
Capítulo 497
O Retorno do Professor das Runas
Capítulo 491: De utilidade
No momento em que as palavras "Lua Crescente" escaparam da boca de Taleel, Pirren percebeu o quão gravemente havia se metido em políticas nas quais não tinha absolutamente nenhum direito de estar. Havia muitos demônios em Treadon, e apenas alguns deles tinham um nome conhecido por cada demônio dentro da cidade.
Yoku, a Lua Crescente, era uma delas. Seu nome era quase a única coisa sobre a qual todos concordavam. Havia mais rumores sobre Yoku do que demônios fracassados espreitando nos Ermos.
Alguns diziam que ela era uma besta imponente, desprovida de razão e movida inteiramente pelo instinto, presa em algum lugar profundo dentro da cidade. Outros rumores diziam que ela tinha cordas puxando quase todos os demônios de alto escalão em Treadon e os controlava há centenas de anos.
Pirren tinha ouvido falar de Yoku como a maior inimiga e aliada de Lord Belkus, e sua idade variava de algumas centenas de anos a duas vezes mais antiga que a própria Treadon.
Nada disso importava. Pirren não se importava se Yoku era uma força da natureza ou apenas um demônio inteligente aproveitando os rumores para aumentar sua força. A única coisa que importava era que ela estava sendo forçada a *encontrá-la*.
Não importa qual fosse a verdade sobre Yoku, não havia dúvida de que ela era poderosa. Um Rank 6 no mínimo absoluto, e possivelmente até mesmo um Rank 7. Houve alguns rumores alegando que Yoku era realmente um Rank 8, mas Pirren não acreditava neles nem um pouco. Um Rank 8 não precisaria espreitar na noite e depender do mistério para manipular as pessoas. Eles simplesmente teriam tomado o que queriam à força.
Mas, no que dizia respeito a Pirren, um Rank 6 e um Rank 8 eram praticamente a mesma coisa. Ambos poderiam matá-la com pouco mais do que um pensamento. Que se dane Aranha — se Pirren pudesse ter virado e corrido por sua vida, ela o teria feito.
Taleel não lhe deu a oportunidade. Mesmo que o demônio sombrio não estivesse olhando para ela, ela podia sentir sua atenção picando contra sua pele. Mesmo que ela pudesse escapar dele agora, ele sabia onde ela morava.
Ele sabia onde seus filhos estavam. Não importava o quão rápida Pirren fosse, ela não era mais rápida do que Yoku era poderosa. Não importava se ela pudesse escapar se isso custasse a vida de seus filhos no processo. E então, Pirren fez a única coisa que podia. Ela seguiu Taleel e deixou que ele a levasse para conhecer sua mestra.
A duração exata da viagem escapou da mente de Pirren. Ela e Taleel serpenteavam pelas ruas sombrias enquanto seus pensamentos em pânico saltavam em sua mente — e então eles haviam chegado.
Taleel abriu uma porta simples na lateral de um beco discreto que parecia idêntico a todos os outros da cidade. Uma luz branca pálida rolou de dentro e iluminou a cidade como se a própria lua estivesse presa atrás da porta.
Ele olhou para Pirren. Nenhuma palavra teve que sair de sua boca. A intenção estava clara. Pirren engoliu em seco, suas costas tão rígidas quanto uma barra de aço, e entrou no brilho. Ela piscou enquanto seus olhos se ajustavam à luz brilhante.
Uma passagem se estendia diante dela, inclinando-se em direção ao centro da cidade. Taleel entrou atrás de Pirren e fechou a porta atrás dele com um clique suave. Ela olhou para ele e ele assentiu, gesticulando para que ela continuasse em frente.
Nenhum deles falou nos próximos minutos. Seu medo e expectativa aumentavam a cada passo. Cada rumor que ela já tinha ouvido sobre a Lua Crescente se alongava em sua mente como sombras no sol poente. O caminho se estendia sem parar, fazendo Pirren se perguntar se havia sequer um fim ou se isso era apenas para ser alguma forma de tortura.
Mas, finalmente, eles chegaram. Assim como em sua chegada à porta no beco, ela mal percebeu quando aconteceu. Pirren estava tão focada em seus próprios pensamentos e no eco retumbante de seus passos no caminho que ela não registrou uma porta de pedra diante dela até que ela estivesse diretamente sobre ela. Uma lua crescente havia sido gravada em sua frente, mas não havia nada de extraordinário sobre ela.
"Não olhe em seus olhos. Não olhe para as sombras. Se você fizer isso, aquele que sair desta sala não será você", Taleel avisou, sua voz suave em reverência.
Ele não deu a Pirren a chance de perguntar o que ele queria dizer. Ele estendeu a mão sobre seu ombro e pressionou sua mão na porta. Ela se abriu silenciosamente. Um arrepio gelado envolveu o corpo de Pirren e picou contra suas escamas.
Um mar de breu se estendia diante dela. Sua forma se torcia e agitava como óleo na água. Algo espreitava dentro dele, e sua presença apertava o coração de Pirren como um tomate maduro. Ela puxou seus olhos para o centro da sala.
A escuridão foi quebrada por um suave raio de luz prateada caindo de algum lugar muito acima. Uma jovem sentava-se no centro da sala, longos cabelos escorrendo de sua cabeça e cobrindo o chão ao seu redor. Ela tinha dois olhos azuis pálidos, tão planos quanto a superfície do mar em um dia sem vento. Seus braços estavam enrolados em suas pernas, abraçando seus joelhos em seu peito. Nenhum chifre adornava o topo de sua cabeça. Se não fossem por seus olhos e cabelo, a garota pareceria ser completamente humana.
A história foi tirada ilicitamente; caso a encontre na Amazon, denuncie a infração.
*Essa é Yoku? Ela não se parece com literalmente nenhum dos rumores dizia que ela seria. Não tenho certeza se isso é uma coisa boa ou não.*
Pirren ficou na beira da escuridão, com todo o seu corpo congelado em terror. Taleel deu um empurrão firme nas costas de Pirren, enviando-a tropeçando para dentro das sombras. Suas palavras ecoaram em sua mente e Pirren concentrou sua atenção nas mãos da garota, não querendo deixar seu olhar se desviar.
"Eu trouxe aquela que você pediu, mestra", Taleel disse enquanto fechava a porta suavemente atrás deles.
"Obrigada, Taleel", disse Yoku. Sua voz era tão suave que deveria ter sido impossível de distinguir, mas soou tão clara quanto um dobre de finados nos ouvidos de Pirren. "Venha para frente."
Pirren teria preferido fazer literalmente qualquer outra coisa, mas seu corpo há muito havia parado de ouvir os desejos de sua mente. Seguir qualquer um deles só mataria a si mesma e seus filhos.
Ela avançou pela escuridão, fazendo o seu melhor para evitar olhar para as ondas turvas que rolavam pelo mar de preto ao seu redor. Yoku não disse nada até que Pirren e Taleel estivessem a apenas alguns metros de distância dela.
"Isso é suficiente", disse Yoku. "Você enfrentou dificuldades, Taleel?"
"Eu não enfrentei. Foi como você disse."
A cabeça de Yoku se inclinou no mais leve dos acenos. Ela levantou um polegar para a boca e mordiscou sua ponta enquanto seus olhos pálidos percorriam o corpo de Pirren como facas cegas. Passaram-se mais alguns segundos antes que Yoku falasse.
"Você é uma covarde."
As palavras não foram ditas como um insulto. Elas não eram nada mais do que uma mera observação de uma observadora imparcial.
"Eu sobrevivo", disse Pirren. O mais fraco lampejo de raiva crepitou em seu estômago. Todo demônio poderoso era o mesmo. Todos eles a menosprezavam, mesmo que ela não tivesse nada além de restos para trabalhar. Ela se arrastou até aqui, um caminho de seu próprio sangue em seu rastro, enquanto metade deles apenas tropeçaram ou foram presenteados com seu poder.
"Você sobrevive", Yoku murmurou. "E você se pergunta por que eu a procurei."
"Que propósito você possivelmente poderia ter para mim? Eu estou abaixo da atenção de alguém como você."
"Eu desejava ver se você seria útil para mim", Yoku respondeu. Sua cabeça se inclinou ligeiramente para o lado. "Nenhum demônio é inútil. Todos podem servir a um propósito, desde que tenham motivação suficiente."
A mão gelada em torno do coração de Pirren começou a se fechar ainda mais. Não soou como uma, mas isso tinha sido uma ameaça. Ela tinha certeza disso. Motivação nunca significou nada mais nas Planícies Amaldiçoadas.
"Isso é sobre Aranha, não é?" Pirren perguntou. "Eu não sei nada sobre ele. Eu não posso machucá-lo. Ele apenas me disse para conseguir acesso ao leilão para ele. Isso é tudo."
"Eu sei." Yoku ficou em silêncio por mais alguns segundos. Então ela removeu o polegar de sua boca e soltou um suspiro delicado. "Que decepcionante. Você não é o que eu preciso. Remova-a, Taleel."
*O quê? Ela me arrastou até aqui só para dizer que não precisa de mim? Qual foi o propósito de tudo isso?*
"Como desejar, mestra." Taleel perguntou. A parte de trás do pescoço de Pirren formigou enquanto seus instintos gritavam um aviso.
"Pare!" Yoku ordenou, seus olhos se arregalando ligeiramente em surpresa. Sua voz só havia aumentado no tom mais fraco, mas tanto Taleel quanto Pirren caíram de joelhos como se mil quilos de força tivessem batido em suas costas.
A respiração congelou no peito de Pirren e uma onda de tontura ameaçou engolir sua consciência completamente. Um instante depois a sensação desapareceu, mas a respiração havia sido completamente expulsa de seus pulmões. Ela puxou uma respiração irregular, seu coração batendo como um cavalo descontrolado.
"Mestra?" Taleel arfou, confusão evidente em sua voz.
"Inesperado", disse Yoku, sua voz de volta ao seu tom suave. Sua cabeça se inclinou para o lado enquanto ela observava Pirren. "Perdoe-me, Taleel. Eu não queria te machucar."
"Eu estou bem, mestra", disse Taleel, soando decididamente não bem. "Você deseja que eu detenha minha mão?"
"O peso dela mudou", murmurou o demônio infantil. "Ela não valia nada, mas no instante em que você se moveu para matá-la, o peso dela aumentou — e o seu desapareceu."
*Peso? Do que ela está falando?*
"Se você ordenar, eu ainda agirei, mestra." O tom de Taleel havia mudado mais uma vez. Medo e resignação haviam substituído a confusão, como se ele estivesse assinando sua própria vida com suas palavras.
"Você é valioso demais para isso", Yoku respondeu. Seus olhos se abaixaram para Pirren, que apressadamente concentrou sua atenção de volta nos joelhos do outro demônio para evitar manter seu olhar. "Pirren. Eu desejo uma explicação."
"Uma explicação?" Pirren perguntou fracamente. "Para quê?"
"Se Taleel tivesse te matado agora, ele teria se juntado a você na morte." A voz de Yoku estava tão fria quanto seus olhos gelados. "Me diga o porquê. Quem te protege?"
*O quê? Ninguém. Eu não tenho ninguém além dos meus filhos, e nenhum deles é sequer perto de forte o suficiente para sequer arranhar Taleel, muito menos matá-lo. Não tem ninguém —*
Um pensamento formigou na parte de trás da mente de Pirren. E, apesar da situação em que se encontrava, ela quase caiu em uma gargalhada histérica.
"Responda à mestra, demoníaca", Taleel ordenou.
"Aranha me protege", disse Pirren enquanto uma tábua de salvação finalmente se manifestava diante dela. Era fina, mas era a mais tênue chance de sobreviver à noite. Como sempre fizera, ela se agarrou à vida como um náufrago a uma tábua de madeira.
"Aranha? Que cuidado ele tem com você?" Taleel perguntou. "Você não é um de seus homens."
Pirren não tinha ideia do que havia acontecido ou por que Yoku acreditava que ela estava protegida. Não importava. Se Yoku não sabia, então Pirren poderia fazer o que fazia de melhor.
Mentir.
"Ele não se importa comigo", Pirren concordou, um pequeno sorriso puxando por seus lábios enquanto a falsa confiança que ela havia invocado milhares de vezes antes finalmente se manifestava mais uma vez. "Mas ele ficaria bastante descontente com o atraso se eu não conseguisse realizar minha tarefa."
"Aranha mataria um dos *meus* homens?" Yoku perguntou. "Puramente porque eu o incomodei?"
"Assim parece."
Para surpresa de Pirren, um leve sorriso surgiu nos lábios de Yoku.
"Então talvez você possa ser útil para mim, afinal."