
Volume 2 - Capítulo 11
The Water Magician
O Festival de Abertura do Porto de Whitnash, que duraria uma semana, começou com um anúncio na área principal do evento, na praça central da cidade.
— Aquele é... Abel, não é? — disse Ryo.
— Sim — confirmou Eto. — Não há como confundi-lo...
— Não acredito que ele está sentado na seção de visitantes — acrescentou Amon. — Incrível.
— Ele é realmente demais! — disse Nils.
Como espectadores em pé, eles tinham uma boa visão dos assentos dos convidados e, não importava como olhassem, um dos visitantes era quase certamente Abel. Em vez de sua roupa de aventureiro usual, ele usava trajes formais que o faziam parecer bastante digno.
— Ele é a prova de que o hábito realmente faz o monge.
O resmungo grosseiro de Ryo foi abafado pelo barulho ao redor, o que significa que os membros do grupo do Quarto 10 também não o ouviram.
— Aquela mulher sentada com ele é incrivelmente linda, não é? — disse Amon, olhando para a seção dos dignitários visitantes.
— Ah, a ruiva? — respondeu Nils. — Com certeza é.
— Sei que já mencionei isso, mas preciso lembrar de novo que ela é uma princesa imperial. Nils, isso a coloca ainda mais fora do seu alcance do que a Senhorita Nina.
Eto atingiu Nils sem piedade bem onde doía.
Nils balançou a cabeça dramaticamente. — Não, você entendeu errado. Eu não quero ficar com ela nem nada. Estou apenas apreciando a beleza dela, só isso.
— E se houvesse uma chance de vocês dois acabarem juntos, Nils? O que você faria então?
— Eu ficaria feliz da vida, é claro — disse Nils, entrando na onda de Ryo sem pestanejar.
Eto suspirou, exasperado, enquanto Amon sorria com ironia.
— Ah, qual é, não seja assim. Já que nasci homem, o mínimo que posso fazer é mirar alto!
— Antes disso, porém, você tem que vencer Abel. Então, boa sorte, Nils!
— Uhhh, não sei quanto a isso...
Justo quando Nils pareceu subitamente desanimado em mirar no topo, alguém chamou pelos quatro.
— Aha! Que bom encontrar vocês aqui, Ryo e companhia!
Ryo encontrou Lyn, da Espada Carmesim, ali quando se virou. Atrás dela estavam Rihya e Warren.
— Que sorte termos nos encontrado apesar desta multidão.
Ao ouvir a voz de Rihya, Eto passou de exasperado a nervoso.
— S-Senhorita Rihya...
— O fato de vocês três estarem aqui significa... que aquele realmente é Abel na seção de visitantes, não é?
Ryo ainda achava difícil acreditar que era Abel.
— Sim. Ele está aqui como substituto do mestre da guilda de Lune. Mas o próprio mestre da guilda chegará amanhã, e então Abel será dispensado de sua função — explicou Rihya.
— Situações como essa ocorrem às vezes, em que aventureiros de rank B representam o mestre da guilda. Normalmente, Phelps, da Brigada Branca, cumpre esse papel em nome de Lune, mas no momento, ele e seu grupo estão ocupados com a missão de transportar suprimentos de comida, então o trabalho ostensivamente coube a Abel.
— O que você quer dizer com “ostensivamente”?
— Abel nunca decepciona, hein? Ele é realmente o máximo.
Nils, que não era de se prender a detalhes, elogiou o homem que ele respeitava profundamente.
— Acho que o verdadeiro motivo do mestre da guilda em nos enviar para cá é nos separar do trabalho com a Agência em sua missão na masmorra. É a sua maneira de se vingar do Mestre Hilarion na capital depois do que aconteceu não muito tempo atrás.
A Espada Carmesim desceu à masmorra com a equipe de pesquisa dos magos reais por causa de uma carta do indivíduo chamado Hilarion. E então eles acabaram lutando contra os demônios. Portanto, não era surpresa que Hugh pudesse ter uma ou duas coisas a dizer para Hilarion, considerando que o mestre da guilda quase perdeu alguns dos lutadores mais valiosos de Lune.
Enquanto esses pensamentos passavam pela mente de Ryo, Lyn rosnou baixo em sua garganta enquanto olhava atentamente para a seção de visitantes.
— Grrr — murmurou Lyn. — A barreira que os envolve é definitivamente feita de magia de ar... É muito espessa.
— Hã? — perguntou Eto, surpreso. — Isso é magia de ar? Não é apenas uma Barreira Mágica normal?
— É, de fato, magia de ar. Acho que uma descrição mais precisa seria uma membrana defensiva em vez de uma barreira de verdade. Semelhante ao tipo que os wyverns sempre constroem ao redor de si mesmos.
— O lorde de Whitnash possui um tesouro secreto capaz de criar uma membrana de ar defensiva. Foi passado em sua linhagem familiar por gerações. Ouvi dizer que consome muita energia, tornando-a ineficiente, e é por isso que ele quase nunca a usa... Mas considerando a presença de um príncipe e uma princesa imperiais, certamente não seria bom que uma guerra eclodisse se malfeitores tivessem sucesso com sua sabotagem... Então, a ineficiência do artefato é uma desculpa fraca para não usá-lo neste caso em particular, hm?
Ryo e seus amigos ficaram espantados com as revelações de Lyn e Rihya.
Atos de terror seriam definitivamente muito problemáticos. Por exemplo, uma guerra mundial com o assassinato de um príncipe. Espero que nada de ruim aconteça.
Em seu coração, Ryo desejava fervorosamente a paz mundial.
— Mas essa princesa não é a comandante da Divisão de Magia Imperial? O que significa que seu braço direito também está aqui...
— Sim, acredito que você esteja certo...
Parecia haver um significado oculto na troca de palavras entre Lyn e Rihya.
— Ele é perigoso? — Ryo perguntou a elas, curioso.
— Sim. O vice-comandante é o aclamado Mago do Inferno do Império.
— Uau, por que isso soa tão legal?
As duas mulheres não ouviram seu sussurro por causa do barulho que aumentava ao redor delas.
— Uma história diz que ele queimou mil soldados do Reino até a morte com um único ataque. Em outra, ele explodiu um wyvern com um único golpe. Uma terceira afirma que ele aniquilou uma cidade onde um exército rebelde se entrincheirou com um único ataque.
— Eu também ouvi esses rumores — disse Eto, corado. — Mas eles são realmente verdadeiros?
— Não faço a menor ideia. Mas as pessoas insistem que tudo é verdade. E se tudo for verdade... ele certamente não é alguém com quem queiramos nos envolver, hm?
Ryo concordou privadamente com ela. Embora o apelido do homem fosse legal, ele jurou a si mesmo ficar longe dele.
Abel estava ocupado com deveres oficiais até a chegada de Hugh amanhã, então os três membros restantes da Espada Carmesim se despediram depois de dizer que planejavam aproveitar o festival. Os membros do Quarto 10 fariam o mesmo.
— Certo, pessoal! Hoje, vamos comer até explodir!
— Apoiado!
Normalmente, aventureiros de rank E e F não eram ricos. Mas os membros do Quarto 10 eram diferentes porque...
— Cara, que bom que não estragamos a encomenda do Ryo para minerar o minério de cobre mágico.
...graças à recompensa de trezentos mil florins que cada um recebeu ao completar o trabalho, eles tinham dinheiro. Nils havia comprado um relógio de bolso logo depois, mas custou apenas cerca de vinte mil florins, então sua bolsa de moedas ainda estava agradavelmente pesada.
— Ah, com licença.
— Oh, de forma alguma. Eu também peço desculpas.
Quando Ryo se virou, pronto para sair e aproveitar o festival, ele quase esbarrou em alguém atrás dele. Felizmente, ambos reagiram super-rápido e evitaram uma colisão.
— Senhor, vai parar de vadiar? Ainda temos muito o que comprar para a comandante.
As palavras chegaram aos ouvidos de Ryo enquanto ele se afastava.
◆
— Droga, cara, você sabe que eu não aguento multidões...
— Ah, então essa é a desculpa que você vai usar com a comandante? Você sabe tão bem quanto eu o quão animada ela deve estar nos esperando. Ela com certeza vai chorar se não receber uma recompensa de pelo menos peixe com batatas fritas de você depois de aguentar a seção de visitantes por tanto tempo.
O Vice-Comandante Oscar, também conhecido como o Mago do Inferno, e Jurgen, seu ajudante, foram encarregados de comprar e trazer comidas deliciosas das barracas para a Comandante Fiona.
— Eu duvido muito que ela choraria por algo assim...
O barulho ao redor abafou as palavras silenciosas de Oscar, então Jurgen não o ouviu.
— Vejamos, vejamos. Temos um mini kraken inteiro assado, panquecas superfinas e crocantes, e uma tigela de frituras... Ainda faltam o peixe com batatas fritas. Ela disse para nem voltarmos sem isso... Aha, podemos comprar ali. E olhe, temos sorte de pegar uma fila curta agora. Vamos lá, Senhor.
Com isso, Jurgen entrou na fila da barraca de comida.
— Você realmente é do tipo trabalhador, hein, Jurgen...
Nem é preciso dizer que Oscar também gostava de comida saborosa, mas não tanto a ponto de estar disposto a ficar na fila para comer um pouco, e era por isso que ele era um peixe fora d'água em situações como essa. Infelizmente para ele, sua participação era obrigatória para esta “missão” em particular.
— Senhor, por favor, certifique-se de manter a comida que já compramos quente. Não pode esfriar! Caso contrário, a comandante ficará arrasada.
A tarefa era brincadeira de criança para o homem conhecido como o Mago do Inferno. E... a única no mundo inteiro que poderia usar o dito Mago do Inferno de tal maneira era a Princesa Fiona.
◆
— Oh, perdão.
— Sem problemas.
A troca, semelhante a outra não muito longe deles, ocorreu do lado de fora da área de assentos para os dignitários visitantes. Desta vez, foi entre o terceiro príncipe do Império Debuhi, Conrad, e Abel, atuando como substituto do mestre da guilda de Lune. Ambos haviam descido da plataforma ao mesmo tempo.
— Se bem me lembro — disse Conrad —, você é o Lorde Abel e está representando... o mestre da guilda de Lune, não era?
— Correto, Vossa Alteza. Meu nome é Abel. Apenas Abel no momento — disse Abel, incisivo, notando a expressão de Conrad.
— Entendo. Peço desculpas por encarar. Você se parece muito com alguém que conheci uma vez.
— É mesmo? Tenho certeza que é apenas uma coincidência. Talvez meu doppelgänger.
— Você estará aqui como substituto durante toda a sua estadia?
— Não, apenas por hoje e pelo último dia do festival, já que o mestre da guilda chegará amanhã. Acredito que várias reuniões e coisas do tipo foram agendadas para todos os oficiais do segundo ao sexto dia?
— De fato. Raramente os líderes de estado, os chefões das guildas e os lordes da região se reúnem assim, então, naturalmente, nossos itinerários estão lotados de conferências e tudo mais. — Conrad encolheu os ombros e balançou a cabeça em um gesto de “o que se pode fazer”.
— Meus pêsames, então.
— Lorde Abel, tenho certeza que quando você voltar para casa... Ah, minhas desculpas. Ignore-me. Estou simplesmente falando sozinho. Minha irmã mais nova está aqui comigo também, mas estou deixando o aproveitamento das festividades para ela. — Um sorriso alegre acompanhou suas palavras.
— Oh, sim, ela estava sentada na mesma seção que nós mais cedo. Lady Fiona, comandante da Divisão de Magia Imperial.
— O título dela o incomoda, afinal, Lorde Abel?
Por um momento, apenas uma fração de segundo, um brilho agudo passou fundo nos olhos de Conrad, mas Abel não o perdeu.
— Devo confessar que não tenho ideia do que Vossa Alteza está se referindo. Embora eu suponha que se a comandante está aqui, então naturalmente, o vice-comandante a acompanhou também, sim? Aquele apelidado de Mago do Inferno...
— Bem, não posso confirmar nem negar, já que isso é informação classificada para os militares...
Apesar de Conrad fingir evitar a questão, ele não tinha a menor intenção de esconder o fato de que o Mago do Inferno, Oscar Luska, também estava presente. Porque tudo o que ele dizia e fazia era manobra política, uma demonstração de força. Era assim que o Império operava.
— Ah, tenho muito a discutir com o lorde de Whitnash, mas tenho certeza de que nos encontraremos novamente em breve.
Com essa observação de despedida, Conrad se afastou de Abel.
— Ugh, eu realmente não consigo lidar com ele... — Abel murmurou para si mesmo. — Nunca serei bom em coisas assim, hein?
◆
— Haaa, estou tão cansada — disse Fiona, desabando em sua cama.
— Vossa Alteza, por favor, pare de agir de maneira tão pouco feminina. Esta é a segunda vez em dois dias que tenho que repreendê-la — repreendeu sua ajudante e empregada Marie, assim como na noite anterior.
— Não é minha culpa! Você não tem ideia de como é irritante sentar como uma princesa adequada enquanto todo mundo me observa como um falcão!
— Não há o que fazer. Afinal, você é, sem dúvida, uma princesa, minha senhora... Dito isso, você deveria estar acostumada a ser o centro das atenções, considerando a frequência com que os membros da divisão a encaram quando você está trabalhando.
— Eles não contam. Eu conheço os rostos deles e eles conhecem o meu. Mas ter tantas pessoas que não conheço me observando assim parece... não sei...
— Desagradável, talvez?
— Estranho.
— Entendo... Como esperado, eu realmente não entendo o que quer dizer, Vossa Alteza.
Mesmo enquanto conversava com Fiona, Marie ajudou a princesa a tirar o vestido e o pendurou para não amassar. Fiona então prontamente vestiu o traje que sempre usava como comandante da divisão.
— Ahhh, essas roupas são realmente as melhores. Funcionais e fáceis de se mover.
Enquanto conversavam, uma batida soou na porta. A dupla que fora enviada para fazer compras havia retornado.
— Estamos de volta, Vossa Alteza.
— Puta merda, estou exausto.
O Ajudante Jurgen e o Vice-Comandante Oscar, afligidos por uma sensação de fadiga.
— Você também, Vice-Comandante...?
— O que você quer dizer?
— Sua Alteza disse essencialmente a mesma coisa quando nos retiramos para cá após a cerimônia...
Com um aceno de cabeça, Marie começou a preparar chá para todos eles.
— E-Eu só não consigo lidar com multidões. É só isso. — Por algum motivo, Oscar falou em um tom arrogante.
— Deixe-me dizer, Marie, ele quase colidiu com alguém. Quase. Eu nem sei como ele não o fez.
— Sim, foi por pouco. Fiquei com medo de derrubar toda a comida que estava carregando se o fizéssemos. Mas a única razão pela qual não o fizemos não foi por minha causa. Foi o outro cara. Ele reagiu muito rápido e se moveu para me evitar. Muito incrível para alguém que parecia um aventureiro e um mago.
Oscar reaqueceu a comida enquanto pensava no encontro.
— Tudo está bem quando acaba bem. Enfim, vamos comer.
As palavras de Fiona deram início à festa do chá da Divisão de Magia Imperial.
◆
O segundo dia do festival de abertura do porto.
— Ouvi dizer que também há algumas lojas perto do porto.
Às palavras de Amon, o quarteto do Quarto 10 dirigiu-se ao calçadão. Até agora, eles haviam lançado sua própria conquista contra as barracas que se alinhavam na avenida principal, mas hoje, eles iriam em uma direção totalmente diferente. O que não mudaria era que a maioria dos pratos ainda girava em torno de frutos do mar.
— Não, não pode ser... O molho deste peixe grelhado no sal... é molho de soja defumado...?
Ryo ficou comovido com sua primeira experiência com molho de soja desde que deixou sua vida na Terra para trás.
— Esta massa de farinha frita enrolada se chama... crê-pe? As coberturas doces são deliciosas.
Eto saboreou um crepe que apareceu de sabe-se lá onde, sob uma placa que celebrava a estreia da comida neste país.
— Estou adorando essa combinação de filé de atum assado com um bocado de arroz. — Amon continuou voltando para mais pedaços do que parecia ser sushi feito com cortes gordurosos e assados de atum.
As bochechas de Nils estavam cheias de mordidas do abble, semelhante a uma maçã do amor. Ele segurava dois espetos em cada mão. — Não me canso deste abble coberto com a calda doce endurecida!
Enquanto comiam outras coisas além de frutos do mar, os quatro se moveram para dar uma olhada no navio rápido, Rain Shooter, em exibição no porto. Ryo foi quem estava ansioso para vê-lo, então ele convenceu os outros a irem com ele, embora eles não estivessem muito interessados em primeiro lugar. Mas agora, ao ver seu exterior elegante, eles não conseguiam desviar o olhar.
— É... lindo...
— Que design excêntrico.
— Adoraria vê-lo em ação em mar aberto.
Nils, Eto e Amon ficaram hipnotizados.
— Ei, vocês acham que este é o navio de que estavam falando a caminho de Whitnash? — Nils acrescentou distraidamente.
Com trinta metros de comprimento, sua forma era a de um trimarã. Tinha um casco grande na parte inferior, que tocava a água no centro, e cascos menores mais baixos em cada lado, tornando-o mais resistente ao rolamento do que um catamarã com dois cascos inferiores. Naturalmente, ninguém neste mundo jamais tinha ouvido os termos trimarã, muito menos catamarã. Levando esse fato em consideração, o Rain Shooter era um navio inovador.
Mas essa não era a única coisa que fascinava Ryo.
— Não tem velas... — ele sussurrou.
— Nem remos — acrescentou Eto.
Não era nem um veleiro nem um barco a remo. Claro, também não era um navio a hélice.
Amon inclinou a cabeça, pensativo. — Gostaria de saber como ele se move.
Enquanto os três consideravam os mecanismos do navio, Nils se aproximou de alguém próximo que parecia fazer parte de sua tripulação. — Com licença, pode nos dizer como este barco funciona? — ele perguntou.
— Sim, recebo muito essa pergunta. — Eles sorriram alegremente. — Magia de ar o impulsiona. Um jato de ar é soprado para trás acima da linha d'água, enquanto magia de água opera abaixo do mar.
Um incrível híbrido de jato e jato d'água!
— Isso significa que magos de ar e de água fazem parte da tripulação...?
— Não. Algum tipo de alquimia usando pedras mágicas, supostamente. Eu também não sei os detalhes.
Então o membro da tripulação voltou ao trabalho.
— Uaaau.
Era impossível saber quem proferiu aquele som de espanto...
— Eu realmente quero vê-lo cortando as ondas — murmurou Eto.
Nils olhou ao redor e avistou uma placa. — Olhem, diz que eles vão lançá-lo amanhã à tarde para os dignitários visitantes.
— Oooh.
Os quatro ficaram ainda mais empolgados com a perspectiva de mais um evento divertido. Então Nils encontrou outra coisa e começou a ler.
— O que foi, Nils?
— Parece que há algum tipo de competição amanhã de manhã... A '30ª Corrida de Barcos de Duas Pessoas, Divisão dos Aventureiros'. E, até esta manhã, ainda há vagas abertas para inscrição...
— Por que há uma divisão de aventureiros?
Eto, Amon e Ryo falaram em uníssono.
— Deixe-me ver o que diz... ‘A participação não é estritamente limitada a aventureiros (o uso de magia é proibido), mas ataques com remos são permitidos na segunda metade, então indivíduos robustos são preferíveis.’
— Essa corrida parece insana... — Ryo deixou escapar sem pensar.
— As inscrições são na tenda ali, hein...
— Nils, você está realmente pensando em participar? — perguntou Amon.
— O vencedor do primeiro lugar recebe trezentos mil florins, o segundo lugar recebe cem mil...
— De jeito nenhum!
Ryo e Eto observaram Nils e Amon prestes a sucumbir ao poder do dinheiro.
— Ryo... O dinheiro é uma coisa assustadora, não é?
— Eto... vamos rezar pelo bem-estar deles.
Depois disso, a dupla Nils-Amon se inscreveu com sucesso na última vaga aberta.
— Oh, eles estão fazendo tiro ao alvo.
— Tiro ao alvo?
O jogo envolvia atirar em um alvo flutuando no mar a partir do porto.
Mas a escala desta versão de tiro ao alvo é muito diferente da de um festival típico na Terra...
Neste jogo, o alvo mais distante, balançando em mar aberto, estava a cem metros de distância. Parecia incrivelmente difícil de acertar, o que explicava por que nenhuma flecha o havia alcançado ainda, enquanto o alvo mais próximo, a apenas trinta metros, estava cheio de flechas.
— Nós... não temos um único arqueiro entre nós, hein... — Nils murmurou enquanto olhava para os rostos dos outros três.
— Espere — disse Ryo. — Abel não sabe usar um arco...?
— Com certeza sabe. Eu o vi disparar um monte durante a Grande Maré e devo dizer, ele foi incrível! Tão bom que seria fácil confundi-lo com um arqueiro profissional.
— Não, não sou tão bom assim.
Nils congelou ao ouvir a voz de Abel vindo de repente de trás dele. Eto e Amon também pareceram surpresos. Ryo foi o único impassível, pois o havia notado. Na verdade, ele havia deliberadamente direcionado a conversa para seu amigo porque percebeu que ele estava andando em direção a eles.
— Você está sozinho, Abel? Onde está o resto do seu grupo?
— Provavelmente vagando por aí, conferindo as barracas... O Mestre da Guilda finalmente apareceu não faz muito tempo, o que significa que estou livre de todo aquele trabalho oficial...
Ele segurava um mini kraken assado inteiro em uma mão. Parecia exatamente com lula grelhada no Japão.
— Ah, isso com certeza é gostoso, hein!
Nils havia comido a mesma coisa ontem. Sua voz se animou quando percebeu que ele e a pessoa que mais admirava compartilhavam o mesmo gosto por comida.
— Sim, é mesmo. Há uma tonelada de comida deliciosa à venda, hein? Estou meio preocupado que as pessoas vão à falência.
— Isso significa apenas que você tem uma oportunidade de demonstrar sua generosidade! ‘É por minha conta, então comam o que quiserem!’ Vá em frente, tente dizer isso.
— É, não. Nem em um milhão de anos.
Enquanto conversavam, ao lado deles, Eto e Amon aceitaram o desafio do jogo de tiro ao alvo. Uma rodada custava cinquenta florins. Acertar o alvo a cem metros de distância renderia cinco mil florins. O alvo mais próximo, a trinta metros de distância, também retornava um respeitável prêmio de quinhentos florins. Cada um comprou cinco flechas e, sonhando em ficar rico rapidamente, miraram no alvo mais distante.
— Lá vou eu!
Eles atiraram com ânimo, mas... nenhuma flecha acertou o alvo. Todas caíram antes.
Acabei de perceber que nunca usei um arco... Comparado a mim, então, acho que ambos são incríveis por conseguirem fazer suas flechas voarem qualquer distância.
Depois de ficar impressionado com Eto e Amon, Ryo se virou para Nils.
— Nils, você não quer tentar?
— Heh heh heh. Você vai levar o maior susto da sua vida, Ryo, quando souber que eu nunca sequer toquei em um arco.
— Na verdade, estou chocado porque era exatamente isso que eu esperava.
Ao lado deles, Abel tremia de alegria, tentando abafar o riso.
— Abel, não tem tanta graça.
— O-Olha, eu tentei muito não rir, ok? Ufa. Desculpe, desculpe. Não estou rindo de você ou zombando de você. Você apenas me lembra tanto de mim mesmo antigamente que não pude evitar de rir...
— Entendo que isso significa que você não era muito bom em usar um arco, então?
— Eufemismo do século. Como Nils, eu nunca tinha tocado em um, porque a espada sempre foi a minha única e exclusiva. — Ele bateu na espada em sua bainha pendurada nas costas. — Mas isso não cola quando você se torna um aventureiro, então... sabe como meu grupo não tem arqueiros? Bem, é por isso que comecei a praticar como um louco com um arco.
Enquanto isso, Eto e Amon voltaram do jogo de tiro ao alvo, sem ter exatamente nada para mostrar por seus esforços.
— Não é fácil usar um arco, hein?
— Eu nem cheguei perto.
Os dois jovens pareciam irremediavelmente desapontados.
— Abel, hora de você nos mostrar sua coragem agora. Por favor, mostre aos seus juniores como um veterano usa o arco — disse Ryo, tentando provocá-lo.
Abel franziu a testa em desagrado. — Não, estou bem, já que sou um espadachim e tal...
— Você consegue, Abel. Eu sei que você consegue.
Enquanto Ryo e Abel discutiam, Nils, por algum motivo, foi comprar uma única flecha.
— Aqui, Abel.
Apenas uma flecha... Nils, você está elevando demais a barra ao dizer a ele para acertar o alvo de uma só vez.
Até Ryo sentiu um pouco de pena de Abel agora, mas a expressão de Abel permaneceu inalterada enquanto ele pegava o arco e a flecha de Nils. Ele se posicionou silenciosamente, armou a flecha e então disparou.
— Uauuuuuuuu!
Gritos irromperam. A flecha perfurou o alvo, balançando e oscilando a cem metros de distância no mar, em uma esplêndida demonstração de sua habilidade.
— Você realmente é a estrela do show... — Ryo sussurrou sem pensar.
— Oh, uau, oh, uau, oh, uau.
— Então é isso que significa ser um aventureiro de rank B...
— Abel, você é incrível pra caramba.
Amon, Eto e, claro, Nils estavam todos incrivelmente empolgados. Abel era o mais calmo, apesar de ter sido quem acertou o alvo. Ele devolveu o arco ao vendedor e recolheu seus ganhos. Uma grande aclamação surgiu quando ele o fez.
— Eu estava me perguntando o que era todo esse barulho. É claro que você é o motivo, Abel — disse Lyn enquanto ela e o resto da Espada Carmesim apareciam.
— Oh, Abel, vejo que você foi libertado de seus deveres oficiais, hm? — acrescentou Rihya.
Atrás delas estava Warren, carregando muitas coisas.
— Pessoal, sério... Por que vocês têm tanta coisa? Compraram todas as barracas? Caramba.
O rosto de Abel se contraiu com a montanha de itens que as duas haviam forçado Warren a carregar.
Rihya bufou com arrogância. — A vida de uma mulher é complicada, logo ela precisa de muitas coisas.
— Exatamente. Eu não poderia ter dito melhor. — Lyn sorriu com pesar. — Deixa pra lá que a maior parte das compras foi apenas Rihya fazendo isso como alívio do estresse.
Então ela se inclinou para sussurrar suavemente para Ryo: — Rihya tem estado de péssimo humor sem Abel.
— Entendo...
Isso fazia todo o sentido para Ryo.
— Certo, Nils, hora de nós quatro verificarmos o que está acontecendo ali. Abel, muito obrigado por nos mostrar o quão talentoso você é.
— Uh, claro. A qualquer hora. Vejo vocês por aí.
Então Rihya agarrou o braço de Abel e o arrastou em direção à rua principal.
— Abel é um deus entre os homens!
— E a Senhorita Rihya... é uma deusa.
— Talvez eu devesse aprender a usar um arco também.
Nils, Eto e Amon comentaram em sequência. Embora, a essa altura da história, provavelmente não seja mais necessário apontar quem disse o quê.
◆
— Este aroma sedutor... Poderia ser... — murmurou Ryo.
— Cheira muito bem. As especiarias realmente abrem o apetite, não é? — disse Eto.
Nils assentiu. — Oh, sim, estou com fome.
— Mas você estava segurando abbles doces em ambas as mãos mais cedo, Nils — disse Amon.
Todos os três foram atraídos pelo cheiro cativante que vinha do outro lado da rua. Quando eles espiaram dentro do restaurante...
— Curry de frutos do mar!
...Ryo gritou animadamente com a descoberta inesperada.
— Curry, de fato. Podemos encontrá-lo em Lune também, mas eu só comi algumas vezes na vida, pois é muito caro — disse Eto enquanto cheirava com apreço. Era uma visão rara.
— Certo, vamos comer aqui, pessoal. Ou então eu morrerei de fome.
— O cheiro definitivamente faz meu estômago roncar também. Esta será a minha primeira vez comendo curry.
Nils sentou-se e Amon fez o mesmo. Cheio de altas expectativas, este último folheou o menu.
— Eu vou querer o curry de frutos do mar.
— Hm. O curry da casa para mim.
— Uma porção enorme de curry de carne para mim!
— Eu vou querer o especial do chef, o curry super extra picante.
Ryo, Eto e Nils deram seus pedidos um por um. Amon, o último a fazê-lo, escolheu o curry super extra picante para seu primeiro desafio de curry... E ao ouvir seu pedido, os outros membros do grupo do Quarto 10 tremeram de medo.
— A-Amon, você não acha que está exagerando um pouco no desafio...? — disse Ryo.
— Você percebe que não é apenas extra picante, mas super extra picante, certo...? — disse Eto.
— Não se preocupe, Amon. Eu te dou cobertura. Eu cuidarei das suas coisas depois que você morrer! — disse Nils.
Cada um deles torceu por Amon à sua maneira.
— Eu amo comidas picantes, então acho que vou ficar bem — disse Amon, com uma expressão extremamente indiferente.
Todos os seus curries pareciam deliciosos enquanto o garçom colocava os pratos na frente deles. Se o curry da Estação Enche-Bucho em Lune era a personificação do curry japonês, então este curry poderia ser considerado “curry japonês estilo ligeiramente javanês”. Tinha um sabor maravilhoso. Qualquer curry acima da média era delicioso!
Quanto a Amon, com quem todos se preocupavam...
— Isso é incrivelmente bom! O nível de pimenta também não é avassalador. Ele te atinge nos momentos certos.
O curry foi muito bem recebido. Depois de ouvir o comentário de Amon, Nils decidiu experimentar uma mordida... o que quase o mandou para o outro mundo ali mesmo.
— Não se preocupe, Nils. Nós cuidaremos dos seus assuntos depois que você morrer...
— Deve ser intensamente ardente, hein?
Ryo e Eto estavam ambos interessados no ardor, mas se contentaram em apenas observar. Afinal, a curiosidade matou o gato... e o ditado era particularmente apropriado nesta situação.
Amon pediu outro prato de curry super extra picante porque gostou muito. Nils, tendo experimentado o tremendo calor do prato em primeira mão, estremeceu em resposta.
◆
Naquela noite, três figuras sombrias se agitaram na escuridão de Whitnash.
— Relatório de status.
— Tudo está correndo bem. Estamos livres para prosseguir a qualquer momento após o quarto dia.
— Quando a maioria deles se reunirá?
— A festa no jardim na última noite. Será realizada no pátio da residência do lorde.
— Lá fora, hein? Conveniente para nós. Executaremos o plano então.
— Entendido.
◆
O terceiro dia do festival de abertura do porto chegou. Com ele começou a batalha de Nils e Amon na corrida de barcos. Cheios de energia desde o momento em que acordaram pela manhã, eles se dirigiram ao local da 30ª Corrida de Barcos de Duas Pessoas, Divisão dos Aventureiros.
Uma visão chocante os aguardava lá.
— Que diabos você está fazendo aqui?
— Some daqui. Essa é a minha fala.
Dan, residente do Quarto 1 do dormitório da guilda, também havia entrado na corrida. Ryo e Eto podiam ver a troca de suas cadeiras nas arquibancadas dos espectadores também.
— Aquele é definitivamente Dan, não é?
— Nils não está recuando, hein?
Suas suspeitas foram confirmadas pela atitude agressiva de Nils. Os capangas de Dan sentaram-se a uma pequena distância dos dois. Pelo que Ryo se lembrava, todos deveriam ser homens, mas ele notou uma garota no grupo deles agora.
Espera, o quê? Aquela não é... a garota que Dan salvou no pátio do dormitório...? Acho que ela faz parte do grupo dele agora? Ela parece muito preocupada com ele, então não me diga que ela está apaixonada por ele...
Perplexo, Ryo inclinou ligeiramente a cabeça.
— Algo errado? — Eto seguiu o olhar de Ryo. — Aqueles são os parceiros do Dan?
— Sim. Você vê a garota com eles? Ela é a que ele salvou antes.
— Oh ho, não me diga! Aquela é Sasha do Quarto 2. Eu a conheço, já que ela é uma sacerdotisa como eu. Embora ela ainda tenha apenas dezesseis anos, ela já é bastante talentosa. Os outros no Quarto 2 foram recrutados por diferentes grupos de rank E. Tenho quase certeza de que Sasha também deveria ter sido... Mas com base no que estou vendo agora, acho que ela se juntou ao grupo de Dan, hm? Pelo que sei, eles nunca tiveram um sacerdote em seu grupo, então adicioná-la à formação tornará a composição do grupo deles muito bem equilibrada.
Ryo não ficou surpreso ao saber que Eto estava por dentro das fofocas do dormitório. Enquanto conversavam, os competidores da corrida de barcos se preparavam. As regras eram simples. Cada dupla de dois homens embarcava em seu barco fornecido pelos organizadores da corrida com seus dois remos cada, remava até boias a quatrocentos metros da costa, contornava-as e retornava.
Havia apenas um porém: no momento em que os competidores passavam pelas boias, outras equipes podiam atacá-los com seus remos.
O uso de magia era proibido, assim como embarcar em outros barcos. Ambos os pés, do calcanhar ao dedo, também deveriam permanecer dentro de seus respectivos barcos o tempo todo. Além disso, os participantes não podiam usar nenhuma arma além dos remos. Eles poderiam, no entanto, usar seus próprios corpos.
Regras simples, mas violentas. O evento era imensamente popular entre as pessoas, e a trigésima corrida significava uma tradição que se estendia por aproximadamente cento e cinquenta anos...
Os trinta barcos se alinharam na linha de partida. Então, os tons vibrantes da fanfarra marcaram o início da corrida! Todos os trinta pares de remos cortaram a água de uma vez. Na primeira parte da viagem até as boias, ninguém podia atacar os outros, então eles se concentraram unicamente em chegar lá.
Mas vamos fazer uma pausa aqui e considerar a situação. Um barco de dois homens... Todo mundo sabe como eles se parecem por fotos e vídeos, mesmo que nunca tenham entrado em um... Então você sabe em que direção os remadores ficam? Isso mesmo, eles remam de costas para a direção da viagem.
Existem barcos que não funcionam assim? Sim, mas certamente não havia nenhum desses disponíveis aqui! A corrida deveria ser puro entretenimento, então seu objetivo era criar um espetáculo emocionante de combate marinho para os espectadores desfrutarem.
Basicamente, uma pessoa rema e a outra dá as direções... Foi assim que os organizadores da corrida explicaram a corrida aos participantes e forneceram barcos adequados. No entanto... as coisas geralmente não saíam como planejado. Se você rema sem ver para onde está indo ao lado de outras pessoas fazendo exatamente a mesma coisa... é inevitável que vocês colidam uns com os outros.
Barcos começaram a bater uns nos outros. Outros barcos encalharam. Os competidores gritavam com raiva. Em suma, um campo de batalha infernal girava fora de controle em mar aberto.
Se alguém caísse ao mar, tudo o que precisava fazer era voltar para seus barcos por conta própria e poderia retomar a corrida. Mas se caíssem na água inconscientes, precisariam ser resgatados pela equipe do evento de prontidão no oceano, caso em que seriam automaticamente desqualificados. Que imagem horrível pintada no mar.
— Estou tão feliz por não ter sido fisgado pelo dinheiro...
— Eto, eles podem precisar dos poderes de um sacerdote, não acha?
— Ahhh, estou fora de serviço no momento... Infeliz, não é?
Mesmo enquanto Ryo e Eto se encolhiam e exclamavam de surpresa nas arquibancadas, eles não conseguiam tirar os olhos do pandemônio que se desenrolava.
Em assentos a alguma distância daqueles dois, quatro cidadãos imperiais observavam o caos com atenção igualmente absorta.
— Esta competição é ainda mais dura do que eu esperava — opinou Fiona, uma princesa imperial e comandante da Divisão de Magia Imperial.
— A incapacidade de usar magia definitivamente também não está facilitando as coisas.
— Bem, se eles permitissem magia, a corrida terminaria em um instante... — O Ajudante Jurgen e o Vice-Comandante Oscar pareciam inquietos.
— Mestre... Você sabe que nem todo mundo é capaz de usar magia tão poderosa quanto a sua, certo?
— Talvez, mas pelo menos, não estou errado no seu caso, Comandante. — Oscar rebateu a observação de Fiona com a sua própria, em tom irritado. Eles a tratavam por “Comandante” em vez do usual “Vossa Alteza” porque não sabiam quem poderia estar ouvindo.
— De qualquer forma, eles só podem usar remos para atacar, então esta discussão é irrelevante. — Marie, ajudante e empregada, encerrou a discussão inútil. — Deixando isso de lado, vejo que você ficou bastante afeiçoada a essa comida chamada ‘crepe’, Comandante. Você comeu um pouco ontem também.
Ela parecia surpresa ao ver Fiona saboreando o crepe de aparência deliciosa. Embora Marie cuidasse da princesa há quase dois anos, esta era a primeira vez que via a garota obcecada por comida. Sua senhora não desgostava de nenhuma comida, mas também não tinha nenhum favorito em particular. Pelo menos essa era a impressão de Marie...
— Porque é escandalosamente gostoso. Adoraria colocá-lo no menu do refeitório do centro de treinamento...
— Absolutamente não — disse Oscar sem hesitação.
— M-Mestre, por favor, estou implorando...
— O centro de treinamento é um lugar estritamente dedicado ao treinamento e exercícios militares. O menu do refeitório foi cuidadosamente selecionado para incluir apenas itens saudáveis. Doces não se enquadram nessa categoria.
Apesar do posto de vice-comandante de Oscar, ele também era seu mentor, então sua palavra era lei para Fiona. No entanto, ela simplesmente não conseguia desistir da questão dos crepes.
— Então eu vou apenas convocar um crepeiro para o castelo...
Oscar não ouviu seu sussurro suave. Ou talvez ele apenas fingiu não ouvir...
— B-Bem, acho que todos concordamos e agradecemos pela multidão de barracas de comida deliciosa aqui, certo? — disse Jurgen, fazendo o seu melhor para acalmar os ânimos e fazer a conversa avançar...
◆
A batalha no mar abaixo atingiu seu clímax. Os dois barcos líderes estavam lado a lado em sua corrida para ultrapassar a linha de boias.
— Aquele é... Nils e Amon, não é...
— E o outro barco é o de Dan...
Ryo e Eto bebiam suco de laranja espremido na hora e suco de abble enquanto assistiam à competição se desenrolar de seus assentos nas arquibancadas dos espectadores. Ligados profundamente pelo destino, Nils e Dan lutavam pela liderança. Bem, ambos os barcos trabalharam duro para que isso acontecesse.
Amon remava enquanto Nils estava de pé no barco. Recusando-se a ser intimidado, Dan também se levantou. E os dois aventureiros se encararam. Nils gritou algo e Amon respondeu aumentando a velocidade do barco, levando-o a uma distância de colisão do barco de Dan.
Então os remos começaram a se chocar. Pá, estocada, pá, pá, pá...
— Acho que Nils e Dan são incríveis por conseguirem lutar assim em cima de um barco balançando.
— Não é à toa que são espadachins!
Ryo e Eto não podiam ser os engraçadinhos de suas respectivas duplas sem seus homens sérios para contracenar.
Apesar de Nils e Dan serem ambos aventureiros de rank E, a luta dos dois espadachins era, no entanto, feroz. Cada um já havia quebrado um dos remos do outro, então ambos estavam usando seus segundos remos. Mesmo enquanto se enfrentavam, seus dois barcos avançavam pouco a pouco, mas outros barcos os ultrapassavam em seu desejo de evitar o combate sem sentido.
A plateia não estava prestando atenção na corrida em si, porque eles se concentraram totalmente em Nils e Dan.
— Isso aí! Bate nele! Joga essa bunda na água!
— É disso que eu tô falando! Finge pra direita e empurra a bunda dele pra dentro!
— Bate nele por cima, cara! Por cima!
— Faz um buraco no barco dele e afunda!
— Esqueçam os remos e apenas usem suas espadas! Cortem ele!
— Posso dizer pelo jeito que eles se movem que ambos são espadachins! Então um deles deveria apenas cortar o outro na diagonal do ombro e voltar!
Os espectadores gritavam todo tipo de coisa. E então ambos os seus segundos remos quebraram quase ao mesmo tempo em que se chocaram um contra o outro.
— Uauuuuu!
A multidão foi à loucura. Agora que ambos estavam de mãos vazias, naturalmente, a única opção era... socar um ao outro até apagar! Infelizmente para eles, seus socos não acertaram em cheio, considerando que cada jovem estava em um barco diferente com um ritmo de balanço diferente.
No final das contas, Nils e Dan eram espadachins e entendiam isso. Do nada, eles se agarraram pelas mãos e começaram uma disputa de força. Um “lock-up”, para usar um termo de luta livre profissional. Dois lutadores confiantes em sua força com os braços firmemente travados no centro do ringue. Uma batalha de vontades entre dois homens. Nenhum se moveria, mas a cena tinha um fervor misterioso que excitava a plateia.
E era o mesmo em mar aberto. Não havia vencedor ou perdedor claro em sua disputa. Eles estavam em pé de igualdade. Isso só deixou a plateia ainda mais animada.
— Aff, o barco da frente cruzou a linha de chegada...
— Tenho quase certeza de que nossos garotos vão acabar em penúltimo ou último lugar...
Eto e Ryo não se animaram nem um pouco com a disputa de força de Nils e Dan. Claro, como companheiros de grupo, eles sempre torceriam por Nils. E... era só isso. O que mais poderia ser dito a essa altura?
Então o desastre aconteceu de repente. Embora a parte superior de seus corpos e as mãos entrelaçadas não se movessem, suas pernas eram outra história. Enquanto se equilibravam em cima de seus navios balançantes... bem, menos navio e mais barco a remo... seus barcos não conseguiram mais suportar a pressão de suas posturas em pé e ambos quebraram.
Splash. Todos os quatro foram jogados no mar. A quebra do barco de uma equipe significava desqualificação automática. A equipe do evento partiu imediatamente para resgatá-los. Quando chegaram para recolher as duas duplas, encontraram Nils e Dan ainda se agarrando um ao outro...
— Os organizadores do torneio gostariam de apresentar prêmios especiais para as duas equipes que animaram a plateia. Todos, por favor, deem-lhes uma salva de palmas.
Nils e Amon, juntamente com Dan e seu parceiro, aceitaram alegremente seus prêmios especiais. Cada equipe recebeu um prêmio de dez mil florins.
— Nils, Amon, parabéns.
— Estou feliz que vocês dois voltaram em segurança.
Ryo e Eto aplaudiram, genuinamente felizes por eles. Embora Nils e Amon tivessem reclamações sobre seu desempenho... o dinheiro do prêmio colocou sorrisos em seus rostos. O poder aterrorizante do dinheiro em plena exibição...
◆
Mais tarde naquela mesma tarde, ocorreu a revelação do trimarã, Rain Shooter. Nils e Amon não perderam tempo em converter seus ganhos em comida para os quatro membros do Quarto 10. Agarrando todos os tipos de comida diferente, eles conseguiram um lugar perfeito perto da seção de assentos dos dignitários para ver o lançamento oficial do navio.
— Que diabos vocês, rapazes, tão fazendo aqui...
Hugh, o mestre da guilda de Lune, falou em voz muito baixa para Ryo e seus colegas de quarto de seu assento na beirada da seção de convidados.
— Porque este é o melhor lugar para ver o navio — respondeu Ryo.
Foi uma resposta muito razoável e precisa, mas também não era o que Hugh esperava quando perguntou.
— É-É mesmo...
Exausto da série interminável de reuniões e palestras desde ontem, Hugh aceitou sua resposta sem protestar.
— Certo, outra pergunta... Pra que diabos o Nils tá olhando que tá fazendo ele praticamente babar?
Hugh queria saber por que Nils olhava para a área de assentos dos dignitários com tanta concentração.
— Ele só está admirando aquela linda princesa imperial.
— Entendo... Certifique-se de que ele não tente dar em cima dela, senão vamos ter uma crise internacional.
— Você acha que o Mago do Inferno o queimaria vivo? — perguntou Ryo, lembrando-se do que Lyn e Rihya haviam mencionado sobre o homem.
— Oh ho, olha quem está por dentro. Sim, o Mago do Inferno é subordinado dela e ele está aqui também. Barão Oscar Luska é o nome dele. Ele é um ex-aventureiro, um plebeu elevado à aristocracia por conta de suas conquistas.
Durante a conversa, o Rain Shooter entrou no porto e deslizou vagarosamente pela água em frente aos dignitários sentados.
— Uau.
— Que lindo.
— Verdadeiramente uma revolução na construção naval.
Uma chuva de elogios veio de todos os lados. Os quatro membros do Quarto 10 não foram exceção.
— Cara, é lindo...
— Quase parece que está fluindo, hm?
— Com certeza adoraria dar uma volta nele.
— Eu me pergunto por que eles optaram pelo híbrido de jato e jato d'água.
Embora os comentários de Nils, Eto, Amon e Ryo fossem diferentes, eles estavam unidos em sua admiração pela embarcação. Até o de Ryo... isso também contava como admiração. Então, ao lado deles, veio a observação de um certo mestre de guilda.
Embora um tanto sem tato, também era inconfundivelmente admirador: — Os trezentos e setenta bilhões de florins que gastaram fazendo essa maldita coisa com certeza não foram para exibição...
◆
No quarto dia do festival de abertura do porto, em vez das barracas de comida, os quatro atacaram os restaurantes de Whitnash. O ataque deles consistia em... comprar comida e comê-la enquanto caminhavam, exatamente como haviam feito nos dias anteriores.
Eles estavam empanturrados depois que terminaram o almoço, o que significava que finalmente tinham margem para voltar sua atenção para outras coisas além da comida. O beco ao lado da avenida principal em que vagavam agora também não era tão estreito. Esta era uma característica de Whitnash, ter ruas largas o suficiente por toda a cidade para que carroças e carruagens com mercadorias pudessem passar. Portanto, havia muitos negócios com seus produtos em exposição sob os beirais de seus edifícios comerciais.
E uma loja em particular atraiu todos os quatro pares de olhos...
— Uma loja que vende apenas arcos e flechas? Que incomum — comentou Amon.
Eto e Ryo assentiram em concordância.
— Certo, rapazes, vamos entrar.
Nils abriu a porta e entrou com a maior naturalidade.
A coleção de itens lá dentro era definitivamente digna de uma loja especializada em arcos e flechas. Dezenas de arcos e bestas estavam em exposição. Arcos regulares estavam situados proeminentemente na frente para chamar a atenção dos clientes, mas havia muitas bestas mais para trás na loja também. Ryo percebeu que havia mais bestas no total.
A besta é uma arma ofensiva de longo alcance na forma de um arco colocado de lado sobre uma base de madeira. Ela exige muito menos habilidade de seu usuário em comparação com um arco regular, então qualquer um pode dispará-la. Se você encaixar a flecha, mirar em um alvo e puxar o gatilho, ela geralmente lança a flecha na direção que você quer que ela vá.
No entanto, a besta tem uma desvantagem marcante: sua incapacidade de disparar em rápida sucessão. Além disso, ao contrário de um arco regular, mesmo que você se torne um especialista com a besta, isso não melhora muito a fraqueza da arma... Não é surpresa, considerando que rearmar a corda do arco cada vez que você tem que atirar é um incômodo terrível.
Nils, Amon e Ryo vaguearam pela loja, claramente gostando de ver as mercadorias. Mas o quarto deles, Eto, o sacerdote, olhava atentamente para uma besta.
Curioso, Ryo se aproximou dele. — Eto?
— Ryo, se eu tivesse um desses, você acha que eu seria útil também?
Eto estava remoendo algo há muito tempo. Esse algo era a questão de como ele poderia contribuir na batalha ao lado de Amon e Nils.
O combate corpo a corpo era difícil. As magias de ataque também eram limitadas. Nesse caso, ele poderia fornecer ataques de suporte de médio a longo alcance. A questão, porém, era quanto tempo levaria para ele se tornar proficiente no uso de um arco. Ele havia percebido isso alguns dias atrás, durante o jogo de tiro...
Mas com uma besta... Embora não se pudesse negar que ela não podia disparar rapidamente, sua capacidade de fornecer fogo de cobertura não era de se desprezar. Especialmente durante o combate corpo a corpo, quando flechas de repente vêm voando em sua direção de um inimigo distante... Além do mais, uma vez que você está ciente da presença deles, o conhecimento sempre paira em um canto de sua mente. Em outras palavras, você não pode mais se concentrar na batalha corpo a corpo em questão.
Portanto, o dano não era apenas físico, mas também mental. As flechas te deixavam na defensiva, fazendo você pensar constantemente: “Está vindo, está vindo.” Era muito eficaz em minar a capacidade de concentração de uma pessoa.
— Vocês, jovens, estão querendo comprar bestas? — disse um velho aparentemente bem-humorado ao sair dos fundos da loja. Um único olhar para ele dizia claramente que ele era um artesão. Na verdade, sua aura poderia até proclamá-lo um mestre em seu ofício.
— Eu estou — respondeu Eto, inclinando a cabeça. — Eu estava pensando que poderia usar uma de médio alcance como suporte.
Era óbvio que ele havia pensado em uma maneira precisa de ajudar seu grupo e estava determinado a seguir em frente.
— Aha, o sacerdote, hein? Sim, então no seu caso, uma besta seria melhor para você.
Assentindo, o velho falou. Então ele inspecionou o corpo de Eto de cima a baixo. Dos quatro, ele era o mais esguio.
— Perdão. Esqueci de me apresentar. Sou Abraham Louis e sou o dono desta loja. Vou lhes contar um segredinho. Na verdade, terminei um protótipo interessante não faz muito tempo. Pode ser exatamente o que vocês, rapazes, estão procurando. Entrem.
Com essas palavras, Abraham Louis se dirigiu à oficina nos fundos da loja, e os quatro o seguiram.
Antes que Ryo pudesse se juntar a eles, seus olhos caíram em algo. Relógios. Cinco relógios de bolso e um... relógio de pulso? Nem o relógio de pulso nem os relógios de bolso eram nada parecidos com o relógio de bolso de vinte mil florins que Nils havia comprado. Um único olhar foi suficiente para dizer a alguém que eram obras-primas. O que os tornava ainda mais surpreendentes era a falta de alquimia em sua criação. Em suma, eram todos projetos puramente mecânicos...
Os fundos da loja pareciam um verdadeiro campo de tiro com arco.
— Eu não deveria esperar nada menos de um especialista em arcos...
Ao lado dele, Eto assentiu em concordância com o murmúrio de Ryo.
Abraham Louis foi até uma mesa próxima, pegou um item que estava sobre ela e voltou para eles.
— Aqui está a besta de tiro rápido que terminei esta manhã.
Era uma besta pequena que podia ser montada no braço de uma pessoa, onde se estenderia do cotovelo ao pulso. Em cima dela havia uma caixa medindo cinco centímetros de altura e tão larga quanto o braço de Eto, com uma alavanca.
— Colocando flechas nesta caixa, você pode disparar uma série delas a uma taxa bastante rápida.
Abraham Louis colocou cinco pequenas flechas na caixa e depois ajustou a besta em seu braço esquerdo. Ele mirou em um alvo a quinze metros de distância e puxou o gatilho com a mão esquerda. A primeira flecha acertou em cheio. Ele puxou a alavanca para baixo uma vez facilmente com a mesma mão. Foi tudo o que ele fez.
— Puxar a alavanca estica a corda do arco e encaixa a próxima flecha da caixa automaticamente no lugar.
— Uaaau.
Todos os quatro ficaram impressionados com a explicação de Abraham Louis.
Então ele disparou a segunda flecha. Desta vez, ele puxou a alavanca imediatamente e atirou uma terceira. Ele repetiu o processo para recarregar e disparar uma quarta e depois uma quinta vez.
— Incrível... — murmurou Eto, tão espantado que as palavras praticamente escaparam de sua boca.
— Considerando seu tamanho, este é seu alcance máximo... Eu diria que quinze metros é o limite. Mas a montagem e desmontagem são simples, tornando-a bastante portátil. O mais importante é sua capacidade de tiro rápido, assim como você viu agora.
— Uma verdadeira besta de repetição... — sussurrou Ryo, baseando seu palpite em seu conhecimento sobre o armamento da Terra. A besta de repetição, também conhecida como besta de Zhuge, apareceu desde os tempos antigos na história chinesa. Ele nunca tinha ouvido falar de uma tão pequena. No entanto, parecia familiar de certa forma.
Resoluto, Eto se virou para o ferreiro. — Eu... eu gostaria muito de comprar isso, mas... posso perguntar o preço?
— Muito obrigado — respondeu Abraham Louis com um sorriso. — Nunca teria pensado que um cliente como você, procurando por uma besta em particular, apareceria na minha loja no dia em que terminei esta coisa. Deve ser o destino... Ah, desculpe, me desviei um pouco do assunto. Você quer saber o preço, certo? Vejamos... Como é um protótipo, vou vendê-lo a preço de custo. Oito moedas de ouro ou oitenta mil florins. O que me diz?
— Eu compro — disse Eto imediatamente. Quando ele foi pegar o dinheiro, três mãos de repente se estenderam, cada uma segurando duas moedas de ouro em suas palmas.
— Hã?
— Isso é pelo bem do grupo, certo? Então deixe-nos fazer isso por você.
— Dá perfeitamente vinte mil florins para cada um.
— Você nem precisa se preocupar com isso porque eu posso simplesmente extorquir mais do Abel!
Eto ficou surpreso, Nils parecia indiferente, Amon assentiu, e Ryo... embora ele tenha dito algo tão horrível, provavelmente era uma piada. Definitivamente uma piada. Muito provavelmente uma piada... espero...
Uma vez concluída a compra da besta de tiro rápido, Abraham Louis recomendou que Eto praticasse com ela no campo de tiro com arco. Embora até mesmo iniciantes pudessem usá-la eficazmente em comparação com um arco regular, ela ainda exigia um certo grau de habilidade. Eto ouviu atentamente a explicação de Abraham Louis e depois praticou inúmeras vezes. Trinta minutos depois, ele conseguia disparar rajadas sucessivas de flechas tão rapidamente quanto o ferreiro havia feito anteriormente.
O velho e os três membros do grupo de Eto observavam de perto. Ryo de repente pensou em algo e se virou para Abraham Louis.
— Com licença, mas você também faz relógios nesta loja?
— Não, não oficialmente. Isso é apenas um hobby.
— Bem, é sobre os cinco relógios que eu vi... Nenhum deles foi feito com alquimia, foi?
— Oh ho, você tem um bom olho, filho! Você está exatamente certo. São todos relógios de estilo mecânico. — Ele entrou na oficina e voltou segurando um dos relógios de bolso. — Esta aqui é minha mais recente criação. Consegui incluir um calendário perpétuo, repetidor de minutos, turbilhão, paraquedas resistente a choques e mecanismo de corda automática.
— Uaaau...
Era gloriosamente belo. Como se o próprio universo tivesse sido comprimido em algo do tamanho de um punho... Ou, como se a própria estrutura do mundo tivesse sido incorporada a ele... Tudo nele era perfeito. Um dispositivo perfeito que poderia ser criado por um humano imperfeito. Não... poderia ser criado precisamente porque a humanidade era imperfeita. O ápice da imaginação. Verdadeiramente a obra-prima de um gênio...
◆
O quinto dia do festival de abertura do porto.
Como de costume, os quatro andaram comendo todo tipo de coisas pela manhã e visitaram um dos restaurantes mais antigos de Whitnash à tarde. Ao saírem do restaurante, ouviram o som de madeira sendo batida.
— Será que alguém está fazendo alguma coisa? — perguntou Eto.
— Parece bem energético, não é? — comentou Amon.
Quando olharam na direção de onde vinha o barulho, viram cinco homens consertando a roda quebrada de uma carroça. O dono do veículo estava ao lado deles, curvando a cabeça e agradecendo profusamente várias e várias vezes.
— Espera, o quê? Não testemunhamos a mesma coisa na viagem para cá?
Ryo relembrou uma cena que se assemelhava a esta.
— Com certeza. São as mesmas pessoas — disse Nils com um aceno de cabeça. — Eles são o grupo de rank D de Lune, Vamos Todos nos Tornar Ferreiros.
— Ah, certo, já ouvi falar deles — disse Eto.
— Não é de admirar que sejam tão bons em trabalhos de reparo — disse Amon.
— Então — Ryo se perguntou —, vamos todos simplesmente ignorar o nome do grupo?
Uma pergunta muito sensata. Ryo era uma pessoa de bom senso...? Ou nomes como esses eram perfeitamente normais para aventureiros...? Um problema difícil de resolver.
— Acho fascinante que eles também possam fazer carpintaria, apesar de serem ferreiros.
Ryo imaginava ferreiros como pessoas que criavam uma variedade de coisas usando ferro. Mas os ferreiros à sua frente estavam habilmente fabricando uma roda. Considerando a rapidez com que suas mãos se moviam, ficava claro que este grupo de homens era mais talentoso do que a pessoa comum em carpintaria também.
— Eles são caras habilidosos, hein? — respondeu Nils. — Aventureiros e ferreiros ao mesmo tempo... Loucura... — respondeu Nils. — Lembro-me de Delong dizendo que todos eles tinham trabalhos de combate na linha de frente, além de um deles ser um sacerdote.
— Bem, todos eles têm constituições fortes.
Ryo assentiu pensativamente. Mas um deles ficou espantado com as palavras de Nils.
— Um deles é... um sacerdote...?
Eles eram todos de fato muito bem constituídos. Inclusive o sacerdote. Então, talvez não fosse surpresa que o esguio Eto, também um sacerdote, ficasse atordoado com a revelação.
◆
No sexto dia, os quatro membros do Quarto 10 se concentraram em restaurantes em vez de barracas para sua aventura gastronômica. Eles comeram em todos os estabelecimentos notáveis que conseguiram encontrar... Pode-se dizer que eles praticamente comeram em toda a lista de restaurantes da cidade.
Então, finalmente, o sétimo e último dia do festival de abertura do porto chegou. A cidade inteira estaria em festa em um festival de encerramento naquela noite para marcar o fim do evento principal.
Uma festa no jardim estava programada para ser realizada no pátio da residência do lorde. Assim que a manhã começou, a propriedade viu muitas pessoas entrando e saindo para decorar e fazer os preparativos necessários. Ao todo, incluindo comerciantes e atendentes trazidos pelos representantes de cada país, havia muitos rostos desconhecidos por lá. Falhas em sua segurança eram inevitáveis.
Mesmo assim, as horas passaram silenciosa e pacificamente até a noite sem problemas — sem contar a agitação do próprio festival de abertura do porto, é claro.
A trupe do Quarto 10 percebeu algo depois do almoço daquele dia.
— Uhhh, pessoal — disse Nils nervosamente. — Nós não paramos na guilda dos aventureiros nenhuma vez desde que chegamos aqui...
— Ah... — Eto murmurou, sem palavras.
— Espera, nós temos que passar em uma guilda toda vez que visitamos algum lugar? — perguntou Amon.
— Suponho que teremos que perguntar aos veteranos pela resposta, já que Amon e eu nos tornamos aventureiros recentemente — perguntou Ryo, curioso. Isso não havia sido mencionado no seminário para iniciantes da guilda.
— Não é uma regra em si, mas as guildas gostam de saber onde os aventureiros estão, caso precisem enviar notificações ou algo assim. Além disso, se você planeja pegar trabalhos em qualquer cidade ou vila em que esteja, é melhor avisá-los, o que causará menos problemas mais tarde... — disse Nils. Explicações como essa geralmente eram trabalho de Eto, mas Nils continuou mesmo assim. — Por que não vamos agora? Não é como se eu fosse conhecer alguém lá de qualquer maneira, mas ainda assim. Vamos passar, cuidar das formalidades e depois voltar a comer! Bom plano, certo? Aquele lugar de massa com frutos do mar que vimos na rua de trás, atrás da avenida norte, ainda estará nos esperando quando terminarmos. Ufa, ainda bem que me lembrei antes que minha obsessão pelo restaurante piorasse as coisas.
— Um milhão de agradecimentos a Lyn e aos outros por nos contarem sobre isso.
E então os quatro membros do grupo do Quarto 10 partiram em direção à guilda dos aventureiros de Whitnash.
A guilda dos aventureiros de Whitnash era enorme. Não era tão grande quanto a de Lune, já que aquela cidade era considerada a maior da fronteira, mas ainda era bastante grande para a maior cidade portuária do Reino de Knightley. Havia muitos aventureiros e comissões.
— Acho que esta é a primeira vez que vejo uma guilda tão grande além da de Lune... — disse Eto, impressionado.
— Sim, o mesmo — concordou Nils.
Apesar do final da tarde, muitas pessoas estavam dentro do prédio. A guilda de Lune geralmente estava deserta a essa hora.
— Será que o festival tem algo a ver com a quantidade de pessoas aqui agora...
Ninguém comentou sobre a estranha observação de Ryo... Porque Nils, que normalmente seria o primeiro a responder, avistou alguém que não deveria ter visto.
Alguém que o avistou ao mesmo tempo.
— Por que diabos você está aqui?
— Dane-se. Essa é a minha fala, idiota.
Assim foi a troca de palavras entre Nils e Dan, como um par de bandidos se enfrentando.
Sim, de fato, Dan do Quarto 1 e seus lacaios também estavam na guilda. Embora Nils e Dan se atacassem agressivamente, todos os outros se cumprimentavam educadamente. Além dos dois, o resto considerava o incidente nos campos de treinamento água passada...
Em particular, Amon, que havia se juntado a Nils para a corrida de barcos, e o batedor com quem Dan se associou na mesma competição conversavam amigavelmente. Sem culpa alguma, os dois haviam sido envolvidos no impasse de Nils e Dan, além da destruição resultante de seus barcos e sua subsequente queda no oceano. Então, uma espécie de vínculo se formou entre eles.
E havia também...
— Oh, você não é Sasha do Quarto 2? Faz algum tempo que não te vejo. Como você está?
— Sou eu mesma e olá para você também, Eto do Quarto 10. Estou bem. Espero que você também esteja bem.
...o sacerdote e a sacerdotisa de seus respectivos grupos que se cumprimentaram.
Isso deixou Ryo sozinho. Como ele não tinha nenhum conhecido no outro grupo, ele simplesmente disse seus olás antes de dar uma olhada no quadro de avisos.
— Espera, vocês não são os dois da corrida de barcos?
— Oh, sim, são eles mesmos. Aquilo foi outra coisa, hein?
— Só para que saibam, brigar não é permitido aqui. Agora que isso está resolvido, venham beber conosco. É tudo que podem beber e comer para aventureiros durante o festival.
Então isso explicava por que tantos aventureiros estavam aqui a essa hora. Estranhamente, a razão fazia sentido para o quarteto do Quarto 10.
Álcool é proibido no refeitório da guilda de Lune, mas esse não parece ser o caso aqui. Acho que depende do local, hm?
Apesar de seus pensamentos, Ryo se deixou levar pelos aventureiros de Whitnash junto com os outros para o refeitório da guilda. Este, como o de Lune, definitivamente não decepcionou. Porque... a comida era deliciosa!
— Uau! Este peixe salgado é fan-tas-ti-co.
— Eu posso praticamente sentir o gosto do mar nesta sopa.
— Nossa, este marisco cheira tão bem assado assim, hein?
— Nunca imaginei que poderia comer lagosta espinhosa de novo...
Os quatro aventureiros de Lune desfrutaram completamente do menu de frutos do mar assim, saboreando-o muito mais do que suas aventuras andando e comendo pela cidade.
— Como as coisas estão procedendo?
— Sem problemas.
— Alguém deixou a cidade?
— O mestre da guilda dos aventureiros de Lune. Seu substituto aparentemente está participando da festa no jardim.
— Bom. Então executaremos o plano como discutido.
E as pessoas tendo uma conversa tão suspeita também estavam lá...