disse ela, imperturbável, como se o comportamento da Matriarca não fosse nada fora do comum. Um Ryo agitado e uma Sera calma.
No entanto, Ryo não era o único.
O comportamento incomum da Matriarca deixou o jovem que a acompanhava em polvorosa. Ele seguiu o olhar dela até o rosto de Ryo e percebeu que o próprio Ryo era a causa da atitude estranha de sua senhora.
Ele não estava exatamente errado. Infelizmente, as pessoas raramente concordavam em tais situações.
“Seu lixo!” ele sibilou. “O que você fez com ela?!”
E-Este é um desenvolvimento típico de light-novel onde ele vai me cortar em fúria! Eu suportei tanta decepção... Tropo após tropo, eles nunca acabam acontecendo — Será que agora é finalmente a hora?!
Os pensamentos de Ryo trouxeram um leve sorriso aos seus lábios. Naturalmente, isso só adicionou lenha à fogueira da fúria do jovem.
“Por que você está sorrindo?!” ele rosnou, desembainhando a espada. Então ele se tencionou, pronto para atacar Ryo, e—
Sera avançou no instante em que ele se moveu, acertando a mão da espada dele com o punho. Os ossos de seus dedos indicador, médio e anelar se estilhaçaram. Antes que ele pudesse sequer gritar, ela deu uma rasteira em sua perna direita, derrubando o jovem. De cara no chão, tudo o que ele pôde fazer foi gemer de dor enquanto segurava a mão direita.
O rosto de Sera estava inexpressivo enquanto ela o encarava.
A comoção trouxe a Matriarca de volta aos seus sentidos. Primeiro, ela olhou para o jovem caído com surpresa. Depois, encarou Sera, com a cabeça inclinada em confusão. Após avistar a espada dele no chão, ela pareceu juntar a maioria das peças.
“Locksleigh... Seu tolo. Ryo, por favor, aceite minhas desculpas pela grosseria deste rapaz.” A Matriarca inclinou a cabeça profundamente.
Ryo ficou desapontado por ter outro desenvolvimento padrão frustrado. Ele também sentiu pena do jovem que Sera havia espancado. Então, ele ficou um pouco agitado novamente quando a Matriarca se desculpou com ele.
“Oh, por favor, não se preocupe com isso.”
“Locksleigh ainda é tão jovem, veja bem. E é por isso que ele não consegue sentir sua magnificência, Ryo”, disse ela com um balançar de cabeça.
“Sua magnificência, hã?” disse Abel.
“Dependendo das palavras que saírem da sua boca a seguir, Abel, você pode estar deixando este mundo para trás”, Ryo o advertiu bruscamente.
“Quem, eu? Eu não ia dizer nada. Nada mesmo”, disse Abel, desviando os olhos suspeitosamente.
“Sera, obrigado por mais cedo.”
Os três e a Matriarca estavam saindo do pátio e a caminho de uma sala de estar. O jovem que fora derrubado por Sera havia sido levado para a enfermaria por outro elfo.
“Não há necessidade. Se é que há, peço desculpas por colocá-lo em perigo, apesar de ser eu quem o trouxe aqui, Ryo.” Sera inclinou a cabeça em resposta à gratidão de Ryo.
“Não, foi você quem me salvou, então não faz sentido você se desculpar”, disse ele com um sorriso. O efeito foi instantâneo nela. Ela parecia desanimada o tempo todo, mas agora um sorriso floresceu em seu rosto.
É, um sorriso combina mais com ela.
Ryo assentiu vigorosamente em sua cabeça.
A sala de estar era lindamente mobiliada. Estava em um nível de grandiosidade completamente diferente do escritório do mestre da guilda em Lune, que ele visitara inúmeras vezes. Pelo menos, essa era a opinião de Ryo.
Quando os quatro se sentaram, um dos funcionários do Enclave serviu chá preto. Após alguns momentos de relaxamento, Sera quebrou o silêncio primeiro.
“Senhora Matriarca, o que a traz à capital real neste momento?”
A questão de uma anciã visitando a cidade ao mesmo tempo que ela estava em sua mente desde que lera a carta. O momento parecia bom demais para ser verdade. Então a resposta da Matriarca a pegou de surpresa.
“Adivinhação me trouxe aqui. Ela falou tanto de uma presença inquietante aqui quanto de um encontro esplêndido. Ryo deve ter sido o encontro, eh? E esplêndido de fato foi.”
Dos quatro aqui, Abel estava por fora. Como humano, ele não conseguia detectar a “faceta feérica” que Ryo emitia e sua compreensão do manto do Rei das Fadas era, na melhor das hipóteses, rudimentar... No entanto, ele não podia ignorar as palavras da Matriarca.
“Se me permite, o que quer dizer com uma ‘presença inquietante’ na capital?”
Ryo não sabia, mas Abel era o segundo filho do rei. Sera, por outro lado, sabia dessa verdade. E a anciã percebeu isso também, já que o vira no palácio real uma vez. Então, para as duas elfas, sua pergunta não foi surpresa.
“Hm, eu disse isso, não disse? Você deve entender que adivinhação nada mais é do que isso. O que significa que nem eu sei os detalhes. No entanto, independentemente do que ocorra, alguns elfos residem aqui na capital, tendo deixado nosso lar na floresta. Então eu vim porque pensei que seria mais fácil lidar com a situação se eu estivesse por perto.”
De acordo com a explicação da Matriarca, havia mais de cinquenta elfos na capital real. Considerando que Sera era a única elfa em Lune, era um número extremamente grande. Isso se devia inteiramente à expansão do Enclave. Antes, alguns elfos haviam sido temporariamente destacados com a Ordem Real de Cavaleiros, mas não havia nenhum lá agora. Vinte deles estavam conduzindo pesquisas no Colégio de Magia. O resto estava envolvido em trabalhos no Enclave.
“O fato de todos eles terem deixado a Ordem Real só pode significar...?” Abel perguntou.
A Matriarca fez uma careta. “Sim, infelizmente, as coisas não estão indo bem lá.”
Evidentemente, até os elfos sabiam da quebra da lei e da ordem entre os cavaleiros reais.
“Embora eu não negue que tais preocupações respondem por parte da razão da minha visita à capital”, ela continuou, “outra acontece de ter a ver com Sera. Já que ela estaria aqui de qualquer maneira, pensei que seria uma boa oportunidade para nossos jovens treinarem com ela. Afinal, os cavaleiros que ela instrui em Lune são considerados os melhores dos melhores no Reino, sim?” Ela olhou diretamente para Sera.
“À luz do comportamento atroz de Locksleigh, eu diria que é melhor trabalhar na disciplina deles primeiro”, disse Sara, seu tom cortante. Ela aparentemente ainda estava irritada com a tentativa do jovem de atacar Ryo.
“Por mais que me doa admitir isso, pensei o mesmo”, respondeu a Matriarca, coçando a bochecha.
“Tudo bem, vamos dizer, para fins de argumento, que ele tivesse conseguido cortar Ryo. O que você teria feito então, minha senhora?”
“Quando você coloca assim, não posso condená-la por suas ações.”
“Exatamente. Ele poderia ter convidado o desastre para o próprio mundo, sabe”, disse Sera, sua expressão tão grave que jogou Ryo em confusão.
Hã? O que... Então, onde exatamente estou na hierarquia deste mundo?
“Caramba, Ryo, então sua existência está sustentando o mundo sozinha?” Abel interveio.
“Não tenho tanta certeza disso...”
Tanto Abel quanto Ryo não conseguiam entender a conversa das elfas. As mulheres os ignoraram e continuaram a falar uma com a outra. No final, decidiram que Sera treinaria os residentes do Enclave por três dias.
“Vou começar com seus temperamentos e mentes...”
Tendo ouvido o murmúrio de Sera, Ryo e Abel rezaram por seus aprendizes.
Com os deveres de Sera decididos por enquanto, assim como ela lhe prometera, ela direcionou a conversa com a Matriarca para o tópico em que ele estava interessado. A saber...
“Minha senhora, Ryo gostaria de saber mais sobre o continente flutuante”, disse ela com um sorriso.
Ele assentiu vigorosamente. Da conversa deles até agora, ele descobrira que a Matriarca tinha mais de dois mil anos. Isso significava que ela saberia muito mais sobre o continente flutuante do que o folclore e as lendas das pessoas.
“Entendo. Eu, claro, ficaria mais do que feliz em lhe contar o que sei. Então, por onde gostaria que eu começasse?” A Matriarca respondeu, encantada. Talvez por causa de sua posição como Grande Anciã, ela não se importava em responder às perguntas das pessoas.
“Bem, antes de mais nada: ele ainda existe hoje?” Ryo perguntou, seus olhos brilhando.
“De fato, existe.”
“Uauuu!” Ele estava exultante. Então isso significava a chance de visitá-lo algum dia no futuro.
“Não sei sua localização exata, mas como não houve notícias de sua queda, ele deve, portanto, estar flutuando em algum lugar do mundo. Dito isso, alguns séculos atrás, eu vi um pequeno. É difícil vê-los a olho nu. Eles são frequentemente mascarados por nuvens”, explicou ela.
“Eu sabia! Eu sabia que as nuvens os estavam cobrindo!”
O palpite de Ryo para Abel acabou sendo certo. Ele se virou para ele, com uma expressão presunçosa e triunfante.
“É, é”, Abel murmurou, sentindo-se derrotado por algum motivo.
Sorrindo, Sera bebia seu chá preto e ouvia a conversa.
O mundo estava em paz.
Infelizmente, não durou muito...
“Diz-se que aqueles que vivem nos continentes flutuantes possuem cabelos roxos.”
“O quê...?”
A observação casual da Matriarca deixou Ryo e Abel sem palavras. Imagens do homem e da mulher de cabelos roxos que eles conheceram em Lune surgiram em suas cabeças. O homem com quem lutaram... Não podia ser...
“N-Não, não, deve haver muitas pessoas de cabelo roxo, certo?” Ryo parecia esperançoso.
“Cai na real, cara”, disse Abel, frustrando suas esperanças. “Você sabe a resposta tão bem quanto eu.”
“Você não pode ter certeza disso. Talvez eles só usaram luz para fazer o cabelo deles parecer roxo.”
“Exceto que eu lutei com ele de perto e o cabelo dele era definitivamente roxo.”
“Mas então isso significa que as pessoas dos continentes flutuantes são monstros...”
“Bem, sim, acho que sim. Isso me lembra. Ele me atacou em Wingston também”, observou Abel.
“E quando exatamente você ia me contar sobre isso?!”
“Dá um tempo. Nós literalmente acabamos de nos reencontrar não faz muito tempo.”
“Abel, os três Cs para ser um membro pleno da sociedade são Comunicar, Contatar e Consultar. Se você não me comunicar as coisas direito, isso me coloca em uma saia justa.”
“O que você quer que eu faça sobre isso?” Como de costume, Abel estava exasperado com as objeções irracionais de Ryo.
“De qualquer forma. Estou surpreso que você sobreviveu a um ataque de uma pessoa tão selvagem.”
“Isso foi tudo Lyn. Ela o crivou de buracos usando a Chuva de Balas.”
“Você está brincando...”
“Isso deveria tê-lo eliminado, mas... ele desapareceu no segundo em que ela o fez. Ele pode ter usado algum tipo de magia de transferência.”
“Então... considerando nossos encontros com eles... talvez eles já nos tenham marcado como inimigos e não nos convidem para seu continente flutuante...”
“Não há talvez nessa pontuação, amigo. Mais para definitivamente. Eles não vão nos convidar para lugar nenhum tão cedo”, disse Abel sem rodeios.
“Ngh... É o que é, eu suponho. Se eles não nos convidarem, teremos que encontrar um caminho até lá nós mesmos!”
“Eu sabia que esse era seu plano o tempo todo, Ryo.” Abel não pareceu nem um pouco surpreso. Aparentemente, ele via através de Ryo desde o início.
A Matriarca, claramente entretida com a conversa deles, finalmente interveio: “Então, vocês dois conheceram as pessoas das ilhas flutuantes.”
“Uhhh, não tenho certeza se é assim que eles categorizariam...” observou Abel.
“Minha senhora, eles também têm olhos azuis brilhantes?” Ryo perguntou, querendo confirmar o que eles já sabiam.
“Deixe-me pensar... Nunca ouvi tal coisa sobre eles.”
“Então eles não podem ser dos continentes flutuantes! Não é uma ótima notícia, Abel?!” Ryo havia se entregado completamente ao seu pensamento positivo.
“Honestamente? Espero que isso seja verdade, para o bem de nós dois.” Enquanto isso, Abel queria acreditar, mas suspeitava do contrário.
Quanto à verdade...
◆
Ryo e Abel se despediram de Sera, que ficou para trás no Enclave para treinar os elfos, e começaram a caminhar de volta.
“Ryo, você tem onde ficar?”
“Tenho. Tenho passe livre por uma semana no anexo da embaixada da Monarquia de Joux. Eles me disseram para avisá-los se eu planejar ficar mais tempo e eles dariam um jeito”, respondeu Ryo, pensando no Príncipe Willie.
“A Monarquia de Joux? Caramba, outra conexão incomum na sua conta, hã? É ainda mais a leste do que o Principado de Inverey. Como diabos você conseguiu isso?” Abel balançou a cabeça repetidamente, surpreso.
“Digamos que foi uma experiência movimentada. Não posso enfatizar o quão movimentada...” Ryo pensou na jornada de Inverey para a capital do Reino.
Observando-o, Abel pareceu se lembrar de algo de repente. “Você sabe onde fica a embaixada? A capital é enorme e é bem longe daqui.”
“Hã? Onde, você pergunta...”
Ryo mergulhou em pensamentos. O Príncipe Willie, o Sr. Rodrigo e seus guarda-costas foram direto para o palácio real sem parar na embaixada porque sua entrada formal no país seria conduzida lá. A equipe da embaixada preparou tudo, incluindo uma troca de roupas, nos quartos de hóspedes do castelo. Em outras palavras, Ryo, Cohn e os outros aventureiros não visitaram a embaixada de Joux nem uma vez desde a chegada... Ele não sabia sobre os outros, mas esta era sua primeira vez na capital, então, claro, ele não tinha ideia de onde a embaixada estava localizada, muito menos onde ficava a residência do Margrave Lune na capital.
“Agora que você mencionou, não tenho ideia”, ele murmurou atordoado.
Abel assentiu, suspeitando disso.
“Abel, por que você está com essa cara de presunçoso?!” Ryo rosnou. “Só para deixar claro, eu não perdi para você!”
“Não estou”, disse Abel, impassível. “Eu estava apenas pensando em como não estou surpreso.”
Mas naquele momento, ele viu algo inesperado: uma mulher com um manto, o capuz totalmente levantado, andando rapidamente. Seus olhos a seguiram de perto. Claro, Ryo, andando ao lado dele, notou.
“O que foi, Abel? Pensando em trair a Rihya?”
“Por que essa é a primeira coisa que vem à sua cabeça? Obviamente não. Há algo sobre aquela mulher...”
“Por favor, me avise se você está planejando começar uma batalha real com Rihya. Eu ficarei do lado dela.”
“Que batalha real?”
“Você obviamente seria o errado, Abel. E os bandidos sempre perdem. Isso tem sido verdade desde que o mundo foi criado. Eu estou do lado do bem, dos vencedores. E quando eu estiver olhando para o seu cadáver depois que você tiver escolhido o caminho errado, direi: ‘Abel, seu idiota’.”
“Ok, já terminou de me insultar agora?” Abel disse com um balançar de cabeça. “Tenho quase certeza de que é a mesma mulher de antes.”
“Não me diga que você já traiu... Mas não faz nem tanto tempo!” Ryo brincou.
“Vou te matar”, Abel retrucou.
“Ah, como eu amo nossas pequenas esquetes, Abel. Claro, estou apenas brincando. Não pense que esqueci sua batalha com o Herói. De jeito nenhum você conseguiria manter um caso naquela situação. O que significa...”
“Sim. Aquela que tinha o mago do fogo do Herói na palma da mão.”
“A mulher perversa.”
“Uh, bem... acho que tecnicamente, sim.” Apesar do toque de desconforto que sentiu com essa descrição, Abel não conseguiu pensar em uma razão para refutá-la também, então acabou concordando.
Enquanto conversavam, os dois de alguma forma se viram indo na mesma direção que ela...
“Abel, se vamos segui-la, acho que deveríamos manter mais distância entre ela e nós.”
“Concordo. Ela definitivamente não é normal. É quase como se ela tivesse treinamento especial... Não sei dizer por que penso isso, no entanto.”
“Provavelmente por causa da maneira como ela anda ou se porta.”
“Hã. É isso. Sabe, Ryo, você é bem perspicaz quando se trata de coisas assim.”
“Oh, pare, você vai me fazer corar”, disse ele em resposta ao elogio genuíno de Abel.
“Então a questão é, quão longe devemos ficar?”
“Eu memorizei suas características. Posso rastreá-la a até duzentos metros usando o Sonar Passivo.” Ryo soou orgulhoso.
“Espere, sério?” Os olhos de Abel se arregalaram de surpresa.
A área ficava entre os distritos noroeste e oeste da capital real, e havia um tráfego considerável de pedestres. Ainda assim, a mulher poderia notá-los se a seguissem por tempo suficiente, mas deveria estar tudo bem com a magia de Ryo. Abel sabia por experiência o quão difícil era seguir alguém sem ser notado — especialmente alguém com treinamento especial. Então ele foi mais uma vez lembrado do poder incrível da magia de Ryo.
“Ela já tinha ido embora quando sua luta com o Herói terminou, hm?”
“Sim. E como eu te disse no café, ele e seu grupo estavam procurando por ela.”
“Então é ousadia da parte dela andar por aí assim, mesmo que o grupo do Herói a esteja caçando.”
“Bem, a capital é enorme. É difícil para as pessoas te verem quando você se mistura na multidão.”
“Mas nós a encontramos”, apontou Ryo.
“Verdade. A coincidência é uma coisa assustadora, hã?” Abel balançou a cabeça um pouco. Na verdade, ele sabia por experiência pessoal como era difícil procurar alguém nas multidões da capital. Mas não era o caso desta vez.
Ryo o observou, seus olhos afiados. “Abel”, disse ele, sua voz suave mas firme, “nem pense em tentar me enganar.”
“Quer me dizer de onde isso está vindo?”
“Aposto que você usou algo como Habilidade de Combate: Busca ou Habilidade de Espada: Apreensão, certo?!” Ryo parecia chocado. “Eu sei que subterfúgio é sua especialidade, mas você foi longe demais se está guardando segredos de mim!”
“Ok, só para você saber”, Abel disse sem perder o ritmo, “nenhuma dessas ‘habilidades’ realmente existe.” Ele se perguntou, no entanto, de onde exatamente Ryo tirava toda a sua confiança infundada.
A mulher que eles seguiam estava se dirigindo ao coração do distrito oeste da capital. Eles mantiveram uma distância de duzentos metros mesmo depois de entrar na área.
“Tantas empresas nesta área”, disse Ryo, olhando ao redor.
“Sim. O templo central fica bem no meio da cidade e os nobres e comerciantes ricos vivem no norte, onde fica o palácio, enquanto os plebeus vivem na parte sul da capital. Grosso modo, o distrito oeste está cheio de empresas, enquanto o distrito leste tem um monte de oficinas, incluindo o Centro Real de Alquimia.”
“Ooooh! O lugar onde o famoso alquimista trabalha!”
Ryo estava claramente ansioso para conhecê-lo. Ele assentiu feliz de novo e de novo.
“Sim, Kenneth. Mas não são apenas oficinas. Porque tanto a embaixada de Joux quanto o Instituto de Pesquisa Mágica, onde estou hospedado, ficam no distrito leste, já que é bem grande.”
“Entendo. Espere um segundo, por que um instituto de pesquisa em vez de uma pousada normal?”
“Beeem, é meio complicado...” Abel respondeu com uma leve careta.
“Não me diga que você finalmente cometeu um crime horrível o suficiente para ter seu rosto estampado em cartazes de procurado? As pousadas normais estão fora de questão agora?”
“Claro que não! Eu queria investigar algumas coisas, então decidi que era mais conveniente ficar com um velho amigo do que em uma pousada. É só isso.”
Foi quando Ryo notou algo.
“O que foi, Ryo?”
“Aquela mulher entrou em uma loja.”
“Hm. Que tal darmos uma passada por lá? Quero saber que tipo de loja é.”
“Não poderia concordar mais. Estamos muito na mesma página. No entanto...” Ryo inclinou a cabeça pensativamente.
“Algo te incomodando?”
“Sim. Tenho quase certeza de que algumas pessoas estão vigiando aquela loja, em vários grupos, nada menos.”
“Isso é suspeito, hã?”
A mulher que enganou o grupo do Herói para atacar Abel havia entrado em uma loja, que por acaso estava sob vigilância de várias pessoas. Cheirava a problema. Qualquer um teria pensado assim, mesmo que não fosse um excelente aventureiro de rank B como ele.
Em vez de caminhar em direção à dita loja, Ryo e Abel decidiram observá-la de uma esquina a alguma distância.
“É aquela, com os beirais laranja brilhante.”
“Entendi. Parece que a placa diz ‘Gongorad & Co.’”
“Gongorad? Sinto que já ouvi esse nome em algum lugar...” Ryo vasculhou sua memória.
“Claro que já ouviu. É porque Gongorad é o comerciante mais poderoso da parte oeste da Federação Handalieu, então não é estranho ele ter uma filial na capital do Reino.”
“Ahhh, agora me lembro! O vilão por trás das cortinas no Grão-Ducado de Volturino, aquele que ordenou que aquele capitão ou sei lá o quê roubasse as pedras mágicas vermelhas.”
Ryo não esperava que o cérebro do mal operasse uma empresa aqui no Reino.
“O mundo é pequeno ou as pessoas más fazem muitas coisas más...”
“Talvez ambos.” Desta vez, Abel não teve objeções às palavras de Ryo e simplesmente assentiu em aceitação.
“Tudo bem, Abel, o fato é que sabemos que ela entrou em um negócio corrupto da Federação. No entanto, obviamente não sabemos o que ela está fazendo lá dentro. Além disso, não sabemos por que a secretária do Duque Flitwick está conectada a dito negócio. Alguma ideia brilhante, Abel? Bem, Abel? Agora é sua hora de brilhar, Abel!”
“Primeiro de tudo, por que você está dizendo meu nome assim?”
“Bem, eu não quero entrar e ver como eles reagem. Esse tipo de coisa é mais a sua praia. Sabe, reconhecimento e tudo mais.”
“Claro que não!” Abel rejeitou categoricamente a sugestão de Ryo.
Você não pode ter sempre o que quer. É assim que o mundo funciona. Que pena para Ryo.
“Dito isso, também não sou fã de simplesmente desistir neste ponto.”
“Então permita-me humildemente oferecer um compromisso. Em vez da loja, você pode lançar um ataque de um homem só contra as pessoas que a vigiam.”
“Claro que não vou!” Abel disse sem um momento de hesitação. “Embora eu tenha que admitir”, ele continuou, no entanto, “eu estou curioso sobre quem está vigiando a loja. Me pergunto se há uma maneira de descobrirmos sem levantar suspeitas. Sabe, fazer isso beeem quietinho?” Desta vez, foi a vez de Abel propor uma sugestão. Ele queria evitar o uso da força, mas também queria informações.
“Um pedido irracional, eu acho.”
“Oh, com licença, meu senhor! Mas fale sério por um segundo aqui. Qualquer comoção seria uma má ideia. Ou você esqueceu que esta é a capital real?”
“Não tenho certeza se alguém que estava envolvido em uma luta de espadas feroz no meio da cidade não muito tempo atrás tem muita moral para falar”, Ryo admoestou com um suspiro dramático.
“Ei, não é como se eu tivesse escolha naquilo...” Abel protestou sem convicção. “Além disso, estávamos no distrito leste, e... odeio dizer isso, mas brigas não são incomuns lá. Esta parte da cidade é diferente, no entanto, com todos esses negócios. Sem mencionar lojas de luxo aqui na parte oeste, o que significa aristocratas e os ricos. Qualquer problema e a guarnição virá voando.”
“Sou contra a discriminação de classe!” Ryo declarou abruptamente. Pena para ele, esta era uma monarquia. Com realeza e nobreza. Não havia igualdade para começar.
Você realmente não pode ter sempre o que quer. É assim que o mundo funciona.
“Ok, por enquanto, vamos circular as pessoas que estão vigiando e tentar ver com o que estamos lidando.”
“Suponho que possamos fazer isso. Não é como se tivéssemos outras opções”, Ryo concordou. Ele mais ou menos teve que concordar, já que nenhum dos dois conseguiu ter uma ideia melhor.
◆
Ryo e Abel esgueiraram-se por trás para observar um dos quatro grupos que monitoravam a loja. Mas enquanto observavam à distância, Abel inclinou a cabeça em confusão. Esta ação, claro, chamou a atenção de Ryo.
“Abel, o que há de errado? Você mudou de ideia sobre emboscá-los e forçá-los a revelar seus objetivos? Não me importo de deixar tudo com você. Vou recuar e observar o desenrolar das coisas.”
“Sem a menor chance no inferno. Quantas vezes terei que te dizer? De qualquer forma, o problema é que eu reconheço um deles.”
“Oooh, que sorte para nós! O que ele faz?”
“Ele é um membro da Segunda Guarda Real...”
“A Guarda Real eu entendo, mas existem duas delas?”
“Sim, a Segunda serve ao príncipe herdeiro. Aquele cara... o nome dele é Emmanuel. Ouvi um boato de que ele foi promovido a comandante de companhia.”
Incidentalmente, a fonte de tal boato eram os amigos de Abel na Aliança dos Segundos Filhos, Zach Kuhler e Scotty Cobouc, que por acaso eram cavaleiros na Ordem Real.
“Espere, se ele é um comandante de companhia, então isso não significa que ele só é superado pelo comandante do regimento e pelo comandante do batalhão? Isso o torna um líder, então ele pode até se tornar o próprio comandante regional eventualmente.”
“Você não está errado e ele é definitivamente um dos mais bem-sucedidos do meu grupo de pares, mas isso levanta a questão... por que ele está vigiando um negócio?”
“Boa pergunta. Então ele foi rebaixado ou, ao contrário, essa empresa é tão perigosa que justifica o monitoramento direto pelo alto escalão.”
Tanto Abel quanto Ryo ponderaram a situação, mas nenhum conseguiu pensar na resposta certa. Era inevitável, considerando a falta de informações. Ambos entenderam isso.
“Abel, a este ponto, acho que deveríamos apenas perguntar a ele diretamente”, sugeriu Ryo.
“Não discordo... Mas...” Embora Abel não se opusesse, ele olhou para Ryo, que entendeu completamente mal o olhar.
“Por que você está me olhando assim?! Apesar do que você possa pensar, eu não sou o tipo de pessoa que atinge alguém no plexo solar com uma Lança de Gelo ou os congela com um Caixão de Gelo do nada!”
“Aham. Parece que tenho uma memória muuuito vaga de você fazendo exatamente o último no Grão-Ducado de Volturino”, observou Abel de forma incisiva, referindo-se ao incidente com o ladrão.
“B-Bem, eu não tive escolha naquela vez. Era madrugada e a cidade estava sob lei marcial. O que mais eu deveria fazer quando um homem solitário e suspeito se esgueira na rua? Além disso, ele acabou sendo o bandido tentando contrabandear as pedras mágicas vermelhas, então no final, eu não estava errado”, Ryo explicou apressadamente.
Abel aceitou suas palavras. “Claro. Daquele vez.”
Tecnicamente, a situação atual deles era completamente diferente. Mesmo Ryo não seria burro o suficiente para lançar arbitrariamente lanças de gelo ou encasular pessoas em caixões de gelo. Provavelmente.
“Sim, não acho que você seja tão imprudente também. Certo, vamos fazer isso. Fique atrás de mim, Ryo.”
Abel avançou furtivamente, quase sem som. Seguindo-o, Ryo se viu profundamente impressionado com os movimentos silenciosos de seu amigo. Claro, ele não expressou seu louvor. Se Abel ficasse convencido demais, ele só se prejudicaria! Ryo, naturalmente, estava sempre genuinamente investido no crescimento pessoal de Abel!
“Ryo, por que tenho a sensação de que você está pensando algo estranho agora?”
“E-Eu não tenho ideia do que você está falando. Pare de falar em enigmas e chame-os logo.”
Um suor frio escorreu pelas costas de Ryo com as palavras assustadoramente prescientes de Abel. Ele não podia subestimar a intuição de um espadachim.
Em pouco tempo, Abel estava atrás do grupo de vigilância que eles haviam alvo, sem que eles percebessem.
“Há quanto tempo, Emmanuel”, disse ele rapidamente. “Não diga uma palavra. Vire-se silenciosamente.”
“Hã? Oh, Alb...”
“Caramba, cara, faz tanto tempo assim que você já esqueceu quem eu sou? Sou eu, Abel, o aventureiro. Abel. Você se lembra agora? A. B. E. L. O aventureiro chamado Abel.” Abel repetiu as palavras “aventureiro” e “Abel” várias vezes. Quase como se não pudesse suportar ser chamado por outro nome. A ênfase que ele colocou nelas não passou despercebida.
“Uhhh... Certo, faz um tempo... A-Abel...”
“Oooh, então você se lembra, hã? Bom, bom”, disse Abel, aliviado.
“Mas... por que exatamente você está aqui, A...bel?” Apesar de tropeçar por um segundo, Emmanuel disse o nome certo novamente. Como comandante de companhia da Guarda Real, ele falou educadamente.
“Veja bem, estamos meio que perseguindo uma mulher e ela acabou de entrar na Gongorad & Co.”
“Aquela de antes? Se me lembro bem, ela é a secretária do Visconde Fletcher.”
“Não me diga... E só para ter certeza, o mesmo Visconde Fletcher que administra a propriedade do Duque Flitwick na capital, certo? Ela é secretária dele.”
“Bem... ela é uma figura importante”, disse Emmanuel com uma carranca.
“O que você quer dizer?” Abel soou confuso.
“Ela é uma espiã do serviço de inteligência da Federação, mas ao mesmo tempo, parece estar vazando informações para o Império também...”
“Pare aí mesmo. Você acabou de dizer o Império?”
Nas Províncias Centrais, o Império significava o Império Debuhi ao norte do Reino de Knightley. Ao lado do Reino e da Federação Handalieu, o Império era uma das três principais potências que compunham as Províncias Centrais. No entanto, em termos de poder nacional, era muito superior aos outros dois, tornando o Império um oponente muito mais perigoso do que a Federação.
“Sim, eu disse. Não só ela está conectada ao Duque Flitwick, como está vazando informações para o Império como espiã da Federação. E ainda por cima, ela tem uma longa história com a Gongorad & Co. também. É isso que sabemos dela até agora, com base em nossa investigação.”
Abel mergulhou em um silêncio pensativo após ouvir a explicação de Emmanuel. Quanto a Ryo, parado atrás dele, seus olhos estavam arregalados de surpresa com essa reviravolta. Aparentemente, todos os tipos de pessoas estavam manobrando secretamente, escondidas do público em geral.
“Na verdade, apesar de ser sediada na parte oeste da Federação, a Gongorad & Co. também estabeleceu laços com o Império nos últimos anos, provavelmente para obter uma vantagem financeira dentro do Império. Mas suas ações contra o Reino têm sido claramente hostis.”
“O que te faz dizer isso?”
“Para começar, o roubo de informações confidenciais do palácio vazou para o governo da Federação.”
“Ahhh”, disse Abel com um aceno enfático. “Então é por isso que vocês estão vigiando esta filial.”
“Na verdade, estamos prestes a realizar uma incursão, já que algumas das companhias que formam a Segunda Guarda Real acabaram de chegar.”
Quando Abel olhou, viu um grupo de pessoas a alguma distância sinalizando para Emmanuel.
“Vocês estão? Mas a Guarda Real não tem autoridade para fazer isso, não? A capital está sob a jurisdição da Guarda da Capital.”
“Normalmente é o caso. No entanto, o próprio príncipe herdeiro pediu diretamente a Sua Majestade uma transferência temporária de controle, então aqui estamos.”
“Por que o Irmã... Por que Sua Alteza não usaria a Guarda da Capital, já que eles se reportam ao ministério de assuntos internos...?” Abel perguntou.
“Infelizmente, Sua Alteza não achou por bem me revelar o motivo...” Emmanuel respondeu com um balançar de cabeça.
“Lex não estava na Guarda da Capital?” Abel perguntou, referindo-se a outro membro de seu grupo de bebida, a Aliança dos Segundos Filhos. Eles se conheciam há muito tempo, então se a Guarda Real buscasse cooperação da Guarda da Capital, ele ficaria mais do que feliz em ajudar. “Ele deve estar bem alto na cadeia de comando, certo?”
“Sim, ele é tenente-comandante agora. O comandante foi considerado culpado de aceitar subornos, então essa posição está atualmente vaga. Então, para todos os efeitos, Lex está no comando.”
“E ele é... honesto?”
“A...bel, você deveria saber melhor do que ninguém o quão sério e brilhante ele é. Esse lado dele não mudou nem um pouco. Nem antes, nem agora.”
“O intelecto de Sua Alteza é algo que não podemos começar a compreender. Ele deve ter uma boa razão para ir tão longe a ponto de solicitar uma sanção oficial de Sua Majestade para usar a Segunda Guarda Real em vez da Guarda da Capital. Ainda assim...” Foi quando Emmanuel notou Ryo parado atrás de Abel. “Hum, A...bel, quem seria este?”
“Ah, sim, esqueci. Ele é Ryo, meu amigo. Também um aventureiro em Lune. Não se preocupe, você pode confiar nele.”
“É mesmo? Então permita-me apresentar-me. Meu nome é Emmanuel Salk e sou comandante de companhia na Segunda Guarda Real do Reino de Knightley. Prazer em conhecê-lo.”
“Agradeço sua cortesia. Sou Ryo, um aventureiro de rank D em Lune. É difícil de acreditar que alguém tão educado como você conhece Abel, que tão rudemente deixa as pessoas esperando depois de esquecer que elas existem. Então o prazer é todo meu.”
“Sim, ele é assim mesmo”, disse Abel, coçando a bochecha. “Ele não é um cara mau, no entanto.”
“Então, se me permite, preciso liderar meus homens. A...bel e Ryo, por favor, esperem aqui para evitar serem envolvidos nisso.”
Com essa palavra de cautela, Emmanuel e seus camaradas começaram a inspecionar seus equipamentos.
Ryo e Abel se afastaram um pouco dos membros da Segunda Guarda Real para ter uma discussão inquietante em tons baixos.
“Está acontecendo de novo, Abel. Está acontecendo de novo!”
“O quê? O que está acontecendo de novo?”
“Expor um espião... Um espião que se infiltrou no Reino está prestes a ser desmascarado. Fizemos isso em Lune também. Duas vezes, ainda por cima!”
“Hã. Agora que você mencionou, você está certo.”
“E ambas as vezes, encontramos aquelas pessoas de cabelo roxo. Uma vez é uma coincidência, mas duas vezes é um padrão. O que significa que uma terceira vez é provável. Talvez a mesma coisa aconteça desta vez também...”
“Não, de jeito nenhum. Duvido. Eu realmente... duvido...” Abel disse, mas não conseguiu refutar completamente a preocupação de Ryo. Nunca se sabe o que pode acontecer.
“Considerando tudo, sugiro que nos abstenhamos de nos apressar desta vez. Como diz o ditado, ‘Um homem sábio se afasta do perigo’. E nós somos homens sábios, certo? Então vamos fazer o que Emmanuel disse e observar as coisas daqui.”
“Uh, bem... acho que não deveríamos atrapalhar. Ok, vamos esperar aqui!”
“Huzzah!” ambos sussurraram-gritaram, erguendo os punhos no ar...
Seja por acaso ou como resultado do animado bombeamento de punhos da dupla, a incursão foi bem-sucedida sem incidentes. Metade da Segunda Guarda Real, a companhia por trás da incursão, havia sido mobilizada para a operação. Vinte pessoas, incluindo o gerente da filial da capital real do Reino, foram presas.
Duas pessoas escaparam pulando das janelas do segundo andar. Quando viraram a esquina, encontraram um homem e uma mulher, ambos com cabelos roxos... Mas isso não foi anotado nos relatórios. E, claro, Ryo e Abel também não encontraram personagens tão perigosos...
No entanto, a Segunda Guarda Real não encontrou a mulher, a secretária do Visconde Fletcher, que havia entrado na loja. Em vez disso, eles descobriram algo completamente inesperado.
“Hm... Isso não parece ser um cristal, mas... nunca ouvi falar de uma ferramenta alquímica como essa...” Emmanuel murmurou enquanto olhava para o item.
Era uma esfera, um pouco maior que o punho de uma pessoa. À primeira vista, parecia um cristal escuro. Inspeções mais detalhadas revelaram uma fumaça negra como piche se contorcendo dentro da bola. Sim, a palavra “contorcendo” a descrevia perfeitamente... Era totalmente alienígena, remotamente diferente de qualquer coisa feita pelo homem.
“Contate o Departamento e peça para o Lorde Arthur Berasus inspecioná-lo”, Emmanuel ordenou ao subordinado ao seu lado. “Até que ele o faça, isso permanecerá sob alta segurança no cofre subterrâneo do palácio. Seria um problema sério se quebrasse de repente e o desastre acontecesse. Entendido?”
◆
“Fico feliz que nada de sério tenha acontecido. Você também não?”
Depois de garantir que a incursão ocorrera sem problemas, Ryo e Abel deixaram a área. A única razão pela qual estiveram lá em primeiro lugar foi para encontrar a mulher que causou a briga entre Abel e Roman, o Herói. Embora ainda estivessem curiosos sobre por que ela havia entrado na loja...
“Pena que ela não estava lá dentro”, Abel respondeu com um pequeno balançar de cabeça.
A Segunda Guarda Real também havia posicionado pessoas na entrada dos fundos e ninguém havia entrado ou saído por ela.
“Talvez houvesse uma passagem secreta subterrânea ou algo assim?” Ryo se perguntou sem fundamento.
“Se houver, Emmanuel e seu pessoal descobrirão em breve.”
“Isso é verdade. Suponho que o problema real seria se não houvesse uma.”
“Então ela pode ter escapado de alguma outra forma. De qualquer maneira, não é algo com que devamos nos preocupar, certo?”
“Claro que é. O que você faria se algo verdadeiramente insano acontecesse naquele prédio?” Ryo perguntou, fingindo gravidade. No entanto, Abel sabia melhor e se recusou a morder a isca. Ele deve ter adivinhado que Ryo estava planejando dizer algo ridículo. Ryo também percebeu a atitude dele.
“Abel, você acha que estou pensando algo frívolo, não é?!”
“Oooh, você lê mentes agora?”
“Que rude! Saiba você que existem todos os tipos de eventos entre o céu e a terra que sua pequena mente insignificante nem consegue compreender.”
“Como o quê?”
“Urk... Como... Aha! Eu sei. Por exemplo, talvez houvesse um dragão dentro daquele prédio e ele comeu a mulher e é por isso que os Guardas Reais não conseguiram encontrá-la.”
“Sim, sem chance!”
“Mas por quê...”
“Olá, porque eles não encontraram um dragão satisfeito depois de uma refeição?”
“Ugh, dedução afiada, Abel... No entanto, não tenho dúvidas de que o dragão se tornou invisível”, disse Ryo, agarrando-se a palhas agora.
Abel soltou um suspiro deliberado e exagerado. “Você realmente acha que um dragão é pequeno o suficiente para sequer entrar naquele prédio?”
“B-Bem, quando você coloca assim...”
Ryo conhecia um dragão. Ele tinha visto um de perto e até conversado com o dito dragão. Se a memória não falhava, a criatura tinha cerca de cinquenta metros de comprimento.
“Pensando bem, é mais provável que ela tenha sido esquartejada por um espadachim implacável como você, Abel, do que comida por um dragão.”
“Dane-se!” Abel derrubou sua segunda teoria sem pensar duas vezes.
“De qualquer forma”, disse Ryo, tentando sem jeito mudar de assunto. “Como chegamos à embaixada da Monarquia de Joux daqui?”
Abel fez uma careta para ele.
Incapaz de suportar o olhar de seu amigo o perfurando, Ryo continuou. “A-Abel, você parece conhecer a capital como a palma da sua mão, mas você nunca se perde?”
Uma maneira de sair de uma situação embaraçosa era abordar um tópico de conversa completamente não relacionado com a outra pessoa. Abel suspirou baixinho e decidiu seguir o fluxo. Porque ele era um cara muito legal.
“Esta parte da cidade é conhecida como o distrito oeste. Ou, também, o distrito comercial. Muitas das lojas aqui são voltadas para uma clientela mais rica, mas se você continuar para o sul, começará a ver barracas para plebeus.”
“Ooooooh. Então, de modo geral, o lado norte da capital é para a nobreza e o lado sul é para a plebe?”
“Sim, mais ou menos. Como o palácio está localizado na parte mais ao norte do distrito norte, muitos dos aristocratas naturalmente se aglomeraram lá. Até o Enclave dos elfos em que estivemos antes pertencia a um conde. As embaixadas do Império e da Federação também ficam naquela área, mas curiosamente, outros países têm as suas no distrito leste.”
“Você mencionou que é aquele com oficinas, certo? Incluindo o aclamado Centro Real de Alquimia, hm?” Ryo parecia feliz. Ele estava incrivelmente animado para conhecer o famoso alquimista de lá.
“Sim, é, junto com o Instituto de Pesquisa Mágica, onde estou hospedado, bem como a embaixada da Monarquia de Joux, onde você ficará, Ryo. Mas o distrito leste é bem grande, então todos esses três lugares são bem distantes um do outro.”
Enquanto os dois conversavam, eles pegaram a estrada que levava para o leste.
“O caminho mais rápido é cortar pelo centro da capital.”
“E você disse que é onde...”
“O templo central fica, sim.”
A rua do distrito comercial oeste em direção ao centro da cidade era bastante larga e ladeada por muitas barracas.
“Eu realmente amo essa atmosfera”, disse Ryo, olhando ao redor. “Embora todas aquelas lojas chiques sejam boas por si só, uma cidade cheia de barracas de rua é muito mais emocionante.”
Abel sorriu ironicamente ao vê-lo. “Eu entendo. Quando eu ainda morava na capital, costumava comer nas barracas o tempo todo.”
“Aposto que você é o terceiro filho de algum nobre, certo, Abel? Você deve ter sido um garoto muito travesso também”, concluiu Ryo, imaginando um jovem Abel.
“Não. Sou um segundo filho, e não acho que fui tão travesso assim.”
“Mas você provavelmente matava muita aula para brincar com os garotos maus do bairro, causando todo tipo de problema, não é?”
“Eu brincava com eles, mas... eu não causei problemas para ninguém... eu acho.”
“Será?” Ryo disse com um encolher de ombros. Ele soou cético e condescendente.
Com um olhar para o templo central, os dois entraram no distrito leste. Embora fosse conhecido como o distrito das oficinas, havia também muitos restaurantes e outras estruturas magníficas, dando-lhe um ar animado. A rua principal, em particular, estava cheia de lojas de todos os tipos, então não seria fora de lugar chamar esta área de distrito comercial também.
“O distrito leste tem muitas lojas como o oeste, hã!” Ryo arregalou os olhos para tudo enquanto caminhava. Seu rosto dizia que ele estava realmente se divertindo.
“Enquanto o distrito oeste tem um monte de lojas de roupas, o leste tem coisas para suas necessidades diárias, além de armas e suprimentos alquímicos.”
“Ooooh! Agora você está falando a minha língua!” Os olhos de Ryo brilharam ainda mais, considerando sua atual obsessão por alquimia.
“Relaxe. Vou te levar para ver Kenneth amanhã. Apesar de ser tão jovem, ele aparentemente é um gênio alquimista fazendo nome para o Reino. Tenho certeza de que ele estará na vanguarda da alquimia, se já não estiver.”
“Incrível! Não posso te agradecer o suficiente, Abel. Por tudo!”
“Uh, de nada, eu acho.” Abel pareceu um pouco envergonhado com o elogio incomum de Ryo.
Neste momento, eles estavam indo para a embaixada de Joux, onde Ryo ficaria. Mas a verdade era... ele precisava passar em outro lugar primeiro. Porque ele tinha uma mensagem para transmitir. O lugar por acaso também ficava no distrito leste e foi lá que eles chegaram...
“Isso é... incrível. Como um forte.”
“Sim. Não importa quantas vezes eu veja, não consigo deixar de me sentir maravilhado.”
Na frente deles, erguia-se a residência da capital do Margrave Lune, uma enorme mansão com muros altos e um portão que parecia que não quebraria mesmo se um tanque se chocasse contra ele. Esta estrutura imponente se destacava dramaticamente mesmo no distrito leste.
“Este lugar resistiria até mesmo sob seu ataque, Abel.”
“Por que diabos eu estaria atacando em primeiro lugar?”
“Por uma razão e apenas uma, claro: para tirar minha vida enquanto eu me barrico dentro dela.”
“Eu nem quero saber como você inventa esses cenários ridículos. Mas para ser claro, esse em particular não faz o menor sentido.”
“Nunca se sabe o que pode acontecer neste mundo. Portanto, deve-se estar preparado em todos os momentos. Em suma, sempre se comporte como se estivesse em um campo de batalha”, disse Ryo de forma natural.
Abel balançou a cabeça, sua expressão dizendo que estava mistificado com as palavras de Ryo. “Bem... acho que eu deveria fazer meu movimento antes de você fazer sua última resistência lá dentro, hã?”
“Você está dizendo que sitiar um castelo é uma estratégia tola...?”
“Estou apenas dizendo que tudo o que tenho que fazer é atraí-lo para fora primeiro.”
“Hah! Como se eu fosse aceitar algum dos seus convites, Abel!”
“Ei, Ryo, o que você me diz de comermos algo? Bolo? Curry? Na verdade... que tal ambos? Eu pago.”
“Não precisa me pedir duas vezes!”
“Viu, como um cordeiro para o abate.”
“Seu filho da...!”
Por mais pacífica que fosse a capital real, você nunca deveria baixar a guarda...
Eles esperaram um pouco depois de dizer ao porteiro parado em frente ao portão chocantemente robusto o motivo de sua visita. Então o portão se abriu um pouco e um cavaleiro emergiu dos terrenos da propriedade.
“Obrigado pela paciência, Ryo, Abel.”
Era Eden, um comandante de pelotão da ordem de cavaleiros de Lune e líder da unidade mobilizada para transportar as pedras mágicas que a família real havia comprado. Nem é preciso dizer que essas pedras eram as que Ryo e Abel colheram dos wyverns. No entanto, Eden não sabia disso.
“Olá, Eden. Na verdade, estou aqui para entregar uma mensagem...” Então Ryo disse ao cavaleiro que Sera ficaria no Enclave dos elfos.
Embora a mensagem fosse breve, os olhos de Eden brilharam com algum lampejo de percepção. “Muito bem. Então, entendo que isso significa... que a Senhora Sera está treinando os elfos?” Eden disse com um sorriso irônico. Ele sabia que qualquer um treinado por ela se tornaria mais forte, mas o treinamento seria punitivo. Ainda assim, era muito melhor do que morrer no campo de batalha devido a um treinamento medíocre.
“Você acertou em cheio. Então... vamos rezar pelos elfos.” Ryo fez uma prece a um deus em que nem acreditava, enquanto ignorava deliberadamente Abel, que lhe deu um olhar desconfiado.
Com a mensagem de Sera entregue, os dois caminharam por mais um tempo antes de chegar à embaixada da Monarquia de Joux. As paredes e o portão pareciam sólidos o suficiente, mas...
“Não posso deixar de comparar isso com a propriedade do margrave...”
“Bem, você não deveria, nem que seja porque o lugar dele é anormal. A construção da embaixada também está bem acima da média”, disse Abel sem rodeios.
Testemunhar o auge de algum tipo de arte ou técnica faria qualquer um perder o senso de normalidade. Era preciso ter cuidado com isso.
“Se você diz. De qualquer forma, muito obrigado por me guiar até aqui, Abel.” Ryo inclinou a cabeça em gratidão. Era preciso mostrar boas maneiras mesmo com os amigos próximos.
“Sem problemas. Passarei aqui amanhã de manhã para te levar ao Centro Real de Alquimia.” E com isso, Abel partiu em direção ao Instituto de Pesquisa Mágica, onde estava hospedado. De trás, ele pôde ouvir uma conversa.
“Olá de novo, Sr. Rodrigo. Estou ansioso para ficar aqui esta noite.”
“Bem-vindo, bem-vindo, Mestre Ryo. Sua Alteza também ficará muito satisfeito.”
“É impressão minha ou... a equipe está realmente entusiasmada com a limpeza?”
“Por uma boa razão, já que o príncipe herdeiro do Reino nos visitará amanhã.”
“Uaaau.”