
Capítulo 203
O Retorno do Professor das Runas
Capítulo 202: Que Merda
— Você não pode estar falando sério em matar uma criança — disse Garrick, colocando-se entre Revin e Eline.
— Não é da sua conta o que eu faço com Elon, é? — Revin perguntou. Ele inclinou a cabeça para o lado, então bateu o chão com a extremidade da sua foice. — Venha aqui, garota. Como combinado, sua vida está paga.
Eline encarou-o, sem mover um músculo. Ela engoliu em seco, então se encolheu ainda mais atrás de Garrick. Revin franziu os lábios.
— Só um monstro procuraria matar alguém por algo tão sem sentido quanto… — Garrick começou, mas Revin o interrompeu.
— Você fez a aposta. Você queria algo importante de mim, e eu fui gentil o suficiente para aceitar em troca de algo importante de você — disse Revin, sua voz escurecendo. Ele estalou a língua em desapontamento. — Todo mundo está sempre tão disposto a colocar sua vida em risco até que a coisa aperta e o ceifador bate à sua porta.
A testa de Evergreen se franziu ainda mais. Noah podia praticamente senti-la remexendo em suas memórias enquanto tentava descobrir quando Garrick e Eline haviam feito qualquer tipo de aposta com Revin. Por um momento, Noah pensou que ela intercederia para ajudar.
Então ela se virou e foi embora, seu cajado batendo contra o chão pontuando cada passo. Os olhos de Noah se arregalaram ligeiramente.
Caramba. Ela é realmente uma vadia fria. Nem um segundo de hesitação. A vida de Eline não valia nem o tempo para Evergreen perguntar por que estava em risco.
Garrick cerrou os dentes. Suas mãos se fecharam ao lado do corpo. Então seu olhar ficou frio e suas mãos se abriram. Ele virou nos calcanhares e foi atrás de Evergreen, deixando Eline encarando suas costas em choque. Ela abriu a boca, então engoliu em seco.
Parece que é de família, isso corre nas veias dos Torrin.
Noah olhou para Moxie, que ainda tinha a mão no ombro de Emily.
A maior parte da família Torrin, isso sim. Moxie é uma exceção. Com alguma sorte, ela vai salvar Emily de se tornar como Evergreen. Que merda para Eline, no entanto.
Ah, bem. Ela vai viver. Figurativamente, não literalmente.
— Ele vai realmente matá-la? — Isabel sussurrou urgentemente para Noah. — Você precisa impedi-lo!
— Não tenho tanta certeza se posso — Noah murmurou. — Apenas espere. Se ele realmente tentar fazer algo, nós vamos interceder. Eu nunca tentaria prever as ações de Revin, no entanto. Ele é uma força do caos, não da lógica.
Revin olhou por cima do ombro, encontrando o olhar de Noah e enviando-lhe um sorriso malicioso antes de voltar a olhar para a chocada Eline.
Como diabos ele ouviu isso? Quanto mais eu conheço esse cara, mais começo a pensar que ele realmente pode ter algum tipo de magia de coleta de informações. Talvez essa coisa do Olho que Tudo Vê não seja uma besteira, afinal.
— Bem, que merda — disse Revin. — Parece que os mentores pelos quais você estava disposta a dar sua vida a abandonaram completamente, sem mais do que algumas palavras de reclamação.
As mãos de Eline se fecharam ao lado do corpo. — Eles… eles vão voltar.
— Não, eles não vão — disse Revin. Ele bateu um dedo no seu cajado. — Eles já foram. Levaram uns cinco segundos para desistir de você. Até eu pensei que eles resistiriam mais do que isso.
— Qual é o objetivo disso? — Eline exigiu, encarando Revin. Ela esticou o pescoço. — Apenas faça logo! Eu não vou ficar aqui e ser zombada. Mate-me, se ousar. Veja o que acontece quando a casa Torrin…
— Nem sequer perde uma piscadela de sono? — Revin ergueu uma sobrancelha. — *Olhe* para eles, garota. Eles nem estão assistindo à sua execução. Eles não se importam. De jeito nenhum.
Os olhos de Eline se voltaram para Evergreen e, em seguida, para Garrick. Revin estava certo. Noah viu os últimos vestígios de esperança desmoronarem nos olhos de Eline. Ninguém viria ajudá-la. Ela foi deixada para lidar com as consequências de uma aposta – uma que ela admitidamente concordou, mas uma que seus mentores nunca deveriam ter permitido que ela fizesse.
Vários segundos de silêncio se passaram.
— Bem. É isso aí — disse Revin. Ele levantou sua foice. — Terminamos aqui, eu acho.
Eline nem sequer respondeu. Em um piscar de olhos, Revin girou sua foice para que a extremidade estivesse encostada no pescoço de Eline. Ela soltou um suspiro surpreso quando um tentáculo de sombra saiu do cabo, enrolando-se em volta do seu pescoço. Apertou, transformando-se em uma corrente de escuridão fortemente ligada. Parecia uma peça de joalheria de obsidiana.
James soltou um gemido. — Eu sabia que isso estava vindo.
— O que você fez? — Eline perguntou, tocando o pescoço. — O que é isso?
— Prova — Revin respondeu. — Sua vida é minha.
— Ele fez a mesma merda comigo — disse James, esfregando a ponta do nariz e soltando um suspiro cansado.
— Você… não vai me matar? — Eline perguntou em confusão.
— Você vai desejar que ele fizesse isso — James murmurou.
— Claro que não. — Revin soltou uma gargalhada. — Por que eu mataria alguém tão fraco quanto você? Não há absolutamente nenhuma diversão nisso. Não, Ellie. Eu não vou te matar.
— Eline.
— Não se incomode — disse James. — Ele vai fazer isso por um tempo.
— Eu não vou te matar. Eu vou te treinar — disse Revin, um sorriso se estendendo pelos seus lábios. — Eu vou consertar todos os erros que os Torrin cometeram que permitiram que você chegasse onde está agora. E então, quando você estiver forte o suficiente, você pode reconquistar sua liberdade.
Eline encarou Revin incompreensivelmente. Finalmente, ela engoliu em seco. — Isso não é uma piada? Por que você está fazendo isso?
— Porque me deu vontade — disse Revin com um encolher de ombros. — Eu também fico entediado, sabe. Às vezes, é bom simplesmente fazer algo para ajudar as pessoas sem absolutamente nenhum motivo oculto.
Os olhos de James se estreitaram. Revin propositalmente não olhou em sua direção, mas James caminhou para forçar Revin a olhar para ele.
— Sem motivos ocultos?
— Absolutamente nenhum.
— Você tem certeza? — James arqueou uma sobrancelha.
— Claro que tenho — disse Revin. — Por que eu mentiria sobre tal coisa? Meus motivos são puros como neve recém-caída.
— Então não tem nada a ver com o fato de que você tem que me dar os próximos meses de folga? — James insistiu.
Revin pigarreou. — Eu tenho? Eu tinha esquecido completamente, se estou sendo honesto. Que divertido. Não importa. Eu mal me importo. O que você faz é da sua conta, não da minha.
— Claro, claro — disse James, conhecedor. — Então você não fez tudo isso especificamente porque não vai ter ninguém para forçar a fazer seu café da manhã enquanto você estiver viajando?
— Suas perguntas têm um tom muito acusatório — declarou Revin. — Eu não gosto muito delas, então vou optar por não responder.
Os olhos de Noah se estreitaram.
Você não pode estar falando sério.
— Em uma nota totalmente não relacionada — disse Revin, arrastando a última palavra. — Elton, como estão suas habilidades na cozinha? Você teve algum treinamento de sobrevivência?
— O quê? Eu acho que tive algum — Eline gaguejou. — Ele está brincando? Você estava falando sério?
— Fantástico. Teremos que colocá-los em uso em breve — declarou Revin. Ele fez uma pausa por um momento, então olhou para James. — Quando você sai de novo?
— Em uma semana.
— Devemos começar em uma semana — disse Revin com um aceno de cabeça. — Esse é um bom momento. Oh – você vai precisar de algum treinamento preliminar, no entanto.
— Isso só significa que ele quer ter certeza de que sua culinária não é tão horrível que ele odeie — acrescentou James.
Eline lançou a James um olhar horrorizado, mas ela não teve a chance de dizer mais nada. Revin tocou-a no ombro com sua foice, então acenou para Noah.
— Estarei vendo vocês. E leia o livro que eu te dei, Vermil.
Eline soltou um grito surpreso quando ela despencou em uma sombra que se abriu sob ela, desaparecendo na escuridão. Revin afundou-se depois dela, e então eles se foram. Todos os outros encararam onde os dois estiveram momentos antes.
— Acho que a morte pode ter sido genuinamente uma opção melhor aqui — disse Isabel, estremecendo. — James, seu professor tem sérios problemas.
— Me diga sobre isso — James murmurou.
Emily colocou uma mão reconfortante no seu ombro. — Que merda.
Eloquente. Preciso, no entanto. Acho que posso hesitante decidir que Eline ficará bem. Revin é um maluco, mas eu não acho que ele seja realmente malicioso. Mais como caótico estúpido. Eu honestamente não me importo muito com Eline de um jeito ou de outro, então eu sou grato por ser capaz de riscar outra coisa da minha lista. Eu tenho muitas outras coisas para me preocupar.
— Sabe o que eu quero saber? — Noah perguntou. Todos olharam para ele. — Quando todos vocês conseguiram atingir o Nível 2? Foi durante o exame? Eu nunca nem percebi.
Todd sorriu. — Não. Foi antes.
— Enquanto estávamos treinando em Graybarrow — disse Isabel. — Perto do final, começamos a caçar mais à noite. Já tínhamos caçado muito e todos tínhamos feito Runas duplicadas e as preenchido. Nós apenas as combinamos uma noite.
— E vocês não disseram nada? — Moxie franziu o nariz. — Vocês poderiam ter nos contado. Eu também não percebi.
— Era para ser uma surpresa legal — disse Emily. — Foi bem impressionante, não foi?
— Suas Runas são boas? — Noah perguntou.
Todd assentiu. — Eu acabei me livrando da minha Runa de Calor. Meu Nível 2 é chamado Golpes Destruidores. Não é perfeito, mas é uma Runa muito boa. Eu a fiz com uma mistura de Rocha, Pedra e Gelo.
— Apenas uma Runa de Pedra de Nível 2 para mim — disse Isabel, dando de ombros. — Também não é perfeito, mas estava quinze por cento cheia quando eu a fiz, então também não estava longe. Minhas futuras Runas terão que ter mais variação para evitar ficar desequilibradas.
Espere, apenas Pedra? O que era a energia azul que você estava usando e por que você não a usou durante o exame? Com o quão altamente você estava valorizando a magia do seu pai… hm. Acho que posso saber para onde foi aquela Runa Mestra que as famílias nobres estavam procurando.
Eu não vou deixar nenhum deles manter nada além de uma Runa perfeita, mas eu acho que pode realmente ser melhor deixá-los obter algum treinamento e prática no Nível 2 antes de eu ir e forçá-los de volta para o Nível 1 e fazê-los recombinar as coisas. Se eles souberem que eu vou apenas corrigir os erros deles, isso os tornará descuidados. Nós vamos lidar com o reparo das Runas deles no final das férias. Será uma boa maneira de começar o ano letivo.
— Não é como se vocês precisassem ouvir isso, mas eu estou orgulhoso de todos vocês. Vocês se saíram muito bem chegando até aqui, e foi quase inteiramente devido ao trabalho duro que vocês têm dedicado.
— Isso significa que vamos ter outra festa da pizza? — Lee perguntou ansiosamente.
— Na verdade, nós íamos sair para jantar — disse Todd, trocando um olhar com os outros alunos.
Lee abriu a boca, então olhou para Noah e fechou-a.
— Bem, não me deixem atrapalhar — disse Noah. — Eu sou o professor de vocês, não o pai de vocês. Divirtam-se. É importante tirar alguns momentos para apreciar o quão longe vocês chegaram para que vocês tenham algo para mantê-los seguindo em frente quando as coisas ficarem difíceis novamente.
Isabel lançou a Noah um olhar pensativo, então inclinou a cabeça. — Sim. Você vai ficar no campus por muito mais tempo?
Noah inclinou a cabeça para o lado. — Por que eu não ficaria?
— O exame de sobrevivência foi o exame final este ano — disse Moxie. — Você nunca se preocupou em ler uma programação, não é?
Noah pigarreou timidamente. — Eu… esqueci?
— Certo — Moxie disse arrastado. — Bem, eu vou te lembrar. Os alunos estão todos dispensados por dois meses. Geralmente, é quando eles voltam para suas famílias para aprender sobre negócios e melhorar os relacionamentos com outras famílias, mas…
— Não vai acontecer para nós — Todd terminou. — Isabel e eu vamos treinar por conta própria.
— Apenas treinar? — Noah perguntou, lançando a Todd um olhar significativo.
Foi a vez de Todd pigarrear. — Nós não vamos fazer nada muito perigoso, eu prometo.
— Bem, apenas voltem vivos. Eu preferiria não ter que encontrar novos alunos. Eu gosto bastante dos meus atuais — disse Noah. Um pensamento o atingiu e ele lançou um olhar preocupado para Moxie. — Nossos alunos permanecem os mesmos, certo?
— Claro que sim — disse Moxie com um bufido. — Você é um mentor. Por que eles os trocariam no meio da educação deles? Não é como se outra pessoa odiasse seus filhos o suficiente para deixá-los com você. Emily, este é provavelmente um bom momento para te dizer que eu mesma vou tirar férias neste verão. É a primeira que eu tiro em anos, então eu espero que você não se importe.
— Sério? Você finalmente vai fazer uma pausa? Eu estava preocupada que você nunca faria. Eu estou feliz.
Moxie piscou. Essa claramente não tinha sido a reação que ela estava esperando. — Eu – sim. Eu estou.
— Eu estava planejando segui-la até o início das aulas para que eu pudesse adiantar meu treinamento — Emily admitiu, olhando para o lado. Seus olhos brilharam e ela deu de ombros. — Tudo bem, no entanto. Eu vou descobrir outra coisa.
— Eu estarei treinando também — disse James, pigarreando. — Você poderia se juntar a mim, se quisesse. Você não tem que fazer isso se não quiser…
— Isso funciona! — Emily sorriu. — Eu vou fazer isso.
Suave.
— Hora do jantar — proclamou Todd. — Vamos lá. Vejo vocês, velhos.
— Eu não sou tão mais velha do que vocês — Moxie respondeu, mas ela se juntou a Noah e Lee em acenar adeus enquanto os alunos se afastavam.
— Eu estou com fome — disse Lee com um suspiro triste. — Eu queria me juntar ao jantar deles também.
— Tudo bem. Nós vamos jantar sozinhos — disse Noah. — Você quer se juntar, Moxie?
— Eu imaginei que isso estava implícito. Vamos deixar os resultados do exame e ir — disse Moxie. — Nós podemos descobrir o que vamos fazer nas férias enquanto estamos nisso.
— Nós? — Noah perguntou, piscando.
Moxie ergueu uma sobrancelha. — Você estava planejando me deixar de fora?
— Claro que não — disse Noah. — Eu só não…
— Noah? — Moxie olhou para ele pelo canto dos olhos enquanto Lee ria ao lado dela.
— Sim?
— Cale a boca. Você está cavando o buraco mais fundo.
— Certo.