Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 668

Meu Talento Se Chama Gerador

Devron foi o primeiro a se levantar da terra, sacudindo a poeira e flutuando novamente para cima. Sua expressão era uma mistura de irritação e curiosidade perplexa.

"Do que foi isso?" perguntou, franzindo a testa para Aurora como se ela não tivesse acabado de lhe dar um tapinha na cara na frente de todos.

Aurora apontou o polegar casualmente na direção de mim, embora ninguém pudesse me ver.

"Bem, meu chefe disse que eu tenho que te bater até você aceitar que Primus é inocente. Ou até o enviado admitir que mentiu. Qualquer uma das opções funciona."

Justamente naquele momento, Gyros gritou.

"AAAHHHHH!"

Seu grito ecoou pelo vale enquanto a marionete de madeira de Lyrate acertava mais uma chicotada nas costas dele e o jogava ainda mais fundo na cratera.

Devron fez uma careta de empatia.

"Você sabe," disse com tom casual, "que bater em um enviado é o mesmo que ir contra o Reino."

Aurora inclinou a cabeça.

"Eu não diria que estamos indo contra ele. Só… provando nossa inocência. Não é permitido?"

Outro grito saiu de Gyros, mas foi acompanhado por um resmungo pesado, o resmungo de Mazikeen.

Antes que eu pudesse desviar minha atenção, Mazikeen desapareceu de repente. Uma mancha de pele vermelha, membros longos e um relâmpago de velocidade extrema cruzou o campo de batalha. Ela reapareceu na frente de Aurora, lança na mão, indo direto na garganta dela.

O ataque foi brutal.

Devron levantou ambas as mãos como alguém que se despia de responsabilidade publicamente.

"Ops," murmurou. "Você a deixou louca. Agora, é com você."

Então, num movimento que me fez soltar uma risada, ele realmente desfaleceu sua arma, colocou as mãos nos bolsos e recuou, como um espectador se preparando para assistir a um espetáculo.

Mazikeen atacou.

"Hoo, essa aí é da pegada selvagem," Aurora assobiou.

O ar estalou enquanto relâmpagos se enrolavam ao redor de seus dedos. Ela avançou com dois dedos, e as pontas brilhantes de seus dedos tocaram a ponta da lança de Mazikeen. O metal gemeu. A arma parou de repente, tremendo entre elas.

Os lábios de Mazikeen se torceram.

Ela torceu o pulso e puxou a lança de volta, girando-a em um arco apertado. Seus movimentos eram rápidos, agressivos e fluidos ao mesmo tempo. A pele vermelha se flexionava sobre músculos enxutos enquanto ela avançava novamente, dessa vez baixo, buscando derrubar Aurora com um golpe nas pernas.

Aurora recuou levemente, quase com preguiça, relâmpagos piscando sob seus pés. A lança cortou o ar vazio.

Mazikeen não desacelerou.

Ela avançou sem parar, cada ataque mais rápido que o anterior. Investida, varrida, estocada. Seu corpo movia-se como uma lâmina, quadris torcendo, ombros girando, pernas longas impulsionando sua força para frente. Plumas de fogo grudavam na sua pele, dando-lhe uma presença feroz, selvagem, impossível de ignorar.

Eu sentia claramente. Ela estava se adaptando.

"Ela está aprendendo," murmurou o Cavaleiro ao meu lado.

Aurora percebeu também.

"Ah?" disse ela suavemente, inclinando a cabeça ao desviar de outro ataque com uma linha fina de relâmpago. "Você melhora quando perde, não melhora?"

Mazikeen riu.

"Posso melhorar a qualquer momento."

Ela de repente largou a lança com uma mão e enfiou o joelho para cima. Aurora se inclinou de lado enquanto o joelho passava rente às costelas dela, a uma distância suficiente para que a onda de choque ficasse visível na capa de Aurora.

Mazikeen seguiu imediatamente, com o cotovelo projetado em direção ao pescoço de Aurora.

Dessa vez, Aurora bloqueou com o antebraço, relâmpagos brilhando em azul intenso. O impacto fez um estrondo, e Mazikeen escorregou para trás.

O peito de Mazikeen subia e descia rapidamente. Seus olhos ardiam de excitação.

"Vamos lá," ela disse, limpando um pouco de sangue dos lábios. "Você parece com medo de me machucar."

Aurora suspirou.

"Estava sendo educada."

Ela desapareceu.

Relâmpagos estalaram, e Aurora reapareceu atrás de Mazikeen, palma da mão brilhando. Ela tocou levemente as costas de Mazikeen.

Mas o relâmpago explodiu para dentro.

Mazikeen gritou enquanto seu corpo foi arremessado para frente, escorregando pelo chão numa chuva de terra e faíscas. Ela rolou, deu uma cambalhota e, de alguma forma, voltou a ficar de pé, a lança se encaixando de novo em suas mãos.

A respiração dela estava ofegante agora. Marcas de queimadura percorriam suas costas e ombros. Mas sua postura estava mais firme. Ela respirou fundo, colocou os pés no chão e empurrou a lança para frente de onde estava.

A distância entre eles não significava nada.

O cabo da lança permanecia em suas mãos, mas a ponta sumia e reaparecia um instante depois, bem diante do rosto de Aurora, rasgando o espaço-tempo.

Senti a mudança.

Aurora reagiu sem pânico. Levantou a palma da mão e segurou a ponta da lança a poucos centímetros de seus olhos. Relâmpagos brilharam suavemente ao redor de sua mão.

O ar explodiu.

Uma onda de fogo carmesim saiu da lança, rolando como uma maré violenta para queimar tudo pelo caminho. Poeira, calor e faíscas engoliram o espaço entre elas.

Aurora inspirou uma vez. Então, o fogo foi desfeito.

Relâmpagos cortaram a onda, transformando-a em cinzas que se apagavam lentamente. Ao mesmo tempo, Aurora desapareceu.

Ela apareceu bem na frente de Mazikeen. Sua perna foi levantada, e a chute foi certeira no estômago dela.

BUM!

O corpo de Mazikeen se encolheu e foi lançado para trás como um meteoro, atravessando o chão e se enterrando fundo em uma cratera recém-formada. O impacto fez rachaduras correr pelo campo de batalha.

Por um momento, silêncio. Então, o chão começou a tremer. Mazikeen saiu lentamente da cratera, com sangue escorrendo do canto da boca. Um braço pendia mais baixo que o outro. Sua armadura estava destruída.

E, mesmo assim, seus olhos estavam mais brilhantes do que nunca.

Famintos.

Ela limpou a boca com as costas da mão, lambendo lentamente os lábios.

"Quero ver seu rosto agora," ela disse, com a voz áspera mas firme.

Ela deu um passo para frente—

"ESPERE!"

O grito de Gyros rasgou o campo de batalha.

"ESPERE, ESTAVA MENTINDO—ESPERA!"

Todos os movimentos pararam.

Todos os olhares se voltaram para a cratera onde Gyros jazia seminu, quebrado e tremendo, com a voz trêmula de medo.

Dravon apareceu ao lado de Gyros num instante.

"Gyros," disse com frieza, "você entende o que está dizendo, certo?"

Gyros respirava com dificuldade, subindo e descendo o peito em respirações descompassadas.

"Eu... eu entendo," disse, com a voz tremendo. "Mas não posso mais aguentar. Mentí sobre os Bloodreavers. De verdade, houve um ataque fantasma na capital deles. Alguém permitiu que acessassem Armus. Essa parte é verdadeira." Ele engoliu seco, olhou para o chicote de raiz pendurado acima dele, seu medo evidente. "Eu culpei Primus por ciúmes. Ele estava ficando forte demais. Tinha medo que ele me ultrapassasse, e, quando isso acontecesse, eu perderia toda influência sobre Armus."

Comentários