Depois de Dez Milênios no Inferno

Capítulo 769

Depois de Dez Milênios no Inferno

'Querido~'

Uma voz adorável fez cócegas nas orelhas de Oh Kang-Woo. Alguém levantou o seu cobertor e duas protuberâncias inexplicavelmente macias pesaram sobre o seu peito.

'Está na hora de acordar. Já é meio-dia, sabia?'

Han Seol-Ah soltou uma risadinha suave e acariciou a bochecha de Kang-Woo. Esse era um dos poucos prazeres que Kang-Woo podia saborear todas as manhãs. Ele puxou o cobertor por cima da cabeça, como se recusando a levantar, como se fosse um aluno se recusando a ir à cerimônia de abertura da escola.

'Oh, Kang-Woo.'

Seol-Ah sorriu diante das maneirices fofas do marido e se abaixou para beijá-lo.

'Hehe.'

Kang-Woo não pôde deixar de rir como um bobo. Ele abriu levemente os olhos e puxou Seol-Ah pela cintura em sua direção.

'Q-Querido?'

'O dia começou há um tempo. Já passa da tarde.'

Seol-Ah sorriu e apertou brincalhona o nariz de Kang-Woo.

'Passei a noite fora. Me dá um tempo.'

'Hmm. Tá ocupado por causa daquela pessoa Celestial?'

'Isso também, mas as Fendas começaram a aparecer de novo', respondeu Kang-Woo enquanto bocejava e se espreguiçava.

'Achei que você tivesse dito que elas ficariam dormentes por um tempo.'

Já fazia mais de um mês, mas, considerando o padrão com que as Fendas se abriram na última década, era cedo demais.

'Também é a primeira vez que vejo Fendas se abrindo de novo tão rápido. E... o padrão tá diferente do normal.'

'Diferente como?'

'As Fendas costumam se abrir aleatoriamente pelo mundo, mas as dessa vez tão diferentes. Elas tão abrindo estranhamente só em volta da Coreia. E várias, por sinal.'

Fazendo uma comparação, era como se algo colossal estivesse lutando para passar por um buraco pequeno.

'Tem algum problema?', perguntou Seol-Ah, acariciando os ombros de Kang-Woo com preocupação.

Ela sabia que ele conseguia lidar com qualquer problema que surgisse, mas isso significava que diminuiria o tempo que ela podia passar com ele.

'Você vai ficar longe de casa por um mês inteiro de novo?', perguntou ela.

Seol-Ah havia sofrido muito da última vez que ficara longe de Kang-Woo por um mês. Ela só conseguia se consolar até certo ponto com a camisa ou a cueca dele. Quanto mais tempo ficava longe dele, mais difícil era reprimir a obsessão dentro de si.

'Não sei... posso ficar se as Fendas continuarem se abrindo nesse ritmo.'

'N-Não!'

Seol-Ah desabou na cama, chocada com a resposta dele. Murcha como uma árvore morta, ela envolveu os braços em volta da cintura de Kang-Woo.

'Sniff... acho que não aguento... mais um mês longe de você.'

'Relaxa. Pode acabar tão de repente quanto começou.'

'Mas pode não acabar!'

Seol-Ah fez birra enquanto esfregava as bochechas no peito de Kang-Woo. Ele deutapinhas nas costas dela para consolá-la.

'Eu vou passar em casa com frequência, mesmo quando estiver ocupado. Afinal, as Fendas só tão abrindo por aqui.'

'Promete...?'

Seol-Ah olhou para Kang-Woo com os olhos marejados.

'Caralho.'

Kang-Woo engoliu em seco ao ver como sua esposa era insanamente fofa. Ele foi fiel ao seu desejo e deitou Seol-Ah na cama.

'Querido...'

'Amor...'

Eles se encararam intensamente e se aproximaram até que seus rostos ficassem a um fio de cabelo de distância.

Clique.

A porta se abriu.

'Nossa, tô interrompendo?'

Lilith arregalou os olhos ao encarar Seol-Ah e Kang-Woo na cama.

Seol-Ah gritou, toda sem jeito: 'U-Unnie! E-Eu disse que ia acordar o Kang-Woo!'

'Não achei que você fosse acordar outra coisa também.'

Lilith riu e se aproximou da cama. Seu sorriso brincalhona e expressão relaxada sugeriam que ela já esperava por aquela situação.

'O que foi?', perguntou Kang-Woo, suspirando ao sair da cama.

Lilith não teria invadido o quarto sem motivo se já estivesse ciente do que estava acontecendo lá dentro. Não interromper os momentos de chamego com Kang-Woo era uma regra tácita entre as esposas.

'Recebi uma ligação do Si-Hun dizendo que ele acabou de conseguir informações adicionais sobre o Celestial.'

Primeiro foram as Fendas e agora era o Celestial. Kang-Woo suspirou e sentou na cama. Seol-Ah também se levantou e abraçou Kang-Woo por trás fazendo bico. O bom senso de Kang-Woo quase foi pelos ares devido à sensação macia em suas costas, mas ele resistiu com todas as forças.

'Que tipo de informação?'

'Encontraram rastros do Celestial na escola das crianças.'

'...' Kang-Woo organizou a informação chocante na cabeça e assentiu. 'Imagino que ele tenha começado a se mexer.'

'Nossa, você esperava que isso acontecesse?'

'Mais ou menos.'

Na verdade, Kang-Woo pretendia que isso acontecesse.

'Impossível ele deixar passar uma isca tão suculenta.'

É claro que ele não tinha certeza se o plano daria certo no início devido à veemente discordância de Si-Hun, mas o Celestial, felizmente, mordeu a isca. Tudo o que restava fazer agora era esperar pelo resultado.

'E-Espera um segundo! Na escola? As crianças não vão correr perigo?', perguntou Seol-Ah puxando a cintura de Kang-Woo.

'Tá tudo bem. Eu tomei o seguro mínimo necessário.'

'Mesmo assim!'

'E...' Kang-Woo estreitou os olhos e continuou: 'Isso vai ser uma boa experiência pras crianças.'

'Boa experiência...?'

'Amor. Você acha que nossos filhos vão conseguir levar uma vida comum como as outras crianças?'

'Isso é...'

'É altamente improvável.'

'Eles herdaram o sangue de Kang-Woo. Portanto, suas vidas jamais poderiam ser tão comuns quanto as dos outros, quer eles quisesses ou não.'

'É bom eles experimentarem cedo que são diferentes dos outros.'

'M-Mas eles ainda são tão jovens!'

'Eu percebi uma coisa depois do incidente no resort.'

Os inimigos não pegariam leve com os filhos deles por serem jovens. Pelo contrário, eles seriam os primeiros alvos.

'Nada vai acontecer, então não precisam se preocupar. Eu disse, não disse? Eles vão estar protegidos.'

'Ngh...'

Kang-Woo deu tapinhas nas costas da preocupada Seol-Ah.

'Aaaaah~ tá um calor dos infernos! Por que tá tão calor se já entramos em setembro?!'

Eles ouviram Cha Yeon-Joo vindo do quarto. Kang-Woo levantou da cama e caminhou até a porta da frente.

'Bateu o ponto mais cedo de novo?'

'Hã? Por que você tá em casa, mozão?'

'Tem algum problema nisso?'

'Imagino que seja irritante ver você levando as coisas numa boa.'

'Não quero ouvir isso de você', debochou Kang-Woo enquanto encarava Yeon-Joo tirando os sapatos.

'Hehe. Tô brincando, homem. Você passou a noite toda fechando Fendas, né? Vem dar um abraço na sua linda esposa e enfiar a cara entre os meus peitos.'

'Não tem nada pra eu enfiar—'

'O que você disse?'

'Uau, que esposa atenciosa eu tenho.'

Kang-Woo se aproximou de Yeon-Joo com os braços abertos e a abraçou.

'Isso, assim. Caramba, a bunda do meu mozão é firme mesmo.'

'Por que você vive pegando na minha bunda? Acha que ela é sua ou o quê?'

'Com certeza é.'

Yeon-Joo riu da cara dele e deu um tapa na bunda de Kang-Woo.

'Bem-vinda de volta, Yeon-Joo.'

'Ah, você tá aí também, Lilith unnie?'

'Ngh... não acredito que você tá pegando na bunda do Kang-Woo assim que chega em casa...!', disse Seol-Ah frustrada.

'Qual é o problema de apertar a bunda do meu marido?'

'E-Eu também sou esposa dele!'

'Então aperta também, Seol-Ah.'

'Aham. Suponho que não dê pra evitar.'

'Nossa, vocês duas não tão se divertindo demais sem mim? A unnie aqui tá ficando com ciúmes.'

'Que merda é essa?' Kang-Woo expressou exasperação enquanto suas esposas o assediavam sexualmente.

'Pensando bem, cadê as crianças?', perguntou Yeon-Joo.

'Elas vão chegar um pouco atrasadas porque a escola tá fazendo um trabalho voluntário.'

'Hã? Que trabalho voluntário?'

'Catando lixo em volta do Rio Han.'

'Aha, é mesmo?', Yeon-Joo sorriu marota. 'Então... quer dizer que posso dar uma adiantada nas minhas tarefas diárias antes do meu filho chegar em casa!'

'...'

'Caramba, é a primeira coisa que passa pela sua cabeça?'

'É divertido jogar videogame escondida do seu filho?'

'O quê? O que você quer dizer com jogar videogame?! Isso é a minha vida!'

'Conversa fiada.'

Como esperado de Yeon-Joo, ela conseguiu apagar o clima sombrio em trinta segundos após chegar em casa. Até mesmo Seol-Ah, entristecida pela preocupação com as crianças, sorriu.

Ela sugeriu: 'Jogar é bom e tudo mais, mas por que a gente não almoça primeiro?'

'Hã? Eu já almocei na guilda.'

'Ah, eu não tô falando desse tipo de almoço...'

Seol-Ah sorriu e se virou para Kang-Woo. O olhar aceso dela fez Kang-Woo recuar um passo.

'Q-Querido?'

'Querido... você disse que ia ficar ocupado por um tempo assim que a taxa de Fendas abrindo continuasse, né?'

'E-Eu disse.'

'Nossa... então imagino que não dê pra evitar, né?'

Lilith bloqueou a rota de fuga de Kang-Woo.

'Ah, entendi o que você quer dizer.' Yeon-Joo percebeu onde Seol-Ah queria chegar e sorriu enquanto se aproximava de Kang-Woo. 'Caramba~ tô com tanto calor mesmo já sendo setembro~ Dá pra ver o quanto eu tô suada, mozão?'

'Fufu. Nossa, que péssimo. Querido, você ainda não tomou banho desde que acordou, né?'

'Por que a gente não toma um banho todo mundo junto? Faz tempo.'

'Q-Quê? J-Juntos? Agora mesmo?'

BEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEP—!

Kang-Woo estava prestes a ser devorado por suas esposas quando um som de aviso estridente ecoou em sua cabeça.

'Urgh... Q-Que porra foi essa?'

[S-Senhor Divindade Guardiã! I-Isso é grave! É uma emergência!]

Uma janela de mensagem azul apareceu na frente dele. Ele percebeu que algo estava errado porque Eve não estava usando nenhum emoticon.

'O que foi?'

[U-Uma Fenda!]

'Uma Fenda?'

[Uma Fenda apareceu!]

'Hã? Quer dizer, eu fechei Fendas por uma década. Qual é o grande problema?'

[Não! E-Eu não tô falando de Fendas normais como aquelas!]

A janela de mensagem azul ficou vermelha.

[U-Uma Fenda colossal... uma como a gente nunca viu na última década se abriu!!!]

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