The Water Magician

Volume 2 - Capítulo 8

The Water Magician

Vamos retroceder um pouco no tempo.

Natalie saiu correndo do pavilhão do Bureau, situado perto da entrada da dungeon, e dirigiu-se para a guilda dos aventureiros. Especificamente, seu destino era o dormitório da guilda. Do ponto de vista de uma pessoa comum, sua velocidade não era nada de especial. Mas para ela, era muito provavelmente a primeira e última vez em sua vida que ela correria a toda velocidade. As palavras de Abel ecoavam incessantemente em sua cabeça.

— Natalie. Se algum dia você estiver em apuros e precisar que alguém a salve, mas não estivermos por perto para ajudar, quero que você confie em Ryo.

Ela estava definitivamente em apuros agora.

Quando ela invadiu o Quarto 10 no dormitório da guilda, encontrou apenas Ryo lá dentro. Ele estava conduzindo um experimento alquímico. Pela primeira vez, ele havia conseguido criar uma poção de nível intermediário. Usando a erva-curativa como base, ele criou a poção adicionando o minério de cobre mágico que seus colegas de quarto haviam minerado.

A primeira vez que Ryo viu a receita, ele pensou: Eu deveria mesmo misturar um minério em algo que será bebido? Mas o minério de cobre mágico era, em última análise, apenas um catalisador, o que significava que precisava ser extraído da poção no final... A complexidade dessa etapa do processo explicava por que não havia aventureiros que fabricavam suas próprias poções.

Natalie entrou voando no quarto enquanto Ryo se deleitava com o triunfo de seu sucesso.

— Ryo, nos ajude!

Essas foram as únicas palavras que ela conseguiu arrancar de seus pulmões ofegantes. Depois disso, ela se curvou com as mãos nos joelhos, sua respiração entrando e saindo em arfadas curtas.

Ryo se virou surpreso quando a porta se abriu com um estrondo e olhou para a garota que conhecera recentemente, que também era a única outra maga da água que ele conhecia além de si mesmo. — Na-Natalie, o que houve? Aqui, tome um copo de água primeiro e depois fale.

Ele gerou um copo de gelo cheio de água em sua mão direita e o deu a Natalie. Era uma visão muito incomum, mas, no momento, Natalie não tinha condições mentais para entender isso. Ela bebeu o líquido de um só gole. Um pouco mais calma agora, ela conseguia respirar fundo novamente.

— Ryo, Abel e os outros desapareceram na dungeon. Por favor, ajude-nos a encontrá-los.

Ele se levantou imediatamente, vestiu seu manto e capa habituais, depois pendurou na cintura a faca feita por Michael e a Murasame.

— Você pode me contar tudo no caminho. Vamos.

E com isso, eles saíram rapidamente do anexo de moradias. Embora Natalie estivesse completamente exausta de sua corrida louca, ela sabia que não era hora de atrasá-lo, então cerrou os dentes enquanto acompanhava o ritmo de Ryo. Mas... ela tropeçou assim que saíram para a avenida principal.

— Gah — disse Ryo. — Me desculpe. Você correu todo o caminho até aqui, não foi? Eu deveria ter sido mais atencioso. Aqui, suba. Carrinho.

Ele produziu um carrinho de gelo de dois metros de comprimento. Era do mesmo design que ele usara para levar Abel para casa quando ele apareceu na praia. Era fácil de usar em ruas tão planas quanto as de Lune.

— U-Uh...

No entanto, Natalie se viu confusa de várias maneiras. O maior problema era o quão chamativo era. As crianças olhavam para o Carrinho, seus olhos brilhando de excitação. As mulheres ficavam hipnotizadas pela luz radiante do Carrinho refletindo no gelo. Seria preciso ser incrivelmente ousado para andar nele, mas seu companheiro não esperou que ela respondesse.

— Você não tem mais forças para subir, hm?

Ele se posicionou atrás dela, agarrou sua cintura com as duas mãos e a levantou para o Carrinho.

— Ack...

Tudo aconteceu em um piscar de olhos. Então Ryo começou a correr. Naturalmente, o Carrinho acelerou atrás dele. Era assim que a magia funcionava.

— Eeeeeeeeek!!!

Natalie gritou com a repentina aceleração.

Sua explicação durante a viagem foi incoerente. Não era de se admirar, considerando como ela fora abruptamente jogada no Carrinho e submetida às suas altas velocidades. Mesmo assim, ela conseguiu transmitir o mínimo necessário:

Um total de cinquenta e quatro indivíduos, compreendendo a Espada Carmesim e a equipe de pesquisa do Bureau de Magos Reais, haviam sido misteriosamente transferidos para outro lugar dentro da dungeon. Seus equipamentos mágicos indicavam uma alta probabilidade de a localização atual do grupo ser o Andar 40. Simultaneamente, havia uma grande chance de mais de mil membros da equipe de pesquisa da Universidade Real Central também terem sido transportados enquanto investigavam o Andar 11. No entanto, eles não tinham nenhuma informação sobre o paradeiro deles.

— Acho que entendi o essencial — disse Ryo. Ao chegar na entrada da dungeon, ele dissolveu o Carrinho. Natalie pousou no chão quando ele desapareceu.

— Já que estamos falando nisso, por que você veio até mim, Natalie? — perguntou Ryo. Ele estava se perguntando sobre isso. Para ser franco, a única razão pela qual ela estava em seus pensamentos era porque ele não conhecia nenhum outro mago da água. Fora isso, ela tinha sido apenas uma intermediária para entregar a carta de sua professora a Abel. Eles não haviam se encontrado desde então, e ainda assim ela viera direto a Ryo.

— Abel me disse uma vez para depender de você se eu me encontrasse em uma situação impensável, sem outras opções. Ele disse que você definitivamente ajudaria.

— Ah, entendo. Abel disse isso...

Essas foram as únicas palavras que ele disse, mas até Natalie entendeu a determinação em sua voz.

— Certo, então, voltarei antes que você perceba.

Com essa declaração, Ryo se dirigiu para a entrada da dungeon. Ela havia sido selada, o que fazia todo o sentido, já que ninguém sabia o que tinha acontecido lá dentro. Dois aventureiros estavam de sentinela, tendo aceitado o trabalho da guilda.

— Estou entrando — disse Ryo, tentando passar direto.

— Não, você não vai. Nos disseram para não deixar ninguém entrar na dungeon.

— Eu sou um aventureiro de rank D. Parede de Gelo.

Ele ergueu uma Parede de Gelo entre ele e os aventureiros para impedi-los de capturá-lo, garantindo assim uma rota para dentro da dungeon.

— Q-Que diabos? Uma parede transparente? Ei! Você não pode entrar aí!

Deixando os gritos para trás, Ryo desceu correndo os cem degraus que levavam ao primeiro andar.

Na grande caverna do Andar 1.

— Sonar Ativo.

O Pulso se espalhou pelas moléculas de água nas proximidades, atingindo a matéria e enviando uma resposta de volta.

— Não há nada aqui, afinal.

Os dados transmitidos até o dia anterior diziam que nada existia até o Andar 9. O Sonar Ativo era simplesmente o meio de Ryo confirmar isso.

Mesmo sem monstros, cada andar da dungeon ainda era incrivelmente vasto. A complexidade do layout significava que levava um tempo considerável para viajar de uma escada para a outra. Sem mencionar que a guilda nem sequer tinha mapas de nenhum andar abaixo do 30, então a localização das escadas nem era certa.

Com essas condições em mente, Ryo começou a se perguntar quanto tempo levaria para chegar ao Andar 40... Então ele teve uma ideia para chegar ao fundo. O método era frequentemente apresentado em animes e mangás... Ele sentia que definitivamente já tinha visto isso em algum tipo de mídia!

Havia um grande problema, no entanto — a extrema dureza das paredes e do chão da dungeon. Outro problema possível residia em sua tremenda capacidade regenerativa... Então ele se lembrou das formigas-soldado. Quando contou a Abel sobre ter visto formigas-soldado no Andar 1, seu amigo explicou que os monstros subiam até lá cavando poços.

Se uma formiga podia cavar um buraco, então um humano também deveria conseguir! A tarefa poderia ser difícil para uma pessoa normal, mas Ryo podia fazê-la. Porque, no fim das contas, ele era um mago da água.

— Jato Abrasivo 6.

Ele posicionou os jatos nos vértices de um hexágono regular e começou a perfurar para que o diâmetro do buraco medisse dois metros. Então, quando ele os girou sessenta graus no sentido horário... o chão cedeu. Sem hesitar, ele pulou no buraco recém-criado de dois metros de largura.

A distância até o andar de baixo era de aproximadamente dez metros... Contanto que ele se posicionasse corretamente para o pouso, ele imaginou que não se machucaria, embora houvesse uma chance de ferir as pernas. Para mitigar esse risco, ele lançaria Jatos de Água das solas de seus pés para anular seu impulso pouco antes de atingir o chão.

Claro, não era fácil, mas era uma brisa comparado a se impulsionar para frente gerando Jatos de Água por toda a extensão de suas costas. Além disso, havia o fato de que produzir os jatos de seus pés salvara sua vida inúmeras vezes... mesmo que a maioria dessas ocasiões tivesse sido durante batalhas subaquáticas contra monstros.

Ryo usou esse método para descer suavemente até o Andar 39. Ele achou extremamente estranho não ter encontrado um único monstro em sua jornada para baixo.

— Seja como for, não é meu trabalho pensar no motivo.

O que ele precisava fazer agora era encontrar Abel e os outros e trazê-los de volta à superfície em segurança.

— O Andar 40 está logo abaixo... Sonar Ativo.

O Pulso se espalhou por todos os cantos do Andar 39... e foi até as escadas que levavam ao 40. Justo quando ele estava prestes a descer por elas, o Pulso foi abruptamente cortado.

— Hm? Será que tem algum tipo de barreira...

Neste ponto, Ryo lembrou da informação que Natalie lhe deu. Eles haviam recebido uma resposta do quadragésimo andar por apenas um momento, mas depois ela cessou abruptamente.

— Não saber o que está acontecendo lá embaixo me deixa muito inquieto. Mas não tenho escolha, então...

Depois de murmurar essas palavras, ele entoou o feitiço que vinha usando até agora.

— Jato Abrasivo 6.

Uma seção do chão do Andar 39 caiu pelo buraco que ele fez. Ele pulou para dentro. Ele sentiu uma levíssima resistência enquanto perfurava a abertura. Junto com isso, ele sentiu como se o mundo tivesse virado de cabeça para baixo de repente.

Me lembra da minha batalha com a akuma, Leonore... Como ela chamou aquilo mesmo? Um claustro? Só que não parece nem de perto tão... denso quanto o dela, suponho. Então isso é um claustro defeituoso?

Quando ele atravessou a coisa parecida com uma barreira e olhou para baixo, viu uma criatura grotesca correndo em direção a Abel, que, mesmo ajoelhado no chão, segurava sua espada pronta.

Ele não consegue se levantar? Se for o caso, terei que lhe dar a oportunidade.

Ryo entoou.

— Parede de Gelo de 10 Camadas.

Uma Parede de Gelo apareceu entre Abel e a criatura grotesca, separando-os. Ryo pousou entre a coisa e os cadáveres carbonizados de centenas de pessoas.

Devem ser... parte da equipe de pesquisa da Universidade... Isso é horrível.

Com esse pensamento, ele começou a andar em direção a Abel. Ninguém disse nada durante esse tempo, incluindo as criaturas grotescas.

— Abel, você está ferido?

Até Ryo às vezes dizia coisas de bom senso.

— Estou bem... Mas por que você está aqui, Ryo...

— Para te salvar, é claro. Por que mais? O que me deixa mais curioso é por que você não consegue ficar de pé, mesmo não estando ferido... Ahhh, você teve uma concussão ou algo assim, não é? Pensar que logo você seria derrotado por uma concussão... Absolutamente inédito, não diria?

Abel não sabia se chorava ou ria das palavras de Ryo. Então ele não fez nenhum dos dois, preferindo controlar suas emoções. — Você fala demais. Eu só tropecei um pouco.

— Um espadachim que tropeça... Pensando bem, isso pode acontecer com bastante frequência. — Ryo lembrou de suas lutas de espada com seu mestre, o Dullahan, e recordou como era fácil perder o equilíbrio nos pântanos. — Enfim, muitas pessoas estão aparentemente preocupadas com você, então vamos levá-lo de volta para a superfície.

— Eu adoraria fazer exatamente isso, mas você sabe... — Ele olhou significativamente para uma das criaturas grotescas.

— Eu vou acabar com ele. Você não tem objeções, certo?

— Não, Ryo, espere. Aquilo é um príncipe demônio! — gritou Abel.

— Um príncipe demônio? Tipo, o filho de um rei demônio? Abel, por favor, guarde piadas como esta para uma ocasião mais apropriada. Não há como algo relacionado a demônios ser tão fraco.

— Um príncipe demônio é um monstro destinado a se tornar um rei demônio no futuro... ou assim ouvi dizer. O que significa que eles são ridiculamente fortes!

— Ah, então é basicamente o filho de um rei demônio? Não é de admirar que pareça tão fraco, então.

Por alguma razão, eles não estavam na mesma página... No entanto, Ryo se virou para encarar o príncipe demônio. E foi então que os demônios também finalmente recobraram os sentidos.

O trio de subordinados do príncipe demônio pretendia punir aquele que havia interferido no duelo de seu líder. Mais cedo, eles haviam queimado até a morte os aventureiros contratados pela equipe de pesquisa da Universidade por tentarem intervir com suas magias, e agora eles executaram a mesma punição impiedosamente, soltando seis flechas flamejantes em Ryo.

Lança de Gelo 6.

Ele contra-atacou cada um de seus projéteis com suas lanças de gelo. Nunca tendo aprendido magia com ninguém, ele não sabia da existência do feitiço chamado Barreira Mágica. Por isso, ele ou repelia ataques com Parede de Gelo e Escudo de Gelo ou contra-atacava com feitiços ofensivos de magia da água, como agora.

Jato de Água 3.

Ele desviou os ataques deles e respondeu imediatamente com os seus. Um Jato de Água apareceu atrás de cada um dos três lacaios. Quando os jatos cortaram horizontalmente seus pescoços... três cabeças rolaram no chão. Simultaneamente, os três corpos desabaram, com sangue jorrando dos tocos de seus pescoços. A coisa toda levou apenas alguns segundos desde o instante em que lançaram suas flechas de fogo.

Ninguém entendeu o que havia acontecido. Nem mesmo Abel, um espadachim de elite.

Mal consegui perceber que Ryo interceptou os ataques deles com sua habitual enxurrada de lanças de gelo. Mas... que diabos aconteceu depois? Como eles acabaram decapitados? Não entendo!

Desnecessário dizer que Abel não foi o único que não entendeu. O mais perplexo com a situação talvez tenha sido o príncipe demônio. No mínimo, ele entendeu que seus subordinados haviam sido derrotados em um instante por meios não identificados.

O ódio queimava em seus olhos. Embora sua expressão não tivesse mudado quando os demônios normais foram mortos, ele estava claramente enfurecido com a eliminação de seu trio de subordinados. Seu olhar malévolo se concentrou em Ryo, cuja reação foi um pouco...

— Você deveria saber que já me acostumei com esse tipo de olhar. Isso é uma espada que você está segurando na mão direita? Hm... — Ryo puxou a Murasame da cintura e gerou sua lâmina de gelo.

A expressão do príncipe demônio endureceu quando viu aquilo.

— Tudo bem, príncipe demônio ou o que quer que você seja — chamou Ryo. — Me derrube se tiver coragem.

Suas palavras eram provocadoras, mas sua postura era impecável. Parecia que o príncipe demônio entendia isso, pois ele permaneceu de pé com a espada erguida, incapaz de se mover facilmente. Em resposta, Ryo também ergueu sua lâmina sobre a cabeça.

Ele raramente adotava essa postura jodan. A que ele se destacava era a seigan... na qual o portador segurava a espada na altura do peito com a ponta da espada apontada para os olhos do oponente. Era a postura mais básica, permitindo ao usuário mover-se facilmente, tanto ofensiva quanto defensivamente.

No entanto, a postura jodan indica a intenção do usuário de ir totalmente para a ofensiva. Como é evidente, você não pode bloquear ou desviar os ataques do seu oponente com sua espada. Em outras palavras, você tem que se esquivar sem usar sua espada. Ela oferece defesa zero, e é exatamente por isso que é considerada uma postura totalmente ofensiva.

Mantendo sua jodan, Ryo avançou arrastando os pés, diminuindo firmemente a distância entre eles. No início, o príncipe demônio recuou um pouco, mas logo parou e resolveu enfrentar seu oponente. E então... O monstro encurtou a distância em um instante, descendo sua espada.

— Lento demais.

Ryo se esquivou do golpe do príncipe demônio dando apenas um meio-passo diagonal para frente com o pé direito. Em seguida, ele circulou o desequilibrado príncipe demônio e cortou sua cabeça por trás. A investida e o golpe do monstro haviam sido incrivelmente rápidos... mas ele esperava algo mais formidável porque...

— Leonore era muito mais rápida...

De fato, a investida de Leonore poderia muito bem ser chamada de Breakdown Rush. Com a propulsão de sua magia do ar, sua investida parecia se aproximar da velocidade do som. O mesmo que o ataque uma vez demonstrado pelo falcão assassino de um olho só. Então, para Ryo, que esperava algo nesse nível, a investida do príncipe demônio acabou sendo lenta demais.

Abel estava perplexo.

Que diabos foi isso...

Tudo o que ele acabara de testemunhar diferia fundamentalmente da esgrima que ele aprendera e continuava a aprimorar. O trabalho de pés de Ryo, a maneira como ele se equilibrava e, claro, a própria espada!

Mas ele entendeu que não havia nada de comum na esgrima de Ryo. Abel suspeitava que não era um talento inato... Em vez disso, Ryo adquirira suas habilidades através de uma combinação de enormes quantidades de prática, níveis impensáveis de treinamento e experiências temíveis com combate real. Foi apenas um único golpe de sua espada, mas não foi difícil para um espadachim do calibre de Abel entender a vasta quantidade de informações contida nele.

Abel voltou a si cinco segundos depois. Após processar essa cadeia adicional de eventos inesperados, ele se virou para Ryo. Então, quando estava prestes a agradecê-lo, notou algo. O fato de que o príncipe demônio decapitado não havia caído no chão. Ryo também percebeu.

— Ainda vivo mesmo com a cabeça cortada... Bem, isso é um pouco preocupante, hein?

Ryo saltou para trás, criando distância entre eles.

— Sua persistência é inspiradora, mas... Mas um rei demônio é muito mais poderoso. No mínimo, alguém tão fraco como você não está apto a ser um. Embora eu suponha que dizer tudo isso seja inútil, já que duvido muito que você entenda minhas palavras.

Mesmo enquanto Ryo falava, o príncipe demônio pegou sua cabeça caída e a colocou de volta no topo de seu pescoço. Sua carne fez um som sibilante quando as partes se conectaram novamente.

— Seu poder regenerativo também não é ruim... Nesse caso, por que não testamos até onde ele pode ir? Jato Abrasivo 256.

As duzentas e cinquenta e seis correntes de água contendo abrasivos de gelo irromperam ao redor do príncipe demônio e fatiaram tudo em seus caminhos aleatórios. A atual carta na manga de Ryo, que uma vez (presumivelmente) despedaçou Leonore, a akuma. Naquela época, não tinha sido o golpe decisivo em sua batalha por causa da velocidade de regeneração anormal dela. No entanto...

Desta vez, Ryo ouviu um estalo, como algo duro quebrando, de dentro das órbitas aleatórias de seus jatos. Naquele momento, mesmo enquanto tentava se regenerar do estado fragmentado, o corpo do príncipe demônio desabou completamente e parou de se mover.

— Eu quebrei a pedra dele... — disse Ryo, percebendo que o som de algo duro quebrando tinha sido a pedra mágica do príncipe demônio.

Ele não conseguiu coletar a pedra mágica do príncipe demônio, mas as pedras mágicas dos três subordinados ainda deveriam estar intactas em seus corpos sem cabeça. Depois de se certificar, Ryo caminhou em direção a Abel.

— Obrigado, Ryo. Você salvou minha vida. — Abel inclinou a cabeça respeitosamente em gratidão.

— Não, não foi nada demais. Mas me pague um jantar uma noite na cantina e considerarei sua dívida quitada.

Abel deu um tapa no ombro de Ryo com uma risada. — Ok, ok, entendi. Vou te pagar jantar todos os dias por uma semana. Que tal?

— Ai, isso dói. Você é forte como um touro, Abel. E também não vou esquecer sua promessa!

Nesse momento, o resto da Espada Carmesim e Arthur se aproximaram de Abel.

— Abel... Graças a Deus...

Rihya o abraçou com força com uma expressão chorosa. A represa se rompeu quando ela o abraçou e ela começou a soluçar. Warren estava ao lado deles, segurando Lyn, ainda inconsciente, em seus braços. Ele inclinou a cabeça para Ryo.

— Meu nome é Arthur Berasus e sou do Bureau de Magos Reais. Atualmente estou atuando como conselheiro da equipe de pesquisa nesta expedição. Agradeço do fundo do meu coração por sua ajuda.

E com isso, ele também inclinou a cabeça para Ryo.

— Oh, por favor, não se preocupe com isso. A única razão pela qual vim aqui foi porque Natalie, do Bureau, me pediu. Fico feliz por ter chegado a tempo. Nunca em meus sonhos mais loucos poderia imaginar que algo assim aconteceria.

O olhar de Ryo percorreu os magos reais que ainda não haviam se recuperado totalmente de sua exaustão mágica e os corpos carbonizados daqueles queimados até a morte pelos demônios. — Aqueles são os corpos da equipe de pesquisa da Universidade, não são...

— De fato... Eu simplesmente não fui... forte o suficiente...

— Eu sei que será impossível carregar seus corpos de volta, mas acho que deveríamos pelo menos pegar lembranças ou algo assim.

— Meu pessoal deve recuperar a consciência em breve, então farei com que façam exatamente isso — disse Arthur, olhando para o grupo de magos reais.

— Ryo, vamos pegar as pedras mágicas dos demônios. — Com Rihya ainda ao seu lado, seus olhos inchados de chorar, Abel fez a sugestão a Ryo.

— Gostaria que parte dos lucros das vendas fosse para as famílias dos falecidos.

Caramba... Abel realmente não serve para ser um aventureiro. ‘Nós que ainda estamos vivos faremos questão de gastar como loucos por todos vocês que estão mortos!’ Sinto que isso é mais algo que um aventureiro diria.

Apesar de ser um aventureiro incrivelmente novo, Ryo tinha uma atitude bastante condescendente.

Isso é a cara dele, no entanto, então suponho que não há o que fazer.

Mesmo agora, sua atitude arrogante não mudou. Ainda assim, ele guardou as palavras para si porque suspeitava que dizê-las em voz alta irritaria seu amigo. Então ele percebeu algo que Abel havia dito que ele não podia ignorar.

Ryo examinou o campo de batalha, olhando para as criaturas grotescas caídas espalhadas por toda parte. — Você acabou de dizer ‘demônios’ agora? Então aqueles são demônios?

— Sim — respondeu Abel. — Esta é a nossa primeira vez encontrando-os também. Faz séculos desde que demônios foram vistos pela última vez nas Províncias Centrais... Pelo menos é o que todos acreditam. Não temos ideia de por que eles estão aqui, de todos os lugares.

Huh. Acho que akuma e demônios são duas coisas diferentes... Então o Falso Michael adicionou uma entrada do primeiro em vez do último ao Compêndio de Monstros. ‘Força: varia do fraco ao forte (É brincadeira de criança para os fortes arrasarem uma cidade inteira)’, o que faz todo o sentido para mim agora... Se minha batalha com Leonore não tivesse sido contida dentro do claustro, a cidade de Lune teria sofrido danos tremendos.

Pensando em tudo isso, Ryo de repente se lembrou de algo.

— Ah, certo, isso me lembra. Mais cedo, houve algo estranho quando usei um feitiço de sondagem no Andar 39. Estava localizado nas escadas, então digo que devemos inspecioná-lo no caminho de volta, porque pode estar relacionado a este incidente.

A estrutura semelhante a uma barreira que cercava o Andar 40 desapareceu depois que Ryo derrotou o príncipe demônio.

Como foi a sensação mesmo? Menos uma barreira e mais um claustro defeituoso... Aquele que apareceu em Lune deve ter usado o eclipse solar para existir. A akuma Leonore até disse que não tinha controle sobre as restrições... Aquele subespaço... Eu apenas presumi que era uma espécie de ponte conectando Lune e algum outro lugar, mas... eu realmente não sei para ser honesto. Simplesmente não há informações suficientes, não é?

Quando você não entende algo, é melhor parar de pensar sobre isso. Ryo acreditava nessa solução de todo o coração.

Os magos reais recuperaram a consciência e começaram a reunir lembranças dos membros da equipe de pesquisa da Universidade Real Central. A Espada Carmesim, Arthur e Ryo coletaram as pedras mágicas dos demônios.

— Essas pedras mágicas... Elas são negras...

Embora as palavras de Ryo fossem baixas, Arthur as ouviu e respondeu porque era o mais experiente de todos ali. — Esta é a primeira vez que consigo colocar as mãos em pedras mágicas de demônios, mas nunca teria imaginado que fossem negras...

— Arthur — disse Ryo. — Tenho a impressão de que você já viu um demônio antes ou lutou com um. Estou errado?

— Não, você está certíssimo, Ryo. Lutei contra um nas Províncias Ocidentais na minha juventude como aventureiro... — Um olhar distante entrou nos olhos de Arthur, como se ele contemplasse dias passados. — Não consegui vencê-lo, no entanto.

Normalmente, a cor da pedra mágica de um monstro correspondia ao seu atributo elemental. Magia de fogo significava vermelho, água significava azul, e assim por diante. Então, preto significava... magia das trevas?

Mas aqueles três atiraram flechas de fogo, não foi?

Pensar na batalha apenas acelerou a falta de compreensão de Ryo sobre tudo isso.

— Ryo, aproximadamente duzentos anos se passaram desde o último encontro das Províncias Centrais com demônios. Registros sobre eles não existem mais, nem mesmo nos templos — disse Rihya.

— Dizem que os demônios aparecem em qualquer dia sem aviso. O fenômeno é tão misterioso que há um debate em andamento na organização do templo para conduzir pesquisas sobre se eles podem usar magia de espaço-tempo.

— Magia de espaço-tempo!

Magia de espaço-tempo era um clássico de isekai!

Mas o Falso Michael me disse que a magia se dividia nas categorias elemental - fogo, água, ar, terra, luz, trevas - e não elemental... Tenho quase certeza de que ele não mencionou nada sobre magia de espaço-tempo... certo?

— A magia de espaço-tempo realmente existe? — perguntou Ryo.

Inesperadamente, foi Abel quem lhe respondeu: — As duas magias de espaço-tempo mais conhecidas são Armazenamento Infinito e Transferência. Elas funcionam exatamente como soam.

— Isso é fantástico!!! Eu adoraria poder usar um dia...

Abel pareceu incrivelmente desconfortável ao ouvir a resposta de Ryo. — Sobre isso... Até onde eu sei, há apenas uma pessoa nas Províncias Centrais capaz de usar magia de espaço-tempo. O Barão Hagen Benda do Império.

— Oh, ho, não me diga? Se eu tivesse Armazenamento Infinito, poderia levar para casa não apenas as pedras mágicas dos monstros, mas também suas carcaças inteiras e usá-las para peças. E com a Transferência, posso me mover facilmente para áreas de caça ou até mesmo ir para casa. Que conveniente!

A expressão de Abel ficou ainda mais dolorida. — Sim, praticamente o que todo aventureiro quer. Mas o Barão Benda é um cidadão do Império, e... não há como o Império deixar um dos seus com poderes como esses agir por conta própria...

— Hã? O que você quer dizer...

— Como um oficial de ligação militar, o Barão Benda está constantemente transportando armas e provisões para o exército imperial. Eles basicamente o tratam como uma ferramenta muito útil...

Até Ryo sentiu pena do homem depois de ouvir isso. Fazia sentido para qualquer organização militar desejar desesperadamente habilidades como Armazenamento Infinito e Transferência, mas restringir a liberdade de alguém por causa disso? Que deplorável.

— O Barão Benda é o único que pode usar ambas as magias de espaço-tempo. Seu pai também podia usá-las, mas Hagen em si não podia enquanto ele vivia. No momento em que o barão anterior faleceu, o barão atual tornou-se capaz de usar Armazenamento Infinito e Transferência. As pessoas chamam suas habilidades menos de magia e mais de uma maldição de família.

— Entendo. Se apenas uma pessoa na geração atual pode usá-las, então não são realmente artes secretas passadas de pai para filho... Realmente parece uma maldição, então, hm?

Abel congelou de repente quando ouviu as palavras de Ryo.

Apenas uma pessoa na geração atual... Parece algo que ouvi recentemente...

Então ele se lembrou depois de pensar um pouco.

Ah, certo... Heróis. Apenas um Herói em cada geração.

Longe a oeste de Lune, a mais de quatro mil quilômetros em linha reta, um grupo de sete, totalmente equipado, esperava.

— Está aqui!

Ao grito do mago, seus companheiros prepararam suas armas.

Um espaço retangular a aproximadamente cinquenta metros à frente deles estava completamente coberto de preto. Media cinco metros de altura e quatro de largura. Se os membros da equipe de pesquisa acadêmica da Universidade Real Central do Reino de Knightley estivessem lá, eles poderiam tê-lo identificado como a mesma estrutura que o Presidente Clive Staples havia nomeado O Portão.

Uma bela mulher saiu deste Portão em particular. Com uma altura de um metro e setenta e cinco, a beleza possuía uma figura excepcional... Mas se você olhasse de perto, veria pequenas protuberâncias semelhantes a chifres e uma cauda fina e preta.

Era Leonore, a akuma.

— Hmph. Vim dar uma olhada para ver qual era o alvoroço e acaba sendo... um altar artificial, eh? — disse Leonore, caminhando em direção ao altar. Sua atitude transmitia um desdém despreocupado por todos reunidos ali. Era como se ela nem os visse.

— Pare, rei demônio — gritou um espadachim. — É aqui que você morre.

Com cerca de dezenove anos de idade, ele era provavelmente o mais jovem do grupo. Mesmo assim, ele era, em certo sentido, o líder do grupo.

— Hm? Rei demônio? — Embora Leonore pretendesse ignorá-los, ela não podia simplesmente ignorar aquelas palavras. — Vocês, filhotes, acabaram de me chamar de ‘rei demônio’? — Ela encarou o grupo de sete pela primeira vez.

— Este altar foi construído a um grande custo, com muitos sacrifícios. Todos sabem que acender um fogo nele trará o rei demônio! — bradou um homem em sua plenitude — um clérigo, a julgar por sua aparência.

— O que significa — perguntou Leonore, curiosa — que vocês foram os que deliberadamente tentaram invocar este rei demônio ou seja lá o que for?

— Meu nome é Roman e eu sou o Herói que derrotará o rei demônio! — respondeu o jovem espadachim.

— He-rói, você diz? O que isso significa mesmo...? Aha, o Herói! — Leonore gargalhou então. A palavra ‘horripilante’ descrevia o som perfeitamente. — Se você é o Herói, então deve ser forte, sim? Me divirta. Você pode fazer isso? Você fará isso? Só há uma maneira de descobrir, eh? Venham, é hora de lutar!

Assim, em uma terra distante a oeste, a batalha entre Leonore, a akuma, e o grupo do Herói começou como produto de mal-entendidos e coincidências.

— Armadura Sagrada.

— Arma Encantada.

— A Proteção do Vento.

— Aumento da Resistência ao Mal.

— Fortalecer.

Cada feitiço entoado aprimorava as habilidades de Roman, o Herói.

Um leve sorriso brincando em seus lábios, Leonore observava tudo. — Me disseram que a maneira como os humanos lutam é bastante entediante por causa de sua dependência da magia de ataque à distância. No entanto... vejo que todos vocês estão dispostos a apostar tudo nesse Herói, eh?

— Apenas um Herói pode derrotar um rei demônio. E assim Roman fará exatamente isso, derrotando você! — respondeu um batedor que não participou.

— Entendo, entendo. Bem, suponho que será bem divertido cruzar espadas.

Em sua mente, ela revisitou a batalha no claustro contra o mago. Qual era o nome dele mesmo... Ah, sim, Ryo. Eu me diverti muito naquela época. Certamente nunca imaginei que seria fatiada em pedaços daquele jeito. Estou interessada em ver que tipo de entretenimento um Herói vai proporcionar.

Enquanto ela relembrava a memória de seu confronto com Ryo, o Herói terminou seus preparativos. Quando ela viu isso, Leonore puxou uma espada do nada. — Agora, então, Herói ou como quer que você se chame, estou ficando impaciente. Estou mais do que pronta, então me ataque quando quiser. — Ela acenou provocadoramente para ele usando o dedo indicador de sua mão esquerda vazia, a espada em sua direita.

— Não me subestime, rei demônio!

Com a imprudência da juventude, o Herói, Roman, diminuiu a distância entre eles em uma única investida e atacou, mas Leonore se esquivou facilmente do golpe em que ele havia colocado toda a sua energia. Ela fez o mesmo com todos os golpes seguintes e com facilidade. Apenas se esquivando, nunca usando sua lâmina para aparar os golpes.

— Ngh!

Apesar de seus melhores esforços, Roman não conseguiu acertar um golpe sequer. Ele nunca havia experimentado uma situação como essa antes.

— Hm... — Leonore, a akuma, bufou baixinho e, pela primeira vez, desviou seu golpe para a direita com sua espada e o repeliu.

— Hrgh.

Embora desequilibrado, ele de alguma forma conseguiu evitar o contra-ataque dela curvando a parte superior do corpo. Em seguida, deu um grande passo para trás para criar alguma distância entre eles.

— Agora é a minha vez de atacar. — Ela diminuiu a distância entre eles em um instante e cravou sua lâmina em seu estômago. — O quê?

O primeiro movimento do Herói foi uma investida seguida de um impulso, então ela simplesmente seguiu seu exemplo e o imitou. No entanto, o golpe, que ela pretendia usar para mantê-lo sob controle, acabou perfurando-o diretamente.

— Entediante... Que incrivelmente entediante. — Ela retirou a espada do estômago de Roman e a sacudiu uma vez para se livrar do sangue.

— V-Você...

— Você é livre para me atacar, claro, mas não se surpreenda quando eu retribuir o favor. Sua maior prioridade agora não deveria ser salvar este filhote que você chama de Herói?

Tendo perdido todo o interesse no grupo do Herói, Leonore caminhou em direção ao altar artificial. Um grande objeto semelhante a um cristal do tamanho de uma cabeça humana o adornava.

— Esta é uma bela joia sagrada, de fato. Embora a luta tenha sido terrivelmente entediante, adquirir tal beleza significa que meu tempo vindo aqui não foi desperdiçado.

A joia desapareceu quando ela a colocou na mão.

— Espere, rei demônio...

Graças à magia de cura do clérigo, Roman, o Herói, se recuperou o suficiente para ficar de pé novamente.

— Ah, sim, você me lembrou. Deixe-me corrigir você nesse ponto. Eu não sou um rei demônio.

— Bobagem. Para ostentar tanto poder... Se você não é um rei demônio, então o que você é?! — gritou uma maga, uma mulher desta vez.

— O que eu sou, eh... Pergunta interessante. Tudo o que posso dizer é que não sou um rei demônio. De qualquer forma, vocês não acham que combinar seus poderes deveria ser suficiente para derrotar o atual rei demônio? Além disso, existem humanos tão poderosos quanto eu. Sim, que batalha divertida foi aquela. Eu gostaria de experimentar uma repetição dela. — Leonore sorriu ao recordar mais uma vez seu confronto com Ryo.

— Você não é... o rei... demônio... — gemeu Roman.

— Correto. Meu nome é Leonore. Herói, torne-se mais forte. No mínimo, é seu dever se tornar o mais forte entre os humanos. De que adianta um Herói, senão?

— Existe alguém mais forte do que eu...?

— Aposto que umas dez mil vezes mais forte que você. Sua devoção ao seu título ainda é falha.

Com essas palavras de despedida, Leonore entrou no Portão. Ele desapareceu ao mesmo tempo. Quando o fez, tudo o que restou foi o grupo do Herói e um altar agora despojado de sua joia sagrada.

— Algo está vindo.

Ryo foi o primeiro a notar. Quando ouviram essas palavras, a Espada Carmesim e Arthur pararam de coletar pedras mágicas e se prepararam para a batalha novamente.

— São humanos, não monstros. Mas... há muitos deles...

Três minutos depois que ele os informou, Abel e os outros viram com seus próprios olhos.

— Aqueles não são... os aventureiros de Lune?

— Acredito que você está certo, embora eu ache que vejo aventureiros de outras cidades também.

Abel e Rihya perceberam que a maior parte do grupo que se aproximava consistia em aventureiros de rank D de Lune.

— Eles devem ser os que Clive e seu pessoal contrataram, os que garantiram a rota de suprimentos da superfície para o Andar 11 — disse Arthur. Ele adivinhou a identidade dos aventureiros quase imediatamente. O grupo também incluía os indivíduos que atuavam como escoltas que a equipe de pesquisa da Universidade contratou na capital real.

— O que significa que não foram apenas as pessoas dos Andares 10 e 11 que foram transferidas à força... — disse Abel, levantando-se e erguendo a mão.

Quando o viram gesticular, os aventureiros que se aproximavam soltaram um rugido de boas-vindas. Eles não pareciam ter lutado durante sua jornada até aqui, mas seu desconforto por terem sido jogados em um local desconhecido era claro. Seus gritos de alívio essencialmente dissiparam esse medo.

Eles pediram a cerca de cem dos aventureiros recém-chegados para ajudar na coleta das pedras mágicas dos demônios e das lembranças da equipe de pesquisa da Universidade. Uma vez que essas tarefas foram concluídas, todos finalmente puderam começar a jornada de volta.

Três horas se passaram desde que Ryo invadiu a dungeon.

— Seria uma boa ideia verificar se algum outro aventureiro foi jogado aqui embaixo... — murmurou Abel, olhando para Lyn.

Ela balançou a cabeça em resposta. — Desculpe, mas ainda não consigo usar Sondagem. Preciso de mais tempo para me recuperar.

— Então, por que eu não utilizo minha magia da água para tentar? — sugeriu Ryo. — É um pouco desafiador, mas acho que consigo fazer funcionar.

Abel assentiu. — Obrigado, cara, eu agradeço.

— Sonar Ativo.

O Pulso de Ryo se espalhou pelas moléculas de água na atmosfera do Andar 40. Depois de algum tempo, alcançou a parede mais distante e voltou para ele.

— Não há mais ninguém além de nós aqui.

Exceto por... o que quer que tenha emitido a resposta estranha perto das escadas do 39... Morreu? Ficou inativo? Porque a resposta agora é completamente diferente da que detectei anteriormente usando o Sonar Ativo... Hmmm, não adianta mencionar isso agora. Suponho que todos veremos por nós mesmos em breve.

Por enquanto, ele decidiu não dizer nada sobre a mudança.

— Tudo bem, vamos sair.

Ao comando de Abel, todos começaram a caminhar em direção à superfície.

Nas escadas que levavam do Andar 40 para o 39, eles encontraram uma bola de cristal preta como azeviche do tamanho de uma cabeça humana com rachaduras por toda ela. Ao lado dela, havia um monte de areia, como se algo tivesse se quebrado.

— Nunca vi nada parecido antes — disse Arthur. — Que diabos é isso?

Ninguém ali tinha ideia do que poderia ser. Quando verificaram os detectores de magia residual que os acompanharam durante sua transferência forçada do Andar 10, encontraram traços de magia emanando do objeto até momentos atrás.

— Bem, a boa notícia é que a barreira se foi e parece que os dados que acabamos de obter estão sendo transmitidos para a superfície novamente, então acho que isso é alguma coisa.

Com isso, Arthur colocou o objeto semelhante a uma bola de cristal preta em sua bolsa.

Ryo perguntou se era realmente seguro não apenas colocar algo completamente desconhecido tão facilmente em sua bolsa, mas também levá-lo de volta à superfície...

— Ah, isso se chama bolsa de barreira — Arthur o tranquilizou. — Ela bloqueia a energia mágica de dentro e de fora. Quanto ao porquê de eu estar levando de volta comigo, bem... pense nisso como a única evidência de nossa experiência aqui embaixo.

O conselheiro do Bureau deixou Ryo perplexo com esse raciocínio extremamente fraco.

Depois disso, o grupo continuou sua caminhada para a superfície através da dungeon livre de monstros. Quando subiram as escadas para o Andar 11 a partir do 12, encontraram vinte aventureiros de rank C esperando lá. Eles haviam sido comissionados pelo mestre da guilda, Hugh.

— Abel! Bem-vindo de volta!

Aquele que levantou a voz mais alto foi Rah, o espadachim que também adorava Abel como se fosse um irmão mais velho.

— O-Oh, ei, Rah. Desculpe te pegar de surpresa, mas você se importa em nos ajudar a carregar as coisas dos magos reais?

— Claro! Deixa comigo!

Rah e seu grupo, Switchback, foram ajudar a equipe de pesquisa do Bureau a carregar a carga mais pesada.

O grupo, agora incluindo os vinte aventureiros de rank C, manteve seu ritmo constante em direção à superfície. Abel de alguma forma se viu andando ao lado de Ryo, que estava perto da frente da procissão.

— Ryo, sério — disse ele tão baixo que era quase um sussurro. — Não sei como te agradecer o suficiente pelo que você fez.

Ryo balançou a cabeça em exasperação. — Abel, dá um tempo... Já decidimos que você me pagaria com uma semana de jantar.

— Eu sei, eu sei, mas...

— Então me prove. Se você realmente está tão grato, quero que me dê uma informação que considero extremamente vital.

A exigência repentina de Ryo deixou Abel nervoso. — C-Claro, desde que eu saiba o que é...

— Você se lembra de como paramos em Kailadi antes de virmos para Lune e comemos curry lá?

— Curry...? Oh, você está falando de kari. Sim, eu me lembro.

A pronúncia de Abel da palavra era verdadeiramente requintada.

— Bem, você disse que havia um ótimo restaurante de curry em Lune também. Então, por favor, me diga onde fica!

— Sério? É só isso? Moleza. Eu mesmo te levo lá e pago a conta.

— Uhu! Vou cobrar isso de você, ok? É uma promessa, ok? E se você quebrar, vou te picar em pedaços ainda menores do que fiz com o demônio lá atrás! Vou fazer picadinho de você!

O rosto de Abel se tencionou ao recordar a visão do príncipe demônio fatiado em pedaços. — Isso... não... tem... graça...

— Você não tem nada com que se preocupar, contanto que mantenha sua promessa, Abel — disse Ryo com um aceno enfático. Abel riu em resposta.

Vários líderes esperavam na entrada da dungeon pelo retorno do grupo, incluindo pessoas como o Mestre da Guilda Hugh e Christopher Blatt, professor chefe da Faculdade de Magia. Na verdade, no momento em que Ryo derrotou o príncipe demônio, a barreira que encobria o Andar 40 desapareceu e as transmissões de dados para a superfície foram retomadas a partir dos detectores de magia residual. Foi assim que eles puderam determinar que o grupo estava seguro e a caminho de volta.

— Muito bem, pessoal — anunciou Hugh, sua voz se propagando longe. — Muito bem. Preparamos comida e bebida para vocês. A primeira coisa que vocês devem fazer é relaxar. Sem pressa. Vocês podem me contar os detalhes em alguns dias.

Por dentro, no entanto, Hugh não estava nem de perto tão calmo quanto parecia.

Deus Todo-Poderoso! Louvado sejam os céus pelo retorno seguro de Abel... Não posso acreditar. Quase quero me beliscar. Eu realmente pensei que era o fim da linha para mim desta vez! Por que diabos ele continua desaparecendo com tanta frequência? Da última vez foram contrabandistas, desta vez a dungeon... Eu realmente espero que ele já esteja farto da dungeon agora. Não vejo nenhuma razão para ele precisar voltar lá, certo? O rapaz é um talentoso rank B, então ele pode simplesmente se ater a trabalhos na superfície. Eu darei permissão para ele fazer exatamente isso!

A mente de Hugh estava em completo caos. Quando ele avistou Ryo, correu até ele e deu um forte tapa em seu ombro.

— Ryo. Que diabos você estava pensando se livrando dos guardas daquele jeito e entrando correndo...

— Urk... Me desculpe... — Ryo não podia argumentar, já que Hugh apenas havia declarado os fatos.

Felizmente para Ryo, Arthur veio em seu socorro. — Ora, Hugh — disse ele. — Não seja assim. Nós só sobrevivemos graças a Ryo. Então, pegue leve com o garoto, ok?

— Hã? Ah, foi assim... Entendo. Bem... bom trabalho... Mas, não, espere. Eu não estaria dando um bom exemplo se o deixasse escapar completamente... Mas por outro lado...

— Tudo bem, que tal isso? Eu vou te contar tudo nos mínimos detalhes, então venha comigo para a tenda, Hugh. O que significa que Ryo está livre para ir, certo?

— Ahhh, espere um maldito segundo... Ryo, você e eu vamos ter uma conversinha mais tarde. Entendeu? Mas, bem... você os salvou, então eu deveria te agradecer no mínimo. Meus agradecimentos.

Hugh gritou para ele enquanto Arthur arrastava o mestre da guilda para o fundo de uma das tendas.

— Ufa... Graças a Deus por Arthur.

Ryo estava grato a Arthur por ajudá-lo a evitar uma bronca excessiva. Ele decidiu que as coisas ficariam bem aqui sem ele, então começou a caminhar imediatamente em direção à guilda dos aventureiros.

Dentro da tenda.

Depois de derramar água em dois copos, Hugh entregou um a Arthur e se sentou. — Arthur, preciso que você me diga o que aconteceu no Andar 40. Não omita um único detalhe.

— Você está certo. Suponho que começarei a partir do momento em que fomos transportados. — Arthur bebeu um gole. — Fomos subitamente movidos para o Andar 40. Assim como Clive e seu pessoal. Eles estavam trabalhando no Andar 11 na época. E mais, eles acabaram bem na frente dos demônios.

Ele fez o relatório em frases curtas, como se estivesse recitando uma lista de itens.

— De-mônio? Demônios, hein? Espere, não são os demônios que aparecem nas histórias do Templo?

— Isso mesmo. Eles.

Hugh ficou chocado. E não era para menos. Não havia encontros com demônios nas Províncias Centrais nos últimos duzentos anos. Dois séculos significavam oito gerações atrás. A geração do avô do avô do avô do avô dele... Era tão distante no passado que quase o deixava tonto só de pensar. Contos daquela época eram basicamente lendas neste ponto...

A maioria das pessoas só conhecia "demônios" como as criaturas das histórias do Templo, mas esse era o limite de seu conhecimento.

— Havia cinquenta dos desgraçados. Mais três eram mais fortes que a ralé. E um príncipe demônio. Sem dúvida sobre isso.

— Príncipe demônio... Aquele que se tornará um rei demônio, certo? Não consigo acreditar que todos vocês encontraram um e viveram para contar a história... Com licença. Vocês todos sobreviveram por causa do seu talento e do de Abel, eh?

Hugh balançou a cabeça maravilhado porque pessoas normais nunca teriam sobrevivido. No entanto, Arthur balançou a própria cabeça e refutou a observação do mestre da guilda.

— Não exatamente... Não vou negar que Abel foi incrível. Não esperava menos do rapaz. Sem ele, teríamos sido aniquilados. Mas até ele estava à beira de ser morto pelo príncipe demônio...

— Hã...? Então como... Não me diga...

— Você acertou. Porque Ryo apareceu.

A visão da entrada dramática de Ryo pelo teto do Andar 40 havia deixado até mesmo Arthur perplexo, e ele havia experimentado muitas coisas em sua longa vida. Em primeiro lugar, ele nunca tinha ouvido falar de ninguém perfurando os andares da dungeon. Ainda mais incompreensível era o fato de Ryo ter descido até o quadragésimo andar...

Absurdo! Absolutamente absurdo. Verdadeiramente.

Arthur conhecia um mago da água de primeira linha. Vários deles, na verdade. Mas ele suspeitava que nenhum deles poderia perfurar o chão de uma dungeon. Nem magos do fogo nem magos do ar conseguiriam tal feito.

Na verdade, magos da terra também eram incapazes disso. Tentativas foram feitas no passado e cada uma falhou, então este era um fato bem estabelecido. Eles conseguiram raspar apenas uma pequena parte do chão... e mesmo assim, ele se regenerou após um curto período de tempo. Era simplesmente assim que os pisos e paredes da dungeon eram.

O jovem havia tornado o impossível possível manipulando a magia da água de uma maneira que Arthur nunca tinha ouvido falar ou visto antes. E com tanta facilidade.

— Hugh. O que exatamente é aquele rapaz chamado Ryo...

Arthur havia lutado com essa mesma pergunta o tempo todo em que observava Ryo lutar contra os demônios. Naturalmente, nenhuma resposta satisfatória havia surgido.

— Como eu deveria responder a isso... A única coisa que posso te dizer é que ele trouxe Abel de volta para nós do lado sul das Montanhas Maléficas...

Então Hugh contou a Arthur sobre a jornada de volta de Abel.

— Entendo. Então aquele é o amigo de Abel, hm...

— Sim, ‘amigos’ é uma boa maneira de descrever os dois.

Arthur conhecia Abel desde que ele era uma criança pequena, então ele estava bem ciente de quão extremamente especial era para o jovem fazer amigos depois que ele declarou sua independência e partiu por conta própria. A notícia também o deixou encantado.

Enquanto Rihya, Lyn e Warren eram os companheiros mais valiosos de Abel — insubstituíveis, nesse ponto — eles ainda não eram exatamente seus amigos. Uma amizade deve ser uma relação entre iguais e, infelizmente, as várias circunstâncias de seus companheiros os impediam de jamais estar em pé de igualdade com Abel. Nunca lhes ocorreria tentar também.

Embora houvesse algumas pessoas na capital real com quem Abel se dava bem... Arthur não tinha certeza se mesmo eles poderiam ser chamados de amigos... E havia os aventureiros mais jovens que tinham um grande respeito e afeição por Abel. Aqueles também não eram amigos.

Abel talvez pudesse ter formado uma amizade com Phelps da Brigada Branca, mas o conselheiro tinha a sensação de que não era isso que o outro jovem queria. Independentemente da atitude amigável de Phelps, ele essencialmente via Abel como um governante.

Então, em meio a tudo isso, estava o jovem Ryo, a quem Abel chamara de "amigo". Esta foi uma virada de eventos incrivelmente agradável para Arthur. Sem mencionar o quão ridiculamente forte o garoto era!

Neste mundo — não, em qualquer mundo — a força é o direito. Não importa o quão justo você seja, se você não tiver a força para impor sua verdade, ninguém o aceitará. Você se verá derrubado pela força de seu oponente. Não se trata de bem ou mal, é apenas como as coisas são.

Percebendo a tangente mental em que estava entrando, Arthur deu um pequeno balançar de cabeça e cortou a linha de pensamento.

— A força de Ryo é assustadora. Bem, pelo menos foi com base no que eu vi. Forte o suficiente para matar um príncipe demônio em um instante.

— Ele... o quê?

As palavras simplesmente não faziam sentido para Hugh. Ele sabia que Ryo era forte. Abel havia dito isso, junto com outros. Mas matar um príncipe demônio instantaneamente...?

— Isso... é sequer possível?

— Ele literalmente fez isso na nossa frente, então é inútil discutir se é possível ou impossível agora, eh? — Embora Arthur falasse uma verdade inegável, Hugh lutava para aceitá-la. — Ele fez a mesma coisa com o trio de subordinados do príncipe demônio — continuou Arthur. — E todos de uma vez também. Embora eu ainda não tenha ideia de como diabos ele fez isso.

A única coisa que Arthur podia fazer era rir com pesar. Em sua jornada de volta à superfície, ele havia perguntado a Abel se ele sabia como Ryo havia feito o impossível, mas o rapaz estava igualmente perplexo.

— Abel chamou Ryo de anomalia e agora acho que ele está certo.

— Sinto que isso é um eufemismo neste ponto...

— Você tem razão, Hugh, mas não há muito que possamos fazer sobre ele, eh? No que me diz respeito, a coisa mais importante aqui é que aquele mago da água anômalo continue sendo amigo de Abel, o que espero que signifique que ele não tenha motivos para se voltar contra nosso país. Na sua posição, imagino que você sinta o mesmo, certo?

— Sim. Eu preferiria que Lune evitasse fazer dele um inimigo também.

Hugh exalou profundamente então.

— Ryo ser amigo de Abel o torna um aliado, mas haverá problemas se algum aristocrata tolo tentar interferir com o garoto. É por isso que não pretendo incluir o nome de Ryo em meu relatório. Você entende o que estou dizendo, não é, Hugh?

— Entendo, senhor. Vou deixá-lo fora do meu relatório também, então.

Assim, Ryo evitou ser envolvido na luta pelo poder dos nobres. Por enquanto.

No dia seguinte ao retorno de Abel e dos outros do Andar 40 da dungeon. Ryo estava correndo fora da cidade desde a manhã. Claro, ele tomou um café da manhã reforçado. Ele estava se sentindo inquieto por algum motivo desde a batalha de ontem, então decidiu correr para exorcizar o sentimento. No início, seus três colegas de quarto correram com ele, acompanhando o ritmo. Mas... a distância entre eles aumentou constantemente até que todos desistiram, um por um.

— Honestamente, Nils, você precisa se recompor. Como você pode fazer parte da vanguarda se desiste tão rapidamente? Você pode ir com calma, apenas continue correndo.

— Ryo... o problema... é... sua resistência...

Os outros dois estavam completamente exaustos, mas Nils, o espadachim, começou a correr novamente, embora lentamente e principalmente por teimosia.

— Bom! É assim mesmo. Com calma e tranquilidade. O vital é manter o corpo em movimento.

E com isso, Ryo acelerou e correu na frente.

— C-Certo...

Ninguém ouviu a resposta de Nils.

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