
Capítulo 121
Hotel Dimensional
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Yu Sheng percebeu primeiro o chilrear ansioso do esquilo, o que o fez inclinar a cabeça para tentar ouvir quaisquer ruídos do lado de fora. Tudo o que conseguia ouvir era o som suave e distante do vento.
Dentro da casinha, o crepitar do fogo na lareira e o sussurro gentil do vento faziam com que tudo parecesse ainda mais silencioso. Era tão calmo que parecia quase sagrado, o cômodo banhado pelo brilho quente da luz de velas.
A casa era simples, mas aconchegante. Perto da entrada, havia uma pequena mesa quadrada coberta com uma toalha xadrez azul, com duas cadeiras encostadas nela. Na parede oposta, uma prateleira de madeira abarrotada de várias bugigangas ficava ao lado de um alto guarda-roupa de madeira. No canto, uma cama de solteiro repousava, com suas grossas camadas de cobertores parecendo quentes e acolhedoras.
À esquerda da porta, uma pequena janela refletia as chamas dançantes e a luz de velas. Yu Sheng podia ver a sombra do esquilo tremeluzindo no vidro enquanto ele pulava de um lado para o outro.
Cuidadosamente, Yu Sheng se aproximou da janela. O velho chão de madeira rangeu sob seus pés. Lá fora, não havia nada além da profunda e interminável escuridão da floresta noturna. Parecia que o crepúsculo havia passado há pouco tempo, mas o dossel espesso acima engolia a pouca luz que restava, deixando uma vasta extensão de escuridão.
Ele tinha a sensação perturbadora de que inúmeros olhos frios e predatórios poderiam estar observando das sombras, à espreita silenciosamente. Se isso era real ou fruto de sua imaginação, ele não conseguia dizer.
“Não olhe, não olhe,” o esquilo murmurou, ansioso, enquanto caminhava sobre a mesa de madeira. “Quanto mais você olha, mais você imagina. E no escuro, todo pensamento ganha vida. Aqui, tudo em que você vai pensar é em lobos.”
Naquele instante, sua voz se tornou animada. “Oh, bolotas!”
Ele tinha visto uma tigela de bolotas na mesa. Com um guincho de alegria, ele saltou e pegou uma em suas pequenas patas. Virando-se para Yu Sheng, ele ofereceu: “Quer uma? Elas são deliciosas!”
“Não, obrigado,” Yu Sheng respondeu educadamente, embora seu foco estivesse voltado para o estado curioso da casinha. Ele notou tiras de tecido vermelho e cordões espalhados por toda parte, quase como amuletos da sorte. Eles penduravam em portas e janelas, balançavam das vigas do telhado e jaziam em pilhas emaranhadas em um canto.
De repente, o esquilo disparou da mesa e vasculhou uma pilha desordenada de pano vermelho em um canto. Finalmente, ele puxou uma longa tira, enrolou-a em si mesmo e estufou o peito com orgulho, parecendo bobo e satisfeito consigo mesmo.
“Boa sorte! Boa sorte!” ele chilreou alegremente.
Curioso, Yu Sheng perguntou: “O que você está fazendo?”
“Trazendo boa fortuna,” o esquilo declarou, ainda vestindo sua capa improvisada. “Vermelho é a cor da sorte. Todo esquilo precisa de um pequeno impulso—especialmente um charmoso como eu. Mas que droga, onde está o vinho neste lugar? Estou sedento!”
Ele saltou de volta para a mesa e pegou uma bolota, batendo-a contra a superfície antes de mordiscá-la até esfarelar.
Yu Sheng pensou por um momento, então puxou uma cadeira e se sentou. Observando o esquilo mastigar, ele disse: “Você pode me contar sobre a Chapeuzinho Vermelho?”
“De qual você está falando?” o esquilo perguntou, seus olhos brilhando à luz de velas. “Ah, suponho que você queira dizer a mais recente, aquela que ainda está viva. Mas por que contar para você, um estranho aleatório que invadiu minha casa?”
“…Eu sou amigo dela. Eu só quero saber sobre ela,” Yu Sheng respondeu calmamente, reconhecendo a agitação do esquilo. Suavizando seu tom, ele acrescentou: “Você me ajudou antes, e eu acho que você é um bom esquilo. Talvez você queira nos ajudar, a mim e à minha amiga, de novo.”
“Um bom esquilo—exatamente!” o esquilo exclamou, claramente lisonjeado. Ele desfilou pela mesa com o nariz empinado. “Mas por onde começar? Eu não sei como ela viveu lá fora ou o que estava na cabeça dela. Eu só sei que quando ela chegou pela primeira vez… ela era tão pequena…”
O esquilo olhou ao redor, então apontou sua pata para uma das cadeiras. “Ela tinha quase a altura do encosto dessa cadeira. Ela vagou pela floresta escura, chorando e sem saber onde se esconder ou como encontrar o caminho. Eu falei com ela, mas tudo o que ela fez foi prometer, repetidamente, que nunca mais se afastaria. E então?” O esquilo jogou as patas para cima. “Um lobo a comeu. Lobos são rápidos, sabe. E quanto mais assustado você está, mais fortes eles parecem.”
A voz do esquilo se elevou dramaticamente, mas seu tom mudou novamente quase de imediato.
“Ela começou em um estado terrível, mas com o tempo, ela melhorou. Lobos a pegaram repetidas vezes, e ela chorou baldes. Depois de um tempo, porém, ela aprendeu a chorar enquanto corria em direção à luz comigo. Então ela aprendeu a chorar sem fazer barulho. E finalmente, ela parou de chorar completamente. Mais tarde, ela mencionou que havia encontrado algum tipo de ‘organização’, mas eu não entendi os detalhes. Ela começou a aprender todo tipo de coisa.”
Yu Sheng esperou pacientemente por mais informações. Eventualmente, ele perguntou: “E então?”
“Não me apresse, não me apresse,” o esquilo reclamou. “Eu sou só um esquilo. Eu preciso pensar… De qualquer forma, ela aprendeu a armar armadilhas enquanto estava escondida. Ela aprendeu a se recuperar rapidamente após um ataque de lobo. Ela até começou a estudá-los, memorizando seus hábitos. Então, um dia, ela conseguiu pegar um lobo. Depois outro… e outro…”
“Os lobos a caçavam, mas ela os caçava de volta. Às vezes ela ganhava, às vezes ela era comida. Com o tempo, ela se tornou parte desta floresta, vivendo a maioria das noites. Mas quanto mais ela se adaptava, mais parecida com os lobos ela se tornava. Às vezes ela fazia crescer garras ou um rabo e corria pela escuridão. Quando os caçadores chegavam, seus tiros a acordavam. Quanto mais caçadores chegavam, mais ela se sentia como um deles…”
Aqui, as palavras do esquilo desapareceram com inquietação. Ele mexeu em seu pano vermelho, então olhou para Yu Sheng, seus olhos brilhando com uma urgência séria que o assustou.
“Você precisa ajudá-la,” ele disse gravemente. “Ela não está bem. Quanto mais ela se torna uma com esta floresta, mais difícil será para ela partir. Quanto mais perto ela chega do Lobo Mau, maior o perigo—não quando o lobo ataca, mas quando ela faz crescer suas próprias presas. Você é amigo dela, não é? Você deve ajudá-la!”
Yu Sheng deixou o aviso do esquilo penetrar. Após um momento, ele perguntou: “Como posso ajudá-la? O que devo fazer?”
O esquilo fez uma pausa, então desabou em derrota. “Eu não sei… Eu sou só um esquilo…”
“Matar o Lobo Mau funcionaria?” Yu Sheng aventurou.
“Não, não,” o esquilo disse, parecendo miserável e balançando a cabeça. “Ele sempre volta. Enquanto houver uma Chapeuzinho Vermelho, haverá lobos, caçadores, vovós e uma casinha no final de uma longa estrada. É assim que as coisas são. Você pode matá-los cem vezes—isso não muda nada. A floresta só fica silenciosa quando a Chapeuzinho Vermelho desaparece…
“Até que uma nova apareça.”
“Houve muitas Chapeuzinhos Vermelhos, não é?” Yu Sheng perguntou, expressando o medo que ele estava evitando. “Quando uma morre, outra vítima chega. Certo? Quantas já existiram? Quando a primeira apareceu?”
“Sempre mais. Sempre mais,” o esquilo murmurou, tremendo. “Não me pergunte. Não pergunte. Eu sou só um esquilo… Se eu disser demais, os lobos virão.”
O esquilo agora parecia aterrorizado, não apenas com lobos, mas com algo mais profundo. Ele correu de um lado para o outro em um ataque de nervos.
Naquele momento, Yu Sheng sentiu um leve puxão em algum lugar profundo em sua mente.
Uma voz distante o chamou, silenciosa a princípio, mas ficando mais clara conforme ele se concentrava.
“Yu Sheng! Yu Sheng, onde você está? Responda-me!”
“Irene?” Yu Sheng ofegou, uma onda de alívio o invadindo. “Eu estava tentando entrar em contato com você. Onde você estava?”
“Oh, eu ouvi você! Eu estive procurando por toda parte!” A voz ofegante de Irene estalou com excitação. “Era como se você tivesse se perdido em seu próprio sonho. Eu não conseguia encontrar sua consciência! E eu estava aqui com Hu Li—”
O esquilo sibilou: “Irene!”
Apesar do caos rodopiante ao seu redor, Yu Sheng não conseguiu evitar que um sorriso se formasse em seu rosto.