
Volume 3 - Capítulo 9
The Water Magician
Na guilda dos aventureiros em Aberdeen, Ryo se aproximou de um balcão vago.
— Bem-vindo. Como posso ajudá-lo hoje?
— Olá, sou um aventureiro do Reino de Knightley.
Ele mostrou à recepcionista sua carteira da guilda.
— Ryo, um aventureiro de rank D de Knightley. Então, como posso ajudá-lo?
— Estou procurando por algum trabalho de escolta em direção ao Reino.
— Entendo. Sim, temos alguns, na verdade... No entanto, lamento informar que todos são para ranks C e superiores.
— Eu já imaginava...
Embora se desculpando, a mulher não pôde atender ao seu desejo, o que Ryo já esperava. Bem, tecnicamente, Sue já esperava isso. A depressão o atingiu então.
Minha única opção é pedir dinheiro emprestado para Rah...? É minha culpa por ser tão descuidado em primeiro lugar... Suponho que não tenho outra escolha...
Embora pedir dinheiro a um amigo fosse contra suas crenças, era melhor do que causar mais problemas para outras pessoas. Ficaria tudo bem contanto que ele aguentasse... ou assim ele pensava. Então alguém chamou por trás dele.
— Você deve ser muito bom se é um rank D tão jovem, certo? Então, que tal vir comigo para Knightley em um trabalho de escolta?
Quando Ryo se virou surpreso, viu um homem em seus trinta e poucos anos que parecia o arquétipo de um aventureiro.
A recepcionista olhou para o homem com um ar de interrogação. — Cohn?
— Sim, estou falando daquele trabalho. A constituição dele se encaixa nos requisitos quase que perfeitamente. Honestamente, eu estava à beira de perder a esperança, então isso deve ser Deus sorrindo para nós.
— Humm...? — Ryo não tinha a menor ideia do que estava acontecendo. O pedido era estranho? Seu potencial empregador era suspeito? Seu rosto devia ter traído seus pensamentos, porque a recepcionista logo se manifestou para explicar.
— Não se preocupe, esta comissão é oficial, através da guilda dos aventureiros. O mestre da guilda também disse a nós, recepcionistas, para fazermos o nosso melhor para que seja cumprida. E Cohn aqui está encarregado de coordenar os aventureiros para missões de escolta.
Ryo encarou o homem enquanto a ouvia. Cohn deve ter ouvido o que ela estava dizendo, porque ele assentiu em concordância várias vezes.
— No entanto, embora seja um pedido de escolta — disse Cohn assim que ela terminou —, você será o escoltado.
Suas palavras confundiram Ryo ainda mais. — Como é que é? — ele perguntou.
Cohn disse que lhe daria os detalhes no caminho, então encorajou Ryo a embarcar na carruagem que esperava. Os membros da Switchback se despediram deles...
Cohn achou que Ryo era perfeito, mas qualquer que fosse o plano, não funcionaria sem a aprovação do cliente. Foi por isso que ele pediu a Ryo para ir com ele imediatamente. Como eles deveriam partir na manhã seguinte, tinham apenas hoje para determinar se ele era a pessoa certa para o trabalho.
Então, Ryo sentou-se na carruagem com ele enquanto ela acelerava para o destino.
— Em suma, você quer que eu atue como sósia deste aristocrata e viaje com vocês para a capital real.
— Exato. As refeições estão incluídas e você não terá que andar, já que usaremos a carruagem como transporte. Assim que chegarmos à capital real, você receberá quinhentos mil florins de recompensa. O que você acha? Bons termos, certo?
Ryo não podia negar isso... Mas parecia um pouco bom demais para ser verdade, o que significava que deveria haver muitos outros que também queriam o trabalho...
— Primeiro, o sósia tem que ser alguém praticamente indistinguível à distância. E isso descarta muitos aventureiros simplesmente por causa de suas constituições robustas...
— Ah, sim, eu sou um aventureiro esbelto, comparativamente falando.
— Exatamente. Oh, não estou te insultando nem nada. Pelo que posso ver, você é um mago, certo? Muitos magos se parecem com você, mas isso não significa que haja uma correlação entre aparência e poder.
As garantias de Cohn por si só mostravam que ele não era uma má pessoa. Durante a conversa, a carruagem chegou em frente a um portão conspicuamente maciço.
— Onde estamos?
— Esta é a residência oficial do Príncipe de Inverey. O cliente mora aqui. Viu, mais uma prova da legitimidade deste pedido.
Definitivamente parecia um castelo pertencente ao soberano de um principado, o que significava que o cliente era ou parte da família real ou um nobre de alto escalão. Ninguém olhou para dentro da carruagem enquanto ela passava pelo portão e entrava nos terrenos do castelo.
Depois de passar por mais alguns portões, eles desembarcaram da carruagem em uma esquina com residências oficiais e casas de hóspedes.
— Nosso destino é o segundo andar daquela casa de hóspedes.
Com isso, Cohn liderou o caminho e Ryo o seguiu.
Antes que ele pudesse sequer entrar no prédio, no entanto, teve um encontro surpreendente com um rosto familiar.
— Ryo, é você?
— Ah, olá, Mestre Gekko.
Era Gekko, de quem ele havia se despedido mais cedo, após completar seu trabalho para o mercador.
— Por que você está aqui, Ryo?
— Eu aceitei um pedido em direção ao Reino...
— Ah, você já está voltando? Deveria aproveitar um pouco mais o que o Principado tem a oferecer primeiro.
— Eu adoraria, mas infelizmente, tenho minhas próprias razões para ir para casa.
A principal delas sendo a terrível situação financeira em que me encontro...
Ryo conversava com Gekko enquanto chorava por dentro.
Depois que Gekko se despediu e foi embora, Ryo e Cohn entraram na casa de hóspedes.
— Então você e o Mestre Gekko se conhecem, Ryo?
A curiosidade havia dominado Cohn.
— Sim, nos conhecemos. Ele me contratou e a alguns outros aventureiros em Lune para escoltá-lo e sua caravana até aqui, em Aberdeen. Na verdade, chegamos há pouco tempo.
Cohn assentiu avidamente em compreensão, como se estivesse satisfeito com seu próprio bom julgamento... Pelo menos era assim que Ryo se sentia. Quando chegaram ao segundo andar, caminharam em direção ao quarto no final do corredor.
— Sou eu, Cohn. — Ele bateu na porta.
— Entre — uma voz de dentro chamou.
Os dois entraram em uma sala de estar com dois quartos adjacentes. Na linguagem moderna da Terra, todo o espaço seria descrito como uma suíte em um hotel de luxo.
Um jovem de cerca de dezesseis anos sentava-se em uma das cadeiras, enquanto o que só poderia ser descrito como um velho criado, com mais de sessenta anos, estava em pé na diagonal atrás dele. O garoto devia ser o aristocrata que Cohn mencionara. Embora não fosse magro como uma vara, ele de fato tinha uma constituição esbelta. Sua aura também se assemelhava à de Ryo. Ele tinha traços suaves e gentis, cabelos castanho-claros e olhos cinza-escuros que eram quase pretos.
Se ele fosse uma jovem dama, definitivamente teria despertado os instintos de proteção de qualquer um.
— Vossa Alteza, Sr. Rodrigo, encontrei a pessoa perfeita para o trabalho. Este é o Mestre Ryo, um aventureiro de rank D do Reino de Knightley. Ele estava na guilda procurando um trabalho em direção ao Reino quando me deparei com ele. Além disso, por pura coincidência, ele também conhece o Mestre Gekko, o principal mercador deste país, para quem ele acabou de completar uma missão de escolta. Ele é confiável nesse sentido também. Eu já lhe dei um resumo básico do seu pedido.
— Sou Ryo — disse ele com uma reverência.
— Hm.
Essa foi a única coisa que o velho, presumivelmente o Sr. Rodrigo, disse antes de olhar Ryo de cima a baixo. Então ele assentiu com firmeza.
— A pessoa perfeita, de fato. Para ser sincero, eu já tinha quase desistido, já que devemos partir amanhã. Mas você o encontrou na hora certa, hein? Certo, então. Permita-me fazer as apresentações formais. Mestre Ryo, este é o Príncipe Willie da Monarquia de Joux. Estamos viajando para a capital de Knightley porque ele vai estudar no Reino. Como tal, gostaríamos de contratar seus serviços como guarda-costas dele na jornada. Você aceita?
— Sim, eu...
— Pare aí mesmo, velho — Vossa Alteza Willie interveio antes que Ryo pudesse responder. — Essa explicação não é suficiente. Você precisa ser claro com ele sobre as partes perigosas do trabalho.
— Mas, Vossa Alteza... — Franzindo a testa, Rodrigo olhou para Cohn, que também estava franzindo a testa. Aparentemente, havia algum tipo de problema.
— Se vocês dois não vão contar a ele, eu vou. Mestre Ryo, não é? Francamente, este trabalho é extremamente perigoso. Você não será o primeiro a ser empregado como meu sósia. Quando deixei meu país, a guilda de lá recomendou um aventureiro cuja estatura correspondia à minha. No entanto, fomos atacados por vilões no caminho e ele foi sequestrado... Seu cadáver foi descoberto vários dias depois...
Frustração, profunda e dolorosa, emanava de cada palavra que o Príncipe Willie dizia. Ele claramente se culpava pela morte do aventureiro por causa do papel que ele havia desempenhado como seu sósia.
— O sacrifício dele nos permitiu colocar alguma distância entre mim e meus inimigos para que pudéssemos chegar a Aberdeen. No entanto... não posso garantir que não seremos emboscados novamente. Logo, esta comissão é extremamente perigosa de se aceitar.
Ryo assentiu após ouvir a explicação de Willie. — Entendo...
Nem Cohn nem Rodrigo haviam mentido durante suas próprias explicações; eles simplesmente omitiram o aspecto mais difícil do trabalho. Devem ter pensado que Ryo os recusaria se soubesse e não queriam arriscar, pois estavam desesperados. Embora o que eles tivessem feito fosse terrível, infelizmente também não era uma tática incomum. Apenas provava até onde eles iriam para adquirir um doppelgänger verossímil para o príncipe à sua frente.
— Eu tenho uma pergunta, se não se importa... — disse Ryo, decidindo ser direto.
O Príncipe Willie assentiu. — Pergunte o que quiser.
— Vossa Alteza, o Sr. Rodrigo disse que você está a caminho da capital real para estudar, sim...? Se a jornada é tão perigosa, você considerou cancelar seu intercâmbio?
Por um momento, uma expressão sardônica passou pelo rosto de Willie ao ouvir a pergunta de Ryo. — Essa não é uma opção. Embora os estudos sejam o pretexto oficial para minha ida ao Reino, o fato é que estou sendo essencialmente enviado como refém para Knightley. Se eu não for, meu país sofrerá terrivelmente... Então, simplesmente não posso interromper a jornada só porque minha vida está em perigo.
Uma pessoa sendo enviada como refém que arriscava ser sequestrada no caminho.
Exatamente como Tokugawa Ieyasu...
Essa foi a primeira coisa que Ryo pensou depois de ouvir as palavras de Willie. Takechiyo (que mais tarde seria conhecido como Tokugawa Ieyasu) foi enviado para a casa Imagawa como refém, mas capturado no caminho e, em seguida, enviado para a família Oda em Owari. Assim diz a história. No entanto, Takechiyo formou um vínculo profundo lá com o jovem Oda Nobunaga e os dois mais tarde mudariam todo o país. A história era uma coisa estranha e maravilhosa.
No presente, como o Príncipe Willie não conhecia as intenções de seus inimigos para com ele, era natural que ele esperasse que atacassem novamente. No entanto...
— Muito obrigado pela explicação completa, Vossa Alteza. Mas eu sou eu e devo retornar a Knightley de qualquer maneira. Como um aventureiro de rank D, eu realmente não tenho outros trabalhos que eu possa aceitar que me permitam cruzar a fronteira. Então, o fato de este ter praticamente caído no meu colo é um golpe de sorte para mim. Eu entendo o perigo e, mesmo sabendo que ele existe, gostaria de aceitar esta comissão.
— Uau! — Rodrigo e Cohn exclamaram em uníssono.
— É mesmo? Então, agradeço antecipadamente, Mestre Ryo.
O Príncipe Willie apertou sua mão com um sorriso.
Depois disso, Ryo voltou à guilda para avisar Rah e seu grupo que havia encontrado um trabalho. No entanto, ele não poderia voltar para Lune por um tempo, pois estava indo primeiro para a capital real, e foi por isso que pediu a eles que fizessem duas coisas por ele: a primeira foi informar a equipe da guilda dos aventureiros de Lune sobre seu atraso; a segunda foi entregar uma carta que ele havia escrito para Sera, que vivia na propriedade do marquês.
Em contraste com a surpresa de Rah, Sue pegou a carta da mão de Ryo casualmente e prometeu que a entregaria a Sera pessoalmente. Seu aceno firme deixou uma forte impressão nele. Ele não sabia por que ela fez aquilo... mas de qualquer forma, ele poderia ter entendido algo muito errado.
Assim começou seu trabalho de escoltar o Príncipe Willie até a capital de Knightley.
◆
Ryo passou a noite no quarto ao lado do do Príncipe Willie na casa de hóspedes.
— Por favor, vista estas roupas — disse Rodrigo na manhã seguinte. — Elas são feitas de maneira semelhante às de Sua Alteza. Além disso, sempre que sair da carruagem, por favor, certifique-se de usar um manto com capuz ou algo parecido para cobrir o rosto.
— Então por que não uso meu manto de sempre para fazer isso?
Ryo mostrou a Rodrigo o manto que ele sempre usava, aquele que o Dullahan lhe havia presenteado.
— Perfeito. Então, por favor, use isso para esconder seu rosto. Você deve ficar dentro da carruagem quando estivermos em movimento. Nas ocasiões em que tivermos que acampar ao ar livre, montarei uma tenda para você e Sua Alteza.
— Entendido.
Toda a sua comitiva consistia em uma carruagem em forma de caixa, três carroças de carga, quatro escoltas da Monarquia de Joux, seis aventureiros do Principado de Inverey, o Príncipe Willie, Rodrigo e Ryo.
Eu meio que sinto que isso não é o suficiente para mover um príncipe... Bem, não que eu saiba como essas coisas funcionam.
— Você acha que isso não é o suficiente, não é?
Ryo se encolheu quando ouviu a voz atrás dele dizer exatamente o que estava em sua mente.
— N-De forma alguma...
— Está tudo bem. Acontece que você está certo, por sinal. Nossa comitiva não é grande o suficiente para um membro de uma família real. No entanto, meu país não é de forma alguma rico ou poderoso, sem mencionar que sou o oitavo filho — disse Willie com um sorriso amargo.
— O oitavo filho... — Ryo, por sua vez, não sabia o que dizer em resposta.
— Você provavelmente sabe que é melhor para a realeza ter o maior número possível de filhos para garantir a continuação da linhagem. Mas... quando o número de príncipes chega a oito, há poucas perspectivas para ele depois que atinge a idade adulta. Ele é deixado para entrar na cavalaria ou no corpo mágico, ou encontrar alguma outra maneira de ganhar a vida. Claro, eles podem receber propriedades, mas geralmente não é nada mais do que uma propriedade real ou algo assim para ser cuidado... E com pouco pessoal, ainda por cima. Nessa situação, eu seria responsável por ganhar meu próprio sustento, tanto em termos de comida quanto de alojamento... — O sorriso amargo do Príncipe Willie permaneceu firmemente em seu rosto.
— Que mundo cruel em que vivemos — lamentou Ryo. Ser forçado a ganhar seu próprio dinheiro apesar de ser um príncipe... Claramente, o jovem tinha seus próprios problemas para lidar.
— Ah, mas Inverey generosamente nos emprestou a ajuda de dois pelotões de cavaleiros, totalizando vinte guarda-costas, até a fronteira.
A probabilidade de um ataque dentro do principado parecia extremamente baixa.
Assim que começaram a viajar, Willie e Ryo conversaram sobre todos os tipos de coisas dentro da carruagem. Rodrigo era o único dentro do veículo além deles, e o velho criado mal falava, a menos que fosse necessário. Assim, o Príncipe Willie passara a maior parte de suas viagens até agora entediado.
Durante a jornada juntos, Willie abandonou o "Mestre" e simplesmente o chamou de "Ryo". Eles passaram muito tempo dentro da carruagem, apenas os dois. Não era de se admirar que se abrissem um para o outro naturalmente.
Sua Alteza tinha quinze anos e frequentaria o Instituto Real de Ensino Superior do Reino de Knightley como estudante de intercâmbio. A escola era para a realeza e a nobreza, o que significava que filhos dessas casas de outros países também estavam matriculados além dele.
O fato de minha constituição se assemelhar à de um príncipe adolescente é... prova de que os mongoloides parecem jovens, afinal, hm?, pensou Ryo.
Na realidade, embora parecesse esbelto, se você o tocasse, perceberia que ele era na verdade bem musculoso. Caso contrário, ele não seria capaz de empunhar uma espada, então isso era apenas o óbvio.
Quanto ao Príncipe Willie, a esgrima aparentemente não era um de seus pontos fortes.
— Eu posso usar um pouco de magia — explicou ele, desanimado —, mas mesmo assim, não se pode realmente dizer que tenho aptidão para isso. Suponho que não deveria ser surpreendente, já que Joux é considerado um país subdesenvolvido no que diz respeito à magia...
— Mas o importante é que você pode usar magia. Se você treinar todos os dias, aumentará seu suprimento de mana e melhorará seu controle mágico também.
Os olhos de Willie brilharam de excitação com o conselho de Ryo. — Sério?!
— Sim. Eu era péssimo nisso no começo, mas pratiquei todos os dias.
Um olhar distante entrou nos olhos de Ryo enquanto ele relembrava o tempo que passou na Floresta de Rondo. Não importava que nem seis meses tivessem se passado desde sua partida.
— Talvez haja esperança para mim, então. Sabe, sempre me disseram que não tenho talento para isso...
— Vossa Alteza... talento, ou falta dele, é irrelevante. O que importa é o esforço. O esforço é tudo. Há muito tempo, havia um campeão que defendia esse valor. Ele perseverou ao ponto de vencer muitas lutas por títulos e se encontrar no topo no final de sua carreira ilustre.
— Isso soa tão inspirador...
Embora o Príncipe Willie não parecesse entender muito bem o conceito de lutas por títulos, ele entendeu que o indivíduo em questão alcançou seus objetivos através do esforço.
Exceto que eu pessoalmente acho que o simples fato de ele poder usar magia significa que ele tem algum talento... Certo..., pensou Ryo.
— A propósito, Vossa Alteza, com qual elemento você tem afinidade?
— Água... — Willie respondeu, seu olhar se desviando para o chão. Ele fora ensinado que suas habilidades eram inúteis na guerra e não boas o suficiente em geral para contribuir para o bem-estar de seu país. No entanto, suas palavras e atitude apenas despertaram a simpatia do outro mago da água dentro do veículo.
— Uau! Eu também sou um mago da água! Você pode fazer coisas incríveis com magia da água, contanto que se treine!
Wille ergueu a cabeça, um sorriso feliz em seu rosto agora. — Sério?!
Aquele olhar também deixou Rodrigo feliz.
— Para falar a verdade, também fiquei um pouco chocado quando descobri que era um mago da água. Preocupei-me que fosse inferior à ostentação da magia do fogo, à vantagem da magia do ar e à praticidade da magia da terra, especialmente porque com a última você pode fazer casas e estruturas.
Willie assentiu enfaticamente enquanto ouvia Ryo.
— Felizmente, acabei estando errado. A magia da água não é de forma alguma inferior às outras. Embora exija um grau significativo de treinamento, honestamente, agora acho que nenhuma das outras magias pode sequer chegar perto em utilidade. Posso dizer isso com total confiança. Os magos da água são incríveis!
— Ooohhh!!!
Ryo, o demagogo, estava no comando: — Quando acamparmos à noite, vou te mostrar todos os tipos de técnicas legais.
— Mal posso esperar!
Naquela noite, em sua tenda situada no centro do acampamento do grupo, o Príncipe Willie começou seu treinamento. No momento, o único feitiço que ele podia usar era a Criação de Água.
— Ó água, fonte da vida, manifeste-se. Criação de Água.
A água jorrou de sua mão direita e caiu no balde colocado no chão.
O encantamento parece... diferente...
— Vossa Alteza, posso perguntar sobre o encantamento...?
— Aparentemente, é único do meu país.
— Entendo...
Era definitivamente diferente do encantamento que o jovem funcionário de Gekko havia usado. O deles era específico do Principado.
— Se você me disser o que eles recitam no Reino, farei o meu melhor para praticar!
A determinação encheu o rosto do jovem príncipe. Infelizmente para ele...
— Vossa Alteza, os encantamentos são meras decorações. Você não precisa deles.
— Hã... — Sua expressão, tão cheia de resolução, congelou então.
Água.
Quando Ryo entoou a palavra em sua mente, a água brotou de sua mão direita e espirrou no balde.
— Você não disse nada, mas a água saiu mesmo assim...
— Exato. Uma vez, alguém me ensinou a raiz da magia quando lhe perguntei como funcionava. Ele disse: 'O ponto crucial da magia reside na capacidade do usuário de produzir uma imagem em sua mente. Uma imagem clara. Depois disso, é apenas uma questão de ganhar experiência.'
— Uma imagem...
— Exatamente, uma imagem. Quão claramente você consegue visualizar a imagem em sua mente? Se conseguir fazer isso, então poderá fazer magia sem nunca dizer uma palavra — respondeu Ryo, deliberadamente infundindo suas palavras com gravidade. Ele simplesmente sentiu que seria mais legal assim.
— Vou tentar!
O Príncipe Willie estendeu a mão direita, fechou os olhos e concentrou-se intensamente no que quer que visse em sua mente. Mas nada aconteceu.
— Vossa Alteza, por favor, abra os olhos e olhe para sua mão. Imagine a água caindo da sua palma.
Willie fez como Ryo instruiu. Desta vez, ele estendeu a mão direita para a frente com os olhos abertos. Alguns momentos depois... a água saiu de sua mão.
— Eu consegui!
— Sim, você conseguiu! Muito bem!
É importante elogiar alguém quando tem sucesso. Este é o método testado e comprovado de ensino.
Depois disso, Willie produziu água de sua mão repetidamente... e então desmaiou quando seu mana se esgotou.
Na oitava noite após deixar Aberdeen, o grupo deles ficou em uma pousada em Rednall, uma das cidades fronteiriças do Principado. Como parte de seu trabalho como sósia de Willie, Ryo ficou no mesmo quarto que o jovem príncipe. Felizmente, Sua Alteza estava ocupado praticando sua magia esta noite também. Dito isso, haviam se passado apenas oito dias desde que ele começou a se engajar no Treinamento Mágico Estilo Ryo, o que significava que não havia um progresso dramático em suas habilidades. A propósito, esse era o nome provisório que Ryo havia dado a seus métodos.
Assim que Willie se tornou proficiente em gerar água, Ryo o ensinou a criar uma barreira de gelo, ou seja, uma Muralha de Gelo. Apesar de ser o oitavo filho, Willie ainda era um príncipe, um que viveria em um país estrangeiro indefinidamente. Consequentemente, Ryo decidiu que o garoto precisava ser capaz de se proteger com seu próprio poder.
O que piorava as coisas era sua relativa falta de experiência com a esgrima. Pelo contrário, no entanto, o príncipe podia realmente usar uma espada, mais ou menos. Claro, ele não era páreo para cavaleiros experientes, mas Willie era bom o suficiente com uma espada para vencer bandidos e afins. Esta foi a conclusão a que Ryo chegou quando pediu ao garoto que demonstrasse sua habilidade com uma espada.
Como seu discípulo de magia da água, Ryo era um professor rigoroso em todas as facetas da educação de Willie.
— Vossa Alteza, acho que está na hora de uma pausa...
— Só mais um pouco! Sinto que estou quase conseguindo.
— Você disse a mesma coisa na noite passada antes de esgotar seu suprimento de energia mágica e desmaiar...
— Só um pouco... Ah...
As pernas de Willie cederam então.
— Vossa Alteza, odeio dizer isso, mas... eu avisei.
Seu discípulo de magia da água estava tão cheio de motivação que seu professor teve que forçá-lo a parar... O que significava que não havia necessidade de tal professor ser tão rigoroso em primeiro lugar...
Ryo deitou Willie em sua cama e depois foi para a sala de estar ao lado. Cohn e Rodrigo estavam lá dentro. O primeiro havia espalhado um mapa sobre a mesa.
— Mestre Ryo, como está Sua Alteza?
— Ele adormeceu depois de ficar sem mana.
— Entendo — respondeu Rodrigo com um sorriso antes de servir chá para Ryo. O homem nunca se irritava com o sósia de seu senhor por levá-lo ao ponto de exaustão.
Na primeira vez que o Príncipe Willie desmaiou, Ryo se desculpou. Em resposta, Rodrigo disse: — Nem me lembro da última vez que Sua Alteza se dedicou a uma tarefa com tanto afinco... Este velho homem não poderia estar mais feliz.
Ser o oitavo filho de sua família significava que o garoto havia levado uma vida um tanto sombria até então em casa. Além disso, sua personalidade excessivamente gentil e sua ansiedade em causar problemas para os outros o tornaram ainda mais quieto e dócil.
Diante de tal passado, estudar no exterior era talvez uma boa oportunidade para o Príncipe Willie. Poderia até se tornar um ponto de virada em sua vida. Rodrigo passou a acreditar nisso ao longo da jornada e revelou tudo isso a Ryo também.
Cohn desviou sua atenção do mapa para o mago da água. — Ryo, vamos cruzar a fronteira amanhã à tarde. É até onde os cavaleiros de Inverey nos acompanharão.
— Em suma, o verdadeiro show começa amanhã, hm? — Ryo assentiu em compreensão.
O que Cohn deixou implícito foi que, dali em diante, eles não poderiam mais permitir que o príncipe gastasse sua magia até o ponto de exaustão. Ele precisava economizar sua energia mágica em caso de um ataque. O infortúnio muitas vezes vinha no momento mais fraco de alguém.
— Vamos ficar em outra cidade amanhã à noite, certo?
— Não apenas amanhã à noite, mas todas as noites até o final desta jornada.
— Hã? Sério?
A notícia surpreendeu Ryo, que supunha que a maior parte da viagem seria passada acampando ao ar livre. Na verdade, ele sentia que isso era o normal, pensando em suas missões de escolta até agora.
— Assim que cruzarmos a fronteira, a Segunda Estrada do Reino vai até a capital real, e é essa que vamos pegar. É a rota comercial mais popular na parte leste, superando até a Estrada do Leste. Naturalmente, cidades e vilarejos maiores estão espalhados pelo caminho. Odeio dizer isso, mas não é como no Principado. A infraestrutura rodoviária do Reino é um testemunho de seu status como uma das três maiores potências da região.
Depois disso, Cohn recitou a lista das cidades em que ficariam, mas Ryo não conhecia nenhuma delas. Claro que não. Além da Estrada do Leste que ele havia percorrido com a caravana de mercadores de Gekko, o único lugar que ele conhecia ao longo da Segunda Estrada era a cidade de Redpost, um assentamento de fronteira perto de ambas as estradas. E eles passariam por lá completamente cedo na manhã seguinte.
Depois de agradecer a Rodrigo pelo chá, Ryo pensou em voz alta: — Ficar em cidades apropriadas deve reduzir a possibilidade de um ataque, certo?
— No mínimo, será muito menor do que acampar ao ar livre. Infelizmente, também há a chance de sermos atacados em plena luz do dia. Apesar de a estrada ser uma das principais, isso não significa que esteja sempre movimentada com viajantes. Na verdade, seria um verdadeiro incômodo se eles nos atacassem enquanto passávamos por eles — Cohn respondeu, olhando fixamente para o mapa.
Assim como Sherfi e seus homens atacaram o grupo de Gekko fingindo ser uma caravana de passagem, outros vilões poderiam usar a mesma tática a seu favor contra o Príncipe Willie e sua comitiva. Ryo havia sido capaz de detectar os bandidos à distância naquela época por causa do transmissor que ele havia implantado em um deles, mas isso não funcionaria em circunstâncias normais. Ele nem sabia contra quem estavam lutando, então tinha que estar em alerta máximo o tempo todo. Embora fosse seu trabalho, ser um acompanhante era um trabalho árduo.
◆
— Uma vez eu disse ao meu pai que queria ser um aventureiro — disse o Príncipe Willie a Ryo depois que eles cruzaram com segurança a fronteira para o Reino de Knightley.
— Oh... uau.
— Eles vivem em seus próprios termos... Na minha mente, os aventureiros simbolizavam a liberdade para mim. Foi o que eu disse ao meu pai, mas ele pareceu tão triste e arrependido quando respondeu. Ele disse: 'Aqueles nascidos na realeza devem carregar a responsabilidade que lhes foi imposta simplesmente por causa do infortúnio do nascimento. Eles também nunca podem se esquivar dela.' Então ele não podia me permitir me tornar um aventureiro. Honestamente, eu não entendi realmente o que ele quis dizer quando me disse. No entanto, não consegui dizer mais nada irracional diante de sua tristeza...
— Carregar uma responsabilidade só porque você nasceu no papel...
No caso de Ryo em sua vida anterior, ele havia assumido voluntariamente a responsabilidade. Ainda assim, ele sentiu que podia se identificar com Willie, mesmo que só um pouco.
— A cada ação que você toma... você tem uma responsabilidade para com muitas pessoas, desde aquelas que você comanda e suas famílias, até todas as pessoas que vivem em seu país. Isso se estende até mesmo às pessoas de outros países relacionadas a elas... — Ryo murmurou.
O Príncipe Willie o encarou surpreso. — Is-Isso mesmo! Você é um aventureiro, certo, Ryo? Desculpe, estou um pouco surpreso. Quando mencionei isso a outro aventureiro no passado, ele disse: 'Se você odeia tanto, mande tudo para o inferno e simplesmente abandone sua posição.' Tudo o que pude fazer foi rir sem graça... Mas você é diferente, Ryo.
Em sua vida no Japão, Ryo não poderia simplesmente ter jogado fora suas próprias responsabilidades. Então, uma pequena parte dele — uma parte muito, muito pequena dele — entendia pelo que Willie estava passando...
◆
Três dias após entrar no Reino de Knightley, a comitiva do Príncipe Willie deixou a cidade de Barsham e voltou para a Segunda Estrada que levava à capital real.
— Nosso jantar de ontem à noite... como você chamou mesmo? Bife de Hamburgo? Foi absolutamente requintado. A carne suculenta combinada com aquele molho sublime proporcionou uma primeira experiência soberba... Digamos que fiquei impressionado com a oferta culinária de um grande país.
— Eu sei, né?!
Dentro da carruagem em forma de caixa, Sua Alteza falava apaixonadamente sobre o jantar que eles haviam comido na noite anterior na sala de jantar da pousada. E Ryo assentia feliz, como se tivesse participado pessoalmente do cozimento.
— Obrigado por recomendá-lo, Ryo. Se eu não tivesse experimentado, sei que teria me arrependido por muito tempo.
— Eu não esperava menos de você, Vossa Alteza. Sabe o que dizem: comida é o privilégio da realeza e delícia é justiça. Por favor, aproveite todas as coisas deliciosas aqui no Reino.
A cabeça de Ryo balançava entusiasticamente enquanto ele se via contagiado pelo profundo deleite de Willie.
Mas não demorou muito para que essa paz fosse subitamente destruída pelo bipe de aviso do Sonar Passivo de Ryo. Ele abriu a janela da carruagem e informou imediatamente Cohn, que cavalgava ao lado deles em um cavalo. Desta vez, todos os guarda-costas e aventureiros estavam a cavalo. Apenas no caso de precisarem da velocidade para uma fuga rápida.
Quanto aos seus oponentes nesta ocasião...
— Cohn, eles vão nos atacar de todas as direções.
Os vilões haviam apertado o cerco ao redor deles, cortando suas rotas de fuga, quase como se soubessem que estavam todos a cavalo.
— Merda — praguejou Cohn. — Você sabe quantos são?
— Dez nos cercando nas proximidades. Mais cinco avançando em nossa direção de mais longe na floresta, que são ou tropas de emboscada ou de reserva... De qualquer forma, eles ainda não estão com os dez.
— Então, quinze no total... É muita gente.
Fazendo uma careta, Cohn mergulhou em pensamentos. Ryo estava preocupado com os cinco agindo separadamente do grupo principal de dez. Parecia-lhe que eles estavam dirigindo os outros de sua localização... Em situações como esta, era comum a presença de comandantes.
— Ryo, sinto muito por pedir isso a você, mas você pode atrair o inimigo um pouco para longe de nós? Você não precisa derrotá-los. Se parecer que não consegue se encontrar conosco novamente, você está livre para partir, já que já cruzamos para o Reino.
— Vou ficar bem. Se eles me atacarem, esperarei o momento certo para me afastar fingindo ser Sua Alteza. Quando eu fizer isso, vou levá-los para longe do grupo. Quanto aos cinco na floresta... Por favor, me sinalize se eles se aproximarem demais. Assim que o número de inimigos diminuir, por favor, acelere e escape para Wingston.
Cohn relutara em sugerir seu próprio plano, mas ouvir a versão revisada de Ryo o assustou ainda mais.
— Não, não posso pedir para você fazer isso...
— Eu disse, vou ficar bem. Não pare até chegar a Wingston.
— Entendido.
Pouco tempo depois, alguém gritou: — Ataque inimigo! — do lado esquerdo de sua procissão de veículos e cavaleiros. Ryo usava seu manto de sempre com o capuz levantado. À primeira vista, não se podia dizer quem ele era.
O Príncipe Willie e Rodrigo estavam em silêncio há algum tempo porque sabiam o que viria a seguir depois de ouvir a conversa de Ryo e Cohn.
Ryo espiou pela janela. As pessoas que avançavam em sua direção pareciam familiares...
— A Seita dos Assassinos?
Eles realmente pareciam os membros vestidos de preto da organização mortal. No entanto... nem todo atacante em potencial fazia parte de um grupo clandestino de assassinos... Afinal, devia haver outras pessoas cujos meios de vida dependiam de ataques e coisas do gênero.
— Ryo...
Lágrimas se acumularam nos olhos de Willie enquanto ele chamava por Ryo. Talvez o príncipe estivesse vendo seu antigo sósia em Ryo, aquele cuja morte ele culpava a si mesmo.
— Vossa Alteza, prometo que ficarei bem. Por favor, apenas certifique-se de chegar a Wingston em segurança.
Então eles finalmente ouviram a voz de Cohn.
— Vossa Alteza, fuja.
— Lá vou eu! Boa sorte!
Com essas palavras, Ryo abriu a porta da carruagem e pulou para fora. Antes de sair completamente do veículo, ele fechou a porta atrás de si para que ninguém pudesse olhar para dentro. Então, ele saiu da estrada e correu para a floresta. Ele verificou o número de pessoas que o perseguiam através do Sonar Passivo.
Sete, hein...
Dos dez que os haviam assaltado inicialmente, ele conseguiu atrair mais da metade. O Príncipe Willie tinha quatro guarda-costas e seis aventureiros de rank C. Dez deles contra três assassinos deveriam colocar as chances de vitória solidamente a seu favor. Além disso, seu principal objetivo era garantir a fuga do príncipe.
O único problema restante era o que os cinco na floresta fariam... Então Ryo tomou sua decisão...
A essa altura, Ryo devia ter colocado cerca de dois quilômetros entre ele e a carruagem. Doze pessoas agora o perseguiam, incluindo os cinco que estavam esperando na floresta. Isso pode ser porque Ryo deliberadamente escolheu uma rota de fuga que o levou muito perto de onde os havia detectado da carruagem. Então os cinco o perseguiram, o que confirmou sua suspeita de que eles eram uma força destacada...
Devemos estar bem longe agora.
Ryo viu sua oportunidade de agir e fingiu tropeçar em uma pequena clareira na floresta. Ele caiu de forma dramática. Seus doze perseguidores pararam ali também.
Um homem entre os cinco da floresta, que parecia ser o comandante, parou na frente de Ryo. Ele devia ser o mais capaz, porque sua aura era um pouco diferente dos demais. Eles o cercaram frouxamente à distância, depois gradualmente se moveram para um círculo mais apertado e começaram a se aproximar até o terem completamente cercado. Se eles iam sequestrá-lo, era natural que cortassem qualquer meio de fuga.
Armadura de Gelo.
Ele se cobriu com uma armadura ultrafina feita de gelo enquanto observava os atacantes de perto.
Ok, tenho quase certeza de que eles fazem parte da Seita dos Assassinos...
Os atacantes estavam vestidos todos de preto, da mesma maneira que os membros da antiga organização de Sherfi.
Eles derrubaram a Ponte Lowe, destruíram uma cidade, atacaram o Mestre Gekko e agora estão tentando sequestrar um príncipe... Puxa, a Seita com certeza tem seus dedinhos sujos em tortas por todo o mundo, hein?
Os pensamentos relaxados de Ryo eram completamente inadequados para a situação em questão. Enquanto isso, os vilões completaram seu cerco.
Excelente timing. Muralha de Gelo.
Ele entoou o feitiço em sua mente. Uma parede transparente de gelo se formou ao redor do círculo de atacantes.
— Agora nenhum de vocês pode fugir.
Os doze vilões estavam presos. Todos os seus esforços para atraí-los até aqui teriam sido em vão se ele os deixasse escapar neste ponto.
Ryo desembainhou Murasame e gerou a lâmina de gelo.
— Aqui vou eu.
Ryo avançou contra o comandante que estava à sua frente. Percebendo que era perigoso aparar a lâmina de gelo com sua faca, o homem se esquivou usando todo o corpo. Ryo brandiu sua espada para baixo, então de repente a transformou em um corte diagonal para cima com um movimento rápido de sua mão esquerda.
— Gah!
Incapaz de se defender a tempo, o homem se viu atingido em seu lado esquerdo pelas costas da lâmina de Murasame. Ele prontamente desmaiou de agonia. Um corte rapidamente revertido, por assim dizer, embora não polido.
— Sou muito lento... Não acredito que Sasaki Kojiro fez isso com uma vara de secar roupa. Incrível.
A princípio, Ryo estava planejando matar todos eles, mas ele queria confirmar algo, então decidiu não o fazer. Como eles eram assassinos, ele não teria tido muitos receios mesmo que os matasse.
— Nossa, acho que senti muito mais quando derrubei aquele falcão assassino de um olho só...
Enquanto Ryo murmurava para si mesmo, os onze atacantes restantes ficaram incapazes de se mover. Eles estavam completamente intimidados pela espada inesperadamente aterrorizante.
Uma lâmina inútil e uma magia que só podia produzir um fluxo de água — essa era a extensão da informação que haviam recebido sobre o Príncipe Willie. No entanto, aqui estava ele, derrubando o companheiro deles sem que o homem sequer desferisse um único golpe. Era mais do que suficiente para intimidá-los.
Ryo avançou para o próximo atacante e desferiu três estocadas, no pescoço, no peito e no pescoço novamente. Na terceira, ele manobrou a lâmina lateralmente e cortou horizontalmente na direção em que o atacante se esquivou. Claro, como foi outro golpe com o lado chato da lâmina, o atacante não morreu... Algo deve ter dado errado com sua respiração, porque ele ficou ali de bruços, tossindo violentamente.
— Isso não está funcionando de jeito nenhum... O Shinsengumi realmente conseguia essas técnicas...
Era uma técnica de espada baseada no conhecimento aleatório de Ryo. O estilo Tennen Rishin-ryu, conhecido por seu uso pelo Shinsengumi, é famoso por sua estocada de três passos. Mas, na realidade, consiste em várias técnicas sucessivas, como o quarto e o quinto passos. No entanto, não havia como Ryo saber disso...
— Meu conhecimento é realmente muito superficial.
Depois de resmungar para si mesmo, ele lançou um feitiço.
— Vou levar todos vocês cativos por enquanto. Caixão de Gelo 12.
Todos os doze congelaram instantaneamente.
— Agora então...
Ele expôs o lado esquerdo do peito dos doze homens dentro do gelo.
— Sim... todos eles têm um brasão com uma águia de duas cabeças com uma espada atravessada nela.
Ryo só queria confirmar o que já suspeitava. Não havia um significado mais profundo para sua ação. A partir de agora, se ele pudesse verificar seus peitos para identificar se uma pessoa era membro da Seita dos Assassinos. Ele conseguiu obter uma prova. Pequenos detalhes como esses poderiam ser úteis em algum momento.
— Tudo bem, acho que é hora de voltar. Vocês todos ainda estão vivos... e vão descongelar contanto que eu não esqueça... Eu diria em duas semanas ou mais.
Ele e o resto da comitiva do Príncipe Willie provavelmente estariam na capital até lá.
Depois de derrotar ou congelar os atacantes, Ryo decidiu voltar para onde a carruagem estava. Todos provavelmente haviam escapado com sucesso, então ele duvidava que alguém ainda estivesse lá, mas precisava verificar por via das dúvidas. No entanto, quando se aproximou o suficiente, notou algo estranho.
O Sonar Passivo de Ryo não conseguia detectar entidades imóveis. A razão era porque ele sentia a mudança nos objetos em movimento. De acordo com o feitiço, havia quase nenhum movimento... Ênfase em "quase".
Os atacantes eram o tipo de pessoa que até incinerava cadáveres para não deixar nada para trás, então era improvável que algum deles fosse o sobrevivente. E quanto a Willie e seu grupo?
Ninguém estaria lá se tivessem fugido em segurança. Havia uma chance muito pequena de que pudessem ter deixado a carruagem do príncipe escapar primeiro, deixando os feridos na estrada... Claro, um ato como este não combinava com o caráter do garoto, mas algumas coisas eram inevitáveis em uma emergência.
Além disso, eles estavam viajando pela Segunda Estrada, dita ser a melhor na parte leste do Reino. Então era natural que Ryo assumisse que outras caravanas de mercadores também estariam passando... Na realidade, porém, ninguém queria se envolver em uma disputa, então eles poderiam ter feito vista grossa, especialmente se fossem mercadores que colocavam os lucros em primeiro lugar...
Quando Ryo alcançou o grupo, ele descobriu guarda-costas e aventureiros caídos no chão. Ele procurou por um homem idoso caído e correu para ele quando o encontrou.
— Sr. Rodrigo!
— Mestre Ryo... Sua Alteza... Sua Alteza...
Rodrigo continuava murmurando a mesma coisa incoerentemente, repetidamente.
— Espere. Apenas espere, por favor.
Ryo subiu na carruagem e voltou carregando sua bolsa de ombro de sempre. Dentro havia vários itens, incluindo poções altamente eficientes que ele fizera como parte de sua prática de alquimia e poções padrão compradas em lojas que ele comprara em seu tempo livre. Ele fez Rodrigo beber um frasco de uma de suas poções mais eficazes. Mesmo enquanto o velho lutava para engolir o líquido, Ryo derramou mais poção no corte em seu abdômen. Rodrigo mal conseguiu sobreviver.
Ele seria capaz de se mover um pouco mais agora. No entanto, ele não queria perder tempo esperando para se recuperar, então implorou a Ryo.
— Mestre Ryo... Sua Alteza foi levado... Mestre Ryo... Mesmo que você tenha atraído tantos deles para longe... — ele disse —, mais reforços... vieram depois...
— O quê?!
Ryo tinha sido descuidado. Os cinco na floresta não tinham sido o único grupo na força destacada. Os outros deviam estar posicionados longe o suficiente para que até mesmo seu Sonar Passivo não pudesse detectá-los...
Francamente, ele deveria ter matado todos os vilões que atacavam a carruagem com Cohn e os outros enquanto protegia o Príncipe Willie. Ryo deveria ter sido capaz de lidar com isso com bastante facilidade. Ou, no caso mais extremo, eles poderiam ter entrado na floresta com uma Muralha de Gelo cercando a carruagem para atrair o inimigo. Se tivessem feito isso, então, no mínimo, Sua Alteza não teria sido sequestrado...
Em vez disso, ele ficou obcecado com os cinco na floresta e se separou do grupo para derrubá-los... E este foi o resultado. Ele estava cheio de arrependimento. O sentimento o oprimia e ele sentia que ainda não era punição suficiente.
Enfurecido com sua própria estupidez, Ryo mordeu o lábio. Esta era uma missão de escolta... A coisa mais estúpida que ele poderia ter feito era deixar seu cliente desprotegido. E ele havia feito exatamente isso...
No entanto, ele tinha coisas mais importantes para lidar agora. Ele poderia se afogar em arrependimento mais tarde! Primeiro as coisas primeiro — salvar o Príncipe Willie.
— Mestre Ryo... Por favor, peça ajuda e resgate Sua Alteza...
Então Rodrigo perdeu a consciência. Ele estava respirando. Ele tinha pulso também. Ele ficaria bem.
Ryo examinou seus arredores. Os quatro guarda-costas e seis aventureiros estavam todos se movendo. Será que os vilões priorizaram sequestrar o Príncipe Willie em vez de dar o golpe final no resto do grupo? De acordo com o relato de Willie sobre o incidente com o sósia anterior, não havia sido um massacre naquela época também...
Ele correu para Cohn, fez o homem beber uma super poção e depois derramou mais da poção nas feridas em seu peito e pescoço.
Cohn gemeu baixinho de dor. — Ngh...
— Cohn, você pode me ouvir? Sou eu, Ryo.
Ele mal conseguiu abrir os olhos em frestas estreitas. Ele encarou Ryo. — Ryo... Sinto muito... Sua Alteza...
— Sim, eu ouvi do Sr. Rodrigo. Pelo que posso dizer, todos os outros ainda estão vivos. Vou deixar poções para trás, então, por favor, certifique-se de que todos eles bebam. Vou resgatar o príncipe.
— E-Entendido... — Cohn assentiu fracamente, oprimido pela atitude ameaçadora de Ryo. Ele não se deu ao trabalho de fazer as perguntas que se aglomeravam em sua mente.
— Se eu seguir esta estrada, ela levará a Wingston, certo?
— Sim.
— Vejo você mais tarde, então.
Ryo partiu em uma corrida, indo para o oeste. Nem Rodrigo nem Cohn sabiam para onde o príncipe seria levado. Mas Ryo tinha uma ideia — a sede da Seita dos Assassinos. Como líder da Seita, Sherfi lhe contara sua localização.
— Fica em um pequeno vilarejo no leste — ele dissera —, a cerca de um dia de caminhada ao norte de Wingston, a maior cidade da região. O nome do vilarejo é Aban e está situado no topo de uma montanha.
Mesmo que Willie não estivesse lá, tudo o que Ryo tinha a fazer era perguntar a alguém. Ele havia traçado seu curso claramente.
Para começar, Sua Alteza era o oitavo filho e príncipe de um país pequeno. Honestamente, ele não parecia ter muito valor como refém. Mas ele já havia sido atacado duas vezes, incluindo esta... e pela Seita, nada menos. Seria possível que, como Tokugawa Ieyasu, algum outro país tivesse contratado a organização para sequestrá-lo? Ou o próprio corpo do Príncipe Willie era de alguma forma valioso, o que significava que ele precisava ser capturado vivo...?
Qualquer que fosse o motivo, era obviamente um motivo específico. Nesse caso, seria melhor supor que Willie seria enviado para um membro de alta patente da Seita. E o único lugar próximo que Ryo conseguia pensar onde os chefões se reuniriam era... a sede.