The Water Magician

Volume 2 - Capítulo 7

The Water Magician

Abel não sabia o que tinha acontecido. Num momento, sentiu seu corpo flutuando. No seguinte, estava aterrisando no chão, com o ambiente ao seu redor completamente diferente do que era antes. Ele se encontrava em um prado que se estendia por eras em todas as direções...

Ele olhou para a esquerda e para a direita e ficou um pouco aliviado ao ver Rihya, Lyn e Warren. Não muito longe, avistou Arthur e o resto da equipe de pesquisa do Bureau.

— Rihya, Lyn, Warren, vocês estão todos bem?

— Sim.

— Sim.

Warren assentiu.

— Arthur, e você? — Abel chamou o conselheiro do Bureau.

— Estou bem. Parece que o resto da minha equipe também foi transferido, eh? — Arthur respondeu enquanto examinava o local.

— O que você quer dizer com ‘transferido’?

— Há muito tempo, passei pela mesma coisa em uma dungeon nas Províncias Ocidentais. Não sei dizer se estamos em outra camada da dungeon ou em algum outro lugar. Mas... acredito que fomos movidos à força. — Arthur explicou enquanto se aproximava de Abel e seu grupo.

Os membros da equipe de pesquisa do Bureau se levantaram e o seguiram naturalmente. Vários deles seguravam detectores de magia residual.

— Os detectores estão funcionando normalmente?

— Sim, senhor. Acho que estão transmitindo os dados deste local para a equipe de análise na superfície...

— O que significa que a ajuda pode vir nos buscar, certo?! — Lyn disse alegremente.

— Será? — A expressão de Arthur era de dúvida.

— Algo está claramente te incomodando, Arthur, não é?

— Sim. Este espaço. Rihya, você não acha que se parece com algo?

Rihya, a sacerdotisa, ponderou a pergunta do conselheiro enquanto olhava para o céu. Depois de um curto período de reflexão, a resposta veio a ela.

— Parece uma Praça do Santuário...

Apenas sacerdotes e sacerdotisas de alto escalão podiam usar as Praças do Santuário. Eram um tipo de Magia de Defesa Absoluta, considerada um milagre divino. A capacidade de uma Praça do Santuário de repelir todos os tipos de ataques mágicos e físicos tornava o título de “milagre divino” apropriado.

No entanto, o fato de esta situação se assemelhar a uma Praça do Santuário significava...

— Basicamente, você está dizendo que estamos presos dentro de algum tipo de barreira? — perguntou Abel.

— A probabilidade é alta, sim. — respondeu Rihya. — Embora seja tão massiva que não dá para saber onde fica a fronteira.

No mínimo, então, eles estavam aprisionados em um local potencialmente perigoso. Até mesmo Abel entendeu isso. Por enquanto, eles precisavam investigar suas circunstâncias atuais.

— Lyn, você se importa de usar Sondar para ver se há algo ao nosso redor?

— Pode deixar! Traga para mim o pulso e a existência da vida. Sondar.

Seu feitiço se espalhou pelo ar e retornou informações para ela.

— Um grande número de formas de vida detectadas em uma área a cerca de quinhentos metros daqui. Eu diria cerca de mil pessoas? Além delas, há também cinquenta formas de vida adicionais que eu nunca encontrei antes.

— Mil pessoas... — murmurou Abel.

— Bem, a resposta mais provável é que Clive e seu pessoal foram jogados aqui conosco. — disse Arthur.

— Parece que fomos arrastados junto com os canários. Nenhum de nós teve tempo de escapar, eh? Que baita dor de cabeça... De qualquer forma, nossa única opção é ir naquela direção...

— É, acho que você está certo.

Então, a Espada Carmesim e a equipe de pesquisa do Bureau dos Magos Reais começaram a caminhar em direção ao local suspeito da equipe da Universidade Central.

Abel e os outros encontraram a equipe de pesquisa da Universidade quando chegaram ao local designado. Eles não tiveram tempo de verificar o entorno, no entanto, porque dezenas de rajadas de magia de fogo voaram abruptamente em direção ao grupo da Universidade, que parecia perplexo.

— Gaaaaaahhh!!!

— Queima, queima, queima!

O inferno se instalou. Havia poucas situações em que a frase se aplicava, e esta era definitivamente uma delas.

No final das contas, eles eram pesquisadores. Além disso, nem todos tinham ligação com a magia. Na verdade, a maioria deles não sabia usar magia. Era normal que pesquisadores que se destacavam em magia trabalhassem para o Colégio de Magia em vez da Universidade Real Central.

Isso, combinado com o fato de que quase nenhum deles tinha experiência em um campo de batalha, significava que era natural que pessoas como eles fossem incapazes de lidar com um ataque repentino.

Os que responderam foram os aventureiros.

— Magos, ergam as Barreiras Mágicas!

Uma Barreira Mágica era um tipo de magia não elemental capaz de repelir muitas magias ofensivas. Era uma magia defensiva incrivelmente poderosa que até magos novatos podiam usar. Pode-se até dizer que era um dos primeiros feitiços aprendidos por magos que iam em aventuras ou para a batalha.

No entanto, não era de forma alguma durável. Por essa razão, magos mais avançados frequentemente usavam um método chamado contra-aniquilação, no qual eles lançavam sua própria magia ofensiva contra a do oponente para obliterar suas proteções. Infelizmente, em uma situação como essa, onde tantos não combatentes precisavam ser protegidos... eles não tinham escolha a não ser usar o feitiço da Barreira Mágica.

— Merda! Que diabos são essas coisas?

— Não sei. Nunca vi monstros como esses até agora... E eles devem ser monstros, com essas caudas e tudo.

As criaturas bípedes mediam dois metros de altura e ficavam em pé. Algumas usavam o que parecia ser armadura, enquanto outras estavam vestidas com mantos. De longe, poderiam ser facilmente confundidas com humanos, se não fosse por uma grande coisa que as diferenciava dos humanos: suas grandes caudas reptilianas. Uma inspeção mais detalhada revelou rostos em algum lugar entre o de um humano e o de um lagarto... Talvez o termo grotesco os descrevesse bem.

Ao ouvir a pergunta de um aventureiro, o outro também não conseguiu dar uma resposta clara.

Mas então o Presidente Clive Staples, parado ali imóvel, com os olhos arregalados, sussurrou:

— Isso é um... demônio...

Embora ele tenha falado incrivelmente baixo, um aventureiro próximo o ouviu. Era um aventureiro de rank C, líder do grupo contratado por Clive na capital real.

— Clive, você acabou de dizer ‘demônio’?

— S-Sim, eu disse... Eu só li sobre eles em literatura de referência, mas essas características correspondem exatamente... — disse Clive, incapaz de desviar o olhar dos demônios.

— Droga... São cinquenta deles. Isso deve ser uma piada.

O líder também já tinha ouvido várias lendas sobre demônios. Ele ouvira que eram antagonistas dos deuses e anjos, que a magia não era eficaz contra eles, que os humanos nunca poderiam esperar derrotá-los, que tudo o que se encontraria ao se deparar com um era... desespero.

Os aventureiros contratados pela equipe de pesquisa da Universidade lutaram bravamente. Enquanto protegiam os pesquisadores com Barreiras Mágicas, eles sincronizaram seu contra-ataque com magia ofensiva. Mas, assim como as lendas afirmavam, os demônios repeliram todos os seus ataques mágicos.

Nesse ponto, restava apenas uma opção viável: combate corpo a corpo. No entanto, como os demônios se recusavam a se aproximar, os aventureiros não tiveram escolha a não ser levar a luta até eles. Cem metros os separavam. Levaria mais de dez segundos para fechar a distância. Durante esse tempo, eles precisavam se aproximar o suficiente para evitar serem atingidos pelas magias dos demônios.

Eles desviaram de suas magias, bloquearam com as suas próprias ou repeliram com escudos? Cada grupo tinha o know-how para evitar magias ofensivas e entrar em alcance de combate corpo a corpo através da experiência. Havia monstros que usavam principalmente magia de ataque de longo alcance e, em alguns casos, havia comissões para caçá-los.

— Vamos nessa, rapazes!

— Sim!

Então os aventureiros avançaram. Os magos protegeram os não combatentes com Barreiras Mágicas. Os sacerdotes curaram os feridos. A vanguarda apostou tudo o que tinha em seu ataque de curta distância.

Uma distância de cem metros, um intervalo de dez segundos. No máximo, eles poderiam desviar de dois ou três ataques antes de chegarem ao alcance dos demônios. Como esperado, o grande número de aventureiros que compunham a vanguarda conseguiu fazer com que seus oponentes entrassem em combate corpo a corpo. Eles conseguiram, mas...

— Morra! Morra! Ngh!

Mas... os demônios também eram versados em combate corpo a corpo. Eles cortaram os corpos e as armas dos aventureiros em pedaços. Eles mandaram os autoproclamados portadores de escudos de poder voando, com escudos e tudo. Eles passaram por lanças rápidas como um raio e cravaram suas lâminas em seus portadores.

Em meio a tudo isso, a retaguarda dos demônios continuou sua impiedosa chuva de feitiços de ataque contra a equipe de pesquisa. Após inúmeras tentativas de reconstruir as Barreiras Mágicas, os magos desmoronaram no chão, com suas reservas de energia mágica esgotadas.

Eles foram sobrepujados magicamente e sua estratégia de combate corpo a corpo não estava funcionando. A situação se deteriorava constantemente. A essa altura, os membros da equipe de pesquisa capazes de usar magia, incluindo Clive, ergueram Barreiras Mágicas adicionais. Mas... era apenas uma questão de tempo até que sua frente desmoronasse.

Foi nesse momento que a Espada Carmesim e a equipe de pesquisa do Bureau chegaram. A equipe da Universidade estava à beira de ser esmagada, com sua vanguarda em ruínas e sua retaguarda esgotada de magia. Eles agora estavam finalmente perto o suficiente para fazer uma confirmação visual do inimigo, que acabou por ser...

— Não pode ser... Demônios...? — Rihya, a sacerdotisa, murmurou involuntariamente.

— Demônios de fato. Que visão rara... Parece que a outra equipe de pesquisa está quase no fim. Clive é o único que resta para sustentar a Barreira Mágica restante. — disse Arthur, observando o líder da equipe de pesquisa da Universidade manter sozinho a proteção. Embora ele pudesse usar magia, ele era originalmente um não combatente e um estudioso até os ossos. Seus esforços atuais, no entanto, provavam claramente por que ele era o presidente da escola.

— Atacaremos pelo flanco. Preparem-se para lançar o ataque de trio em cluster.

Todos os membros da equipe de pesquisa do Bureau obedeceram à ordem de Arthur e começaram a entoar o feitiço para o ataque especializado de longo alcance.

— Fogo!

Seu ataque mágico estilo dardo, com seu alto poder de penetração, perfurou o grupo de demônios que continuava a atacar a Barreira Mágica erguida por Clive. A única saraivada incapacitou mais de dez demônios, tornando-os inúteis em combate.

Rihya, que havia aprendido sobre demônios durante sua educação no templo central, olhou com espanto para o espetáculo inacreditável que se desenrolava diante de seus olhos. — Incrível... Pensei que a magia não era eficaz contra demônios...

— Isso não é exatamente preciso. — disse Arthur, com um leve sorriso no rosto. — Se um trio de magos se concentrar em um demônio, eles podem romper sua barreira. No entanto, este método de ataque não funcionará em membranas defensivas feitas de ar, como as que os wyverns se cobrem.

Como comandante de suas tropas, Arthur estrategizava calmamente em sua mente, mesmo enquanto sorria na superfície.

Podemos derrubá-los. Podemos fazer isso, mas... seus números são grandes demais. O ataque estilo dardo consome uma quantidade absurda de magia, então, no máximo, podemos disparar quatro rodadas... o que não será suficiente para derrubá-los todos. No final das contas, isso significa uma luta corpo a corpo, eh?

Depois disso, a equipe de pesquisa do Bureau continuou a utilizar seus ataques de trio em cluster enquanto diminuía a distância pouco a pouco. Quatro saraivadas resultaram em mais de trinta demônios derrotados. No entanto, além de Arthur, todas as pessoas sob seu comando estavam inconscientes devido ao esgotamento de suas energias mágicas. O mesmo aconteceu com a equipe de pesquisa da Universidade. Com sua própria magia se esvaindo, Clive também estava à beira do colapso.

Arthur, que tinha apenas um resquício de magia, e os quatro membros da Espada Carmesim eram os únicos que ainda podiam lutar. Por outro lado, os demônios tinham cerca de vinte indivíduos restantes do seu lado. Para piorar, na retaguarda de seu grupo havia um demônio com um físico muito maior que irradiava uma presença incomparavelmente mais poderosa que o resto.

— Bem, essa coisa parece perigosa, hein? Tudo bem, tudo o que temos que fazer agora é diminuir seus números em combate corpo a corpo. Warren, vamos avançar com um ataque em fila única.

Sob a instrução de Abel, Warren preparou seu escudo gigante à sua frente e começou a correr. Escondidos atrás de seu corpo e escudo, Abel, Lyn e Rihya seguiram em uma única linha. Do ponto de vista dos demônios, tudo o que veriam era um escudo maciço avançando sobre eles.

Por causa de sua grande constituição e escudo igualmente grande, os oponentes de Warren sempre subestimavam seus movimentos como lentos e maçantes. Nada estava mais longe da verdade. Sua velocidade máxima rivalizava com a de Abel e ele possuía um suprimento de resistência praticamente inesgotável. Até mesmo sua força física superava a de um ogro enorme. Embora fosse um aventureiro, ele também era conhecido como o usuário de escudo número um do Reino, e ele não havia conquistado o aclame levianamente.

Naturalmente, ele controlou a velocidade de seu ataque em fila única para levar em conta não apenas Abel, mas também Lyn e Rihya. Mesmo assim, levou menos de vinte segundos para fechar a distância de cem metros. O escudo de Warren repeliu todos os ataques direcionados ao grupo durante esse tempo.

Quando ele alcançou os demônios, ele usou o impulso de sua investida para romper a vanguarda deles. Abel saltou de trás dele e correu para a abertura criada pelo escudo do grupo. Lyn e Rihya o seguiram rapidamente e atingiram seus alvos com feitiços de curto alcance no que poderia ser chamado de um ataque improvisado de duo em cluster. Warren mais uma vez entrou na brecha, afastou os demônios com seu escudo, estabeleceu uma cabeça de ponte e começou a ampliá-la.

Com Warren no centro, Abel à direita, e Lyn e Rihya à esquerda, a Espada Carmesim abriu caminho através do inimigo. Para evitar serem surpreendidos pela retaguarda, eles avançaram em forma de leque a partir do ponto em que romperam a linha.

Entre eles, Abel era o mais rápido em exterminar os demônios. Ele deixou que as espadas deles resvalassem na sua e cortou suas cabeças quando eles perdiam o equilíbrio. Mas alguns de seus oponentes representaram um desafio por causa de sua proficiência anormal na esgrima. De todos os monstros que ele havia lutado até agora, eles eram de longe os mais perigosos.

Depois que a Espada Carmesim lançou seu ataque, a retaguarda dos demônios mudou seus alvos de Clive para eles e Arthur. Quanto mais eles quebravam sua linha, mais focados seus ataques mágicos se tornavam. Por mais resistente que fosse, até mesmo Abel sentiu o peso da exaustão pressionando-o enquanto lutava em combate corpo a corpo e simultaneamente se esquivava de seus feitiços. Foi pior para Lyn, a maga, e Rihya, a sacerdotisa, que não conseguiam manter a Barreira Mágica e usar magia ofensiva ao mesmo tempo.

Talvez um certo mago da água fosse capaz do feito, mas... Não, espere, o dito mago da água nunca havia usado o feitiço da Barreira Mágica... Além disso, nenhuma técnica ainda havia sido estabelecida nas Províncias Centrais para permitir que uma pessoa ativasse vários tipos de magia simultaneamente.

Isso significava que a única maneira de lutar era alternar entre curtas rajadas de defesa e ataque. E nesta ocasião, as duas mulheres foram forçadas a um estilo improvisado de ataque de duo em cluster. Normalmente, isso teria dado errado imediatamente, mas tanto Lyn quanto Rihya haviam sido treinadas em inúmeras batalhas no passado.

Porque o nome do grupo de rank B, Espada Carmesim, não era apenas para exibição.

No segundo em que lançaram seu ataque em fila única e se engajaram em combate corpo a corpo, os quatro eliminaram doze demônios. O grupo, no entanto, estava no seu limite. No momento em que Lyn liberou sua Lança de Ar em conjunto com a Lança de Luz de Rihya, a jovem desmoronou, sua magia completamente esgotada. Isso marcou o início de sua queda.

— Lyn! — Abel gritou quando viu a cena pelo canto do olho.

— Lyn ficou sem magia. Warren, cubra-nos! — Rihya exclamou e puxou o corpo de Lyn para recuar.

Usando efetivamente seu próprio corpo como um escudo, Warren se plantou na frente delas para impedir que o inimigo as perseguisse. A Espada Carmesim havia esgotado seu suprimento de poções mágicas no momento em que Lyn esgotou sua própria reserva de energia mágica. A magia de Rihya também estava quase nula neste ponto. Ela mal tinha o suficiente para erguer mais uma Barreira Mágica.

Restavam seis demônios, um dos quais parecia ser o chefe. Embora estivesse em pé sobre duas pernas e possuísse uma cauda reptiliana como os outros, ele era uma cabeça mais alto que seus irmãos. E aquela cabeça ostentava dois chifres. Sem mencionar a aura intelectual que emanava, apesar de ser um monstro... Quase como se estivesse dizendo que poderia lidar com eles sem muito esforço.

Infelizmente, além do chefe, três dos outros pareciam completamente diferentes para Abel dos que ele havia derrotado até agora.

— O chefe e aqueles três, mais dois fracotes, huh...

— Abel... Aquele chefe pode ser um príncipe demônio... — sussurrou Rihya por trás do escudo de Warren.

Uma pausa, e então, — O quê?

Rihya, que diabos você está falando, isso é impossível, demônios já são ruins o suficiente, mas um príncipe demônio, sério, que diabos você está falando Rihya, aha ha ha ha ha ha.

Perdendo o controle da realidade, Abel de repente quis dizer essas palavras. Mas ele entendeu que ela não estava brincando.

— Os olhos esquerdo e direito são de cores diferentes... o que é uma característica única de um príncipe demônio.

Ao inspecionar mais de perto, ele descobriu que ela estava certa. O olho direito era vermelho e o esquerdo, dourado.

— Deixe-me ver se me lembro direito... Um príncipe demônio é o estado antes de despertar para rei demônio?

— Correto. Como você disse, Abel, um príncipe demônio tem o potencial de despertar como um rei demônio. Apenas quatro existem simultaneamente e apenas um deles se tornará o rei demônio. Foi o que me ensinaram no templo.

— Já ouvi algo assim antes. Eles são... fortes, certo?

— Acredito que não existam registros de ninguém além de heróis derrotando príncipes demônios... — disse Rihya, um fino tremor escorregando em sua voz.

O herói atual supostamente vivia nas Províncias Ocidentais, mas... as Províncias Centrais não foram informadas sobre os detalhes. Apenas um herói existia em cada geração.

— Por enquanto, vou eliminar os que não são o príncipe demônio. Não se preocupe — Abel fez uma pausa — é o que eu gostaria de te dizer, mas sei que você vai se preocupar de qualquer maneira. Mas quem sabe? Algo inesperado pode acontecer. Por exemplo, este espaço semelhante a uma barreira pode ser rasgado. Então não perca a esperança ainda.

— Abel... — disse Rihya, com a voz suplicante, mas Abel simplesmente sorriu em resposta, e então mais uma vez encarou os demônios.

Dois demônios comuns, três fortes e um possível príncipe demônio. Abel não tinha a impressão de que poderia vencer os fortes, mesmo que os enfrentasse um a um. Isso era ainda mais verdadeiro para o príncipe demônio... cujas profundezas de poder ele não conseguia sequer imaginar.

Que situação desesperadora...

Espere, não. Isso pode ser melhor do que a vez em que o grifo ficou na nossa frente...

O monstro que havia descido repentinamente na frente dele e de Ryo na jornada de volta da Floresta de Rondo... Abel decidiu que, de fato, achava essa situação mais preferível do que aquela. Quando o fez, sentiu a tensão desnecessária deixar seu corpo.

— Vou começar com os dois fracotes primeiro...

Ele avançou explosivamente contra os dois demônios comuns. Aquele que ele alvejou balançou sua espada de lado para ele. Ele se curvou para frente para desviar do corte e usou esse impulso para se aproximar o suficiente para poder apunhalar seus corações por baixo. Ele sentiu as pedras mágicas se estilhaçando. De suas batalhas anteriores contra eles, ele aprendeu que suas pedras mágicas ficavam perto de seus corações e, como qualquer outro monstro, eles morriam quando suas pedras mágicas eram destruídas.

Abel retirou sua espada do demônio derrotado, então usou a energia do movimento para girar e decapitar o segundo. A experiência ensinou a Abel que ele tinha que destruir a pedra mágica do demônio ou decapitá-lo para derrubá-lo de um só golpe.

Agora ele podia finalmente enfrentar seu último desafiante. Exceto que algo inesperado aconteceu. O príncipe demônio ergueu a mão e disparou sua magia contra o escudo de Warren. Warren foi arremessado para trás, com escudo e tudo, junto com Rihya e Lyn, que ele protegia atrás dele.

Um grito rasgou de Abel: — Rihya!

— Estamos bem! Nós três estamos bem! — ela gritou de volta para ele.

Por que o príncipe demônio fez tal coisa? Ele encontrou sua resposta imediatamente. O príncipe demônio subjugou seus três guarda-costas e avançou com a espada na mão. Parecia que ele queria duelar com Abel em combate singular.

— Então você os mandou para longe para garantir a arena para nós, hein? Cara, os demônios são realmente imprudentes.

Ele não achava que o príncipe demônio pudesse entendê-lo, mas Abel disse as palavras mesmo assim.

O príncipe demônio pareceu sorrir um pouco.

Bem, não havia como uma criatura tão inferior pensar em se envolver em um combate singular, então... talvez essa fosse sua maneira de mostrar respeito a um oponente forte? Ou talvez estivesse simplesmente se divertindo por tédio? Abel não sabia.

No entanto...

Droga, que sorte a minha. De repente, poder lutar contra o príncipe demônio, a quem eu não teria conseguido alcançar sem derrubar os três subordinados primeiro. Embora se eu posso ou não vencer seja um problema totalmente diferente...

Sempre alerta, Abel segurou sua espada com firmeza, com as mãos firmes. O príncipe demônio ainda não havia levantado sua espada, sua lâmina ainda pendurada em sua mão direita, mas Abel sabia que seu oponente não havia baixado a guarda. Era uma lâmina fina, diferente das espadas dos outros demônios. Nada enorme. A lâmina media um metro de comprimento e, levando em conta a força física de um demônio, ele podia facilmente imaginar o príncipe demônio balançando-a com uma velocidade incrível.

O príncipe demônio foi quem quebrou o silêncio opressivo. Ele fechou a distância entre eles em um instante e cortou Abel de baixo para cima, pela direita.

Tão rápido!

Como a velocidade foi mais rápida do que o esperado, Abel percebeu que não poderia desviar da espada, então a bloqueou com a sua própria por cima. Tecnicamente, ele tentou bloquear, mas acabou sendo arremessado para trás.

Velocidade desumana acoplada com poder desumano. Isso é ruim.

No momento em que percebeu que não conseguiria bloquear completamente a espada, ele havia saltado para trás por vontade própria, o que significava que não estava ferido. Nenhuma lesão, mas... ele também não conseguia se imaginar vencendo.

Desta vez, seu oponente ergueu a espada acima da cabeça.

Oh, droga. Oh, não. Isso não está parecendo bom para mim. Consegui evitar o choque do primeiro ataque saltando para trás porque ele balançou de baixo para cima. Mas não há como eu fazer isso se ele me atacar de cima.

Um inimigo capaz de mergulhar seu oponente em desespero simplesmente erguendo sua espada... Em circunstâncias normais, Abel seria aquele fazendo exatamente isso.

É menos uma boa técnica de espada e mais velocidade e poder. Mas ele também não se move como um amador. Acho que faz sentido que ele esteja confiante em suas habilidades. Caso contrário, por que se dar ao trabalho de conter seus lacaios e me desafiar para um duelo um contra um?

Abel pegou sua própria espada e diminuiu firmemente a distância entre eles.

No entanto, naquele momento, mais de dez feitiços mágicos correram de lado em direção ao príncipe demônio. Os magos do grupo de aventureiros contratados pela equipe de pesquisa da Universidade de alguma forma conseguiram acumular um pingo de energia mágica através de seu descanso forçado e agora usaram cada pedacinho dela para disparar juntos no príncipe demônio, o chefe inimigo.

Seja por seu próprio descuido ou foco intenso em sua luta contra Abel, o príncipe demônio levou um golpe direto da magia de ataque. Os magos ficaram sem magia mais uma vez e desmaiaram no instante em que lançaram o feitiço. Pode ter sido uma bênção que eles nunca soubessem o resultado.

Por quê?

Porque o feitiço deles não infligiu um traço de dano...

— Todas aquelas magias... repelidas... — sussurrou Rihya. Ela, Warren e Lyn haviam sido arremessados para uma área perto dos magos reais.

— Embora o ataque de trio em cluster funcione em demônios comuns, a magia pode ser uma arma ineficaz contra essa coisa... — Arthur comentou quase distraidamente, apesar de estar pálido e à beira de esgotar sua magia.

Os demônios reagiram violentamente. Os três subordinados lançaram feitiços de magia de fogo de longo alcance um após o outro na equipe de pesquisa da Universidade.

— Ngh...

Ninguém tinha magia suficiente para erguer uma Barreira Mágica. Nem a equipe de pesquisa da Universidade, nem a do Bureau, nem a Espada Carmesim...

Arthur, que não tinha como parar o ataque dos demônios, mordeu o lábio e aguentou.

Os joelhos de Rihya fraquejaram e ela desabou no chão. Lágrimas escorreram incontrolavelmente de seus olhos.

Embora a situação tenha se tornado terrível, Abel mal notou em sua concentração obstinada na batalha à sua frente. Ele sabia que o príncipe demônio o atacaria com a espada erguida. Ele só tinha uma chance.

E seu oponente fez exatamente isso — mais rápido do que antes, mas não inesperado. O golpe para baixo veio mais rápido que o movimento do príncipe demônio. Era o que Abel esperava.

— Habilidade de Espada: Giro Zero.

A técnica em que ele desviava do ataque do inimigo no último momento, girando a perna direita quarenta e cinco graus em um eixo e usando esse impulso para cravar a espada no lado esquerdo desprotegido do inimigo. Não havia outra técnica que se encaixasse mais perfeitamente no termo “golpe especial”.

A espada de Abel cortou pela esquerda do demônio e... perfurou apenas o ar. Seu oponente havia movido a parte superior do corpo um pouco para trás para desviar do ataque.

— Não pode ser... — As palavras escaparam.

Esta era uma abertura fatal em uma luta de espadas. O príncipe demônio usou as costas de sua mão esquerda vazia para atingir Abel no queixo por baixo. Abel se apressou para evitar o impacto total do golpe, movendo simultaneamente a parte superior do corpo para longe e saltando para trás para criar alguma distância necessária entre eles. Mas o soco ainda assim roçou seu queixo, deixando seu cérebro um pouco confuso enquanto sua cabeça balançava. Ele quase certamente tinha uma concussão.

Uma fraqueza na estrutura do cérebro humano que não podia ser compensada com treinamento. Então... ele não conseguiu se levantar de onde caiu. Mal conseguiu segurar sua espada. Abel a agarrou com força, pronto, mesmo enquanto se apoiava em um joelho no chão. Ele olhou para o príncipe demônio que se aproximava vagarosamente.

— Abel! — Rihya gritou de longe.

Me desculpe, Rihya. Acho que não consigo sobreviver a isso...

Mas aqui, pela terceira vez, a batalha deu outra virada. O teto rachou e pedaços de rocha caíram. Até mesmo o príncipe demônio e seu trio de subordinados olharam para cima, confusos com o ocorrido repentino.

Abel também olhou para cima, apenas para ver um mago da água solitário descendo de cima. A figura de Ryo, como se envolta em brilhantes fragmentos de gelo, parecia algo saído de um conto de fadas.

Então sua voz familiar soou:

— Muralha de Gelo de 10 Camadas.

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