
Volume 2 - Capítulo 14
The Water Magician
Ryo recebeu uma punição da guilda dos aventureiros que o obrigava a completar três comissões em dois meses. A primeira foi a missão de escolta para Whitnash junto com os outros três do Quarto 10 e o Cafeteira.
Na realidade, missões de escolta de ida e volta eram tratadas como duas comissões separadas, uma para a viagem de ida e outra para a de volta. Como era um procedimento interno da guilda, os clientes não sabiam disso nem eram prejudicados. Seja como for, esse tipo de comissão era extremamente desejável para aqueles aventureiros que precisavam cumprir uma cota por qualquer motivo.
E Ryo era um deles. Em resumo, ele só precisava fazer mais uma missão em um mês e meio para cumprir sua punição, o que era tempo de sobra. Como não sentia nenhuma urgência real, ele passava grande parte do tempo entrando e saindo da biblioteca do norte, da Estação de Abastecimento, ou realizando batalhas simuladas no centro de treinamento dos cavaleiros. Mas um dia...
— Ryo, preciso da sua ajuda com uma coisa.
— Hmmm?
Depois de várias rodadas de batalhas simuladas com Sera à tarde no centro de treinamento dos cavaleiros, ele acabara de voltar para o Quarto 10. Lá, Nils, com a cabeça baixa em sinal de resolução, pediu-lhe um favor.
— O que você quer dizer?
Para resumir a explicação de Nils... A vila em que ele nasceu e foi criado havia enviado um pedido de caça para a guilda dos aventureiros. A missão era para aventureiros de rank C e D, o que significava que ele e os outros dois não poderiam aceitá-la, pois formavam um grupo de rank E. Mas se Ryo, que era de rank D, criasse um grupo temporário, eles conseguiriam. A comissão era para caçar goblins e esqueletos que apareciam com frequência perto da vila.
— Eu ouvi direito? — Ryo ficou um pouco animado com a menção dos alvos. — Goblins e esqueletos?
Finalmente, outro pilar de um mundo de fantasia estreia ao lado dos goblins! Esqueletos!
Mas algo o incomodava também.
— Mas... por que goblins e esqueletos? Não é uma combinação estranha?
— Sim. Seus habitats são fundamentalmente diferentes. Embora eu não tenha a menor ideia se a palavra ‘habitat’ se aplica a esqueletos — respondeu Eto.
Para o jovem sacerdote, criaturas mortas-vivas como esqueletos eram seus inimigos mortais... Ou assim Ryo presumiu. Então, ele devia ser o mais conhecedor entre todos ali sobre esqueletos e coisas do tipo.
— Esqueletos geralmente aparecem em cemitérios, templos e santuários abandonados, prédios abandonados e, principalmente, minas abandonadas. Nils, há algum lugar assim em sua vila ou nos arredores?
— Um cemitério. Talvez seja por isso que eles estão aparecendo. O panfleto da missão não tinha esses detalhes, no entanto. A vila na verdade enviou o pedido primeiro para Kailadi, já que é a cidade mais próxima. Mas nunca foi concluído lá e foi assim que acabou sendo repassado para Lune...
— Mas isso não faz sentido nenhum. Derrubar goblins e esqueletos deveria ter sido uma tarefa administrável para os aventureiros de lá...
Eto quebrava a cabeça com o quebra-cabeça. Era de conhecimento comum que goblins eram fracos — exceto por aqueles durante a Grande Maré Invasora. Esqueletos também não eram tão fortes, o que significava que até mesmo um aventureiro de rank F poderia facilmente derrotar um sozinho. Se um grupo tivesse um sacerdote, ele ou ela poderia usar um feitiço de purificação de área como Expulsar Mortos-Vivos para derrotar dezenas deles sem muito esforço. Ele simplesmente não conseguia entender o fato de que o pedido permaneceu não cumprido em Kailadi.
— Sim, eu sei, e é por isso que acho que precisaremos ir primeiro a Kailadi e perguntar o que aconteceu.
— Quanto tempo você acha que a missão vai levar?
— Vejamos. Um dia para chegar a Kailadi, outro para chegar à vila e três para fazer o trabalho. Eu diria sete dias no total.
Quando terminou de falar, Nils olhou para Ryo com expectativa. Sua expressão dizia: “E então, o que você acha? Você vai dizer sim, certo?”
— Não vou dizer não.
— Sério?! Valeu, cara!
— Mas eu prometi a alguém que participaria de uma batalha simulada amanhã, então estou indo até lá agora para perguntar se podemos adiar. Depois que eu terminar, irei à guilda para enviar um pedido para criar um grupo temporário e aceitar a comissão. Tudo bem para você?
Não havia nenhum significado oculto nas palavras de Ryo, mas os outros três ficaram surpresos ao saber sobre o que ele estava cancelando no dia seguinte.
— Espera, alguém realmente vai lutar com você por diversão...?
— Existe mesmo uma pessoa assim em Lune?
— Essa pessoa é mesmo humana...?
Nils, Eto e Amon ficaram tão chocados que inadvertidamente murmuraram comentários que qualquer um acharia rudes se ouvisse.
— Certo, volto num piscar de olhos.
◆
Ryo voltou para a propriedade do lorde, da qual havia saído há menos de uma hora. O cavaleiro de guarda no portão ficou surpreso ao vê-lo novamente tão cedo.
— Sr. Ryo, algum problema?
Em algum momento, os cavaleiros começaram a chamá-lo de “Sr. Ryo”. Ele vinha realizando batalhas simuladas com Sera praticamente todas as tardes nos últimos dias no centro de treinamento dos cavaleiros, e ele também sabia que os cavaleiros fofocavam sobre suas lutas. Provavelmente era por isso que eles começaram a se dirigir a ele de forma tão educada.
— Ah, não, nada sério. Sera e eu deveríamos treinar amanhã também, mas de repente recebi uma comissão da guilda, então infelizmente preciso cancelar. Eu simplesmente queria avisá-la...
O guarda pareceu desapontado com a notícia.
— É realmente uma pena, pois eu planejava assistir vocês dois amanhã.
— B-Bem, agora me sinto mal...
— Ah, por favor, não se sinta. Certo, então, você está procurando a Senhorita Sara, sim? Ela deve estar no centro de treinamento ensinando os cavaleiros.
O guarda deixou Ryo entrar e apontou na direção do centro de treinamento.
— Espere, tem certeza que posso simplesmente entrar?
— Claro. O lorde concedeu a você acesso irrestrito ao centro de treinamento.
Era a primeira vez que ele ouvia falar disso... E quando exatamente isso aconteceu?
No centro de treinamento... a maioria dos cavaleiros estava caída no chão. Eles estavam se divertindo aprendendo dormindo — só que não.
Sera era a única de pé, parecendo ilesa. Claramente, ela os havia derrotado a todos. Ryo ficou lá, imóvel, absorvendo a cena.
— Hum...
Sua voz era quase um sussurro. No entanto, ela reagiu imediatamente e se virou para encará-lo. Então, ela se moveu instantaneamente para ficar na frente dele.
— Ryo, já voltou? Esqueceu alguma coisa?
— Não. A verdade é que preciso me desculpar com você, Sera...
Com isso, ele deu a ela um rápido resumo da missão que havia aceitado mais cedo.
— E é isso. Vim aqui para informar que não poderei me juntar a você amanhã para nossa luta simulada e estarei fora da cidade por alguns dias...
Ele tinha ouvido dizer que ela o procurara durante sua missão de escolta para Whitnash, então pensou que seria melhor se desta vez a avisasse adequadamente e com antecedência sobre sua situação. Sera pareceu um tanto desanimada depois que Ryo terminou de falar.
Ela sempre pareceu gostar de nossas batalhas, então... faz sentido que ela esteja se sentindo para baixo, já que não poderemos lutar por um tempo, hm...
Com isso, no entanto, ele fez uma sugestão para quando voltasse.
— Por favor, lute bastante comigo quando eu voltar. Ah, e vamos comer curry na Estação de Abastecimento também.
Sera se animou visivelmente com suas palavras. — S-Sério? Você promete? Você jura pela sua vida? Não vou te perdoar se quebrar a promessa.
— S-Sim, eu prometo. — Ryo assentiu vigorosamente, sobrecarregado pela pressão que irradiava dela.
— Bom. Então dê o seu melhor, por si mesmo e por seu colega de quarto. — Ela o despediu com um enorme sorriso.
Quanto a Ryo... ele estava apenas profundamente aliviado que sua notícia não a deixou de mau humor.
Quando ele voltou ao dormitório da guilda novamente, encontrou seus três colegas de quarto ainda esperando por ele no quarto deles. Nils havia desenhado um mapa simples da vila e estava no processo de explicar várias coisas para eles.
— Desculpem a espera.
— Bem-vindo de volta, Ryo.
— Bem-vindo de volta.
— Então, uh, sua parceira de treino não ficou furiosa nem nada...? — Nils perguntou nervosamente.
— Nenhum problema. Mais importante, vamos para a guilda cuidar das formalidades. E já que estamos lá, podemos jantar também. Estou faminto.
A papelada na guilda correu bem. No entanto, o fato de terem sido convocados para uma das salas de estar depois de aceitarem a missão foi diferente do habitual. Dois minutos depois, o Mestre da Guilda Hugh entrou.
— Obrigado por virem, rapazes. Não, não, sentem-se — disse ele enquanto eles se apressavam para se levantar e cumprimentá-lo adequadamente. — Não precisa ser tudo formal. A razão pela qual chamei vocês aqui foi que pensei que não faria mal lhes dizer por que esta missão veio de Kailadi. Vocês estão curiosos, não estão?
— Sim, com certeza estamos. — Nils foi o primeiro a responder. E claro que estava, considerando que a missão tinha a ver com sua vila.
— Dois grupos de aventureiros partiram de Kailadi. O primeiro era de rank E e o segundo, D.
— Está dizendo que até o grupo de rank D falhou?
Goblins e esqueletos... embora não soubessem quantos monstros deveriam ser eliminados, era incompreensível que um grupo de rank D não tivesse sucesso.
— Não... exatamente. Veja bem, o grupo de rank D escreveu algumas coisas interessantes em seu relatório. ‘Não conseguimos a cooperação dos aldeões’, ‘Os aldeões foram hostis’, e coisas do tipo...
— O quê? — Nils deixou escapar como um idiota. — Mas as pessoas da minha vila não são tão inóspitas... Embora eu acho que também não posso chamá-las de muito receptivas.
— Hmmm, de qualquer forma, é difícil dizer algo conclusivo com base apenas em um relatório, sabe? Mas um dos membros do grupo de rank E que foi primeiro sofreu ferimentos graves. Um esqueleto, aparentemente. Eles declararam em seu relatório que encontraram mais de vinte dos desgraçados, então vocês precisam ter cuidado. Com Eto ao seu lado, porém, tenho certeza de que vocês ficarão bem. Contanto que não baixem a guarda, é claro.
Eto assentiu enfaticamente.
— Falando francamente, estou grato por serem vocês que aceitaram esta missão. É melhor que um local faça isso, na minha humilde opinião... Eu mesmo nasci em uma pequena vila, então entendo como você se sente, Nils. Dito isso, tenho que confessar que fiquei um pouco preocupado quando recebemos o pedido e vimos que Kailadi atualizou o requisito para ranks C e D... Mas não deve ser um problema com Ryo, eh? Bom, bom. — Hugh balançou a cabeça em satisfação algumas vezes. — Ah, sim, aqui está uma carta de apresentação endereçada à guilda dos aventureiros de Kailadi. Escrevi que você é da vila em questão, Nils, e para ajudarem vocês com qualquer informação que precisem. Embora eu ache que eles não vão tratar vocês mal de qualquer maneira.
— Mestre da Guilda, muito obrigado por tudo. Você foi além do esperado.
— Que nada, nem se preocupe com isso. É porque tenho grandes esperanças em vocês, jovens. Apenas voltem em segurança, ouviram?
Então Hugh saiu da sala com uma risada.
— Com certeza me deu fome. Vamos comer.
O foco inabalável de Ryo na comida, apesar da situação, deixou Nils perplexo, embora ele ainda assentisse em concordância enquanto Eto abafava um sorriso e Amon ria com tristeza.
Afinal, não se pode trabalhar de estômago vazio.
◆
No dia seguinte, depois de tomarem o café da manhã mais cedo do que o habitual na cantina da guilda, os quatro partiram para Kailadi. A pé, é claro.
Havia uma estrada principal entre Lune e Kailadi para acomodar o frequente transporte de pessoas e mercadorias. Embora a palavra “estrada” pudesse ser um descritor melhor, já que o solo era apenas endurecido em vez de pavimentado com pedras... De qualquer forma, ainda era muito mais fácil de atravessar do que um caminho sem trilha.
Postes medindo um metro de diâmetro e cinco de altura apareciam ocasionalmente ao lado da estrada principal.
— O que são aqueles postes que vemos às vezes? — Ryo perguntou em voz alta, curioso sobre as estruturas.
— São chamados de pilares de exorcismo e afastam os monstros — disse Eto, que geralmente respondia a esse tipo de pergunta. — Eles devem ser colocados em intervalos de quinhentos metros.
— Uma barreira... — Ryo murmurou inconscientemente. Porque em sua mente veio a barreira que o Falso Michael havia criado em torno de sua própria casa na Floresta de Rondo.
— Não é tão eficaz quanto uma barreira real, mas... salvo o extraordinário, os monstros se manterão afastados. Então, esses pilares são instalados na maioria das principais estradas do Reino.
Aparentemente, eles também estavam na estrada entre Lune e Whitnash, mas Ryo não se lembrava deles. Talvez porque extrair informações do Cafeteira tivesse sido mais importante naquela época. De qualquer forma, parecia-lhe que os pilares de exorcismo e a barreira em volta de sua casa eram duas coisas fundamentalmente diferentes. Um dia, ele queria resolver o mistério da última... Outra ambição brotou em seu coração.
A tarde chegou. Os quatro descansaram enquanto comiam os almoços preparados pela equipe da cantina da guilda.
— Meu Deus... — disse Ryo com um suspiro, principalmente para si mesmo. — Esta caminhada com certeza é monótona.
— Ryo — disse Nils, lançando a Ryo um olhar exasperado —, o que diabos você achou que ia acontecer?
— Quero dizer, quando se trata de viajar entre cidades, você espera certos eventos... Por exemplo, constantemente rechaçar monstros atacantes ou capturar um grupo de bandidos e roubar seu tesouro. Sabe, os clássicos.
— Caramba, que mundo é esse? Tudo isso me soa bem sinistro.
Se tais coisas acontecessem com frequência, a atividade econômica em nível nacional certamente estagnaria. Então Nils lhe explicou. Você ouviu certo, leitor. Nils, o espadachim que parecia um malandro crescido, foi quem explicou tudo isso a ele.
Ryo ficou espantado.
— Maldito seja, Ryo, sei que você está pensando algo rude agora mesmo.
— V-Você deve estar imaginando coisas, Nils. Sim, é definitivamente sua imaginação.
Ao lado deles, Eto, incapaz de conter seus risos, caiu na gargalhada. Ele finalmente parou depois de um tempo e comentou.
— Nils, você se lembrou do que Abel lhe disse sobre o assunto há algum tempo, certo?
— Eto, não me entregue assim! — disse Nils, em pânico.
— Sabe, eu tinha uma suspeita... — começou Ryo.
— Sério, Ryo? Fala sério? Você também é um saco.
Amon, que estivera ouvindo em silêncio o tempo todo, interveio. — Eu, por exemplo, acho incrível que você retenha tudo o que ouve, Nils. Vou me esforçar ao máximo também!
Amon era um bom rapaz.
Naquela noite, os quatro chegaram a Kailadi sem incidentes.
— Como a guilda provavelmente está lotada a essa hora com gente fazendo seus relatórios de missão, vamos primeiro encontrar uma pousada para ficar.
Eles concordaram com a sugestão de Nils e garantiram acomodações antes de irem para a guilda dos aventureiros. Dormir ao ar livre não custaria nada, mas quem não gostaria de dormir em uma cama adequada quando estivessem em uma cidade adequada? Porque para os aventureiros, seus corpos também eram capital.
Depois de alugar um quarto, eles decidiram jantar. Então, o quarteto partiu para a guilda assim que terminaram. Assim como Nils havia previsto, eles conseguiram evitar o horário de pico dos relatórios e encontraram o saguão bastante vazio. Apenas um jovem atendia no balcão da recepção.
— Somos aventureiros de Lune que aceitaram a comissão de caça na vila de Abali que Kailadi nos enviou. Gostaríamos de receber as informações para a missão. Além disso, aqui está a carta de apresentação do nosso mestre da guilda.
Nils entregou a carta que Hugh lhe deu ao recepcionista.
— Entendido. Por favor, aguarde um momento. — Ele pegou a carta de apresentação de Nils e atravessou uma porta atrás do balcão.
— Então alguém sai e acabamos em uma situação delicada, à mercê dos aventureiros e figurões desta cidade. Mas resolvemos as coisas na base da força bruta e tudo acaba bem. Até o próximo episódio! — disse Ryo, narrando apaixonadamente o tipo de cena encontrada em uma light novel típica.
— Ryo, por que diabos você está tão obcecado em procurar briga? Por quê, cara? — perguntou Nils, farto.
Eto balançou a cabeça. — Você talvez esteja frustrado porque teve que cancelar sua luta de treino?
— Ah, eu sei o que é isso! — exclamou Amon. — É aquele princípio que você mencionou há um tempo, certo, Ryo? ‘Não lute nenhuma batalha despreparado’.
Infelizmente, ou talvez para surpresa de ninguém, nada do tipo aconteceu e os quatro foram levados para uma sala de estar lá dentro.
— O sub-mestre explicará os detalhes deste incidente, então, por favor, esperem aqui.
E assim eles esperaram pelos próximos cinco minutos.
O sub-mestre era o assessor do mestre da guilda, tornando esta posição a segunda mais alta na hierarquia de uma guilda. O cargo geralmente existia em guildas de um certo tamanho ou maiores. No entanto, por algum motivo, a guilda dos aventureiros de Lune não tinha sub-mestre, apesar de ser a maior da fronteira, o que explicava por que Abel foi despachado como procurador de Hugh para Whitnash.
Um homem em seus trinta e poucos anos entrou na sala, parecendo um ex-mago. Tão alto quanto Ryo, esbelto como Eto e com uma expressão gentil como a de Amon, ele passava a impressão de ser fácil de conversar.
— Então vocês são os aventureiros de Lune, hein? Sou Landenbier, o sub-mestre da guilda dos aventureiros de Kailadi. Ansioso para trabalhar com vocês.
— Sou Nils, o líder do grupo. Estes são o resto do grupo. Eto, Amon e Ryo.
Diferente de seu jeito casual de falar, Nils apresentou a todos educadamente. Porque considerar tempo, lugar e ocasião é fundamental para ser um membro produtivo da sociedade.
— Ahhh, então você é o Nils de Abali. O Mestre McGlass escreveu sobre você em sua carta. Ele também mencionou que tem grandes esperanças em vocês, jovens, o que é muito vindo do próprio Hugh McGlass... Tenho que admitir que estou um pouco invejoso por ele ter um grupo como este sob seu comando, principalmente porque Kailadi não tem tido muitos grupos jovens estreando recentemente...
— Ele tem grandes esperanças... em nós...
— ‘Mestre McGlass’... Isso soa tão legal. Tem um som muito bom.
Entre as três vozes encantadas, uma se fixou em algo decididamente estranho, mas propositalmente não tocaremos em quem. Certamente não diremos que foi um certo mago da água...
— Isso significa que nosso mestre da guilda é realmente alguém famoso?
O murmúrio de Eto surpreendeu o Sub-mestre Landenbier.
— Não me diga que nunca ouviram falar do Campeão McGlass...?
— Campeão?
Todos os quatro disseram a palavra em uníssono, seu choque evidente.
— Puxa, já chegou o tempo em que os aventureiros de hoje não sabem de tais coisas? Era uma vez, não havia um único aventureiro no Reino que não conhecesse o nome Hugh McGlass. Esse é o tipo de pessoa que ele é. Uma guerra conhecida simplesmente como a Grande Guerra eclodiu há dez anos entre o Reino e a Federação, e o Mestre McGlass é o campeão dessa guerra. Assim que concluírem esta missão e retornarem a Lune, perguntem aos aventureiros mais velhos sobre o conto épico de Hugh McGlass.
— Sim, senhor, faremos isso.
Embora ainda não tivesse se recuperado do choque, Nils respondeu com um aceno firme.
— Certo, então, deixem-me explicar os detalhes desta missão. Embora, para ser honesto, não haja muita informação para dar a vocês, em primeiro lugar.
De Kailadi, um grupo de rank E e um grupo de rank D foram despachados. O grupo de rank E, composto por cinco membros, foi primeiro. Dois de seus membros foram gravemente feridos em uma batalha contra esqueletos. Sua tentativa terminou em retirada.
O grupo de rank D foi em seguida. Devido à falta de cooperação de alguns dos aldeões, eles não conseguiram concluir sua investigação. Eles também se retiraram.
Depois disso, os líderes da vila visitaram a guilda dos aventureiros de Kailadi para se desculpar. No entanto, nenhum outro aventureiro disposto a aceitar a missão apareceu, então o pedido foi enviado para Lune, a maior cidade fronteiriça do Reino.
— Lamento não termos mais informações. O funcionário da guilda que ouviu os relatórios desses grupos já se demitiu, veja bem. Vocês têm alguma pergunta?
— Acredito que o formulário afirmava que goblins e esqueletos seriam os alvos da caça, mas a presença de goblins está definitivamente confirmada? — Eto perguntou, porque não houve menção alguma dos monstros em nenhum dos relatórios até agora.
— Não, nenhum dos aventureiros conseguiu confirmar — disse Landenbier com um aceno de cabeça.
— O grupo de rank E encontrou os esqueletos no cemitério oeste? — Nils, familiarizado com o layout de sua vila, perguntou.
— Não, não no cemitério. O relatório diz na floresta leste.
Nils ponderou profundamente sua resposta. — A floresta leste? Sério?
Ninguém mais tinha perguntas depois da dele, então Landenbier concluiu sua explicação.
— Então, desejo a todos vocês a melhor das sortes.
E com isso, o sub-mestre se levantou e acompanhou os quatro membros do Quarto 10 para fora.
Eles partiram da cidade de Kailadi na manhã seguinte e chegaram ao seu destino, a vila de Abali, no meio da tarde.
— Não demorou tanto quanto eu pensei.
— Porque nós andamos muito rápido — respondeu Nils com um sorriso irônico. — Geralmente, leva cerca de um dia.
Como todos os quatro jovens treinavam com a resistência em mente, eles conseguiram encurtar muito o tempo que levava para viajar longas distâncias como esta. Por quanto tempo você consegue manter um alto nível de desempenho...? Este era um fato incrivelmente essencial da vida tanto para atletas quanto para aventureiros. Louvada seja a resistência.
Enquanto as casas estavam concentradas no centro da vila, os campos cultivados se estendiam por uma área surpreendentemente vasta fora dela. Alguns dos aldeões que trabalhavam nos campos se aproximaram dos quatro quando os avistaram. O principal motivo era o retorno de um dos seus, o espadachim.
— Nils, é você? Oh, ho, é você mesmo! Que bom te ver!
— Bem-vindo de volta, Nils!
Ryo não conseguiu esconder seu alívio ao ver os aldeões acenando e sorrindo para Nils.
— Claramente, você não foi exilado porque seu povo te odeia, Nils. Excelentes notícias.
— Por que diabos essa foi sua primeira suposição? — retrucou Nils, seu tom menos zangado e mais irritado.
— Você não pode me culpar por pensar assim. Você parece que teria sido o valentão do bairro ou um hooligan quando era criança... No mínimo, você era travesso, certo?
— Urk... Não posso... negar isso...
— Então, a sabedoria convencional dita que pessoas assim são expulsas de suas vilas, e depois acabam se tornando aventureiras.
— Lá vai ele de novo tirando conclusões precipitadas...
— Você acha que ele conhece alguém que passou por algo assim?
Eto e Amon sussurraram um para o outro em resposta à suposição de Ryo baseada em seu conhecimento de light novel.
— De qualquer forma — disse Nils, interrompendo-os —, a primeira coisa que temos que fazer é cumprimentar o prefeito da vila e a Matriarca.
Ele se dirigiu ao centro da vila a passos largos. Os outros três o seguiram obedientemente.
Uma casa enorme ficava ao lado da praça central da vila. Feita de madeira, era bastante espaçosa por dentro.
— Boulan, você está aí?
Nils abriu a porta e entrou sem esperar permissão. Os outros três, no entanto, hesitaram. Embora o jovem espadachim pudesse não ter senso de restrição por causa de sua familiaridade com o dono da casa, este não era o caso de seus amigos. Eles apenas enfiaram a cabeça pela porta enquanto espiavam lá dentro. A sala acabou sendo um espaço enorme, talvez usado como local de reunião.
Alguns segundos depois, um homem tão grande quanto Nils, com músculos grossos, saiu do fundo da casa. Ele parecia estar na casa dos cinquenta.
— Quem está me procurando... Caramba, Nils, é você? É você mesmo?
O homem chamado Boulan olhou Nils de cima a baixo várias vezes, da cabeça aos pés, seus olhos não acreditando no que viam.
— Sim, sou eu.
— Tem certeza...? Quase não te reconheci, garoto.
Então os dois homens se abraçaram com força.
— Está brincando, né? Não faz nem um ano que eu fui embora.
— Sim, eu sei, mas... Parece que você se tornou um homem de verdade... Especialmente porque você era um hooligan quando saiu da vila.
— Pfft.
No segundo em que ouviram essas últimas palavras, os três atrás dele caíram na gargalhada.
— Ah, cara! Qual é, Boulan, por que você tinha que dizer isso? Ah, sim, deixe-me fazer as apresentações. Estes três são meus membros do grupo, Eto, Amon e Ryo.
— Prazer em conhecê-los.
Em grupo, eles o cumprimentaram e curvaram a cabeça educadamente.
— O prazer é meu. Sou Boulan, o prefeito da vila. Não sou muito de ficar conversando em pé, então sentem-se.
Os quatro se sentaram quando ele os incentivou. Nesse momento, uma mulher da mesma idade que ele entrou na sala carregando uma bandeja com copos.
— Nils, bem-vindo de volta. E um caloroso bem-vindo a todos vocês.
— Obrigado, Lanlan. É bom estar em casa de novo.
A mulher chamada Lanlan sorriu alegremente para eles, pousou os copos cheios de alguma bebida e depois se retirou.
— Então, Nils, duvido seriamente que o momento da sua visita seja uma coincidência...
— Acertou em cheio. Aceitamos a missão que a vila enviou para a guilda.
— É mesmo? Espere, mas eu pensei que tivéssemos enviado para a guilda de Kailadi... Sem mencionar que eles aumentaram o requisito para grupos de rank mais alto, certo?
— Ninguém mais estava disposto a aceitar em Kailadi, então a guilda de lá passou para Lune. Quanto ao rank, bem... digamos que eu me esforcei e encontrei uma solução.
Eto e Amon sorriram ironicamente com a resposta de Nils.
— Huh... Bem, é melhor ter você e seus amigos a bordo do que estranhos que não sabem nada sobre nossa vila. — Então Boulan tomou um gole de água de seu copo.
— Boulan — começou Nils, observando-o. — Ouvi dizer que os aldeões não cooperaram com os aventureiros que apareceram da segunda vez. Mas isso não pode estar certo. O que exatamente aconteceu?
— Ahhh... Sobre isso... Acho que chegamos ao cerne deste negócio terrível, eh... Francamente, não tenho ideia de por onde começar, então é melhor começar pelo começo. Preparem-se, porque isso pode demorar um pouco.
E com isso, Boulan começou a falar.
— Os esqueletos foram avistados pela primeira vez há cerca de meio ano. Na floresta leste... em algum lugar por lá, de qualquer maneira. Então os goblins foram vistos há três meses. Também na floresta leste... bem, mais fundo na floresta, um pouco ao sul. Fui eu quem os vi. Mas depois nunca mais vi nenhum. Procurei e procurei, mas nunca vi outro. Chegou ao ponto em que se alguém dissesse que tinha visto um, eu teria dito que estava vendo coisas.
Ele parou para beber mais água.
— Os esqueletos sempre foram encontrados em áreas ligeiramente abertas da floresta. Quando finalmente consegui juntar dinheiro suficiente, enviei a comissão de caça. Pensei que as pessoas poderiam cuidar dos goblins enquanto estivessem nisso, então escrevi isso no formulário também. Então o primeiro grupo apareceu e... você sabe o que aconteceu com eles?
— Sim. Dois deles ficaram gravemente feridos.
— Isso mesmo. Eles foram cercados por mais de vinte esqueletos. Aquele grupo voltou para a cidade. O problema é o lugar onde a batalha aconteceu. — Boulan franziu a testa.
— Não me diga... eles entraram dentro da floresta leste? — A pergunta precisa de Nils indicava que ele adivinhou corretamente.
— Sim. A batalha contaminou o interior da floresta. Então, quando o segundo grupo apareceu, alguns dos aldeões pensaram que deveríamos expulsá-los. Eu entendo que era impossível dizer a eles para escolher um lugar melhor para uma batalha de vida ou morte, sabe? Mas também entendo os aldeões querendo expulsá-los de um lugar que nos foi dito por gerações para não entrar, especialmente quando esse lugar está manchado de sangue. É uma situação complicada, para dizer o mínimo...
— Verdade...
Após seu comentário, Nils de repente olhou para os outros três e percebeu que eles não entendiam nada.
— Desculpem, claro que nada disso faz sentido para vocês, já que isso tem a ver com os segredos da vila... Mas não posso falar sobre isso sem a permissão da Matriarca. Então, esperem por enquanto.
Então ele inclinou a cabeça para eles.
Depois disso, os quatro se dirigiram para a casa da família de Nils, onde ele nasceu. Atualmente, seu irmão mais novo, a quem Nils havia passado as rédeas da família, morava lá com sua esposa. Ambos choraram lágrimas de alegria com seu retorno.
Os três foram instruídos a esperar na casa enquanto Nils ia convencer o resto dos aldeões. Durante esse tempo, o irmão mais novo de Nils, Niloi, e sua cunhada, Sana, fizeram suas partes como bons anfitriões.
— Em resumo, quando você atingiu a maioridade aos dezoito anos, Nils o tornou o herdeiro da família e também transferiu a propriedade das terras agrícolas, depois deixou a vila para se tornar um aventureiro?
— Correto. Meu irmão mais velho nunca gostou muito de agricultura, mesmo quando criança, sabe. Mas ele não teve escolha a não ser assumir depois que nossos pais morreram pouco antes de seu décimo oitavo aniversário... Originalmente, ele planejava deixar a vila logo após se tornar adulto. No entanto, ele ficou para me criar.
Niloi só se parecia com Nils no rosto. Sua personalidade e o tamanho de sua estrutura não eram nada parecidos com os de seu irmão mais velho. Ele era um jovem muito gentil.
— Eu posso ver isso. Apesar de sua aparência, Nils é do tipo que cuida das pessoas, huh? — disse Eto.
— Concordo. Ele fez tanto por mim e eu não poderia ser mais grato — acrescentou Amon.
Naturalmente, o homem em questão não estava aqui. Se estivesse, ele definitivamente teria corado de vergonha e protestado.
— Falando nisso, onde exatamente ele está agora...?
— Em uma reunião geral com os aldeões na residência do prefeito. Ele provavelmente está explicando todo tipo de coisa para eles...
Deve ser na mesma sala espaçosa em que Ryo e os outros conversaram com o prefeito Boulan.
— Costumes e convenções são muito importantes nas vilas, hm... — disse Amon com sinceridade. Ele podia se identificar profundamente, tendo deixado sua própria vila recentemente.
— Com certeza são. Mas não acho que haverá aldeões contra a caçada desta vez, já que Nils e as pessoas em quem ele confia aceitaram o trabalho. Da última vez, o outro grupo invadiu a floresta ignorando completamente nossas tradições, então você pode imaginar a oposição depois...
— Aha. — Eto assentiu. — Eu tinha a sensação de que era algo assim.
Ninguém divulga voluntariamente informações que os fazem parecer mal. Ou isso, ou eles vão cortar ou evitar intencionalmente mencioná-las... Isso acontece com frequência. Não é como se estivessem mentindo. Eles simplesmente não são perguntados, então não respondem. Os superiores e aqueles que aceitam os relatórios devem ser os que investigam mais a fundo. Mas... essa é uma tarefa incrivelmente difícil.
O resultado? Clientes e aliados permanecem insatisfeitos. O mundo está cheio de complicações.
◆
— Ei, pessoal, voltei — anunciou Nils ao retornar da reunião, interrompendo a conversa amigável dos cinco. Então ele respirou fundo antes de atualizá-los.
— Vou direto ao ponto. Recebemos permissão para eliminar os esqueletos. Sairemos amanhã à noite. Antes disso, estou pensando em procurar goblins durante o dia amanhã. Boulan disse que nos levaria onde viu um. Estejam prontos para lutar ou para nada quando partirmos. Agora, quanto aos esqueletos...
Ele parou ali para tomar o copo de água que lhe foi entregue e continuou.
— Recebi permissão dos aldeões para contar tudo a vocês, mas quero deixar claro que vocês não podem dizer uma palavra sobre isso a ninguém. Entenderam?
— Entendido.
— Compreendido.
— Boca de siri.
Eto, Amon e, claro, Ryo, todos concordaram.
— Esta vila é única. Tem duas características distintas. A primeira tem a ver com a besta guardiã da vila que vive nas profundezas da floresta leste. Eu pessoalmente nunca a vi. Apenas o prefeito e a Matriarca a viram, e é por isso que não tenho ideia de como é a besta guardiã... ou honestamente se ela ainda vive lá.
— Uma besta guardiã... — Amon murmurou, surpreso como qualquer um estaria.
Enquanto isso, o choque de Eto podia ser atribuído ao seu conhecimento especializado. — Sei que existem algumas vilas com lendas como esta — disse ele —, mas nunca imaginei que a sua seria uma delas, Nils...
Besta guardiã... Que apropriado para um cenário de fantasia!
Ryo era o único secretamente animado com a notícia.
— O prefeito e a Matriarca irão explicar as coisas para a besta guardiã antes do final do dia, sobre nosso plano de procurar goblins e exterminar os esqueletos. Por causa de tudo isso, os aldeões querem que evitemos derramar sangue na floresta leste, então... eu disse a eles que faríamos o nosso melhor.
— Felizmente, esqueletos não sangram literalmente.
— Contanto que não nos machuquemos, devemos ficar bem, certo?
Eto e Amon expressaram seus pensamentos. Enquanto isso, a mente de Ryo estava tomada por desenvolvimentos de enredo clichês de light novel.
Tenho certeza absoluta de que esta besta guardiã nos atacará porque foi enlouquecida por um deus maligno que a possuiu ou a amaldiçoou. E há uma grande chance de que libertá-la seja nossa nova missão!
— Ryo, você está pensando em algo estranho agora? — perguntou Nils, trazendo Ryo de volta à realidade.
— N-Não, não, claro que não. Nada na minha cabeça.
Nils olhou desconfiado para Ryo.
— M-Mais importante — começou Ryo, mudando de assunto para tirar o foco de si mesmo —, você disse que a vila tem duas características distintas, sim? A besta guardiã sendo a primeira. Então, qual é a segunda?
— Cara, você é um pé no saco... Enfim. A outra é um santuário.
— Santuário? — perguntou Eto.
— Sim. Mas é meio difícil de explicar, então a Matriarca disse que ela mesma contaria a vocês amanhã. Ainda bem, porque não tenho ideia de por onde começar. Então, desculpem, mas vocês terão que esperar até amanhã para saber mais.
◆
A noite passou e um novo dia amanheceu na vila de Abali. Não houve banquete ou algo do tipo para comemorar o retorno de Nils na praça da vila.
Mesmo que esse tipo de evento seja um marco nas histórias de reencarnação isekai... Mais um dia sem clichês ou ficção de ponta. Que pena...
Ryo era o único desanimado com isso. Não era como se ele gostasse de álcool ou festas ou algo assim. Ele simplesmente esperava isso como um tropo garantido na história. Esse era o tipo de homem que ele era.
Quando os quatro foram para a praça da vila, encontraram Boulan, o prefeito, conversando com uma mulher idosa.
— Bom dia, senhores. Eto, Amon e Ryo, certo? Deixem-me apresentá-los. Esta é a Senhora Nasu, a conselheira da vila. Também conhecida como a Matriarca.
No momento em que ele falou, a Senhora Nasu — er, não, a Matriarca — brandiu seu cajado em Boulan. Ele o evitou habilmente inclinando o corpo para trás.
— Quem diabos diz isso aos convidados? Garoto tolo. Desculpem, honrados convidados, mas assim como Boulan e Nils, esta vila está cheia de idiotas que não conhecem suas maneiras.
— Por que você está me arrastando para isso também... — Nils murmurou baixinho.
— Enfim, vamos dar o pontapé inicial e procurar por goblins — interveio Boulan suavemente, recusando-se a comentar as reclamações da velha. O fato de ele ter passado por isso sem problemas talvez o tornasse um prefeito excepcional.
O local ficava a quinze minutos a pé da fronteira mais externa da vila.
— É surpreendentemente perto, hein? — disse Nils, olhando na direção da vila.
— Sim. As crianças da vila até vêm até aqui para brincar às vezes. Claro, eu as proibi de chegar perto daqui depois do que eu vi. Mas — disse o prefeito, olhando significativamente para Nils —, não importa onde você viva, algumas crianças sempre vão querer quebrar as regras. Estou certo?
— Ok, quero dizer, sinto que fiz coisas assim no passado também... talvez... uma grande chance... possivelmente...
— Não há ‘talvez’ nisso e você sabe muito bem disso.
Boulan se recusou a deixar Nils se safar, em vez disso, finalizou esfregando sal na ferida.
— Eu sabia. Eu sabia que você sempre foi assim, Nils... — Ryo murmurou para si mesmo, assentindo vigorosamente com os braços cruzados na frente do peito. Bem... seu murmúrio não foi exatamente baixo também. Quase como se ele quisesse que a pessoa de quem estava falando o ouvisse.
— ‘Eu sabia’, uma ova, cara. E o que você quer dizer com ‘sempre’? É como se você estivesse dizendo que eu ainda sou assim até hoje.
Eto bufou de rir enquanto Amon sorria ironicamente. Ninguém ali refutou a afirmação de Ryo e tentou apaziguar Nils dizendo algo como: “Mas você é totalmente diferente agora!”
Na verdade, Nils no presente raramente quebrava as regras, mas pode-se dizer que todos tinham a impressão de que ele era um encrenqueiro.
Eles caminharam mais quinze minutos do local para onde Boulan os levou inicialmente, o lugar onde ele avistou os goblins pela primeira vez. A partir dali, o número de pegadas que pareciam pertencer a goblins aumentou subitamente.
— Não... Não pode ser.
Eto imaginou o pior. Mas não foi só ele. Nils também.
— Um covil de goblins... Talvez até uma aldeia deles, hein?
Era prática comum entre os aventureiros dividir grupos de goblins em duas categorias: cerca de vinte deles compunham um covil e qualquer número maior que isso era considerado uma aldeia.
Ryo levantou a cabeça então.
— O que foi, Ryo?
— Nils... há mais de dez goblins vindo em nossa direção. Eles estarão aqui em cinco minutos. — Ele apontou para o sul.
— Caramba, sua habilidade de batedor não é brincadeira. Nesse caso — disse Nils —, matamos todos eles, exceto um.
— Porque vamos seguir o que deixarmos vivo até o covil e destruí-lo? — Ryo confirmou.
— Você entendeu — disse Boulan. — O que eu preferiria fazer é conduzir uma investigação adequada primeiro e depois colocar as pessoas certas no lugar, mas... não temos escolha agora, já que eles já estão vindo para cima de nós.
Um ou dois não teriam representado um problema, mas havia força nos números. O fato de que o dobro do número dos cinco deles se aproximava preocupava Boulan. — Nils, ele disse dez, pelo menos. Tem certeza disso?
— Ryo está aqui, então ficaremos bem. Ryo, você está encarregado de detê-los. Depende de você como quer fazer isso.
— Entendido.
Esta é minha chance de experimentar algumas técnicas novas... Que que que.
Ryo gargalhou maldosamente em sua mente.
— Acho que o Ryo está...
— Maquinando, hein?
Ele havia planejado sorrir maldosamente em sua cabeça. Só que saiu em seu rosto. Observando-o, Amon e Eto murmuraram baixinho um para o outro. Ryo simplesmente não conseguia guardar segredos...
Cinco minutos depois, dez goblins saíram da floresta em uma clareira ligeiramente aberta. Ele visualizou em sua mente e lançou um feitiço.
Prisão de Gelo 10.
Quando o fez, cordas de água prenderam as mãos e os pés dos goblins e congelaram instantaneamente, restringindo seus movimentos.
— Vamos, Amon.
— Sim, senhor!
Ao ver os goblins imobilizados, Nils e Amon avançaram, cada um desferindo o golpe final em um goblin. Depois que mataram oito deles, Ryo desfez deliberadamente a Prisão de Gelo em um dos monstros. Para surpresa de ninguém, o goblin libertado correu o mais rápido que pôde na direção de onde veio. Como os goblins não tinham inteligência... era muito improvável que o ser considerasse que havia sido solto de propósito.
Depois que o nono foi morto, Boulan e os quatro membros do Quarto 10 perseguiram seu camarada escapado. O prefeito da vila ficou chocado até a alma com a habilidade soberba deles em derrotar os monstros sem sofrer nenhum dano. Ele também ficou profundamente comovido com o fato de que foram Nils, a quem ele vira crescer desde pequeno, e seus amigos que haviam realizado o feito.
Eles correram por dez minutos.
— Deve ser aquilo, ali na frente.
Uma pequena colina se erguia do chão a uma distância dos cinco.
— Avisto dez na frente. Há também algo que parece uma caverna, que contém mais, mas não consigo dizer quantos.
— Entendido. Por enquanto, vamos eliminar os dez primeiros da mesma forma que fizemos antes. Mesmo que seja um tanto ao acaso... — disse Nils com uma careta.
Caramba... sem Ryo, nunca teria funcionado. Magos da água são realmente outra coisa.
Apesar de alguns mal-entendidos, os quatro homens mudaram seu foco para o combate contínuo.
Prisão de Gelo 10.
Mais uma vez, Nils e Amon conduziram um massacre unilateral. Assim que Nils matou o décimo na frente, mais três goblins saíram da caverna.
Prisão de Gelo 3.
Correntes de gelo imediatamente prenderam os recém-chegados, facilitando para Nils e Amon terminarem com eles. Aliás, um deles era um arqueiro goblin. Mas isso não importava nem um pouco.
E então, o chefão finalmente apareceu. Ryo não foi o único que notou. O resto do Quarto 10 também.
— Algo grande está vindo. Amon, tenha cuidado.
— Sim, senhor!
Nils e Amon assumiram suas posições, espadas prontas novamente.
Eles foram recebidos com...
— Um general goblin? Você está de brincadeira comigo...
Nils não esperava isso de forma alguma e seu sussurro horrorizado transmitiu exatamente isso. Três desses generais apareceram durante a Grande Maré Invasora de Lune. No entanto, generais e outros raramente se mostravam. Na melhor das hipóteses, arqueiros eram as maiores ameaças em covis ou aldeias criadas perto de assentamentos humanos. Para fins de argumentação, talvez magos.
Diferente dos magos que estavam abaixo deles, os generais goblins estavam em uma liga completamente diferente com sua alta habilidade de combate. Um aventureiro de rank B teria que suportar uma partida um contra um exaustiva para subjugar um... essa era a força de um general. O que significava que um general goblin era um oponente impossível para os aventureiros de rank E, Nils, e de rank F,
Amon... pelo menos em circunstâncias normais.
— Prisão de Gelo. — A voz de Ryo ecoou enquanto correntes de gelo se apertavam ao redor do general goblin, assim como todos os outros goblins até agora. Naturalmente, o general tentou arrancá-las. Mas... nem suas mãos nem seus pés se moviam. Então ele tombou no chão, de barriga para cima. Sua posição essencialmente os convidava a derrotá-lo.
— Espera, o quê? Hã? — Nils soava quase histérico.
— Nils, você não vai matá-lo?
— C-Certo, sim... Com certeza.
Dizendo isso, Nils se aproximou do general e cortou sua cabeça. Com isso, eles removeram um dos perigos que aterrorizavam a vila de Abali.
— Não é ótimo que derrotamos todos eles sem nenhuma baixa do nosso lado? Além disso, conseguimos a pedra mágica do general também. E é de uma cor bem profunda. Faz a gente se perguntar há quanto tempo ele vivia lá, hm?
Ryo parecia muito feliz.
— S-Sim.
Uma pequena parte de Nils ainda lutava para entender o que acabara de acontecer e sua confusão se mostrava em seu rosto enquanto caminhavam de volta para a vila. Quanto a Eto e Amon, eles estavam simplesmente satisfeitos por obter a pedra mágica do general...
— Ge-Ge-Ge-General, General Goblin! ♪
— Liderando toooodos, General Goblin! ♪
...então, por algum motivo, os dois improvisaram uma canção na caminhada.
— Nils e seus companheiros são realmente incríveis...
Nenhum dos quatro ouviu o murmúrio espantado de Boulan.