The Runesmith

Volume 14 - Capítulo 671

The Runesmith

“… Do que se trata, Mestre?”

Ermes aproximou-se da mesa isolada onde Roland, Bernir e Hasim estavam sentados. Seu tom demonstrava confusão, e era evidente que algo sério estava prestes a ser discutido. A expressão de Hasim era solene, enquanto a meia máscara de Roland revelava apenas um lado de seu rosto, que de resto permanecia inexpressivo.

“Você é o Sr. Ermes, certo?”

“Ah, sim, sou eu. E o senhor é…?”

Embora o ferreiro humano não soubesse quem era Roland, percebeu que o homem ocupava uma posição elevada. Seu equipamento encantado estava impecável, e a presença de cavaleiros observando à distância tornava isso ainda mais evidente. Roland inclinou levemente a cabeça, tomando cuidado para não parecer intimidador demais.

“Pode me chamar de Wayland. Sou um artesão, assim como você, embora meu trabalho tenda a ser de escopo diferente.”

Ermes piscou, claramente tentando se lembrar do nome, e então a ficha caiu.

“Ah, o senhor Siegfried já mencionou esse nome antes. Então o senhor é aquele Sir Wayland…”

Roland assentiu com a cabeça. Como Siegfried, ele havia falado do esquivo runesmith que vivia em Albrook e forjou a armadura negra que ele usava. Embora poucos reconhecessem o nome, a armadura falava por si só para qualquer artesão que a visse. Ermes imediatamente compreendeu que estava falando com um mestre de grande habilidade, e o fato de ter chegado acompanhado de Hasim deixava claro que aquela não era uma visita comum.

O olhar de Ermes desviou-se de Roland para Hasim, depois para Bernir, que tentou, sem sucesso, parecer que pertencia àquele lugar. Em vez disso, estava com a cabeça enfiada num jarro enquanto os outros dois conduziam a conversa.

“… O que está acontecendo aqui, Mestre Hasim?”

O anão cruzou os braços, com uma expressão mais pesada do que antes.

“É… sente-se, Ermes. Isso vai levar um tempinho. É sobre a garota.”

Só isso já foi suficiente para deixar Ermes tenso. Ele puxou uma cadeira e sentou-se, com as costas eretas e as mãos apoiadas nos joelhos, como se estivesse se preparando para más notícias.

“Millie? Ela fez alguma coisa? Ela foi grosseira com…?”

O pai de Millie tirou imediatamente a conclusão errada, o que não era surpreendente. Não havia motivo para Roland se interessar por sua filha. Mesmo que sua classe fosse conhecida, a maioria dos mestres artesãos perceberia rapidamente sua falta de habilidade.

“Ah, nada disso, rapaz. Agora escute bem! O mestre Wayland quer levar Millie como aprendiz, e acho que você deveria ouvir o que o rapaz tem a dizer.”

Hasim recostou-se como se tivesse cumprido sua parte. Roland acenou com a cabeça para o velho anão e depois se virou para o pai, que parecia confuso e desconfiado do homem à sua frente.

“Você quer aceitar minha filha como aprendiz? Isso é alguma piada?”

“Garanto-lhe, Sr. Ermes, que isto não é uma brincadeira. Estou ciente das circunstâncias da sua filha.”

Nesse momento, Ermes estreitou os olhos e olhou para Hasim, que franziu a testa.

“Não me olhe assim, rapaz. Essa ideia não foi minha. Ele percebeu na hora que ela era importante, que safado. Esse homem é mesmo bom se consegue desmascarar alguém tão discreta assim.”

Ficou claro que o pai não confiaria sua filha a Roland tão facilmente, e Roland não esperava que o fizesse. Mesmo assim, não viera para proferir palavras vazias. Pretendia provar que podia ajudar a menina a prosperar. Para isso, primeiro precisava do apoio dos pais dela, e acreditava saber como consegui-lo. Roland deixou o silêncio se prolongar o suficiente para que o peso do momento pairasse sobre a mesa antes de finalmente falar.

“Não tomei essa decisão de ânimo leve. Acredito que posso ter uma resposta para a ‘condição’ de sua filha. Antes de decidir qualquer coisa, permita-me avaliá-la.”

“Você quer testar minha filha, mas eu não acho que ela será capaz…”

“Não se preocupe. Eu entendo a classe dela e os problemas de mana que ela provavelmente está enfrentando. Mas e se eu lhe dissesse que posso aliviar esses problemas? Se eu estiver certo, ela poderá começar a subir de nível normalmente a partir de agora.”

“… ”

Ermes ficou em silêncio. Roland não conseguia decifrar o que o homem estava pensando, mas dificilmente o culpava por sua desconfiança. Um estranho aparecera do nada, pedindo para levar sua filha embora. Felizmente, Hasim estava do seu lado e escolheu aquele momento para se pronunciar.

“O que você está fazendo, rapaz? Aceite a oferta e veja o que ele consegue fazer. Se não der em nada, você não perde nada. Mas se ele estiver certo… E não se preocupe, estou aqui. Não vou deixar ele tentar nada suspeito.”

Os dedos de Ermes se curvaram levemente contra os joelhos. Seu olhar desviou-se novamente, desta vez para o balcão onde Millie ajudava a mãe, carregando pratos com cuidado. Havia hesitação ali, e a dúvida inconfundível de um pai preocupado. Era evidente que ele já havia tentado muitas coisas e temia que mais esperança só levasse à decepção.

“Você está pedindo muito. Não quero dar falsas esperanças à criança… não de novo.”

Roland compreendeu o que o homem queria dizer. Millie já não era tão jovem, e seu progresso havia estagnado há muito tempo. Ela provavelmente já havia se conformado com sua situação. Se a oferta dele falhasse, poderia reacender esperanças apenas para destruí-las novamente, deixando-a magoada e desanimada.

“Entendo suas preocupações, mas se me permitir, acredito que posso ajudar sua filha a progredir aqui e agora. Não deve demorar muito.”

“Você vai ajudar a Millie a subir de nível? Aqui e agora?”

Roland assentiu com a cabeça. Ele já havia considerado o problema e como resolvê-lo. Millie precisava de uma grande quantidade de mana para escrever pergaminhos, mas isso exigia recursos que sua família não podia pagar. Embora Hasim fosse um artesão experiente, ele não tinha conhecimento em áreas como emprestar mana e compreender as ondas de mana, ambas as quais poderiam ajudá-la. Roland, por outro lado, estava longe de ser um artesão comum. Havia estudado magia rúnica e outras disciplinas para criar coisas que nunca existiram neste mundo.

“Será mesmo possível? E se falharmos?”

“Então esquecemos essa conversa e eu vou embora.”

Ermes o estudou por um longo momento, procurando em seu rosto o menor indício de dissimulação. Roland não desviou o olhar. Aprendera há muito tempo que a hesitação gerava dúvidas, e a dúvida podia arruinar uma oportunidade antes mesmo de ela começar.

“E se você conseguir?”

Ermes finalmente perguntou.

“Então você terá a prova de que sua filha pode progredir e se tornar algo mais.”

“Algo mais…”

O maxilar do pai se contraiu. Seu olhar voltou-se mais uma vez para Millie, que agora ria baixinho de algo que sua mãe havia dito, completamente alheia à conversa que poderia decidir seu futuro.

“E quanto me custaria essa avaliação?”

Ermes perguntou.

“Nada.”

A resposta veio sem hesitação. Roland já havia compreendido a preocupação por trás da pergunta.

“Sr. Ermes, sei o que o preocupa. Não procuro um escravo, apenas um aprendiz. Alguém leal, alguém em quem eu possa confiar o conhecimento que adquiri.”

“Entendo…”

Depois disso, Ermes ficou em silêncio, perdido em pensamentos. Roland não tinha certeza se suas palavras o haviam alcançado, e era natural que o pai de Millie fosse cauteloso. Não fazia muito tempo, quase fora morto, depois capturado, e só recentemente conseguira voltar para casa. Mandar sua única filha embora com um estranho que lhe fizera tantas promessas não era uma escolha fácil para nenhum pai. Significava depositar sua confiança em alguém desconhecido.

Contudo, neste mundo moldado pelo sistema, uma verdade permanecia. Uma pessoa precisava subir de nível e progredir para viver dignamente. Mesmo que a esperança fosse tênue, Roland sabia que um pai não podia simplesmente ignorar tal oportunidade. O futuro de sua filha estava em jogo e, com o apoio de Hasim, a possibilidade de que essa oportunidade fosse genuína parecia grande.

“Você mencionou uma avaliação. O que você quis dizer com isso?”

“É uma questão simples. Que tal irmos para uma sala separada e eu lhe mostro? Não deve demorar muito.”

Parecia que havia conseguido convencê-lo. Após um instante, o pai assentiu com a cabeça e se levantou, saindo para buscar Millie e informar sua esposa sobre o pedido. Enquanto eles conversavam, Roland ficou para trás com Hasim, que lhe fez um alerta discreto.

“É melhor você não estar falando besteira, rapaz.”

A voz de Hasim era baixa, e o tom deixava a ameaça clara.

“Eu não estou.”

“Se alguma coisa acontecer àquela moça, aqueles cavaleiros elegantes não poderão salvar a sua pele.”

Era uma ameaça direta, uma que Roland teve que aceitar. Hasim era um artesão conhecido por produzir itens raros e épicos para muitos aventureiros. Ele provavelmente havia acumulado riqueza, fama e conexões poderosas. Não seria surpreendente se pudesse contratar assassinos ou até mesmo grupos inteiros de aventureiros para ir atrás dele caso algo acontecesse com Millie.

“Nada vai acontecer. Pode confiar na minha palavra.”

“Sim. Porque se você alimentar as esperanças daquela moça e depois destruí-las, não me importa o acordo que tenhamos assinado. Eu mesmo irei atrás de você!”

Roland soltou uma risadinha.

“Vou levar isso em consideração.”

Ficou claro que Millie era muito querida. Fosse amor ou simples compaixão por alguém incapaz de progredir dentro do sistema, a preocupação era genuína. Satisfeito com a resposta, Hasim apenas grunhiu e recostou-se.

Ermes demorou alguns minutos para retornar. Quando voltou, fez um gesto em direção a uma das portas de serviço.

“Por aqui.”

Sua voz estava mais baixa agora, embora a tensão não tivesse diminuído. Na verdade, havia se tornado mais firme, como a de um homem se preparando para um desfecho que não tinha certeza se queria encarar. Ele claramente desejava que sua filha se tornasse mais forte, mas temia vê-la sofrer novamente.

“Mestre Bernir, por que o senhor não fica aqui? Não vou demorar.”

“Sim, Mestre Wayland.”

Roland se levantou sem hesitar. Hasim o seguiu com um grunhido, deixando Bernir para trás para comer e beber. Eles passaram por uma porta solitária que dava para os aposentos dos fundos da estalagem. Era a primeira vez que Roland via aquela área, e parecia ser onde Millie e seus pais moravam e dormiam.

“Papai? Do que se trata?”

Lá dentro, Millie estava perto de uma mesa com as mãos juntas à frente do corpo. Sua mãe permanecia encostada na parede, segurando uma bandeja vazia firmemente contra o peito.

“Você também? Por que todos estão com essa cara tão séria?”

O olhar de Millie percorreu os dois, a confusão estampada em seu rosto. Provavelmente lhe haviam contado algo, mas não a história completa. Ermes deu o primeiro passo.

“Este homem, Mestre Wayland, deseja avaliá-la.”

“Me avaliar?”

As sobrancelhas dela se franziram à medida que a confusão aumentava. Ele esperava que os pais dela explicassem tudo, mas parecia que aquele era um assunto delicado para a família. Talvez já tivessem tentado de tudo e não quisessem alimentar novas esperanças. Mesmo assim, com a insistência dele, não podiam mais recusar.

“Não é nada complicado. Só quero confirmar uma teoria.”

Enquanto falava, ativou uma runa espacial embutida em sua armadura. Um breve clarão se seguiu. Hasim ergueu uma sobrancelha, mas, ao não perceber nada de perigoso, permaneceu em silêncio para tranquilizar os pais.

“Isto é papel pergaminho e tinta mágica?”

“Exatamente. Millie, eu gostaria que você fizesse um pergaminho para mim.”

“Um pergaminho? Mas eu…”

A ficha caiu e ela se virou para os pais. Ambos assentiram com a cabeça.

“Está tudo bem. Faça o que o senhor pediu.”

Ermes falou calmamente, e Hasim assentiu levemente em sinal de tranquilidade. Roland, porém, não havia terminado. Ele continuou a retirar itens de sua runa espacial. Logo, uma pulseira pálida feita de ligas de nível dois apareceu em sua mão. Para surpresa de todos, ela começou a se transformar.

“Oh, mais runas estão aparecendo!”

Millie apontou para a pulseira. Sua superfície, antes lisa em alguns pontos, agora estava repleta de padrões rúnicos que se rearranjavam, prontos para serem configurados a qualquer momento. Hasim observava de lado, coçando a barba.

“Suas reservas de mana devem ser enormes. É por isso que você está tão confiante?”

“Algo assim.”

“Mas me entregue isso e deixe-me verificar primeiro.”

Hasim exigiu ver a pulseira primeiro e, depois de verificar as runas, devolveu-a com um aceno de cabeça.

“Hmm… parece bom.”

Roland acenou com a cabeça para o anão, que pareceu surpreso por ele ter conseguido transformar as runas sem um martelo de ferreiro. A forja de runas podia ser forçada dessa maneira, mas exigia muito mais mana do que usar a ferramenta adequada. Mesmo assim, o encantamento não demorou a ser concluído. Assim que terminou, entregou a pulseira a Millie.

“Coloque isto. Agora está sintonizado com você e deve compensar suas baixas reservas de mana para que possa escrever um pergaminho mágico normalmente. Vamos lá, experimente.”

“Isso… isso vai funcionar?”

Millie pegou a pulseira e a segurou com cuidado, como se fosse um tesouro precioso. Hesitou, virando-a nas mãos. O metal pálido brilhava fracamente, as runas pulsando suavemente como se estivessem vivas. Ela olhou para o pai, cujo olhar repousava sobre ela com uma mistura de ceticismo e esperança. Então, lentamente, deslizou a pulseira no pulso.

Uma leve sensação de calor espalhou-se por sua pele. Seu peito se elevou como se, de repente, ela pudesse respirar com mais facilidade, e suas mãos formigaram com uma energia sutil que ela nunca havia sentido antes. Mesmo assim, a dúvida ainda persistia.

“Agora tente escrever algo. Qualquer coisa serve. Talvez um feitiço que você tenha praticado antes, mas não conseguiu terminar?”

Roland falou calmamente, com a voz firme. Percebeu que ela estava nervosa, mas também ansiosa. Não tinha certeza de quanto tempo estava estudando com a classe de Calígrafo de Mana, mas imaginou que começaria com algo simples.

“Certo…”

Finalmente, ela pegou a pena e iniciou um processo que Roland conhecia bem. Era semelhante ao que ele fizera quando obteve sua primeira classe de Escriba de Mana Rúnica. A tinta mágica precisava ser infundida com mana, e a habilidade precisava se manifestar enquanto o escriba escrevia no papel especial.

“Ela… ela parece bem. Será que está mesmo funcionando?”

Lysa, a mãe de Millie, foi a primeira a perceber. O pai de Millie deu um passo à frente, assentindo lentamente. Normalmente, este seria o momento em que Millie mostraria sinais de esgotamento de mana, mas nenhum apareceu. Sua pena deslizou rapidamente sobre o pergaminho, como se guiada por instinto, como se ela tivesse esquecido que mana já fora um problema.

Roland observava em silêncio por trás dela, estudando sua caligrafia. O feitiço que ela estava conjurando despertou antigas lembranças. Era um simples feitiço orbe de luz feito de mana. Para sua surpresa, a escrita dela era limpa e segura, muito mais uniforme do que a sua própria quando começou como escriba. Era evidente que havia praticado bastante. Em poucos minutos, ela terminou, e a pulseira suportou o custo de mana com facilidade.

“Eu… eu fiz isso?”

“Parece que sim. Bom trabalho.”

Roland assentiu com a cabeça enquanto se aproximava do pergaminho que ela acabara de criar. Millie pareceu confusa, alternando o olhar entre a pulseira e o pergaminho completo em suas mãos.

“Nada mal. O feitiço é um dos mais simples, mas executá-lo com a mais alta qualidade ainda é louvável. Você deve ter praticado bastante, ou é apenas talento?”

Era evidente que aquela jovem tinha talento, mas algo mais ardia dentro dela. No momento em que percebeu que conseguia escrever sem sentir tonturas, seus olhos começaram a brilhar.

“P-posso tentar mais?”

“Você deseja fazer mais?”

Roland inclinou a cabeça. Por um instante, seus pais temeram que ela tivesse sido rude, mas em vez de repreendê-la, ele tirou vários pergaminhos vazios e os colocou sobre a mesa.

“Fique à vontade. Escreva o quanto quiser. Há algum feitiço que você não conseguiu realizar no passado? Enquanto eu estiver aqui com você, a pulseira lhe dará todo o suporte necessário.”

As mãos de Millie tremeram levemente enquanto pegava outro pergaminho. Ela olhou para os pais, que permaneciam imóveis, oscilando entre a descrença e uma esperança cautelosa. Então, como se uma represa tivesse se rompido, começou a rabiscar novamente. A pena deslizava fluidamente sobre o papel, a tinta mágica brilhando fracamente a cada traço. Sua hesitação habitual havia desaparecido, substituída por pura confiança.

“Fiquei furioso… rapaz, você não estava blefando.”

Nem mesmo Hasim conseguiu evitar dar uma olhada nos pergaminhos e avaliar sua raridade. Embora seu nível fosse baixo, ela não ficava atrás de outros escribas de mana. Pelo contrário, parecia estar à frente deles. Depois de concluir mais dois pergaminhos, Millie finalmente parou, o que levou seu pai a falar.

“Aconteceu alguma coisa?”

“N-não… Eu… Eu acabei de subir de nível…”

Ermes expirou lentamente, e Lysa cobriu a boca com os dedos trêmulos. Tudo parecia fácil demais para eles, mas era verdade. A filha deles havia subido de nível, e parecia que aquilo não era o fim.

“Só um nível? Por que não continuar? Tenho certeza de que você consegue subir mais um ou dois antes do fim da noite.”

“S-sim, obrigado, senhor!”

Millie respondeu, segurando a pena com firmeza enquanto continuava com uma estranha expressão de ansiedade no rosto.

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