The Runesmith

Volume 14 - Capítulo 624

The Runesmith

“Ah, Professor Wayland, pensei que o senhor já tivesse ido para casa. Mudou de ideia? Vai me acompanhar na aula de amanhã?”

Arion flutuava com um sorriso no rosto felino enquanto observava seu parceiro favorito caminhando pelo corredor de volta ao Departamento Rúnico. Roland, no entanto, movia-se rapidamente, como se estivesse com pressa. Seus passos eram rápidos e, a cada vez que suas botas metálicas tocavam o chão polido, produziam um som metálico e estridente.

“Não, não é isso. Você poderia dar uma olhada nesta lista, em particular neste aluno?”

“A lista para o evento? Há algum problema?”

O gato ficou confuso com o pedido, mas optou por não fazer perguntas. Em vez disso, olhou para a parte do pergaminho que Roland apontava. Havia vários nomes de alunos escritos ali, mas Arion não conseguia ver qual era o problema.

“Este evento é para os alunos mais jovens. Há algum problema com o cadastro deles?”

Arion inclinou a cabeça felina para o lado, o rabo se movendo uma vez em curiosidade. Roland não respondeu imediatamente. Ele encarou o pergaminho como se as letras de tinta estivessem zombando dele. Seus olhos se detiveram em um nome escrito com capricho entre os demais: Lucienne Arden.

Já fazia algum tempo que ele não via sua irmã mais nova. Seu pai a havia tirado do Instituto, principalmente por causa do envolvimento dela com Viola Castellane. Viola havia intimidado sua irmã até que Roland pôs um fim nisso, mas ainda havia muitas pessoas na escola que poderiam tornar a vida dela difícil. Ele supôs que o pai, Wentworth, decidira mantê-la longe para evitar mais conflitos entre as famílias.

‘Por que ele decidiu enviá-la de volta, e a Diretora sabia disso?’

Roland olhava para o pergaminho, perplexo. Arion parecia alheio à situação, mas a Diretora sabia do incidente com Robert e provavelmente sabia mais do que admitia. Ele começou a suspeitar que havia sido enganado.

‘Será que ela fez isso para me manter aqui?’

Seu relacionamento com a irmã não era longo, mas ele sempre sentira a necessidade de protegê-la. Talvez a diretora entendesse isso. Mesmo que o tivesse dispensado das aulas, ela devia saber que, enquanto Lucienne estivesse no Instituto, ele ficaria para cuidar dela. Ele se perguntava se a astuta maga havia planejado tudo para que sua participação na próxima competição não o livrasse de seus deveres ali.

“Ela me pegou.”

Ele sussurrou para si mesmo, convencido de que aquilo era verdade. Embora não fosse o pior cenário possível, ainda assim precisava se preocupar com a possibilidade de sua irmã se envolver com os outros alunos. Talvez o pai acreditasse que sua nova posição como Marechal manteria as pessoas afastadas, mas Roland não tinha tanta certeza disso.

“Ah? O que foi isso?”

“Nada.”

Roland suspirou e pegou o pergaminho de volta.

“Professor Arion, poderia me fazer um favor?”

“Claro, meu amigo. O que é?”

“Poderia verificar a situação dessa aluna? Se não me engano, ela foi retirada da Instituição pelos pais.”

Arion levantou uma das patas e acenou com a cabeça.

“Vou pedir a um dos professores assistentes para dar uma olhada nisso. É maravilhoso ter mais ajuda por aqui, e devo tudo a você.”

“Sim… mais ajuda…”

Enquanto Arion estava bastante entusiasmado com toda a situação, Roland se sentiu traído. Se soubesse que sua irmã estava voltando, talvez não tivesse aceitado o acordo, pois de qualquer forma voltaria para ficar de olho nela.

‘Preciso criar mais golens protetores. Talvez eu deva colocá-los ao redor do Instituto para vigiá-la quando eu não estiver aqui…’

Sua mente já fervilhava com planos para a chegada da irmã, mas a situação não era de todo ruim. Ele não conseguira manter contato com ela porque ainda estava se escondendo do pai. Mesmo sendo professor, seria suspeito manter contato com a irmã mais nova sem um motivo aparente. Contudo, se ela retornasse ao Instituto, esse problema deixaria de existir.

‘Eu provavelmente poderia trazê-la comigo para Albrook, para que ela visse Robert também… mas só posso esperar que ela não volte muito cedo.’

Embora o nome de sua irmã estivesse na lista, ela ainda não havia entrado no Instituto. Roland conhecia as regras e, se fossem seguidas, ela só poderia se inscrever novamente no início do semestre seguinte. Se passasse nos testes necessários, seria admitida. A Diretora poderia acelerar o processo, mas raramente se envolvia em tais assuntos, pois isso tornaria suas intenções muito óbvias.

Roland saiu do Departamento Rúnico com uma expressão pesada. O leve farfalhar do pergaminho soou em sua mão enquanto ele dobrava a lista de alunos. O ar lá fora havia esfriado e o sol se punha no horizonte. Ele hesitou por um instante antes de lançar um olhar para a torre oculta da Diretora. A torre se erguia acima do resto do Instituto, embora a maioria das pessoas desconhecesse sua existência.

Após uma breve pausa, ele se virou e caminhou em direção à câmara do portal de teletransporte. Seguiu o procedimento habitual e esperou alguns minutos até que o mago de plantão lhe permitisse passar. Sem olhar para trás, atravessou o portal e desapareceu de vista. Sua partida não passou despercebida, pois alguém o observava.

“Suponho que ele tenha concretizado parte do meu plano, mas não todo…”

A Diretora murmurou para si mesma. No silêncio de seu escritório, ela segurava uma xícara de chá verde nas mãos.

“Fico imaginando o que ele apresentará no evento? Aposto que será algo surpreendente.”

O olhar de Yavenna deteve-se nas tênues ondulações em seu chá, a superfície dourada refletindo a luz da lamparina. O aroma de menta e jasmim preenchia o ar enquanto ela ponderava sobre a situação. Um leve sorriso surgiu em seu rosto, mostrando que ela estava se divertindo, algo que acreditava ter perdido há muito tempo.

“Espero que você não me decepcione, Roland Arden.”

Por um instante, ela se concentrou nas distorções residuais no espaço deixadas pelo portal de teletransporte. Seu sorriso foi se desfazendo lentamente enquanto seus olhos vagavam em direção ao mapa continental sobre a mesa. Seu olhar se fixou na parte mais ao norte do reino, e ela permaneceu em silêncio, ponderando sobre algo lentamente.

“Bem-vindo de volta, chefe!”

“Que bom te ver também, Bernir. Não tivemos tempo de conversar. Está tudo bem?”

Roland finalmente retornara à sua oficina e agora estava sentado diante dos painéis principais de exposição. Bernir o aguardava para cumprimentá-lo, e sua expressão alegre demonstrava que ele estava de bom humor.

“Sim, as coisas estão indo bem por aqui. A produção aumentou e as pessoas começaram a fazer perguntas sobre nossas próteses. Sinto que está prestes a acontecer!”

Bernir ergueu a mão protética e a fechou com força. Seus dedos reagiram instantaneamente, mostrando que ele havia se adaptado completamente às últimas modificações. Mana fluía suavemente pelas runas, pulsando delicadamente pela estrutura metálica.

“Você já experimentou a manga?”

“Sim, mas depois de um tempo começa a incomodar e não fica confortável.”

Roland assentiu com a cabeça. A prótese vinha com uma luva e uma manga para cobrir as runas pulsantes que algumas pessoas preferiam não ver. No futuro, ele esperava que essas próteses tivessem uma aparência mais humana. Existiam várias substâncias neste mundo que se assemelhavam a silicone ou borracha, e com a certa, ele esperava imitar a aparência da pele para cobrir esses membros. Essa tecnologia certamente seria muito procurada, e se as próteses fossem substituir membros verdadeiros, precisariam se parecer com eles.

“E quanto aos outros modelos e complementos?”

“Esses funcionam bem, embora alguns sejam mais difíceis de manusear. Tem a ver principalmente com o peso; leva um tempo para se acostumar, mas há benefícios. Consigo até segurar lâminas e parafusos incandescentes sem problemas. Isso facilita muito o uso de algumas técnicas.”

Bernir esfregou a barba com a mão metálica. Roland notou que os dedos estavam um pouco descoloridos por terem tocado metal quente. Para um artesão como Bernir, que não possuía uma classe de combate adequada com um multiplicador de atributos, manusear certos materiais era mais difícil. Roland conseguia tocar esses materiais com as mãos nuas, mas a prótese tornava o processo muito mais fácil.

Existiam outras maneiras de usar essa tecnologia sem amputar membros humanos. Uma abordagem envolvia membros exoesqueletais que respondiam a fantasmas de mana, enquanto outra utilizava golens capazes de imitar movimentos humanos. Havia também a possibilidade de desenvolver sistemas de controle remoto, mas esse era um campo que ele ainda não havia encontrado tempo para explorar.

“Então, o que vamos fazer agora, chefe?”

Os olhos de Bernir brilharam, pois já fazia algum tempo que não trabalhavam em algo criativo.

“Há algumas coisas em que nos concentraremos no futuro, mas antes disso, não seria melhor cuidar primeiro de si mesmo?”

“Hã? O que quer dizer com isso, chefe?”

“Quero dizer, o seu nível. Você está pronto para se tornar um portador de classe nível três.”

“Ah, isso…”

Ultimamente, Bernir vinha produzindo uma grande quantidade de equipamentos de alta qualidade. Os artesãos adquiriam muita experiência ao trabalharem com sucesso em equipamentos avançados. Seu assistente era habilidoso e capaz, e finalmente havia alcançado o nível necessário, mas, por algum motivo, não havia dado o próximo passo.

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Lamentavelmente, Roland não pôde tornar Bernir um de seus vassalos. Assim como com sua esposa, a habilidade não funcionava em ninguém que não fosse de uma classe de combate. Bernir também não podia fazer um juramento semelhante ao de Robert, que lhe concedia uma habilidade rúnica, porque não era um cavaleiro. O mundo era cruel com pessoas de classes ligadas à manufatura ou à administração. Contudo, para surpresa de Roland, algo aconteceu, e Bernir logo contou a novidade.

“Bem, na verdade, eu ganhei um título estranho ultimamente…”

“Você ganhou? Posso ver?”

“Pode, chefe.”

Roland era capaz de ler os níveis, atributos e até mesmo as habilidades e títulos das pessoas, se se concentrasse neles por tempo suficiente. Geralmente, ele evitava fazer isso, pois sentia que era uma invasão de privacidade, então sempre pedia permissão antes de usar essa habilidade em alguém que conhecia.

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“Isso é… meio vago. Serve para alguma coisa?”

Roland leu a breve descrição, mas ela não revelou muita coisa. Bernir apenas deu de ombros, pois também não tinha certeza.

“Não sei. Não me sinto diferente, e também não acho que tenha visto nenhum fantasma!”

Bernir deu uma gargalhada, mas logo em seguida fez uma pausa ao se lembrar de algo.

“Mas tive alguns sonhos estranhos ultimamente…”

“Sonhos estranhos? Como assim?”

“Senti como se estivesse flutuando para fora do meu corpo e conseguia me ver dormindo, mas não durou muito tempo.”

“Hum…”

Roland refletiu sobre isso por um instante. Títulos nunca eram dados sem motivo, então devia haver alguma razão por trás disso.

‘Será que isso se deve à prótese?’

Essa parecia ser a explicação mais provável. Os fantasmas de mana aparentavam ser feitos de mana, mas, na verdade, eram extensões da alma ou do verdadeiro eu de uma pessoa. Talvez o uso de membros protéticos que exigiam sincronização com o fantasma tivesse desencadeado esse título. Ainda assim, ele não tinha certeza se oferecia algum benefício real, já que era apenas um título e não uma habilidade que pudesse ser usada.

“Será que isso afetará seu ritual de ascensão? Talvez devêssemos prosseguir enquanto eu ainda estou aqui”, disse Roland, levantando-se. A sala que Arthur usava para registrar memórias estava agora livre, então era um bom momento para ajudar Bernir a dar o próximo passo. A esposa de Bernir já havia avançado e se tornado uma Mestra Armeira, o que o deixou para trás.

“É, acho que devo terminar logo com isso, mas não espere muito, chefe. Você sabe como é…”

Bernir olhou para o seu braço artificial e franziu ligeiramente a testa. Ambos sabiam que membros perdidos não seriam restaurados pelo ritual de ascensão, o que significava que ele teria que enfrentá-lo com apenas um braço. Com tal desvantagem, era possível que ele tivesse que se contentar com uma classe inferior, talvez um Ferreiro de Armaduras Avançado ou um Alto Ferreiro, que não eram nem de longe tão prestigiosas.

“Vamos com calma primeiro. Analise as opções que você tem, mas estou mais interessado no seu novo título. Ele pode oferecer uma nova solução.”

“Sim, espero que sim.”

Bernir deu uma risadinha, e os dois seguiram para a sala branca. Assim que Bernir estava pronto, ele ativou o cristal de ascensão, assim como os outros antes dele. Roland observou os consoles e percebeu imediatamente que seu amigo não havia abandonado a provação. Em vez disso, ele havia escolhido uma opção lá dentro, já que o tempo que estava passando ali era maior do que o habitual.

‘Ele encontrou algo que valesse a pena?’

Roland, enquanto monitorava as leituras, refletia sobre como a sintonia com a alma poderia afetar uma classe. Lembrou-se de uma bruxa espiritualista que controlava fantasmas e o incapacitou instantaneamente sem mover o dedo torto. Contudo, ela fora uma maga, e Bernir era um ferreiro com pouca mana. Mesmo que conseguisse usar magia espiritual, provavelmente desmaiaria após conjurar um único feitiço, então não tinha certeza da utilidade do título.

*****

“Faz tempo que não venho aqui.”

Bernir abriu os olhos e se viu em uma área que parecia a praça de uma aldeia. O ar estava pesado, parado e estranhamente familiar. Ele piscou e esfregou os olhos. Diante dele, estendia-se um povoado envolto em névoa, aninhado entre dois penhascos. O cheiro de pedra molhada e fumaça de forja pairava no ar, um aroma que ele se lembrava bem.

“Tão sombrio quanto me lembrava.”

Este era o local de seu teste de ascensão e seu antigo lar, onde crescera. Deu alguns passos lentos para a frente, suas botas rangendo contra o caminho de paralelepípedos. Tudo estava como se lembrava: as rústicas moradias de pedra esculpidas na encosta da montanha, a forja central escurecendo o céu com sua fumaça e a estátua inacabada do deus anão da criação. Só que agora, não havia ninguém. Nem o tilintar de martelos, nem risos, nem os gritos dos mineiros retornando com minério. Apenas silêncio.

“Fico pensando o que aqueles velhos desgraçados diriam se me vissem agora.”

Ele olhou para o braço onde sua prótese rúnica deveria estar, mas ela havia sumido, substituída por um coto. Exatamente como ele esperava, levá-la para o julgamento seria impossível.

“Sim, provavelmente ainda ririam de mim. Afinal, o que é um ferreiro sem seu braço dominante para forjar…”

Sua vida na aldeia nunca fora fácil, pois os artesãos anões o invejavam por ter um dos pais humano. No fim, ele foi forçado a partir após a morte de seu pai em um acidente e o ataque de sua mãe por um monstro, deixando-o órfão. Sem a ajuda do pai, encontrar trabalho tornou-se impossível, e alguns dos moradores sobreviventes chegaram a culpá-lo por seus infortúnios.

As lembranças daqueles tempos ainda o assombravam de vez em quando, mas ele conseguira enterrá-las sob anos de trabalho árduo e risadas compartilhadas com Roland, sua esposa, e a chegada de seu filho. Mesmo assim, parado ali agora, neste eco de sua infância, essas lembranças retornavam.

A forja se erguia imponente à frente, sua chaminé fria se elevando na névoa cinzenta. Bernir quase podia ouvir o som do metal fundido sendo derramado e o chiado do aço temperado. Ele meio que esperava ouvir a voz rouca de seu pai chamando seu nome, mandando-o buscar mais minério e apertar as tenazes com mais força.

“Provavelmente devo analisar minhas opções. O chefe vai me ajudar a superar isso.”

Ele cerrou o único punho que tinha e avançou. Embora a montanha fosse alta, não havia como sair daquela aldeia. A névoa que a envolvia não o deixava passar, e sempre que tentava, acabava de volta no centro da praça.

Assim como em outras provas de ascensão, esta apresentou seus desafios de uma maneira singular. Para ele, a prova assumiu a forma de sua antiga casa e da forja empoeirada que seu pai usava. Seus pais eram rigorosos, mas bondosos. Cada vez que vinha ali para obter uma nova classe, ele se lembrava tanto dos bons quanto dos maus momentos que compartilharam.

“Vamos ver… a coleção de martelos está maior do que o normal, e alguns deles parecem muito bonitos.”

Dentro da forja de seu pai havia uma bigorna no centro e vários martelos de ferreiro de formatos diferentes em uma bancada próxima. O teste começaria assim que ele escolhesse um dos martelos e golpeasse a bigorna com ele.

“Espere… o que é isso e por que tem esse formato?”

Embora a maioria dos martelos fosse feita de diversos tipos de metal, um se destacava. Era diferente e único, e ele percebeu que não conseguia tirar os olhos dele.

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