
Volume 3 - Capítulo 3
The Water Magician
No Reino de Knightley, aventureiros de rank B eram de primeira linha. Eram reconhecidos não apenas por suas habilidades de combate, claro, mas também pela confiança que inspiravam nos nobres do país e, por extensão, na família real. Por isso, seus senhores frequentemente lhes pediam para realizar diversas missões por todo o Reino.
E o grupo de rank B de Lune, A Espada Carmesim, não foi exceção ao partir para a cidade mais oriental de Wingston, a pedido do Margrave Lune.
Abel, o espadachim e líder do grupo.
Rihya, a sacerdotisa capaz de usar a Defesa Absoluta.
Warren, o Inabalável, o melhor e mais conhecido usuário de escudo do Reino.
E Lyn, a maga do ar que, apesar de ter apenas dezoito anos, diziam estar no mesmo nível dos magos da realeza.
Esses quatro formavam A Espada Carmesim, um grupo que, sem dúvida, estava no topo da hierarquia dos muitos grupos de aventureiros da nação. No entanto, isso não significava que fossem os melhores em todos os aspectos. Por exemplo, magos tinham resistência inferior em comparação com as funções da linha de frente, como espadachins e portadores de escudo...
— Ugggh. Wingston é muito longe de Lune!
Lyn, a maga do ar, estava exausta. Talvez tivesse algo a ver com sua baixa estatura, porque cada passo que ela dava era minúsculo. Obviamente, isso era mera conjectura. Ai de quem dissesse tal coisa diretamente a ela.
— Aguente só mais um pouco, Lyn — respondeu Rihya, a sacerdotisa. — Nesse ritmo, tenho certeza de que chegaremos ao anoitecer. E quando chegarmos, o que eu mais quero é tomar um bom banho. Abel, nós com certeza vamos ficar numa estalagem com banheiro no quarto. Prometa.
Comparada aos dois homens na vanguarda, Rihya também estava bastante cansada, mas nem de longe tanto quanto Lyn. Então, era de fato possível que a constituição delicada da garota resultasse em sua enorme fadiga, considerando quantos passos a mais ela precisava dar com seus pés pequenos...
Não apenas possível, mas provável.
Abel, sabiamente, não expressou seu pensamento. Quase imediatamente depois de lhe passar pela cabeça, ele se sentiu horrorizado, percebendo que era terrivelmente semelhante ao que um certo mago da água poderia pensar. Talvez sua própria mentalidade tivesse sido envenenada em algum momento... Ele balançou a cabeça um pouco para dissipar a possibilidade horrível.
Então as palavras que saíram de sua boca em seguida não tiveram nada a ver com aqueles pensamentos errantes.
— Prometo, prometo, Rihya. Uma Gota do Céu deve servir, certo? Você pode tomar banho lá o quanto quiser.
— Maravilhoso! Você realmente sabe como me agradar, hm? — disse Rihya, feliz.
Warren, o usuário de escudo, também assentiu feliz, sempre em silêncio.
— A comida lá é tão gostosa também... — cantarolou Lyn. Apesar de estar perto dos limites de sua resistência, apenas imaginar a comida deliciosa esperando por eles na Uma Gota do Céu foi o suficiente para energizar os passos de Lyn. — Vou me esforçar para aguentar até lá...
A esperança dá força às pessoas. Pouco antes das seis da noite, esses quatro chegaram a Wingston e garantiram hospedagem na Uma Gota do Céu.
Na manhã seguinte.
— Nossa, o café da manhã foi fantástico, não foi?!
A voz de Lyn estava tão energética que o esgotamento que a afligiu na jornada do dia anterior parecia um delírio. Warren assentiu silenciosamente em resposta às suas palavras felizes.
Lyn, uma coisinha delicada que comia muito, e Warren, um homem gigante que comia relativamente pouco. Sem dúvida, seus apetites deveriam ser o contrário... E havia Abel e Rihya, que comiam um pouco mais do que uma pessoa comum...
Embora, em comparação com pessoas comuns, os aventureiros em geral comessem bastante. Nesse aspecto, nem o gênero nem a profissão eram relevantes. Como seus corpos eram seu capital, comer bem e descansar bem era da maior importância.
Depois de comer e descansar bem, os quatro estavam a caminho da repartição governamental de Wingston. Wingston era tanto a maior cidade quanto a capital do Ducado de Shrewsbury. A Segunda Estrada, que ia da capital real à cidade de Redpost na fronteira oriental, era uma das vias mais movimentadas do Reino, e a maior cidade ao longo dessa estrada era Wingston. Era também a maior da parte leste do país.
A Espada Carmesim havia sido comissionada pelo Margrave Lune para entregar uma carta que ele escrevera para o Duque Shrewsbury. Como tinham ordens estritas para entregá-la diretamente ao duque, eles teriam que ir até a residência ducal, mas era improvável que o homem os recebesse se aparecessem de surpresa.
Isso apesar de serem um raro grupo de rank B no Reino e terem documentos de identificação autenticados pelo próprio margrave. Quando se tratava dos Shrewsburys, uma linhagem ligada à família real, era preciso muita fineza para conseguir uma reunião pessoal com o chefe da família... O mundo não era de forma alguma simples...
Uma maneira de negociar tal reunião envolvia visitar a repartição governamental da cidade. Como o termo indicava, uma repartição governamental era literalmente o centro e a linha de frente da administração política. Estava cheia de funcionários públicos, burocratas e até mesmo residentes comuns de um município que precisavam de um serviço governamental.
Normalmente, os funcionários da repartição tratavam as pessoas comuns com condescendência. No entanto, quando confrontados com indivíduos que possuíam credenciais fornecidas diretamente pelo próprio Margrave Lune, bem como uma carta escrita pelo homem...
— E-Eu enviarei uma mensagem para a mansão do duque imediatamente. Por favor, esperem aqui!
O funcionário do governo acompanhou os quatro até uma sala de recepção e, em seguida, correu para contatar as partes necessárias. Eles podiam ouvir sua voz em pânico vindo de seu escritório ao lado...
Enquanto esperavam, beberam o chá que lhes fora servido, com expressões calmas. Porque, a partir daquele ponto, eles não precisavam mais ser proativos. Assim que os arranjos fossem feitos, tudo o que precisavam fazer era seguir um guia até a residência ducal e entregar a carta diretamente ao Duque de Shrewsbury, e esse seria o fim de seu trabalho.
Não era uma tarefa difícil... Normalmente.
Eles esperaram por trinta minutos.
— Obrigado pela paciência — disse o mesmo funcionário de antes, em tom de desculpa. — Sua visita foi aprovada e nós os levaremos para a propriedade em breve. No entanto, o duque está em seu passeio matinal habitual, então temo que terão que esperar lá por algum tempo também...
Se o funcionário cometesse algum erro ao lidar com indivíduos que o próprio Margrave Lune havia garantido, mesmo que fossem aventureiros, sua cabeça rolaria. Ninguém em sã consciência subestimava documentos fornecidos diretamente por um membro da nobreza.
— Sem problemas — disse Abel com um aceno de cabeça tranquilo. — Obrigado.
O atual Duque de Shrewsbury, Lorde Conrad, cavalgava — um passatempo seu — todas as manhãs, acompanhado por um pequeno punhado de seus guardas pessoais. De qualquer forma, não era como se o margrave tivesse lhes dado um prazo estrito para entregar a carta. Se a situação fosse verdadeiramente urgente ou importante, o senhor de Lune teria enviado seus cavaleiros para entregá-la... Esse era o tipo de homem que ele era. Dito de outra forma, embora essa mensagem em particular fosse importante à sua maneira, não era vital o suficiente para justificar ir a extremos.
Então Abel não estava com pressa nenhuma.
— Muito obrigado pela sua compreensão. Permitam-me levá-los à propriedade ducal, então.
Incitados pelo funcionário do governo, os quatro se dirigiram ao seu destino.
A repartição do governo e a residência do duque ficavam lado a lado. A propriedade cobria um terreno chocantemente enorme. Para proteger seus habitantes, soldados estavam posicionados entre a repartição e a entrada da propriedade do senhor. Ninguém podia entrar e sair livremente.
Naturalmente, a repartição havia alertado a equipe do duque com antecedência sobre a chegada do quarteto. Depois de verificar seus documentos, os soldados se dividiram, com três na frente e dois na retaguarda, antes de começarem a lhes dar um tour pela propriedade. Os soldados agiam como guias e monitores. No entanto, ninguém na A Espada Carmesim era do tipo que se ofendia com tal comportamento.
Um problema ocorreu mais tarde, bem quando o grupo estava prestes a entrar na mansão, após uma breve caminhada.
— O que...? — murmurou... alguém. Seria o funcionário do governo ou um dos cinco soldados?
Independentemente da fonte, Abel e seus companheiros perceberam que algo estava errado dentro da mansão.
— As coisas parecem agitadas, não acham? — sussurrou Lyn.
Rihya assentiu em concordância silenciosa.
Claramente, algo inesperado havia acontecido e havia uma correria louca para lidar com isso... Nem o funcionário do governo nem os soldados sabiam o que estava acontecendo. Os seis trocaram olhares significativos... antes que um deles, que parecia ser o capitão do esquadrão, assentisse decididamente.
— Vou dar uma olhada lá dentro. Por favor, esperem aqui enquanto isso.
Dizendo isso, o capitão levou um de seus subordinados para dentro com ele.
Cinco minutos depois, o capitão e o outro soldado voltaram correndo em pânico.
— Isso é mau! O Duque...!
Uma hora depois, o corpo de Conrad, Duque de Shrewsbury, foi devolvido à residência ducal. Durante todo o tempo, os quatro membros da A Espada Carmesim esperaram do lado de fora da mansão. Eles sabiam que não havia outra escolha. A morte súbita de seu mestre mergulhou sua equipe em uma agitação compreensível.
— Quem será o sucessor de Lorde Conrad? — Rihya, a sacerdotisa, questionou Abel.
— Se me lembro bem, ele tem quatro filhos e uma filha. O filho mais velho é Lorde Andrew e o quarto filho é Lorde Irwin... Tenho quase certeza de que Irwin tem apenas nove anos, mas duvido que haja uma luta pela sucessão...
— Você é muito ingênuo, Abel — respondeu Lyn, cruzando os braços. — Nem todo mundo se dá bem com seus irmãos, sabe? Há uma grande chance de que sangue se volte contra sangue para assumir a liderança da linhagem Shrewsbury!
Naquele momento, ela lembrou Abel fortemente de um certo mago da água. — Lyn, é só impressão minha ou você tem agido mais como Ryo ultimamente? — ele brincou.
— Até parece! — Rihya sorriu ironicamente. — O que vamos fazer com a carta para o Duque Shrewsbury agora...
Todos congelaram.
— Ah...
Certo, o Duque Shrewsbury estava morto. A família real precisava aprovar quem quer que o sucedesse, o que levaria meses. As expressões de Abel e Lyn empalideceram enquanto a melancolia pairava sobre eles...
Os quatro membros da A Espada Carmesim foram levados a um salão no primeiro andar, onde Andrew, o filho mais velho do falecido Duque Shrewsbury, os esperava.
— Peço desculpas pela espera — desculpou-se Andrew, referindo-se à longa espera que haviam suportado durante as horas de caos após a morte de seu pai.
— Não, de forma alguma — respondeu Abel. — Mais importante... meus pêsames.
Andrew era mais jovem que Abel. Pelo que Abel sabia, Andrew havia completado vinte e dois anos este ano. Independentemente da carta que carregavam do Margrave Lune, os quatro ainda eram aventureiros. Mesmo assim, Andrew se dirigiu a eles educadamente. Não havia nenhum traço de descortesia em sua atitude, o que lhes deixou uma impressão muito favorável dele.
— Obrigado. Então, com sua permissão, aceitarei a carta do Margrave Lune em nome do Duque de Shrewsbury.
— Entendido e muito obrigado.
Agora que haviam entregado a carta ao filho mais velho do duque, a missão da A Espada Carmesim estava completa. Então, é claro, Lyn suspirou baixinho em alívio. Logo depois, Rihya, e então Warren.
Depois que Andrew assinou o recibo, os quatro deixaram a residência ducal. Trabalhos normais não exigiam tais assinaturas de reconhecimento, mas eram necessárias em pedidos como este, que envolviam a entrega de algo diretamente. Sem mencionar que algo irregular ocorreu nesta ocasião — a morte súbita do destinatário.
Como a questão da sucessão exigiria um bom tempo para ser resolvida, era melhor ir além com o protocolo em uma situação decididamente anormal como esta — o que incluía notificar a guilda de aventureiros local...
— A guilda de aventureiros de Wingston fica bem longe de onde estamos hospedados, na Uma Gota do Céu, não é? — perguntou Abel.
— De fato — disse Rihya. — A estalagem fica perto do portão leste, enquanto a guilda fica mais perto do portão oeste.
Ela se destacava em geografia e um único olhar no mapa de um local era tudo o que precisava para memorizá-lo perfeitamente. Era uma habilidade que Abel não possuía e que era extremamente útil para um aventureiro. Uma vez que você se tornava um aventureiro de alto escalão, visitar uma variedade de cidades se tornava parte integrante do trabalho. Na verdade, incluindo a capital real, Rihya havia memorizado a planta da maioria das principais cidades do país.
Isso a torna uma espécie de gênio, não é?
Abel sempre pensara assim.
Com a orientação de Rihya, eles chegaram à guilda de aventureiros de Wingston. Depois de fazer o relatório necessário, A Espada Carmesim foi liberada de seu dever oficial nesse quesito e o alívio apareceu claramente nos rostos dos quatro. Claro, eles ainda tinham outro trabalho a fazer.
— O próximo é Redpost, hein? — comentou Abel.
Rihya assentiu, Lyn suspirou suavemente e Warren deu um tapinha gentil no ombro da garota. Assim como a carta endereçada ao Duque Shrewsbury, eles tinham outra do Margrave Lune para o senhor de Redpost, uma cidade na fronteira do país. Dito isso...
— Que tal passarmos a noite aqui em Wingston e partirmos amanhã de manhã?
Eles haviam perdido horas esperando por causa do problema na propriedade ducal, então já era final da tarde. Mesmo que partissem agora sem almoçar, talvez não fosse possível chegar à próxima cidade enquanto o sol ainda estivesse no céu. Em vez de se apressarem, então, poderiam muito bem passar a noite e partir pela manhã. Fazendo isso, eles definitivamente chegariam ao seu próximo destino à tarde. Eles viajariam pela Segunda Estrada. Contanto que nada fora do comum acontecesse, eles não precisariam acampar ao ar livre por causa das cidades localizadas na estrada.
Claro, nenhum dos quatro se importava em acampar durante a noite. Ainda assim, não era algo que eles particularmente queriam fazer. Se houvesse uma cidade, eles encontrariam acomodações adequadas, porque essa era a melhor maneira de se recuperar da fadiga.
Procurando um lugar para almoçar tardiamente, os quatro caminharam por uma rua um pouco distante do portão oeste. Eles saíram da rua principal para uma mais estreita e chegaram a uma praça, com a intenção de caminhar por outra via principal mais adiante... Talvez edifícios tivessem existido ali antes. Talvez o terreno estivesse agora vago para a construção de novos edifícios.
Assim que estavam prestes a passar, Abel viu um homem no fundo da praça.
— Cabelo roxo... — ele murmurou.
— Algo errado, Abel? — perguntou Rihya.
Ao lado dela, Lyn inclinou a cabeça em confusão.
Warren seguiu o olhar de Abel e também inclinou a cabeça, pensativo.
Embora surpreso com as reações deles, Abel rapidamente examinou os arredores e chegou a uma conclusão.
— Vocês não conseguem vê-lo? — ele sussurrou, seus olhos nunca deixando o homem de cabelo roxo do outro lado da praça. Felizmente, ele não sentiu mais ninguém, o que significava que a mulher de cabelo roxo que ele vira em Lune provavelmente não estava realmente em Wingston.
— Não vejo... ninguém.
— Concordo.
Lyn e Rihya responderam a ele em sussurros igualmente suaves e Warren assentiu silenciosamente.
— Sério...?
Parecia que apenas Abel podia detectar sua presença.
— Existe um manto especial que combina os poderes da magia do ar e da alquimia para dificultar a detecção — ofereceu Lyn. Ela sabia, assim como os outros, que Abel certamente tinha uma intuição melhor do que a maioria. — Mestre fez um há um tempo. Se alguém o usa, pessoas comuns não conseguem senti-las, mas qualquer pessoa com sentidos extremamente aguçados consegue senti-las... Então, ele pode estar usando um item como esse.
E então...
O homem de cabelo roxo, focado intensamente em manusear a caixa em suas mãos, de repente levantou a cabeça e notou os quatro.
Mas ele não apenas encarou...
— Você... Você é aquele que eu vi naquela vez... — disse ele.
Embora ele tenha falado baixo, Abel ainda o ouviu. Os olhos azuis brilhantes definitivamente pertenciam ao mesmo homem. Cabelo roxo, olhos azuis... Apesar de seu tom baixo e murmurante, Abel ouviu a raiva nele.
— É hora de retribuir o favor. — O homem de cabelo roxo guardou a caixa dentro de suas roupas e, sem aviso, cantou. — Coruscare.
Ele disparou três pulsos de chamas brilhantes em Abel...
— Praça do Santuário.
... e eles teriam o atingido se não fosse pela barreira transparente erguida na frente dele. Ela bloqueou todos os ataques de fogo. Praça do Santuário, a magia de defesa suprema, cortesia de Rihya. Sua capacidade de repelir todos os ataques mágicos e físicos tornava o apelido de “milagre divino” muito apropriado.
Até momentos atrás, Rihya não conseguia sentir a presença do homem de cabelo roxo. Agora ela o via claramente, graças à sua poderosa descarga de magia. Dispositivos que bloqueavam a detecção eram apenas capazes de distrair a atenção de alguém. Uma vez que a presença do usuário fosse reconhecida por outro, era quase impossível mascará-la da vista novamente. Por essa razão, Lyn e Warren agora também podiam ver o homem de cabelo roxo claramente.
— Hmph. Um espadachim solitário. Presumo que seu amigo mago não está com você desta vez? Minhas amarras ainda estão no lugar, mas vou derrotá-lo facilmente.
O homem de cabelo roxo praticamente cuspiu as palavras.
— Não entendo o que isso significa, mas sei que você está me fazendo de tolo.
Então Abel desembainhou sua espada, entrou em posição de luta e comandou seu grupo: — Formação de batalha, Triângulo 1.
— Sim, senhor!
Lyn e Rihya responderam em uníssono, enquanto Warren silenciosamente assumiu sua posição na frente das duas. Warren estava no ápice do triângulo que eles criaram, com Rihya atrás dele à direita e Lyn à esquerda. Abel se moveu sozinho.
Esta era a formação de batalha Triângulo 1 do quarteto.
Eles eram um grupo de rank B. Independentemente do tipo de oponentes que enfrentassem, eles tinham as habilidades para lutar com qualquer um, um testemunho de sua experiência e conquistas até então.
Eles empregaram o Triângulo 1 contra um inimigo solitário com um poder de ataque incrível, já que Abel era essencialmente o único deles que poderia enfrentá-lo. O papel principal de Warren era proteger Rihya e Lyn, enquanto as mulheres forneciam suporte à distância. Por exemplo, se Abel tivesse que saltar para trás para criar distância entre ele e o inimigo, elas poderiam atacar de longe enquanto ele se reagrupava, e assim por diante...
Abel sabia o quão chocantemente rápido o homem à sua frente se movia, e foi por isso que ele confiou a proteção de seus companheiros a Warren. O usuário de escudo os defenderia contra qualquer um, independentemente de suas habilidades.
Com a segurança das mulheres garantida, Abel só precisava se preocupar em lutar contra o inimigo com tudo o que tinha!
Por que lutar? Não poderiam ter encontrado uma maneira de evitar isso? Essas perguntas não entraram em sua mente agora. Sequer, era tarde demais para tais pensamentos.
Abel era um espadachim e o homem diante de seus olhos — seu inimigo — era um monstro.
Antes que Abel percebesse, o homem estava bem na sua frente.
— Tsc.
Ele mal teve tempo de emitir o som antes que suas espadas se chocassem.
Klang, klang, klang.
Assim, a batalha começou: com o salto incompreensivelmente rápido do homem e três golpes sucessivos. Abel sabia, da luta anterior, que se ele recuasse para criar distância, um ataque mágico viria. Da última vez, ele conseguiu bloqueá-lo e lançar um contra-ataque. Então... desta vez, ele simplesmente não colocaria nenhuma distância entre eles!
Enquanto desviava do golpe diagonal de cima para baixo do homem, Abel mudou para uma postura em forma de L, colocando seu peso no pé direito e puxando a perna esquerda para trás. Isso naturalmente o colocou do lado esquerdo do homem. Abel foi direto ao pescoço dele com sua espada.
Mas o homem de cabelo roxo não decepcionou, pois se abaixou, jogando a parte superior do corpo para a frente. Ele se esquivou do golpe lateral de Abel e, ainda em sua postura antinatural, brandiu sua própria espada de volta para Abel usando apenas a mão esquerda. Abel se esquivou dando um passo para trás, o que infelizmente criou espaço entre os dois!
— Lapis.
Quatro lanças de pedra apareceram na frente de Abel quando o homem cantou... Apesar de seu passo para trás, ele imediatamente avançou de volta em direção ao homem. Distância significava um ataque mágico... assim como ele havia antecipado! Ele brandiu sua espada lateralmente, ceifando todas as lanças de pedra.
— Impossível! — gritou o homem com raiva.
Ele não deveria ter tempo para gritar tais coisas no meio de uma batalha corpo a corpo como esta... mas a palavra escapou inconscientemente. Era a prova de que Abel o estava superando. Mesmo assim, o homem de cabelo roxo se recusou a ser derrotado. Ele desviou com maestria cada um dos golpes de espada de Abel com sua própria lâmina.
— Tsc.
Abel estalou a língua em aborrecimento. Ele sabia o quão forte e perigoso era um oponente como este. À medida que seu oponente encontrava sua espada com a dele, ele recuperava seu ritmo. Não era fácil quebrar alguém como ele.
Seus ataques ferozes também eram uma ameaça, pois até mesmo um único golpe bem-sucedido poderia decidir a batalha em um instante. Sua defesa sólida também era um problema, pois dificultava que Abel desferisse um golpe decisivo. Além disso, o homem nunca se permitiria perder.
Quanto mais perto você está do topo, melhor é sua defesa. Isso não é verdade apenas para espadas, mas para qualquer coisa que envolva combate. Quando a situação aperta, tudo o que você precisa fazer é se dedicar exclusivamente à defesa e esperar para explorar uma brecha na armadura do seu oponente. Essa é uma tática, e perceber isso lhe dá a chance de se recompor e considerar opções alternativas. Abel sabia que uma defesa sólida era como você superava uma crise, e era por isso que oponentes habilidosos na defesa eram tão perigosos.
Quanto mais uma batalha se estendia, maiores as chances de fatores inesperados trazerem infortúnio aos envolvidos. Isso se aplicava a lutas um contra um e a lutas em grupo também.
Foi pura 'coincidência' que um grupo de crianças de repente se aproximou. Afinal, eles haviam escolhido uma praça bem no meio da cidade como seu campo de batalha. O lugar perfeito para as crianças brincarem. Se estivessem lutando do outro lado da praça, onde ele vira o homem de cabelo roxo pela primeira vez, talvez Abel tivesse tido tempo de reagir à aproximação delas. Infelizmente, eles estavam lutando perto da entrada da praça.
Abel foi o primeiro a perceber que as crianças se aproximavam atrás dele. Não só pelos movimentos do homem à sua frente, mas também porque ele estava prestando atenção ao seu redor. Assim que o fez, ele se distraiu momentaneamente. Um curto espaço de tempo, mas o suficiente para o homem de cabelo roxo recuar e criar uma brecha entre eles.
— Merda...!
Tarde demais.
— Vinea Glacies.
O canto do homem criou um número incontável de estacas de gelo e todas voaram direto para Abel, que não podia se esquivar sem colocar as crianças atrás dele em perigo!
— Praça do Santuário.
Rihya lançou o feitiço pela segunda vez e repeliu cada uma das estacas de gelo. Até mesmo Abel ficou surpreso com seu timing perfeito.
O primeiro a recobrar os sentidos foi o homem de cabelo roxo. Ele se moveu tão rapidamente que parecia ter se teleportado. Antes que Abel percebesse, seu oponente estava na frente dele novamente, avançando com sua espada. Ele desferiu uma estocada, depois outra, e uma terceira. Abel lutou desesperadamente para se defender e o homem continuou atacando em sucessão.
Seus papéis ofensivo e defensivo haviam se invertido. Por quê? Porque o ritmo da batalha havia sido interrompido. Abel não estava ferido e o homem não havia se tornado mais forte, nem a força de Abel havia diminuído. No entanto, o aparecimento inesperado das crianças havia destruído o ritmo que Abel vinha construindo durante a luta.
O que exatamente é o ritmo da batalha? Bem, o mesmo fenômeno existe nos esportes:
— Sabe, estou me sentindo no auge hoje — um atleta poderia dizer. — Não importa o que eu faça, acho que essa partida está no papo. — Ou até mesmo algo como: — Meu corpo está tão leve.
Claro, o biorritmo também tem a ver com isso...
No entanto, às vezes, mesmo quando tudo está indo bem, as coisas começam a dar errado inexplicavelmente. Isso é provavelmente algo que todos já experimentaram em suas vidas, não acham? Uma mudança súbita na direção errada que não pode ser explicada pelo biorritmo.
Todas essas coisas são o ritmo. Claro, nem sempre é unilateral, e há raras ocasiões em que os ritmos de ambos os lutadores se encaixam... e é aí que nascem as chamadas lutas lendárias.
O homem de cabelo roxo não tinha desejo por tal luta lendária. Ele não sabia nem se importava com o que Abel queria.
Depois de ser forçado à defensiva, Abel se viu à beira do perigo... mas ele se manteve firme. Porque quando se tratava da espada, ele era um dos melhores. Naturalmente, isso significava que sua defesa também era sólida. Mesmo quando uma situação se tornava arriscada, ele tinha força de sobra para se recompor.
Sem mencionar as preparações que ele havia feito desde o início. Pelo canto do olho, ele olhou para o trio formando um triângulo. Um deles assentiu imperceptivelmente em resposta. Quando viu isso, Abel encontrou o golpe do homem de cabelo roxo com sua lâmina e o empurrou para trás com força. Simultaneamente, ele saltou para trás uma boa distância. Foi então que aconteceu.
— Chuva de Balas.
Lyn, a maga do ar, vinha sussurrando silenciosamente o longo encantamento desde o início da batalha. Quando finalmente disse as palavras de ativação, mais de cem balas de ar invisíveis zuniram em direção ao homem de cabelo roxo... e o atingiram.
— Ngh...
Abel jurou ter ouvido o homem soltar um grunhido abafado. Pelo menos vinte das balas haviam atingido seu oponente, crivando seu corpo de buracos. Abel viu claramente, com seus próprios olhos. Os projéteis fizeram impacto. Não havia sido uma ilusão. Ele tinha quase certeza disso.
E então, no instante seguinte, o homem de cabelo roxo desapareceu.
— Hã? — ofegou Lyn. Até Rihya e Warren estavam congelados de choque.
— Ele... — sussurrou Abel, sua voz mal audível. — Ele conseguiu escapar?
Os outros o ouviram, no entanto.
— Ele realmente conseguiu escapar? — perguntou Rihya.
— Não sei... Mas meu instinto me diz que sim.
As roupas do homem de cabelo roxo deveriam estar em frangalhos após o ataque de Lyn, mas nem um único pedaço de tecido estava no chão. Talvez Transferência ou algo semelhante... Abel se perguntou se ele havia desaparecido usando um desses feitiços. Claro, ele não sabia se algo assim era possível. E se fosse possível, ele também não sabia quão poderoso o homem teria que ser para executar tal magia. Ele sabia apenas a mesma coisa que sabia desde o início: o homem de cabelo roxo, e quem quer que fossem seus cúmplices, certamente não eram pessoas comuns.
— Eu realmente não quero ter que lidar com pessoas assim...
— Tarde demais — murmuraram Lyn e Rihya em uníssono...
◆
Em um lugar muito ao norte da cidade de Lune.
— Ambas as 'sementes' que plantamos na propriedade do Duque Shrewsbury foram removidas?
— Correto, General Rancius...
Com a tez pálida, Ambasz, seu ajudante, fez seu relatório. Seu nervosismo não era de se espantar, considerando que ele estava relatando o fracasso de uma de suas missões de alta prioridade.
— Como?
— Um ascendeu à posição de tenente dos cavaleiros de Shrewsbury e o outro se tornou seu vice-secretário de finanças, mas ambos foram demitidos de seus postos por Andrew Ortiz, o Duque interino de Shrewsbury...
— Isso é ridículo... — O General Rancius balançou a cabeça repetidamente, incrédulo. Então, algo de repente lhe ocorreu. — Havia um relatório de que a causa da morte do duque anterior poderia não ter sido um acidente, certo?
— Sim. Recebemos informações adicionais há pouco tempo sobre essa mesma possibilidade. O cavalo de Sua Graça enlouqueceu abruptamente e uma investigação revelou que um pedaço de cerâmica quebrada havia sido inserido sob a sela.
O general bufou com a notícia. — As pessoas usam esse truque há séculos. Se você colocar uma pequena bolsa de água entre o caco e a sela, a bolsa se rasga depois de um tempo do cavalo galopando, tornando tudo menos provável de ser descoberto...
— É exatamente como o senhor descreveu.
— Então o duque anterior foi assassinado. Eu me pergunto quem... Não, essa é uma pergunta estúpida a se fazer. Porque se não fomos nós, então devem ter sido eles, hein?
— Então... o senhor suspeita da Federação, afinal?
O General Rancius assentiu silenciosamente em resposta à pergunta do Ajudante Ambasz.
O Duque de Shrewsbury era um aristocrata chave na parte oriental do Reino. Embora não soubessem o porquê, a Federação estava determinada a destruir a lei e a ordem ali.
— Conseguimos plantar novos agentes em Lune?
— Sim. No entanto, houve uma série sucessiva de prisões de espiões da Federação, então a segurança na cidade foi consideravelmente reforçada, o que inclui patrulhas mais frequentes.
— Maldição... Por que aqueles desgraçados da Federação não conseguem fazer o trabalho deles direito? Isso só torna as coisas mais difíceis para nós.
Ambasz sabiamente manteve a boca fechada em resposta às queixas de seu superior sobre seu inimigo imaginário.
— Falando nisso, o relatório sobre o primeiro pelotão capturado, o de Gamingam, deve estar chegando em breve, certo?
— Sim. Esse também foi entregue não faz muito tempo...
Incomumente, o Ajudante Ambasz falou de forma evasiva.
— Olha, não estou feliz que eles foram pegos, então não importa o que você me diga, não pode piorar meu humor.
— Entendido. Aqui estão os detalhes do relatório, então. Enquanto o pelotão de Gamingam estava escondido na cidade, eles foram vistos por um par de homens que pareciam estar em patrulha, então foram forçados a atraí-los para a escuridão e eliminá-los como uma fonte potencial de problemas. Todos os quatro atacaram de uma vez, mas falharam ao serem impedidos por uma Barreira Física.
— O quê? Uma forte o suficiente para repelir o ataque simultâneo deles? Isso é difícil de acreditar... E o que aconteceu depois?
— Quando recuperaram a consciência, se viram na prisão da guarnição.
— Que diabos?
O General Rancius franziu a testa. — Você está me dizendo que nosso pessoal descobriu o motivo pelo qual falharam, mas não o motivo pelo qual foram derrotados?
— Correto.
— Isso fica cada vez mais estranho... A guarnição de Lune sequer tem soldados tão habilidosos...? Não, talvez seja alguém dos cavaleiros do margrave... Na verdade, isso é muito possível. Um mago de elite, renomado... ligado à ordem dos cavaleiros, muito provavelmente... — o general murmurou para si mesmo, as engrenagens girando em sua mente. Então ele chegou a uma conclusão. — Envie mais dois pelotões para Lune. Faça-os investigar a identidade de quaisquer magos poderosos ligados aos cavaleiros e me reportem o mais rápido possível. Isso não está me cheirando bem.
— Sim, senhor, imediatamente.
O Ajudante Ambasz saudou em resposta à ordem do General Rancius.
— Com base nisso — disse o General Rancius, pensativo — parece que apenas nossas operações na capital real e na parte oeste do Reino estão sendo bem-sucedidas. Certo?
— Sim, senhor. Tivemos que suspender às pressas nossas operações no ducado de Flitwick, no norte...
— Certo, certo, porque a ordem veio do palácio imperial. Eles devem saber algo que nós não sabemos. Esqueça o norte. Podemos viver sem ele. — O General Rancius assentiu placidamente.
Uma ordem do palácio imperial significava a vontade de Sua Majestade Imperial. Em suma, eles não precisavam pensar nos porquês ou comos. Apenas tinham que obedecer.
— A parte oeste do Reino é a única que não podemos nos dar ao luxo de perder. Entendido? Sob nenhuma circunstância nos retiraremos de lá. Se não mantivermos isso sob controle, tudo desmoronará na fase final.
Ambasz franziu a testa, rígido. — A floresta ocidental, sim?
— Não podemos deixar aquelas pessoas se envolverem com o governo central. Se elas deixarem a floresta ocidental, todos os planos do nosso Império seriam arruinados.
— Sim, senhor...
— Hm... Talvez eu devesse ir lá e me certificar das coisas pessoalmente.
— General? — perguntou Ambasz, duvidoso.
— Sim. Qual é o ditado? Se você quer algo bem feito, faça você mesmo. Neste caso, eu deveria estar na linha de frente para garantir o sucesso de nossa missão. — O General Rancius se levantou. — Irei para a parte oeste do Reino pessoalmente. Ambasz, você ficará no continente imperial. Estou deixando você no comando do apoio logístico e das forças adicionais.
— Entendido.
— Não vamos estragar tudo. Não podemos. Juro pelo nome do 20º Regimento Imperial, o Regimento Sombra.