O Retorno do Professor das Runas

Capítulo 176

O Retorno do Professor das Runas

Capítulo 175: Dor

Noah colocou seu cachimbo na boca e o encheu com um pequeno tufo de Erva Relâmpago, inspirando profundamente e deixando a nuvem de fumaça se enrolar no ar acima de sua cabeça enquanto observava Bria seguir em direção ao acampamento deles.

Todd e Isabel se juntaram a Noah para observar Bria. A garota certamente não estava com pressa. Estava apenas passeando pelas colinas. Seu cabelo era incrivelmente parecido com o de Emily, embora estivesse preso em um rabo de cavalo atrás da cabeça para não cair em seus olhos.

— Sabe, uma quantidade considerável da energia sinistra desaparece quando ela tem que caminhar tipo uns cinco minutos para chegar ao nosso acampamento — disse Todd, esfregando a ponte do nariz.

— Podemos simplesmente ir embora? — perguntou Isabel. — Seria engraçado se ela aparecesse e nós tivéssemos sumido.

— Seria — concordou Noah. — Mas não sei se isso colocaria Moxie em apuros. Provavelmente temos que lidar com isso. Vocês já ouviram a palestra, então não vou perder tempo repetindo nada. Apenas fiquem em guarda.

Bria chegou ao sopé da colina plana onde eles haviam montado acampamento e levantou a mão para bloquear o sol enquanto olhava para Noah, semicerrando os olhos. Ela claramente já o tinha visto antes, então algo dizia a Noah que o gesto era mais para mostrar do que qualquer outra coisa.

Ninguém falou até que Bria parou diante deles.

— Bem, esta não é a saudação que eu esperava — disse Bria, colocando a mão no quadril. — Contessa já chegou? Eu esperava que ela avisasse que eu estava vindo. Não me digam que ela foi comida por alguma coisa.

— Ah, não, ela está aqui — disse Noah, soltando outra baforada de fumaça. — Mas acho que a melhor pergunta é por quê — e isso vale para vocês duas.

— Ninguém nunca te disse que fumar não faz bem para a saúde? — perguntou Bria, franzindo o nariz com desgosto e ignorando completamente a pergunta de Noah. — Que tipo de professor promove algo assim?

— Ah, é? Fico feliz em saber que as pessoas me têm em tão alta estima que encontrariam valor em copiar qualquer coisa que eu faça. Meus próprios alunos são inteligentes o suficiente para saberem o que é melhor, e eu não estou particularmente preocupado com o que os outros fazem. Eles não são minha responsabilidade.

— Era o que eu esperava de um Linwick — disse Bria com um sorriso arrogante. — Vermil, certo? Sua reputação o precede.

— Infelizmente, não posso dizer o mesmo de você — disse Noah. — Não faço ideia de quem você é.

Bria piscou. — Contessa não me apresentou?

Noah riu e balançou a cabeça, tirando o cachimbo de entre os dentes e deixando a fumaça se enrolar ao redor de seu rosto. — Por que eu me importaria com o que Contessa tem a dizer? Não tenho interesse na família Torrin. Só estou viajando com Moxie porque temos habilidades complementares. É um bom treinamento, mas isso não significa que eu me importe com o que sua família tem a dizer.

Bria inclinou a cabeça para o lado. — Entendo. Bem, vá buscar Contessa para mim. Precisamos conversar.

— Buscar? — Noah ergueu uma sobrancelha. — Faça você mesma. Isabel, Todd, comecem o treinamento. Já me junto a vocês.

Os alunos de Noah assentiram e foram trotando na outra direção. Noah viu um lampejo de irritação passar pela expressão de Bria. Ela claramente não estava acostumada a ser dispensada. Estivesse ela disfarçada ou não, certamente não tinha sido exposta a muitas pessoas que resistiam a seus pedidos.

Moxie e Contessa saíram de trás de uma das tendas de pedra, juntando-se a Noah e Bria. Seus rostos estavam quase completamente ilegíveis, mas por razões totalmente diferentes. Moxie tinha uma cara de pôquer perfeita, enquanto Contessa parecia tão cansada que todas as outras emoções ou pensamentos não tinham onde se apoiar.

— Onde está Emily? — perguntou Bria.

— Treinando com Isabel e Todd — respondeu Moxie. — Quem é você?

A expressão de Bria se contraiu. — Contessa, acredito que pedi que me apresentasse.

— Eu apresentei — disse Contessa.

— Mas isso não significa que eu saiba alguma coisa sobre você — disse Moxie. — Nunca ouvi falar de ninguém da família Torrin com seu nome.

— Explicarei isso em um momento com prazer — disse Bria. Ela apontou o queixo na direção de Noah. — Mas, primeiro, Contessa lhe deu suas ordens.

— Ela deu, e eu as estou executando com o julgamento que me foi confiado — disse Moxie, mantendo a postura, equiparando-se a Bria.

Bria comprimiu os lábios e examinou Noah. Então ela sorriu e deu de ombros. — Ok, vou te dar essa. Não acho que haja muito com que se preocupar aqui.

— Eu me ofendo com isso — disse Noah, dando outra tragada lenta em seu cachimbo. Bria fez uma careta para ele e deu um passo para trás para evitar inalar a fumaça acidentalmente. Ao contrário do que fazia com todos os outros, Noah não estava fazendo absolutamente nenhum esforço para evitar que a fumaça entrasse nos pulmões de Bria.

Houve um lampejo distante de Essência quando Isabel e Emily começaram a lutar. Todos olharam na direção da luta por um momento.

— Então, você vai explicar por que a família Torrin está invadindo nosso treinamento? Temos muito trabalho a fazer antes do exame de sobrevivência — disse Noah. — E, até agora, nem você nem Contessa foram particularmente comunicativas sobre quais são seus planos.

*Quanto mais Bria pensa que Contessa não compartilhou nada comigo, melhor. Não preciso de nenhuma suspeita de que ela também esteja reportando a mim, assim como a Evergreen.*

Bria estudou Noah por um momento. Ele poderia jurar que viu as engrenagens mudarem em sua cabeça enquanto sua expressão se suavizava e ela olhava para Noah com olhos arregalados e esperançosos.

— Bem, eu ouvi o quão bem as coisas estavam indo para Emily, e eu queria ter a chance de participar e me divertir também. Tenho treinado sozinha há um tempo, e é tão chato. Eu adoraria sair com outros alunos da minha idade e aprender a lutar com eles. Isso seria bom para você?

Bria entrou no espaço pessoal de Noah, ainda olhando para ele. Ele a observou, com os olhos fixos em resposta.

*Parece que Bria sabia que tipo de pessoa Vermil costumava ser, mas suas informações estão seriamente desatualizadas se ela pensa que isso vai funcionar comigo — sem mencionar que ela nem é um borrão em comparação com a minha idade. Desculpe, garota. Não estou interessado no equivalente a um feto.*

— Bem, já que você pede tão gentilmente — disse Noah, mordiscando o lábio inferior em uma demonstração de grande reflexão. Os lábios de Bria começaram a se curvar para cima.

— Agradeço...

— Não.

A expressão de Bria se achatou.

— O quê?

*Vamos ver. Preciso descobrir qual é o objetivo real dela aqui antes de determinar exatamente como vou lidar com isso.*

— Você acabou de insinuar que eu não era um professor muito bom. Por que você iria querer estudar comigo? — perguntou Noah, bocejando. — E Moxie está trabalhando comigo agora. Eu tenho mais alunos do que ela, o que significa que eu faço as regras agora.

— Não é assim que funciona — disse Bria, estreitando os olhos e olhando para Moxie. Moxie apenas deu de ombros. — Não tem sido um problema. Nós trocamos quem está ensinando com base no assunto que estamos abordando, e é a vez de Vermil agora. Você também ainda não verificou se é quem diz ser.

— O cabelo não é suficiente? — perguntou Bria, com os olhos estreitos. — Quantas pessoas com cabelo prateado você vê andando por aí?

Lee escolheu aquele exato momento para sair de sua tenda de pedra — seu cabelo um prateado brilhante. Todos olharam para ela e Lee piscou, inclinando a cabeça para o lado. Ela acenou com os dedos em saudação, então desceu a colina para se juntar aos alunos.

— Quem nos Planícies Amaldiçoadas era aquela? — perguntou Bria.

*Droga, Lee.*

— Lee. Acho que ela também deve ser uma Torrin — ponderou Noah.

— O quê? Não. Ela não é — disse Bria, estreitando os olhos. — Olhe, Linwick. Eu estava mantendo minha identidade em segredo, mas eu frequento Arbitrage. Faço parte do ramo principal dos Torrin. Eu não sei quem era aquela garota, mas ela não é da família.

*Sabe, se você está tentando manter sua identidade em segredo, dizer a alguém que faz parte dos maiores rivais de sua família geralmente não é uma boa ideia. Bem. Isso praticamente resolve tudo, então. Ela está planejando me matar.*

— Sabe, se você estava escondendo sua identidade, então talvez outras pessoas também estivessem — ponderou Noah. — Talvez eu também seja um Torrin. Moxie, você vê algum fio de prata no meu cabelo?

— Pare de brincar — disse Bria. — Eu não sei o que você está tramando, mas não há razão para me impedir de treinar com Emily e os outros. É um pedido perfeitamente razoável. Tenho certeza de que poderíamos chegar a algum tipo de acordo que compensasse qualquer inconveniente que eu lhe causei.

Os olhos de Bria tremeram, e foi preciso tudo o que Noah tinha para não engasgar.

*Que diabos ela está tentando tirar disso? Tenho certeza absoluta de que ela planeja me matar por causa daquele comentário anterior, mas qual é a desse jogo?*

Noah olhou para Moxie pelo canto do olho, esperando que ela pudesse entender mais do que estava acontecendo, mas o rosto de Moxie era uma máscara ilegível. Quando Noah olhou para Bria novamente, ele notou uma mudança em seus olhos.

*Aha. É isso que está acontecendo. Não se trata de mim — trata-se de Moxie. Ela está tentando descobrir onde estão seus pontos fracos, e acho que ela está supondo que eu devo ser um deles porque ela me deixa perto de Emily. Idiota. Como se Moxie se importasse com uma criança flertando comigo.*

— Por favor? — perguntou Bria, colocando a mão no peito de Noah.

O olho de Moxie se contraiu.

*O quê?*

— Ah, bem, já que você coloca as coisas desse jeito — disse Noah, pegando o pulso dela entre dois dedos e jogando-o para o lado. Ele não tinha certeza se Bria havia notado o lapso momentâneo de Moxie, mas ele não planejava deixá-la capitalizar sobre isso se ela o fizesse. — Receio que terei que recusar. Eu prefiro ensinar alunos atraentes.

O sorriso de Bria congelou em seus lábios. — O que você disse?

— Bem, você sabe — disse Noah, gesticulando com seu cachimbo. — Alunos que não parecem ter sido jogados contra uma parede quando crianças. Eu tenho padrões, sabe.

— Não, eu não sei — disse Bria, seus lábios se pressionando tão finos que ficaram brancos. — Por favor, explique.

— Caramba, você é densa — disse Noah, soltando uma baforada de fumaça e suspirando. — Você é feia. Seus olhos são como escamas de peixe mortas e sua respiração cheira a merda. Além disso, o cabelo prateado não funciona em você de forma alguma. Tenho quase certeza de que está recuando, já que estamos nisso. Eu simplesmente não tenho interesse em desperdiçar meus esforços em alguém com tão pouco potencial quanto você.

Noah se inclinou para trás quando uma lâmina brilhou no ar, seus olhos se arregalando ligeiramente enquanto ele observava vários fios de seu próprio cabelo caírem no chão. Ele estava esperando o ataque, mas a velocidade com que ele veio era inacreditável.

— Esqueça isso — sibilou Bria, girando a espada de aço simples em sua mão. Sua expressão havia mudado completamente, passando de fofa a um passo de uma lunática furiosa em instantes. — Eu vou te matar agora, seu pedaço de merda gorduroso. Como você ousa falar comigo quando você é apenas um Rank 1? Vou arrancar suas entranhas e alimentá-lo com elas antes de estrangulá-lo até a morte com seu próprio intestino.

Noah não tinha ideia de onde a espada tinha vindo, mas ele não estava particularmente preocupado com isso. Em qualquer outro dia, ele não se importaria de testar suas habilidades contra Bria, mas ele tinha acabado de chegar ao Rank 3. Ele ainda não sabia como funcionava — e então Noah pegou o caminho mais fácil.

Ele tirou o cachimbo de seus lábios e respirou fundo, encontrando os olhos de Bria e mostrando os lábios em um sorriso sórdido. Então ele invocou a Combustão e congelou o ar nos pulmões de Bria. Levou um momento para ela perceber o que havia acontecido, e Noah usou esse momento para cravar seu punho em seu pulso, mandando a espada girando.

Bria cambaleou, mas ela não estava preparada para a súbita perda de ar respirável. Ela atacou Noah na tentativa de desequilibrá-lo, seu corpo ainda se movendo com uma velocidade impressionante.

Mesmo que Noah tenha se esquivado, ela conseguiu agarrar sua perna. Ela pegou sua espada caída com a outra mão, chicoteando-a em direção a Noah — mas havia um problema muito significativo em segurar alguém enquanto tentava esfaqueá-lo, e era que você não conseguia se esquivar muito bem.

O joelho de Noah estalou, atingindo o nariz de Bria e quebrando-o. Para o crédito dela, ela não soltou, e ela dirigiu sua espada para seu peito. Noah caiu no chão, perdendo seu cachimbo no processo. A espada de Bria raspou em seu peito, desenhando uma linha de sangue, mas não conseguiu infligir um ferimento grave.

Ele girou para o lado, cravando seu outro pé no estômago de Bria e tirando ainda mais ar dele. Ela tossiu, rolando pelo chão e parando contra uma tenda de pedra. Noah se levantou, sacudindo a poeira de si mesmo.

Bria agarrou sua garganta, tentando desesperadamente respirar. Ela encontrou os olhos de Noah enquanto ele caminhava até seu cachimbo, colocando-o de volta em sua boca. Ele chutou a espada das mãos de Bria e olhou para ela.

*Tenho quase certeza de que este é o ponto onde eu a aviso e digo que é melhor ela ficar longe dos meus alunos, mas eu realmente não consigo me incomodar.*

Noah chutou a espada de Bria para cima do chão e a pegou, girando a lâmina. Então ele a enfiou para baixo em direção ao pescoço dela. Os olhos de Bria se arregalaram. Sua mão se fechou e o som de vidro quebrando encheu o ar.

Seu corpo desapareceu em um fluxo de luz verde, desaparecendo no céu. A testa de Noah se franziu e ele soltou a Combustão, olhando para onde Bria havia desaparecido.

— Bem, droga. — Noah jogou a espada no chão. — Isso vai ser uma dor de cabeça.

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