The Runesmith

Volume 14 - Capítulo 637

The Runesmith

“Grrrr…?”

Um grande wyvern espreitava de seu ninho na montanha enquanto algo desconhecido zumbia ao seu redor. Seus olhos, semelhantes aos de um lagarto, se estreitaram e ele desdobrou as asas palmadas que cresciam de seus membros dianteiros. Não foi o único a notar. Vários outros wyverns ergueram seus longos pescoços para observar o pequeno intruso. O objeto não era feito de carne nem sangue, mas emanava uma estranha assinatura de mana que todos eles detestavam.

“GRRRAH!”

Uma das bestas ergueu-se em toda a sua altura, abrindo as asas enquanto suas pesadas garras cravavam-se na pedra abaixo dela. A rocha endurecida rachou sob a pressão quando o wyvern se impulsionou para a frente e investiu contra o estranho visitante. Um grito agudo ecoou pelos penhascos quando ele se lançou do ninho. Suas mandíbulas se abriram amplamente enquanto avançava em direção à criatura metálica, movendo-se com uma velocidade surpreendente. Pouco antes de suas presas se fecharem em torno da construção de um olho só, o objeto reagiu.

Um pequeno painel deslizou na superfície do dodecaedro, revelando uma estreita abertura. O wyvern a ignorou e continuou seu ataque, mas um súbito som sibilante ecoou no ar. Uma fina névoa penetrou na boca aberta da criatura, e só então o draconídeo percebeu seu erro.

Suas pupilas se contraíram até virarem pontos minúsculos. Suas asas se fecharam com força enquanto tentava se desvencilhar em pleno voo, cambaleando pelo ar como se atingido por um feitiço invisível. Ele engasgou e se contorceu, seu pescoço alongado se retorcendo enquanto tentava escapar da névoa que agora emanava da estrutura flutuante.

“GRAAA… kah… KRAAH!”

O wyvern caiu contra o penhasco, suas garras buscando algo para se agarrar enquanto suas asas se debatiam. Um instante depois, em pânico, ele se lançou para fora da névoa e abandonou seu território por completo. Vários wyverns próximos também recuaram, suas narinas dilatando e suas cabeças virando para trás em alarme. A névoa se espalhou rapidamente e o vento começou a carregá-la em direção a todo o ninho.

“GRRRRREEEEE!”

Todos os wyverns ao alcance do faro gritaram ao mesmo tempo. Bateram as asas em fuga desesperada. Alguns dispararam para o céu. Outros escalaram a encosta do penhasco como lagartos gigantes fugindo de um deslizamento de rochas. Um deles se atirou do penhasco e planou para longe sem sequer abrir as asas completamente.

O dodecaedro pairava no ar enquanto a última névoa escapava de sua casca. Não estava sozinho. Várias construções semelhantes surgiram atrás dele, cada uma circulando em torno de um equipamento diferente. Elas carregavam um estranho dispositivo que pendia delas por meio de cabos metálicos. Possuía um corpo cilíndrico e uma cabeça em forma de broca apontada diretamente para o céu.

Com os wyverns tendo desaparecido, os dispositivos flutuantes continuaram imperturbáveis. Eles seguiram ascendendo muito acima dos penhascos irregulares e dos ninhos de monstros que ali residiam. À medida que subiam, atravessaram as nuvens para parar diante da rocha sólida, a falsa cúpula celeste da masmorra. O dispositivo cilíndrico foi içado e sua broca conectou-se à superfície rochosa. Uma vez lá, a broca foi ativada e logo um buraco começou a se formar.

Rochas e seixos retorcidos começaram a cair à medida que o estranho dispositivo penetrava cada vez mais na rocha celeste. Levou alguns instantes, mas finalmente se fixou completamente, deixando algo semelhante a um grande parafuso saliente. Para completar o processo, um dos dispositivos flutuantes aproximou-se e girou lentamente sobre o parafuso, fixando-o firmemente no céu artificial da masmorra.

“Feito.”

Roland disse enquanto observava seus golens empurrarem o dispositivo de monitoramento para a parte superior da masmorra. Essa era sua principal estratégia para evitar ser detectado. Seus golens-aranha precisavam permanecer inativos o tempo todo, pois as patrulhas de aventureiros estavam se tornando mais frequentes. Para resolver o problema, ele colocou tudo onde ninguém pensaria em procurar, diretamente acima das patrulhas.

“Talvez um dia eu consiga construir satélites espiões de verdade.”

Ele deu uma risadinha quando a câmera focou. O parafuso cilíndrico embutido no teto estava equipado com baterias rúnicas que forneciam mana extra para o golem preso à sua ponta. Era simplesmente um golem flutuante reaproveitado, mas com a energia adicional, ele podia observar tudo de cima com segurança e até mesmo dar zoom. Embora a visão nunca fosse tão nítida quanto a de sensores colocados no chão, ele ainda podia usar ambas as fontes.

O sistema era simples. Os dispositivos fixados dentro da cúpula celeste monitoravam tudo em um ritmo constante. Os que ele havia enterrado e escondido no solo permaneceriam inativos até serem necessários. Quando um evento, objeto ou pessoa de interesse aparecesse, ele poderia observar de cima e então ativar os sensores no solo para obter informações adicionais. Com as câmeras superiores, ele podia determinar onde ficava a região segura de detecção, garantindo que ninguém descobrisse seu trabalho.

“Contanto que nenhum mago próximo do nível quatro apareça por aqui, devo estar seguro.”

Graças a Rastix, ele também havia trazido repelente de wyverns. Funcionava muito bem, embora não fosse algo que ele tivesse inventado. Ele simplesmente o recriou e o tornou um pouco mais potente. Com ele, seria fácil posicionar suas câmeras de teto mesmo entre os wyverns voadores. Pelo resto da noite, enquanto ele e Agni limpavam outro lago, seus golens flutuantes continuariam instalando os dispositivos sem qualquer perturbação.

“Au au.”

“Sim, eu sei, Agni. Está ficando perigoso. Precisaremos ficar na nossa por um tempo depois disso.”

Ele havia subido vários níveis desde que chegara ali, mas os outros aventureiros estavam o alcançando rapidamente. Sabia que, se continuasse abusando da sorte, alguém acabaria o descobrindo. Havia regras naquele lugar, e um aventureiro não registrado que nunca tivesse seguido os trâmites legais seria caçado. A última coisa que ele precisava era de uma recompensa pela sua cabeça. Provavelmente conseguiria lidar com a maioria dos grupos, mas não tinha o menor desejo de se tornar um criminoso e matar pessoas só para subir alguns níveis, principalmente enquanto ainda havia outras opções.

Logo, ele estava de volta à sua oficina. O portão se abriu de repente, e um leve ruído mecânico o recebeu antes mesmo de ele entrar. As luzes estavam baixas, no modo noturno, e o cômodo estava envolto por um brilho âmbar suave. Um brilho que ele gostava de usar para preservar a sua visão e a dos outros.

“Bem-vindo de volta, Mestre.”

A voz de Sebastian ecoou pela oficina. Conforme Roland avançava, avistou uma esfera flutuante que parecia mais complexa do que os golens comuns. Ao lado dela, um golem humanoide abrigava outra instância de seu assistente de IA. Ambas as formas estavam ocupadas com suas tarefas.

“Como vão as coisas?”

“A taxa de absorção do conhecimento atual é de sessenta e sete por cento.”

“Ótimo. Continue assim. Mais livros chegarão depois.”

“Sim, Mestre.”

Sebastian voltou ao trabalho. O orbe branco flutuante escaneava texto após texto enquanto o golem humanoide virava as páginas a uma velocidade impressionante. Essa havia se tornado a maneira de Roland atualizar seu supercomputador com tudo o que este mundo tinha a oferecer, até mesmo material que a maioria das pessoas consideraria trivial.

O próprio Roland jamais conseguiria ler todos os livros do continente. Sua IA, no entanto, tinha espaço de armazenamento e tempo para fazê-lo. Os resultados nem sempre eram perfeitos, já que Sebastian ainda não havia desenvolvido a lógica refinada necessária para classificar todas as informações adequadamente. Quando solicitado a reproduzir o que havia aprendido, ocasionalmente produzia respostas estranhas.

Ainda assim, o progresso era constante. Como um mecanismo de busca semelhante aos do antigo mundo de Roland, Sebastian teve um desempenho surpreendentemente bom. Graças a isso, Roland não precisava mais vasculhar textos arcaicos pessoalmente. Sebastian geralmente conseguia fornecer um resumo claro ou, quando necessário, exibir as palavras digitalizadas exatamente como apareciam.

“Fico imaginando como as pessoas reagiriam se eu disponibilizasse essa tecnologia gratuitamente.”

Vindo de um mundo moderno repleto de mecanismos de busca e inúmeras inovações, ele compreendia o quanto uma ferramenta como essa poderia melhorar vidas. Halbrecht compartilhava seu entusiasmo e, juntos, já trabalhavam na instalação de cabos subterrâneos.

Uma vez estabelecida a conexão, ele poderia solicitar exames e informações instantaneamente. O mesmo sistema poderia eventualmente se conectar a outras academias de magia. Inicialmente, os magos e o Reino provavelmente tentariam acumular ou suprimir esse novo recurso, mas, com o tempo, uma era de informação livre poderia finalmente surgir.

‘Embora isso não vá acontecer tão cedo…’

Havia muitos obstáculos. Os nobres preferiam seu povo dócil e desinformado. Espiões estrangeiros poderiam potencialmente obter acesso à nova rede mágica que ele esperava criar, forçando o Reino a desativá-la. Ele só podia esperar que os benefícios da comunicação rápida superassem os perigos de informações escaparem para além das fronteiras pretendidas.

“Então, quanto tempo devo investir nisso…?”

Roland pegou uma pilha de papéis de sua mesa. No topo, havia várias imagens e breves descrições de diferentes pessoas. Ele reconheceu algumas delas, pois quase fora descoberto por elas dentro da masmorra. Este era o banco de dados pessoal que ele estava compilando sobre aventureiros que precisava evitar. Também incluía informações fornecidas pelo Mestre da Guilda. Com a ajuda de seus golens, ele conseguira capturar algumas fotos de pessoas de interesse, embora não de todas. O líder da fortaleza ainda permanecia oculto e ainda não havia aparecido do lado de fora por razões que Roland não entendia.

“Eu poderia seguir os trâmites legais para estabelecer minha nova identidade, ou poderia ignorar tudo e economizar tempo.”

Depois de colocar os papéis de lado, ele pegou um pequeno objeto que estava ao lado deles. Era algo que ele já possuía: um cartão de aventureiro de platina. A guilda o havia fornecido, juntamente com uma nova identidade que ele pretendia usar caso fosse descoberto. Ele ainda não sabia como lidar com a situação.

As classes com o nome ‘Arcano’ foram modificadas para seguir o contexto baseado em RPGs já traduzido anteriormente visando melhor adaptação ao pt-Br. A palavra genérica usada era ‘Magic’ .

Nota 2: A classe Guardião Arcano foi modificada para seguir o contexto baseado em RPGs já traduzido anteriormente visando melhor adaptação ao pt- Br. A palavra genérica usada era ‘Vanguard’.

Sua nova persona seria a de um Mestre de Guerra Arcano. Essa classe era versátil, capaz de usar diversos tipos de armas e adequada para armaduras pesadas. Ele planejava usar sua habilidade de ocultação de runas para esconder quaisquer vestígios de runas em seu novo equipamento e se apresentar como um aventureiro que dominava vários tipos de magia. Era uma classe versátil com espaço suficiente para ocultar suas verdadeiras habilidades.

Ele vislumbrou dois caminhos possíveis à sua frente. O primeiro era viajar até Isgard e entrar na masmorra pela rota oficial antes de descer para o Vale. A masmorra continha vários pontos de controle que verificavam a identidade de cada aventureiro. Para ele, não seria difícil contorná-los, e esse método provavelmente levantaria menos suspeitas.

A segunda opção era ignorar completamente o processo formal. Ele poderia entrar na fortaleza como estava agora, ou abandonar a ideia de entrar diretamente. Poderia continuar escondido e, mesmo que alguém o descobrisse, bastaria apresentar o novo cartão como identificação. A masmorra era relativamente isolada, e as informações usadas para verificar seu status de aventureiro levariam tempo para chegar ao exterior. Até lá, ele provavelmente já teria concluído sua tarefa.

Sua missão atual era subir de nível. Ele só queria visitar a fortaleza para entender melhor a área e decidir onde instalar novas bases subterrâneas. O lago era um local promissor para coletar metal, e outras oportunidades poderiam surgir durante sua exploração.

Ele ainda não sabia quanto tempo ficaria dentro da masmorra nem quanto esforço deveria empregar. Entrar pela entrada oficial tinha certas vantagens, já que lhe permitiria estudar toda a estrutura. Ele ainda estava pesquisando núcleos de masmorras e outras anomalias, e passar pela rota principal lhe permitiria instalar sensores ao longo do caminho para coletar mais informações sobre a supermasmorra.

“Mas vale a pena perder tempo? Provavelmente levaria alguns dias para percorrer a masmorra sozinho…”

Se ele quisesse colocar sensores ao longo do caminho, poderia facilmente designar a tarefa a um de seus homens. Às vezes, era melhor confiar em seus próprios criados, e até mesmo delegar a tarefa a Armand era perfeitamente possível. Ele continuou a refletir sobre o assunto e estava prestes a tomar uma decisão quando a tela à sua frente piscou, revelando novas informações. Para sua surpresa, o relatório dizia respeito diretamente à masmorra e à fortaleza.

“Trata-se daquele ferreiro. Será que ele decidiu voltar para a masmorra? Isso não parece nada bom…”

Ele leu o documento que um de seus espiões havia entregado. O homem chamado Ermes vinha tentando desesperadamente convencer os outros a levarem a tentativa de assassinato a sério, mas a maioria o ignorou. Depois de passar algum tempo na cidade e usar suas habilidades para ganhar dinheiro suficiente, ele finalmente conseguiu fundos para voltar. Sua preocupação com a esposa e a filha era evidente, já que ninguém havia concordado em ajudá-lo.

“Será que ele vai chegar lá vivo?”

Para Roland, parecia muito provável que, se o homem entrasse na masmorra novamente, jamais retornaria. O relatório continha algumas especulações preocupantes do espião. Segundo as informações recebidas, os bandidos que tentaram lidar com o homem possivelmente tinham ligações diretas com a Guilda. Isso explicava por que a Guilda se recusara a ajudar e sugeria que o homem poderia ser alvo de ataques assim que se aventurasse lá dentro. A masmorra era um lugar perigoso e, se alguém morresse ali, ninguém se daria ao trabalho de perguntar o porquê.

“É aí que ter consciência se torna problemático.”

Roland já havia se envolvido demais com esse homem. Chegara ao ponto de investigar sua esposa e filha. Se abandonasse o assunto agora, sabia que a culpa persistiria.

“Bem, pelo menos posso usar isso a meu favor. Um pouco de material para chantagem contra uma guilda tão influente pode ser útil.”

Havia um motivo para aquele homem ter se tornado um alvo e um motivo para tantos desejarem seu desaparecimento. Havia também lucro a ser obtido na situação, mas Roland sabia que isso era apenas uma desculpa. Ele gostava de afirmar o contrário com uma lógica fria, mas, no fundo, ele e os outros sabiam que ele tinha um coração bondoso. E esse coração se tornara ainda mais bondoso à medida que seus relacionamentos se aprofundavam. Ele não podia simplesmente ficar de braços cruzados e permitir que um homem bom como aquele ferreiro fosse arrancado de sua família. Havia também outra pessoa sobre quem ele queria aprender mais, e ajudar esse homem o aproximaria dela.

“Acho que isso resolve tudo. Só preciso preparar o Agni. A viagem não deve durar mais do que alguns dias.”

Com isso em mente, ele dirigiu-se primeiro ao arsenal. As portas deslizaram suavemente, abrindo-se com um leve chiado, e ele entrou, ansioso para examinar sua mais recente criação.

“Ficou muito bom. Talvez seja a melhor armadura que eu já fiz.”

Roland sentiu uma pontada de orgulho. Seu novo trabalho não era apenas prático, como seus projetos anteriores, mas também transmitia uma sensação de estilo, mantendo sua plena funcionalidade.

Era muito mais resistente do que suas armaduras anteriores e fornecia um bônus de conjunto útil que certamente o ajudaria em sua próxima aventura.

“Só me restam meu disfarce e de Agni.”

Ele lançou um olhar para uma mesa próxima, onde repousavam duas grandes gemas, cada uma do tamanho de uma maçã. Uma era verde e a outra azul. Agni teria que decidir qual preferia, já que Roland não se importava muito com nenhuma delas. Logo, ele pegou o elevador até a casinha de cachorro de Agni, que era do tamanho de um estábulo.

“Au?”

Agni estava enroscado, pronto para dormir, quando Roland apareceu. Eles haviam passado a noite inteira em aventuras, esgueirando-se para não serem detectados e lutando contra monstros, então o lobo estava exausto. Mesmo assim, ele ergueu a cabeça para seu mestre.

“Qual você quer, garoto? Verde ou azul?”

Roland ergueu as gemas. As orelhas de Agni se aguçaram e seus olhos brilharam. No instante em que sentiu a tênue mana nelas, sua boca começou a salivar. Ele nunca havia perdido o gosto por comer cristais de mana, e essas duas pedras emanavam um fascínio semelhante.

“Worf?”

“Não. Você só pode ter um, então escolha com sabedoria.”

Agni se levantou e trotou em sua direção. Cheirou a gema verde na mão esquerda de Roland, depois passou para a gema azul na direita. Hesitou entre elas, claramente dividido. Ambas pareciam deliciosas e igualmente tentadoras, mas seu mestre havia deixado as regras claras. Ele só podia comer uma.

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