The Water Magician

Volume 3 - Capítulo 5

The Water Magician

Dois dias haviam se passado desde a debandada de monstros e o ataque do grupo de cinco. Desde então, a jornada pela antiga estrada transcorreu sem problemas e a caravana mercante chegou a Llandewi, a segunda maior cidade da parte leste do Reino. Se a Ponte Lowe ainda estivesse funcional, eles teriam levado dois dias de Lune pela Estrada Leste. O desvio pela antiga estrada lhes custou seis dias.

Eles estavam em um grande assentamento pela primeira vez em algum tempo, então foram garantidas acomodações para todos na caravana na Estalagem Rubi, o estabelecimento preferido de Gekko na cidade.

— Faz algum tempo desde que desfrutamos das comodidades de uma estalagem de verdade, então descansem bem. Ah, e por favor, comam o que quiserem na cantina do primeiro andar. Minha loja está cobrindo as despesas com as refeições aqui.

Ryo e os membros da Switchback cerraram os punhos de empolgação com aquelas palavras. A jornada para Aberdeen, a capital do Principado, deveria ser sem paradas. Claro, eles parariam no caminho para descansar, mas não havia planos de negociar ou se envolver em transações comerciais em nenhuma das vilas ou cidades pelo caminho. A prioridade deles era entregar as mercadorias nas carroças o mais rápido possível em Aberdeen.

Foi por isso que Gekko os informou no início que, sempre que parassem em cidades pelo caminho, seria apenas por uma noite. Todos os lugares que haviam visitado até agora eram novos para Ryo. Embora ele quisesse conhecer os pontos turísticos, entendia que não era possível. Afinal, ele estava trabalhando. Então, decidiu que seria mais prático fazer turismo na viagem de volta de Aberdeen para Lune.

No entanto, havia também um espadachim de rank C pouco prático entre eles. Quando Sue, a batedora, descobriu Rah tentando escapar da estalagem, ela o arrastou à força de volta. Ryo não tinha como saber para onde diabos ele estava tentando ir... Mais tarde, porém, Rah ficaria grato a Sue por tê-lo arrastado de volta.

Nos arredores de Llandewi, um grupo de dez — todos vestidos de preto — se reuniu.

— Mestre Sherfi, uma mensagem urgente chegou do quartel-general.

Um dos homens de preto entregou educadamente uma carta.

— O quê? Agora? — disse o homem chamado Sherfi. Franzindo a testa, ele a pegou e leu. — Maldição — ele rosnou baixinho. — O quartel-general é comandado por um bando de imbecis. Suponho que não há o que fazer. Há uma mudança em nosso terceiro objetivo. Devemos assassinar o mercador Gekko durante sua estadia na Estalagem Rubi. Por qualquer meio necessário. Consequentemente, a destruição do bairro dos nobres foi rebaixada para o quarto lugar, que pode ser realizado por qualquer unidade que complete seus objetivos do primeiro ao terceiro.

— Entendido.

Eles conheciam os rostos de todos os que eram próximos aos pilares de poder de cada país. Gekko, como um mercador diretamente empregado pelo governo de Inverey e o civil mais próximo de seu príncipe governante, era um desses pilares, razão pela qual eles já haviam memorizado seu rosto há muito tempo.

Às duas e meia da madrugada, Ryo acordou sobressaltado ao ouvir um estrondo súbito.

— Um terremoto?

Então ele se lembrou de que ainda não havia encontrado um desde que chegou a Phi. De qualquer forma, ele trocou a roupa de dormir fornecida pela estalagem por suas roupas normais, enfiou ambas as facas no cinto, jogou o manto sobre si e abriu a janela para olhar para fora. Ele viu um enorme prédio em chamas.

— Aquela não é a residência do prefeito?

A atmosfera era inquietante. Ele saiu correndo de seu quarto e subiu as escadas. Gekko e seus subordinados, assim como Max e metade do esquadrão de escolta, estavam em quartos no andar de cima. Ao chegar ao patamar, viu Max já no corredor dando ordens.

— Max!

— Ryo, proteja o Mestre Gekko e os outros.

Ele havia conquistado a total confiança de Max com suas ações durante a jornada até agora. Ryo encontrou Gekko e seu pessoal reunidos no maior quarto no final do corredor. Eles devem ter agido rapidamente, pois também já haviam trocado para suas roupas habituais.

— Ryo, ainda bem que você está aqui — disse Gekko. — Parece que algo terrível está acontecendo lá fora.

— Sim. Eu vi a casa do prefeito em chamas da minha janela.

— Isso é ultrajante...

As palavras de Ryo chocaram Gekko. As venezianas das janelas de Gekko estavam fechadas para sua própria proteção, então ele não tinha visto o incêndio consumindo a propriedade do senhor. Independentemente da cidade ou vila, a propriedade de seu senhor tinha as mais rigorosas medidas de segurança. Portanto, o fato de que esta estava em chamas significava que algo tinha dado muito, muito errado.

Durante a breve conversa, outro rugido ecoou lá fora. Parecia ainda maior que o primeiro... Talvez fosse melhor descrevê-lo como uma explosão do que um rugido.

— Com licença.

Ryo se dirigiu à janela no fundo do quarto e espiou pelas venezianas.

— Mestre Gekko, olhando daqui... do lado esquerdo da propriedade do prefeito, há um prédio de pedra de três andares...

— Acho que ali fica a guarnição dos cavaleiros e o arsenal — respondeu Gekko, encarando as expressões preocupadas de seus subordinados. Ele era o epítome de um mercador cuja vida depende de informações, o que fazia sentido, dado seu conhecimento detalhado das cidades de outros países.

— Bem... está menos em chamas e mais... explodindo, suponho...

O falso Michael disse que a pólvora ainda não é comum neste mundo... Mas, de qualquer forma que se olhe, parece uma explosão controlada...

— Parece o efeito do feitiço Tempestade de Fogo usado por magos do fogo? Ou pode ser pólvora negra queimando...

— Você quer dizer... — Ryo hesitou em usar a palavra "pólvora".

— É produzida apenas nesta parte da região leste do Reino e armazenada aqui em Llandewi para segurança... Gah, isso é informação confidencial. Já falei demais.

Então Gekko sorriu.

Ryo não sabia por quê, mas era claro que o mercador queria que ele ouvisse as palavras. — Entre os mercadores, conhecimento realmente é poder, hm?

— Heh heh heh. Você deveria saber que os mercadores não são tão diferentes de agentes de inteligência. O Reino e o Principado são aliados muito próximos, e é precisamente por isso que posso me mover tão livremente em minhas viagens.

Ryo sentiu como se tivesse acabado de vislumbrar as complexidades de ser um mercador.

— Mestre Gekko — disse Max ao entrar apressado. — Incêndios estão surgindo perto da estalagem também. Estaremos em sério perigo se eles se aproximarem mais. Vamos evacuar para fora.

Eles decidiram que levariam apenas o essencial consigo.

— Estejam prontos para sair em quarenta segundos — ordenou Gekko a seus subordinados.

Ryo também pegou apenas sua bolsa de ombro. Tendo guardado todos os seus objetos de valor dentro dela mais cedo, ele já estava pronto para ir.

Fiquei pronto em dez segundos... Assim como o chefe de algum anime...

Ryo ficou genuinamente impressionado consigo mesmo.

— Ryo — disse Max, aproximando-se para sussurrar. — A segurança do Mestre Gekko é sua principal prioridade.

— Se eu disser isso a ele, ele me dirá para priorizar todos os outros, mas se o pior acontecer com ele, nosso país não sobreviverá. Estou contando com você.

Foi tudo o que Max disse antes de sair do quarto para dar ordens ao seu esquadrão.

Assim como eu pensei, ser um mercador é complicado... Ir de um país para o outro como um espião... E ainda por cima, ter o destino de um país inteiro sobre seus ombros...

Com a bolsa nos ombros, Ryo desceu para a sala de recepção mais próxima da entrada do primeiro andar.

— Mestre Gekko, vou construir uma barreira de gelo ao redor de todos. Vou movê-la conforme nos movemos, então certifique-se de que todos aqui se movam em grupo.

— Entendido.

Gekko assentiu, aceitando a responsabilidade.

— Pacote de Muralha de Gelo de 10 Camadas.

Ele criou uma muralha de gelo transparente, multidirecional e de dez camadas. Ryo acreditava que dez camadas seriam suficientes para repelir a maioria dos ataques. Claro, não aguentaria poder de fogo no nível de Leonore, a akuma, mas... ela era uma exceção. Pelo menos resistiu à ofensiva lançada pelo grande ou seja lá o que for Mago do Inferno — mesmo que não tenha sido perfeito!

O caos reinava do lado de fora da estalagem. Nem mesmo o Sonar Passivo de Ryo se sairia bem nesta comoção... porque tanto as pessoas quanto o ar estavam se movendo demais. Portanto, uma Muralha de Gelo era necessária para garantir a segurança deles. Como diz o ditado, mais vale prevenir do que remediar.

Com Max liderando o caminho, o esquadrão de escolta garantiu o caminho à frente para Gekko e os outros. Uma praça pública se estendia em frente à Estalagem Rubi. Não apenas os hóspedes da estalagem se reuniram ali, mas também os moradores da cidade, como um ponto de evacuação.

Gekko e os outros se moveram em grupo em direção a um canto da praça. As coisas estavam começando a se acalmar quando—

Klang.

Do nada, uma faca voou direto na garganta de Gekko... apenas para ricochetear na Muralha de Gelo de Ryo e cair no chão.

Ryo olhou para de onde a arma tinha vindo e viu alguém nas sombras de um beco entre os prédios. Três pessoas, na verdade. Eles estavam a aproximadamente vinte metros de distância. Uma distância que sua magia definitivamente poderia percorrer.

— Caixão de Gelo 3.

Da última vez, quando ele tentou conter um deles usando Prisão de Gelo, a pessoa foi silenciada para sempre e seus companheiros tentaram incinerar o corpo. Se o inimigo desta vez era da mesma facção, era razoável supor que eles tomariam as mesmas medidas. Nesse caso, ele poderia muito bem envolvê-los todos em gelo desde o início. Uma avaliação e plano improvisados típicos de Ryo...

Nesse ponto, Max e três de seus homens correram em direção às sombras onde os vilões se escondiam.

— Uau.

Um grito suave de surpresa. Embora Max já tivesse visto o Caixão de Gelo de Ryo uma vez, qualquer um ficaria assustado ao ver três obras de arte congeladas no meio de uma rua da cidade.

Ryo se juntou a eles.

— Ryo...

— Sim, tentei capturá-los antes que fossem queimados.

Ele assentiu com firmeza, confirmando a suspeita não dita de Max.

— Dito isso... qual é o nosso próximo passo? Duvido que esses três sejam os únicos que se infiltraram na cidade.

— Bom ponto. Já que esses caras falharam, então seus outros companheiros provavelmente virão atrás de nós em seguida, hein... Não é como se eu pudesse interrogá-los dado o estado deles. Deveríamos simplesmente deixá-los aqui? Os outros não conseguiram quebrar seu gelo alguns dias atrás. Podemos pegá-los depois que tudo acabar.

Aparentemente, Max também gostava de improvisar.

— Há uma chance de seus companheiros virem procurá-los antes de terminarmos — disse Ryo, seu sorriso repentino em desacordo com suas palavras. — Se o fizerem, vou capturá-los também.

— Quanto ao nosso quarto objetivo de destruir o bairro dos nobres... Bem, isso deve ser suficiente. Estimo que matamos metade deles. Hm? — Sherfi de repente notou que três de seus homens estavam faltando. Ele se virou para o capitão da primeira unidade que estava por perto. — Ei, onde está a terceira unidade?

— Eles ainda não retornaram.

— O quê? O que diabos eles estão fazendo? Assassinar um mercador deveria ser fácil.

Então ele percebeu algo.

Nenhum deles voltou ainda? Isso é estranho. Não achei que fosse possível que todos os três fossem derrotados, mas... talvez haja alguém absurdamente poderoso entre os guarda-costas? Ahhh, merda. É isso que acontece quando nossos alvos são mudados no último minuto! Malditos imbecis do quartel-general...

Sherfi soltou uma ladainha de maldições em sua mente, o que o ajudou a se acalmar.

— Por enquanto, vamos verificar a área ao redor de Gekko.

— O que diabos é isso... —

Três prismas quadrangulares estavam em uma das avenidas que levavam à praça onde Gekko e seu grupo estavam. Os homens de Sherfi estavam dentro deles.

Será que as pessoas são capazes de realizar tal feito...? Lembro-me de ter ouvido uma vez que, da mesma forma que um mago do fogo não pode queimar um oponente por combustão interna, os magos da água não podem envolver seus oponentes inteiramente em gelo. Será que isso é obra de algum tipo de item poderoso? O fato de haver pessoas dentro significa que não será fácil quebrar o gelo, certo? Mas não posso simplesmente deixá-los aí...

Sherfi observava de um local a alguma distância de seus subordinados congelados, usando o caos da situação para se manter escondido... Enquanto ele se preocupava com suas próximas ações, um aplauso coletivo surgiu perto do portão da cidade.

— O retorno triunfante do vice-comandante, eh?

Ele murmurou as palavras com um pequeno sorriso antes de ele e os seis subordinados que o acompanhavam partirem.

Cerca de quarenta cavaleiros chegaram à praça pública onde Gekko e seu grupo esperavam.

— Este é Sua Excelência Baldwin, vice-comandante da ordem de cavaleiros de Llandewi — disse um dos cavaleiros. — Suponho que você seja Gekko, o mercador do Principado de Inverey? Recebemos um relatório de que você e os seus prenderam indivíduos suspeitos. Doravante, nós, cavaleiros, investigaremos o assunto, por isso solicitamos que nos entreguem os suspeitos imediatamente.

— O qu... Quem diabos você—

Antes que a voz de Max se elevasse mais, Gekko o deteve com a mão. E então...

— Então é assim que eles pretendem lidar com a situação? — Gekko sussurrou, sua voz tão baixa que ninguém ouviu, exceto Ryo, que estava ao seu lado.

— Obrigado por seus serviços — ele continuou. — Eu sou de fato Gekko. Os suspeitos estão naquele beco ali. Vou levá-los até eles. Max, Ryo, por favor, acompanhem-me.

Ele começou a caminhar em direção à rua que havia indicado.

Liberação Limitada da Muralha de Gelo de 10 Camadas. Armadura de Gelo.

Ryo aplicou seu feitiço de Armadura de Gelo em Gekko, por precaução. Embora sua capacidade defensiva não fosse tão alta quanto a da Muralha de Gelo, era boa o suficiente para se defender de facas de arremesso e coisas do tipo.

— Certo, aqui estamos. — Gekko apontou para três pilares de gelo.

— O que diabos é isso... — tanto o cavaleiro que havia falado antes quanto o Vice-Comandante Baldwin murmuraram em uníssono, atordoados pela visão.

— Um dos meus acompanhantes os capturou nesses caixões de gelo. Por favor, espere um momento.

— S-Sim, claro. Um feito louvável. Farei questão de me lembrar da ajuda do seu pessoal neste assunto — comentou o Vice-Comandante Baldwin com um aceno magnânimo.

— Então, tenho permissão para dissipar o feitiço? — perguntou Ryo ao grupo em geral.

— De fato — respondeu Baldwin.

— Desate seus membros. Caixão de Gelo, Liberar.

De sua maneira usualmente improvisada, Ryo entoou o encantamento improvisado e os Caixões de Gelo que envolviam os três desapareceram. Os indivíduos desabaram no chão.

— E-Eles estão vivos? — perguntou Baldwin.

— Estão — respondeu Ryo à sua maneira educada — e é por isso que recomendo fortemente contê-los com algemas ou algo semelhante.

O vice-comandante instruiu seus subordinados a fazerem exatamente isso e os cavaleiros levaram os três, com as mãos e os pés acorrentados, para um veículo de transporte de prisioneiros.

— Mestre Gekko, quando você planeja deixar a cidade?

— Amanhã de manhã — Gekko respondeu claramente à pergunta de Baldwin.

— É mesmo? Meus cavaleiros e eu assumiremos o interrogatório desses três. Por favor, tome cuidado em sua jornada.

— Obrigado por sua consideração.

Então Gekko curvou-se profundamente, após o que a ordem de cavaleiros se dirigiu para sua guarnição incendiada.

— Mestre Gekko, eles não são...

— Sim, com toda a probabilidade, eles estão ligados a quem quer que esteja por trás dessa confusão.

— Então por quê?! — Max respondeu furiosamente à observação calma de Gekko.

— Max, não julgue mal a gravidade da situação. Nossa primeira prioridade deve ser a segurança de nossa companhia. O comércio vem em seguida. E todo o resto vem depois disso. Agora que Lorde Baldwin está de olho em nós, qualquer erro de nossa parte arrisca colocar em perigo as pessoas sob nosso comando. Deixando de lado tudo o que ocorreu até ontem, se considerarmos o estado da residência do prefeito, duvido muito que Sua Senhoria e o comandante dos cavaleiros estejam vivos e bem. Isso significa que, no momento, Lorde Baldwin é a pessoa mais poderosa nesta cidade. Portanto, devemos deixar este lugar antes que possam nos ferir fisicamente.

Então Gekko se virou para Ryo e inclinou a cabeça.

— Peço sinceras desculpas por entregar as testemunhas que você capturou sem sua permissão, Ryo. Mas espero que você entenda que foi necessário para proteger meu pessoal.

— Claro. Por favor, não se preocupe comigo. Acho maravilhoso que você esteja priorizando a segurança de seus funcionários — disse Ryo com um aceno firme.

— Muito obrigado. — Gekko sorriu e inclinou a cabeça mais uma vez.

Na manhã seguinte. Os incêndios felizmente pouparam a Estalagem Rubi, onde o grupo acordou cedo, tomou café da manhã e depois partiu da cidade de Llandewi antes do nascer do sol.

— Chegaremos a Halwill em três dias, e três dias depois chegaremos a Redpost, na fronteira do país — disse Rah, imaginando um mapa mental.

— Supondo que as coisas corram como planejado, hm? — Ryo gracejou.

— Ryo, não nos dê azar... — disse ele com uma carranca.

Na noite anterior, Sue havia interceptado Rah quando ele tentou sair furtivamente da estalagem. Graças à sua interferência, ele pôde fazer seu trabalho como parte da equipe de Gekko durante o caos da madrugada, então tudo está bem quando acaba bem. Mas se Sue não o tivesse pego... ele nem queria pensar no que poderia ter acontecido com ele.

Foi por isso que, para expressar sua gratidão, Rah, o espadachim, deu livremente a sobremesa — frutas — de seu próprio café da manhã para Sue, a batedora... pelo menos de acordo com os registros oficiais da Switchback. Na realidade, ele lhe deu o prato com os olhos marejados.

— Estaremos viajando parte da Estrada Leste para chegar a Redpost de Llandewi. A estrada é uma das mais importantes do Reino, então eu não acho que algo estranho vá acontecer... Não, esqueça isso. Nada vai acontecer. Definitivamente não... Não deveria acontecer... Caramba, espero que nada de ruim aconteça...

A voz de Rah foi ficando cada vez mais baixa enquanto ele expressava fervorosamente seu desejo, terminando em um murmúrio no final.

O primeiro dia após a partida passou sem incidentes. E então, na manhã do segundo dia, assim que estavam prestes a chegar ao local que haviam designado para a pausa do almoço, Ryo de repente entrou em ação.

— Rah, inimigos estão se aproximando pela frente. Vou informar Max.

Ele nem esperou a reação de Rah antes de correr em direção à frente da caravana. Gekko e um jovem mago da água sentavam-se no assento do cocheiro da carroça da frente, enquanto Max e três de seus subordinados caminhavam, cercando o veículo.

— Max, há um grupo de pessoas à frente. Inclui os três que capturamos em Llandewi.

— O quê?!

— Você tem certeza, Ryo?

Em contraste com o choque de Max, a pergunta de Gekko soou calma.

— Quando os liberamos, implantei um transmissor... uhm, água em seus umbigos que me alertaria se estivessem por perto. Acabei de receber o sinal agora e eles estão se aproximando pela frente. A velocidade deles é bastante lenta... Eu diria que é mais ou menos a mesma da nossa caravana.

— Mestre Gekko, eles podem estar fingindo ser uma caravana. É um truque comum entre bandidos e outros vilões.

— Eu mesmo já ouvi falar de táticas assim. Certo, então. Vamos fingir que estamos descansando naquele leito de rio seco. Isso facilitará para nós lidarmos com eles, em vez de se estivéssemos passando pela estrada.

Após a sugestão de Gekko, Max deu a ordem e a caravana mercante desceu para o leito do rio. Gekko, seus subordinados e as carroças se agruparam enquanto os guarda-costas sentavam-se casualmente ao redor deles, fazendo parecer que estavam fazendo uma pausa.

— Pacote de Muralha de Gelo de 10 Camadas.

Naturalmente, Ryo fazia parte do grupo que cercava os civis e construiu uma Muralha de Gelo ao redor deles para proteção. A essa altura, Gekko e sua equipe já estavam bastante acostumados a serem cercados pela barreira defensiva de Ryo, considerando quantas vezes ele a havia criado até então.

— Dez pessoas estão se aproximando de nós. Esse número inclui aqueles três — sussurrou Ryo para Max, que estava no comando por perto.

— Entendido.

Max caminhou pelo perímetro onde achava que seria a linha de frente e deu instruções detalhadas.

Vinte minutos depois que a caravana de Gekko desceu para o leito seco do rio, o grupo de dez que Ryo havia detectado passou. Quatro pessoas sentavam-se nos assentos dos cocheiros de duas carroças, duas em cada, e quatro acompanhantes os acompanhavam a pé.

Significa que os dois restantes estão dentro das carroças...

Com isso em mente, Ryo concentrou sua atenção nos dez... mas certificou-se de não olhá-los diretamente.

Foi mais ou menos na hora em que os vilões esperavam interceptar a caravana de Gekko que o homem percebeu que seu alvo havia descido para o leito do rio. Em suma, eles foram antecipados... Pelo menos foi o que Ryo deduziu da expressão do homem sentado no assento do cocheiro da carroça da frente. Claro, muito disso era imaginação de Ryo.

No entanto, ele tinha quase certeza de que ouviu o homem estalar a língua baixinho em frustração. E então ele teve certeza de que ouviu as palavras: "Acho que não temos escolha" logo depois. Simultaneamente, os quatro sentados nos assentos dos cocheiros arremessaram algo no espaço entre eles e o grupo de Gekko. Rolou no chão, levantando uma nuvem de fumaça branca.

— Veneno...? Não, não pode ser, já que afetaria eles também. Então deve ser uma cortina de fumaça!

Assim que chegou a essa conclusão, Ryo respondeu com a magia que costumava empregar nessas situações.

— Rajada de Chuva.

Uma chuva torrencial inundou instantaneamente a área e desapareceu tão rapidamente quanto surgiu. A chuva fez a fumaça descer para o chão, onde se espalhou pela superfície. Quaisquer ataques escondidos na névoa branca foram instantaneamente anulados. Infelizmente para eles, os atacantes já haviam saltado de suas carroças para avançar em direção ao leito do rio.

— O quê...?! Droga, a fumaça desapareceu em um instante.

Sherfi, o líder dos agressores, ficou chocado. A fumaça era seu item especial que criava uma cortina de fumaça muito espessa mesmo ao ar livre. Em certo sentido, era um método de ataque mortal que eles haviam usado com grande efeito até agora — mas a chuva repentina o tornou inútil. Mas eles já estavam correndo em direção à caravana mercante, então era tarde demais para recuar. Então a luta começou.

— Onde está Gekko... Ali está ele!

Sherfi examinou seus arredores e quase imediatamente avistou o rosto de Gekko entre a multidão de pessoas. Então ele ergueu a lança em sua mão direita bem acima da cabeça e a arremessou com toda a sua força.

Klang.

Antes mesmo de alcançar o mercador, a lança atingiu algo invisível, que a repeliu com um som alto.

— Uma Barreira Física? Desgraçados.

Amaldiçoando, ele correu em direção a Gekko. Nem é preciso dizer que os guardas de Gekko não simplesmente deixariam o homem fazer o que quisesse. Eles mantiveram suas espadas prontas enquanto Sherfi avançava em direção ao seu empregador. No entanto, Sherfi não parou de correr, desviando de espadas e cortando os braços estendidos enquanto corria. Pelo canto do olho, ele podia ver seus homens sendo derrubados um por um.

Como eles são tão fortes? Isso não estava no relatório!

Antes de chegarem à cidade de Lune, o grupo de Gekko havia sido atacado inúmeras vezes por outros. Foi assim que perderam cinco membros de sua unidade de escolta. Nada no relatório sobre o incidente mencionava que eles eram tão poderosos. Os responsáveis por derrotar os subordinados de Sherfi eram os guarda-costas de elite, liderados por Max, e a Switchback, liderada por Rah. Deixando Max de lado, não era de se espantar que a Switchback não tivesse sido mencionada no relatório, pois eles eram de Lune.

Em meio a toda a comoção, Sherfi finalmente chegou a uma distância de menos de vinte metros de Gekko. Ali, ele pegou a bolsa do tamanho de uma bola de vôlei pendurada em sua cintura com a mão direita e acendeu o pavio que se estendia dela com o estopim aceso em sua mão esquerda, que ele segurava o tempo todo para evitar que se apagasse.

— Hora de você encontrar seu criador!

Então ele atirou a bolsa em Gekko. Mesmo que uma Barreira Física estivesse no lugar, esta Bolsa-Bomba especial sem dúvida a destruiria.

— É um dispositivo feito especialmente contra o qual você não tem recurso. Agora, morra. Não leve para o lado pessoal.

Sherfi desistiu de escapar e cruzou os braços sobre o rosto para protegê-lo da explosão iminente, depois observou a trajetória da Bolsa-Bomba naquela posição defensiva. O objeto voou infalivelmente em direção a Gekko em um arco e então... antes que pudesse colidir com a parede que bloqueou sua lança, o gelo envolveu a Bolsa-Bomba, momento em que ela bateu na barreira invisível e caiu no chão.

— ...Hã?

O som estupefato escapou involuntariamente de sua boca. A Bolsa-Bomba congelada, com o pavio apagado, rolou inutilmente no chão.

— Gelo...?

Sherfi caiu de joelhos e segurou a cabeça entre as mãos. Mas ele imediatamente levantou a cabeça mais uma vez e gritou.

— Eu me rendo! Eu me rendo!

Ele jogou fora a faca em seu cinto, bem como o estopim aceso em sua mão esquerda, antes de levantar ambas as mãos para mostrar sua falta de resistência.

— Você o quê? Você está mesmo se rendendo? — Gün, o batedor, soltou. Ele estava se aproximando de Sherfi por trás.

— Sim, estou. Você não encontrará mais oposição de minha parte. Gekko, poupe minha vida e eu lhe fornecerei informações úteis.

As palavras do vilão fizeram Gün hesitar. Nesse ponto, todos os outros atacantes, exceto ele, estavam mortos. Tendo falhado em seu ataque, seu único pingo de esperança era implorar por sua vida, uma tática que não era... inédita.

— Pacote de Muralha de Gelo de 10 Camadas.

Imediatamente após a voz falar, uma parede transparente de gelo se formou ao redor de Sherfi.

— Agora, mesmo que ele tente se explodir, não sofreremos nenhum dano. Estamos seguros por enquanto.

Claro que era Ryo. Ele falou alto de propósito, para que todos ao redor, incluindo Sherfi, o ouvissem.

— Ha ha... Usar gelo é golpe baixo, não acha? — Sherfi cuspiu as palavras.

— Irônico para um assassino reclamar da justiça de minhas táticas, não acha? — Ryo retrucou com a mesma acidez.

Max e Rah se aproximaram dos dois.

— Odeio te desapontar, mas matamos todos os seus homens no momento em que você se rendeu.

— Sim, bem... eles eram úteis, embora não haja muito que eu possa fazer sobre isso agora. O sacrifício deles me permitiu chegar perto o suficiente para jogar a Bolsa-Bomba. No entanto, no final, não consegui desferir o golpe decisivo — respondeu Sherfi com um aceno de cabeça.

Enquanto os dois conversavam, Ryo pegou a Bolsa-Bomba congelada que estava no chão e a examinou.

Hm... Já que ele chamou isso de Bolsa-Bomba, estou assumindo que explode, certo... Felizmente, o pavio que ele acendeu com o cordel detonante está apagado... Não sei o que vai acontecer se eu continuar mexendo nisso, então acho que vou deixar quieto para garantir.

E com isso, ele entregou o objeto a Rah.

— Hã? Ryo? — questionou Rah, confuso sobre por que ele havia recebido a Bolsa-Bomba.

— Não se preocupe, está congelado. Não vai explodir — respondeu Ryo, sua resposta não sendo resposta alguma. Eles certamente não estavam na mesma sintonia.

— Vai ficar tudo bem, de verdade. Por favor, confie em mim.

— Ok, você diz isso, mas por que você está se afastando, Ryo...

Durante toda a troca de palavras, Max não disse nada. Ele simplesmente encarou Sherfi.

Depois de algum tempo, Gekko caminhou em direção a eles.

— Bom trabalho, pessoal. Estamos cuidando dos feridos agora. Felizmente para nós, não temos mortes ou ferimentos graves, então devemos conseguir nos virar apenas com poções.

Então ele olhou para Sherfi, que ainda estava cercado pela Muralha de Gelo de Ryo.

— Então você é o líder dos invasores, aquele que se rendeu?

— Sim. Meu nome é Sherfi.

Gekko continuou a encarar Sherfi impassivelmente, enquanto o outro homem, ajoelhado no chão, olhava de volta para ele sem piscar.

— Você nos atacou pronto para morrer, mas no final você capitula? Francamente, acho isso difícil de acreditar — disse Gekko de forma objetiva, com a expressão inalterada.

— Bem... suponho que não me surpreende ouvir você dizer isso... Mas pense do meu ponto de vista. É impossível para mim te matar como as coisas estão. Por outro lado, deixei todos os meus subordinados morrerem e nossa emboscada falhou. Mesmo que eu voltasse, meus superiores me forçariam a assumir a responsabilidade, então não vejo outro futuro para mim a não ser a morte. Uma coisa é morrer pelo bem da minha missão, mas outra completamente diferente é morrer em vão porque meus superiores exigem.

— Hmmm... — Gekko apenas murmurou em resposta, como se ponderasse a situação. Então, um minuto depois: — Certo. Embora eu não possa confiar totalmente em você, por enquanto, aceitarei sua explicação e podemos partir daí... — Ele fez uma pausa significativa. — No entanto, você deve estar bem ciente de que foras da lei e afins são executados no local, mesmo que se rendam, sim?

— Eu sei. Mas não sou um fora da lei. Sou um assassino. Além disso, tenho informações que você achará desejáveis. Se você poupar minha vida, estou preparado para dá-las a você.

— Você tem um exemplo dessa tal informação?

— Eu lhe darei uma depois que você concordar em me deixar viver.

Gekko inclinou a cabeça, pensativo. — Você me colocou em uma posição difícil, já que não consigo determinar se a informação em sua posse vale a pena salvar sua vida... Ryo, afinal não posso confiar nesta pessoa, então, por favor, congele-o.

— Como desejar.

Então Ryo começou a entoar.

— Pelas leis do céu e da terra e pela vontade do Criador de todas as coisas que preenchem este mundo, ó Deusa cintilante do Gelo, eu te ofereço este tolo desafiador...

— E-Espere, espere, espere!

— Deite-se no caixão além para o sono eterno...

— Droga, cara, eu te disse para esperar! Vou te dizer por que tentamos destruir Llandewi!

Ao grito de pânico de Sherfi, Gekko finalmente sinalizou para Ryo parar.

— Você tem trinta segundos.

— Tudo bem, eu entendo. A destruição da cidade foi projetada para paralisar a parte oriental do Reino de Knightley.

Todos, incluindo Ryo, ofegaram de surpresa. Nenhum deles esperava um anúncio tão bombástico...

— Agradeço sua resposta sucinta. Então posso presumir que você e seu povo derrubaram a Ponte Lowe pelo mesmo motivo?

— Sim. Além disso, não sei se você já está ciente, mas também estivemos envolvidos na morte do Duque de Shrewsbury. Nossas operações na parte oriental do Reino apenas começaram. Este foi apenas o começo do que levará anos para ser realizado. Como não fui informado do quadro completo, isso é tudo que posso lhe dizer sobre nossa parte da missão.

Gekko suspirou. — Eu tinha minhas dúvidas sobre a situação do duque e parece que eu estava certo... Bem, não faria mal informar o Mestre McGlass sobre isso, especialmente porque isso o colocará em dívida comigo — ele murmurou, sua voz tão baixa que quase parecia que estava falando consigo mesmo.

— Que outras informações você tem então?

— Espere aí. Primeiro, quero que você garanta que vai poupar minha vida. Assim que o fizer, ficarei mais do que feliz em lhe contar tudo o que sei. Não é como se eu tivesse mais alguma coisa de valor agora.

— Certo. Considere feito. Em meu nome, garanto sua vida. Naturalmente, isso é nulo no instante em que você se comportar de forma suspeita. Confio que temos um entendimento?

— Sim. Agradeço. — Sherfi assentiu aliviado antes de continuar. — E, bem... é difícil para mim dizer isso, mas tenho um favor a pedir.

Seu tom tornou-se constrangido e ele desviou o olhar do de Gekko.

— Você não está em posição de negociar! — Max, silencioso até então, rosnou para Sherfi.

— Eu sei! Eu sei, tudo bem?! Mesmo assim... não tenho escolha. Afinal, preciso continuar vivo para que você possa me usar, sim? Mas, a este ritmo, vou morrer.

— O que diabos isso significa?!

Embora Max tenha sido o único a gritar, as palavras de Sherfi surpreenderam a todos ali.

— A Seita... é como chamamos a organização a que pertencemos. Eles nos amaldiçoam para nos impedir de traí-los. Se os trairmos, morremos.

— Então, presumo que seu favor tem a ver com desfazer a maldição se quisermos informações?

— Correto. — Sherfi assentiu.

— Mais fácil falar do que fazer. Precisamos de mais detalhes sobre essa maldição se quisermos nos livrar dela.

— Eu mesmo não tenho noção de como ela se ativa, ou se é a própria maldição, magia ou outra coisa. Um dos líderes mencionou que a alquimia também está envolvida.

— Alquimia?!

A voz de Ryo subiu inconscientemente de empolgação com o uso da palavra por Sherfi. Alquimia, a coisa que recentemente se tornou seu passatempo favorito! Talvez, então, não fosse de se admirar que ele reagisse da maneira que reagiu quando o assunto surgiu.

— Um brasão é tatuado em nossos peitos. Dele, uma lança de pedra surge e perfura diretamente o coração, levando à morte. Eu pessoalmente testemunhei o fenômeno duas vezes, então sei que estou certo.

Todos permaneceram em silêncio por vários longos momentos depois que Sherfi terminou de falar.

Max quebrou o silêncio primeiro: — Então, ou apaga a tatuagem ou a arranca, pele e tudo. É a isso que se resume, certo?

— E-Espere! Se você for seguir o segundo caminho, precisará de um clérigo de alto escalão à disposição para me curar imediatamente.

— É por isso que você se rendeu, não é?

— Sim... não posso negar isso.

Se você quer fechar uma ferida, o feitiço de Cura de qualquer sacerdote fará o trabalho. Não importa quão profunda seja a ferida, lançar Cura repetidamente reparará o dano. No entanto, para feridas em que a vítima perdeu grandes pedaços de carne e tecido muscular, Cura Extra era a magia mínima necessária para regenerar o corpo. E dependendo da extensão do dano, precisaria ser lançada várias vezes. Apenas sacerdotes e sacerdotisas de alto escalão eram capazes dessa façanha.

Mesmo em grandes cidades, você só conseguiria encontrar um ou dois clérigos tão poderosos... e a maioria das pessoas não tinha os contatos para pedir sua ajuda. As "doações" necessárias para incentivá-los a realizar tal magia eram consideráveis — mais do que até mesmo nobres de baixo escalão poderiam pagar.

— Não há ninguém poderoso o suficiente em Halwill, o que deixa apenas Redpost como uma possibilidade... — murmurou Max.

— Infelizmente, o Hierarca Jariga de Redpost está na capital real no momento, então isso será impossível — respondeu Gekko.

— Inacreditável...

Para surpresa de ninguém, Sherfi parecia claramente deprimido com a notícia. Era natural. Apesar de a rendição ser sua única opção, tudo se resumia a nada se a maldição não fosse removida rapidamente o suficiente.

Gekko se virou para Ryo, que havia caído em um silêncio pensativo após seu grito excitado de "Alquimia?!".

— Ryo, suponho que seria pedir demais um feitiço de magia da água adequado para esta ocasião?

Ficou claro que o mercador não esperava uma solução conveniente de Ryo.

— Bem, de certa forma, sim, mas... pode haver um método que eu poderia utilizar para proteger o coração dele temporariamente. Se você não tiver outras ideias, não custa tentar...

— Então um feitiço?!

O tom de Gekko mudou no momento em que Ryo falou. Isso fez Ryo perceber o quanto ele realmente queria salvar a vida do assassino. O fato de ele querer usar até mesmo um ex-assassino como capital humano... Ryo ficou mais uma vez impressionado. O homem era um mercador de corpo e alma. A admiração de Ryo era clara em sua voz quando ele lhe respondeu.

— Simplificando, significa cobrir o coração com uma membrana de gelo para bloquear a lança que emerge da tatuagem. Ou eu poderia cobrir a própria tatuagem com a membrana de gelo, de modo que, mesmo que a lança surja, ela não alcance o coração...

— Entendi!

Então Gekko ponderou a explicação de Ryo por vários minutos, balançando a cabeça e murmurando para si mesmo.

— Hum... com licença... mas uma membrana de gelo... Eu... Isso não é frio? Isso não pararia meu coração?

O único que não estava convencido era Sherfi, o potencial cobaia. Não, talvez ele simplesmente não quisesse entender...

Três dias após partirem de Llandewi.

Se as coisas corressem bem, eles chegariam a Halwill antes do anoitecer. Após sua rendição, Sherfi foi posicionado no centro da caravana com Ryo e Rah.

Ele não tinha certeza de como se sentia sobre a membrana de gelo ao redor de seu coração, mesmo que fosse para protegê-lo da tatuagem amaldiçoada. Por consideração ao assassino, Gekko decidira que seria melhor para Ryo, o criador da membrana, permanecer por perto. Claro, a consideração do mercador nem sempre funcionava a favor de Sherfi.

Por exemplo... Neste momento, ele estava andando com os próprios pés. Mas suas mãos estavam atrás das costas, com a virilha, a cintura e o pescoço cobertos de gelo. De longe, parecia que ele havia sido empalado em um pilar de gelo. Ryo havia tomado essas medidas para limitar sua liberdade e garantir que ele não pudesse se envolver em nenhuma vilania.

— Ei... Ryo. Você não pode fazer algo sobre essas restrições de gelo? Não é só pela aparência também. Ter meus braços tão perto do meu corpo o tempo todo torna difícil me equilibrar quando ando. Sinto-me sempre à beira de cair — Sherfi lamentou.

— Ha! Quantas vezes você já se repetiu? — resmungou Ryo. — Você deveria saber melhor do que ninguém o quão perigoso seria deixar as mãos de um assassino livres. Não é como se eu estivesse fazendo isso porque quero. Estou fazendo isso porque preciso. Porque a verdade é que eu quero cobrir suas pernas e seu rosto — na verdade, apenas sua boca — com gelo. Assassinos usam todo o corpo como armas, sem mencionar todas as armas ocultas.

— Concordo — acrescentou Rah. — Então o fato de nós termos que andar ao lado de alguém tão perigoso... é apenas a prova de quão perigoso é ser um aventureiro, caramba.

— Mas vocês confiscaram todas as minhas armas... Além disso, vocês não imaginam como é frustrante não poder coçar a cabeça ou o nariz quando começa a coçar.

— Pelo amor de Deus, você é um pé no saco...

Com esse comentário, Ryo usou magia da água para criar uma máscara de gelo que cobria toda a cabeça de Sherfi e a conectou à camisa de força de gelo que se estendia até o pescoço. Então, após mais alguns ajustes finos, ele falou.

— Certo, está feito. Assim, você poderá coçar o topo da cabeça apenas movendo um pouco o dedo indicador direito. Movendo um pouco o dedo indicador esquerdo, você pode coçar a ponte do nariz. Agora você pode coçar à vontade mesmo com os braços presos. Não está feliz? Por favor, seja grato.

— Incrível... Completamente inútil, mas incrível... — murmurou Rah, surpreso, enquanto observava a cena inacreditável ao lado deles. Como sua boca também estava coberta pela máscara de gelo, Sherfi não pôde dizer uma palavra de agradecimento nem de protesto...

À noite, eles chegaram ao portão da cidade de Halwill. Ryo dissipou a máscara de gelo de Sherfi porque até ele achou que era um pouco demais fazê-lo entrar na cidade daquele jeito.

— Por favor, aguente um pouco, mesmo que sua cabeça e nariz comecem a coçar — disse Ryo gentilmente.

— Não é essa a questão! Eu não preciso dessa ridícula máscara de gelo! — Sherfi gritou com raiva, no entanto.

Ryo estava bastante orgulhoso de sua máscara de gelo, mas aparentemente, Sherfi não havia gostado dela.

— Eu me esforcei tanto também... Talvez eu devesse ter feito o design um pouco mais moderno, dado alguns toques artísticos contemporâneos... Se algo é obviamente uma máscara, será subestimado do ponto de vista artístico. Mas talvez isso seja inevitável.

— É, não acho que esse seja o problema, Ryo — comentou Rah calmamente em resposta à autoflagelação deprimida de Ryo e às ideias para compensar seu fracasso no futuro.

— Você se acha muito esperto, Ryo — Sherfi, furioso, praguejou contra Ryo. — Não vou esquecer isso.

— Certo, já que você claramente não gostou da máscara, farei questão de que você descanse em um dos meus caixões de gelo enquanto estivermos aqui. Acho que vou pedir à cidade para exibi-lo como uma obra de arte congelada.

— Por favor... perdoe-me, Mestre Ryo. Eu estava errado. Qualquer coisa menos isso, eu imploro.

Sherfi, tendo visto seus três subordinados envoltos em gelo, sinceramente queria evitar o mesmo destino. Estar no meio de uma cidade, ainda por cima, só piorava a situação, e foi por isso que ele rapidamente reconheceu seu próprio erro.

Graças à mediação de Gekko, Ryo também tirou a camisa de força de gelo. Quando entraram em Halwill, ele parecia apenas mais um membro da caravana mercante. Quanto à sua identidade, Gekko o registrou como um dos cinco guarda-costas que havia perdido na jornada para Lune. Embora a expressão de Max tenha sido complicada durante o procedimento de entrada, ele não disse nada, apenas seguindo as ordens de Gekko. Porque até Max entendia que este era o melhor curso de ação.

A estalagem de escolha de Gekko nesta cidade chamava-se O Riacho da Montanha. Embora Halwill não fosse um grande centro comercial como outros lugares no Reino, ainda era uma cidade que conectava Llandewi, a segunda maior cidade da parte leste do país, e Redpost, a cidade em sua fronteira. Muitos mercadores e aventureiros passavam por ali em suas jornadas, o que explicava por que tinha tantos estabelecimentos de hospedagem.

Entre todos esses hotéis, O Riacho da Montanha estava um nível acima dos demais. Tanto sua popularidade quanto seu preço eram incrivelmente altos. Três deles estavam atualmente no refeitório da estalagem.

— Não acredito que um assassino possa ficar em um lugar tão chique... — disse Ryo, sua voz alta demais para ser um murmúrio.

— Como diabos eu devo responder a isso...? — retrucou Sherfi com uma carranca.

— Ryo, não se engane — disse Rah, atiçando deliberadamente o fogo. — Este assassino parece ter mudado de opinião sobre seu estilo de vida, então deveríamos chamá-lo de ex-assassino.

— Sabe, eu não tinha pensado nisso dessa forma, Rah. Você é tão esperto. Falando em corações, poderíamos extrair o dele rapidamente...

— Pare com isso — disse Sherfi. — Já tive o suficiente de vocês dois.

Ryo começou a pensar que talvez tivesse exagerado um pouco.

Dado que um assassino era um assassino em massa que havia matado inúmeras pessoas, a maioria das pessoas tinha dificuldade em aceitar tais pessoas sem preconceito. Não era uma questão de lógica, mas de emoção. Então, talvez as suspeitas das pessoas surgissem naturalmente ao lidar com assassinos, como estava acontecendo com Ryo agora.

Pelo contrário, era mais incomum aceitar um assassino e tentar usá-lo como recurso humano, como Gekko, o mercador... Isso poderia ser atribuído à extensão de seu talento como mercador ou à sua tremenda capacidade como ser humano...?

Quando pensou nisso, Ryo decidiu que faria o seu melhor para imitar Gekko. Chega de rejeitar incondicionalmente o assassino à sua frente... Primeiro, ele o utilizaria como uma ferramenta humana. Não, até mesmo isso parecia demais, então ele o usaria como combustível para seu próprio crescimento...

— Sherfi, talvez eu tenha exagerado. Me desculpe.

— O que você está aprontando desta vez...?

Mesmo que Ryo se desculpasse sinceramente, Sherfi o encarou com desconfiança. Não era para menos, à luz do mau tratamento de Ryo até agora... No entanto, não estava claro se Ryo estava ou não ciente de seu próprio comportamento.

— Certo, acho que deveríamos esclarecer as coisas entre nós primeiro, apagar todos os maus sentimentos. Para conseguir isso, precisamos construir confiança.

— C-Certo...

Apesar das palavras de Ryo, Sherfi ainda parecia duvidoso. Construir confiança era realmente um empreendimento difícil.

— O que exatamente você propõe?

No entanto, foi Sherfi quem iniciou a conversa, tranquilizando Ryo de que o homem não era apático à ideia. Um golpe de sorte para ele, de fato.

— Não há nada em particular que você precise fazer, Sherfi, porque eu pagarei pelo seu jantar aqui.

— O quê?

— Peça o que quiser e quanto quiser. — Ryo sorriu. — Este é o primeiro passo para construir confiança entre nós.

— Você está brincando comigo... — disse Sherfi, sorrindo incerto.

Rah parecia querer dizer algo, mas acabou decidindo manter a boca fechada.

Sherfi olhou para Rah e pareceu perceber algo. — Ei... Ryo.

— O que foi, Sherfi?

— Gekko não está pagando pelas refeições de todos?

— C-Como você descobriu...

— Droga, eu sabia! O primeiro passo para construir confiança, uma ova! Você tentou me enganar!

Sim, construir confiança seria uma batalha árdua...

— Ryo — murmurou Rah para si mesmo com um leve balançar de cabeça. — Você definitivamente tinha isso em mente desde o início.

Apesar de tudo, Sherfi pôde passar seu tempo no Riacho da Montanha sem restrições à sua liberdade de movimento. Exceto por sua designação de quarto, que acabou sendo com Ryo e Rah.

Na manhã seguinte, o grupo partiu. E o ex-assassino capturado reclamou mais uma vez.

— Droga, isso de novo não.

Com a virilha, cintura e pescoço cobertos de gelo, de longe, parecia que ele havia sido empalado em um pilar de gelo — assim como ontem. Ryo ouviu a insatisfação de seu prisioneiro, examinou-o em silêncio por alguns momentos e, em seguida, assentiu amplamente, fazendo uma sugestão.

— Sherfi, tenho uma ideia brilhante. Você não terá que se preocupar em cair, nós não teremos que nos preocupar com você, e você não se cansará também.

— Tudo o que você está dizendo parece bom, mas... — Rah começou a murmurar.

Sherfi encarou em silêncio, seu olhar contendo uma medida profunda e avassaladora de desconfiança...

Ryo ignorou aquele olhar e usou magia da água para criar... seu Carrinho mágico. Sherfi subiu silenciosamente nele, amarrado do pescoço aos pés na camisa de força de gelo.

O Carrinho tinha um comprimento de dois metros. Se as pessoas da Terra moderna o vissem, poderiam vê-lo como um pequeno tanque de algum tipo... Para o povo de Phi, era uma curiosidade que se movia sozinha... Mas com um humano dentro, devia parecer ainda mais estranho.

De fato, sem exceção, todos que passavam por sua caravana na estrada encaravam Sherfi no veículo. Como um assassino que viveu sua vida nas sombras, simplesmente não havia como ele suportar tal humilhação.

— Ryo, me desculpe. Eu estava errado. Vou andar sem reclamar. Não, eu quero andar. Não, não, não, por favor, me deixe andar, estou te implorando!

Uma expressão estranha cruzou o rosto de Ryo com o incrível desespero de Sherfi. Ele não precisava se preocupar em cair ou se cansar porque não precisava andar com os próprios pés. Ryo havia criado as condições perfeitas para ele. Então, por que ele não estava feliz?

Talvez o próprio conceito de humilhação tivesse escapado da mente de Ryo na época.

— Já que o cara mesmo está pedindo, por que não o deixa andar? — Rah interveio em nome do suplicante Sherfi.

— Bem, se você acha, Rah, suponho que poderíamos fazer isso.

Ele dissipou o Carrinho e retornou a camisa de força de gelo à sua forma original, que se estendia do pescoço até os quadris de Sherfi. Depois disso, assim como declarou, Sherfi andou sem uma única reclamação.

A retomada de sua jornada também trouxe de volta uma visão familiar todas as tardes durante as pausas para o almoço: a equipe civil de Gekko, todos exceto os guardas e aventureiros, praticando sua magia.

— Ei, o que eles estão fazendo?

Sentado no chão, Sherfi os observava e questionou Rah, que estava sentado ao seu lado.

— Ah, eles. São magos da água. Ryo está ensinando-os a fazer paredes de gelo.

— Paredes de gelo...

Sherfi ficou sem palavras. As paredes de gelo eram inacreditavelmente duras. Inicialmente, ele pensara que era uma Barreira Física, mas ficou chocado agora que sabia que a parede transparente era feita de gelo. Então aquilo havia repelido sua lança, forçando-o a avançar... e, finalmente, a se render. Aqueles garotos também iriam aprender a erguer aquelas paredes de gelo?

— Impossível — murmurou Sherfi com um balançar de cabeça. — Não vejo como eles poderiam.

— Eu pensei a mesma coisa no início. Mas alguns deles ficaram muito bons no feitiço, e em apenas alguns dias também. Quando mais mercadores conseguirem criar essas paredes de gelo, o negócio de assassinos estará em má situação, hein?

Rah caiu na gargalhada então.

Em resposta, Sherfi esboçou um sorriso pequeno e seco. — Bem, então, que sorte que eu me aposentei... — ele murmurou.

Gekko se aproximou dos dois.

— A principal prioridade de um mercador é se proteger. Se eles também puderem garantir a segurança de sua equipe pelos mesmos meios, melhor ainda, não acha? A parede de gelo de Ryo torna isso possível. Mesmo que seja difícil de usar imediatamente, ainda quero que eles aprendam — disse ele, observando os garotos com olhos gentis.

— Mestre Gekko, quais são precisamente as qualidades necessárias para ser um bom mercador? — Sherfi perguntou de repente.

— O que inspirou essa pergunta inesperada?

— Bem, se eu fosse contratado como acompanhante pela sua firma, é assim que eu viajaria como parte de uma caravana, sim? Então pensei que gostaria de aprender mais sobre mercadores e comércio e tudo mais... — Sherfi respondeu enquanto encarava Gekko.

— É sempre bom ver alguém motivado. No entanto... quanto ao que faz um bom mercador... essa é uma pergunta muito difícil de responder. Especialmente porque existem todos os tipos de mercadores. Seus métodos também diferem dependendo de suas especialidades. Embora eu diria que a única coisa que todos eles têm em comum é sua abordagem sincera ao comércio.

— Uma abordagem sincera ao comércio... Isso é muito vago — Sherfi resmungou com uma inclinação pensativa da cabeça.

Gekko riu. — Hm, você tem razão. Suponho que se resume a se um mercador está sempre pensando em seu negócio, seus clientes e seus funcionários. Para descobrir se algo está sempre em sua mente, tente fazer uma pergunta. Se for algo em que você já pensou antes, poderá responder imediatamente, sim? Por exemplo... Sherfi, quais você acha que são os fundamentos do comércio?

— Os... fundamentos do comércio... — Sherfi respondeu, considerando. — Hm. Não é apenas lucro?

— Interessante. Essa é, de fato, uma resposta. Também revela seus pensamentos e sentimentos sobre o conceito com base em suas experiências com mercadores e comércio até agora.

— Ah, você pode estar certo...

Sherfi ruminou sobre as palavras de Gekko por algum tempo.

Nesse momento, Ryo retornou.

— Ryo — Gekko chamou — o que você acha que são os fundamentos do comércio?

— Garantir clientes fiéis — respondeu Ryo sem hesitar.

— Clientes... fiéis...? — Gekko não pareceu entender a palavra.

— Oh, me desculpe... Hum, significa clientes regulares.

— Entendo. Por que você pensa assim?

Gekko parecia muito mais interessado agora do que durante a resposta de Sherfi.

— Ao garantir clientes regulares, você pode estimar a escala de suas vendas para o próximo ano e o ano seguinte também. Isso facilita a criação de um orçamento. Ser capaz de prever seus negócios é o requisito mínimo. Além disso, clientes regulares que reconhecem a qualidade de seus produtos e serviços também espalharão a palavra para suas famílias e amigos, o que aumenta sua reputação sem custos de publicidade. E através das recomendações de amigos e conhecidos próximos, é mais provável que você ganhe a confiança dos clientes. É por isso que acredito que é importante para uma corporação — quero dizer, uma empresa comercial — continuar a fazer produtos de qualidade para manter e aumentar sua base de clientes regulares.

Ryo disse tudo isso de uma só vez, o que deixou Sherfi olhando para ele com espanto estupefato.

— Ah ha. Ryo, está claro para mim que você tem experiência em abordar o comércio com sinceridade, não é? — Gekko assentiu feliz repetidamente. — Você consideraria deixar a vida de aventureiro e trabalhar para mim?

— Respeitosamente declino...

Na terceira noite após deixar Halwill, a caravana mercante de Gekko finalmente chegou a Redpost, a cidade localizada na fronteira leste do Reino. Isso marcou o décimo segundo dia desde sua partida de Lune.

Redpost era um território sob o controle direto da família real, seu magistrado despachado do governo central. Economicamente, era aproximadamente do mesmo tamanho que Llandewi, a segunda maior cidade na parte leste do país. Fazia fronteira com o Principado de Inverey a sudeste. Devido à relação amigável entre os dois países, o comércio entre eles vinha se expandindo nos últimos dez anos. A propósito, fazia fronteira com a Federação Handalieu a nordeste. Em suma, Redpost era a cidade fronteiriça do Reino com ambas as nações.

A caravana de Gekko entrou na A Estrela Verde, sua estalagem preferida na cidade, e terminou o check-in.

— Oh, meu Deus! É o Ryo! — uma voz familiar chamou por trás do grupo.

Quando Ryo se virou, não se surpreendeu ao ver Lyn, a maga do ar da A Espada Carmesim. Atrás dela estava o portador do escudo do grupo, Warren.

— Hã? Lyn? Warren? Por que vocês estão aqui?

— Por trabalho, é claro. Por que mais seria? — respondeu Lyn, com a cabeça inclinada curiosamente.

— Certo, faz sentido... — Ryo de repente pensou em algo. — Espere, se vocês dois estão em Redpost, isso significa que Rihya também está?

— Rihya, não Abel...? Olha, Ryo, não quero abalar sua confiança, mas você não vai conquistá-la. Uma batalha entre você e Abel por ela... pessoalmente, não quero testemunhar o derramamento de sangue — respondeu Lyn com um balançar de cabeça.

Atrás dela, Warren silenciosamente fez o mesmo.

— Não era isso que eu tinha em mente, sabe. Rihya é uma sacerdotisa de alto escalão, certo?

— Hm? Alguém sofreu um ferimento grave ou perdeu uma parte do corpo? Se for o último, há um limite de 24 horas para reparar totalmente a parte ausente antes que ela se perca para sempre. Mas se for outra coisa, ela deve ser capaz de lidar com isso.

Quando ouviu a resposta dela, Ryo assentiu enfaticamente, como se ela tivesse confirmado exatamente o que ele estava pensando. Então ele se virou para Gekko, que estava ouvindo a conversa ao seu lado.

— Mestre Gekko, estes são Lyn e Warren. Eles são membros da A Espada Carmesim, um grupo de aventureiros de Lune. Lyn, Warren, este é o Mestre Gekko, um mercador do Principado de Inverey. Ele contratou a mim, Rah e seu grupo para escoltar sua caravana até Inverey.

Ele apresentou os três um ao outro.

— O grupo de rank B, A Espada Carmesim! Claro, eu sei de vocês. Eu frequentemente faço negócios com o Mestre McGlass, então espero que nos vejamos mais no futuro também.

Depois que Gekko se apresentou, Lyn e Warren também fizeram breves apresentações. Naturalmente, a de Warren veio de Lyn também.

— Ryo, estou correto em pensar que você me apresentou a estes dois porque a magia de cura da sacerdotisa Rihya é a solução para o problema de Sherfi?

— Sim, está. No entanto, se preferir cuidar disso depois que chegarmos à capital de Inverey, não acho que haja necessidade de nos forçarmos a agir aqui... — perguntou Ryo com um olhar perscrutador para ele.

Para sua surpresa, Gekko riu em vez disso.

— Oh, não, eu não estava pensando nisso. Se pudermos resolver o problema rapidamente, melhor ainda é o que acredito. Eu ficaria mais do que feliz com a ajuda da A Espada Carmesim neste assunto. E, claro, prepararei uma compensação adequada.

Então Gekko inclinou a cabeça para Lyn e Warren.

— Isso não é algo que eu possa decidir sozinha, então... — disse Lyn com um olhar para Warren. — Por favor, pergunte aos outros dois diretamente quando eles retornarem. Eles não devem demorar.

Warren assentiu de volta em concordância.

Depois de um tempo, Abel e Rihya voltaram para A Estrela Verde. Eles realizaram uma reunião imediatamente no café da estalagem... Em termos modernos, a área seria descrita como um lounge de hotel. Os participantes eram os quatro membros da A Espada Carmesim, Ryo, Gekko, Max e Sherfi. Eles trocaram cumprimentos e todos foram atualizados sobre a situação...

— Basicamente, vocês estão arrancando a tatuagem amaldiçoada do peito de Sherfi e querem que Rihya cure a ferida, certo? — Abel perguntou novamente com suas próprias palavras para confirmar seu entendimento.

Este era um processo importante. Era preciso esclarecer qualquer confusão para que não ocorressem mal-entendidos.

— Sim, está correto — respondeu Gekko com um aceno de cabeça. — Claro, estou totalmente preparado para pagar uma quantia adequada pelos serviços prestados por um clérigo de alto escalão.

Abel olhou interrogativamente para Rihya.

— Eu não me importo — disse ela. — O trabalho do nosso grupo aqui está feito e tudo o que nos resta fazer é começar a viagem de volta para Lune amanhã. No entanto, tenho uma preocupação sobre a tatuagem que você me mostrou... Você tem certeza de que ela pode ser cortada?

— Sim — respondeu Sherfi pensativamente. — Uma vez, um alquimista que eu conhecia vagamente a examinou. Ele me disse que uma tatuagem normal é simplesmente tinta inserida na pele, então pode ser completamente removida ao descascar a pele. Mas esta se infiltrou ainda mais fundo... Em suma, a própria carne também precisará ser removida. A preocupação é a possibilidade de danificar meu coração...

A maioria deles começou a imaginar a cena de arrancar a carne tatuada de seu corpo. Era fácil o suficiente para eles, já que eram aventureiros e parte de sua rotina diária envolvia extrair pedras mágicas dos corações dos monstros.

— Não sei, parece bem perigoso para mim. Ei, Ryo — disse Abel, olhando para Ryo. — Lembro que uma vez você criou jatos de água superfinos. Não pode usar isso?

Ele provavelmente estava se referindo ao feitiço Jato de Água.

Ryo inclinou a cabeça levemente em pensamento. — Hã? Eu já usei Jato de Água na sua frente, Abel?

— Acho que você mencionou depois que cortou as cabeças daquelas três coisas usando a técnica. Tenho que admitir que não tive ideia do que aconteceu quando você realmente fez isso. Ah, e acho que a primeira vez que você realmente me mostrou foi em um golem.

Embora Ryo não se lembrasse de usar Jato de Água para cortar algo na frente de Abel, ele se lembrava de usar Jato Abrasivo para cortar os golens para extrair suas pedras mágicas. Ele também se lembrava de decapitar instantaneamente os três demônios poderosos no quadragésimo andar da masmorra.

— Essa é minha magia supersecreta especial, então você está proibido de divulgá-la a outros — disse Ryo, colocando o dedo indicador direito sobre os lábios para dar ênfase.

— O que diabos é magia supersecreta especial, afinal... — respondeu Abel, exasperado.

Todos os outros olhavam para Ryo com olhos expectantes. Eles precisavam de respostas.

— Ah... Hum, infelizmente, esse feitiço não vai funcionar. À primeira vista, parecerá que a carne é cortada de forma limpa, mas na realidade, a água se infiltrará na área ao redor da ferida e danificará o tecido circundante. Não tenho certeza se a magia de cura será capaz de reparar o dano.

Lesões causadas por jatos de água existem até na Terra moderna. O dano à área e aos tecidos circundantes é aparentemente bastante único, e os fabricantes de máquinas de jato de água até se deram ao trabalho de publicar informações para o pessoal médico. Mas, no que dizia respeito a Ryo, ele sentia que se a magia de cura de Rihya fosse realmente soberba, as coisas provavelmente dariam certo... Afinal, ela poderia reparar partes do corpo ausentes.

Se eu dominar isso direito, será que posso usar em cirurgia... Havia um bisturi que usava um jato de água... No momento, porém, tudo o que eu faria seria aumentar o risco de ferimentos graves ou até mesmo a morte...

Quanto menos risco, melhor. No entanto, se o pior acontecesse, ele estava preparado para usá-lo como último recurso.

Todos mergulharam em um silêncio pensativo novamente assim que entenderam que a tarefa era difícil até mesmo para a magia da água de Ryo.

— Acho que a única maneira é arrancá-lo com uma faca — disse Ryo, propondo uma alternativa. — Mas o que eu posso fazer é estender a membrana de gelo que cobre o coração para incluir vasos sanguíneos vitais ao redor dele. Dessa forma, Sherfi deve ficar bem mesmo que a faca penetre muito fundo.

— Isso funcionaria.

Max foi o primeiro a concordar com a sugestão de Ryo, provavelmente porque sentia que, dadas as circunstâncias atuais, havia uma grande chance de ele ser o executor da tarefa. Afinal, ele era o único ali com experiência em remover uma tatuagem, mesmo que fosse de um cadáver.

— Ryo, se não se importa, tenho uma pergunta...

Sherfi soou constrangido, chegando a levantar a mão para perguntar.

— Diga.

— A membrana de gelo ao redor do meu coração é fria?

— Oooh —

Lyn soltou. Aparentemente, ela estava se perguntando a mesma coisa.

— Se fosse fria, seu coração pararia de bater, Sherfi.

— C-Certo... — Sherfi fez uma cara estranha. — Eu entendo isso. Obviamente, ele não parou de bater. Está funcionando com certeza. E é precisamente por isso que me pergunto... Quer dizer, é o meu corpo, então seria bom saber de uma forma ou de outra...

Quanto a Ryo, ele não teve medo de explicar as coisas adequadamente.

Recentemente, tornou-se a norma para os médicos explicarem adequadamente os procedimentos cirúrgicos a seus pacientes antes da cirurgia. Isso é chamado de consentimento informado. Submeter-se a um procedimento, ter seu corpo cortado, sem saber o que vai acontecer era quase certamente pedir demais de uma pessoa. Dito isso, uma explicação excessivamente detalhada provavelmente também não seria útil, pois poderia ser muito complicada de entender.

— Em primeiro lugar, o gelo rouba calor de seus arredores quando se transforma em água. É por isso que parece frio quando você segura gelo na mão. No entanto, Sherfi, o gelo que gero em seu corpo permanece gelo para sempre através da magia. Ele nunca se transforma em água, então não rouba calor de seus arredores. Essa é uma. Em segundo lugar, eu o configurei para 'proibir' a transferência de calor de seus arredores para a membrana de gelo, então não há mudança na temperatura.

— Você pode fazer isso?! — disse Lyn, a maga do ar, surpresa.

— Bem, envolve água e eu sou um mago da água, então sim, eu posso.

Mais precisamente, ele deveria estar discutindo as vibrações moleculares. A vibração molecular da própria membrana de gelo, onde tanto a temperatura quanto a vibração molecular eram baixas, permanecia constante; enquanto isso, a vibração da área circundante da membrana de gelo, onde tanto a temperatura quanto a vibração molecular eram altas, não era transmitida. Mas isso era muito difícil de explicar aqui e seria impossível responder a perguntas detalhadas. Então ele inventou sua explicação aproximada de "proibir a transferência de calor".

— Eu... me pergunto se posso fazer isso com o ar... para me ajudar a suportar dias frios e tal...

Ryo não ouviu o sussurro de Lyn.

Como diz o ditado: malhar o ferro enquanto está quente.

No mínimo, eles decidiram abordar a situação com uma mentalidade de "só saberemos se tentarmos". Resolvido, o grupo pegou emprestada uma das salas de conferência na A Estrela Verde para agir.

— Eu realmente acho que deveríamos examinar o assunto mais a fundo... — opinou Sherfi, a cobaia. Infelizmente para ele...

— Quanto mais cedo, melhor — disse Gekko, incentivando-os a executar o plano esta noite.

Sherfi engoliu um anestésico de corpo inteiro que a estalagem sempre mantinha à mão e logo se viu no mundo dos sonhos. A essa altura, Rihya também havia terminado de recitar um longo encantamento. Tudo o que ela precisava fazer para ativar o feitiço era dizer a palavra gatilho.

Além disso, água quente estava disponível nas proximidades, embora a maioria ali não soubesse para que seria usada. Com base em seu duvidoso conhecimento médico, Ryo decidira que era necessário para uma cirurgia como esta, então, naturalmente, ele mesmo a preparou usando sua magia de água.

Agora, eles esperavam por Max, que seria quem realmente arrancaria a carne do corpo de Sherfi, para terminar seus preparativos. Ele sabia qual faca usaria. Era a mesma que usava para extrair pedras mágicas e... bem, a mesma que usara para cortar a tatuagem antes, não importava que tivesse sido um cadáver. Max era supersticioso.

Gekko, Abel, Lyn e Warren, sem papéis a desempenhar nesta operação, observavam os procedimentos a uma curta distância da forma adormecida de Sherfi. Warren mantinha seu escudo pronto e Lyn espiava por trás dele...

Espero que ele saiba que se uma situação surgir onde precisemos de escudos ou algo assim, nenhum de nós escapará ileso...

Ryo reclamou internamente ao ver a cena.

Enquanto isso, Max examinava o corpo de Sherfi puxando sua pele e empurrando seus músculos aqui e ali. Ao lado dele, Ryo se concentrava em expandir a membrana de gelo que cercava o coração de Sherfi para abranger o órgão, bem como os vasos sanguíneos circundantes. Os maiores podiam ser vistos ligados ao coração sempre que um é arrancado do peito de alguém em mangás e animes. A veia cava — uma grande artéria que envolve o coração — sobe e desce, três artérias carótidas se estendendo a partir dela, as artérias pulmonares esquerda e direita se enrolando ao redor dela e, finalmente, as quatro veias pulmonares à esquerda e à direita. Contanto que Ryo cobrisse tudo isso, Sherfi não morreria instantaneamente. E Rihya estava lá para garantir contra qualquer coisa que não fosse a morte instantânea...

Com tudo isso em mente, ele estendeu a película de gelo.

— A membrana de gelo está pronta — anunciou Ryo a Max.

— Entendido. Certo, Mestre Gekko, aqui vou eu.

— Entendido. Por favor, faça o que for necessário — disse Gekko, dando permissão.

Após uma breve pausa, a faca de Max penetrou no peito de Sherfi. Então ele cortou sem hesitação através de sua pele e músculo. No entanto, um minuto no procedimento planejado de quatro minutos, uma mudança ocorreu na tatuagem. A espada perfurando a águia de duas cabeças no desenho começou a brilhar. Um instante depois, uma lança de pedra começou a se formar no ar, uma que parecia que perfuraria o peito de Sherfi.

— Ryo!

— Não se preocupe. Eu protegerei o coração de Sherfi — respondeu Ryo calmamente.

A tatuagem tinha um mecanismo para matar o hospedeiro se alguém tentasse removê-la, mas a membrana de gelo levava isso em conta. Max continuou a cortar com sua faca enquanto um terço do tempo alocado passava. Enquanto ele fazia isso, a lança de pedra no ar iniciou sua trajetória direto para o coração de Sherfi. Ela colidiu com a membrana de gelo de Ryo.

Ranger, ranger, ranger. O som metálico ecoou pela sala, embora devesse soar como pedra rangendo contra gelo.

Há muito dano nas costelas dele, mas é inevitável... Vou apenas rezar para que Rihya possa consertar isso mais tarde.

Embora o coração de Sherfi permanecesse protegido, as costelas circundantes foram um sacrifício necessário. Infelizmente, um problema maior surgiu ao mesmo tempo.

Sonar Passivo, o feitiço que Ryo havia implantado por precaução, de repente apitou.

Hm? Pessoas estão vindo direto para nós a uma velocidade incrível?

— Alguém vai entrar pela janela! — Ryo declarou em voz alta para que todos, incluindo Gekko e os outros que observavam à distância, pudessem ouvir.

— Abel, por favor, proteja Gekko. É possível que a pessoa esteja atrás da vida dele.

— Deixe comigo!

Apesar das perguntas que surgiam na mente de Abel, ele entendeu que não era hora de fazê-las.

— Pacote de Muralha de Gelo de 10 Camadas.

Ryo cercou todos ao redor de Sherfi — ele mesmo, Max e Rihya — na Muralha de Gelo. Quase imediatamente, estranhos saltaram pelas três janelas que haviam sido deixadas abertas.

— Eles estão todos de preto... — Rihya murmurou ao vê-los.

Dois dos três vilões miraram Gekko, enquanto o terceiro se dirigiu a Sherfi.

— Mestre Gekko! — gritou Max, com a faca ainda cravada no peito de Sherfi.

— Não se preocupe. Abel e os outros o protegerão. Devemos nos concentrar em remover a tatuagem.

— C-Certo.

Com isso, Max se virou de volta para Sherfi e retomou o corte.

Os três inimigos vestidos de preto agiram uniformemente, apesar de estarem separados um do outro. Cada um pegou um objeto do tamanho de um punho de dentro de suas roupas e o atirou no chão. Infelizmente para eles, os membros da caravana mercante de Gekko haviam testemunhado uma cena semelhante não muito tempo atrás...

— Cortinas de fumaça!

Eles de fato usaram o mesmo tipo de bombas de fumaça que Sherfi havia empregado durante seu ataque surpresa contra a caravana.

— Que o vento gire em minha palma. Tornado — Lyn entoou. O feitiço juntou a fumaça que cobria o interior da sala e a expeliu pelas janelas.

Excelente trabalho, Lyn. Rápida no gatilho como sempre.

Ryo ficou honestamente impressionado. Ele havia usado sua Rajada de Chuva para dissipar a cortina de fumaça em seu encontro anterior, empurrando a fumaça para o chão, mas Lyn, a maga do ar, usou seu Tornado para afunilá-la para fora. Seu julgamento foi rápido e impecável, assim como sua ação. Isso fez toda a diferença entre a vida e a morte.

Acho que atacar depois de lançar uma cortina de fumaça deve ser um recurso padrão para assassinos, visto que Sherfi tentou a mesma coisa.

Ele sorriu com amargura por dentro. Claro, poderia ser uma tática eficaz, mas era facilmente frustrada se a parte defensora tivesse alguém como Ryo e Lyn do seu lado... Claro, eles provavelmente tinham um Plano B também, para o caso... No entanto, A Espada Carmesim não era gentil o suficiente para permitir que eles o executassem.

No momento em que o feitiço Tornado de Lyn sugou toda a fumaça, Abel saltou do chão e avançou sobre um dos vilões, que mal conseguiu aparar seu ataque usando a adaga em sua outra mão. Mas o segundo ataque de Abel, fluindo suavemente do primeiro, decepou o braço do assassino e o subsequente golpe diagonal de cima para baixo de Abel pôs fim à vida de seu agressor.

Warren, o portador do escudo, estava se defendendo do outro inimigo, dando a Abel tempo para cuidar do primeiro intruso. Uma vez que Abel lidou com o aspirante a assassino, ele correu por trás e cortou a cabeça do segundo com um único golpe de espada.

Se os vilões tivessem conseguido erguer suas cortinas de fumaça e forçado as pessoas nesta pequena sala a uma batalha de curta distância, eles poderiam ter sido capazes de demonstrar seus temíveis poderes como assassinos. Para sua desgraça, eles estavam enfrentando o grupo de rank B, A Espada Carmesim, que despachou facilmente os dois assassinos, virando o banho de sangue que os atacantes haviam antecipado de cabeça para baixo.

A propósito, o último dos três, aquele que havia corrido em direção a Sherfi, foi envolto em um caixão de gelo antes mesmo de alcançar a Muralha de Gelo de Ryo...

— Aguente mais um pouco, Sherfi — disse Max enquanto cortava o peito do homem.

Se alguém desconhecedor das circunstâncias testemunhasse essa cena bizarra, ficaria horrorizado. Isso sem contar os dois cadáveres e o homem de preto congelado em gelo nas proximidades.

No entanto, por mais sério que estivesse, Max não tinha a capacidade de pensar em tudo isso. Porque mesmo enquanto os vilões encenavam seu ataque, a lança de pedra movia-se implacavelmente em direção ao coração de Sherfi. Era uma corrida contra o tempo entre aquela lança de pedra e Max. Então, finalmente...

— Certo, está feito.

— Caixão de Gelo.

No momento em que Max terminou de fatiar o pedaço de carne com a tatuagem, Ryo o cercou em um caixão feito de gelo.

— Cura Extra.

Assim que se certificou de que os outros dois haviam terminado, Rihya lançou o feitiço na enorme cratera no peito de Sherfi, através da qual seu coração pulsante era visível. Era a magia de cura mais avançada que, segundo rumores, era capaz de restaurar partes do corpo ausentes. Com a perfeição em mente, ela lançou Cura Extra uma segunda vez.

Havia muito poucos clérigos capazes de usar o feitiço em sucessão. Ryo não sabia o que tornava Rihya uma delas. Ele não sabia, mas não importava, contanto que ela pudesse usá-lo.

Cura Extra fez seu trabalho soberbamente. O tecido muscular e os vasos sanguíneos se regeneraram primeiro, seguidos pela pele para cobrir tudo. A pele recém-gerada não mostrava vestígios da tatuagem. Depois que Rihya verificou o pulso de Sherfi, ela anunciou a Gekko que não havia problemas.

O mercador pareceu claramente aliviado com a notícia.

— Ryo — disse Abel — esses caras maus são quem eu acho que são...?

— Sim. — Ryo assentiu. — Membros da Seita, a mesma organização a que Sherfi pertencia.

— Uma ordem cujo chamado é o assassinato... — murmurou Rihya.

— A Seita dos Assassinos! — exclamou Lyn.

— De fato... A existência deles tem sido menos um boato e mais uma lenda... — disse Rihya pensativamente.

Uau... até este mundo tem sua própria Ordem dos Assassinos, hein?

Ryo ficou um pouco impressionado.

A Ordem dos Assassinos na Terra foi fundada por Hasan-i Sabbah, também conhecido como o Velho da Montanha. Muitas histórias e lendas abundam sobre ele, e claro, ele realmente existiu na vida real. Sua data de morte está registrada como 23 de maio do ano 1124 no Castelo de Alamut, que estava localizado na parte ocidental do país que mais tarde seria conhecido como Irã.

Uma das anedotas sobre ele descreve sua relação com Nizam al-Mulk. Foi escrita pelo historiador persa, Hamdallah Mustawfi Qazvini, em sua obra, o Tarikh-i guzida. Enquanto Hasan-i Sabbah estava a serviço do segundo sultão do Império Seljúcida, Alp Arslan, Nizam al-Mulk era um dos vizires do sultão.

O Império Seljúcida, fundado por Tughril, atingiu seu auge territorial sob a liderança combinada de Arslan e Nizam, levando a uma idade de ouro sob o governo do terceiro sultão. Não há dúvida dos tremendos talentos de ambos os homens.

Continuando. Um dia, Arslan instruiu Hasan-i Sabbah a compilar relatórios de despesas para todo o país, uma tarefa extremamente desafiadora que o Vizir al-Mulk disse que levaria um ano. Além disso, Hasan só tinha quarenta dias. No entanto, ele a completou.

Amedrontado pelo sucesso do outro homem, o vizir destruiu o conteúdo do relatório de Hasan na manhã em que ele deveria apresentá-lo ao sultão. Incapaz de responder às perguntas de Arslan, Hasan foi desonrado. Naturalmente, Nizam ainda esfregou sal em sua ferida. Como resultado, Hasan-i Sabbah foi banido da corte imperial. Mais tarde, ele fundou a Ordem dos Assassinos.

O Vizir Nizam al-Mulk é uma figura histórica notável que aparece nos livros de história do ensino médio. As Nezamiyeh, instituições de ensino superior que ele fundou, também aparecem frequentemente em exames regulares. Uma pessoa tão famosa foi assassinada no ano de 1092. Por quem, você pode se perguntar...

Espere, o brasão nacional do Império Seljúcida não era a águia de duas cabeças...? A tatuagem de Sherfi tinha uma perfurada por uma espada... Isso é uma coincidência?

Historicamente, inúmeras famílias reais e países adotaram a águia de duas cabeças como seus brasões e emblemas nacionais. Seja o Sacro Império Romano ou a Dinastia Romanov da Rússia, o desenho tem sido comum desde a antiguidade. Nem é preciso dizer que o conhecimento de Ryo sobre este tópico era baseado na Terra, então era natural para ele se perguntar se o mesmo se aplicava a realeza e países aqui em Phi.

Se ele pensasse nisso logicamente, o uso da águia de duas cabeças como brasão provavelmente era uma coincidência... Mas na remota chance de não ser... então isso levaria a uma dedução — um reencarnado tinha algo a ver com a Seita dos Assassinos.

Bem, não adianta pensar nisso agora. Não é como se eu fosse encontrar a resposta. Vou apenas perguntar a Sherfi quando ele acordar.

Graças à presença de curry, cafés e crepes neste mundo, Ryo secretamente acreditava na existência de um reencarnado ou reencarnados além dele mesmo. A única questão era se eles ainda estavam vivos, e em sua opinião honesta, nem seria grande coisa se estivessem.

Ryo era definitivamente uma bagunça de várias maneiras.

Sherfi, ainda dormindo, foi levado para o quarto de Ryo e Rah. Embora as Curas Extras de Rihya tivessem reparado completamente sua ferida, não haviam regenerado o sangue que ele havia perdido. E a perda de sangue havia sido significativa, considerando que o buraco em seu peito era grande o suficiente para expor seu coração. Apesar de Ryo proteger os vasos sanguíneos vitais usando sua membrana de gelo, o sangramento é uma parte esperada da cirurgia... então não podia ser evitado.

Rah, que estivera guardando os membros civis da caravana, esperava nervosamente, com o coração batendo forte. Gekko lhe dera ordens estritas para ficar ali e proteger sua equipe, então ele não pudera se mover de seu lugar mesmo com a confusão dentro da sala de conferências. Ele acreditava em Abel mais do que ninguém. Quando Ryo lhe contou sobre Abel e seu grupo derrotando os assassinos, ele respondeu alegremente: "Não estou surpreso", como se as ações de seu ídolo fossem as suas próprias.

Falando da A Espada Carmesim, Gekko agradeceu-lhes profusamente e prometeu transferir uma bela recompensa para suas contas na guilda por protegê-lo. Ryo não tinha ideia do valor, mas Max murmurou que seria muito, considerando que eram um grupo de rank B com uma sacerdotisa de alto escalão, nada menos.

A propósito, o assassino que Ryo congelou no Caixão de Gelo permaneceu assim até a manhã seguinte.

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