O Retorno do Professor das Runas

Capítulo 378

O Retorno do Professor das Runas

Capítulo 374: O avanço do demônio

A garganta de Lee se fechou. O sangue pulsava em seus ouvidos. O avanço de Rafael em direção a Moxie girava em seus olhos, cada passo parecendo mais lento que o anterior. A cor mudou quando o mundo se tornou um leve rosa, e então escorregou para o preto.

O controle voltou ao seu corpo, mas não estava no mundo real. Ela cambaleou para frente, encontrando-se na escuridão de seu espaço mental. Uma explosão de chamas rodopiou diante dela, revelando a forma de Azel.

— Idiota — Azel rosnou. — Eu te disse para correr.

— Me deixe sair! — Lee agarrou Azel pela gola. — Eu preciso...

— O quê? — Azel empurrou Lee para o chão. — O que você vai fazer, sua garota estúpida? Seu corpo está travado no lugar. Você não pode se mover. Você não pode nem implorar. Tudo o que eu fiz foi te dar alguns momentos insignificantes. Você pode sentir, não pode?

Lee não precisou perguntar a Azel sobre o que ele estava falando. Um calor ardente rodopiava na parte de trás de seu pescoço, subindo lentamente em direção ao seu cérebro.

— O que você fez?

— Estou forçando seu cérebro a funcionar mais rápido do que ele deveria ser capaz, mas só vai durar um certo tempo até que você consiga lidar com isso — Azel disse, enfiando um dedo na testa de Lee. — É o seu tronco encefálico aquecendo. E, em um minuto, você vai explodir como uma vela.

— Então me ajude! — Lee implorou. — Mate o Inquisidor!

Azel soltou uma risada rouca. — Você me considera um cão de ataque, Lee? Eu não tenho um corpo graças a Vermil. Tudo o que sou é energia, e Evergreen me causou muitos danos. Foi preciso tudo o que eu tinha para transferir a maior parte do meu poder para você, e você tem desperdiçado isso em todas as oportunidades.

— Eu...

— Não — Azel interrompeu. — Chega de conversa, Lee. É minha vez. Eu te ajudei em todos os momentos. Se você quer viver, você vai fazer o que eu digo. Chega dessa covardia. Você tem energia suficiente em suas Runas para avançar para o Rank 4, e é isso que você vai fazer. Essa é a única maneira de você sobreviver.

— Se eu avançar, posso salvar Moxie?

— Salvar? Você deveria se concentrar em evitar a própria morte. Alcançar o Rank 4 permitirá que você impeça Rafael de congelá-la no lugar com seu domínio, mas isso não permitirá que você lute contra ele por mais de um segundo ou dois. Ele é um Rank 5, e um forte. Subir de Rank lhe dará a chance de correr.

— E Moxie? — Lee exigiu. — Eu não posso...

— Você vai! — Azel rugiu, chamas se enrolando em seus ombros e iluminando a escuridão antes de ser engolida pelas sombras mais uma vez. — Você é um demônio. Acima de tudo, nós perseveramos. Eu não sei de onde você tirou essa maldita noção tola de sacrifício em sua cabeça, mas as Planícies Amaldiçoadas não têm espaço para idiotas sentimentais. Suba de Rank. Agora. Caso contrário, sente-se e observe a garganta de Moxie ser cortada e então morra depois.

Se eu for Rank 4, tenho uma chance de lutar. Pode ser o suficiente para pegar Rafael de surpresa por um segundo, e isso poderia me dar tempo para agarrar Moxie e fugir. É minha única escolha. Eu não tenho outra.

Azel estava dizendo que ela se salvaria, mas Lee não tinha tanta certeza de que restaria algo dela para salvar depois que ela atingisse o Rank 4. Avançar e formar a Runa do Rank 4 provavelmente seria a última vez que ela seria verdadeiramente ela mesma — mas se ela pudesse aguentar o tempo suficiente para afastar Moxie e os outros de Rafael...

— Tudo bem — Lee disse, engolindo em seco. — Vamos fazer isso. Você vai me ajudar?

O sorriso de Azel era frio. — O que você acha que eu estive esperando todo esse tempo? Eu vou te ajudar. Você conhece sua emoção, eu confio? Isso não vai funcionar se você não conhecer.

As mãos de Lee se fecharam ao lado do corpo. — Conheço.

— Então reúna suas Runas e se torne o que você sempre foi destinada a ser — Azel disse, seus lábios se abrindo em um sorriso faminto. — E não tenha medo, Lee. Nós vamos cobrar nosso preço desse tolo. Assim que sairmos daqui, eu te garanto que voltaremos e vamos despedaçar este Inquisidor um nervo de cada vez. Faremos isso juntos, você e eu.

Azel levantou uma mão no ar, curvando os dedos em um punho. O espaço mental de Lee tremeu enquanto o poder passava por ele e suas Runas se elevavam, as sombras que as restringiam se esticando enquanto tentavam manter seu controle sobre o poder.

— Você só tem segundos — Azel avisou. — Mas o tempo não significa nada para nós, Lee. Demônios são instinto. Nós sabemos o que somos. Não há nada que possa _jamais_ mudar isso. Tudo o que você precisa é de um instante para abrir as comportas. Sua emoção irá guiá-la. Aceite-a.

Lee fechou os olhos, deixando a energia de suas Runas pulsar por sua mente. Então ela juntou as mãos, puxando as Runas para mais perto. Elas estavam todas cheias — estavam assim há um tempo.

Como Azel disse, o poder estava lá. Ele estava à espreita, preparado para lhe dar o que ela buscava e tirar tudo o que ela amava em troca. Só restava uma coisa a fazer.

Ela estendeu a mão e pegou.

***

A magia de Moxie estava falhando. Todas as vinhas do mundo não poderiam tê-la ajudado quando ela simplesmente não tinha o poder de penetrar no domínio de Rafael. Seu corpo inteiro estava irremediavelmente travado no lugar e sua magia não conseguia nem se mover.

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Droga. Se minhas Runas não tivessem sido destruídas na propriedade Torrin, eu já seria Rank 4 agora. Eu não posso morrer assim. Eu cheguei longe demais.

Os pensamentos de Moxie não fizeram nada para retardar o avanço de Rafael. Ele não parecia estar com disposição para conversar. Ele levantou sua espada, caminhando em direção a ela com assassinato em seus olhos. Moxie lutou desesperadamente contra as amarras de seu domínio, mas era absoluto.

Não havia nada que um Rank 3 pudesse fazer dentro dele. Ela não conseguia nem ranger os dentes. Decepção e raiva impotentes rodopiavam em seu peito, fechando-se em torno de seu coração como a mão do ceifador.

Eu continuo esperando que alguém apareça a tempo de me salvar, mas acho que não tenho mais disso. Merda. Me desculpe, Noah. Espero que você não mate muitas pessoas por causa disso.

Rafael alcançou Moxie e recuou, seus músculos se contraindo enquanto ele se preparava para golpear.

Eu vou gostar de ver você apanhando do além. Se seu domínio ceder por um segundo enquanto eu morrer, eu juro que vou te levar comigo.

Pelo canto do olho, Moxie viu uma enorme flecha de gelo riscar o ar — e evaporar completamente no instante em que entrou no domínio de Rafael. Evidentemente, Emily não havia seguido suas ordens.

A lâmina se moveu em direção ao pescoço de Moxie, e ela foi negada até mesmo a opção de apertar os olhos e evitar o fim. De certa forma, ela estava bem com isso. Moxie encontrou o olhar de Rafael, esperando que ele pudesse ver o escárnio em seus olhos.

E então Rafael desapareceu. Sua espada girou no ar e se cravou no chão atrás de Moxie. Um instante depois, um estrondo ecoou pelo Planalto Castigado pelo Vento. O corpo de Moxie voltou ao seu controle e ela girou para ver Rafael caindo de uma pequena cratera que ele havia feito no paredão.

— Ela é minha — Lee sibilou, mas havia algo estranho em sua voz. Saiu sobreposta, como se duas pessoas estivessem falando ao mesmo tempo. — Eles são todos meus. Você não pode tê-los. Eles são _meus_!

Rafael se levantou, limpando o sangue de seus lábios e puxando-os para trás em um rosnado. O sangue no chão ao redor dele se elevou, formando um par de lâminas gêmeas em suas mãos. — Avançar no último segundo para usar a explosão de poder para se equiparar temporariamente a mim? Não é suficiente, demônio. Nem de perto.


Rafael se moveu rapidamente, e o corpo de Moxie parou abruptamente mais uma vez antes que ela pudesse dar um passo sequer. Ele se refez ao lado de Moxie, sua espada balançando — e um borrão vermelho o atingiu. Um barulho alto ecoou quando seu queixo foi para cima, sangue jorrando de sua boca. Um segundo golpe atingiu seu estômago e o mandou cambaleando pelo chão.

Por um breve instante, Moxie viu Lee — mas a mulher que estava diante dela não se parecia nada com Lee. Dois chifres irregulares haviam saído de sua testa, curvando-se ao redor de seu crânio. Chamas fumegantes percorriam-nos e por todo o seu cabelo, viajando por seus braços e dançando sobre seus nós dos dedos.

Seus dedos haviam se afiado em garras negras, e seus dentes haviam crescido de pontudos a presas completas. Mas, além de tudo isso, havia uma fome profunda e desesperada queimando por trás de seus olhos. Era uma fome que Moxie reconhecia — e era mais do que apenas Lee.

Azel.

— O que é isso? — Rafael ofegou, cambaleando para se levantar. O sangue rodopiou ao redor de seu corpo, formando uma armadura. Ele não estava brincando mais. — É impossível. Um demônio no Rank 4 não pode ter tanto poder. Nem mesmo com uma subida de Rank. O que você é?

Lee desapareceu em uma nuvem de fuligem e chamas, reaparecendo diante de Rafael e cravando suas garras em sua garganta. Desta vez, Rafael não foi pego de surpresa. Ele girou uma de suas espadas, jogando o braço de Lee para o lado, mas não conseguiu cortá-la.

Ele lançou a outra no peito de Lee, mas ela desapareceu antes que o golpe pudesse acertar. Refazendo-se atrás de Rafael, Lee lançou um chute giratório brutal na lateral de sua cabeça. Ele desviou, então soltou um rugido.

O sangue ao seu redor irrompeu, avançando em direção a ela em pontas irregulares. Vários deles entalharam a carne de Lee antes que ela pudesse desaparecer mais uma vez. Moxie tentou se mover, mas Rafael a tinha dentro de seu domínio mais uma vez.

Tudo o que ela podia fazer era observar com os dentes cerrados enquanto Lee lampejava e girava em torno de Rafael, tentando desesperadamente matá-lo. Mas, a cada movimento, Moxie podia ver a força de Lee diminuindo. Ela havia gasto a enorme explosão de poder que havia vindo com seu avanço de Rank. Mesmo que ela ainda tivesse muito mais força do que deveria, Rafael estava retomando o controle da luta.

— Eu vou te estudar — Rafael sibilou, enfiando um punho no estômago de Lee e a mandando voando para trás. Ela girou, pousando em seus pés e derrapando na terra. Suas presas se separaram em um rosnado e ela lampejou em direção a Rafael novamente — apenas para ser recebida com uma explosão de sangue concentrado. Mesmo quando a mandou voando, uma das garras de Lee disparou. Ela pegou na mandíbula de Rafael, rasgando um sulco profundo em seu pescoço.

Lee atingiu o chão de costas, sibilando de dor. Ela cambaleou, quicando uma vez antes de conseguir se segurar com suas garras. Sangue manchou seu rosto e seu peito subia e descia com respirações desesperadas.

O sangue jorrando da ferida de Rafael diminuiu. Deveria ter sido uma ferida mortal, mas o bastardo estava trapaceando — ele estava literalmente mantendo o sangue em seu corpo. Rafael ergueu a mão para o pescoço, então amaldiçoou.

— Eu fiz a escolha certa em vir — Rafael rosnou, enfiando a mão no bolso e puxando um frasco de vidro. — Uma criatura como você não deve ter permissão para crescer mais. Não posso acreditar que um Rank 4 recém-feito me empurrou tão longe, mas a luta termina aqui.

Rafael bateu as mãos, quebrando o frasco. Enquanto ele separava as palmas das mãos, seu sangue se misturou com o que quer que estivesse no frasco. Energia estalou em suas palmas e a pele de Moxie formigou, mesmo de tão longe.

A energia entre as palmas de Rafael parecia muito poderosa até mesmo para um Rank 5. Lee também reconheceu, mas ela não conseguiu se aproximar do Inquisidor. O sangue rodopiou ao redor dele, abrindo caminho pelo chão em um tornado de lâminas sanguinolentas.

— Você deve se sentir honrado — Rafael disse, cerrando os dentes enquanto sangue começava a escorrer de seus olhos. — Eu nunca precisei usar uma maldição de linhagem em um demônio antes, mas me recuso a deixar uma criatura como você vagar por este plano. O dano poderia ser irreparável se você continuar a respirar.

— Eu vou consumir você — Os chifres de Lee queimavam com chamas escuras. — Você não vai tirá-los de mim. Ninguém vai.

— Não vai sobrar nada de você para tirar — Rafael respondeu. Seus dentes cerraram em concentração enquanto ele tentava conter o poder rodopiando entre suas palmas, mas era demais para suportar. O chão tremeu sob seus pés e parecia que estava consumindo cada grama de poder que ele tinha só para não cair. — Não sou burro o suficiente para correr mais riscos.

— Como se eu fosse deixar você me acertar com isso — Lee disse com uma risada fria que soou completamente atípica para ela. — Você mal consegue mirar. No momento em que você liberar essa magia, você morre.

— Eu conheço sua emoção, Gula. E eu sei como você se sente sobre aqueles que pertencem a você. Você é rápida o suficiente para que eu nunca seja capaz de acertar isso em você de qualquer maneira. Mas eu não preciso acertar nada quando você fará isso por mim — Rafael se virou — não para Lee, mas para Moxie.

Ele liberou a magia que estava se acumulando ao seu redor, enviando uma flecha de sangue gritante abrindo caminho pelo ar em direção a ela com um uivo de energia mágica. E, pela segunda vez naquele dia, Moxie não podia fazer absolutamente nada além de assistir a morte gritar seu nome.

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