The Water Magician

Volume 2 - Capítulo 15

The Water Magician

Muitos aldeões se reuniram na praça da vila.

— Prefeito, Nils! Como foi?

— Bem, bem. Destruímos todos os goblins.

— Uauuuu!

Gritos de empolgação surgiram com o anúncio do Prefeito Boulan.

— Ora, você é incrível, Nils!

— O resto de vocês também. Obrigado por nos ajudar.

— Aqui, pegue um pouco deste javali frito de bandido.

Por algum tempo, uma conversa animada encheu o ar enquanto os aldeões cercavam os quatro jovens, dando tapas de agradecimento em seus ombros, enfiando comida em suas mãos e coisas do tipo.

— Não, nada de álcool. Eles ainda têm que lidar com os esqueletos à noite.

— Ah, certo, desculpe...

Com olhos atentos, Boulan avistou e impediu um aldeão que entusiasticamente lhes oferecia licor. Apesar de ser atípico para eles, os aldeões, no entanto, desfrutaram de um almoço na praça da vila.

— Boulan.

— Olá, Anciã. Os goblins já eram.

— Sim, sim, eu ouvi. Bom trabalho. Nesse caso, leve esses quatro jovens para ver a besta guardiã antes que o sol se ponha. Nosso protetor quer ter uma conversinha.

— É mesmo...? Vou avisar os rapazes, então. Iremos depois do almoço.

Os ouvidos de Ryo captaram a conversa deles.

Uma audiência com a besta guardiã! Um evento de história clássico! O que significa que há uma boa chance de acabarmos lutando contra a besta guardiã enlouquecida por uma maldição...

Ele sorriu levemente sem perceber.

— Droga, Ryo, você está tramando algo ruim de novo, não está... — disse Nils, parecendo incrivelmente irritado.

Amon sorriu seu sorriso alegre de sempre. — Definitivamente há uma aura maligna ao seu redor, Ryo.

Eto olhava fixamente para a Anciã durante essa troca de palavras. Mais precisamente, ele olhava para o cordão decorativo e a estatueta esculpida pendurada em seu cajado e vasculhava suas memórias.

Tenho quase certeza, pensou Eto, que isso é da Deusa Mãe Terra...

A localização da besta guardiã ficava a uma hora de caminhada após entrar na floresta leste.

— Os aldeões também são proibidos de se aventurar nas profundezas da floresta leste. Claro, sendo Nils o moleque desordeiro que era, nunca escutou e ia lá o tempo todo, então a Anciã e eu demos a ele mais sermões furiosos do que posso contar.

— Eu sabia!

— Como?! Como você poderia saber disso?!

Para Ryo, a explicação de Boulan fazia todo o sentido. E para Nils, não fazia sentido como fazia sentido para Ryo.

Eto estava se remoendo em indecisão o tempo todo, mas finalmente decidiu perguntar à Anciã o que estava em sua mente. — Anciã... digo, Senhora Nasu, posso perguntar sobre aquela estatueta...?

— Pode me chamar de Anciã. O único que ainda me chama de Nasu é a nossa estimada besta guardiã. Agora, então, de qual estatueta você está... Ahhh, esta coisinha? Como um sacerdote da luz, você deveria saber a resposta, hein?

Ela levantou seu cajado um pouco mais alto para que Eto pudesse ver melhor a escultura de pedra de aproximadamente cinco centímetros de largura.

— Sim. É o brasão da Deusa Mãe Terra, não é?

— De fato. Você é bem esperto, não é? Suponho que isso signifique que o Templo da Luz ainda está ensinando coisas como esta, eh...

— A Deusa Mãe Terra?

Tanto Eto quanto a Anciã ouviram o murmúrio baixo de Ryo.

— Sim. Não há muitos de seus devotos hoje em dia... Mas os anciãos desta vila acreditam nela por gerações.

— A Deusa da Luz e a Deusa Mãe Terra em que acreditamos são deuses que foram, cada um, adorados como parte do Panteão dos Sete. Mas muita coisa aconteceu ao longo de um longo período... Hoje em dia, sempre que alguém menciona o Templo ou um sacerdote, a primeira coisa que vem à mente de todos é o Templo da Deusa da Luz ou sacerdotes da Deusa da Luz. Os outros seis deuses, para todos os efeitos, caíram no esquecimento.

O tom da Anciã era autodepreciativo, embora um toque de solidão também se escondesse nele. Não era frustração ou tristeza. Se pressionado, Ryo diria que o sentimento mais próximo era de resignação.

— A fé não é algo para se forçar sobre as pessoas. E se as crenças se desvanecerem e desaparecerem por completo, bem, esse é o jeito deste mundo, não é?

Iluminada... A palavra descrevia a Anciã neste momento perfeitamente.

Ryo de repente pensou em uma pergunta. — Anciã — começou ele. — Você e os outros adeptos da Deusa Mãe Terra podem usar magia de luz, então?

Magia de luz... um tipo de magia de cura que era a especialidade de sacerdotes e sacerdotisas. Mas o que Ryo queria saber era se apenas os sacerdotes da Deusa da Luz podiam usá-la ou se os sacerdotes de outros deuses também podiam.

— Magia de luz, hein?

— Sim. É utilizada para curar feridas e coisas do tipo.

— Eu sei para que é usada, rapaz, e sim, eu posso usá-la. Mas a minha é diferente da que os sacerdotes da luz usam. Eto, não é? Você e os seus recitam as encantações, não é?

Eto pareceu surpreso com a pergunta inesperada da Anciã. — Hã? Sim, claro.

— Aqueles que servem à Deusa Mãe Terra não o fazem. Bem, a resposta mais precisa seria que nunca houve encantações para começar. Mas em algum momento, elas se tornaram comuns.

— Eu... desculpe? O que você acabou de...? Hã?

O choque de Eto havia se aprofundado ainda mais. Na verdade, ele estava agora congelado. O sacerdote realmente só congelava quando Rihya estava envolvida, então a visão dele agora em tal estado representava um fenômeno extremamente interessante para Ryo.

Sua expressão permaneceu vazia mesmo enquanto ele continuava a andar automaticamente. O grupo o arrastou em sua jornada. Pouco tempo depois, eles finalmente chegaram a uma caverna no fundo da floresta, aquela em que a besta guardiã vivia.

Bestas guardiãs. Criaturas não humanas que habitam a terra. Elas frequentemente estabelecem várias formas de relações simbióticas com as populações humanas próximas. É por isso que são chamadas de bestas guardiãs. Fundamentalmente, elas não vivem em lugares lotados como cidades, mas em áreas ricas em natureza, como montanhas e florestas.

Além disso, sua existência raramente é tornada pública. Na maioria dos casos, apenas os aldeões que estão envolvidos com elas sabem sobre elas. Portanto, não é bem compreendido quantas bestas guardiãs existem, que tipos de bestas guardiãs, e que tipos de relacionamentos elas constroem com as pessoas.

Do lado de fora da caverna, a Anciã, Nasu, chamou educadamente o ser que habitava lá dentro. — Ó Grande Besta Guardiã, sou eu, Nasu. Trouxe comigo Boulan e os quatro que realizarão a caçada.

Sua voz reativou Eto, que esteve congelado durante a caminhada. Quando viu seu amigo funcionando novamente pelo canto do olho, Ryo deu um suspiro de alívio.

Se sua especulação sobre a besta guardiã estar amaldiçoada se mostrasse correta, eles de repente se veriam em batalha. Nesse caso, Eto não ser capaz de reagir rapidamente seria fatal. No entanto...

— Agradeço o esforço de virem até aqui.

O que saiu lentamente da caverna foi um...

— Fenrir... — sussurrou Eto.

Um lobo coberto da cabeça à cauda com pelo prateado, o fenrir devia medir cerca de três metros de comprimento. O andar do ser era instável e todos podiam ver que ele claramente havia perdido uma grande quantidade de força. No entanto, seu olhar era aguçado e sua fala, articulada.

Então não foi devorado por uma maldição... Aff... Isso definitivamente não vai desencadear um evento, então.

Tanto Nils quanto Amon viram o flash momentâneo de desapontamento no rosto de Ryo. Eles assentiram em uníssono, a suspeita de seus pensamentos perversos havia sido confirmada.

— Hm, hm, um sacerdote da luz? Então a presença dele significa que eles não serão sobrecarregados pelo número de inimigos. Agora, permitam-me falar sobre mim. Para ser preciso, eu não sou um fenrir... mas, por conveniência, digamos que sou algo semelhante.

A besta guardiã riu baixinho.

— Um sacerdote da luz, dois espadachins... e...

A criatura olhou diretamente para Ryo, examinando-o, antes de continuar.

— Meu nome é Nkuusin. Você aí, o mago da água. Como se chama?

Um pouco surpreso com a pergunta, Ryo respondeu mesmo assim. — Sou Ryo.

Boulan e a Anciã, parados ao seu lado, ficaram definitivamente mais do que um pouco surpresos.

— A besta guardiã realmente se apresentou...

O fato de a besta guardiã ter dito seu nome foi o que os surpreendeu. Isso nunca havia acontecido antes, nem uma vez. E, de fato, esta foi a primeira vez que tanto Boulan quanto a Anciã souberam seu nome, Nkuusin.

— Eu entendo que meu nome é difícil para os humanos pronunciarem, e é por isso que deliberadamente o mantive escondido até agora. No entanto, aquele mago ali... Ryo, era? Senti a necessidade de dizer a Ryo. Não fazê-lo seria uma desonra.

— Desonra? O que quer dizer? — perguntou Ryo, com a cabeça inclinada em perplexidade.

— Sim. Como devo explicar... Pode-se dizer que sou um parente das fadas. E para criaturas como nós, sua presença é... Sim, sua presença é um conforto quando próxima.

Ele não entendeu muito bem o que o fenrir estava dizendo. Ele conhecia o Rei das Fadas da Água, seu mestre de espada que parecia um dullahan. O dito Rei das Fadas lhe dera sua espada e manto. Quando Sera viu seu manto, ela disse: “O Rei das Fadas gostou de você.” Então havia a besta guardiã, um parente das fadas, parada na frente de Ryo agora e dizendo que sua presença era um conforto.

Se ele juntasse todas essas informações, então a conclusão era que Ryo era amado pelas fadas... Embora ele ainda não tivesse ideia do que as fadas realmente eram.

Vou perguntar a Sera quando voltarmos para Lune. Ela disse que os elfos são basicamente meio fadas, então não tenho dúvidas de que ela pode me dizer muito sobre eles.

— Se minha presença realmente é um conforto para você, então... uhm, obrigado, eu acho?

Ele sentiu que essa não era a resposta certa.

A besta guardiã uivou de tanto rir. — Eu sou quem deveria ser grato, pois graças a você minha vida foi estendida por mil anos. Na verdade, teria terminado em mais uma década ou mais... Nasu, bom trabalho em trazer este indivíduo fascinante para mim.

— Eu... — A Anciã ficou completamente sem palavras. Não apenas ficou chocada com a revelação da besta guardiã de que sua vida terminaria em dez anos, mas também ficou ainda mais espantada que a presença de Ryo prolongasse essa vida por um milênio.

— Caramba, Ryo, você é incrível... — disse Nils, espantado.

— Não tenho tanta certeza disso, já que duvido seriamente que eu mesmo tenha sido abençoado... — respondeu Ryo, perplexo, enquanto balançava a cabeça em negação. Ouvir que sua mera presença era responsável por adicionar mil anos à vida do fenrir... parecia tê-lo feito finalmente entender que a besta guardiã era, de fato, um ser não humano.

— Vamos falar do cerne da questão, então. A caçada que vocês realizarão... Aqueles que vieram anteriormente a iniciaram sem buscar meu conselho ou qualquer coisa do tipo, o que levou a muitas complicações.

Apesar de seu rosto lupino, o quarteto do Quarto 10 de alguma forma sentiu a preocupação que a besta guardiã carregava.

— Antes mesmo de percebermos suas intenções, eles já estavam lutando contra os esqueletos... então eles profanaram a floresta derramando sangue. Ofereço minhas mais profundas desculpas — disse o Prefeito Boulan.

— Hm, era inevitável até certo ponto... já que vida e morte estão em jogo. Dito isso... — A besta guardiã bufou como se estivesse suspirando. — Considerando o quanto de problema até mesmo aquelas trinta abominações fracas representaram para eles, eles não teriam saído vitoriosos de qualquer maneira.

Ryo analisou as palavras da besta guardiã.

Trinta é mais do que os vinte que nos disseram... E por “abominações fracas”, provavelmente está se referindo aos esqueletos... o que significa que há algo outro mais forte, certo?

— Estou certo em supor que devemos derrotar outra coisa também? — Nils fez a mesma pergunta que estava na mente de Ryo, e com ousadia. Como esperado de um líder de grupo.

— Sim, há uma criatura poderosa. É do mesmo tipo, mas grande. Não sei como vocês, humanos, a chamam. Está presa dentro do santuário, perto da entrada... Assim que vocês derrotarem os trinta lacaios, eu a soltarei para que a matem.

— Ó Grande Besta Guardiã, pensar que você prendeu o monstro... — A Anciã soava tanto admirada quanto espantada com a explicação da besta guardiã.

— Era necessário que eu o fizesse, pois o poder espiritual do santuário não era suficiente para contê-lo. Assim, usei o restante do meu poder para capturar e prender a coisa. Ai de mim... ultimamente, tenho precisado de uma quantidade anormal de poder, reduzindo muito minha vida.

Então a besta guardiã explodiu em gargalhadas novamente. Seria porque ele era uma lenda que pode rir de sua própria expectativa de vida? Ou era simplesmente porque ele viveu por tanto tempo? Quem poderia dizer...

Como a besta guardiã não podia se afastar muito da caverna, o resto do grupo foi para o santuário, diante do qual agora estavam.

— Eu diria que isso está mais para a escala de um “templo oculto” do que um santuário... — disse Eto para a Anciã.

— Hm. Não sei sobre definições e tal, mas na vila chamamos de santuário por gerações. Os esqueletos começaram a aparecer aqui e ali há cerca de seis meses. O santuário está fechado há muito tempo porque realizamos os ritos na vila... Desde então, não conseguimos nos aproximar. Tudo o que podíamos fazer era observar à distância... E agora sabemos que há uma criatura poderosa lá dentro. Mas que diabos está acontecendo?

Ela exalou profundamente quando terminou de falar.

— Eto, o que exatamente é um templo oculto? — disse Ryo, expressando a pergunta em sua mente.

— A melhor maneira de descrever um templo oculto é como um local com um altar no fundo, além das portas. O Templo da Luz na verdade tem alguns. Contanto que haja um sacerdote ou sacerdotisa à mão, eles podem realizar o ritual necessário imediatamente. No caso de um santuário, algo como um altar é colocado dentro, embora não seja nem de perto do mesmo tamanho. As portas também são pequenas. Não sabemos quando ou por que foram construídos porque o conhecimento se perdeu no tempo sem ser transmitido. Mas nós sabemos que alguns dos mais antigos foram feitos há mais de mil anos...

Ele achou a explicação de Eto profundamente fascinante. O uso da linguagem do sacerdote tinha sido mais formal do que o habitual, provavelmente porque a Anciã fazia parte de sua audiência.

— Pelo que sei, as portas deste santuário nunca foram abertas. Pelo menos ninguém vivo agora tem noção de como é por dentro.

A Anciã balançou a cabeça levemente. — Espere, acabei de me lembrar de algo que a besta guardiã disse no passado. Parece que o poder flui para sua caverna de algum lugar e foi por isso que ela se estabeleceu lá, por causa de seu estado enfraquecido... Pode ser que este santuário seja a fonte desse poder.

— A probabilidade é alta — respondeu Eto antes de apresentar sua própria teoria e suas possíveis implicações. — Existe uma teoria de que os templos ocultos foram construídos nas veias da terra, os chamados lugares onde as forças que brotam da terra se reúnem. Se este for o caso aqui, então o poder reunido neste templo oculto pode muito bem estar fluindo para a caverna.

Antes de iniciar a batalha contra os esqueletos, os quatro membros do Quarto 10 realizaram uma sessão de briefing completa.

— Acho que o problema será o grande e forte — disse Eto. — Se for realmente do tipo esqueleto, então pode ser um general esqueleto, um rei esqueleto ou um arquiesqueleto. Outras possibilidades prováveis são carcaças de monstros ou animais que se transformaram em esqueletos. Um urso, por exemplo. Nesse caso, simplesmente lidaríamos com isso como esqueletos normais, então não precisamos realmente criar muitas estratégias.

— Eto, qual deles é o mais perigoso nessa lista? — perguntou Nils.

— Um arquiesqueleto. A magia é completamente ineficaz contra eles.

Hmmm... Sinto que ouvi uma frase semelhante recentemente...

Ryo vasculhou sua memória enquanto ouvia a troca de palavras entre Nils e Eto, mas não conseguiu se lembrar do incidente com os demônios sendo a fonte das palavras.

Ah, bem, tanto faz.

— Em geral, cortes não funcionam bem em monstros do tipo esqueleto, então ataques de espada são um pouco...

— Isso é uma pena, especialmente porque Amon e eu só temos nossas espadas como armas...

Amon ponderou a explicação de Eto.

— Eto, e se os atingirmos com martelos? — perguntou Ryo, baseando a sugestão em seu conhecimento de light novels. A sugestão se mostrou correta, a julgar pelo aceno firme de Eto.

— Sim — disse Eto — algo assim seria o método mais eficaz contra eles.

— Excelente. Então estaremos bem. Vou imobilizar os esqueletos para que Nils e Amon possam atingi-los com martelos maciços do lado de fora.

— Do lado de fora?

— Martelos maciços?

Nils e Amon inclinaram a cabeça em confusão com a declaração confiante de Ryo.

— Certo, a primeira coisa que vamos fazer é erradicar os esqueletos em frente ao santuário.

Então Eto começou uma encantação, com a voz baixa.

— Eu, por meio deste, devolvo esta alma impura ao seio do divino e rezo para que seus pecados sejam perdoados. Afastar Mortos-Vivos.

Quando ele disse as palavras de gatilho finais, os trinta esqueletos capturados pelo olhar de Eto desapareceram sem deixar rastro, um por um.

Uau, uau, uau! Que encantação super legal! Aposto que a pessoa que pensou nisso definitivamente tinha a Síndrome do Protagonista!

Enquanto tais pensamentos rudes passavam pela mente de Ryo, o último dos esqueletos desapareceu no ar. O feitiço Afastar Mortos-Vivos consumiu uma grande quantidade de magia, mesmo para aventureiros de Rank E como Eto? Ou foi porque ele havia purificado trinta deles de uma vez? Qualquer que fosse o motivo, Eto caiu de joelhos, ofegando pesadamente.

— Você está bem, Eto? — perguntou Ryo, oferecendo ao sacerdote um copo de gelo cheio de água deliciosa. Um copo d'água é particularmente inestimável em momentos como este. O corpo humano é uma coisa estranha e misteriosa.

Eto bebeu a água de um só gole. — Obrigado, estou bem.

Enquanto isso, Nils e Amon se aproximaram das portas do santuário e se prepararam. Finalmente era hora de abri-las. Embora a “criatura grande e poderosa” provavelmente não fosse saltar de repente sobre eles porque a grande besta guardiã a havia aprisionado, eles, no entanto, abriram-na lenta e cautelosamente. Para portas que permaneceram fechadas por tanto tempo, elas foram surpreendentemente fáceis de abrir... sem mencionar que foram necessários dois espadachins da vanguarda para fazê-lo.

As portas criaram uma nuvem de poeira ao se abrirem. Assim que a poeira baixou, eles puderam ver o interior. Um esqueleto solitário com mais de dois metros de altura estava lá.

— Um arquiesqueleto... — murmurou Eto.

— Ah, merda! — disse Nils. — Logo o mais perigoso, invencível contra magia!

Nils e Amon rapidamente se afastaram das portas e brandiram suas espadas.

— Criação de Gelo: Martelo.

Ryo lançou o feitiço e gerou martelos de gelo envolvendo as lâminas das espadas de Nils e Amon.

— Uau. Eles são enormes. Ryo, nós usamos isso para espancá-lo, certo?

— Sinto que cada golpe vai cair como uma tonelada de tijolos.

Nils e Amon ergueram seus martelos no alto e os giraram, descobrindo como usá-los.

— Correto. Vou detê-lo assim que estiver na clareira, então quero que vocês dois o espanquem e minem sua resistência.

— Entendido.

— Sim, senhor.

Nils e Amon se posicionaram ao redor da clareira que Ryo apontou.

— Muralha de Gelo 3.

Ele cercou o caminho das portas até a clareira com paredes de gelo. Isso impediria o monstro de sair repentinamente do caminho e atacá-los.

— Certo, vou sinalizar para a besta guardiã soltá-lo. Flor de Gelo.

Como os fogos de artifício eram chamados de flores de fogo, ele deu a este feitiço o nome oposto. Uma massa brilhante de neve voou para o ar do punho direito erguido de Ryo. Ela explodiu dramaticamente quando atingiu uma altura considerável no céu. A poeira de diamante se espalhando do centro do aglomerado brilhava chocantemente sob a luz do sol poente. Ele enviou um segundo aglomerado, depois um terceiro, os flocos de neve cintilando enquanto caíam.

O grupo, esquecendo que estava no meio de uma luta, ficou hipnotizado pela visão.

— Que adorável.

O sussurro da Anciã foi quase inaudível, mas Ryo a ouviu.

— Certo, pessoal, o arquiesqueleto está vindo — disse Ryo, erguendo a voz para trazer o foco de todos de volta para a caçada.

— Estou pronto! Pode mandar!

Embora o grito de Nils não fosse o sinal de forma alguma... aconteceu de coincidir com o momento em que a besta guardiã desfez sua amarra e o arquiesqueleto se moveu.

Os mortos-vivos odeiam os vivos. Ninguém sabia o motivo, mas eles eram atraídos pelos vivos, matavam os vivos e tentavam os vivos a se tornarem as mesmas coisas amaldiçoadas que eles são.

O arquiesqueleto não era diferente. Começou a andar direto em direção a eles ao sair das portas. Ele caminhou lentamente, até chegar à clareira... onde colidiu com a Muralha de Gelo bem à sua frente. Ele não tinha para onde ir agora.

— Pista de Gelo.

Embora a magia fosse ineficaz contra um arquiesqueleto, fosse a Muralha de Gelo ou a Pista de Gelo, era apenas uma questão de não mirar no monstro em si. Não havia como escapar de fenômenos físicos — como uma camada escorregadia de gelo, por exemplo. A criatura deslizou dramaticamente na Pista de Gelo de Ryo e caiu. Tentou se levantar inúmeras vezes, mas falhou.

— Muralha de Gelo, Liberar. — Certo, Nils, Amon, é a vez de vocês.

— Com certeza! Amon, vamos lá!

— Sim, senhor!

Nils e Amon diminuíram a distância entre eles e o arquiesqueleto caído. E então... eles ergueram seus martelos de gelo feitos por Ryo bem alto e atingiram o monstro com toda a sua força. Clang.

— Droga, é duro como pedra — disse Nils.

— É mesmo — confirmou Amon. — Mas posso ver que causamos dano, mesmo que não seja muito.

— Certo, vamos continuar assim.

— Com prazer!

Bam, bam, bam. Os dois golpearam o monstro implacavelmente enquanto ele jazia no chão, incapaz de se levantar. A Pista de Gelo de Ryo tinha um raio de dois metros e cada martelo media três metros de comprimento. Como o arquiesqueleto não tinha ataques de projétil nem ataques mágicos à distância, eles podiam atacá-lo sem sofrer nenhum dano.

No entanto, como Nils era de Rank E e Amon era F, cada um de seus golpes não infligia muito dano. Era inevitável que levasse bastante tempo para realmente derrotar o arquiesqueleto. Enquanto suportava seus golpes, mesmo que o dano fosse mínimo, a coisa se levantou sobre os quatro membros, tendo desistido de ficar de pé. Agora tentava se mover nessa posição.

— Bem, suponho que não devamos nos surpreender. Mas os resultados serão os mesmos, já que você está deitado em cima de gelo especialmente feito e extra escorregadio.

Assim como Ryo disse, o arquiesqueleto não conseguia avançar nem de quatro. Tudo o que podia fazer era continuar deslizando em cima de sua Pista de Gelo.

Por que é tão fácil deslizar sobre o gelo, afinal? Por causa da água na superfície do gelo — ou não. Você deslizará havendo ou não água derretida na superfície do gelo. Também não se trata de termodinâmica. Claro, a água torna tudo mais escorregadio.

O que mantém as moléculas de H2O unidas é uma interação intermolecular chamada ligação de hidrogênio. Este hidrogênio, H, se liga ao oxigênio vizinho, O, então este H se liga ao seu O vizinho, que por sua vez se liga ao seu H vizinho, e esse se liga ao seu H vizinho. Este conjunto de quatro estados de ligação de hidrogênio — que equivale a cinco moléculas de água — é a forma mais comum de gelo. O mais comum também significa que é o estado ou forma mais estável.

Quanto menor a temperatura, mais duro o gelo se torna. Por outro lado, o número de ligações de hidrogênio fracas no mesmo pedaço de gelo aumentará em temperaturas mais altas. Na superfície de uma camada de gelo, ela entra em contato com a água e o ar e cria uma camada de moléculas de água com ligações de hidrogênio duplas ou triplas. Essas moléculas são o motivo pelo qual o gelo é escorregadio. Essas moléculas de água com ligações duplas ou triplas se movem pela superfície do gelo com ligações quádruplas, agindo como bolas em um rolamento.

Suponha que você derrame um grande número de bolas de pachinko ou de gude em um piso de madeira... Provavelmente seria impossível andar sobre ele com sapatos ou chinelos, certo? Então, se você pensar no piso de madeira como uma camada de moléculas de água com quatro ligações de hidrogênio e a bola de pachinko ou de gude como uma camada separada de moléculas de água com duas ou três ligações de hidrogênio, você pode ter uma imagem mais clara de como funciona.

E o chão de gelo que Ryo criou em sua Pista de Gelo aproveitou essa propriedade. Isso foi possível porque ele passou muitos anos se ligando no nível molecular na Floresta de Rondo. O gelo era feito de três moléculas de água ligadas umas às outras, com um grande número de moléculas de água com dupla ligação de hidrogênio... e ainda assim era tão duro que era impossível se mover cravando os dedos dos pés ou os calcanhares no gelo. Talvez apenas Ryo, que possuía conhecimento tanto de magia quanto de ciência, pudesse alcançar essa combinação.

De qualquer forma, em cima desta Pista de Gelo, o arquiesqueleto não conseguia avançar mesmo engatinhando de quatro, e continuou a ser espancado por Nils e Amon.

Finalmente, o monstro passou de quatro para deitado de bruços.

— Passar de ficar em pé para engatinhar de quatro e finalmente deitar de bruços... Embora sua abordagem seja correta ao tentar aumentar o coeficiente de atrito aumentando a área de contato, o resultado permanece o mesmo. Você não pode se mover, muito menos saltar.

Quinze minutos se passaram desde que Nils e Amon começaram a espancá-lo com seus martelos de gelo e eles não pararam. Ultimamente, eles vinham treinando com ênfase particular na resistência, mas mesmo como alguém observando à margem, Ryo podia dizer que eles estavam se cansando.

Se eles realmente, verdadeiramente não conseguissem terminar o trabalho, eu planejava trocar de lugar com eles. Mas...

Mas ele não precisava se preocupar.

— Estamos quase lá!

No momento em que Nils o atingiu enquanto falava... Crack. Com um som alto, o osso do pescoço do arquiesqueleto rachou e a luz vermelha brilhando em suas órbitas oculares desapareceu. Eles finalmente haviam derrotado o monstro.

— Nossa, isso demorou uma eternidade...

— Estou exausto...

Nils e Amon caíram de bunda. Nils levou o frasco em seu quadril até a boca e bebeu a água avidamente, derramando um pouco em si mesmo em sua pressa. Amon desabou para trás no chão, com braços e pernas abertos.

Monstros do tipo morto-vivo como esqueletos não deixam para trás pedras mágicas. O arquiesqueleto não foi exceção, então eles não encontraram uma após sua morte, apesar de todo o esforço que fizeram.

Quando Ryo anunciou que o monstro não havia deixado cair uma pedra mágica, Nils e Amon baixaram a cabeça em derrota.

— E-eu sabia o tempo todo, mas... ouvir de fato a realidade dói tanto — disse Nils.

— Eu concordo...

— Bom trabalho, jovens — disse a Anciã, caminhando em direção a eles ao lado de Boulan. Ambos haviam observado a batalha de uma boa distância atrás deles.

— Acha que está tudo bem eu dar uma olhada dentro do santuário?

— Não há nada se movendo lá dentro, então você deve ficar bem — respondeu Ryo.

Ao ouvir isso, a Anciã entrou no santuário com Boulan a reboque. Eto e Ryo os seguiram de perto. Nils e Amon continuaram descansando do lado de fora, é claro.

O interior do santuário era tão largo quanto as típicas piscinas de vinte e cinco metros de comprimento nas escolas. No fundo, em frente a eles, havia algo que parecia um altar. Apesar de seu tamanho, não havia mais nada no espaço.

— Um altar — murmurou Ryo — era isso?

— Sim — respondeu Eto suavemente. — Fundamentalmente, a única coisa dentro de um templo oculto é o altar.

No altar havia uma escultura de uma mulher medindo um metro de altura e algo que parecia um orbe de cristal preto com rachaduras e um pedaço faltando.

Aquele orbe...

Ryo se lembrou de ter visto a coisa. Parecia com a que estava nas escadas que levavam do Nível 40 para o 39 na Masmorra de Lune. Mas esta era menor e também estava quebrada...

— Danificado, eh... — murmurou a Anciã, com os olhos no orbe lascado.

— Anciã, o que é isso...? — questionou Boulan.

— Eu também não faço a menor ideia, mas... eu me lembro da sacerdotisa anterior me contando sobre isso. Era uma vez, existia um orbe brilhante e cintilante no santuário. Mas um dia, ele se tornou turvo pela escuridão e algum tempo depois, quebrou. Deve ser este...

Enquanto ouvia sua explicação, o olhar do prefeito da vila não se desviou do orbe preto quebrado. — Costumava brilhar e cintilar...

— O santuário permanecerá fechado como antes. Está além do meu poder restaurá-lo, então confiarei a tarefa à próxima sacerdotisa.

Ryo se virou para a Anciã. — Quem é ela?

— Vocês todos já a conheceram — ela respondeu feliz. — É Sana, a cunhada de Nils. Ela é minha principal escolha, para dizer a verdade. Há outras também da mesma idade com potencial para serem sacerdotisas. Se elas assim desejarem, sua geração de sacerdotisas tem o potencial de ser muito mais forte que a minha, onde eu era a única. E se isso acontecer, elas poderão conduzir os ritos não apenas na vila, mas também neste santuário. Depois, há a caverna que os goblins estavam usando como covil — ela continuou. — Assim como a da besta guardiã, o poder daqui pode estar fluindo para lá também.

— Ah, entendo. — Eto assentiu. — Isso é totalmente possível, não é?

— Veja bem, os goblins têm atacado nossa pequena vila há muito tempo... — Então ela olhou disfarçadamente para Nils, que permanecia do lado de fora do santuário.

Espere. É por isso que os pais dele não estão vivos...?

Ryo chegou a essa conclusão pela direção de seu olhar, mas sabiamente não o disse em voz alta. Isso não era algo em que um terceiro devesse se meter sem mais nem menos. Além disso, ele mesmo perdeu seus pais na Terra.

A Anciã continuou falando.

— Até agora, não conseguimos encontrar a fortaleza deles, mas a caverna onde vocês, jovens, os derrotaram pode muito bem ser ela. Se eu criar um monte de selamento lá, eles não conseguirão cavar até a superfície. Boulan, acho que vou pedir para você me levar lá amanhã.

Pelo menos algumas das preocupações que ela carregava dentro de si por tanto tempo pareciam ter sido resolvidas só hoje... E a Anciã parecia mais feliz do que nunca.

Cinco dias após deixarem Lune, os quatro membros do Quarto 10 retornaram à cidade mais uma vez após completarem o trabalho com sucesso. Nada de notável aconteceu na viagem de volta...

Eles chegaram em Lune à noite. Naturalmente, o saguão da guilda dos aventureiros estava lotado a essa hora...

Nils, Eto e Amon espiaram o espaço das portas e suspiraram.

— Uhhh... não está mais lotado que o normal?

— Eu... acho que você está certo.

— Bem, estamos certamente em apuros...

— Por que não nos arrumamos primeiro? — sugeriu Ryo, pensando que seria uma perda de tempo apenas esperar ali.

— Sim, vamos fazer isso.

Havia algumas casas de banho públicas em Lune. Uma delas, seu ponto de encontro habitual, ficava por acaso perto da guilda. Agora, eles estavam na grande área de banho do estabelecimento.

— Está quase na hora, hein... — disse Nils significativamente.

Eto assentiu. — Com certeza está.

— Eu sei do que vocês dois estão falando, Nils. Você finalmente vai confessar seu amor à doce Miranda no distrito da luz vermelha, não é?

— Claro que não. E quem diabos é essa “doce Miranda”?

A dedução em que Ryo havia colocado toda a sua energia se mostrou errada.

— Estou falando de como Eto e eu estamos ambos chegando ao limite de trezentos dias de moradia da guilda.

Os aventureiros podiam ficar no anexo de moradia da guilda por até trezentos dias após o registro. Uma vez que o período terminava, no entanto, eles precisavam sair.

— Ohhh... Então é isso.

Ryo assentiu, exalando silenciosamente porque seus tempos divertidos logo terminariam. Essa percepção o fez pensar em muitas coisas também.

Talvez eu tenha que adiantar meus planos.

— Ei, Ryo, Amon. Eto e eu estamos pensando em comprar uma casa ou alugar uma depois que sairmos do dormitório. O que vocês acham de... morar conosco lá?

O convite deixou Amon sem palavras. Tanto ele quanto Ryo poderiam continuar morando no anexo por mais seis meses, mas ele havia formado um grupo com Nils e Eto, então, pelo menos para ele, havia uma grande vantagem em morar com eles. Ele percebeu isso imediatamente também.

Amon nem hesitou. — Eu adoraria — respondeu ele.

Nils assentiu animadamente e deu um tapa no ombro de Amon. — Sério?! Incrível!

Eto sorriu feliz.

— Ryo — disse Nils — e você...?

— Sinto muito, mas terei que passar — disse Ryo um pouco triste. — Pretendo comprar minha própria casa, mas preciso de um terreno enorme para realizar meus experimentos mágicos e alquímicos.

— Ahhh... Ok... — Nils também ficou desapontado, mas não pressionou mais Ryo. Talvez porque uma parte dele sentisse que algo assim aconteceria.

Embora Eto também parecesse triste, ele falou com um sorriso. — Bem, se algum dia tivermos outra comissão difícil como esta, nos ajude, por favor?

— Sim, claro.

Naquela noite, os quatro membros do Quarto 10 conversaram na cantina da guilda até altas horas. Sobre o que aconteceu neste trabalho, sobre tudo o que viveram juntos até agora e sobre o que todos fariam no futuro.

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