Hotel Dimensional

Capítulo 120

Hotel Dimensional

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Um pequeno esquilo, empoleirado no parapeito, parecia completamente atordoado. Ficou paralisado, como se esculpido em pedra, seus olhos negros brilhantes fixos em Yu Sheng sem piscar. Por um momento, não se moveu, o que só tornou a cena mais perturbadora.

Para ser sincero, ser encarado por um esquilo falante já era suficientemente desconcertante.

Yu Sheng não pôde deixar de se perguntar: qual era a história do esquilo?

Se esta floresta escura realmente fosse o "Outro Mundo dos Contos de Fadas" que Chapeuzinho Vermelho havia mencionado, o mesmo que ela culpava por sua maldição, talvez este esquilo fosse um ser trazido à vida por esse próprio outro mundo. Poderia ser uma criatura com emoções e inteligência, como uma pessoa? E quanto aos lobos — eles também eram criações deste lugar? Seria possível que duas forças tão opostas existissem no mesmo reino?

Ele percebeu o quão pouco sabia sobre esses lugares estranhos.

“Estranho, muito estranho,” o esquilo finalmente murmurou, libertando-se de seu transe. Começou a andar de um lado para o outro ao longo do parapeito, sua cauda espessa se movendo nervosamente. “Isso nunca aconteceu antes! Nunca, nunca! Só a Chapeuzinho Vermelho pode vir aqui. Nunca ouvi falar de um ‘amigo’ entrando. Isso é inédito! Algo está acontecendo. Algo ruim... Como você entrou? Como você entrou?”

Sem aviso, o esquilo saltou para o braço de Yu Sheng, arranhando freneticamente sua manga. Sua voz minúscula repetia: “Como você entrou? Como você entrou?”

“Eu... eu não sei,” Yu Sheng respondeu, balançando a cabeça.

Ele optou por não contar toda a verdade ao esquilo. Mesmo que a criatura parecesse inteligente e um tanto amigável, Yu Sheng ainda acreditava que poderia ser outra manifestação da floresta. Ele não podia confiar totalmente em nada ali, não quando ainda não entendia todas as regras daquele lugar. Quem poderia dizer se a aparente prestatividade do esquilo era genuína ou apenas outra parte do plano da floresta?

“Você não sabe... tudo bem, você não sabe,” o esquilo murmurou, subindo para o ombro de Yu Sheng. “Você já ouviu histórias para dormir? Já sonhou com florestas, flores e doces? Já?”

Yu Sheng sentiu um choque no peito. “Chapeuzinho Vermelho veio aqui depois de ouvir uma história para dormir e ter esse tipo de sonho?”

“É assim que sempre funciona! Sempre!” o esquilo exclamou, sua energia nervosa mal controlada. “Mas só crianças — só crianças podem vir aqui! Adultos não deveriam ser capazes de... não normalmente...”

“Por que você diz isso?” Yu Sheng perguntou com uma carranca.

“Como eu saberia? Eu sou só um esquilo!” A criatura esfregou o rosto com as patas em agitação, parecendo mais frenética a cada segundo. “Não podemos ficar parados aqui conversando! As lâmpadas estão diminuindo, e o caminho vai desaparecer. Precisamos nos apressar — para o próximo lugar seguro. Movimento! Antes que eles nos alcancem!”

Como se fosse um sinal, a atmosfera ao redor deles começou a mudar. As lâmpadas fantasiosas que iluminavam a trilha da floresta estavam diminuindo rapidamente. Uma a uma, cada luz se apagou, e o caminho perdeu sua clareza, engolido pela escuridão iminente da floresta. Uma sensação fria e pegajosa de maldade permeava o ar, aproximando-se cada vez mais de todas as direções.

Instintivamente, Yu Sheng começou a caminhar, acelerando o passo. “Por onde? Para onde estamos indo?” ele perguntou urgentemente.

“Siga o caminho! Apenas siga o caminho!” o esquilo gritou, sua voz aguda de tensão. “Continue, e você verá outros caminhos iluminados — ou talvez a luz de uma cabana. Cabanas podem ser perigosas, mas às vezes você pode descansar lá. Mais importante de tudo, cuidado com qualquer coisa que o tente a sair da trilha. Quando as luzes se apagarem, essas coisas vão atraí-lo para a floresta. É assim que os lobos armam suas armadilhas.”

Yu Sheng imediatamente se lembrou do aviso anterior do esquilo para não se distrair com nenhuma flor ou cogumelo bonito ao longo do caminho.

“Não se preocupe,” ele disse, balançando a cabeça. “Eu não sou uma criança. Não vou cair em algo assim.”

Ainda assim, ele não pôde deixar de se perguntar o que aconteceria se uma criança vagasse por esta floresta escura sem fim. Quantos anos tinha Chapeuzinho Vermelho quando tropeçou aqui pela primeira vez? Ela alguma vez foi tentada por flores ou cogumelos e deixou o caminho?

Afinal, o esquilo insinuou que ser caçado por lobos não era um evento único. Uma criança presa neste lugar poderia ser devorada várias e várias vezes, cada vez perdendo parte de sua alma. Quantas caçadas Chapeuzinho Vermelho suportou antes de se tornar tão forte?

“Espero que você não seja tentado,” o esquilo murmurou em voz baixa. “A floresta sempre encontra uma maneira de atraí-lo. Sempre encontra...”

Yu Sheng soltou uma risada amarga e caminhou mais rápido. A trilha ficou mais escura, seu contorno desaparecendo na escuridão. Ele fez o possível para manter os olhos no caminho, mas não resistiu a um rápido olhar para a borda da floresta.

Então ele congelou.

Um brilho de luz chamou sua atenção nas sombras. Apertando os olhos, ele percebeu que era uma placa de vídeo 090 novinha em folha ali na grama.

Ele olhou mais de perto. Ao lado dela, havia um laptop novo e brilhante. Perto dali, estava um controle de videogame premium com luzes coloridas e seu próprio estojo de colecionador.

Yu Sheng piscou em espanto. Mais adiante, ele avistou um kit de ferramentas organizado — uma furadeira elétrica de edição limitada ainda lacrada em sua caixa — seguido por caixas de chá gelado, um conjunto de vara de pesca de fibra de carbono e uma caixa de pesca impecável.

Para um lado, havia um pequeno lago com um abrigo de pedra improvisado. Sob o abrigo, uma cadeira dobrável, equipamento de pesca e metade de uma caixa de cerveja estavam prontos para uso. Um pescador parecia estar arrumando seu lugar, como se estivesse prestes a partir.

O esquilo no ombro de Yu Sheng parecia tão chocado quanto, seus olhos negros arregalados. “O que diabos é isso?!”

“Versões adultas de flores e cogumelos,” Yu Sheng disse, sentindo-se inquieto. Ele desviou os olhos da cena, cerrando os dentes. “Esta floresta é muito perigosa...”

Ele se forçou a seguir em frente, ignorando as inúmeras armadilhas espalhadas ao longo do caminho. Finalmente, as ilusões pararam de aparecer. As luzes do caminho haviam diminuído para um brilho fraco e bruxuleante que quase poderia ser confundido com vaga-lumes. À distância, no fundo da mata, uma pequena luz brilhava.

“Ali!” o esquilo disse, saltando em seu ombro. “Um lugar para descansar! Rápido! Talvez haja um fogo quente e sopa quente esperando!”

Yu Sheng não hesitou. Ele se moveu rapidamente em direção à luz. A floresta atrás deles ficou mais fria e escura, até que um uivo distante quebrou o silêncio. Mais uivos se seguiram, cada um mais próximo do que o anterior.

Os lobos haviam capturado seu cheiro, e sua teia invisível estava se fechando ao redor dele.

Mas, até então, Yu Sheng havia encontrado a fonte do brilho — uma cabana.

Era uma humilde construção de madeira, desgastada pela idade, erguendo-se sozinha no coração da floresta. Uma luz quente e dourada saía de suas janelas, destacando-se nitidamente contra as profundas sombras do lado de fora.

Ele se aproximou da porta e notou faixas de pano vermelho amarradas à moldura e barbante vermelho pendurado ao redor das janelas e beirais. Ele não tinha certeza se eram decorações ou se tinham algum significado oculto.

“Espere,” o esquilo disse em um sussurro apressado. “Olhe pela fresta da porta. Você consegue ver a cama? Se alguém estiver nela — se a ‘vovó’ estiver lá — não podemos ficar. Mas se não houver ninguém lá dentro, é seguro.”

Yu Sheng fez como lhe foi dito, espiando por uma fresta estreita. Lá dentro, ele viu um interior simples e aconchegante: uma lareira brilhando com luz, uma mesa de madeira com pão, flores e velas e uma cama vazia no canto.

“Não tem ninguém lá,” ele relatou.

“Excelente! Então podemos descansar,” o esquilo disse alegremente. “Finalmente, alguma boa sorte! Podemos ficar até você acordar!”

Yu Sheng assentiu. Os uivos estavam se aproximando. Sem perder um segundo, ele abriu a porta de madeira.

O som dos lobos desapareceu no momento em que ele entrou.

Yu Sheng entrou na cabana com o esquilo no ombro, fechando cuidadosamente a porta atrás dele.

Um calor reconfortante encheu a sala, expulsando a fria escuridão da floresta. O fogo crepitava alegremente, trazendo uma luz suave que afastava todas as sombras de desconforto. Yu Sheng sentiu seus ombros relaxarem pela primeira vez em horas.

“Relaxe,” o esquilo disse, pulando para a mesa. “Uma cabana sem uma vovó é o único lugar verdadeiramente seguro nesta floresta. Apenas reze para não ouvir batidas ou passos do nada...”


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