The Water Magician

Volume 3 - Capítulo 1

The Water Magician

— Ugh, eu realmente não quero abrir mão deste conjunto de jantar... E eu também adoro este sofá. Este aparador também é uma peça interessante... O que fazer, o que fazer... Quer saber? Vai ser o sofá. Eu gostaria deste sofá, por favor — disse Ryo.

— Sim, claro. — O jovem de comportamento suave sorriu e curvou a cabeça educadamente. — Obrigado pela sua preferência.

Em uma loja que vende produtos de alta qualidade, o atendimento ao cliente também deve ser de alta qualidade.

Atrás de Ryo, Abel olhava as etiquetas de preço. Sua bochecha se contraía em desânimo toda vez que lia uma, mas ninguém notou...

A residência do prefeito e grandes mansões ocupavam um quarteirão inteiro na parte mais ao norte da cidade de Lune. Na mesma área, era possível encontrar muitas lojas de luxo, tornando-o um lugar frequentado pela chamada classe alta. Alguém como Ryo, é claro, nunca teria pisado aqui — hah, brincadeirinha. Ryo, na verdade, estava bastante familiarizado com o bairro por causa de suas sessões de treino com Sera na propriedade do lorde.

Tecnicamente falando, Ryo na verdade apenas passava pelo distrito... De qualquer forma, essas viagens foram exatamente o motivo pelo qual ele conhecia a loja de móveis finos.

— Abel, você tem certeza absoluta sobre me comprar móveis como presente de boas-vindas? Você realmente não precisa, sabe.

— S-Sim, claro. É o mínimo que posso fazer. Você sempre me apoia, Ryo, então um ou dois móveis não são nada em comparação... — disse Abel. Ele não conseguiu evitar sua expressão rígida. Afinal, foi ele quem disse a Ryo para escolher sua loja favorita. Ele não esperava que seu amigo conhecesse uma loja de luxo como essa e, ainda por cima, escolhesse um sofá tão caro como presente...

O preço final tinha um zero a mais do que ele imaginava gastar...

— Bem, graças a você, consegui comprar algo muito bom. Eu pessoalmente nunca gastaria quinhentos mil florins em um sofá.

Você ouviu direito. Um sofá de quinhentos mil florins... Convertendo para ienes japoneses, eram milhões... O sofá era inconfundivelmente de extremo luxo.

— C-Certo... Que bom para você, então, hein?

Embora Abel tivesse pago um custo astronômico que nunca poderia ter previsto, ele se sentiu surpreendentemente generoso e tranquilo diante da felicidade de Ryo. A coisa mais importante sobre um presente era que o destinatário gostasse dele.

A dupla deixou a luxuosa loja de móveis e caminhou para o sul. Eles não tinham um destino específico em mente, mas também não tinham mais nada a fazer nesta parte norte da cidade. Por conta de todas as lojas de luxo aqui, o local não era de forma alguma amigável para a carteira de uma pessoa...

— Hm, que tal isso? Já que você foi generoso o suficiente para me dar um presente tão esplêndido, vou te pagar um conjunto de bolo no Café de Chocolat — sugeriu Ryo.

— A loja vai entregar seu sofá, certo?

— Isso mesmo. Amanhã à tarde, ele disse. Isso significa que preciso garantir que a casa esteja impecavelmente limpa pela manhã.

— De jeito nenhum. Não pode estar tão ruim — disse Abel, com desdém. — Quero dizer, faz menos de um mês que você se mudou...

— É fácil para você dizer, Abel, porque você mora em uma pousada. — Ryo estalou a língua, balançando o dedo para Abel. — Você pode deixar seu quarto uma bagunça e a equipe da pousada arruma para você, mas não funciona assim quando se mora sozinho.

— Bem... acho que nunca é ruim limpar.

— Exato. E-xa-ta-men-te!

— Ah, sim, tem algo que quero te dizer, Ryo.

— O que é? Arf! Não, não se atreva a me dizer que eu mesmo terei que pagar pelo sofá porque você na verdade não tem dinheiro suficiente...

— Até parece, cara! Pode não parecer, mas você sabe que eu sou um aventureiro de rank B. Eu tenho uma quantia decente guardada, seu idiota!

— Hmmm. Ok, tudo bem. Então o que você quer me dizer? Não consigo imaginar você discutindo outra coisa além de dinheiro com uma expressão tão séria, Abel...

— Momentos como este realmente me fazem pensar que tipo de imagem você tem de mim em sua mente.

— Isso é fácil de responder! Um espadachim mesquinho, é claro!

— Ei, quer saber? Acabei de ter uma ótima ideia. Por que não devolvo aquele sofá?

— Desculpe, desculpe. Você é uma pessoa maravilhosa, Abel. Um espadachim virtuoso!

Abel ficou impassível.

A conversa deles não estava chegando a lugar nenhum...

Abel suspirou pesadamente. — Ugh, tanto faz. Enfim, voltando ao que eu quero dizer. É sobre aquilo. Você se lembra do incidente com os espiões do exterior em que nos envolvemos?

— Espiões do exterior...? Ahhh... Nós nos envolvemos com espiões duas vezes, não foi? Os primeiros foram os quatro que derrotamos no escuro, aqueles que não compareceram à festa de comemoração do seu retorno. O segundo foi o grupo que também não compareceu à sua festa de boas-vindas, cuja casa invadimos com a guarnição da cidade.

— Quer dizer, você não está errado, mas... sua maneira de falar pode criar muitos mal-entendidos...

— A verdade é mais persuasiva do que qualquer outra coisa, sabe. Abel, o homem poderoso da cidade de Lune... Não, espere, Abel, o homem poderoso escondido nas sombras... Da escuridão, ele enterra aqueles que o desafiam na mesma escuridão. Um homem aterrorizante, com certeza.

— Não, eu não faço, e não, eu não sou!

Sim, a conversa deles realmente não estava chegando a lugar nenhum...

Abel mais uma vez soltou um suspiro pesado. — É sobre os primeiros quatro. Eles acabaram escapando da prisão.

— Não me diga! Eles eram bastante habilidosos por si só, não é?

— Se bem me lembro, eles nos atacaram todos juntos, bateram direto na sua parede de gelo enquanto recebiam um golpe direto de suas lanças de gelo... Afundaram sem nem conseguir nos atacar. Então, não tenho certeza se os chamaria de habilidosos.

Ryo cruzou os braços sobre o peito. — Comparado às pessoas que fugiram do prédio que invadimos — disse ele um pouco pomposamente —, você não acha que aqueles quatro pareciam pelo menos competentes em combate corpo a corpo?

— Sério? Você consegue fazer um julgamento como esse com tão pouca informação?

— Bem, do jeito que me lembro, eles estavam perfeitamente sincronizados quando nos atacaram. Isso me fez pensar que estavam acostumados a lutar em situações complicadas como aquela. Sabe, bem no meio de uma cidade ou no escuro, ou em ataques surpresa e coisas do tipo... De qualquer forma, eles pareciam pessoas que tinham esse tipo de treinamento.

— Huh... É possível, na verdade. Aparentemente, um investigador especial que os interrogou antes da fuga apontou que eles podem ter recebido treinamento formal de assassinato no exército ou em outro lugar.

— Treinamento formal de assassinato... — Ryo balançou a cabeça. — O que isso sequer significa...?

— Exatamente o que parece, e definitivamente há pessoas que passam por isso — respondeu Abel, balançando a cabeça um pouco. — Eles não são muito conhecidos, mas existem no Império.

— O Império? E não a Federação?

— Sim, o Império. Embora os quatro que pegamos tivessem cartões da guilda da Federação, provavelmente eram falsificações.

— Uau. Eles vão tão longe em suas operações secretas...?

— Com certeza. Há boas chances de que façam parte do 20º Regimento Imperial. O 20º é o trunfo do exército imperial, especializado em combate em regiões urbanas, montanhas, florestas e ambientes semelhantes. Se o trunfo oficial do Império é a Divisão de Magia Imperial que tem o Mago do Inferno, então seu trunfo não oficial é o 20º Regimento. Também é conhecido como o Regimento das Sombras.

Os olhos de Ryo se arregalaram de surpresa. — Bem, se isso não é uma convenção de nomes com séria Síndrome de Personagem Principal. — Ele não podia acreditar que alguém chamaria uma unidade militar de algo assim... Mas depois de pensar por alguns momentos, ele percebeu que não havia necessidade de ficar tão chocado. Afinal, eram as mesmas pessoas que incluíram a palavra “Debuhi” no nome de seu país. — Justo quando eu pensei que o Império Debuhi não poderia me decepcionar mais...

Abel simplesmente balançou a cabeça em resposta...

Provavelmente foi apenas uma coincidência que eles passaram pela estação da guarnição a caminho do sul do Café de Chocolat. No mínimo, não foi um plano de Ryo, que acabou se arrependendo de sua oferta de pagar a Abel um conjunto de bolo. Provavelmente também foi uma coincidência que os membros da guarnição saíram da entrada da estação naquele exato momento — e, oh, olhe, seu comandante, o Capitão Nimur, estava entre eles! Este era o mesmo homem que fez parte da operação de emboscada na antiga oficina. Outra coincidência, sem dúvida.

Três coincidências seguidas — que... coincidência.

— Abel, que ótimo momento!

— Oh, Nimur. O que é tudo isso? Não me diga que você está saindo em outra caçada humana ou invasão...

— Você sempre foi perspicaz, hein? Na verdade, eu enviei um mensageiro para A Onda Dourada mais cedo — disse o Capitão Nimur com um sorriso. Ele olhou para o mago da água ao lado de Abel. — Olá! Ryo, não é? Desculpe pelo que aconteceu da última vez. Foi apenas nosso azar coletivo de topar com um cara maluco como aquele... — Seu rosto se contorceu enquanto ele se desculpava. Era uma lembrança triste, pois Nimur havia perdido um de seus homens na batalha contra o homem de olhos azuis.

Claro, Ryo havia se envolvido em outro incidente imediatamente depois, então ele não estava nem um pouco incomodado. Especialmente porque ele havia recebido uma recompensa muito generosa da guarnição.

— Não se preocupe com isso... — ele respondeu.

— Então, o que vocês dois me dizem? Querem se juntar a nós para outra operação de busca e apreensão? Nem preciso dizer que pagaremos muito bem a vocês.

E foi assim que Ryo e Abel se viram participando de outra prisão...

Seu grupo de vinte, incluindo Ryo e Abel, atualmente cercava os restos de um restaurante perto do portão leste.

— Todos os dez estão lá dentro.

O Capitão Nimur assentiu, reconhecendo o relatório do membro da unidade de reconhecimento.

— Nós atacaremos pela frente. Jitta, leve quatro pessoas com você e vá para os fundos. Abel, Ryo, vocês dois vão com eles. Peguem quem tentar escapar. Não me importo se os machucarem, mas façam o possível para não matá-los.

Abel assentiu em compreensão.

Enquanto isso, Ryo murmurou: — Sinto que isso já aconteceu antes... Que déjà vu...

Um minuto depois de terem ido para os fundos do prédio, uma explosão veio da frente. A invasão havia começado. Gritos de raiva e sons de espadas se chocando irromperam lá dentro. Se o déjà vu de Ryo estivesse correto, a próxima coisa a acontecer era...

Três indivíduos voaram pela entrada dos fundos. Nenhum deles fazia parte da guarnição. O que significava...

— Wah!

Eles escorregaram e caíram no gelo que apareceu de repente sob eles. Então os soldados da cidade amarraram o trio inconsciente.

No momento seguinte, uma janela do segundo andar se quebrou e um homem saltou dela.

— Lança de Gelo.

Ryo atirou suas lanças de gelo nas pernas do homem para desequilibrá-lo. Ele caiu de cabeça no chão e desmaiou na frente de Ryo.

Ryo hesitou. Ele tinha recebido uma corda para amarrar os vilões, no entanto...

Krak. Uma janela diferente se quebrou e outra pessoa saltou dela antes de correr em direção ao portão leste.

— Estou indo atrás! — gritou Jitta, um soldado da guarnição, antes de disparar em perseguição.

— Ei, espere! Merda, eu também vou atrás deles — disse Abel.

— Abel! — gritou Ryo.

Era raro Ryo levantar a voz daquele jeito, então Abel, é claro, o ouviu. Então ele se lembrou do que aconteceu da última vez que perseguiu alguém em uma situação semelhante — ou, mais especificamente, quem.

— Ryo, venha também!

Ryo assentiu, deixando o homem inconsciente deitado na sua frente. Um dos membros restantes da guarnição certamente o amarraria.

Mais importante... Ryo e Abel correram. Diferente da última vez, eles chegaram a uma curva na estrada rapidamente. Quando viraram a esquina, viram Jitta segurando o homem que havia escapado no chão.

Bom. Uma visão muito boa — se ao menos tivesse sido o fim de tudo.

À frente deles estava uma figura. Uma mulher de cabelos roxos e olhos azuis.

— O que temos aqui?

Ryo e Abel pensaram ter ouvido a mulher murmurar algo nesse sentido. Era como se ela os tivesse reconhecido no momento em que viraram a esquina. Embora devesse ser o primeiro encontro deles com a mulher — nenhum dos dois conseguia se lembrar de tê-la encontrado antes —, ambos a acharam familiar... Para ser mais preciso, ambos tinham um pressentimento de quem ela era cúmplice.

Embora a mão de Abel ainda não estivesse no punho de sua espada, ele olhava cautelosamente para a mulher. Ryo já havia ativado o Sonar Passivo para investigar os arredores.

— Não sinto mais ninguém — sussurrou Ryo. — Resumindo, o homem de antes não está por perto...

Abel assentiu.

Cabelo roxo e olhos azuis brilhantes... A última vez que encontraram características tão semelhantes, pertenciam a um homem que eles confrontaram. E lutaram. Um homem que havia sido um inimigo incrivelmente poderoso.

— Abel, eu o peguei — chamou Jitta. — Por favor, me ajude a carregá-lo de volta!

Tanto Abel quanto Ryo olharam para Jitta sem pensar, focando sua atenção no soldado...

Assim que Ryo percebeu o que tinha feito, ele virou o olhar de volta para a frente.

Tarde demais. A mulher de olhos azuis já havia partido.

Ryo suspirou baixinho. Quando Abel o ouviu, ele também olhou para frente e percebeu que a mulher havia desaparecido.

— Mas ela... — disse Abel —, ela estava bem aqui, não estava?

— Sim, estava.

— Meus olhos não estavam me pregando peças, certo?

— Não, não estavam — respondeu Ryo com confiança.

Embora houvesse a possibilidade de terem visto uma ilusão, o Sonar Passivo confirmara a presença da mulher, então era lógico que ela não era uma ilusão.

— Sabe o que eu acho mais inacreditável em tudo isso...? O fato de que uma pessoa tão aterrorizante estava bem ali, tão perto do meu bairro. Isso realmente levanta a questão — o que diabos você está fazendo, relaxando? — perguntou Ryo, virando-se de repente para Abel.

— O quê? Como diabos você sempre encontra uma maneira de me culpar?

— Porque, como um aventureiro de rank B, é sua responsabilidade eliminar indivíduos tão assustadores. Caso contrário, o resto de nós enfrentará problemas aos montes. Não é por isso que você recebe uma grana alta?

— Exceto que não é você quem está me pagando, Ryo!

Embora todos devessem querer a paz, o mundo às vezes torna isso difícil. Naquele momento, Ryo sentiu profundamente o desafio de alcançar a paz mundial.

— Meu Deus... — murmurou a mulher de cabelos roxos e olhos azuis dentro da carruagem. — Eu fui a Lune novamente porque me disseram para ir, mas o caso atípico realmente não foi surpresa. Isso simplesmente significa que este lugar agora está fora dos limites para nós. Ainda assim... Aqueles dois eram o mesmo espadachim e mago de antes, não eram? Eles muito provavelmente moram na cidade, mas pensar que eu os veria novamente durante uma visita tão curta... No entanto, eles deveriam pensar que eu era apenas uma ilusão, já que utilizei uma fórmula mágica de inibição cognitiva... Sim, sim, a fórmula deveria ter funcionado! Julius disse que não teve escolha a não ser matar o homem naquela época porque ele havia sido visto. Eu realmente não o entendo. Embora eu esteja feliz por ele não estar comigo desta vez. Nós definitivamente teríamos acabado em uma batalha se ele estivesse... Ouvi dizer que ele foi para a parte leste do Reino. Será que ele ficará bem sozinho... Ele tem o péssimo hábito de tentar resolver as coisas com força bruta... É exatamente por isso que os homens são criaturas tão problemáticas.

Ela exalou profundamente. — Já que terminamos com Lune, talvez eu devesse ir atrás dele... Decisões, decisões.

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