O Retorno do Professor das Runas

Capítulo 379

O Retorno do Professor das Runas

Capítulo 375: O Pior Demônio

A magia de Rafael era rápida. Ainda assim, se tivesse sido direcionada diretamente a Lee, ela estava confiante de que poderia ter se esquivado. Mas não estava indo em direção a ela, e com o turbilhão confuso de sua recém-formada Runa de Rank 4 latejando em sua cabeça, os pensamentos de Lee eram uma bagunça confusa.

Havia apenas uma coisa que ela ainda sabia como um fato — e era que Moxie não sobreviveria à poderosa flecha de sangue gritando em sua direção. A pele de Lee se arrepiou apenas por sua proximidade com ela, e cada um de seus sentidos gritava para que ela desse meia-volta e fugisse.

Ela podia sentir Azel puxando seu corpo, desesperadamente gritando algo no fundo de sua mente, mas Lee mal o registrava. Suas palavras eram um zumbido monótono, abafado pela imensa torrente de pensamentos incompreensíveis e fome.

Da bagunça confusa, apenas um único pensamento conseguiu tomar forma. E, curiosamente, foi impulsionado inteiramente pela única emoção que Azel a estava incentivando a abraçar desde que se conheceram.

Ela é minha. Ninguém pode tê-la.

Lee se moveu rapidamente, chocando-se com Moxie e a empurrando para fora do caminho. Ela tinha planos de continuar, mergulhando para fora do caminho da magia de sangue e deixando-a passar inofensivamente por ambas, mas ela não era tão mais rápida que Rafael.

O raio atingiu o ombro de Lee. Ela se preparou para uma explosão de dor ou agonia, mas nada aconteceu. Em vez disso, a magia desapareceu dentro dela, sumindo como se nunca tivesse existido. Lee deu vários passos cambaleantes, se recuperando enquanto Moxie rolava pelo chão à sua frente, incapaz de se controlar dentro do domínio de Rafael.

— O jogo acabou — disse Rafael, deixando as mãos caírem e apoiando-as nos joelhos com uma risada dolorida. — Eu ganhei.

Lee inclinou a cabeça para o lado. Ela olhou para seu corpo, depois de volta para Rafael. O alívio nos olhos do Inquisidor vacilou, depois desapareceu quando seus olhos se arregalaram. — Como você ainda está de pé? Eu coloquei cada grama de poder que tenho nisso. Você não pode...

O calor floresceu no peito de Lee. Ela se dobrou quando a magia irrompeu de seu corpo, rugindo pelo ar em uma corrente de fogo carmesim. O resto da frase de Rafael se perdeu na chama crepitante quando Azel surgiu ao lado de Lee, brasas subindo de seu terno preto.

— Não — Rafael respirou, dando um passo para trás. Suas costas atingiram o penhasco de pedra, mas seus olhos nunca deixaram a forma de Azel. — Dois demônios. Mas como...

Azel se moveu rapidamente. O fogo riscou o chão enquanto ele disparava em direção a Rafael. O sangue rodopiou ao redor do Inquisidor, começando a se formar em uma barreira cintilante, mas Azel a atravessou diretamente. Seu punho quebrou a magia de Rafael e ele agarrou o Inquisidor pelos cabelos, levantando o homem no ar.

Um estalo alto seguido por um som úmido rasgou o ar. O braço de Rafael girou para o lado, espalhando-se no chão atrás de Azel. O rosário escorregou de dedos inúteis e deslizou pela grama ao lado dele.

— Muito bem, Inquisidor — Azel cuspiu, ódio e fúria borbulhando de suas palavras. — Você me encontrou.

Rafael abriu os lábios para dizer algo, mas Azel lhe negou a oportunidade. A mão do demônio bateu no rosto do Inquisidor com um estalo alto. O fogo irrompeu ao redor dos dois, girando para o ar antes de se extinguir abruptamente.

O corpo do Inquisidor caiu de joelhos, depois se lançou para frente, um grande buraco atravessando sua cabeça. O corpo atingiu o chão com um ruído úmido e não se moveu mais. Nem mesmo uma Runa de Sangue poderia salvar alguém quando todo o seu cérebro havia sido pulverizado.

Moxie se levantou rapidamente, erguendo as mãos defensivamente enquanto Azel se virava. Seu terno fumegava, as pontas de suas lapelas começando a queimar. Lee o encarou, o mundo flutuando ao seu redor.

A Runa de Rank 4 ainda estava mudando seu corpo. Ela não conseguia dizer o que estava mudando, mas havia uma inegável sensação de perda. Algo que antes estava lá havia sumido, e mais estava desaparecendo a cada segundo que passava.

Moxie estava viva, no entanto. As crianças ficariam bem. O Inquisidor estava morto. Era o que ela queria. Tinha sido a troca que ela fez. Tinha sido inevitável. Não havia como um demônio avançar além de incorporar sua emoção.

O rosto de Lee estava molhado. Ela levantou a mão, limpando uma lágrima escorrendo pelo lado de sua bochecha. Uma carranca cruzou seus lábios enquanto ela encarava a água em seu dedo.

Por que estou chorando?

Azel se aproximou de Lee, as cinzas girando de seu corpo envolvendo-os como a noite caindo. Moxie gritou algo, mas Lee mal percebeu. Moxie não era a única coisa que ela precisava.

Havia tanta coisa no mundo. Ela nunca tinha pensado nisso adequadamente antes — mas o mundo era lindo. As plantas eram exuberantes. O céu era vibrante e azul, e tudo entre ele chamava seu nome.

Eles eram dela para pegar. Eles pertenciam a ela. Tudo pertencia a ela. Tudo, menos Azel. Ele era um pilar de fogo doentio, um poder que estava além de seu alcance. Ela não podia pegar o poder dele — mas isso só a fazia querer mais.

A língua de Lee correu ao longo de seus lábios enquanto seus olhos se moviam, tentando encontrar uma maneira de arrancar a energia do demônio. Tinha que haver uma maneira de reivindicá-la. Uma maneira de...


A mão de Azel se moveu antes que Lee pudesse reagir. Seus dedos se cravaram em seus ombros e as cinzas saindo de seu corpo ficaram mais grossas, mergulhando os dois em uma névoa turva e profunda. Lee mal conseguia ver Azel pela chama fumegante que saía de seu corpo.

Antes que ela pudesse se libertar do outro demônio e tentar cravar uma mão em sua garganta, uma pontada surda ressoou em sua alma. Sua Runa de Rank 4 estremeceu, depois estremeceu. O poder jorrando dela e para o corpo de Lee parou abruptamente.

— Garota estúpida e ingênua — disse Azel, mas faltava o calor derretido usual que suas palavras carregavam. Soava... estranho. Distorcido, como se estivesse falando através de uma camada de água. — Você usou minhas Runas Demoníacas para formar isso, e ousa pensar em tentar usá-lo contra mim? Esta é minha Runa tanto quanto é sua.

A boca de Lee se moveu, mas a enorme fome que a havia trazido para seu alcance parecia ter diminuído. Ou, mais precisamente, parecia ter sido roubada. Ela ainda podia senti-la, queimando nos cantos de sua mente e espumando pela boca para ser libertada, mas Azel estava segurando-a.

Pelo menos por mais alguns segundos, Lee era ela mesma mais uma vez.

— É isso? — Lee perguntou, sua voz vacilando. — Eu não quero morrer.

— Você não vai morrer — Azel rosnou. — Você está se tornando maior. Você tem tanto potencial. Com a ajuda de Vermil, sua Runa é impecável. Uma Runa Demoníaca impecável, Lee. Você entende o que você representa? Você pode se tornar o demônio mais poderoso da história. Você não percebe o que eu tenho feito por você? Eu pavimentei o caminho. Eu te dei as sementes e as reguei até que brotassem. Tudo o que você tem que fazer é continuar.

— Eu não quero ser o demônio mais poderoso da história — disse Lee. — Eu só quero ser Lee.

Os dedos de Azel se cravaram mais fundo nos ombros de Lee enquanto seus olhos perfuravam os dela. O fogo dentro de seus olhos vacilou por um segundo e ele se dobrou, soltando um de seus ombros e tossindo em seu punho.

— Você é uma idiota — Azel cuspiu, limpando a boca com as costas da mão. O estômago de Lee se contraiu quando a fome em sua mente tentou avançar novamente, mas a presença de Azel a bloqueou. Ele estava suprimindo a Runa. — Eu te dei tudo, e você rejeita?

— Por que você simplesmente não pega você mesmo? — Lee exigiu. — Noah provavelmente teria te dado uma Runa impecável se você simplesmente tivesse nos deixado em paz!

— Eu ia fazer isso! — Azel rugiu, seus olhos brilhando com chamas. Ele respirou fundo, se controlando antes de falar novamente. — Eu preparei tudo perfeitamente. Você pegou minhas Runas como uma tola confiante, e eu me infiltrei cada vez mais em sua alma a cada dia. No momento em que você alcançasse o Rank 4, eu deveria ter uma Runa de Rank 4 Impecável. Todo o potencial que Noah havia colocado em você teria sido meu.

— E? — Lee exigiu. — Por que você não faz isso, então?

Azel soltou uma risada. — Você não pode me atrair para fazer nada, Lee. Eu sou centenas de anos seu superior em tudo, e isso inclui manipulação. Você realmente acha que perder a Runa de Rank 4 vai te dar uma chance de permanecer como você é? Você não sobreviveria.

— É uma chance. Você quer a Runa. Eu quero permanecer a mesma. Pegue!

— Não — disse Azel, rangendo os dentes. — Eu não vou.

— Por que não? Eu pensei que você queria...

— Eu queria. — Azel interrompeu Lee com outra risada amarga. — Até você ir e arruinar tudo.

— O quê? Do que você está falando?

— Suas ilusões amaldiçoadas pelos deuses — Azel cuspiu. Outro espasmo sacudiu seu corpo e ele tossiu, mas ele ignorou e continuou. — Você é, sem dúvida, o pior demônio que já viveu. Você pegou tudo o que deveríamos ser e torceu.

— Acho que você foi atingido na cabeça. Apenas pegue minha Runa...

— O que é Gula para você? — Azel sacudiu Lee pelos ombros. — Me diga!

— É proteger o que eu amo!

— Errado! — Azel sibilou. — É amar a sensação de conseguir mais. É a fome infinita por mais. É isso que você deveria ter — mas suas ilusões estúpidas eram tão fortes que você torceu a maldita emoção em algum sentimento humano perverso. Algo que não deveríamos ser corrompidos.

— Eu não me importo com nada disso — disse Lee. — A Runa de Rank 4 estava me transformando no que você está falando. Então, se você pegar, terá o que quer.

O rosnado de Azel desapareceu, transformando-se em uma risada derrotada. — Eu não quero mais, Lee. Sua ilusão arruinou mais do que apenas seu potencial. Arruinou o meu também.

Ele estendeu a mão para seu terno em chamas, puxando-o para o lado. Linhas grossas de vermelho serpenteavam por seu corpo, pulsando com energia doentia. Elas serpenteavam ao redor de seu peito e subiam em direção ao seu pescoço, tornando a pele ao redor delas um cinza opaco.

— O que é isso? — Lee perguntou.

— Você é uma vadiazinha. É a maldição da linhagem na qual você pulou na frente. Aquela que teria te matado instantaneamente se tivesse conectado.

Lee olhou em choque. — Você levou o golpe por mim? Por quê?

— Eu não sei — disse Azel, olhando para a magia gravando em seu corpo centímetro por centímetro. — Suponho que eu possa não ter sido o demônio que pensava que era. Minhas emoções são Luxúria e Ódio. Eu as traí. Talvez esta seja uma punição apropriada.

— Eu ainda não entendo. Do que você está falando? — Lee disse, olhando para Azel.

— Por que você acha que eu deixei você viver quando você me seguiu pelo portal nos Campos Ardentes? — Azel perguntou abruptamente. — Você realmente pensou que passou despercebida sem meu conhecimento?

— Eu pensei que você simplesmente não se importava.

— Se ao menos. Não. Eu sabia que você estava lá, porque eu mantive o portal aberto para você — disse Azel. Seu rosto se contorceu em uma careta enquanto a magia de sangue serpenteando ao redor dele alcançava seu pescoço e começava a rastejar em direção ao seu queixo. — Você sempre foi um demônio pobre. Eu esperava que entrar no plano mortal fosse o impulso que você precisava.

Lee olhou para Azel em descrença. — O quê?

— Quando percebi o quão inútil você era, decidi colher sua energia assim que escapasse do corpo de Noah — Azel continuou com um sorriso irônico. — Pelo menos, era o que eu dizia a mim mesmo. É por isso que eu te dei minhas próprias Runas. É por isso que eu me transferi para sua alma, mesmo que Noah pudesse ter sido convencido a aperfeiçoar minhas próprias Runas em troca de te deixar em paz. Suponho que essa desculpa não funciona mais, não é? Eu não posso pegar nada quando estou morto.

— Por que você nunca disse nada? — Lee exigiu.

— Isso importa? — Azel perguntou. Ele tossiu, então rangeu os dentes. — Não mais. Você não é o demônio que eu queria que você fosse — e você nunca será.

Azel levantou a mão, agarrando um dos chifres de Lee. Então, com um puxão brusco, ele o quebrou. Lee soltou um grito de dor quando a agonia correu por seu corpo, mas Azel a manteve no lugar com a outra mão.

Linhas derretidas de dor rasgaram seu corpo, serpenteando por sua cabeça. Elas envolveram a Runa de Rank 4 em sua alma, cavando nela como facas serrilhadas.

— Aí está. Isso não vai durar para sempre, Lee. Torne-se mais do que apenas um mero demônio — disse Azel, um sorriso vacilando em seus lábios apesar da dor em suas feições. — Eu quero que as lendas de minha filha viajem tão longe que eu ainda as ouça. Isso vai me dar algo para pensar naquela fila de Noah.

— Espere. Você não pode simplesmente...

— Estranho — Azel respirou. A magia de sangue enrolou suas bochechas e ele inclinou a cabeça para o lado, seus olhos olhando diretamente para Lee. — Esta não é uma emoção que eu reconheço. Parece quente.

Rachaduras correram pelo rosto de Azel. Seu corpo entrou em colapso, desmoronando sobre si mesmo. A cinza que estava girando ao redor deles se transformou em um pilar e se dissipou com um estouro suave, deixando apenas Lee para saudar a luz quando o dia retornou.

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