
Capítulo 165
Hotel Dimensional
A noite estava densa e silenciosa.
O orfanato estava envolto em escuridão, e o corredor do lado de fora gradualmente se tornou quieto. As crianças, exaustas de suas brincadeiras diurnas, em sua maioria haviam adormecido. Ocasionalmente, o feixe de uma lanterna varria as janelas de observação das portas dos quartos, acompanhado por passos deliberadamente abafados — estes pertenciam aos Guardiões em patrulha.
Chapeuzinho Vermelho, agora em sua camisola, encostou-se na cabeceira da cama, seus ouvidos atentos aos tênues sons do lado de fora.
Ela estava atenta a soluços repentinos ou gritos incomuns, enquanto seus lobos rondavam nas sombras, farejando o cheiro de medo ou mal-estar. Eles também permaneciam vigilantes contra presenças indesejadas que pudessem espreitar na realidade sob o véu da noite.
Mesmo nas noites em que não era sua vez de patrulhar, ela havia desenvolvido esse hábito.
Depois de algum tempo, ela finalmente soltou um suave suspiro de alívio e se deitou na cama.
A primeira hora após as luzes se apagarem era o momento mais provável para distúrbios. No entanto, esta noite parecia pacífica.
Um rangido do beliche de cima chamou sua atenção, e uma cabeça espiou por cima da borda. A Princesa Cabeluda olhou para ela curiosamente. "Chapéu, indo para a cama tão cedo? Você tem dormido muito ultimamente."
"Sim, estou me sentindo cansada." Chapeuzinho Vermelho bocejou, sua voz tingida de sonolência. "Além disso, tenho planos para esta noite."
A Princesa Cabeluda pareceu intrigada a princípio, sem entender o comentário. Mas depois de alguns segundos, a compreensão surgiu, e um nome familiar surgiu em sua mente. "...Aquele cara, Yu Sheng?"
"Ele não é tão velho. Você deveria chamá-lo de 'mano'", disse Chapeuzinho Vermelho com uma revirada de olhos. "Sim, é ele. Ele pediu para me encontrar na Floresta Negra."
A Princesa Cabeluda inclinou a cabeça, sua expressão um tanto estranha. "Encontrar você na Floresta Negra... Eu sei sobre o que é, mas ainda soa estranho. Estamos sempre presos em nossos próprios Subconjuntos, mas sua Floresta Negra parece ter ficado... animada ultimamente."
Chapeuzinho Vermelho levantou as pálpebras preguiçosamente. "Com ciúmes?"
A cabeça do beliche de cima inclinou-se ligeiramente antes de se retirar. "Nem um pouco."
Chapeuzinho Vermelho abriu a boca como se fosse dizer algo, mas então engoliu as palavras. Em vez disso, pegou seu telefone e digitou uma pequena mensagem enquanto o sono a invadia:
"Boa noite. Vejo você em breve."
Ela não sabia quanto tempo havia se passado enquanto ela adormecia, mas eventualmente, ela escorregou para o seu sonho.
Escuridão. Frio. Vazio. Então, camada sobre camada de sombras se desdobraram diante de seus olhos. Uma floresta banhada pelo crepúsculo emergiu da escuridão, acompanhada pelo uivo distante de um lobo.
Chapeuzinho Vermelho abriu os olhos no sonho e foi recebida por uma cena familiar.
"...Aqui de novo", ela murmurou suavemente, suspirando com resignação. Seus nervos, no entanto, já haviam começado a se tensionar.
Medo e tensão, enraizados profundamente desde a infância, eram instintos que ela não conseguia sacudir. Esses sentimentos não podiam ser subjugados pela preparação mental ou bravura cultivada através do treinamento. Sua expressão calma e tom provocador eram meramente maneiras de enganar a si mesma. Ela estava bem ciente do medo enterrado em seu coração. ℞άΝοBƐȘ
Enquanto seus nervos se tensionavam, ela convocou seus lobos, examinando seus arredores com cautela.
Ela estava atenta à presença de Lobos Maus à espreita na escuridão, enquanto também procurava a figura que havia prometido explorar a Floresta Negra com ela.
Quase imediatamente após os lobos aparecerem, ela notou fios pretos se entrelaçando no ar próximo. Eles se entrelaçaram e se espalharam rapidamente. Uma voz ecoou de uma fonte desconhecida:
"Tudo bem, tudo bem, ela está dormindo agora... Pare de apressar! O posicionamento exige precisão. Temos que abrir o caminho diretamente para ela. É uma operação delicada... Conexão estabelecida! Ok, coloque a porta aqui. Abra-a..."
No momento seguinte, Chapeuzinho Vermelho observou em silêncio atordoado enquanto os fios pretos se fundiam em uma moldura de porta espinhosa. Em seu centro, uma porta fantasmagórica cintilou em existência, brilhando fracamente. A porta se abriu e três figuras familiares emergiram.
Yu Sheng carregava Irene sobre seu ombro, com a Raposa seguindo ao seu lado.
"Boa noite", Yu Sheng cumprimentou alegremente enquanto entrava no sonho. "Espero que não estejamos muito atrasados. Irene disse que você acabou de adormecer há alguns minutos."
Raposa e Irene acenaram entusiasticamente, seus sorrisos brilhantes e despreocupados.
Era como se eles estivessem em um passeio casual no parque em vez de se aventurarem na traiçoeira Floresta Negra.
Chapeuzinho Vermelho sentiu sua tensão vacilar. Embora seus instintos lhe dissessem para ficar em guarda, o comportamento despreocupado do trio destruiu a atmosfera sinistra. Ela abriu a boca, mas lutou por palavras, finalmente conseguindo um "Uh..." divertida.
Então ela viu Yu Sheng estender a mão de volta através da Porta Fantasma ainda aberta, curvando-se para puxar algo para fora como se estivesse recuperando do outro lado. Ela apertou os olhos e percebeu o que era — um pedaço de vergalhão com mais de um metro de comprimento, tão grosso quanto um polegar. A extremidade frontal foi torcida em laços, com fragmentos irregulares de pregos enferrujados, lâminas e bordas de aço grosseiramente cortadas soldadas a ele em ângulos caóticos. No crepúsculo da Floresta Negra, a coisa brilhava ameaçadoramente, evocando uma sensação de tétano apenas de olhar para ela.
Chapeuzinho Vermelho olhou perplexa enquanto Yu Sheng empunhava essa monstruosidade improvisada, balançando-a casualmente duas vezes como se fosse um bastão de plástico. Apesar de seu peso e selvageria, parecia se manusear sem esforço em suas mãos. Incapaz de conter sua curiosidade, ela finalmente perguntou: "O que... é isso?"
"Uma arma", Yu Sheng respondeu alegremente, embora parecesse ligeiramente envergonhado. "Eu não tenho muita coisa em termos de equipamento adequado ou habilidades de combate. Além da força bruta e alguma, uh, engenhosidade não convencional, eu não tenho nada. Ao contrário da Raposa com seu Conjunto de Rabanete de Raposa, ou Irene com todos os seus aparelhos mágicos, isso é o melhor que eu consegui inventar."
Enquanto falava, ele girou a haste de aparência viciosa novamente, suas bordas irregulares cortando o ar ameaçadoramente. Ele suspirou. "Eu duvido que essa coisa seja muito útil contra os Lobos Maus, mas ei, é melhor do que atacar com as mãos vazias ou atirar pedras como antes."
Chapeuzinho Vermelho piscou para ele, atordoada. Levou um momento para sacudir o impacto visual desta "arma" bizarra e seguir sua linha de pensamento. Sua expressão tornou-se um tanto reverente — não porque a arma fosse particularmente poderosa.
Na verdade, ela havia encontrado ferramentas muito mais perigosas durante seus anos como Detetive do Reino Espiritual. Nos reinos de outro mundo, itens mortais e misteriosos eram comuns. Este vergalhão, remendado com intenção cruel, dificilmente era sofisticado. Mas seu design puramente malicioso, irradiando criatividade malévola, foi o que a impressionou. A variedade de recursos afiados, farpados e irregulares gritava a malevolência implacável, quase alegre, do designer — sua aparência exalava mais ameaça do que seu potencial de morte real.
Além do mais, um mal-estar inexplicável a corroía enquanto ela olhava para ele. Seus nervos latejavam com tensão crescente até que ela finalmente reconheceu a fonte de seu desconforto.
"...Está encharcado de sangue?" Seus olhos se arregalaram enquanto ela cheirava o ar, olhando incrédula para Yu Sheng, que agora estava ocupado fechando a porta com cuidado.
"Sim", Yu Sheng respondeu com um sorriso. "Muito."
Nas sombras da Floresta Negra, aquele sorriso parecia brilhar com pura satisfação irrestrita.
Chapeuzinho Vermelho congelou. Ela sentiu que deveria dizer algo, mas nenhuma palavra veio à mente. Sua limitada experiência de vida e visão de mundo não forneceram uma resposta adequada. Após uma longa pausa, ela deixou escapar: "Espere... seu sangue? Isso não é, uh..."
"Não se preocupe com isso", Yu Sheng interrompeu com um aceno desdenhoso. "Tudo isso é feito de sobras de quando eu estava criando Bonecas. Pense nisso como um subproduto do processo."
Chapeuzinho Vermelho: "...?"
Yu Sheng não elaborou mais. Em vez disso, jogou a monstruosidade de vergalhão sobre o ombro e voltou seu olhar para o fundo da floresta.
"Não vamos nos demorar neste lugar sombrio. De acordo com aquele Esquilo, devemos seguir em direção à luz. Acho que vejo um brilho fraco lá na frente — vamos nos mover. Veremos se o Esquilo ou os Lobos aparecem primeiro."
Com isso, ele avançou sem hesitação. Chapeuzinho Vermelho saiu de seu torpor e se apressou em segui-lo. Enquanto caminhava, ela notou leves marcas de garras em seus braços e pequenas marcas de mordidas em sua testa — embora ela não conseguisse imaginar como alguém conseguiu ser mordido na testa. Curiosa, ela perguntou: "O que são esses ferimentos? Parece que você foi arranhado por um gato."
Os passos de Yu Sheng vacilaram ligeiramente, e sua expressão tornou-se estranha. "Uh... também um subproduto da fabricação de Bonecas. Não se preocupe, eles vão curar logo."
De seu poleiro em seu ombro, Irene bufou em fingida indignação, tentando parecer zangada, mas falhando miseravelmente. Eventualmente, ela desistiu e estendeu a mão para dar tapinhas nas marcas de mordidas em sua testa com uma expressão estranhamente conflituosa.
Chapeuzinho Vermelho: "...?"
Naquele momento, um ruído farfalhante veio de um arbusto próximo, fazendo com que todos congelassem.
No segundo seguinte, sob seus olhos atentos, uma pequena figura saltou do mato — um Esquilo com um rabo espesso envolto em uma tira de pano vermelho. Ele agarrou uma bolota que havia coletado de algum lugar e, com um ar de importância, empoleirou-se no topo de um galho fino. Em uma voz aguda, começou a recitar:
"Ah—Crepúsculo! A floresta fica mais escura, e Chapeuzinho Vermelho caminha sozinha no caminho além da periferia. Crianças boas devem conter sua curiosidade e resistir ao fascínio das flores e cogumelos à beira da estrada..."
No meio da frase, o Esquilo parou abruptamente, seus olhos amendoados fixos no grupo à sua frente.
Yu Sheng, sorrindo com sua arma indutora de tétano jogada sobre o ombro.
Uma Boneca de 66 centímetros de altura cheia de confiança inexplicável.
Uma Raposa Demoníaca, cercada por rabos ondulantes e Fogo de Raposa cintilante.
E uma Chapeuzinho Vermelho desajeitadamente rígida que não tinha certeza para onde olhar.
O Esquilo olhou para eles em silêncio atordoado por alguns segundos. Então, com um baque suave, a bolota em suas patas caiu no chão.
"...As coisas ficaram estranhas!!"