The Water Magician

Volume 3 - Capítulo 2

The Water Magician

Uma fina camada de neve caindo do céu cinzento da manhã cobria Markdorf, a capital do Império Debuhi, de branco. A cidade era o centro de um enorme bloco econômico considerado o maior das Províncias Centrais, mas poucas pessoas caminhavam por suas ruas no momento. Esse vazio era emblemático da crise econômica do Império como um todo.

A avenida principal que corria de norte a sul pelo centro de Markdorf terminava no castelo imperial, o centro de todo o Império. O Imperador Rupert VI, mestre do castelo, ouvia o relatório do Primeiro-Ministro Hans Kirchhoff. O homem também era membro da nobreza. Um conde, para ser exato.

— Você diz que o Herói chegou? — perguntou Rupert VI, visivelmente descontente.

Compreendendo a fonte de sua irritação, o Primeiro-Ministro Hans inclinou a cabeça em comiseração. — Sim, e como combinado anteriormente, ele solicitou uma audiência com você, Sua Majestade.

— Não recebemos um relatório de que ele havia cruzado a fronteira? Quando foi isso? Uma semana atrás, eu acho? Isso significa que ele veio direto para a capital sem parar em nenhum outro lugar.

— De fato. Claramente, ele tem algum tipo de objetivo... No entanto, não está claro para nós no momento, já que tudo o que ele fez foi solicitar uma audiência com você.

O evidente descontentamento de Rupert se aprofundou. Para ele, o Herói era um ser que só trazia problemas e nada mais.

— A que acordo você está se referindo? É a primeira vez que ouço falar disso, e com o Herói, ainda por cima...

— Eu mesmo não tinha conhecimento disso, então pedi ao bibliotecário-chefe Tulan, da biblioteca imperial, que investigasse o assunto. Cerca de trezentos anos atrás, quando o Império ainda era uma monarquia, o Rei Karl XII concedeu ao Herói da época um selo de aprovação. Tulan encontrou um registro escrito disso.

— Trezentos anos... Isso é praticamente história antiga. Qual é o conteúdo do selo?

— Não importa a época, estamos obrigados a ajudar o Herói.

Rupert VI suspirou pesadamente. — Maldita seja, que dor de cabeça. Tudo bem, vou conceder-lhe uma audiência, pelo menos. Depois disso, nossa cooperação dependerá inteiramente do que o Herói busca.


Como a audiência com o imperador era informal, não havia muitos cortesãos presentes. Com o Herói Roman à frente, ele e os seis membros restantes de seu grupo ajoelharam-se, cada um sobre um joelho, diante das escadas que levavam ao tablado onde ficava o trono do governante. Eles esperaram que o Imperador Rupert VI lhes falasse.

— Mestre Roman, o Herói, e seus amigos, levantem a cabeça.

A pedido do Primeiro-Ministro Hans Kirchhoff, o grupo do Herói obedeceu deferentemente.

— Herói Roman, assim como seus camaradas, dou-lhes as boas-vindas — entoou Rupert VI.

— Não somos dignos de suas boas-vindas, mas, no entanto, honrados por elas — respondeu Graham, o clérigo do grupo e o membro mais velho. Embora Roman, o Herói, fosse o líder do grupo, ele tinha apenas dezenove anos e era inexperiente. Como o mais velho, Graham frequentemente atuava como seu representante durante as reuniões formais.

— Não há necessidade de formalidades à luz da natureza informal desta audiência. Embora eu esteja, é claro, honrado com sua visita à nossa nação, talvez você queira me dizer o motivo dela?

A atitude de Rupert VI não mostrava nenhum traço de seu desgosto. Na verdade, seu tom era o epítome da polidez.

— Eu vim ao Império para solicitar instrução pessoal do renomado Mago do Inferno, Oscar Luska — respondeu Roman com um olhar determinado. Dependendo do país ou da pessoa no poder, isso poderia ser considerado um ato incrivelmente desrespeitoso, o que explicava por que os membros de seu grupo olhavam para ele com ansiedade.

Rupert murmurou um "hmm", pego de surpresa pelo pedido inesperado. Por que o Herói quereria lutar contra Oscar?

— Então — disse Rupert —, você deseja treinar com Oscar?

— Lorde Oscar Luska também é extremamente conhecido por seus dias de aventureiro, então primeiro visitamos a guilda dos aventureiros. No entanto, fomos informados de que ele não ia mais lá porque há muito tempo havia sido colocado no registro militar. Foi quando decidimos nos valer da magnanimidade de Sua Majestade e buscar uma audiência com você aqui no castelo imperial — explicou Graham, o clérigo.

Rupert VI olhou para Hans. — Hans, onde está Oscar agora?

— Lorde Oscar está estacionado no campo de treinamento da Divisão de Magia Imperial.

Após receber a resposta que esperava, Rupert mergulhou em um silêncio pensativo.

Ele está sempre no campo de treinamento, então isso não é novidade. Dito isso... estou bem ciente de que ele deixa o treinamento da divisão para Fiona e os outros enquanto se isola no Centro de Treinamento Mágico Número 4. Parece que o incidente de Whitnash teve um efeito profundo sobre ele... Ele fez seu trabalho bem, protegendo Fiona, mas o homem em si não está convencido disso, eh? Não importa. Isso só significa que ele ficará ainda mais forte. Bravo, bravo... Se eu levar isso em conta, o Herói e seus amigos seriam úteis como um teste para a nova força de Oscar?

— Muito bem, Herói Roman, concederei seu desejo. Você tem minha permissão para visitar os campos de treinamento. No entanto, essa área fica a uma distância considerável da capital imperial, então peço que descansem aqui no castelo esta noite e partam amanhã. Farei com que meu pessoal providencie transporte para os seus.

— Sou eternamente grato por sua bondade, Sua Majestade Imperial.

O Herói Roman inclinou a cabeça profundamente.


— O Herói está vindo?

A Comandante da Divisão de Magia Imperial, Fiona Rubine Bornemisza, repetiu para sua ajudante, Marie.

— Sim, recebemos uma missiva do castelo. Aqui está.

Ela entregou a carta oficial para Fiona, que a leu três vezes para ter certeza.

— O que diabos meu pai está pensando? Não só permitiu que um estrangeiro entrasse nos campos de treinamento, como também permitiu que treinassem com o Mestre... Jurgen, ele está fazendo o de sempre?

— De fato. Como sempre, o vice-comandante se isolou, sozinho, no Centro de Treinamento Mágico Número 4 — respondeu Jurgen, ajudante de Oscar.

Seu comportamento não era novo. Começara quando voltaram de Whitnash e persistia todos os dias desde então. Mais de um mês já havia se passado. Embora Oscar tomasse café da manhã com Fiona pela manhã enquanto lhe fazia seus relatórios, ele se trancava no quarto campo de treinamento logo depois.

Claro, não era um problema, já que Fiona, como comandante, lhe dera sua permissão. Fiona liderava o treinamento e os exercícios militares da divisão com a ajuda dos ajudantes, Marie e Jurgen, bem como do capitão de cada esquadrão. Não havia problemas mesmo sem Oscar. Esse era o tipo de sistema em vigor.

— Bem, não há nada que possamos fazer sobre o Mestre. Ele simplesmente fica assim às vezes.

O relacionamento deles vinha de longa data, então Fiona sabia que era simplesmente assim que Oscar reagia depois de perder ou cometer um grande erro. Sempre que sentia intensamente a falta de seu próprio poder mágico, ele tendia a se isolar de todos os outros.

Lembro-me de Mestre me dizendo uma vez como lembrar a humilhação da derrota o faz tremer de raiva. Como ele relembra a cena repetidamente, a grava em sua mente e imagina as chamas o consumindo. Porque é isso que o torna mais forte. E a realidade é que ele realmente se torna mais forte depois de passar por esse processo. Tão forte que até eu percebo... Em particular, quão anormalmente poderosos seus feitiços se tornam e a velocidade com que ele pode gerá-los. Ele me disse para tentar o método também, mas não vi mudança alguma... Honestamente, achei que era completamente impossível de entender... Exceto, é realmente algo que apenas o Mestre é capaz de fazer? Acho que não... Eu simplesmente não consigo deixar de sentir que há algum segredo interno na magia envolvido, algo que estou perdendo... Se ele algum dia emergir de seu exílio autoimposto, terei que perguntar a ele sobre isso em grande detalhe.

Ultimamente, Oscar não se preocupava com nada relacionado à magia, então nem mesmo Fiona havia testemunhado um de seus períodos de melancolia há bastante tempo. Ela não era a única preocupada com ele. Não apenas os membros da divisão, que haviam sido convocados seis meses atrás, estavam confusos com seu comportamento, mas também Marie, que era sua ajudante há um ano e meio, e Jurgen, que era ajudante de Oscar há mais de dois anos. Para eles, era a primeira vez que o viam assim.

— Então isso é normal...? — Jurgen murmurou baixinho, quase para si mesmo. Ele não podia fazer nada sobre seu oficial comandante, então optou por não se aprofundar muito nessa nova informação.

— O Herói e seu grupo chegarão no início da tarde de amanhã. Não tenho ideia se o Mestre concordará em enfrentá-lo, mas deve ficar tudo bem se tivermos os membros da divisão engajados em batalhas simuladas com eles. Gostaria que você cuidasse disso e arranjasse um lugar para eles ficarem também.

— Entendido, Comandante.

Com uma reverência da Ajudante Marie, a reunião para dar as boas-vindas ao Herói terminou.


O Herói Roman e os membros de seu grupo, sete ao todo, sentaram-se confortavelmente dentro da carruagem que viajava da capital imperial para a área de treinamento.

— Nunca vi uma carruagem tão enorme antes.

— Seriam necessários pelo menos dez cavalos ou vários bem treinados para puxá-la. Caso contrário, deve ser muito difícil.

Cada um deles elogiou a carruagem. No entanto, um deles — um homem — parecia irritado.

— Roman, você está falando sério sobre isso? Você sabe o quão baixo é o nível de magia nas Províncias Centrais, certo? Não se compara a mim ou a Alicia. É uma perda de tempo, se você quer saber — reclamou Gordon, um mago de fogo.

Gordon falava com arrogância com apenas vinte e três anos, mas essa confiança era apenas prova de seu histórico exemplar como aventureiro nas Províncias Ocidentais. Por mais de meio século, era normal que os magos das Províncias Ocidentais, assim como das Orientais, tivessem os magos das Centrais em baixa conta.

— Eu sei, mas ainda desejo que ele me ensine.

A memória de quão facilmente a criatura chamada Leonore lidou com ele pesava muito na mente de Roman.

— Qual era o nome dela mesmo? Leonore? Nem sabemos se ela estava dizendo a verdade. Alguém dez mil vezes mais forte que você... Como se essa pessoa existisse. Nós basicamente conhecemos todos que são poderosos nas Províncias Ocidentais. Além daqueles com quem você está em pé de igualdade, não há ninguém que possa realmente superá-lo. Isso é apenas um fato. Então, embora eu acho que posso entender por que você gostaria de ir para as Províncias Centrais... eu simplesmente não acho que essa pessoa, se é que existe, seja um mago.

— Seja como for, Gordon, quando se trata dos aventureiros mais famosos ou poderosos das Províncias Centrais hoje, o primeiro nome na boca de todos é O Mago do Inferno. Ele pode não ser quem estou procurando, mas, no mínimo, acredito que terei alguma ideia de como me tornar mais forte. Isso é egoísmo da minha parte. Eu sei disso, mas, por favor, fiquem comigo só mais um pouco.

Então Roman inclinou a cabeça profundamente.

Ninguém conseguia resistir quando confrontado de frente. Todos os seis membros de seu grupo sabiam disso por experiência dolorosa.

— Argh... — Gordon suspirou, um som aparentemente arrancado das profundezas de sua alma.

— Tudo bem, ok? Apenas... faça o que quiser. — Ele bagunçou rudemente o cabelo de Roman e cedeu ao desejo do Herói.

— Eu farei. Muito obrigado. — Roman sorriu para ele. Ele ainda não havia percebido que era esse sorriso que mantinha o grupo unido.


Pela manhã, o Herói e seu grupo partiram da capital imperial. Eles pararam para almoçar em sua jornada e chegaram ao Centro de Treinamento Mágico Número 4 um pouco depois das duas da tarde. O grupo de cavaleiros da guarda imperial que escoltara sua carruagem da capital virou-se silenciosamente para fazer a viagem de volta assim que o veículo entrou nos terrenos do centro de treinamento. O que o Herói e seu grupo não sabiam era que apenas aqueles com permissão especial podiam entrar nos centros de treinamento mágico. Havia até rumores de que qualquer um que tentasse entrar sem permissão seria bombardeado por ataques mágicos sem questionar.

Claro, isso era apenas um boato. No entanto, poderia ser totalmente possível, considerando que os centros de treinamento mágico irradiavam uma aura tão ameaçadora para os forasteiros...


Quando o Herói Roman abriu a porta da carruagem e saiu, encontrou três homens e mulheres parados ali.

— Mestre Roman, bem-vindo ao nosso centro de treinamento mágico. Meu nome é Fiona Rubine Bornemisza e sou a comandante da Divisão de Magia Imperial. Estendo humildemente minhas boas-vindas ao resto do seu grupo também.

Fiona colocou a mão no peito e os saudou à moda imperial.

— S-Somos gratos por sua hospitalidade — conseguiu dizer Roman.

Morris, o batedor do grupo, notou o Herói olhando para Fiona completamente atordoado. Ele deu uma cotovelada em Graham, seu clérigo e negociador, na lateral.

— Graham, Roman.

Graham entendeu na hora. — Meu nome é Graham — disse ele, movendo-se para ficar ao lado de Roman —, e sou o negociador designado para nossa equipe. Sua Alteza Imperial, por favor, aceite nossa mais profunda gratidão por nos receber pessoalmente.

— Oh, meu... Ela é uma princesa imperial? — disse Alicia, a maga do ar do grupo, por trás de Graham.

Mesmo enquanto Graham suspirava mentalmente, sua expressão calma nunca vacilou.

— Agradeço suas saudações. No entanto, este não é um palácio, mas um centro de treinamento militar — disse Fiona. — Daqui para frente, não há necessidade de ser formal com sua fala ou tom. Atrás de mim estão os ajudantes Marie e Jurgen. Eles cuidarão de todos vocês. Dito isso, como este é um campo de treinamento, espero que encontrem sua cota de inconveniências, pelas quais peço desculpas antecipadamente.

— Entendemos, é claro. Afinal, fomos nós que solicitamos instrução do próprio Mago do Inferno. Então, por favor, não se preocupe em nos incomodar. Já que estamos no assunto — disse Graham —, posso perguntar onde está Lorde Oscar?

— Certo, sobre isso. O Vice-Comandante Oscar está atualmente no processo de ajustar um regime diferente. Ele está programado para me fazer um relatório amanhã de manhã e eu o informarei sobre sua visita então. Você estaria disposto a esperar para lutar contra ele até que ele esteja pronto, Mestre Herói?

Roman ficou agitado quando percebeu que ela estava falando com ele. — S-Sim, claro. Por favor, não se importe comigo.

— Então vou acreditar na sua palavra, Mestre Roman. Agradeço sua gentileza.

Assim, Fiona conseguiu que ele aceitasse o atraso de Oscar.

Graham, o único que percebeu o que acabara de acontecer, suspirou interiormente. Ah, Roman... Você ainda é tão jovem e ingênuo.

— Vocês todos devem estar cansados de viajar por meio dia na carruagem. Há quartos prontos para vocês no anexo, então sintam-se à vontade para descansar à vontade. Marie os guiará.

— Sua Alteza — interveio Roman —, por favor, espere.

— O que foi, Mestre Roman?

— Se possível, eu poderia ter permissão para observar um exercício militar?

Fiona estreitou os olhos ligeiramente. — Hm. Disseram-me que Sua Majestade lhe deu permissão para conduzir batalhas simuladas com Oscar... O imperador também lhe deu permissão para assistir às manobras da Divisão?

— Ah... Não... — Roman inconscientemente abaixou a cabeça. Ela estava certa, o Imperador Rupert VI havia apenas aprovado seu treinamento com Oscar.

— Com todo o respeito, Sua Alteza — disse Graham, assumindo as rédeas da conversa de Roman —, Sua Majestade nos deu permissão para entrar nos campos de treinamento. Em outras palavras, interpretamos que poderíamos observar os regimes de treinamento, o que é parte da razão de nossa visita.

Naturalmente, os membros do grupo não haviam realmente discutido os detalhes de como passariam o tempo, mas serem impedidos de observar os exercícios de treinamento apresentava um problema prático. Além disso, eles não tinham ideia de quando Oscar, sua principal motivação para estarem ali, realmente apareceria, e tentar matar o tempo não seria fácil no centro de treinamento.

— Mmm... Que tal isso — disse Fiona. — Faremos uma batalha mágica entre seu representante e o nosso, e se você vencer ou se julgarmos seus esforços bons o suficiente, deixaremos você observar nosso treinamento. O que me diz, Mestre Herói? Você provará aos membros da minha divisão que você e os seus ganharam o direito de nos assistir?

Embora Graham tivesse dito explicitamente a ela que ele era o negociador do grupo deles, a verdade inconfundível era que este era o grupo do Herói Roman. Por falta de experiência, ele estava atualmente completamente apaixonado por Fiona...

Esta princesa sabe exatamente como usar a juventude de Roman contra ele. Que jovem perigosa.

Pela enésima vez naquele dia, Graham suspirou interiormente. Mas antes que Roman pudesse responder ou Graham pudesse intervir, outra pessoa respondeu por eles.

— Desafio aceito. Eu me nomeio.

Era Gordon, o mago de fogo do grupo do Herói.

Nem pensar que vou deixar os magos das Províncias Centrais inferiores nos fazerem de idiotas. Assim que ela vir o quão mais poderoso eu sou, essa princesinha boba ficará sem palavras.

Gordon transbordava de confiança. Quando ele ficava assim, ninguém podia detê-lo.

— Então você será o representante do Herói. Entendido. — Fiona sorriu alegremente e gesticulou para que a seguissem. — Então vamos entrar no centro de treinamento.

O grupo do Herói não teve escolha a não ser seguir, completamente à sua mercê.

Graham, de alguma forma, era o único de seu grupo que percebeu que ela os tinha dançando na palma da mão. Até mesmo alguns dos membros da Divisão Imperial pareciam divertidos.

Foi quando Graham perdeu a paciência.

Não só ela cravou suas garras em Roman, como também conseguiu irritar Gordon! Por que diabos temos que nos envolver nessa farsa de batalha? Provar nosso valor para o povo dela? Isso nem faz sentido! Que se dane... O que quer que eu diga agora, é tarde demais... Tenho um péssimo pressentimento de que nosso grupo acabará revelando muitos de seus segredos.

Então Graham se preparou, aceitando o fato de que tudo isso era necessário para que Roman se tornasse mais forte.


— Quanto ao nosso lutador... Hm... — Fiona avistou um jovem de vinte anos que pertencia à 2ª Companhia. — Klimt, você nos representará. Uma batalha mágica simulada.

— Sim, senhora!

— Mestre Gordon, você é um mago de fogo, e nosso Klimt também. Acredito que ambos podem aprender um com o outro. Ah, mais uma coisa. Mestre Graham, você é o curandeiro do seu grupo, sim? Nós também temos um curandeiro excepcional, então... a menos que seja um golpe fatal, ambos devem sobreviver bem.

Todos, exceto Gordon, Klimt e o juiz, assistiam das arquibancadas dos espectadores.

Os dois combatentes se distanciaram vinte metros um do outro e se encararam.

— Eu, Jurgen Barthel, serei o juiz deste encontro. Ataques letais não são permitidos. Se um lutador se render, perder a consciência ou for considerado incapaz de continuar a luta, a partida terminará. Mestre Gordon, está pronto?

— Sim — respondeu Gordon.

— Klimt, está pronto?

— Sim, senhor, estou — respondeu Klimt com um aceno de cabeça.

— Então que comece a partida!


Gordon fez o primeiro movimento.

— Bola de Fogo.

Ele não levou a partida a sério porque não levava os magos das Províncias Centrais a sério, então queria terminar rápido e de forma decisiva com o primeiro golpe.

Exceto...

— Bola de Fogo.

Klimt anulou a Bola de Fogo de Gordon com uma dele mesmo.

— Huh. Você pode fazer isso sem cantar o encantamento. Então que tal isso? Bola de Fogo. Bola de Fogo. Bola de Fogo.

Gordon lançou três Bolas de Fogo consecutivas.

Infelizmente para ele...

— Bola de Fogo. Bola de Fogo. Bola de Fogo.

Klimt interceptou o trio com seu próprio conjunto de três.

— Maldito seja...! Dardo de Fogo. Dardo de Fogo.

Gordon lançou dois ataques de Dardo de Fogo com seu alto poder de perfuração.

Em resposta...

— Dardo de Fogo. Dardo de Fogo.

Klimt fez o mesmo.

Finalmente, Gordon explodiu.

— Ao inferno com isso! Não me importo mais com o que aconteça! Lâmina de Fogo—

— Bola de Fogo.

Klimt mirou uma Bola de Fogo em Gordon antes que ele pudesse dizer a palavra de ativação final de seu feitiço.

— Barreira Mágica — disse Gordon, contra-atacando a Bola de Fogo de seu oponente com magia defensiva agora que sua técnica poderosa havia sido interrompida.

Embora os feitiços pudessem ser ativados sem seus encantamentos correspondentes, desde que as palavras de ativação fossem ditas, as palavras de ativação para movimentos explosivos exigiam uma quantidade razoável de tempo para serem ativadas. Algo como Bola de Fogo poderia ser gerado e lançado em um segundo, mas você precisava de pelo menos três segundos para executar técnicas mais poderosas.

Ainda assim, em comparação com feitiços com encantamentos super longos, três segundos não eram nada. No entanto, foi um atraso mais do que suficiente para Klimt disparar sua Bola de Fogo e parar o movimento especial de Gordon.

Gordon se viu em uma situação que não havia previsto: seu golpe final havia sido interrompido e cada um de seus feitiços menores gerados rapidamente foi contra-atacado pelos de Klimt.

Como diabos ele consegue igualar minha magia? Ele mal deveria conseguir acompanhar desde que comecei... Não me diga que ele é mais rápido do que eu na geração de magia...? Vá se danar com isso! Todo mundo sabe que os magos das Províncias Centrais usam encantamentos ridiculamente longos para magias que, no final das contas, são fracas como o inferno! Então eu deveria simplesmente acreditar que ele pode ativar sua magia sem encantamentos e que ele é mais rápido do que eu para gerá-la? Nem pensar!

Infelizmente para Gordon, a realidade era que todos os seus feitiços foram contra-atacados ou totalmente bloqueados.


Ao mesmo tempo em que Gordon estava em pânico internamente, Klimt também estava. Na verdade, o estado mental de Klimt ia além do mero pânico. Por quê? Por causa de sua inexperiência.

Ele havia entrado na Divisão há meio ano, e somente depois de se tornar parte dela aprendeu a usar sua magia adequadamente. Seu controle mágico se tornou uma segunda natureza para ele, como respirar, graças ao treinamento da Divisão, que era tão intenso que quase fazia as pessoas vomitarem sangue. No entanto, ele certamente não tinha muita experiência em combate contra outros. Claro, os combates um contra um eram o principal método que a Divisão usava em seus exercícios de treinamento, mas, no final das contas, eram apenas isso — exercícios de prática.

Gordon atacou com tanta força que Klimt temeu não ter escolha a não ser matá-lo. Não havia ninguém na Divisão que lutasse como ele... exceto o vice-comandante. Embora a Divisão existisse há apenas seis meses, ela tinha experiência real em campo de batalha e inúmeras caças a monstros bem-sucedidas em seu currículo. Klimt também participara de algumas destas últimas.

Quanto às batalhas... Ele havia se ferido gravemente em um exercício de treinamento antes da campanha e perdido muito sangue no processo. Embora a ferida em si tivesse sido curada rapidamente com uma Cura Extra, demorou muito mais para recuperar o sangue que ele perdeu, tornando-o incapaz de se juntar à expedição.

Em suma, em comparação com os outros membros da Divisão, ele não tinha muita experiência com perigo real e da vida real. Klimt estava bem ciente desse fato e queria fazer algo para compensar, mas a Divisão infelizmente não tinha muitas oportunidades de ir para um campo de batalha real. Na verdade, desde a campanha que ele perdera, a unidade a que pertencia, a 2ª Companhia, não fora despachada para uma grande batalha uma única vez.

Sua falta de experiência basicamente significava que Klimt não sabia como quebrar o impasse entre ele e Gordon. Ele não conseguia aumentar mais o número de seus movimentos e eles estavam em pé de igualdade em termos de velocidade de geração de magia.

Se ele deixasse Gordon ter sucesso em usar seu movimento especial, ele provavelmente perderia. Talvez até morresse... Nesse caso, Klimt tinha que garantir que Gordon nunca tivesse a chance de executá-lo.

Ele se decidiu e deu um passo à frente. Enquanto disparava sua magia, ele deu um passo, depois outro, em direção ao seu oponente.


Q-Que diabos esse cara está pensando? Por que ele está se aproximando? Ele acha que pode vencer porque é mais rápido do que eu na produção de magia? Não brinque comigo, seu desgraçado!

Essa era a voz interior de Gordon falando. Infelizmente, ele entendeu completamente errado o motivo da aproximação de Klimt. O jovem estava apenas se aproximando para evitar dar-lhe a chance de ativar sua técnica mais poderosa...

— Bola de Fogo. Bola de Fogo. Bola de Fogo. Bola de Fogo. Bola de Fogo...

Klimt se concentrou inteiramente em usar o feitiço Bola de Fogo. Toda vez que ele lançava uma em Gordon, ele diminuía a distância entre eles com outro passo. Menos de dez metros os separavam agora.

Então, de repente, naquele momento, o chão entre eles explodiu e uma nuvem de poeira se levantou.

— Hã? — ofegou Klimt. Mesmo enquanto o som escapava dele, ele já estava caindo de bruços no chão.

Uma fração de segundo depois, uma lança de chamas voou pelo local onde ele estivera de pé. Ele correu para se levantar, mas era tarde demais. Um Gordon de aparência demoníaca estava na frente dele segurando uma lança de chamas, prestes a derrubá-la em Klimt.

— Pare aí mesmo! — Jurgen gritou asperamente.

— Vitória para o Mestre Gordon.

Ele havia salvado a vida de Klimt.


Mesmo enquanto ofegava pesadamente em exaustão, Gordon conseguiu chegar até o grupo do Herói sentado nas arquibancadas dos espectadores.

Em contraste, a Comandante Fiona desceu de seu assento e entrou na arena.

— Bom trabalho, Klimt — disse ela suavemente enquanto ele jazia ali imóvel após sua derrota.

Ele se apressou em se levantar e pedir desculpas por perder. — Sua Alteza, perdoe-me por não corresponder às suas expectativas.

Mesmo que Fiona o tivesse honrado escolhendo-o como representante da Divisão, sua triste derrota o frustrou ao extremo.

— Não há nada a perdoar. Olhe para o Mestre Gordon.

— Perdão?

Fazendo o que ela ordenou, Klimt olhou para Gordon, que havia retornado às arquibancadas dos espectadores. Nada em particular se destacou para ele, então ele não entendeu a intenção de Fiona.

— Mestre Gordon está exausto. Mas, Klimt, você ainda pode continuar lutando, não pode?

— Sim. Posso ir para outra rodada!

— A sobrevivência é a coisa mais importante no campo de batalha. E para sobreviver, você precisa ter o poder de lutar até o seu último suspiro. Para os magos em campo, esse poder é a ferramenta mais vital em seu arsenal. Essa é a capacidade de um mago de continuar lutando. Hoje, você provou que pode durar muito mais do que o mago do Herói. Excelente trabalho — disse Fiona.

— M-Muito obrigado!

— Agora tudo o que você precisa é de experiência, que espero que você acumule deliberadamente daqui para frente.

Com isso, Fiona retornou ao seu assento nas arquibancadas. Seguindo seu exemplo, ele também se dirigiu à sua unidade nos assentos dos espectadores.

Elogio e encorajamento. Era assim que ela liderava. Quanto ao motivo pelo qual ela escolhera Klimt... Fiona não se importava se eles ganhassem ou perdessem. Nenhum dos resultados mudaria o que eles teriam que fazer daqui para frente. Neste caso, ela sentiu que era melhor dar a seus subordinados na Divisão o máximo de experiência de combate possível. Klimt não tinha experiência suficiente em batalhas reais, então fora uma boa oportunidade para ele ganhar alguma.

Foi por isso que ela o escolheu. E Klimt agora tinha experiência de combate real. Ela sorriu satisfeita.


Após a batalha simulada entre Gordon e Klimt, os outros membros do grupo do Herói participaram de suas próprias sessões de treinamento um contra um. A maga do ar, Alicia. O mago da terra, Berlocke. E, finalmente, o próprio Herói, Roman.

O oponente de Roman era Emil Fischer, capitão da Primeira Companhia. O homem vinha de uma família de cavaleiros e amava espadas desde a infância... Mas, como esperado, ele não era páreo para Roman...


Na manhã seguinte, o grupo do Herói tomou café da manhã no anexo.

Enquanto isso, Fiona e os dois ajudantes comeram na cantina dentro do centro de treinamento e depois realizaram uma sessão de balanço em seu escritório. Sim, apenas os três. Normalmente, o Vice-Comandante Oscar, que se isolava no Centro de Treinamento Mágico Número 4, também teria participado do café da manhã e da sessão ao lado deles. No entanto, ele estava ausente esta manhã.

— Sua Alteza, o que devemos fazer sobre o vice-comandante? — disse o Ajudante Jurgen, preocupado.

— Hm. Nada — respondeu Fiona. — Deixe-o em paz.

— V-Você tem certeza?

— Tenho um pressentimento de que ele provavelmente aparecerá em algum momento hoje — respondeu Fiona com um sorriso, sabendo que Oscar finalmente tinha controle sobre suas emoções. — Se o Mestre finalmente vai se apresentar, devemos considerar a criação de uma luta em equipe amanhã de manhã. Podemos adiá-la se parecer que ele não chegará até o final da semana, mas é melhor fazer isso cedo.

— Porque assim que o vice-comandante aparecer, o Mestre Roman só terá olhos para ele?

— Exatamente — confirmou Fiona com um sorriso. — Então não poderemos fazê-lo nos enfrentar e isso seria um desperdício para nossa Divisão, não acha?

Com o retorno iminente do vice-comandante, Sua Alteza está sorrindo novamente.

Marie estava secretamente encantada.


— Teremos uma luta em grupo hoje, sim? — Graham, o clérigo-negociador do grupo do Herói, perguntou sobre a programação do dia com Fiona.

Para evitar ser atraído a fazer promessas que não deveria, Roman ficou alguns passos atrás com o resto do grupo.

Mestre Graham tem sua própria montanha de provações e tribulações para cuidar, eh? pensou Fiona, rindo.

— De fato. Que tal sete contra sete? — ela perguntou, aumentando intencionalmente a angústia de Graham. — Percebo que talvez não tenhamos a força necessária para nos opor a você e aos seus, mas nunca mais teremos a chance de enfrentar o grupo do Herói em combate. Espero muito que você concorde.

— Duvido sinceramente que você terá algum problema, considerando as batalhas simuladas de ontem. Agora entendemos perfeitamente o calibre do talento de sua divisão.

No dia anterior, Gordon, Alicia e Berlocke saíram triunfantes de seus combates mágicos, embora os respectivos magos de fogo, ar e terra da divisão tivessem lutado bem. Gordon, o mago de fogo do grupo do Herói, passou por uma mudança completa em sua mentalidade quando testemunhou o quão equilibrados eles estavam com seus respectivos oponentes.

Exceto, é claro, pela luta do Herói.


— Aceitamos o desafio — respondeu Graham. — Sete contra sete.

Graham fez uma reverência a Fiona e convocou o resto dos membros de seu grupo para frente.

— Excelente. Agora, o problema é como proceder com a nossa formação. Acho que vou fazer Jurgen participar hoje, considerando sua insatisfação em apenas observar ontem. Isso significa que outra pessoa julgará hoje, mas espero que isso não represente nenhum problema para você, Mestre Graham?

Então ela faz sua jogada!

O pensamento passou por sua mente ao ouvir a sugestão de Fiona. Ela estava obviamente falando sério sobre vencer.

Ajudantes são aqueles sem proeza de combate que se destacam na administração ou aqueles que superam esmagadoramente seus subordinados em uma divisão. Se ele for o último... isso o torna uma séria ameaça para nós... Mas temos Roman do nosso lado, então ainda poderíamos ser vitoriosos...

— Claro, sem problemas — concordou Graham.

— Jurgen. Marie. Nin, capitã da 2ª Companhia. Shtock, capitão da 3ª Companhia. Elsa, capitã da 4ª Companhia. E a curandeira assistente, Marma. Emil, capitão da 1ª Companhia e oponente de Roman de ontem, será o árbitro de hoje. Sim, isso vai dar certo.

— Sua Alteza — interveio Marie nervosamente —, peço desculpas por questioná-la, mas isso faz apenas seis representantes para o lado da Divisão...

— Ora, eu sou a sétima, é claro.

— Oh, céus. — A cabeça de Marie pendeu. — Eu temia tanto... — Como ajudante de Fiona, ela desejava ardentemente que a princesa permanecesse em segurança à margem. Claramente, não era para ser...

— Em troca de ter Marma lutando, o curandeiro principal Finn e o resto do pelotão de ajuda estarão de prontidão. Temos todas as nossas bases cobertas, Marie, então não se preocupe. — Fiona sorriu alegremente para a outra mulher.


— As regras são essencialmente as mesmas de ontem — disse Emil. — Sem ataques fatais. Se todos os sete membros de uma equipe se renderem, desmaiarem ou forem considerados incapazes de continuar a lutar, a partida termina.

O grupo do Herói e a equipe de Fiona se encararam a uma distância de quarenta metros.

— Bombardeiem-nos com tudo o que tiverem no momento em que a partida começar — sussurrou Fiona para seu grupo. — Façam-nos levar a sério.

Então a voz de Emil ecoou pela arena: — Que comece a luta!


— Dardo de Luz.

— Dardo de Fogo.

— Lâmina Sônica.

— Raio de Fogo.

— Vento Estático.

— Lança de Pedra Assassina.

— A Queda do Céu e da Terra.

Estes sete — a nata da nata, mesmo entre a elite da Divisão de Magia Imperial — de repente desencadearam o inferno sobre seus oponentes. Seu poder combinado abriu um buraco na Barreira Mágica de força total implantada ao redor do centro de treinamento. Um tremendo estrondo rasgou as proximidades, seguido por um clarão de luz e uma nuvem de poeira...

— Hum... — advertiu Emil, atuando como árbitro. — Gostaria de lembrá-los que ataques fatais são proibidos...

O resto dos membros da Divisão murmurou entre si em choque.

— A comandante acabou de disparar o feitiço A Queda do Céu e da Terra...

— Os capitães Marie e Jurgen também não estão se segurando...

— Os outros têm que estar mortos. Não há como eles terem sobrevivido a tudo isso.

O estado da arena tornava impossível determinar o que havia acontecido com o grupo do Herói. Depois de algum tempo, a nuvem de poeira finalmente se assentou e os espectadores puderam ver que—

— Eles não estão feridos? — proferiu alguém das arquibancadas.

Todos os membros da Divisão sentados na plateia compartilhavam um sentimento avassalador: choque.

O Vento Estático de Marie, a Lança de Pedra Assassina de Jurgen e A Queda do Céu e da Terra de Fiona estavam entre os feitiços mais potentes do Império quando usados contra um grupo de pessoas. Ver seus oponentes completamente ilesos era inacreditável, para dizer o mínimo.

Essa reação se aplicava apenas aos membros da Divisão que assistiam das arquibancadas. Na arena, Fiona e seus companheiros de equipe pareciam impassíveis, como se esperassem tanto.

— Embora tenhamos atravessado a Barreira, parece que não conseguimos penetrar na espada sagrada do Herói, eh? — murmurou Jurgen.


Com a espada sagrada em suas mãos, Roman estava à frente de seu grupo de Heróis.

— Hm... A Barreira Mágica não foi capaz de resistir ao ataque deles — disse Graham, o clérigo.

— Minha barreira de terra também não funcionou — acrescentou Berlocke, o mago da terra.

— E um simples arranhão do ataque da maga do ar deles foi o suficiente para fazer minha parede de vento desaparecer — resmungou Alicia, a maga do ar.

— Isso significa que se não fosse por Roman balançando sua espada sagrada, todos nós teríamos sido aniquilados?! — exclamou Gordon.

— Bem, teria sido muito útil se você tivesse colocado uma Barreira Mágica também, Gordon — retrucou Morris, o batedor.

— Todos, por favor! — chamou o Herói Roman. — Não vamos nos segurar. Enfrentem-nos com tudo o que têm.

Todos os membros de seu grupo assentiram em concordância.

— Aqui vou eu! Aceleração em Grupo. Vento Encantado.

Quando Ashkhan, que não dissera uma única palavra até aquele momento, entoou as palavras de ativação para ativar os feitiços, o vento envolveu todos em seu grupo e a espada sagrada de Roman e a adaga de Morris brilharam em verde.

“Aceleração” aumentava a velocidade de movimento do corpo. Balançar uma arma, desviar de ataques, defender-se ou até mesmo arrastar os pés — independentemente de como você se movia, a magia do ar tornava tudo mais rápido. Esse tipo de magia não existia nas Províncias Centrais.


— Sua Alteza, ela é uma encantadora. Ela aumentou a velocidade de movimento deles — disse Elsa, a capitã da 4ª Companhia.

Todos se encolheram, incluindo Fiona, que sempre permanecia calma e controlada em batalha. Embora acreditasse em Elsa, ela teve o cuidado de esconder sua surpresa.

— Um papel mágico que não existe nas Províncias Centrais, hm? Em guarda! Eles estão fazendo seu movimento!

Ao mesmo tempo em que o aviso de Fiona soou, o grupo do Herói desencadeou seu próprio ataque mágico sobre ela e seus subordinados, retribuindo o favor por sua barragem momentos antes. Simultaneamente, o Herói Roman, o batedor Morris e Ashkhan, a maga do ar que lançara o encantamento, avançaram para enfrentá-los em combate corpo a corpo. Marie interceptou Morris enquanto Jurgen enfrentava Ashkhan, deixando Fiona para lidar com Roman.


— Então a princesa imperial é a oponente de Roman, hein? — Gordon murmurou sem pensar. Assim que estava prestes a expressar sua dúvida sobre a capacidade de Fiona de vencer, ele se viu incapaz de continuar, pois Roman e Fiona se chocavam ferozmente com espadas no centro da arena.

Roman era um espadachim e o Herói. Além disso, o feitiço de aceleração de Ashkhan aumentava sua velocidade tremendamente. No entanto, Fiona igualava cada um de seus golpes sem recuar um único passo.

Qualquer um que pudesse cruzar espadas com o Herói era um fenômeno incrivelmente raro. Astarte, a espada sagrada de Roman, estilhaçaria qualquer arma normal em um único golpe.

Mas a espada de Fiona não era uma lâmina comum. Raven, uma das duas lâminas mágicas valiosas em posse da família imperial, era uma arma lendária dita possuir o poder de manipular os elementos ar e fogo. Era uma espada de um negro profundo, dita ter sido feita pelos deuses. Raven fora empunhada por imperadores por gerações. No entanto, Rupert VI, o imperador atual, a passou para Fiona.

Em termos de aparência, assemelhava-se a uma espada pequena, algo mais adequado para mulheres do que para homens. Com base no que Rupert dissera aos que o rodeavam há algum tempo, a espada valiosa Raven gostara de Fiona. Sendo o imperador, não havia necessidade de ele fornecer mais explicações. Como não havia ninguém capaz de argumentar o contrário, Raven fora confiada a Fiona desde então.


Raven. A espada valiosa que o pai de Fiona lhe presenteou quando ela tinha dez anos. Ela viveu ao seu lado nos últimos oito anos, tornando-se sua parceira de certa forma. Agora, enfrentando um oponente de um nível que ela raramente encontrara em sua vida, Fiona liberou todo o potencial de Raven.

A arma usou sua afinidade com o elemento do ar para aumentar sua própria velocidade, bem como a de Fiona, criando um efeito de pseudo-Aceleração. Além disso, ela aprimorou a própria afinidade de Fiona com a magia de fogo por meio de sua conexão com o mesmo elemento, permitindo que Fiona lançasse magia de ataque entre os golpes de sua espada. Essa façanha era fácil de imaginar, mas impossível de executar no meio da batalha.

E ela fazia tudo isso tão facilmente quanto respirar... Não, parecia ainda mais fácil do que isso, enquanto Fiona disparava feitiços como Dardo de Fogo e Fogo Perfurante em Roman sem esforço.


Da perspectiva de Roman, a luta estava se tornando avassaladora. Simplificando, o número de movimentos de Fiona estava aumentando. Mais especificamente, o número de ataques que ele tinha que desviar sem ser atingido estava aumentando.

Normalmente, ativar um feitiço durante uma luta de espadas inevitavelmente criava uma pequena abertura. Portanto, se seu oponente fosse um espadachim de habilidade semelhante, ele não poderia arriscar lançar um feitiço. Se seu oponente fosse um espadachim muito mais fraco do que ele, ele nem se daria ao trabalho de lançar feitiços... Essencialmente, lançar feitiços durante uma luta de espadas não era comum para ele.

E ainda assim... Sua Alteza está fazendo precisamente isso.

Mesmo enquanto lutava arduamente contra ela, Roman olhava com espanto de olhos arregalados. Ela disparava sua magia suavemente enquanto empunhava sua espada. Cada choque de suas lâminas o forçava a reconhecer uma verdade: seu estilo de luta não era resultado de um lampejo de inspiração ou ideias de última hora, mas aprimorado por longos anos de treinamento. Ela claramente fora treinada para atacar com espada e magia ao mesmo tempo.


Fiona começou a aprender esgrima aos quatro anos. Nenhuma de suas dez irmãs mais velhas o fizera, mas ela implorara a seu pai, o Imperador Rupert VI, e ele concordara com seu treinamento. Por que exatamente ela fora tão insistente? Bem, sua fascinação pela esgrima começou quando ela viu a espada pendurada na cintura de seu pai.

— Gostou de Raven, Fiona? — dissera Rupert. — Torne-se uma mestre com a espada e eu a emprestarei a você.

Rupert estava meio brincando quando disse as palavras naquela época, mas sabia que encontrar um parceiro para a vida toda às vezes pode ser uma questão de destino. Talvez uma parte dele sentisse que sua filha encontrara o dela naquele dia. Seis anos depois, no décimo aniversário de Fiona, a valiosa espada Raven tornou-se sua companheira. Aquele dia, aliás, também aconteceu uma semana antes de ela conhecer a pessoa que se tornaria a mais importante para ela.

Então Fiona começou a aprender o caminho da espada aos quatro anos e continuou treinando diligentemente com Raven aos dez. O único que sabia sobre sua força na Divisão era seu mestre, Oscar. Hoje, no entanto, ela demonstrou esse poder na frente de todos os seus subordinados.

— Incrível...

Sussurros chocados e exclamações dominaram as arquibancadas dos espectadores. Nem é preciso dizer que todos na Divisão de Magia Imperial eram magos. No entanto, só porque eram habilidosos em magia não significava que fossem incapazes de lutar em combate corpo a corpo.

Para magos normais, esgotar suas reservas de energia mágica significava o fim da linha. O mesmo destino os aguardava se o inimigo se aproximasse demais. Essa fraqueza era indesculpável para os membros da Divisão. Naturalmente, esperava-se que eles fossem fortes tanto na guerra mágica quanto no combate corpo a corpo. Era o mínimo para aqueles que estavam no campo de batalha.

Embora seus subordinados soubessem da habilidade de sua comandante com a espada, eles nunca imaginaram que Fiona seria tão talentosa com ela.


Enquanto Roman e Fiona conduziam sua luta de espadas no meio da arena, Marie e Morris se envolviam em combate corpo a corpo, embora de uma maneira peculiar.

Morris era a batedora no grupo do Herói. Com uma adaga em cada mão, ela se movia agilmente na batalha, o que explicava por que sua estratégia envolvia circular seus oponentes e atacar pelos lados ou pela retaguarda em vez de pela frente. No entanto... ela não conseguia empregar essa tática contra Marie, a ajudante de Fiona.

Para ser mais preciso, Morris tentou usar essa técnica, mas Marie a contra-atacou facilmente. Embora Marie fosse mais rápida que o espadachim médio, ela era lenta em comparação com Morris, a batedora do grupo do Herói.

Então, por que Morris não conseguia manobrar em torno de Marie? Bem, uma corrente de ar descendente constante e poderosa girava em torno de Marie. Como maga do ar, seu estilo de luta um contra um era incomum. Ela criava rajadas descendentes contínuas ao seu redor, quase inconscientemente, que dificultavam os movimentos de seu oponente enquanto lhe permitiam lutar.

Em ventos de tufão soprando a cinquenta metros por segundo, qualquer um acharia difícil andar normalmente. Bem, ventos tão poderosos giravam constantemente em torno de Marie, soprando de cima para o chão. Não importava o quão leve alguém fosse — a força dos ventos tornava o movimento difícil, ponto final. Em outras palavras, Marie representava a pior oponente possível para alguém como Morris, uma batedora que dependia de sua agilidade.

Isso definitivamente não é bom, hein? Tenho a melhor sorte de me envolver com uma oponente como ela, caramba. Não. Não me diga que a princesa disse a ela para me mirar especificamente porque sabia como eu luto...? Que personalidade desagradável se escondendo sob um rosto tão bonito.

Morris permaneceu móvel, nunca parando em um ponto para garantir que Marie não tivesse um alvo fácil para focar. Enquanto se movia, ela pensava em uma contra-estratégia.

Fwoosh. Klang. Ela disparou uma faca de arremesso em Marie, mas, como esperava, o vento irritante a desviou.

Como... no mundo... eu devo derrotá-la... Não consigo me aproximar dela e minhas facas de arremesso também não a alcançarão... Suponho que terei que aguentar por enquanto e esperar por reforços?

Morris era uma batedora, então ninguém em seu grupo esperava muito dela no departamento de combate. Sua principal responsabilidade e a de Graham em tal luta era simplesmente permanecer viva. Naturalmente, como parte do grupo do Herói, ela possuía habilidades de combate muito superiores ao batedor médio, mas sabia que não era tão forte quanto seus colegas.

Estou literalmente em apuros...

Morris suspirou baixinho.


O combate corpo a corpo estava ocorrendo em três locais: no centro da arena entre Roman e Fiona, à esquerda do grupo do Herói entre Morris e Marie, e à direita onde Ashkhan, a encantadora, e Jurgen se enfrentavam.

A ocupação de encantador não existia nas Províncias Centrais, então você pode estar se perguntando o que exatamente um encantador é ou faz. Bem, encantadores usavam magia para conceder temporariamente a seus companheiros e armas atributos elementais ou poderes especiais. Em suma, um encantador era um mago especializado nesse processo.

Por que não havia nenhum nas Províncias Centrais? A resposta é simples: não havia encantamentos para encantamentos.

Embora Ryo, Sera e os membros da Divisão de Magia Imperial lançassem magia sem encantamentos, eles eram a exceção e não a norma para as Províncias Centrais. Na verdade, fora da Divisão, os magos pertencentes a todos os oito regimentos do exército mágico imperial utilizavam encantamentos para ativar seus feitiços. Fiona e Oscar eram os únicos responsáveis pela falta de dependência de encantamentos da Divisão.

Encantamentos tornavam fácil até mesmo para iniciantes usar magia. O poder de um feitiço permanecia quase consistente, independentemente de quem cantasse seu encantamento. No entanto, levava tempo para ativar a magia porque os encantamentos exigiam tempo para mudar — tempo que poderia ser fatal em batalha.

No final, o ponto crucial do combate mágico era superar seu oponente com poder ou velocidade, que era exatamente por isso que os dois treinavam seus subordinados para liberar magia poderosamente e rapidamente sem o uso de encantamentos.

Então, como não existiam encantamentos para encantamentos, a própria profissão não existia nas Províncias Centrais.

Este também foi o primeiro encontro de Jurgen com a magia.

Sua Alteza e Elsa disseram que havia a possibilidade de Mestre Graham participar do combate, já que ele é proficiente com seu cajado como arma, mas não previ que a maga do ar Ashkhan entraria em campo. Além disso, ela é uma encantadora... No mínimo, isso provará ser uma experiência incomum, mas educativa para mim.

O estilo de luta corpo a corpo de Ashkhan envolvia aumentar sua velocidade através de Aceleração, mesmo enquanto maximizava o potencial das manoplas e perneiras que usava. Era certamente um estilo de luta incomum para um mago, mas Jurgen sabia que se dissesse isso em voz alta, ela poderia dizer: "Bem, isso é o sujo falando do mal lavado, não é?" Afinal, Jurgen estava contra-atacando-a usando seu próprio estilo ortodoxo de esgrima.


Jurgen Barthel era o segundo filho do Conde Barthel. Embora seu irmão, oito anos mais velho, fosse o herdeiro, a família Barthel produzia militares há gerações, então ele fora treinado em todas as artes militares desde a infância. Isso pode ter sido o motivo pelo qual, quando criança, ele tivera a vaga intenção de se tornar um cavaleiro para o Império quando completasse dezoito anos.

Na realidade, ele mostrara um talento para a espada em particular desde tenra idade. Aos quinze anos, ele derrotara seu instrutor de espada que estivera a serviço de seu pai, e quando tinha dezesseis, o próprio conde não conseguia mais vencer Jurgen. Quando completou dezoito anos e se tornou oficialmente um adulto, o único que o superava na esgrima era seu irmão mais velho. Na época, o herdeiro Barthel era um dos Doze Cavaleiros do Imperador, uma ordem composta apenas pelos melhores cavaleiros do Império. E Jurgen fora um bom páreo para ele, apesar de ter atingido a maioridade recentemente.

Então, é claro, o Imperador Rupert VI notou um indivíduo tão excepcional. Após uma investigação detalhada sobre o passado de Jurgen e uma entrevista, Rupert decidiu que Jurgen seria de grande ajuda tanto para Fiona, com quem ele tinha idade próxima, quanto para Oscar. Ele treinou sob Oscar por seis meses antes de ser nomeado ajudante do homem, bem como membro da equipe de proteção de Fiona. Tudo isso aconteceu mais de dois anos antes de ela ser nomeada comandante da Divisão de Magia Imperial...


A espada que Jurgen usava era uma de ferro comum com uma lâmina embotada fornecida pelo centro de treinamento. Não havia regras contra combatentes usando seu equipamento normal durante esta batalha simulada, razão pela qual Fiona brandia Raven, sua espada valiosa, e o Herói Roman balançava sua espada sagrada, Astarte. No entanto, Jurgen sabia que não era bom em se segurar, então decidira usar esta lâmina embotada. Mesmo que acertasse seu oponente, não o mataria.

Se seu superior, Oscar, o ouvisse dizer isso, ele sabia que o homem faria uma piada sarcástica como: "Bem, alguém está confiante, hein?" No entanto, Jurgen conhecia suas próprias fraquezas e o melhor que podia fazer era levá-las em conta. Caso contrário, quão embaraçoso seria se ele acidentalmente matasse alguém. Jurgen não tinha outra escolha.

A batalha entre ele e Ashkhan prosseguiu com ela na ofensiva e ele na defensiva. Apesar de sua clara habilidade nas artes marciais, de sua perspectiva, ele via aberturas a serem exploradas. Tudo o que ele precisava fazer agora era encontrar o momento certo. Se ele agisse no momento errado, estaria acabado. Este pedaço de sabedoria se aplicava a tudo e a todos.

Então Jurgen esperou pacientemente pelo momento perfeito enquanto lidava com os ataques de Ashkhan.


Graham, o clérigo, sentia como se tivesse engolido o mais amargo dos remédios.

Não posso acreditar nisso. Não posso acreditar em quão forte um corpo de magia é em combate corpo a corpo. Não havia nenhum... bem, quase nenhum do tipo nas Províncias Ocidentais. Suponho que não deveria ficar muito surpreso com Morris não conseguir acertar um golpe decisivo, mas o fato de que até mesmo Ashkhan não consegue romper as defesas de seu oponente me deixa perplexo. Não, o que é ainda mais desconcertante é a princesa se mantendo firme contra Roman... O que diabos é ela? Ela poderia realmente ser uma espadachim e não uma maga...? Não posso descartar essa possibilidade completamente, considerando que ela é a comandante da Divisão. Mas espere, ela estava usando magia durante seu duelo com Roman, então ela é certamente uma maga... Embora seja difícil imaginar Roman perdendo, não posso negar os impasses acontecendo ao meu redor...

Ele também nunca havia experimentado uma situação como essa até agora.

Talvez eu devesse ter me juntado a eles em combate... Mas pense nos inúmeros problemas que poderiam ocorrer se um curandeiro de repente entrasse na briga e se visse derrotado... Não posso mais usar essa desculpa, não com as circunstâncias sendo o que são. Eu deveria ajudá-los. Mas onde? Como? Sou capaz de perder minha própria cabeça antes mesmo de levantar um dedo se me intrometer no confronto de Roman e da princesa, já que eles estão usando armas de verdade. No entanto, hesito em fornecer apoio a Morris. Com aquele vento poderoso, é difícil dizer se uma batalha está ocorrendo... Sem mencionar que também não consigo pensar em como passar por aquele vento. Então, pelo processo de eliminação, isso deixa Ashkhan e Mestre Jurgen...

As coisas se desenrolaram enquanto Graham permanecia profundamente indeciso.

Ashkhan percebeu que o encantamento de Aceleração em Grupo que ela lançara logo após o início da luta estava se esgotando. Quanto mais tempo passava, menos eficaz se tornava. A magia concedia o efeito de Aceleração a qualquer aliado dentro de um raio de cinco metros dela. Uma vez aplicado, durava por um certo período de tempo, mesmo que saíssem do raio de cinco metros.

Não havia aliados atualmente ao seu alcance neste ponto. Provavelmente nem era mais necessário para os membros do grupo especializados em magia de ataque. Embora ela quisesse lançá-lo em Roman, que lutava contra a princesa imperial, aproximar-se dele agora seria muito imprudente. Quanto a Morris, que lutava contra a ventania produzida por seu oponente, a Aceleração provavelmente não seria de muita utilidade.

Nesse caso, a única que precisava era ela mesma. No entanto, o espadachim à sua frente... Bem, ele era um espadachim tão bom com sua arma que nem parecia um mago. Como ajudante do renomado Mago do Inferno, seu oponente não era de baixar a guarda ou deixar aberturas que ela pudesse explorar.

Além disso, o espadachim tinha algum tipo de objetivo. Ela não sabia o que ele estava mirando, mas a maneira como seus olhos piscavam dizia a ela que ele estava tramando algo.

Preciso de uma chance para reaplicar a Aceleração em mim mesma, mas... ele pode aproveitar como uma oportunidade para me atacar com magia... Ou ele pode usar algum tipo de projétil... Não sei qual é o plano dele, mas estou pronta para qualquer coisa.


Alguns momentos depois, as estrelas se alinharam. No momento em que Jurgen deu um passo para trás, seu pé escorregou apenas um pouquinho.

Agora!

Ashkhan deu um grande salto para trás para se distanciar deles e lançou Aceleração em si mesma antes de aterrissar no chão.

— Aceleração.

— Lamaçal.

Ao mesmo tempo, Jurgen disparou sua própria magia.

Ashkhan havia antecipado isso, e é por isso que ela saltou e aplicou Aceleração em si mesma no ar. No momento em que ela aterrissasse, poderia lidar com ele... Ou assim ela pensara. Infelizmente para ela, Jurgen não usara magia de ataque...

Squelch.

O chão se transformou em lama no instante em que ela aterrissou, engolindo suas pernas até os joelhos.

— O quê...?!

Ela não conseguia escapar facilmente assim. Naturalmente, Jurgen, que criara essa situação, avançou e encostou a lâmina em seu pescoço.

— ...Eu perco — murmurou Ashkhan, rendendo-se.


O momento em que Graham finalmente optou por ajudar foi o mesmo momento em que Ashkhan se viu presa na lama, garantindo sua derrota.

— Absurdo... — ele murmurou.

Ele tinha visto tudo acontecer. Ela havia saltado para trás uma boa distância. Antes de aterrissar no chão, uma linha correu em direção à sua localização em alta velocidade, depois fez uma pequena explosão quando a alcançou, criando um pequeno pântano.

Jurgen, ajudante do Mago de Fogo... e um mago excepcional por direito próprio... Ele virou o jogo. Então... não tenho escolha a não ser correr o risco.

— Todos, concentrem-se em derrubar Marie, a oponente de Morris. Começaremos com ela — disse Graham.

— Sem objeções aqui — respondeu Gordon —, mas como? E quanto aos ataques de longo alcance com os quais estamos sendo bombardeados?

— Eu cuido disso. Quanto a Marie, mire nela de cima. Embora ela esteja obstruindo os movimentos de Morris com a poderosa corrente de ar descendente, os efeitos da ventania devem ser muito menos pronunciados de cima. Prontos? Três, dois, um, agora!

— Dardo de Fogo.

— Rompedor de Ar.

— Estilingue.

Gordon, o mago de fogo, Alicia, a maga do ar, e Berlocke, o mago da terra, desencadearam uma saraivada simultânea de ataques em Marie de cima. Em resposta, o bombardeio de longo alcance da linha de trás de Fiona se intensificou, focando em Graham desta vez.

— Santuário Absoluto.

Graham lançou um feitiço de Magia de Defesa Absoluta que apenas membros de alto escalão do clero podiam utilizar. Você poderia chamá-lo de equivalente da Província Ocidental do Quadrado do Santuário, que clérigos poderosos nas Províncias Centrais usavam. Assim como o Quadrado do Santuário, o Santuário Absoluto bloqueava todos os ataques mágicos, tanto os vindos de dentro quanto de fora, razão pela qual ele esperou até depois que seus companheiros dispararam seus próprios feitiços.

Marie logo desabou sob o ataque de magia deles. O árbitro a considerou incapaz de continuar lutando.


Jurgen demorou um segundo a mais para reagir e se arrependeu. Derrotar a encantadora significava um oponente a menos no campo para eles batalharem. Assim que conseguiu, decidiu ir totalmente para a ofensiva, mas no momento em que o fez, Marie perdeu sua própria luta... o que infelizmente igualou o campo de jogo novamente.

Quando o árbitro decidiu que Marie estava inapta para continuar o combate, membros do pelotão de ajuda a carregaram para fora da arena. Pelo que ele pôde ver de Finn, o curandeiro principal, ela não corria risco de vida.

Você baixou a guarda demais, Marie... Essa situação certamente nos causa problemas, hm? A magia de ar dela é conveniente mesmo em batalhas simuladas, mas quanto à minha magia de terra... se eu não tomar cuidado com ela, corro o risco de esfaquear meu oponente... Por mais difícil que seja de controlar, não tenho outras opções.

Parecia que o grupo do Herói ainda não havia determinado seu curso de ação. Se ele fosse para a ofensiva, quanto antes, melhor. Resolvido, Jurgen disparou três sinalizadores de areia azul. Ao contrário de Fiona e Oscar, que eram magos de fogo capazes de enviar sinalizadores de luz sempre que queriam comunicar suas ordens, ele era um mago da terra. Como resultado, ele disparou areia explosiva que refletia a luz no espectro azul. Três sinais denotavam uma ordem para avançar na velocidade máxima enquanto atacava.

Ao sinal de Jurgen, a linha de trás de Fiona entrou em ação. Enquanto corriam em direção à linha de trás do Herói, eles disparavam ataques mágicos contra eles. Estava claro que o grupo de Fiona, liderado por Jurgen, pretendia resolver a luta em combate corpo a corpo.

Em resposta, a retaguarda do grupo do Herói adotou uma tática de retardamento usando magia da terra para criar lama. Em suma, eles ganharam tempo, tentando retardar o avanço do grupo de Fiona.

Por que eles estão tentando ganhar tempo?

Jurgen não conseguia entender. A linha de trás de Fiona contornou Roman e Fiona, que ainda duelavam no centro, e se aproximou da linha de trás oposta pela direita — movendo-se no sentido horário, se visto de cima. Ele planejava se juntar a eles no caminho. Então, com a situação sendo o que era, por que eles estavam ganhando tempo?

Não me diga que eles estão esperando a luta entre Sua Alteza e o Herói terminar...? Eles estão em pé de igualdade, no entanto, com nenhum deles tendo a vantagem. Então por que...

Observando os dois batalharem, ele estava razoavelmente confiante de que a luta deles continuaria por algum tempo ainda. Então seu olhar subitamente se desviou para além deles, para onde Marie e o batedor haviam se envolvido em combate... A área estava vazia.

— Não há ninguém lá?!

Marie fora retirada da arena para cura, mas para onde fora o batedor?

— Inferno e danação!

Ele cuspiu essas palavras ao mesmo tempo em que o caos eclodiu atrás da linha de trás de Fiona. Morris, o batedor do Herói, os havia circulado e atacado pela retaguarda.


A retaguarda de Fiona estava em estado de extrema confusão. Nin, capitã da 2ª Companhia na posição mais recuada, foi deixada inconsciente por um golpe de faca de mão no pescoço e declarada inapta para o combate. Antes que o resto de seu grupo pudesse entender o que estava acontecendo, Marma, a segunda em comando dos curandeiros da Divisão, foi derrotada em seguida.

Pode-se dizer que a batedora Morris estava fazendo jus ao seu nome com tudo isso. Apesar de ser a menos adequada para o combate direto, ela se destacava em situações que exigiam subterfúgio, seja criando desordem como esta, assassinando alvos ou imobilizando o inimigo de um ponto cego. Além disso, enquanto tudo isso acontecia, Berlocke, o mago da terra no grupo de Roman, continuava a atrasar o inimigo gerando pântanos. Como batedora, Morris não tinha problemas em lutar mesmo no terreno mais instável. No entanto, o mesmo não podia ser dito dos companheiros de equipe de Fiona, que viram sua vantagem de combate diminuir a uma taxa alarmante.

Jurgen, tendo se juntado ao resto do grupo, conseguiu se defender contra os outros ataques mágicos de Berlocke com sua barreira de terra, mas a maré continuava a virar contra o lado de Fiona. Abaixo de seus pés, havia lama por toda parte. Para encurralá-los ainda mais, Morris lançou uma cortina de fumaça. Agora, eles eram forçados a lutar contra uma batedora e lidar com o terreno perigoso em meio a uma nuvem de fumaça... Verdadeiramente um pesadelo de proporções épicas.

— Como vamos superar isso... — murmurou Jurgen.

— Estou encerrando! — chamou Emil, o capitão da 1ª Companhia e árbitro interino desta batalha simulada. — A luta acabou. O grupo do Herói são os vencedores.

Quando olhou na direção de onde vinha a voz de seu camarada, Jurgen viu Fiona, que estava lutando no meio da arena, notificando Emil de sua rendição.


— Sua Alteza, perdoe-me. Se ao menos eu tivesse percebido as intenções de nossos oponentes mais cedo...

— Não, eu perdi de vista nossos arredores durante minha batalha com o Mestre Roman. Esta é minha falha como oficial comandante da Divisão. — Fiona riu. — Eu fiz vocês passarem por maus bocados, hm? Falando nisso, lembro-me vagamente de Marie sendo retirada da arena...?

— Pela expressão de Finn, acho que ela ficará bem. Uh, Sua Alteza, algo está... — Jurgen parou de falar ao seguir o olhar de Fiona, seus olhos fixos na seção mais alta das arquibancadas dos espectadores.

— Mestre...

E ali, ele viu Oscar Luska, vice-comandante da Divisão de Magia Imperial.


Os membros da Divisão se levantaram e saudaram enquanto Oscar descia da fileira superior do auditório. Apesar de não saberem as circunstâncias, o Herói Roman e os membros de seu grupo deduziram pela visão que o homem que descia pelas arquibancadas não era um homem comum. Ele se movia deliberadamente, nem muito devagar nem muito rápido. Após ser saudado pelos quase duzentos membros da Divisão, Oscar finalmente chegou na frente de Fiona, onde dobrou o joelho em deferência e a cumprimentou, tudo sem a menor pressa.

— Sua Alteza. Eu, Oscar Luska, humildemente me apresento a você.

— Bem-vindo de volta.

Embora a conversa tenha sido breve, os dois trocaram sentimentos profundos e não ditos, insondáveis para os outros. No entanto, eles estavam em público agora, então quaisquer discussões pessoais teriam que esperar para mais tarde.

— Vice-Comandante, permita-me ser o primeiro a informá-lo que este é o Mestre Roman, o Herói, e seu grupo. Eles estão hospedados aqui desde ontem porque Sua Majestade Imperial lhe deu permissão para treinar com você.

— É um prazer conhecê-lo — disse Roman. — Eu sou Roman.

— Eu sou Oscar Luska, vice-comandante da Divisão de Magia Imperial do Império Debuhi. Mas... ouvi dizer que o Herói atual é das Províncias Ocidentais, então por que você veio para as Províncias Centrais?

Determinado, Roman olhou fixamente para Oscar. — Para aprender sob sua tutela, Lorde Oscar.

— Hm... No entanto, não tenho razão para lutar com você, Herói. Além disso, deixei meus deveres desatendidos por tempo demais, então tenho uma montanha de coisas para fazer. Assim, sugiro que treinemos em um momento futuro — respondeu Oscar, olhando de volta.

Suas palavras deixaram Roman sem palavras.

— Por favor, espere — interveio Graham, o clérigo, em nome do Herói estupefato. — Lorde Oscar, meu nome é Graham e sou o porta-voz do grupo. Peço perdão, mas o próprio Imperador Rupert VI concedeu sua aprovação para uma batalha simulada entre você e Roman. Portanto, acho inédito que você se recuse neste momento.

— Sua Majestade meramente deu sua aprovação. Ele não me ordenou a lutar. Dito isso, se houver uma razão clara para seu oponente ter que ser eu especificamente, não me oponho à ideia. Bem, Mestre Roman?

Maldito seja! Ele está tentando arrancar uma promessa de Roman também!

Nos calcanhares da manipulação do garoto por Fiona ontem, seu vice-comandante agora pretendia fazer o mesmo hoje e a percepção deixou mais um gosto amargo na boca de Graham. Mas o clérigo aprenderia mais tarde que tais atos não eram de todo ruins.


— Embora me humilhe admitir isso — começou o Herói Roman, vacilante. — Sofri uma derrota completa não muito tempo atrás. E... não foi um ataque surpresa ou uma derrota contra a força numérica de outro... Um único oponente me derrotou, mesmo depois de — mesmo depois de meus companheiros me fortalecerem com várias magias. Meu oponente era um mago, mas... eu sou um espadachim e... não consegui fazer um único arranhão. Essa perda me fez querer treinar mais e então decidi viajar para as Províncias Centrais para encontrar seu guerreiro mais poderoso, o renomado Mago do Inferno.

À menção do Herói de seu oponente ser um mago, Oscar se contraiu ligeiramente em reação, enquanto a imagem de um certo mago da água surgia no fundo de sua mente.

— Estou curioso sobre esse mago que você enfrentou. Você não me conta mais?

— Claro. Contarei tudo o que você deseja saber depois que me ensinar — respondeu o Herói Roman com um sorriso.

Sua resposta surpreendeu Graham, o clérigo.

Não pensei que o garoto tivesse a capacidade de virar o jogo assim...

Um canto da boca de Oscar se curvou ligeiramente em divertimento com as condições de Roman. — Muito bem — respondeu ele. — No entanto, como você acabou de se envolver em batalha, nos reuniremos depois do almoço. Uma hora.

— Muito obrigado!


Uma hora chegou novamente no centro de treinamento logo após o almoço e uma pausa. Os sete membros do grupo do Herói estavam na arena ao lado de Fiona, Oscar e seu ajudante, Jurgen. Além do pelotão de ajuda de prontidão ao lado da arena, todos os outros observavam das arquibancadas.

— Eu, Jurgen Barthel, atuarei como árbitro. Ataques letais não são permitidos. Se um lutador se render, perder a consciência ou for considerado incapaz de continuar a luta, a partida terminará.

— Vou subir para o auditório e assistir de lá, então — disse Fiona antes de se dirigir ao estádio.

— Suponho que devamos fazer o mesmo... — disse Graham.

Com exceção de Roman, Graham e o resto do grupo do Herói começaram a seguir Fiona até as arquibancadas...

— Acho que não — anunciou Oscar. — Todos vocês devem lutar.

— O quê? — perguntou Gordon, o mago de fogo, sua voz falhando de surpresa.

— O grupo do Herói é composto por todos os sete de vocês, não é? Então todos vocês devem lutar ou não há sentido neste exercício.

— Alô? Você está se ouvindo? — retrucou Gordon. — Você ao menos entende o que está dizendo?

— Gordon — repreendeu Graham. — Por favor, cuidado com o que diz. Embora sua formulação pudesse ter sido melhor, tenho que concordar com Gordon, Lorde Oscar. Embora você seja o alardeado Mago do Inferno, sete contra um não será uma luta justa.

— Eu peguei a segunda metade da sua luta contra Sua Alteza e sua equipe. Aquilo foi sete contra sete e, com base no que vi de seus — Oscar fez uma pausa impassível, lábios em uma linha reta — —talentos, digamos assim, então a luta não será justa de qualquer maneira.

— Bem, o Senhor Vice-Comandante está realmente jogando o desafio, não é? — sussurrou Morris, a batedora, para evitar ser ouvida pelos homens.

— Assim como no bombardeio deles no início da nossa partida, os membros desta Divisão se destacam em provocar os outros, hm? — murmurou Alicia, a maga do ar, em resposta.

Ashkhan, ouvindo a conversa delas, assentiu silenciosamente em concordância várias vezes.

— Tudo bem, parece divertido! — gritou Gordon. — Roman, eu vou primeiro. Não ouse interferir!

— Acabei de informá-los que os sete de vocês juntos teriam dificuldade contra mim — disse Oscar friamente. — Mas se você insiste em me enfrentar sozinho, então que seja do seu jeito.

— Cale a boca! Nós decidimos se você é um desafio ou não. Ei, juiz, vamos começar logo com isso.

Jurgen suspirou profundamente. — Há realmente necessidade de incitar o vice-comandante assim...? Bem, não é problema meu. Certo então, vocês dois, por favor, tomem suas posições.

Depois que eles fizeram o que ele instruiu, ele falou novamente: — Cada um de vocês está pronto, sim?

Oscar segurava uma das espadas de prática embotadas do centro de treinamento em sua mão direita, enquanto Gordon agarrava seu cajado, preparado para batalhar com sua magia.

— Então que comece a partida.

— Morra! Tridente da Lâmina de Fogo.

Ao canto de Gordon, três línguas de fogo giratórias saíram da ponta de seu cajado em direção a Oscar. Este feitiço, que Gordon implantou instantaneamente após o sinal de Jurgen, era seu ataque mais poderoso para usar um contra um. Sua intenção era clara — derrotar Oscar sem dar ao outro homem a chance de fazer um único movimento, independentemente de os redemoinhos de chama serem fortes o suficiente para matar qualquer mago comum instantaneamente, considerando sua capacidade de abrir um buraco em muralhas.

Infelizmente para ele... Oscar não era um mago comum. Ele casualmente afastou os turbilhões de fogo com um golpe da espada que segurava em sua mão direita. Os redemoinhos de fogo desapareceram assim.

— Isso é impossível!

Naturalmente, foi Gordon quem gritou essas palavras.

— Neste nível — disse Oscar —, é brincadeira de criança para mim. Massa Derretida.

— Ngh!

Antes que ele percebesse, um aglomerado de chamas do tamanho de um punho atingiu Gordon no plexo solar e ele desmaiou de agonia.

— O que diabos acabou de acontecer... — murmurou Graham, o clérigo, maravilhado.

A massa de fogo já havia desaparecido. Ele tinha certeza de que Oscar usara algum tipo de magia, mas... ele não vira nem sinal do homem gerando-a ou da trajetória do ataque em si.

— Não me importa o que seja. Tudo o que sei é que eu certamente não quero ser atingido por isso...

Alicia, a maga do ar, murmurou de seu esconderijo atrás de Graham.

— Todos! Lancem magia de aprimoramento em mim!

As palavras do Herói Roman trouxeram o resto de seu grupo de volta à realidade.

— Aceleração em Grupo. Vento Encantado.

— Armadura Sagrada.

— A Proteção do Vento.

Ashkhan, a encantadora, Graham, o mago da luz, e Alicia, a maga do ar, cada um lançou suas próprias magias em Roman para aprimorar suas habilidades. Através de um encantador, atributos mágicos podem ser aprimorados... o que também é uma das características dos Encantamentos.

— Interessante. Então isso é um Encantamento, eh? Definitivamente não é algo que temos nas Províncias Centrais — observou Oscar, observando sem pressa Roman e seu grupo.

Gostasse ele ou não, a atitude despreocupada de Oscar lembrava Roman da criatura, Leonore. Roman balançou a cabeça vigorosamente várias vezes para dissipar os pensamentos dela.

— Aqui vou eu!

Ele avançou com sua espada sagrada, Astarte, erguida acima da cabeça. Ele desferiu um golpe amplo, mirando no topo dos ombros de Oscar.

Klang.

Sua arma atingiu e ricocheteou em algo metálico.

— Hã?

O som surpreso escapou involuntariamente da boca de Roman.

— O que há de errado, Mestre Herói? — provocou Oscar. — Um espadachim não pode vencer se sua espada não puder alcançar seu oponente.

Em resposta, Roman mais uma vez preparou sua espada sagrada... Corte. Corte. Corte. Klang. Klang. Klang. Mas todos os seus golpes foram repelidos por algo que cobria Oscar.

— Por que... — Roman gemeu impensadamente em desespero.


— Que diabos, que diabos, que diabos sangrento é isso?!

Morris, a batedora, ficou atordoada.

Todos no grupo do Herói podiam ver claramente que o que quer que estivesse cobrindo a superfície do corpo de Oscar desviava todos os cortes de Roman.

Sua espada não era uma espada comum. Astarte era uma espada sagrada passada de geração em geração de Heróis nascidos nas Províncias Ocidentais, mas cada um de seus cortes era rebatido, mesmo que Oscar não empunhasse espada nem escudo e não usasse armadura.

— Isso é uma Barreira — explicou Alicia, a maga do ar, para Morris —, que combina as propriedades da Barreira Mágica e da Barreira Física...

— Deixe-me ver se me lembro... A Barreira Física é um feitiço que defende contra ataques físicos de espadas e flechas e coisas do tipo, certo? Mas não é facilmente quebrada? Ela só deve ser capaz de proteger contra flechas. Eu pensei que poucas pessoas a usam hoje em dia.

— Sim, pode ser facilmente quebrada, e você está certa sobre seu uso raro em combate corpo a corpo devido à sua falta de praticidade. Portanto, é possível que a versão da Barreira Física das Províncias Centrais seja mais dura... — disse Alicia com um aceno de cabeça. — Mas até o Sr. Juiz está olhando para seu superior com uma expressão boquiaberta, então...

— Então isso significa que uma Barreira Física mais dura não é característica das Províncias Centrais, afinal. Significa apenas que a Barreira de Lorde Oscar é simplesmente anormal.

De pé ao lado das duas em silêncio, Ashkhan, a encantadora, observava a batalha atentamente.

— Roman não pode vencer assim, não com sua espada sendo constantemente bloqueada. Como isso é justo? Não importa o quão bonito o Sr. Vice-Comandante seja ou o quanto sua aura severa e misteriosa me intrigue. Não podemos deixar nosso Herói perder assim.

— Morris, eu sei muito bem que ele é o seu tipo, mas lembre-se de que ele é um homem muito importante de um país estrangeiro, então não tente seduzi-lo. Voltando ao assunto em questão. Comparado com a Barreira Mágica, a Barreira Física consome uma quantidade aterrorizante da magia de uma pessoa e a um ritmo rápido também. Essa é a razão pela qual as pessoas das Províncias Ocidentais pararam de usá-la, e é também por isso que acho que ele não deveria ser capaz de manter o feitiço da Barreira por muito tempo, já que combina as propriedades de ambas as outras Barreiras...


— Nesta batalha simulada entre um espadachim e um mago, decidi usar uma técnica que apenas magos podem. O que você acha? — perguntou Oscar com um leve curvar de lábios.

— O que diabos é isso...

— Apenas uma coisinha que combina os poderes dos feitiços de Barreira Mágica e Barreira Física. Como esta magia não é elemental, qualquer mago pode gerá-la.

— Seja como for, é terrivelmente dura. Muito dura — disse Roman, meio atordoado. Ele conhecia as Barreiras que o homem mencionou, mas nunca ouvira falar de uma Barreira tão resistente.

— Vendo que você não consegue romper minha Barreira, como espera perfurar a de um rei demônio? De que adianta um Herói incapaz disso?

Mesmo em um momento como este, Oscar continuou a provocá-lo.

— Guh—

Roman franziu a testa em frustração. No entanto, sua expressão passou por uma mudança radical alguns segundos depois. A resolução brilhava ferozmente em seu rosto agora.

— Peço desculpas antecipadamente se eu o espetar.

E com isso, ele começou a derramar toda a energia e magia de seu ser na espada sagrada Astarte.

— Você pode pensar nisso depois de ter sucesso — respondeu Oscar enquanto esperava, sua expressão inalterada.

— Não diga que não avisei!

Roman diminuiu a distância entre eles em um instante e desferiu uma estocada contendo cada grama de seus esforços.

Klang.

Uma rachadura apareceu na Barreira de Oscar. Infelizmente, Roman não conseguiu quebrá-la. Para adicionar insulto à injúria, a rachadura se reparou quase instantaneamente e a Barreira voltou ao seu estado original impecável.

— Absurdo... — proferiu Roman inconscientemente. Tendo gasto toda a sua energia no ataque de carga, ele não conseguia mais sustentar seu corpo e caiu de joelhos no chão.

Oscar pressionou vagarosamente a lâmina de sua espada contra o pescoço do Herói.

— Declaro a partida encerrada! Vencedor, Vice-Comandante Oscar — a voz de Jurgen ecoou por todo o centro de treinamento.

Pouco depois, os membros da Divisão explodiram em aplausos estrondosos. A série de derrotas sucessivas desde ontem... obviamente os havia afetado, independentemente de seus oponentes serem o Herói e seu grupo. Seus olhos queimavam com fé fervorosa em seu vice-comandante, Oscar, que finalmente trouxera à Divisão sua primeira vitória.


— Mestre Roman, você ainda é jovem. Tenho certeza de que pode ficar mais forte. Boa sorte para você.

— Lorde Oscar, aprendi muito com nossa luta, incluindo minha impotência diante de um verdadeiro mestre da magia. Muito obrigado.

O Herói Roman estendeu sua gratidão do fundo de seu coração.

— Ah, isso me lembra. Você não me conta mais sobre o mago que o derrotou?

— Claro. Ela era... uma mulher? Definitivamente não era humana, mas alguém de uma raça que eu nunca tinha visto até então, que se chamava Leonore — disse Roman, relatando seu encontro com Leonore. — Hoje, você bloqueou minha espada com sua Barreira, mas ela a evitou completamente durante nossa luta. Facilmente também.

— Leonore... Não conheço essa pessoa. Vou memorizar o nome.

Assentindo, Oscar fez um ruído de zumbido em sua garganta antes de tentar encerrar a conversa naquela nota.

— Mais uma coisa, se não se importar em responder, Lorde Oscar. Em quem exatamente você estava pensando quando me perguntou pela primeira vez?

Uma pausa, então ele respondeu a Roman.

— Uma maga da água no Reino de Knightley. Digamos apenas que há muito entre nós dois. Desculpe, mas não tenho mais nada a dizer sobre o assunto.

E então Oscar caminhou em direção a Fiona, que descera para a arena vinda das arquibancadas.

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