Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 669

Meu Talento Se Chama Gerador

Dravon passou a mão na testa lentamente.

"Então, por causa da sua insegurança," ele disse com uma voz fria e distante, "tivemos que abandonar nossas funções e vir correndo até aqui. Está me dizendo que agora tem a coragem de mentir descaradamente para a monarquia, sem ninguém te obrigar a isso?"

Gyros engoliu em seco. Sua garganta ficou seca, e por um momento ele não conseguiu achar a voz. Sabia que estava mentindo. Sabíamos que ele estava mentindo. E eu acreditava que até mesmo Dravon percebia que Gyros era apenas uma marionete.

"Eu... Eu fui cego pela minha própria arrogância," ele finalmente falou, a voz tremendo. "Achei que pudesse dar conta de tudo sozinho, e me enganei. Completamente enganado." Ele abaixou a cabeça, com os punhos cerrados ao lado do corpo. "Peço desculpas. Sei que falhei no meu dever. Por favor… Estou disposto a aceitar qualquer punição pelo que fiz."

Dravon olhou para Gyros com puro nojo.

"Você tem alguma ideia de como está patético e inútil agora?"

Ele deu um passo à frente e chutou Gyros forte no peito.

Depois de novo.

E mais uma vez.

Cada golpe veio mais pesado que o anterior, enquanto curses escapavam junto com eles.

"Seu pedaço de lixo sem valor."

"Que tipo de demônio sem coragem mente para as forças do monarca?"

"Deveria enterrar você aqui mesmo e alimentar as aberrações com você."

Gyros encolheu-se a cada pancada, mal podendo gemer.

Então Aurora aplaudiu uma vez e ajeitou as palmas das mãos.

"Acho que terminamos aqui."

"Não," Mazikeen rosnou.

Ela cambaleou para frente, com o olhar fixo em Aurora, não por sede de batalha, mas por algo mais sombrio e obsessivo.

Aurora inclinou levemente a cabeça. "Tá tudo bem aí, garotinha?"

Mazikeen não respondeu.

Ela avançou.

Dessa vez, Aurora não segurou.

Ela desapareceu e reapareceu bem acima de Mazikeen num piscar de olhos. Seu calcanhar caiu como um martelo, batendo direto na testa de Mazikeen e fazendo-a cair de cara no chão.

O impacto tremeu a terra.

Aurora estalou os dedos.

Uma corda de relâmpagos crepitantes se formou e envolveu-se firmemente ao redor de Mazikeen, prendendo-a completamente.

"Tão rebelde," Aurora disse com calma. Ela levantou Mazikeen e a jogou sobre o ombro como um saco de grãos. "Aprenda com sua líder. Ele percebeu que era fraco e imediatamente recuou."

Dravon tossiu com o insulto.

"Isso é chamado de retirada estratégica," ele murmurou enquanto arrastava Gyros para fora do crater, com a expressão totalmente sombria.

Finalmente, a batalha tinha acabado de verdade.

Dravon finalmente endireitou-se e olhou ao redor pelo vale destruído, sua expressão voltando a algo calmo e controlado. Arrastou Gyros pela gola e o segurou ali, como uma ferramenta quebrada.

"Levaríamos o enviado conosco," disse Dravon. "Por enquanto."

Mazikeen se debateu mais uma vez sobre o ombro de Aurora, a corda de relâmpagos se tensionando à medida que ela lutava.

"Mazikeen," avisou Dravon com firmeza. "Basta. Solte e controle-se."

Seu corpo ficou tenso. A fome selvagem em seus olhos se diminuiu, substituída por irritação. Ela parou de se debater, embora a mandíbula permanecesse cerrada.

"Tch," cuspiu.

Aurora sorriu de leve, mas não disse nada, ajustando o peso de Mazikeen como se ela fosse mais uma bagagem.

Dravon voltou sua atenção para Primus. O campo de batalha agora estava silencioso.

"Este assunto ainda não acabou," disse Dravon. "Vamos investigar como o fantasma conseguiu acesso a Armus. Com calma desta vez. Se houver forças externas envolvidas, não ficarão escondidas por muito tempo."

Primus assentiu uma vez.

"Faça o que for preciso," falou. "Armus não será mais usado como um parque de diversões de outros."

Dravon observou-o por alguns segundos, depois voltou o olhar para Aurora.

"E você," disse ele, "ainda não me revelou sua identidade."

Aurora inclinou a cabeça um pouco, pensativa.

"Porque ainda não sentimos vontade," ela respondeu. "Mas não se preocupe. Em breve, chegaremos a Dragos."

Ela sorriu, educada e calma, mas seus olhos continham algo afiado.

"Quando isso acontecer," continuou, "vocês saberão de nós. Prometo."

Dravon exalou lentamente e assentiu.

"Vou me lembrar disso."

Ele ergueu uma mão. O portal roxo gigante atrás dele voltou a brilhar intensamente, dobrando o espaço com um profundo ruído. Seus mil granmasters formaram fileira instantaneamente, disciplinados até o último movimento.

Antes de atravessar, Dravon parou e olhou para Primus mais uma vez, por fim.

"Tem mais peças no tabuleiro do que você imagina," disse. "Mais jogadores do que você pensa que existem. Hoje foi apenas uma jogada."

Seus olhos se estreitaram levemente.

"Nos vemos em Dragos."

Com isso, ele entrou no portal. Gyros foi arrastado como um saco de arrependimento. Os outros demônios transcendentes seguiram.

Aurora colocou Mazikeen no chão, embora esta parecesse querer ficar ali. Antes de passar pelo portal, Mazikeen lançou um último olhar para trás e falou: "Esperarei vocês em Dragos."

O portal se fechou com um estrondo ensurdecedor.

O vale respirou fundo.

Primus permaneceu ali por mais um instante, depois desceu lentamente ao chão. Orobas foi o primeiro a se aproximar, rindo alto de seu peito.

"Você conseguiu," disse o velho ancestral, batendo uma mão pesada no ombro de Primus. "Por um momento eu não tinha certeza de para onde tudo isso iria. Agradeça aos seus amigos por mim."

Dorian veio logo atrás, com orgulho evidente no semblante, embora seus olhos continuassem aguçados e calculistas.

"Isto muda tudo," falou. "Armus nunca será o mesmo de novo."

"Sim, não será," concordou Primus.

'Certo, terminamos por aqui. Quero que cada um de vocês pegue um dos comandantes do Bloodreaver e ajude a libertar suas forças das zonas das aberrações. Façam isso rápido. Amanhã realizamos o ritual, e depois partimos de Armus,' comuniquei aos meus convocados pelo link.

'Combinado,' respondeu Lyrate.

'Como você mandar, chefe,' disse Aurora na reação.

'Sabe de uma coisa, Aurora. Deixo a seu critério nomear nosso grupo. Mas tem que garantir que todos concordem com isso,' brinquei, com um tom de diversão na voz.

'Todos? Por que todos? Só preciso te convencer,' ela retrucou na hora.

'Não, não. Todos. Não quero que outro convocado reclame do nome, então todos precisam estar na mesma sintonia,' expliquei.

'Hmm... Então farei isso,' disse Aurora em tom sério. 'Só preciso convencer esses caras do nome que eu gosto. Tenho certeza de que uns poucos socos vão ajudar a entenderem a grandeza da minha escolha.'

Lyrate e os demais apenas ignoraram e partiram para cumprir as ordens que dei.

Por última vez, espiei toda a extensão do vale, observando os destroços da batalha que ali acontecera. Foi trágico. Foi sombrio. Mas também revelou uma verdade aberta sobre este mundo. A ambição de uma mulher ficou por cumprir, e o preço final foi pago por pessoas que talvez nunca tenham querido fazer parte disso.

Soltei uma respiração lenta e virei as costas, deixando o vale para trás.

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