O Retorno do Professor das Runas

Capítulo 25

O Retorno do Professor das Runas

Capítulo 25.5: A Lição de Moxie

— Será que tem uma placa na minha porta pedindo para você aparecer? — Moxie perguntou, semicerrando os olhos para Noah através da minúscula fresta que abriu na porta. — O que você quer?

— Nada demais. Só estava pensando em como posso melhorar — Noah respondeu, arrastando as palavras. — E você é o exemplo mais notável de professora que eu conheço.

— Mais como a única professora que ainda topa falar com você, e essa paciência já está se esgotando. Diga logo o que quer.

Noah deu de ombros. — Tudo bem. Quero acompanhar sua aula.

Moxie piscou. Ela o estudou por um momento, depois abriu a porta um pouco mais. — Por quê?

— Para aprender o que você faz — Noah respondeu. — Estou relaxando demais há muito tempo. Se quero fazer o certo pelos meus alunos, preciso correr atrás de muita coisa, inclusive a maneira correta de instruí-los.

E, mais importante, posso aprender mais sobre o que devo ensinar. Lutar é claramente parte disso, mas é tudo?

Moxie não respondeu por alguns instantes. Então, suspirou. — Suponho que não posso recusar um pedido desses. Se você está esperando colocar as mãos em alguma de nossas Runas ou combinações, vai se decepcionar amargamente. A lição de hoje é bem chata. Não vai importar muito para seus próprios alunos.

— Tudo bem para mim. É sobre o estilo.

Então não ensinamos as mesmas coisas? Arbitrage sequer é uma escola se o currículo não é padronizado? Parece mais um instituto de pesquisa puro que por acaso designa professores para alunos. Na verdade, isso é literalmente uma faculdade de merda com muito dinheiro para pesquisa. É a mesma droga.

— Só não atrapalhe — Moxie ordenou, recuando e saindo de vista por um momento. Ela reapareceu com uma bolsa pendurada no ombro. — E não interaja com minha aluna, Emily. Não vou deixar você incomodá-la.

— Não vou dizer uma palavra para ela — Noah prometeu.

Moxie balançou a cabeça. — Tanto faz. Já que você está aqui, podemos ir.

Ela saiu, trancando a porta atrás de si antes de seguir pelo corredor. Noah correu para alcançá-la. Moxie não parecia estar com um humor particularmente comunicativo, então eles permaneceram em silêncio durante a caminhada.

Noah não tinha certeza se estava surpreso ou não ao descobrir que Moxie não o levou para o prédio G. Em vez disso, eles caminharam até um grande edifício de mármore, com a parte superior aberta, que estava identificado com um A. Era consideravelmente mais perto das acomodações dos professores do que a sala de aula normal de Noah, e muito mais bem conservado.

Ele tentou não se maravilhar demais com os belos degraus polidos e as grandes portas entalhadas ao entrarem na sala. Moxie se moveu rapidamente, seguindo pelo grande corredor que as portas davam acesso. Dezenas de portas ladeavam seus lados, e o corredor se ramificava em vários menores.

Moxie fez a primeira curva, continuando pelo corredor menor antes de chegar a uma sala sem identificação. Ela abriu a porta e entrou, deixando-a fechar e forçando Noah a segurá-la antes que batesse em seu rosto.

— Nossa — Noah disse, seus olhos se arregalando ao entrar na sala. Não era muito grande, com apenas seis cadeiras dispostas diante de um quadro-negro, mas o tamanho mal importava. Cada cadeira era acolchoada, e a luz entrava na sala através de uma enorme janela que cobria uma das paredes. Era muito, muito melhor do que todo o prédio G junto.

— O quê? — Moxie perguntou, olhando para ele.

— Nada. Só admirando sua sala.

Moxie balançou a cabeça novamente. Ela apontou para a cadeira mais distante dela. — Sente-se e não me perturbe. Preciso preparar minhas anotações. Ia fazer isso no meu quarto, mas farei aqui em vez disso.

Noah assentiu, sentando-se na cadeira. Ela afundou ligeiramente sob seu peso. De alguma forma, era ainda mais confortável do que parecia. Noah apoiou o queixo na mão, olhando ao redor da sala pequena, mas limpa, enquanto Moxie tirava alguns papéis de sua bolsa e os organizava no pódio de madeira laqueada.

A luz que entrava na sala de alguma forma ficou ainda mais brilhante quando o sol subiu mais. Antes que Noah percebesse, quase uma hora havia se passado. Moxie já havia terminado seus preparativos há muito tempo e estava encostada no quadro, olhando pela janela em pensamento silencioso, quando a porta rangeu.

Uma garota baixa com longos cabelos prateados e traços delicados entrou na sala. Seus olhos se iluminaram ao ver Moxie parada perto do quadro, mas ela parou ao avistar Noah. Lembrando de sua promessa a Moxie, Noah apenas inclinou a cabeça ligeiramente.

— Não ligue para ele, Emily — Moxie disse prontamente. — Ele está... assistindo de gaiato. Só por uma aula.

— Ok — Emily respondeu, indo para a cadeira do lado oposto da fileira e sentando-se. — Vamos trabalhar com Runas de novo?

— Não hoje. Não pense que esqueci que você reprovou naquele teste escrito tão rápido.

O rosto de Emily empalideceu. — Mas aquilo era só coisa chata! Nada daquilo realmente...

— Se aplica a você? — A sobrancelha de Moxie se arqueou. Houve uma mudança notável em sua postura. Noah não conseguiu identificar exatamente o que era, mas ela de repente passou da mulher sarcástica que ele reconhecia para a pose de uma professora.

Exatamente como uma professora se parece, eu não saberia dizer. Mas ela parece uma.

— Só porque você não está na situação de outra pessoa não significa que não se aplica a você — Moxie disse, pegando um pedaço de giz e batendo-o no quadro atrás dela. — Entender como os outros funcionam é o que permite que você se comporte adequadamente como um nobre.

Os olhos de Emily caíram e seus ombros se curvaram ligeiramente. — Ok.

— Sem ok. Apenas melhore — Moxie disse com um balanço de cabeça. — Você se lembra qual foi a primeira pergunta do exame? Posso pegar se você...

— Sei que acertei essa! — Emily disse, animando-se um pouco. — Era sobre quem pode usar Runas, certo? A resposta era todo mundo.

— A pergunta era como os seres usam Runas, e era uma questão dissertativa. Você escreveu uma frase.

— Mas respondia à pergunta!

— Não — Moxie disse com um suspiro. — Não respondeu. Mesmo que eu ignore a parte da pergunta que dizia que era uma dissertação, você está perdendo o ponto. Existem dois aspectos-chave a serem abordados. Como você conseguiu suas Runas, Emily?

— Meus pais me deram.

— Certo — Moxie disse. — Então você nasceu com Runas?

— Não. Claro que não. Ninguém nasce.

— Isso é verdade para humanos, mas não para todas as espécies — Moxie disse gentilmente. Ela desenhou uma linha no quadro-negro, desenhando um boneco de palito de um lado. — Humanos nascem sem Runas, o que lhes dá o potencial de reunir qualquer combinação de sete que desejarem. Mas muitos monstros na verdade nascem com...

— Com Runas de seus pais! — Emily exclamou. — Sim, lembro agora.

— Depois que eu basicamente te contei — Moxie disse com uma risada. — Mas, sim. Alguns monstros nascem com Runas que já estão ligadas à sua alma. Embora eles possam removê-las, assim como nós podemos, ter Runas ligadas a você tão cedo torna isso muito, muito difícil. Então, mesmo para os monstros inteligentes o suficiente para perceber que querem remover uma Runa abaixo da média, muitos deles não conseguem. Por que você não explica isso melhor, já que de repente está se lembrando das coisas?

Emily empalideceu. Ela pigarreou, seus olhos percorrendo a sala enquanto pensava. — Uh... dano à alma?

— Um pouco mais, por favor. Que relação os monstros têm com as Runas que os humanos normalmente não têm?

— Oh! É porque eles estão mais intimamente ligados, certo? As Runas dos monstros tendem a afetar mais suas formas físicas, modificando sua aparência, enquanto os humanos mantêm nossas Runas dentro de nossa alma.

Moxie sorriu e assentiu. Ela desenhou um desenho muito tosco de um macaco do outro lado do quadro.

Droga. Ela é realmente uma boa artista.

— Exatamente — Moxie disse. — Os monstros muitas vezes manifestam atributos físicos de suas Runas por causa de quanta dependência eles têm de suas Runas. Isso muitas vezes pode torná-los comparativamente mais fortes do que os humanos do mesmo Rank, mas isso tende a ser equilibrado por...

Moxie parou, esperando que Emily terminasse a frase.

— Menor inteligência?

— Muitas vezes sim, mas essa não é a razão. É o efeito. Os monstros são menos inteligentes porque os seres tendem a evoluir de forma otimizada. Os monstros são mais fortes em suas formas básicas do que os humanos, então houve menos necessidade de eles serem inteligentes. Os humanos, por outro lado, não podem ficar mais fortes a menos que formemos combinações de Runas poderosas. Isso significava que a maioria dos realmente burros morreu.

Moxie enviou um rápido olhar para Noah quando disse a última frase, dando-lhe um rápido sorriso. Não pareceu tão malicioso quanto quase foi uma provocação.

Emily assentiu em entendimento. — Eu sabia disso. Eu meio que esqueci de anotar.

— Eu sei. Esse é sempre o problema — Moxie disse, esfregando a testa. — Eu sei que você pode fazer melhor, Emily. Você se sai fantasticamente em qualquer exame realmente relacionado ao uso de Runas. Só não se esqueça de que você é uma nobre. Você tem deveres além de apenas lutar — você não é uma soldada.

— Sim, eu sei.

Moxie sorriu. — Bom. Vamos passar para a próxima pergunta, então. Você...

— E a segunda metade da primeira? — Noah perguntou.

Moxie e Emily olharam para ele.

— Você mencionou que havia duas coisas-chave, mas só abordou uma delas.

Moxie piscou, então corou levemente. — Certo. O outro aspecto são as diferenças nos humanos. Não em talento, mas em acesso.

— Pessoas que já têm boas combinações de Runas para construir e aquelas que não têm, certo? — Emily perguntou. — Porque se você não sabe o que está fazendo, a chance de eventualmente falhar em uma de suas combinações e seriamente se prejudicar é muito alta.

Então nobres versus não nobres.

— Correto — Moxie disse. — Existem Runas que não têm restrição de circulação, mas a maioria das Runas Maiores e combinações de alta qualidade são cuidadosamente guardadas pelas famílias que as descobrem. Embora isso não torne impossível para magos menos afortunados se tornarem poderosos, torna isso mais difícil. Nunca subestime um oponente, mas tenha em mente as diferenças em suas situações. Alguém com combinações de Runas imperfeitas ficará sem energia mais rápido do que você, e se vocês dois estiverem usando o mesmo tipo de magia, você poderá cortá-los de seus poderes mais facilmente porque sua Runa exerce mais pressão do que a deles.

Emily assentiu em entendimento. Moxie voltou para o papel na mesa.

— A próxima pergunta no exame era o canal adequado para solicitar uma nova combinação de Runas — Moxie disse. — Você deixou em branco.

— Posso simplesmente perguntar para a mamãe e o papai.

Moxie suspirou. — Sim, mas essa não pode ser sua resposta real. Ainda existem maneiras pelas quais essas coisas têm que ser feitas, Emily.

Emily enrugou o nariz. — Podemos ir para a próxima pergunta?

Para surpresa de Noah, Moxie concordou. O resto das perguntas no exame não eram de muito interesse para ele, embora ele tenha escutado caso houvesse alguma informação importante. A maioria delas era apenas sobre as pessoas certas para conversar quando Emily queria algo ou outro, mas quase todas as respostas de Emily haviam sido perguntar a seus pais.

Ainda assim, Noah havia ganhado algumas informações vitais da conversa que ele nem estava planejando ganhar.

Arbitrage realmente não era apenas sobre lutar. Moxie estava tentando preparar Emily para a corte mais do que estava tentando ensinar a garota a lutar. Não parecia que a lição era tão estranha para Emily, então era claramente algo que eles já haviam abordado antes.

Emily era claramente parte de uma família nobre, e ela não tinha nenhuma preocupação com o custo das Runas. Considerando o pouco cuidado que ela colocou nas perguntas que Moxie fez sobre realmente conseguir Runas, isso significava que sua família era podre de rica ou que as Runas não eram realmente muito restritas para a nobreza.

Noah não tinha nenhuma boa maneira de pressionar mais o assunto ainda, mas isso estava bem para ele. No momento, a coisa mais importante que ele poderia ensinar a Isabel e Todd ainda era lutar. Mas, depois que este exame terminasse, ele realmente precisaria descobrir como poderia completar a educação deles. Se eles precisassem aprender sobre algo como o que Moxie estava falando, ele não seria de nenhuma utilidade.

A aula terminou sem mais informações de interesse, e Emily saiu correndo pela porta depois de acenar adeus para Moxie.

— Por que você ainda está aqui? — Moxie perguntou, guardando seus papéis.

— Só pensando — Noah respondeu. — Obrigado por me deixar assistir. Foi esclarecedor.

— Sério? — Moxie perguntou, olhando para ele em surpresa.

Ah, merda. Eu deveria ser parte de uma família nobre bem grande.

— Apenas uma perspectiva diferente sobre as coisas — Noah deu de ombros, levantando-se e indo até a porta. Ele a abriu e parou, olhando para Moxie. — Foi legal.

— Feliz em ajudar, então — Moxie disse.

Noah saiu, deixando a porta fechar atrás dele, e seguiu pelo corredor. O dia ainda era razoavelmente jovem, e havia tempo para realizar mais antes que terminasse.

Ainda tenho algum dinheiro. Devo comprar outra coisa que seja útil ou economizar? Por outro lado, nem sei o que realmente preciso. Poções são um desperdício para mim, assim como Escudos. Acho que não faz sentido gastar dinheiro sem saber o que preciso.

Com seu caminho decidido, Noah partiu para encontrar Tim, a excitação borbulhando em seu peito. Era hora de se divertir.


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