Hotel Dimensional

Capítulo 96

Hotel Dimensional

Um corredor longo e silencioso se estendia diante deles. Chapeuzinho Vermelho inclinou-se para frente, olhando ao redor cuidadosamente antes de se virar para Yu Sheng. "Os 'guardas' criados pelo museu não saem de suas próprias áreas", disse ela, mantendo a voz calma, mas firme. "Podemos descansar aqui por um tempo, bem neste corredor." Ela fez uma pausa e falou mais baixo. "Mas temos que ser extremamente cautelosos quando seguirmos em frente. Ainda não sabemos quantos desses 'guardas' o museu pode produzir. Se alguns deles estiverem bloqueando a entrada do Salão de Exposições Branco, isso seria terrivelmente azarado para nós."

Irene pulou das costas de Yu Sheng, parecendo confusa. Seu pequeno rosto de boneca se contraiu em concentração. "O que eu não entendo", disse ela, "é como esses 'guardas' são ativados. Quer dizer, não fizemos nada de errado e, no entanto, assim que eles apareceram, nos atacaram sem dizer uma palavra..."

Chapeuzinho Vermelho abriu a boca como se quisesse dizer algo, mas fechou-a novamente e ficou em silêncio.

Irene notou essa hesitação e insistiu gentilmente: "Anda, desembucha. Você claramente tem algo em mente."

Respirando fundo para se recompor, Chapeuzinho Vermelho finalmente explicou: "A razão mais provável é que não somos os únicos aqui. Alguém deve ter entrado no museu antes de nós, e a presença dessa pessoa pode ter acionado o mecanismo de 'expurgo' do museu. Mas isso não deveria ser possível. Eu verifiquei os horários. Nenhuma outra equipe de investigação deveria vir hoje à noite, apenas a nossa."

Irene arqueou uma sobrancelha cética. "Talvez alguém tenha entrado sorrateiramente? Algum personagem sombrio, talvez?"

"Não é muito provável", disse Chapeuzinho Vermelho, balançando a cabeça. "O Departamento de Assuntos Especiais mantém vigilância estrita. No momento em que um lugar como este é aberto, tudo é oficialmente relatado. Cada 'nó' está sob vigilância constante, criando uma enorme rede de sensores. Se algum portal de Outro Mundo ou fenda no espaço-tempo se abrisse sem aviso, isso dispararia alarmes imediatos imediatamente."

Irene assentiu de uma forma que sugeria que ela reconhecia a ideia, embora ninguém pudesse ter certeza se ela realmente entendia. Na verdade, sua atenção já estava se desviando. Seu olhar pousou em Yu Sheng, que estava agachado a poucos passos de distância.

Yu Sheng havia pegado algo estranho, um braço de plástico retorcido que havia sido cortado de um dos 'guardas'. O membro decepado, agora drenado de sua vida sobrenatural, parecia um braço de manequim de loja. Ele o bateu levemente contra o chão, criando um som oco. Parecia plástico, tinha a aparência de plástico, e ele não pôde deixar de se perguntar, com uma curiosidade bizarra, se teria gosto de plástico se ele mordesse.

Assim que essa ideia estranha lhe ocorreu, Irene gritou alarmada: "Ei! Yu Sheng, o que você está pensando que está fazendo?! Isso é plástico! Você não pode comer isso!"

Yu Sheng suspirou, com uma expressão cansada no rosto. "Eu não vou comer", disse ele secamente, revirando os olhos para a pequena boneca. "Eu posso ser um pouco incomum, mas não sou tão louco. Mesmo que não fosse plástico, eu não comeria. Aqueles guardas parecem humanos o suficiente, eu não conseguiria engolir isso. Eu estava apenas pensando sobre como essas 'coisas' se movem. Eu estou curioso, só isso."

Irene soltou um enorme suspiro de alívio, batendo em seu pequeno peito. "Ufa! Você realmente me deixou preocupada por um segundo. Vindo de você, eu esperava que você pegasse uma panela e tentasse fazer um ensopado ou algo assim."

Yu Sheng pareceu ofendido. "É esse tipo de pessoa que você pensa que eu sou?"

Chapeuzinho Vermelho observou essa troca de olhares com uma expressão perplexa. Ela não ficou tão surpresa com o alarme de Irene quanto com a lembrança de suas aventuras anteriores. Da última vez que visitaram a Rua Wutong, nº 66, havia um prato de carne frita envolvido. Ela suspeitou, por um momento, que Yu Sheng poderia ter se perguntado seriamente sobre o gosto do braço, mesmo que fosse apenas como um pensamento estranho passageiro.

Suas reflexões inquietantes foram interrompidas quando Yu Sheng de repente tirou uma pequena faca do bolso. Sem hesitar, ele fez um pequeno corte em seu próprio braço e deixou um fino fio de sangue escorrer. Então, para seu horror, ele começou a esfregar seu sangue no braço de plástico decepado.

Arrepiada, Chapeuzinho Vermelho disparou: "O que você está fazendo?!"

Yu Sheng, soando perfeitamente calmo, disse: "Estou testando algo, tentando encontrar uma vantagem." Ele continuou espalhando seu sangue sobre o membro de plástico. "Meu sangue pode se conectar com muitas coisas diferentes, incluindo entidades. Estou curioso para saber se isso pode funcionar em uma peça separada como esta."

Irene nem sequer piscou. Ela já havia se acostumado com os métodos incomuns de Yu Sheng. Ela se virou para Chapeuzinho Vermelho e explicou: "O sangue de Yu Sheng é super estranho. Foxy e eu já entramos em contato com ele antes..."

De repente, Yu Sheng olhou para Chapeuzinho Vermelho e, com uma torção astuta da boca, perguntou: "Bem? Você não quer provar?" Ele gesticulou em direção ao seu braço ferido, que já estava começando a cicatrizar. "É melhor se apressar. Eu curo rápido, e se você esperar muito, não vai sobrar nada."

Chapeuzinho Vermelho gritou e pulou para fora do lobo em que estava empoleirada. Ela se afastou rapidamente, balançando a cabeça com tanta força que seu capuz quase voou. "De jeito nenhum!", ela gritou.

Virando-se para Foxy, o demônio raposa silencioso que havia permanecido calmo durante todo esse tempo, Chapeuzinho Vermelho implorou: "Não tem algo muito, muito errado em tudo isso?" Ela esperava que Foxy concordasse que isso era insanidade.

Mas Foxy apenas olhou para Yu Sheng com admiração brilhando naqueles olhos de raposa. "A magia do Benfeitor é realmente profunda", disse Foxy baixinho. "Esta é a arte da Feitiçaria de Sangue!"

Chapeuzinho Vermelho se sentiu mais perdida do que nunca. "Feitiçaria de Sangue?", ela se perguntou em voz alta. Ela não sabia quase nada sobre o mundo do cultivo ou essas habilidades estranhas. Ela era apenas uma estudante do ensino médio, não alguém acostumado com tais habilidades estranhas e sobrenaturais.

Enquanto isso, Yu Sheng já estava observando os resultados de seu experimento. Ele notou que seu sangue estava sendo absorvido pelo braço de plástico, afundando rapidamente, quase avidamente. "Parece que está funcionando", murmurou pensativo.

Os olhos de Irene se arregalaram. Ela se aproximou pulando, com a voz cheia de entusiasmo. "Sério? Você já consegue ver alguma coisa? Você descobriu por que aqueles 'guardas' ficaram loucos?"

Yu Sheng fechou os olhos e balançou a cabeça levemente. "A conexão está fraca agora", disse ele, levantando uma mão para mantê-la quieta. "Eu não consigo obter informações detalhadas ainda." Ele ficou em silêncio, concentrando-se, sentindo a tênue ligação entre ele, seu sangue e qualquer força que alimentasse esses estranhos guardiões do museu.

Ele imaginou seus sentidos vagando pelos corredores, estendendo-se além do corredor, através de portas seladas e galerias escuras, sobre vitrines e artefatos centenários. Ele procurou a fonte de energia do braço, algo como um padrão que o deixasse entender os 'guardas'.

De repente, ele os encontrou, não, ele os sentiu. Ele podia se sentir no lugar deles, vestindo um uniforme de guarda de segurança e parado estranhamente imóvel. Ele estava cercado por outros guardas como ele, cada um feito do mesmo plástico oco, cada um esperando por algo invisível.

Foi apenas um breve flash, um instante vertiginoso muito parecido com sua experiência com 'Fome' de volta no Vale da Noite. Ele entendeu que não estava realmente nos corpos deles. Ele estava apenas recebendo fragmentos de informação da ligação de sangue, traduzindo-os em sua mente como se estivesse no lugar deles.

Ele não havia formado uma ligação perfeita, não o suficiente para totalmente "se tornar" eles. Mas talvez, se ele fortalecesse a conexão, seria como aquele banquete no Vale da Noite, quando ele provou a essência de uma entidade e a entendeu de dentro para fora.

Com aquele vislumbre desaparecendo, Yu Sheng abriu os olhos e apontou para o corredor. "A maioria dos 'guardas' está a duas intersecções daqui. Eles estão parados completamente imóveis, como se estivessem esperando por ordens. Alguns outros estão espalhados em salões de exposição distantes, mas nenhum deles está se movendo no momento."

Os olhos de Chapeuzinho Vermelho se arregalaram. Até agora, ela não havia percebido totalmente o quão poderosas eram as habilidades de Yu Sheng. Claro, eles haviam lutado lado a lado no Vale da Noite, mas isso tinha sido caótico. Aqui, vendo-o calmamente usar seu sangue para se conectar com esses estranhos guardiões, ela finalmente entendeu o quão valioso seu poder poderia ser. Uma simples gota de sangue, um toque cuidadoso, e Yu Sheng podia rastrear, localizar e entender essas criaturas antes que elas fizessem um movimento. Para investigadores e detetives espirituais, esse tipo de habilidade era extraordinário.

Então outro pensamento a fez tremer: se seu sangue podia fazer isso com entidades, o que poderia fazer com humanos? Ela se lembrou de como ele a havia provocado, oferecendo-lhe uma provinha. Ela sacudiu o pensamento, tentando não imaginá-lo profundamente.

Em vez disso, ela se concentrou em algo mais prático. "Então, com esta informação, podemos evitar esbarrar neles", disse ela. "Você acha que pode sentir mais alguma coisa sobre os salões de exposição? Talvez onde o Salão de Exposições Branco está localizado?"

Yu Sheng balançou a cabeça. "A conexão não é forte o suficiente para isso", admitiu ele. "Está principalmente ligada a esses 'guardas'. Eu não consigo obter um mapa claro de todo o prédio ou a localização do Salão de Exposições Branco."

Enquanto falava, Yu Sheng pegou sua faca novamente e cortou levemente seu braço uma segunda vez, deixando outra pequena gota de sangue aparecer. Ele a espalhou sobre as paredes e os azulejos do chão, testando-os da mesma forma que havia testado o braço. Mas desta vez, não houve mudança notável, nenhuma nova informação. A pedra bebeu seu sangue, mas não ofereceu nada em troca.

"Provavelmente não é suficiente", disse ele com um suspiro, endireitando-se. "Para realmente me conectar com a estrutura do museu, eu teria que fazer algo extremo, como cobrir todo o lugar com meu sangue três ou quatro vezes. Isso seria um pouco demais, não seria?"

Com a ideia de revestir o museu com seu sangue, o rosto de Chapeuzinho Vermelho ficou pálido de horror.

Percebendo sua expressão, Yu Sheng soltou uma risada nervosa e rapidamente acenou com a mão. "Eu estou só brincando", garantiu ele com um sorriso torto. "Eu não sou tão imprudente. Eu sou apenas uma pessoa curiosa, só isso."

Chapeuzinho Vermelho piscou, incapaz de encontrar as palavras certas.


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