O Retorno do Professor das Runas

Capítulo 585

O Retorno do Professor das Runas

Capítulo 577: Problema

Noah não conseguia descrever o imenso alívio que sentiu ao ver cada um de seus alunos vivo e bem. Estavam machucados e exaustos até a alma, mas nenhuma das lesões era grave demais. Isabel parecia ser a que estava em pior estado.

Ele puxou a poção que Verrud havia derrubado no chão com o pé e a chutou para o alto, pegando-a e entregando a Isabel. Ela a pegou com um sorriso cansado, arrancou a rolha e bebeu o líquido curativo.

Uma leve puxada surgiu na mente de Noah. Não era uma sensação desconhecida, mas era uma que ele não estava acostumado a ter enquanto ainda estava em seu próprio corpo. Noah fez uma careta e afastou a sensação. Ele ainda tinha algum tempo.

— Professor Vermil — disse Emily, limpando algumas manchas de sangue do rosto com o dorso da mão. — Onde está Moxie? Ela está…?

— Segura. — Noah levantou as mãos para evitar qualquer pergunta. Eles tinham tanto para conversar, mas aquele não era o lugar. Ele enviou seu domínio em todas as direções, ativando seu senso de tremor para ver se havia mais alguém por perto. Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios. Parecia que Verrud havia tomado medidas para garantir que ninguém estivesse por perto, e isso havia funcionado perfeitamente contra ele. Ele soltou um pequeno suspiro. — E Lee também está segura. Todos nós estamos bem.

— Podemos trazê-las de volta também? — perguntou Emily, engolindo em seco. — Estou com saudades de Moxie.

*Emily amadureceu um bocado se ela realmente consegue admitir isso. Droga. Quanto tempo eu perdi?*

— Todos nós voltaremos em breve — prometeu Noah. — Pode levar alguns dias, mas nós voltaremos.

— Nós? — perguntou Todd. — Você já não voltou?

— Só por um tempo — respondeu Noah. Ele se ajoelhou perto do grimório ao lado de Isabel e o fechou. — Tivemos que fazer uma gambiarra. Eu não podia esperar para chegar aqui do jeito certo, então tivemos que acelerar as coisas. Eu…

— Seu professor é um demônio — disse Yulin, dando um passo para trás enquanto seu rosto ficava pálido como um fantasma. — Vocês invocaram um demônio para o exame.

Noah olhou em sua direção. Ele quase havia esquecido que a aluna de Jakob ainda estava ali. Sua cabeça se inclinou ligeiramente para o lado enquanto ele a estudava. Marley tinha sido um cuzão, mas o garoto jazia morto ao lado de Jakob, com um buraco entre os olhos. Yulin não tinha sido tão ruim quanto ele, mas ainda era uma oponente.

*Se alguém contar aos Torrins ou a qualquer outra família nobre sobre o que aconteceu aqui, estamos todos ferrados.*

Alexandra se colocou na frente de Yulin. — Por favor, espere, Professor. Yulin foi quem me contou o que Jakob estava planejando. Ela colocou sua própria vida em risco porque discordava das ações dele e de Marley. Podemos confiar nela.

— Ela se comprometeu a me ajudar em vez de Marley — disse Emily após um momento de silêncio. — Eu ainda sou do Ramo Principal. Isso significa que ela segue qualquer ordem direta minha ou do meu mentor. Moxie é minha única mentora, mesmo que tenha sido exilada. Ela se juntou a nós.

*Eu me tornei tão frio que eles acham que eu realmente mataria uma criança porque ela pode relatar o que aconteceu à família dela?*

O pensamento fez uma pequena carranca surgir nos lábios de Noah, seguida por uma segunda.

*Eu faria isso. Quando se trata de Lee, Moxie e todos aqui, não há vida que eu não sacrificaria para mantê-los seguros.*

— Eu não vou matar Yulin — disse Noah com um balançar de cabeça, afastando seus pensamentos. Não eram algo em que ele podia gastar tempo agora — e ele não havia sido forçado a matar ninguém que o mundo sentiria falta. Eliminar Verrud e Jakob foi um favor a todos que os conheciam. — Eu a vi lutando para proteger vocês. Se vocês confiam nela, então eu vou ouvir vocês… supondo que ela não se importe com o que acabou de acontecer com o professor dela.

— Somos treinados para nos prepararmos para a morte — disse Yulin, engolindo em seco. — Tanto a nossa quanto a de nossos aliados. Jakob não fará falta. Não estou preparada para trabalhar com um demônio, mas suponho que não será muito diferente do que já experimentei antes.

Noah bufou. — Bom o suficiente para mim, mas sinto muito em decepcionar.

— Decepcionar? — Yulin piscou.

— Eu não sou um demônio — disse Noah. Outra puxada surgiu em sua mente e ele apertou os lábios. — É por isso que meu tempo agora é bem limitado. Me invocar não funciona da mesma forma que funciona para um demônio. Serei puxado de volta para as Planícies Malditas em breve. Minutos, no máximo.

Os olhos de Isabel se arregalaram. — Mas…

— Não se preocupem — disse Noah. — Como eu estava dizendo antes, temos um caminho de volta. Voltaremos em breve. Todos nós. Só tenho mais um pouco para cuidar. O mais importante é que todos *vocês* estão bem.

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— Como alguém pode te invocar se você não é um demônio? — murmurou Yulin.

Alexandra colocou a mão em seu ombro. — Você vai se acostumar.

— A ver seu professor morto sendo invocado?

— A não entender o que diabos está acontecendo — corrigiu Emily.

Noah ergueu uma sobrancelha. — Alguém teve algumas influências ruins.

Emily fez uma careta. — Merda. Não conte para Moxie, por favor. Quanto tempo tenho antes que ela volte? Ela vai ficar tão brava se perceber que eu falo assim agora. Ela passou anos tentando me fazer falar como uma Torrin *decente*.

— Acho que temos problemas ligeiramente maiores para nos preocuparmos — respondeu Noah com uma risada. — Mas voltando aos negócios. Até eu voltar, quero que todos vocês… bem, continuem fazendo o que estavam fazendo, eu acho. Eu não consegui ver toda a luta de vocês, mas vi o suficiente para dizer o quão orgulhoso estou do quão longe vocês chegaram. Temos muita coisa para conversar.

— Por favor, não nos faça esperar muito — disse Todd. — Eu aprecio nossos outros professores, mas eles meio que são uma droga. Jalen tem nos feito jogar dardos com ele, e Bird continua tentando nos fazer tirar a roupa.

— Ela está fazendo *o quê* agora? — perguntou Noah, sua linha de pensamento colidindo diretamente com uma parede e explodindo em uma bola de chamas.

— Ignore-o — disse Isabel, dando um peteleco no ombro de Todd. — Ele só está sendo idiota. Mas sentimos sua falta, Professor. Lee e Moxie também. Espero que você não tenha quebrado nada muito importante enquanto esteve fora.

*Se ao menos soubessem.*

Noah coçou o queixo. — Eh. Apenas o de sempre.

— Então as Planícies Malditas sumiram — disse Todd.

— O quê? Não. Elas estão bem. Mais ou menos. Por que você pensaria isso?

— Você não explodiu Forja da Aurora quando foi lá de férias?

— O quê? Não!

— Sim — disse Alexandra. — Você definitivamente fez isso.

— Isso dificilmente foi minha culpa — protestou Noah. — E eu não explodi Forja da Aurora. Apenas algumas passagens subterrâneas dentro dela.

— Espere. Você foi o responsável pela explosão em Forja da Aurora? — perguntou Yulin. — Eu ouvi falar sobre isso. Praticamente destruiu uma seção inteira da cidade por causa da extensão dos danos ao subterrâneo.

— Hora de mudar de assunto — disse Noah, pigarreando. — Este exame ainda está acontecendo, não está?

— Você ainda se importa com isso? — perguntou James. Ele olhou ao redor da clareira destruída, seu olhar demorando-se nos cadáveres atrás de Noah. — Não parece um pouco… sei lá. Irrelevante?

— Uma educação é sempre importante — respondeu Noah. — E por que você recusaria a chance de obter mais recursos? Esses dois idiotas estão mortos. Vai demorar para as pessoas perceberem o que aconteceu, o que significa que o resto do exame está seguro.

— Então, o que fazemos com eles? — perguntou Isabel. — Ninguém vai descobrir?

— No que diz respeito a vocês, vocês nunca ouviram falar de Marley, Jakob ou Verrud hoje. — Noah pegou o corpo de Verrud e o arrastou para perto de Jakob, então repetiu o processo com Marley para adicioná-lo à pilha. — Apenas finjam que tudo isso nunca aconteceu.

— Então, o que você vai fazer sobre…

Isabel parou quando Noah estendeu a mão em direção à pilha de corpos. Energia cinzenta rastejou de sua palma e engoliu os cadáveres, fractais cúbicos se contorcendo sobre suas formas enquanto eram consumidos. Quando a magia desapareceu, tudo o que restou foi uma depressão irregular no chão.

Yulin engoliu em seco novamente enquanto olhava para o local onde seu ex-professor e colega aluno haviam estado. Não havia nenhum vestígio deles sobrando.

Noah flexionou os dedos e sacudiu a mão. Usar Matéria Deformada ainda era uma dor. Ele havia drenado quase todo o fragmento de magia que tinha dentro da Runa. Era poderoso, mas consumia magia como nunca.

Outra puxada puxou a parte de trás de sua cabeça, desta vez mais forte do que a anterior. A conexão entre seu corpo e suas runas não era poderosa o suficiente para permitir que o ritual de invocação demoníaca o mantivesse realmente ligado ao reino mortal.

A conexão logo se romperia e o enviaria de volta para as Planícies Malditas — onde, ironicamente, seu caminho de volta para cá logo estaria pronto.

Os dedos de Noah brilharam. Suas pontas ficaram translúcidas, e Mascot se esfregou em sua perna. Ele se abaixou e pegou o gato, colocando-o em seu ombro enquanto se levantava novamente.

— Meu tempo está quase acabando — disse Noah. Ele pegou seu grimório do chão e o jogou sobre os ombros.

— Você voltará em alguns dias? — perguntou Isabel. — Você promete?

— Eu juro — disse Noah com um aceno de cabeça firme. — Na verdade, vou ser mais específico. Em um dia, venham para o lugar onde treinamos pela primeira vez. Estarei esperando por vocês lá.

— Estaremos esperando — disse Todd com um sorriso.

— Eu só tenho um pedido para todos vocês — disse Noah.

Todos se viraram para ele.

— O que é? — perguntou Alexandra.

— Destruam o resto deste exame — disse Noah, seus olhos se tornando escuros. — Ninguém mais vai interferir, então vocês podem se concentrar inteiramente em vencer. Eu quero pegar cada maldito pedaço de recurso que a Trilha Avançada tem a oferecer.

— Entendido, Professor — disse Todd, um sorriso se estendendo por seus lábios enquanto ele estalava o pescoço.

Mais do corpo de Noah ficou translúcido. Ele deu uma última olhada nos alunos ao seu redor, depois nos restos destruídos da clareira em que todos estavam.

Eles estavam seguros.

— Boa sorte — disse Alexandra.

— É melhor você nos contar o que aconteceu nas Planícies Malditas quando voltar — disse Todd.

— Eu vou — prometeu Noah com uma risada. Seu corpo brilhou, e então o mundo se contorceu como se tivesse sido colocado no liquidificador. A clareira desapareceu e a escuridão engoliu sua visão enquanto ele era rasgado através do tempo e do espaço, puxado de volta para as Planícies Malditas.

Enquanto ele ia, havia apenas uma coisa na mente de Noah.

Havia apenas uma tarefa que ele tinha que fazer antes que todos pudessem retornar das Planícies Malditas.

Ele tinha que fazer uma Runa — e cada Runa exigia três componentes. Energia, um incidente incitante e intenção.

Noah tinha o Fragmento de Grudento para a energia. Os desejos de Lee como um demônio seriam o incidente incitante, e sua intenção seria o guia. Cada peça estava finalmente no lugar.

Era hora de corrigir um problema que havia frustrado um deus.

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