Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 665

Meu Talento Se Chama Gerador

Cavaleiro e eu ficamos escondidos enquanto Prata, Aurora e Ragnar percorriam os acampamentos restantes, ajudando Primus a organizar as coisas e deixando suas auras se espalharem sob a orientação de Primus. Todo demônio que sentisse sua presença encarava com respeito rígido ou congelava de medo. Exatamente o que Primus queria.

Steve e North já tinham retornado à capital de Del Rey com alguns comandantes Bloodreaver para garantir a segurança da cidade.

Quase meia hora depois, Lyrate reapareceu ao nosso lado, um sorriso radiante se estendendo pelo rosto.

'Como foi?' perguntou imediatamente o Cavaleiro.

'Foi divertido,' ela respondeu, parecendo satisfeita consigo mesma. 'Você tinha que ver a cara dele. Primeiro tentou me ameaçar com todo o exército de demônios Dragos, brandindo seu título como se fosse uma bandeira. Depois começou a implorar para pelo menos saber quem eu era. Mas tudo que ele conseguiu foi ver aquela marionete de madeira o chicoteando de novo e de novo. E o curando. E vendo ele ser chicoteado de novo. No final, eu o curei direito e o devolvi para a capital de Del Rey.'

'Parece ótimo,' respondeu o Cavaleiro com um aceno de cabeça.

Lyrate bufou. 'Mas ele ainda não estava completamente destruído. Ainda vi faíscas de raiva nos olhos dele. Queria muito ter matado ele.'

'Tudo bem,' eu disse. 'Ele vai voltar aqui em breve.'

No instante em que as palavras saíram da minha boca, um tremor enorme percorreu o espaço. Uma turbulência espacial violenta rasgou o céu, e um portal vermelho colossal surgiu no alto do vale.

O rabo do Cavaleiro se moveu uma vez. 'Eles chegaram,' ele murmurou.

Uma aura transcendente intensa se propagou do portal, varrendo toda a batalha como uma onda viva. Mesmo de onde eu pairava, escondido no espaço, senti a pressão bater na minha pele. Os exércitos abaixo pararam de se mover.

A primeira figura saiu.

Um demônio gigante, largo, de peitoral nu apesar do calor infernal ao redor dele. Dois chifres enormes se curvavam de seu crânio, ambos envoltos por chamas que crepitavam e espirravam a cada respiração. Uma espadona descansava descontraída no ombro, como se fosse leve como uma pluma.

Sua presença sozinha podia passar por um exército.

Logo atrás dele, mais dois transcendentais atravessaram o portal vermelho brilhante. Seus auras somaram-se às dele, pressionando o vale ainda mais silencioso.

Então, a verdadeira força chegou.

Fila por fila, formação após formação, um exército marchou, disciplinado de um jeito que os demônios de Armus nunca poderiam imitar. Armaduras negras, polidas e uniformes, aderiam a cada soldado como obsidiana esculpida. O símbolo de Dragos cintilava em suas peitorais: uma coroa de chifres rodeada por fogo.

Cada um deles… cada um… era um grandesmestre.

Um regimento de mil grandesmestres.

Marchavam em silêncio. Sem bravatas, sem rugidos, sem exibir aura. Apenas o som constante, sincronizado, do pisar de botas blindadas no ar, como se fosse solo sólido.

Nada podia ser visto através da armadura, exceto o brilho vermelho de seus visores, milhares de olhos idênticos e imóveis que percorreram o campo de batalha como predadores avaliando a presa.

O Cavaleiro soltou um assobio baixinho ao meu lado.

'Então Lana enviou reforços bem fortes,' ele murmurou. 'Vai ser interessante.'

Expirei lentamente enquanto a última fila saía do portal, sua presença ofuscando os exércitos restantes. Mas quem saiu por último foi ninguém menos que o enviado.

'Ei, Lyrate, você tem certeza que torturou ele?' perguntou o Cavaleiro, meio brincando.

'Não se preocupe,' ela respondeu com um sorriso radiante e satisfeito. 'Você vai ver a marca que deixei nele bem logo.'

Primus parou no meio do comando, seu rosto torcendo de leve e virando bruscamente para o portal. No instante em que sentiu as auras se aproximando, até ele ficou sério. O campo de batalha, que já estava silencioso, ficou pesado à medida que os três transcendentais surgiam completamente na visão.

Eu estreitei os olhos e examinei cuidadosamente os três demônios.

[Dravon Emberlord - Nível 355]

[Korvath Emberlord - Nível 327]

[Mazikeen Golas - Nível 323]

O mais forte dos três liderava a frente — Dravon. Os outros dois o seguiam a meio passo, claramente seus subordinados. Dois demônios e uma demônio.

A demônio foi a primeira a pegar meu olhar. Tinha pele vermelho profundo e um corpo enxuto e musculoso, com cada linha muscular visível, especialmente na região do abdômen. Sem armadura, apenas uma faixa preta ao redor do peito e calças de batalha soltas atadas na cintura.

Seu rosto era sério e severo, sem traços de brincadeira nos olhos. Cabelos escuros e compridos caíam retos pelas costas, e um par de pequenos chifres apontava para frente, das têmporas.

Os três pareciam jovens para transcendentais — corpos marcados por cicatrizes de batalha, cada cicatriz vibrando com energia selvagem. Suas auras não eram refinadas como a do enviado… eram violentas, brutas, do tipo que só nasce na linha de frente de uma guerra constante.

Demônios que lutam todos os dias, que vivem e respiram massacre.

“Quem é o cabeça da família Bloodreaver?” a voz de Dravon ecoou pelo campo de batalha.

Primus não hesitou. Levantou-se do chão num lento, controlado ascender, com chamas discretamente tremulando ao redor dos pés. Minhas invocações ficaram na terra.

“Eu sou Primus Bloodreaver,” disse, encarando Dravon sem medo.

Os olhos de Dravon o vasculharam. Seu nariz se inflamou, como se estivesse medindo o próprio cheiro da força de Primus. Um rosnado de aprovação surgiu de sua garganta.

“Parece forte,” disse Dravon. “Muito bem. Forte o suficiente para enfrentar o julgamento.”

A atmosfera se fechou.

“Disseram que suas famílias se aliaram aos imundos Eternos,” continuou, com a voz cortando o vale. “Que vocês estão traindo o Rei Demônio. Que ousem colocar Armus em caos por seus próprios interesses.”

O maxilar de Primus se travou, mas ele ainda não disse nada.

“Pois bem,” rosnou Dravon, abrindo um pouco os braços como se fosse receber uma execução, “reúnam todos. Bloodreavers… todos vocês. Chegou a hora do seu castigo.”

Um ondular percorreu os exércitos.

A mensagem foi clara. Não era diplomacia. Era um martelo caindo.

“E que provas vocês têm de nossa colaboração com os Eternos ou de nossa rebelião contra o Rei?” perguntou Primus.

Dravon nem sequer olhou para ele.

Seu olhar se voltou para onde estava o enviado, Gyros. Gyros recuou quando os olhos do transcendente se fixaram nele.

“Uma submissão formal foi feita pelo Enviado Gyros,” disse Dravon, apontando sua espada para o demônio tremendo. “Uma declaração escrita afirmando que as famílias líderes de Armus caíram na corrupção.”

As chamas de Primus se intensificaram.

“A submissão,” continuou Dravon, “foi carimbada com o selo do enviado, marcada como urgente, e enviada diretamente a Dragos.”

Por fim, sua atenção retornou a Primus.

“Não é nosso trabalho fornecer provas depois disso. Não perdemos tempo discutindo com traidores. É VOCÊ quem deve provar que não é culpado.”

Primus soltou uma risada suave.

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