The Water Magician

Volume 2 - Capítulo 16

The Water Magician

Tarde, um dia após os residentes do Quarto 10 retornarem a Lune da vila de Abali.

O Mestre da Guilda, Hugh McGlass, estava visitando o senhor da cidade em sua residência. Após fazer seu relatório ao marquês, ele se dirigiu ao escritório do comandante dos cavaleiros. Como de costume, dois cavaleiros estavam de prontidão em frente a ele.

— Gostaria de me encontrar com Sir Neville. Por acaso ele estaria aqui?

— Sim, ele está.

Aquele que falou bateu na porta.

— Senhor, Hugh McGlass, mestre da guilda dos aventureiros, chegou para vê-lo.

— Deixe-o entrar.

Uma voz rouca e masculina veio de dentro. Hugh entrou no escritório. Era uma sala espaçosa, com cerca de vinte tatames de tamanho, ou aproximadamente 31 metros quadrados. O interior era mobiliado de forma simples, com uma mesa bem grande, um conjunto de sofás para receber visitantes e uma variedade de licores em um armário.

Neville Black, comandante da ordem de cavaleiros do Marquês de Lune, estava sentado lá dentro, seu grande corpo afundado na cadeira. Ele estava escrevendo algo.

— Desculpe, mas sente-se ali e espere por mim. Terminarei em breve.

Foi tudo o que ele disse antes de se concentrar no papel e começar a rabiscar novamente. Hugh não se ofendeu, pois isso acontecia sempre, então ele simplesmente se sentou e esperou.

Três minutos depois, Neville terminou. Ele se levantou da cadeira, pegou uma garrafa de licor e dois copos do armário e sentou-se em frente a Hugh. Então, ambos passaram a discutir vários assuntos enquanto saboreavam suas bebidas.

— Neville, tem certeza que quer adicionar mais uma daquelas pedras mágicas ao seu pedido?

Hugh começou com uma pergunta pendente de sua parte. Era óbvio que as pedras mágicas a que ele se referia eram as de wyvern que Ryo e Abel trouxeram para a guilda. O marquês já havia comprado uma delas e Hugh tinha originalmente presumido que o senhor não iria querer mais...

— Sim, pode fazer. Não sou eu que vou usá-las, afinal, né? Quando o pessoal do Atelier viu a primeira, eles me imploraram para comprar mais. Chegaram ao ponto de me dizer que eu poderia descontar dos salários deles, o que me mostrou o quão determinados estavam. — Neville riu com pesar antes de continuar. — Não vamos conseguir uma pechincha tão boa assim por um tempo, certo? O tamanho perfeito, a profundidade da cor e, o melhor de tudo, com atributo de vento. Uma pedra mágica que se encaixa em tudo o que eles procuram.

— Isso é sobre — disse Hugh, baixando a voz —, um certo navio, não é?

— Com certeza. Quando vejo pessoas que trabalharam nisso a vida inteira, e não apenas por uma geração, mas por duas, sinto vontade de comprar para eles, mesmo que isso signifique me desviar do caminho. Sabe o que quero dizer? Claro, Sua Senhoria concordou de todo o coração, então não é como se eu não tivesse a permissão dele. Então, adicione mais uma para nós, o mais parecida possível com a anterior. Compraremos por seiscentos milhões de florins.

— Pode deixar.

Hugh estava prestes a se levantar, já que tinham acabado de discutir tudo o que precisavam, quando o Comandante dos Cavaleiros Neville mencionou de repente um nome inesperado.

— Hugh, o que você sabe sobre um aventureiro chamado Ryo?

A menção de Neville a Ryo chocou Hugh principalmente porque ele não achava que Ryo tivesse qualquer conexão com a ordem dos cavalealeiros.

— Por que você sabe o nome dele?

— Não responda uma pergunta com outra pergunta. — Neville riu e continuou. — Mas, para responder à sua, ele tem vindo ao nosso centro de treinamento com frequência ultimamente. Foi assim que aprendi o nome dele.

— Ryo? No centro de treinamento dos cavaleiros? O que diabos aquele garoto está fazendo por lá...?

— O que você acha? Se alguém diz centro de treinamento, a primeira coisa que você pensa é em exercícios de treinamento, certo?

Hugh tremeu de medo com a resposta de Neville. Ryo era o tipo de homem que se lançava sozinho em uma missão suicida em uma masmorra e derrotava um príncipe demônio. Então, quais eram as chances de ele destruir equipamentos em exercícios de treinamento...?

Então ele se lembrou de mais uma coisa. Um tempo atrás, Ryo havia lhe contado algo sobre batalhas simuladas dentro de sua carruagem...

— Não me diga que ele quebrou coisas no centro...

— Não, nada disso, então não se preocupe. Você sabe que nosso centro de treinamento é protegido por uma barreira mágica que está sempre ativa.

— Então por quê...?

— Sim, bem... — Neville fez uma pausa, um pouco hesitante em dizer o que estava em sua mente, o que era extremamente incomum para ele, já que era do tipo direto e reto. — A verdade é que ele tem treinado contra a senhorita Sera.

— Ele o quê?

Hugh sabia que parecia um idiota, mas não sabia o que mais dizer depois de ser pego de surpresa pelo comentário de Neville.

Ryo treinando com a Sera? Quero dizer, suponho que faça sentido, já que ambos são aventureiros e tal, mas... esse não é o problema. Como diabos eles se conhecem? É isso que eu quero saber. E eles estão travando suas batalhas simuladas no centro de treinamento dos cavaleiros em vez do campo de treinamento da guilda? Talvez por causa da barreira mágica, como Neville disse, já que facilita as coisas para eles...?

Apesar de tudo ter se tornado uma bagunça em sua cabeça, as palavras que saíram de sua boca não tinham praticamente nada a ver com o assunto em questão.

— Então você dá à Sera um título apropriado de 'Senhorita' enquanto Ryo e eu somos deixados de lado, é?

— Claro. Porque ela é uma pessoa poderosa na equipe do senhor. Poderíamos até dizer que ela é a mais poderosa da propriedade, sem contar Sua Senhoria. Além disso, embora eu possa me safar com um 'Senhorita Sera', o resto dos cavaleiros a chama de 'Madame Sera'. — Neville riu alegremente. — De qualquer forma, a senhorita Sera e Ryo são bastante equilibrados quando se enfrentam. Eu mesmo os vi e, deixe-me dizer, foi impressionante. Entendo perfeitamente por que os cavaleiros não conseguem tirar os olhos deles. Eles são tão rápidos que só consigo acompanhá-los metade do tempo.

Neville sorriu para si mesmo ao relembrar a visão de suas batalhas simuladas. — Você já sabe que ela treina meus cavaleiros, mas ela nunca usou seu Manto do Vento durante as sessões com eles... Bem, não há o que fazer, considerando que a diferença entre a esgrima pura dela e a deles é como a noite e o dia. E tenho que admitir, senti pena dela todo esse tempo, por não ter oponentes contra os quais pudesse usar toda a sua força.

— Por que você não se oferece como parceiro de treino dela?

— Não seja estúpido. Não sou páreo para ela. Mas aqui está uma ideia para você. E se o grande Campeão McGlass a enfrentasse? Tenho certeza de que você se sairia bem — provocou Neville.

— Seu idiota. Você sabe muito bem que não estou apto para lutar, de jeito nenhum, especialmente depois de ter que me aposentar por causa da lesão no meu braço. Além disso, mesmo no meu auge, duvido que pudesse vencê-la com seu Manto do Vento... — Então Hugh percebeu algo de repente. — Ouvi dizer que a magia da Sera é incrível, mas... está no nível do Ryo?

— Hm. Na verdade, nunca vi a magia dela pessoalmente.

— O quê?

Eles não estavam na mesma página.

— Espere, você está dizendo que as batalhas simuladas deles não são do tipo mágico?

— Isso mesmo. Eles lutam usando espadas.

— Hã? — Hugh soou como um idiota mais uma vez. — Mas... — Então ele respirou fundo e conseguiu dizer algumas palavras. — Ryo... é um mago.

— Hã?

Desta vez, foi a vez de Neville soar como um tolo.

O silêncio reinou entre eles por um tempo. Então Neville finalmente o quebrou.

— Bem... acho que tudo o que eu realmente queria dizer era que espero que Ryo continue treinando com a senhorita Sera, porque as lutas deles certamente animam os cavaleiros...

— Ceeerto... Entendido.

Ambos desistiram tacitamente de pensar em coisas desnecessárias.

Hugh deixou o escritório do comandante dos cavaleiros e encontrou Sera no caminho de volta para sua carruagem. Ela parecia muito feliz.

— Olá, Sera.

— Há quanto tempo, Mestre McGlass. Você teve uma reunião com Sir Neville?

— Sim. O que me lembra, ouvi agora há pouco que você está treinando com o Ryo?

— De fato, estou — respondeu ela, inclinando a cabeça curiosamente. — Não se preocupe, pois tenho a permissão do marquês.

— Não, não estou reclamando. Neville até disse que suas lutas são boas para animar os homens dele.

— Oh, sério?! — Sera sorriu alegremente. — Maravilha!

Hugh também era um homem. Como tal, o sorriso de Sera era uma força incrivelmente intensa... Mas então ele se lembrou do neto do marquês, Alfonso Spinazola, que tentou forçá-la depois de ceder ao seu desejo carnal e acabou com o ombro quebrado por sua estupidez. Hugh desesperadamente desviou o olhar do sorriso de Sera.

— Se algum dia sentir necessidade de treinar também, você é mais do que bem-vindo para se juntar a nós, Mestre McGlass. Temos excelentes sacerdotes e sacerdotisas de plantão no centro de treinamento que também podem curar a maioria das lesões.

Então ela se afastou.

— Não... Definitivamente não quero pôr os pés lá...

Ninguém ouviu o sussurro de Hugh...

Era tarde do dia seguinte ao retorno dos quatro residentes do Quarto 10 à cidade de Lune, vindos de seu trabalho na vila de Abali. Pela primeira vez em algum tempo, Ryo comeu curry com Sera no The Fill-Up Station. Quando terminaram, ela voltou para a propriedade do marquês e ele se dirigiu para The Golden Wave.

Abel me deve muitos favores. Por exemplo, a semana de jantares que ele me prometeu na masmorra... Ele ainda nem me pagou um único. E — ah, sim! — quando eu o fiz parecer bem em Whitnash, sem mencionar que fui legal o suficiente para não transformar aquele maldito mago do fogo em um bloco de gelo. Sim, sim, o que significa que ele tem que me ajudar com isso, não importa o quê!

Eram duas da tarde. A maioria dos clientes que vieram para o almoço no The Golden Wave já havia saído. Entre os poucos retardatários estava um espadachim solitário de Rank-B lendo um livro enquanto se sentava em uma cadeira no salão de jantar.

Ryo planejara pedir à recepcionista para chamá-lo, mas isso era ainda melhor.

— Abel, estou aqui para cobrar as dívidas que me devem.

— O quê? Ah, Ryo, é você. Não me assuste assim, caramba. Espere um pouco. 'Cobrar as dívidas que me devem'... Uhhh, você poderia talvez refrescar minha memória?

— Tudo bem. Quando estávamos na masmorra, você prometeu me pagar jantares por uma semana.

Abel engasgou. Aparentemente, ele tinha genuinamente se esquecido disso.

— Cla— C-C-C-C-C-Claro que não me esqueci. Não, de jeito nenhum. Você só parecia super ocupado, Ryo, então nunca consegui encontrar o momento certo para te chamar. Sério. Estou dizendo a verdade.

— Haaa... — Ryo suspirou deliberadamente quando ouviu a desculpa de Abel. Então ele se sentou em frente a ele. — Em troca da semana de jantares, gostaria que você me ajudasse com uma coisa.

— Hã...? O-O que é? Sinto que vai ser pior do que os jantares... — Abel perguntou nervosamente.

— Bem, meus colegas de quarto, Nils e Eto, estão se aproximando do limite de trezentos dias para ficar no dormitório da guilda e terão que sair em breve. Então, eles decidiram comprar uma casa e Amon vai se juntar a eles também, e é por isso que pensei que seria um bom momento para eu também deixar o anexo quando eles saírem e morar sozinho...

— Você não planeja morar com eles, Ryo?

— Isso mesmo. Quero realizar todo tipo de experimentos mágicos e alquímicos, então prefiro morar em uma casa com um quintal espaçoso.

— Deixa eu adivinhar. Você recebeu parte da sua porção da venda daquelas pedras mágicas, não foi? — Abel comentou como se tivesse acabado de se lembrar do que passaram.

— Quando verifiquei minha conta esta manhã, o saldo aumentado sugeria que duas delas haviam sido vendidas.

— Faz sentido. — Abel acenou vigorosamente em compreensão. — Já que o marquês já comprou uma, outra pessoa deve ter comprado a outra, hã? Droga... O Mestre da Guilda com certeza trabalha rápido, não é? Que cara determinado.

— E é por isso que estou aqui hoje, porque quero que você me ajude a procurar uma casa, Abel.

— Entendido. Nesse caso, pode deixar comigo.

Afinal de contas, Abel era uma pessoa influente em Lune. Sua esmagadora popularidade entre os aventureiros não era surpresa, e como um dos poucos aventureiros de Rank-B aqui, ele também era bem conhecido pelos residentes da cidade. Levando isso em conta, Ryo percebeu que ter o apoio de alguém como Abel reduziria as chances de ele ser enganado, sem mencionar o fato de que ele poderia confiar em quaisquer corretores de imóveis que Abel lhe apresentasse. Então, ele foi procurar o espadachim...

— Você sabia que a guilda dos aventureiros também administra terrenos e edifícios?

Evidentemente, a guilda tinha uma divisão imobiliária...

No final, os dois se dirigiram para lá.

— Eu nunca imaginei que eles também estivessem envolvidos nesse negócio...

— Sim, ouvi dizer que existem até algumas propriedades administradas exclusivamente pela guilda. Bem, a realidade é que os aventureiros costumam comprar ou alugar casas vagas e outros lugares. Talvez isso tenha algo a ver com o limite de trezentos dias para ficar no anexo de moradia da guilda.

— Isso é tão sorrateiro! Adultos são tão sorrateiros! — Ryo balançou a cabeça inúmeras vezes porque Abel provavelmente estava certo em sua dedução. — Mas também existem grupos como o seu, certo, Abel? Aqueles que não compram nem alugam, mas apenas ficam em quartos de estalagem por um tempo.

— Acho que você não está errado, mas quando você fala assim... Nós pagamos as taxas normais, então não é como se estivéssemos fazendo algo errado. Bem, eu sei que é meio estranho eu mesmo dizer isso, mas a razão pela qual consigo viver assim é por causa de quão bem eu sou pago como um Rank-B.

Semelhante a como presidentes e CEOs de empresas viviam nas suítes de cobertura de hotéis de luxo na Terra moderna... Ou assim Ryo presumiu sem fundamento. A equipe da pousada cuidava de toda a limpeza e lavanderia, além de que, se os hóspedes pedissem bebidas e lanches, eles os traziam imediatamente para seus quartos. Tendo tudo isso em mente, então... você definitivamente poderia levar um estilo de vida agradável como este.

Desde que você tivesse dinheiro, é claro!

— Ryo, você já pensou em ficar por um longo período em uma estalagem... Ah, espere, você disse que precisa de uma casa com um quintal enorme para seus experimentos...

— Correto. Nesse tipo de situação, a convenção dita que, se você gastar uma certa quantia de dinheiro, pode comprar algo como a mansão de um nobre antigo ou a propriedade de um aristocrata amaldiçoado por um preço de banana... Acredito que tais desenvolvimentos de história existam.

— Convenção? Desenvolvimentos de história? Do que diabos você está falando, cara...?

Ryo havia dito em voz alta suas expectativas clássicas de enredo de light novel, mas estava claro que Abel não entendia o que ele estava dizendo. Porque, *claro* que ele não entenderia.

— Ryo, odeio ser o portador de más notícias, mas não acho que isso vai acontecer...

— Hã?

— Minhas sinceras desculpas, mas apenas os membros da nobreza podem comprar propriedades pertencentes a nobres. Apesar de Abel ter indicado você a nós, exceções não podem ser feitas.

— Awww...

— Eu não te disse?

O chefe do departamento imobiliário da guilda, Riplait, teve a gentileza de atendê-los diretamente. No entanto... a realidade brutalmente imposta a Ryo era trágica demais para ele suportar.

— Então meus sonhos de uma casa com um quintal espaçoso...

— Cara, relaxa. Nós nem chegamos tão longe. Riplait, como você acabou de ouvir, Ryo está procurando uma casa com um quintal grande. Aparentemente, ele quer fazer experimentos mágicos e alquímicos ou algo assim. Ele é rico, então seu orçamento é bem grande. Dentro do razoável, é claro.

Ele realmente precisava dizer tudo aquilo? A guilda não tentaria se aproveitar dele agora? Esses pensamentos passaram pela mente de Ryo.

— Abel, quer parar com isso...

— Não se preocupe. Riplait é o membro mais trabalhador da equipe da guilda. Então, dizer a ele todas as informações necessárias significa que ele será capaz de encontrar exatamente o que você está procurando.

Riplait ficou radiante ao ouvir tais palavras de elogio vindas de alguém tão popular quanto Abel. Ele assentiu feliz quando falou.

— Entendo, obrigado por fornecer esta informação. Infelizmente, nada em nossos anúncios atuais corresponde às suas condições, Ryo... Você se importaria de me dar mais um dia para fazer algumas pesquisas? Vou reunir informações sobre todas as propriedades que não estão sob nossa administração, incluindo quaisquer novas que foram recentemente colocadas no mercado e aquelas tratadas por outras agências imobiliárias na cidade. Se você pudesse passar por aqui novamente amanhã à tarde, eu realmente agradeceria.

A expressão séria e intratável no rosto de Riplait era a de um homem que se orgulhava muito de seu trabalho. E simplesmente não havia como Ryo recusar o pedido sincero de tal homem.

— Entendido. Muito obrigado.

— Já são três horas... Um pouco cedo demais para você me pagar o jantar, hm, Abel?

— Então já é um dado adquirido que eu estou pagando, hã... Mas espere, você não disse que estaríamos quites se eu te ajudasse a procurar uma casa? Tenho quase certeza que você disse...

— Exceto que estou falando sobre como eu te ajudei a salvar a cara na praia em Whitnash *e* eu não matei aquele cara do 'Mago do Inferno'. Então você ainda me deve por isso...

— Tudo bem, tá bom, caramba, eu entendi — respondeu Abel, meio resignado. — Muito obrigado por salvar minha pele naquela vez! Olha, eu te compro um lanche, então vamos a qualquer loja que te agrade.

— Você diz isso, mas... não é como se eu soubesse quais lojas vendem as coisas gostosas. *Você* por acaso conhece alguma, Abel?

— Sim. Tem uma bem ali. Eles têm bolos e café ótimos. Que tal?

— Café!

Foi a primeira vez que Ryo ouviu a palavra “café” desde que chegou a Phi. Embora, ele conhecesse o grupo “Coffee Maker”, é claro...

— Você sabe o que é café então, Ryo?

— Preto como o Diabo, quente como o inferno, puro como um anjo, doce como o amor. Essa bebida, sim?

— Você meio que me perdeu no meio do caminho, mas sim, tenho certeza de que estamos falando da mesma bebida preta.

Ryo ficou devastado pelo fato de Abel ter reduzido a famosa ode de Talleyrand ao elixir a “bebida preta”. A realidade era realmente uma amante cruel.

— Uau. Este cardápio é algo e tanto...

O nome da loja era “Café de Chocolat, Lune”. Apesar da inclusão da palavra “chocolat” em seu nome, na verdade não servia bolo feito com chocolate. Não servia, mas...

— Mont Blanc, bolo de morango, torta de maçã...

— Acho que vou querer o bolo de morango. Quanto ao café... Blue Mountain.

— O cardápio de cafés também é intenso... Blue Mountain, sério? E Kona? Eles têm Mandheling também...

Ryo balançou a cabeça mentalmente, perplexo, enquanto lia o cardápio.

Que diabos é essa sensação de déjà vu... Isso *não pode* ter algo a ver com outro reencarnado... Pode?

Uma mulher adorável se aproximou. — Já decidiram o que gostariam ou precisam de mais tempo? — ela perguntou.

— Eu gostaria do conjunto de bolo de morango e Blue Mountain.

— E-Eu... Eu vou querer o Mont Blanc e Kona, por favor.

Ela anotou os pedidos deles, depois se afastou para prepará-los.

— Você também conhece bolos, Ryo? Mesmo que não houvesse nenhum na Floresta de Rondo...

— S-Sim, nós tínhamos na minha cidade natal...

— Hã. Interessante.

O bolo e o café eram ambos deliciosos. Tão perfeitos que, se o dono da loja abrisse outro café no Japão moderno, não teria problemas para se manter no negócio. No entanto, o café Kona... não era o mesmo Kona havaiano que ele havia se deliciado na Terra. Ele presumiu que o nome era apenas um nome aleatório que o produtor havia inventado. Mas o sabor era...

— Surpreendentemente delicioso...

— Né? Este lugar não é ótimo? E fica a um pulo da guilda.

— Aposto um bom dinheiro que Rihya ou Lyn te trouxeram aqui. Estou certo ou estou certo?

— Geh.

Ryo acertou em cheio com seu palpite.

— Bem, está tudo bem porque tudo é delicioso.

— Por que você não usa isso como um local de encontro também, Ryo? Com, digamos, Sera, por exemplo. — As palavras e expressões de Abel transmitiam que ele estava sendo intrometido.

— Vou te dizer que Sera e eu não somos assim.

— E ainda assim, você está falando dela tão casualmente, como se vocês fossem *super* próximos agora...

— Porque ela queria que eu fosse casual com ela também, depois de ver como eu sou com você... Foi um compromisso inevitável. — Então Ryo balançou a cabeça ligeiramente.

— Bem, eu me lembro de você dizendo que ela é sua professora, mas... como diabos vocês se conheceram? Não é como se vocês dois tivessem algo em comum. Ela quase nunca aparece na guilda, sem mencionar que é a instrutora dos cavaleiros...

— Vamos apenas dizer que ela me ensinou muito na biblioteca do norte e vamos deixar por isso mesmo.

— Ahhh, a biblioteca do norte, hã? Agora faz sentido.

A expressão no rosto de Abel dizia que ele finalmente havia resolvido um mistério de longa data graças à explicação de Ryo. Não importava que ele só estivesse pensando nisso há uma semana.

— Além disso, ela tem me ajudado a treinar minhas habilidades com a espada. Geralmente antes de ela ensinar os cavaleiros, meio que um aquecimento para ela, eu acho.

— Espera aí. Você está treinando com a *Sera*...?

— Sim. Ela é incrivelmente poderosa, sabe. Atualmente, estou em uma sequência de derrotas contra ela — disse Ryo com um sorriso despreocupado. Era a prova de que ele ainda não havia chegado perto do ponto em que se sentiria chateado por perder. Era essa a diferença de força entre ele e Sera. — O Manto de Vento dela é incrível, e sua magia de ar é a própria perfeição, não acha? Aumenta a velocidade de tudo. Adicionar velocidade e peso aos seus ataques através do Manto de Vento torna sua esgrima já extremamente polida terrivelmente perigosa.

— Então a Sera usa o Manto de Vento com você?

— Sim. Eu literalmente acabei de dizer isso. Abel, você *tem* que ouvir direito quando os outros falam, certo? Só depõe contra você quando não o faz.

Com isso, Ryo terminou o resto do café em sua xícara.

Não, não, não, há algo muito errado com o fato de você conseguir lutar contra a Sera quando ela está usando seu Manto de Vento... Eu só agora mal estou no nível em que ela e eu estamos equilibrados e isso é *sem* ela usar o Manto de Vento... Espere, *será que* estou? Na verdade, não estou confiante de que *posso* sequer lutar contra ela... Ryo, você deveria ser um mago, então como diabos suas habilidades com a espada são tão boas...? Até onde exatamente você está planejando ir...? Qual é o seu objetivo final, cara?

Qual *era* seu objetivo final... O próprio Ryo também não sabia a resposta para essa pergunta...

— Eu não fazia ideia de que uma loja como esta existia tão perto da guilda.

— Deixa eu ver — disse Abel enquanto repassava o conhecimento em sua mente. — Se bem me lembro, eles abriram esta filial de Lune no ano passado. É um café de longa data na capital real. Acho que eles existem há uns quarenta anos...

De qualquer forma que eu pense, uma pessoa reencarnada *deve* ter tido essa ideia de conjunto de bolo e café... E considerando o quão perfeito era o sabor, eles estiveram envolvidos não apenas na ideia, mas também na criação... Então isso significa que eles chegaram em Phi meros vinte anos antes de mim? Não, não, impossível. Porque eu me lembro distintamente do Falso Michael me dizendo: “Você é na verdade o primeiro visitante que tenho em um bom tempo.” Foi assim que ele me cumprimentou naquele mundo branco em que estávamos. Uma pessoa parecida com um anjo como ele não consideraria vinte anos como “um bom tempo”, certo?

Não importa o quão arduamente ele analisasse a situação, Ryo não conseguia chegar a uma resposta coerente. E então a próxima pergunta de Abel cortou completamente todos os seus pensamentos sobre reencarnados.

— Ryo, podemos falar sobre o que aconteceu em Whitnash...?

— Claro?

— Você tentou matar o Mago do Inferno, não tentou? Oscar, do Império. Se eu não tivesse chegado a tempo, tenho certeza de que ele estaria morto agora. Quão sério você estava?

— Ahhh, certo, isso... Suponho que você poderia chamar de um toma lá dá cá verbal? Palavras de luta? Agora eu quero saber se, da sua perspectiva, realmente havia uma discrepância tão grande de poder entre aquele cara e eu? — Ryo respondeu enquanto comia a última mordida de seu bolo. Para ele, Oscar era aparentemente apenas “aquele cara”.

— Sim, definitivamente.

— Terei que discordar. Não acho que a diferença seja tão grande assim. Na época, ele estava na ofensiva e eu na defensiva, então pode ter parecido que havia uma diferença de força quando interceptei tudo. Mas... se nossos papéis tivessem sido invertidos, eu me pergunto se meus ataques não teriam penetrado sua defesa com facilidade suficiente.

Ryo relembrou o incidente enquanto respondia. A magia da água era excelente para defesa. Por exemplo, a Muralha de Gelo certamente poderia ser considerada a magia defensiva mais forte e resistente. Mesmo que pudesse ser perfurada às vezes, é claro.

— Além do mais, nossos respectivos atributos de água e fogo também são fatores relevantes. A água anula o fogo, certo? Contanto que você tenha uma quantidade tremenda de água, pode apagar qualquer tipo de fogo. Acho que a compatibilidade também entra em jogo aqui.

Ele continuou falando, ainda se lembrando daquela noite.

— Além disso, a velocidade com que aquele cara gerava magia, ou melhor, construía magia era... surpreendentemente rápida, hm? É por isso que acho que há uma grande chance de ele poder contra-atacar meus ataques.

— Então por que diabos você o provocou, sabendo de tudo isso?

— Eu estava no limite. E tenho certeza de que a atmosfera do festival me deixou ainda mais excitável do que o normal.

— Ok, então, o que eu tirei desta conversa é que você é um homem perigoso, Ryo.

— Mas ainda sou um bebê inocente em comparação com você, Abel...

— Por quê? Por que sempre sou eu, cara?! O que eu já te fiz?!

— Ah, sim, Ryo. Acabei de me lembrar de uma coisa.

— O que é? Gasp! Não me diga... você vai me pedir para pagar pela nossa comida porque não tem dinheiro com você? Eu não vou deixar! Você me ouviu?!

— Não, seu idiota! Não era nada disso que eu ia dizer! — Abel suspirou exasperado. — Na verdade, se você disser sim, eu te compro outro conjunto de bolo.

— Sim! A resposta é sim! Acredito que gostaria de experimentar o bolo de morango a seguir.

Abel já estava farto dele. — Não diga apenas sim sem perguntar ao que está dizendo sim, seu imbecil.

— Eu confio em você, Abel, e é por isso que sei que você não virá a mim com um pedido absurdo.

— Mentira. Você só quer comer seu segundo bolo o mais rápido possível.

Ryo não ouviu o murmúrio de Abel.

Então, cada um pediu outro conjunto de bolo. Um simplesmente não era suficiente para aventureiros viris cujos trabalhos eram tão trabalhosos... E como essa era uma verdade inegável, Abel também não teve escrúpulos em fazê-lo. Embora algo parecesse errado com a ideia de encher o estômago apenas com bolo e café...

— Então o que você quer que eu faça? Não vou aceitar, dependendo do que for.

— Você *realmente* acha que vou deixar você se safar dessa depois que já devorou a segunda fatia de bolo? Enfim, quero que você me acompanhe por um tempo depois daqui.

— 'Depois daqui'? Você disse a mesma coisa da última vez, e quando saímos pela cidade, chegamos à dolorosa constatação de quão impopular você é, Abel. Você se lembra disso? Como seu amigo, eu preferiria não reabrir suas feridas...

— Espere, você está falando sobre o incidente com os aventureiros da Federação, que, a propósito, não tem nada a ver com minha popularidade? Pensando bem, meu pedido desta vez pode, na verdade, estar um pouco relacionado a isso. Aparentemente, pessoas suspeitas estão se reunindo em um prédio e vamos revistá-lo.

— Abel, você não acha que é melhor deixar a guarnição da cidade lidar com trabalhos como esse? Da perspectiva deles, qualquer 'ajuda' nossa provavelmente seria apenas um estorvo...

Um tropo comum em histórias de reencarnação isekai girava em torno dos reencarnados metendo o nariz onde não eram chamados, resultando em eles se livrando dos vilões de uma cidade ou vila. Ryo balançou a cabeça um pouco quando pensou nisso.

— Naturalmente, não estou fazendo isso por conta própria como algum tipo de vigilante. Conheço um dos oficiais comandantes da guarnição, Nimur, e foi ele quem me pediu ajuda.

— Nimur. Não é ele quem estava estacionado no portão da cidade quando chegamos? Ele ficou radiante com o seu retorno, se bem me lembro.

— Boa memória...

Ele parecia apenas um guarda normal naquela época, mas evidentemente, ele era um capitão na guarnição da cidade. Um oficial de alta patente que não se dava ares? Super admirável. A estima de Ryo por Nimur subiu um degrau.

— Tudo o que ele me disse foi algo sobre a noite perto do portão oeste, e é por isso que estou indo para o posto da guarnição para esclarecer os fatos.

— Oh, pobre de mim, um mago da água usado e abusado...

— Você tem uma coragem e tanto para dizer uma porcaria dessas enquanto se empanturra de bolo!

No posto da guarnição, guardas totalmente armados estavam alinhados.

O Capitão Nimur os avistou assim que chegaram lá. — Ótimo momento, Abel! — ele chamou. — Eu estava prestes a ir buscá-lo no Golden Wave.

— Nimur, pensei que a busca seria à noite?

— Esse era o plano, mas nossa unidade de reconhecimento fez contato mais cedo e nos disse que todos os suspeitos estão no esconderijo agora. Quero reunir todos eles, então estamos agindo antes do previsto.

— Entendido. Funciona a nosso favor, então, hã? Eu vou dar uma mão. Esse cara também. Ele é Ryo, um mago. Ele deve ser um ativo de combate bem poderoso, então você pode contar com ele.

— Oh, legal. Agradeço. Hm? Ryo, não é você quem resgatou Abel? Lembro de você agora. Você voltou junto com ele. Bem, sou grato por sua ajuda agora também.

— Não foi nada.

Nimur estendeu a mão e Ryo a apertou.

— A propósito, Nimur, tem alguma ideia de quem são essas pessoas suspeitas?

— Na verdade, temos. Obtivemos provas conclusivas não faz muito tempo. Espiões da Federação.

— Federação... — Abel murmurou baixinho. Sua expressão deixou claro para Ryo que algo sobre a situação o incomodava, o que, por sua vez, preocupou Ryo também.

Os quatro que pegamos da última vez também eram da Federação, mas... eles não eram aventureiros de verdade. Em vez disso, eram infiltrados... O que diabos está acontecendo?

Incluindo Ryo e Abel, a equipe de ataque consistia em vinte pessoas. Eles se moveram rapidamente para cercar o local de uma antiga oficina perto do portão oeste. O lugar era grande, mas velho. Um dos membros da unidade de reconhecimento, que estava vigiando a área todo esse tempo, aproximou-se do Capitão Nimur e fez seu relatório.

— Todos os dez estão lá dentro.

O Capitão Nimur assentiu em resposta.

— Vamos entrar pela frente. Josh, leve quatro com você e vá pelos fundos. Abel, Ryo, vocês vão com eles e peguem quem tentar escapar por lá. Não me importo se os machucarem, mas tentem o máximo para não matá-los. Agradeço desde já.

Evidentemente, uma prisão violenta estava bem... Mas isso não lhes dava licença para fazer coisas ruins.

Abel, Ryo, Josh e seus quatro homens foram para os fundos do local. Trinta segundos depois, ouviram o som de algo quebrando na entrada da frente. Nimur e sua equipe devem ter usado algo para arrombar as portas.

Os gritos de raiva dentro da sala ecoaram até o lado de fora. Então aconteceu logo depois. Algumas pessoas saíram voando pela entrada dos fundos. Mas...

— Gaaah!

...eles escorregaram e caíram no chão gelado sob seus pés. Os quatro membros da guarnição os amarraram rapidamente com cordas.

Um homem pulou de uma janela do segundo andar acima.

— Lança de Gelo — disse Ryo, mirando uma lança de gelo em sua perna para desequilibrá-lo. Ele aterrissou na frente de Ryo e desmaiou. Como o suspeito estava bem ali, Ryo, que segurava seu próprio pedaço de corda, amarrou as mãos do homem nas costas. Ele havia aprendido observando os outros.

No entanto... *Krak*. Outra janela a uma curta distância da primeira se estilhaçou enquanto mais duas pessoas pulavam para fora. Então elas correram para salvar suas vidas em direção ao portão oeste.

— Vou atrás deles! — Josh gritou antes de sair em perseguição.

— Ei, espere... Droga, acho que vou também. Ryo, segure as pontas aqui.

Com essas instruções, Abel correu atrás de Josh, que perseguia os dois homens em fuga.

Eles deixaram Ryo, que continuava a amarrar o homem, para trás, junto com os quatro subordinados de Josh, que resmungavam sem jeito...

— Hã...?

— Hum...

Uma visão súbita e chocante irrompeu no campo de visão de Abel quando ele virou uma esquina após perseguir os três homens por um tempo: seus corpos, consumidos por chamas.

— Um quarto? *Coruscare*.

Abel ouviu as palavras muito fracamente. Ele desembainhou sua espada, que brilhou enquanto ele a brandia, cortando o que quer que voasse em sua direção. Era um ataque de magia de fogo, mas a massa de fogo brilhava como nada que ele já tivesse visto antes.

— Que *diabos* foi isso...

Mesmo Abel, que não era versado nas complexidades da magia, reconheceu que o ataque era tudo menos normal. Ele se arrependeu de não ter trazido Ryo consigo, mas esse sentimento durou apenas um momento. Não havia tempo para mais nada, porque quando Abel se deu conta dele, um homem segurando uma espada já estava na sua frente!

Klang. Klang. Klang.

Abel aparou os três golpes consecutivos do homem. Então, cedendo ao instinto, ele recuou para criar distância entre eles. Então:

— Lapis.

Quatro lanças de pedra apareceram na frente do homem e correram em direção a Abel. Ele se esquivou da que mirava sua perna direita, usou o pomo de sua espada para derrubar a que visava seu abdômen, desviou a que ia para seu peito com a lâmina e inclinou a cabeça para evitar a que corria para lá.

Abel fez tudo isso enquanto avançava, sabendo que a melhor chance de contra-atacar era no momento em que o oponente atacava. Ele avançou e fechou a distância entre eles, então brandiu sua lâmina para cima em um corte diagonal, mantendo-se baixo no chão.

— Tsk.

Abel estalou a língua em aborrecimento sem pensar. Ele podia sentir pela sensação vinda de sua lâmina que ela havia alcançado apenas a pele do homem. Também parecia ter cortado algum tipo de ferramenta... Seu oponente havia se esquivado perfeitamente, considerando que ele pretendia cortá-lo ao meio.

No entanto...

— Minha sonda... Seu filho da puta...

A raiva inundou o rosto do homem. O dispositivo em seu bolso estava quebrado, fatiado. Seus olhos azuis, visíveis através do cabelo roxo claro que os cobria, fuzilaram Abel.

— Isso acaba agora. Desapareça! — ele cuspiu furiosamente. *— Vinea Glacies.*

— Muralha de Gelo de 10 Camadas.

Inúmeros pingentes de gelo se formaram na frente do homem. Eles pareciam cobrir toda a área, apenas para serem bloqueados por uma parede de gelo.

— O quê?!

O homem de cabelo roxo olhou ao redor, mas viu apenas os três cadáveres carbonizados e o espadachim diante de seus olhos. Não havia mais ninguém. Pelo que ele podia ver, pelo menos — o que significava...

— Coruscare.

Ele disparou três aglomerados de chamas vividamente brilhantes ao virar da esquina.

— Lança de Gelo 6.

Uma voz veio do outro lado da esquina... Uma voz que Abel conhecia... Ele também sabia o quanto Ryo amava contra-ataques. Sincronizando seus ataques com os do oponente, ou forçando seu oponente a atacar para que ele pudesse esmagá-lo com os seus... Ele havia feito o mesmo contra a rainha harpia nas Montanhas Maléficas e o príncipe demônio na Camada 40 da masmorra...

Exceto que desta vez, ele criou seis lanças de gelo contra três aglomerados de chamas... O que significava que Ryo provavelmente pretendia...

No momento em que o pensamento lhe passou pela mente, o corpo de Abel se moveu. *Klang*. O homem de cabelo roxo aparou a lâmina de Abel com a sua.

— Ngh!

As três lanças de gelo restantes perfuraram suas costas... ou teriam perfurado, se não tivessem quebrado em contato. O homem não conseguiu mitigar a força dos projéteis, então seu corpo voou. Ele tombou no chão.

Ryo aproveitou o momento para sair da esquina.

— Abel, você está bem?!

Ele estava lutando enquanto usava o Sonar Passivo para vasculhar toda a área, então, embora soubesse que Abel ainda estava vivo, era natural que se sentisse inquieto até realmente vê-lo com seus próprios olhos.

— Sim, tudo bem.

Quando ele se esquivou das lanças de pedra do homem de cabelo roxo, ele mal conseguiu evitar a que mirava em sua cabeça, então ele tinha um corte na bochecha esquerda. Claro, não era um ferimento com risco de vida.

— Que diabos *é* aquele cara...

— Pacote Muralha de Gelo de 10 Camadas.

No momento em que Ryo entoou o feitiço e os envolveu em uma barreira feita de gelo, uma chuva de fogo desceu.

— Pacote Muralha de Gelo de 10 Camadas.

Foi poderoso o suficiente para que ele tivesse que reconstruir a parede de gelo. O dilúvio de fogo continuou por mais de um minuto... Quando parou, o homem de cabelo roxo não estava mais lá...

— Droga, ele escapou...

— Tenho quase certeza de que a chuva de fogo de agora foi magia de outra pessoa... Eles devem tê-lo ajudado a escapar, hm?

Ryo entendeu até certo ponto o que acabara de acontecer. Em vez de usar sua visão, ele usou o Sonar Passivo, ou vapor de água no ar, para ter uma noção da situação. Ainda assim, havia algo que ele *não* entendia.

— Aquilo — ele disse —, não era uma pessoa, era?

O homem não possuía chifres e cauda como um akuma, nem era uma criatura grotesca como os demônios e o príncipe demônio. Na superfície, ele parecia completamente humano. Mas um humano com cabelo roxo. E aqueles olhos...

— Bem, eu com certeza nunca ouvi falar de uma *pessoa* com olhos azuis brilhantes.

Ryo assentiu em concordância. — Suponho que isso signifique que o perigo também está à espreita na cidade de Lune, hm...

— Exceto que normalmente não temos pessoas como ele por aqui...

O dia seguinte. Depois de fazer algumas pesquisas na biblioteca do norte com Sera pela manhã, ele almoçou no The Fill-Up Station e chegou à guilda dos aventureiros para seu encontro das treze horas com Abel. Ele já estava lá, conversando com uma criança familiar perto do balcão de recepção. Dita criança notou a chegada de Ryo antes de Abel.

A criança era Natalie, a única outra maga da água que ele conhecia além de si mesmo, que por acaso fazia parte do Bureau de Magos Reais. Quando Abel percebeu que Ryo estava ali, ele disse algumas palavras para Natalie antes de ir até ele.

— Olhe só, Ryo. Na hora certa.

— Você pode continuar conversando com a Natalie. Não me deixe interromper.

A garota inclinou a cabeça educadamente para os dois e depois deixou a guilda.

— Uma carta para mim chegou da capital real e ela foi gentil o suficiente para trazê-la para mim.

— Do misterioso— Qual era o nome mesmo? — Ryo tentou se lembrar da carta anterior da capital real que Natalie deu a Abel. — Hilarion?

— Caramba, sua memória só é boa para as coisas mais aleatórias, hã? — Abel sorriu com pesar antes de enfiar a carta, provavelmente de Hilarion novamente, dentro de sua roupa.

— Você ficou bem depois do que aconteceu ontem, Abel?

— Hm? Ah, você quer dizer aquele cara de cabelo roxo? Sim. Não é como se alguém tivesse me atacado depois.

— Não, não era isso que eu queria dizer. Quero saber se a Rihya ficou brava com você por se machucar.

— Ahhh, ok... Sim, uh, ela ficou *furiosa*, para dizer o mínimo... — Abel fez uma careta, balançando a cabeça um pouco. Ele deve ter levado uma bronca e tanto dela... Mas a ferida em sua bochecha esquerda havia desaparecido completamente.

Ryo assentiu mentalmente, nem um pouco surpreso com o poder da magia de cura de Rihya.

Quando Abel e Ryo entraram na divisão imobiliária da guilda, seu chefe, Riplait, levantou-se para cumprimentá-los. — Abel, Ryo, muito obrigado pela paciência. — Então ele indicou que se sentassem no conjunto de sofás da sala.

— Consegui encontrar apenas uma propriedade que atende às suas condições — ele continuou, abordando o assunto assim que um de seus subordinados serviu chá para os três. — No entanto... — ele disse antes de hesitar.

— Pelo seu tom, suponho que o lugar não se encaixa perfeitamente nos meus critérios, correto?

Ryo sabia que em situações como essas, onde a outra parte tergiversava, geralmente era por causa de problemas menores, apesar da pontuação geral ser de aprovação.

— Sim. A localização é o problema.

— A localização? — Abel e Ryo disseram em uníssono.

— Exato. É fora da cidade.

— !

Essa notícia surpreendeu a ambos.

Ryo estava preparado para ceder em vários termos, como o tamanho do quintal ou as outras casas na vizinhança. No entanto... ele nunca imaginou que lhe mostrariam uma propriedade *fora* dos muros da cidade.

Quando ele chegou pela primeira vez nos arredores de Lune, vindo da Floresta de Rondo, ele e Abel haviam olhado para a vista panorâmica da área do topo de uma pequena colina. A cidade ficava em meio ao mar dourado dos campos de trigo que cresciam ao seu redor. Dentro daquele mar de ouro, ele se lembrava de ter visto algumas casas. Aqueles que viviam da agricultura haviam se mudado do centro da cidade para fora de seus muros. Por causa da constante viagem de ida e volta dessas pessoas, os portões da cidade nunca fechavam, mesmo à noite.

— Esta propriedade, é uma casa de fazenda ou algo parecido?

— Isso mesmo. — Riplait assentiu firmemente. — Eu a visitei ontem e, além de sua localização fora da cidade propriamente dita, posso recomendá-la com total confiança.

— Então, por que não vamos dar uma olhada?

Com a sugestão de Ryo, tanto Riplait quanto Abel se levantaram.

— Já solicitei o uso de uma das carruagens da guilda, então, por favor, esperem na frente.

Com isso, Riplait dirigiu-se à parte de trás do prédio principal da guilda, onde ficava o depósito.

— Eu não sabia que a guilda tinha sua própria frota de carruagens.

— Sim, três, eu acho. As pessoas simplesmente as chamam de carruagens da guilda, embora o Mestre da Guilda use uma delas quase exclusivamente para suas viagens de e para a propriedade do marquês. A equipe da guilda concederá permissão para usar uma se considerarem necessário, como o seu negócio hoje. Eles não a emprestam a torto e a direito para aventureiros, só para você saber.

— Que pena.

Abel cortou os pensamentos de Ryo antes mesmo que ele pudesse expressá-los em voz alta.

Depois que os três embarcaram na carruagem da guilda, ela virou na avenida principal e seguiu para o norte. Era a mesma em que Hugh estava quando Ryo o encontrou no caminho de volta da residência do senhor da cidade. Pouco tempo depois, a carruagem chegou ao centro de Lune, ou seja, à praça de muralhas duplas na entrada da masmorra. Ela virou à direita ali e seguiu para o leste pela avenida leste da cidade, em suma, em direção ao portão leste.

Ryo também conhecia muito bem essa área. Por quê? Porque seu ponto de encontro habitual, The Fill-Up Station, ficava por perto.

Para ele, a propriedade estar situada perto do portão leste era um grande ponto a seu favor, mesmo que ainda estivesse fora da cidade propriamente dita. Ele a preferia muito mais do que os portões sul ou oeste.

A inspeção no portão leste foi simples para os passageiros da carruagem. O guarda só precisava verificar a identificação deles; no caso de Abel e Ryo, seus cartões da guilda, e para Riplait e o cocheiro, seus cartões de funcionário da guilda. Como levou apenas alguns segundos para verificar o de cada pessoa, o processo foi essencialmente livre de estresse.

Cinco minutos depois de sair pelo portão leste, a carruagem chegou ao seu destino. A primeira coisa que Ryo olhou ao desembarcar em frente à casa foi o grande quintal. Ele podia ver uma cerca de madeira a uma distância considerável marcando a borda do terreno. Tinha quatrocentos metros de comprimento e quatrocentos metros de largura... grande o suficiente para caber três campos de futebol confortavelmente.

E então ele se virou para olhar para a casa que estava ali.

Não era... *exatamente* a casa de fazenda estereotipada que ele imaginara.

— É este o tipo de casa que os fazendeiros constroem?

O edifício em si era de um único andar, mas bastante largo. Portas duplas impressionantes guardavam a entrada no centro. Além desta entrada principal, ele viu duas outras portas — entradas laterais, presumivelmente. Parecia haver várias janelas, embora as persianas de ripas estivessem fechadas no momento. Elas lembravam Ryo de sua casa na Floresta de Rondo.

— Esta é de fato uma casa de fazenda, mas a família que a possuía era evidentemente muito rica. O único filho e herdeiro foi elevado à nobreza depois que suas habilidades de engenharia foram reconhecidas na capital real. Uma vez que ele se mudou para lá, convidou seus pais para morar com ele também, e é por isso que tanto a casa quanto o terreno foram colocados à venda.

— Ele passou de engenheiro a nobre? Deve ser incrivelmente talentoso, hã?

Abel assentiu pensativamente em resposta à explicação de Riplait.

— Outros fazendeiros compraram as terras agrícolas espalhadas por aqui e ali nestas partes, mas esta propriedade em particular está no mercado há quase um ano sem nenhum comprador em potencial.

— Tanto tempo? — Ryo notara como o jardim da frente e a área ao redor do celeiro estavam bem aparados. — Mas o gramado parece tão bem cuidado. Nem um mato à vista.

— Ah, há comissões postadas na guilda para manutenção de casas vagas que os Ranks E e F podem aceitar, então provavelmente é por isso — respondeu Abel.

— Normalmente, sim, mas os proprietários desta propriedade nunca enviaram nenhum pedido à guilda. Essa também é a razão pela qual a divisão imobiliária da guilda nunca a verificou. Minhas sinceras desculpas.

Como chefe do referido departamento, Riplait curvou a cabeça em desculpa a Ryo porque este anúncio não estava no registro da guilda quando Abel e Ryo visitaram pela primeira vez. Se os proprietários tivessem enviado um pedido de manutenção, é claro, a guilda teria enviado sua equipe para inspecioná-la.

— Espere, sério? — perguntou Abel. — Mas então como... Ahhh, a empresa de limpeza daquele velho?

— Correto — disse Riplait. — Este é um dos lugares sob os cuidados da empresa do Mestre Schmidthausen.

— É esta a empresa de limpeza dirigida por um ex-aventureiro?

— Sim, acertou em cheio. Você também sabe disso, Ryo? Ele tem uma cara assustadora, mas é uma boa pessoa. Você pode definitivamente confiar nele se tiver algum trabalho de limpeza. Aparentemente, ele dá descontos para aventureiros.

A razão pela qual Ryo sabia sobre ele era porque Nina, a recepcionista, havia mencionado o homem durante sua primeira visita ao dormitório da guilda. Mais especificamente, uma empresa de limpeza de um ex-aventureiro administrava a limpeza lá.

Os três andaram pelo interior da casa, inspecionando-a. O lugar estava tão escrupulosamente limpo que ele poderia se mudar a qualquer momento. Como ele suspeitava, as portas que não eram as portas duplas da entrada principal eram entradas laterais que conectavam o interior da casa ao mundo exterior. Talvez tivessem sido construídas para facilitar o transporte de coisas para dentro e para fora, em vez de depender apenas da entrada principal. Como portas de serviço ou dos fundos.

Da mesma forma, havia mais duas dessas portas situadas na parte de trás da casa. Novamente, pareciam ter sido instaladas para facilitar o transporte de coisas para dentro e para fora da espaçosa casa.

Havia uma sala de estar, sala de jantar, cozinha, alguns quartos e alguns grandes depósitos também. E, finalmente, um quarto tipo escritório também, o que era surpreendente para uma casa de fazenda...

— Então é isso que significa ser um fazendeiro rico, hm? — Ryo murmurou baixinho para si mesmo.

A característica mais surpreendente do interior da casa era o enorme balcão de cozinha preto. Feito de um material que se assemelhava a granito, era um espaço extremamente útil para um cozinheiro. Era um mobiliário que indicava quem realmente detinha o verdadeiro poder nesta casa.

A visita à casa continuou...

Mas então Ryo notou algo infeliz.

— Não tem banho...

Seu rosto poderia ter passado por uma escultura representando a palavra “desespero”.

— B-Bem, não, não tem... No entanto, se for absolutamente vital para você, Ryo...

— É...

Quando viu a expressão de desespero de Ryo, Riplait também se encheu da mesma emoção por sua própria supervisão. Sim, o desespero é contagiante.

Abel era o único completamente impassível. — Acho que você vai ter que fazer um você mesmo, hã?

Sua sugestão, lançada tão casualmente, trouxe Ryo de volta à vida.

— Oh, meu Deus! Você está absolutamente certo! Eu posso fazer eu mesmo! Riplait, preciso de permissões ou algo para fazer reformas?

— Não, de forma alguma. Essa é, na verdade, uma das razões pelas quais recomendo esta propriedade. Se você morasse dentro da cidade propriamente dita, teria que solicitar todo tipo de aprovações das autoridades relevantes... mesmo para reparar as paredes de sua própria casa, por exemplo. Mas em terrenos *fora* dos muros da cidade, como aqui, você pode fazer o que quiser, contanto que não invada as estradas principais. O que significa que, claro, você pode instalar seu próprio banho. Se você solicitar, também podemos ajudá-lo a contratar um carpinteiro de boa reputação e outros artesãos — respondeu Riplait, o desespero que cobria seu rosto um momento antes não estava mais lá.

— Maravilhoso. Então, podemos discutir o preço...?

— Certamente. Incluindo a propriedade em si, mais toda a papelada e procedimentos necessários, o total é de cinquenta milhões de florins. O que você acha? Eu arredondei o preço para o número inteiro mais próximo.

— Eu compro.

Ryo decidiu na hora. Para ele, sua localização fora da cidade não era problema. Em primeiro lugar, ele não era o tipo de aventureiro exemplar que ia à guilda todos os dias para aceitar trabalho. Em segundo lugar, ele conhecia muitos restaurantes fantásticos, incluindo o The Fill-Up Station, perto do portão leste. Embora a comida nesses estabelecimentos fosse voltada para plebeus, eles estavam muito acima do padrão com a comida deliciosa que serviam. Um terceiro grande ponto a favor desta propriedade era o quão mais perto ela estava da biblioteca do norte e da residência do marquês, que ficava ainda mais ao norte, do que o dormitório da guilda.

Mas a maior vantagem de todas era o enorme quintal. Era ainda maior do que a área dentro da barreira na Floresta de Rondo. Ele definitivamente não havia previsto algo deste tamanho. Embora estivesse desapontado com a falta de um banho, poder fazer o seu próprio resolvia o problema.

Então, no que dizia respeito a Ryo, ele não tinha motivos para recusar uma propriedade com condições tão favoráveis.

O ritmo da carruagem sacudia o homem de cabelo roxo e a mulher de cabelo roxo lá dentro.

A mulher exalou baixinho. — Francamente... Sua missão era procurar o anômalo, mas você acabou matando três pessoas e depois enfrentando mais duas em combate. Diga-me, *como* isso aconteceu?

— Não é minha culpa. Eu estava operando a sonda quando, de repente, três homens vieram correndo em minha direção. Não tive escolha a não ser matá-los, já que eles me viram — respondeu o homem com naturalidade, sua postura impassível.

— E a sonda foi finalmente destruída, não foi? Você terá que retornar à torre antes de fazer qualquer outro movimento.

— Da próxima vez que eu encontrar aquele espadachim e mago... com certeza vou retribuir o favor. — Pela primeira vez, o homem de cabelo roxo finalmente mostrou alguma emoção em resposta ao comentário de sua companheira.

— *Se* você consegue, essa é a questão.

— As *amarras* impostas a mim tornaram impossível na época derrotá-los... Mesmo assim, aqueles dois possuíam uma capacidade de combate chocantemente alta para humanos. Da próxima vez, porém...

As palavras murmuradas do homem foram tão baixas que até mesmo a mulher sentada ao lado dele teve que se esforçar para ouvi-las.

— Se eles removerem apenas um nível das amarras, posso cuidar dos dois ao mesmo tempo. Facilmente também.

— Parece-me que você está simplesmente guardando rancor agora... Bem, faça como quiser. — A mulher deu de ombros. — Mesmo que não tenhamos conseguido identificar a fonte do anômalo, já tive o suficiente desta cidade. Assim que recebermos uma nova sonda, investigaremos um local diferente. Certamente não queremos que o castelo caia, hm?

Longe ao norte da cidade de Lune.

— General, trago notícias sobre um assunto *particular*.

— Diga-me.

— Sim, senhor. O pelotão de Gamingam, que se infiltrou na cidade do Reino de Lune, retirou-se.

O homem chamado de general franziu a testa. — Elabore.

— Eles foram capturados pela guarnição da cidade e colocados na prisão, mas conseguiram escapar e decidiram que seria melhor deixar a cidade inteiramente naquele ponto.

— Capturados, foram eles? Que fracasso colossal... — O general pressionou a palma da mão na testa e balançou a cabeça ligeiramente. — Despache novos agentes. Onde mais temos nosso pessoal infiltrado e em posição?

— Excluindo o marquesado de Lune, o marquesado de Hope, os ducados de Shrewsbury e Flitwick, e a capital do Reino.

— Então nossa base sul está destruída...

— Sim, senhor. O Marquês Heinlein... Bem, ele...

O ajudante fez uma expressão amarga, refletindo a do general.

— Não importa. Esqueça-o. Não há mais nada que possamos fazer lá e eu preferiria não atiçar um vespeiro neste momento. É exatamente por isso que você precisa fazer algo sobre o marquês de Lune, já que seu domínio fica no sul.

— Entendido.

O ajudante o saudou, depois saiu da sala.

Sozinho agora, o general murmurou para si mesmo.

— Nós *temos* que chegar a tempo, não importa o custo...

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