
Capítulo 644
Meu Talento Se Chama Gerador
Enquanto observava toda asteróide e as inúmeras aberrações se movendo por ela, um sorriso lento começou a se formar no meu rosto. Pela primeira vez, parecia que eu realmente estava entrando no jogo de verdade, aquele de alto nível que ocorria lá no alto, bem longe das brigas banais de Armus.
Este lugar não era apenas um esconderijo. Era uma base operacional completa, pertencente aos Eternos e seus seguidores.
Traidores do Universo Prime trabalhavam abertamente com eles. Três portais de teletransporte enormes conectavam essa fortaleza a diferentes cantos do universo... E toda a organização, a Estrela Oca, existia somente para ajudar a espalhar destruição.
Deveria ter me deixado irado.
Em vez disso, uma sensação silenciosa de excitação percorreu meu corpo.
Sim, era triste, até nojento que pessoas do nosso próprio universo estivessem trabalhando com o inimigo. Mas a traição tinha seu lado bom.
Ela me dava novos objetivos.
Uma lista inteira de pessoas que mereciam ser caçadas.
Dei um passo à frente, deixando o espaço se curvar ao redor do meu pé.
No instante seguinte, apareci diretamente no interior do térreo da torre, completamente oculto do olhar e da percepção deles.
Logo percebi que não era um campo de batalha nem uma sala de rituais, parecia mais com um centro de recepção.
Longos balcões de pedra se estendiam pela sala, cada um lotado de trabalhadores realizando tarefas com rapidez treinada. Alguns separavam pergaminhos brilhantes, outros organizavam tablets de cristal em pilhas ordenadas, e alguns estavam estampando símbolos em documentos flutuantes que cintilavam brevemente antes de desaparecer. A atmosfera era estranha, quase como um escritório administrativo de verdade… se ignorássemos a névoa de morte que se espalhava lá fora.
Cada trabalhador aqui… era um grande mestre.
Suas auras estavam cuidadosamente reprimidas, mas, para minha percepção, ardíam como chamas constantes de fornalha.
Parecia quase pacífico, como um escritório de alguma cidade subterrânea distorcida.
Em poucos momentos, escaneei tudo.
Pedidos. Registros de entregas. Registros de teletransporte.
Todo esse chão existia para receber ordens de missão e distribuir aberrações ou fantasmas para executá-las. Como um centro de despacho macabro da morte.
O mais interessante era que encontrei um registro de alguém específico.
Lana.
Meu olhar se intensificou.
Li os detalhes escondidos sob uma camada fina de ocultação. Coordenadas. Listas de fantasmas designados. Quantidade de aberrações. Horários. Estrutura da missão.
Uma ficha completa de operação.
Então era aqui que ela fazia suas encomendas. Onde preparavam seus ataques.
Mas uma coisa ainda faltava: como chegavam as solicitações até aqui.
Passei o olhar por todos os pergaminhos, mesas e formações no térreo, mas nada me dizia como as ordens eram enviadas. Então, escorri e me movi para o segundo andar.
A disposição era parecida, só que menor. Menos trabalhadores, menos balcões… mas uma coisa saltou logo aos olhos.
Um Fantasma.
Sentado no centro do hall, numa postura meditativa, uma névoa de morte se enrolava ao redor do seu corpo como um xale espesso. Parecia ser o supervisor daquele andar.
Parei nas sombras, estudando-o.
Isso foi realmente surpreendente.
Essas criaturas nasciam da corrupção dos Eternos. Eram feitas a partir das almas de pessoas que morriam em nosso universo, suas identidades removidas até que nada restasse. Não se lembravam de quem eram nem do que defendiam.
E, mesmo assim, estavam aqui, trabalhando para o inimigo, como se fosse algo normal. O Fantasma aqui nem era particularmente forte. Sua aura era parecida com a do fantasma que eu tinha derrotado mais cedo.
Revisei novamente todo o andar. Mais registros. Mais missões. Mais roteiros de despacho. Ainda sem respostas.
Então continuei andando.
Piso por piso, silenciosamente deslizando entre sombras e paredes, verificando cada seção com minha percepção. Cada andar revelava uma nova peça da operação.
Até que, finalmente, cheguei ao sétimo andar, logo abaixo do último.
E parei imediatamente.
Porque, no momento em que estendi minha percepção para cima, uma presença esmagadora atingiu sua borda. Um Fantasma estava no topo do edifício. Um transcendente. Não apenas forte, o mais forte que já tinha sentido.
Mais forte que Vaelix. Mais forte que qualquer Fantasma que tenha enfrentado até então. Sua aura vazava pelo piso como um aviso silencioso. Se eu pisasse naquele nível, mesmo com todas as minhas artimanhas, ele me perceberia instantaneamente.
Então, fiquei completamente imóvel e analisei todas as informações até aqui coletadas. Aos poucos, uma imagem mais clara começou a se formar.
As solicitações feitas nesta base vinham de toda a Galáxia Espiral Azul. Cada rolo, cada ficha de missão, cada atribuição tinha coordenadas que apontavam para algum lugar dentro da minha galáxia. Nada fora dela.
Isso significava que o lugar ainda operava dentro do meu território. Eles também registravam quem enviava as solicitações. E isso ajudava bastante.
Cada solicitante tinha um registro completo ligado ao nome dele. Raça, planeta de origem, status no clã, força e uma classificação numérica que parecia indicar sua importância ou valor para a Estrela Oca.
Depois, encontrei o arquivo da Lana. Seu nome escrito claramente. Raça. Planeta natal. Nível: Transcendente.
Isso confirmava minha suspeita. E havia outros detalhes: sua avaliação pessoal estava marcada como 4, o que era razoável, mas não excepcional. Abaixo do nome dela, havia cinco registros de missão. Três marcados como Concluídas, duas como Em Andamento.
Ela já atuava há algum tempo.
A classificação mais alta que encontrei entre todos os registros foi 9, atribuída a diferentes raças da galáxia. Quem alcançasse o nível 9... a Estrela Oca realmente se importava com essa pessoa. Mas ainda não havia detalhes sobre como essas solicitações chegavam aqui. Era como se as solicitações simplesmente aparecessem nas pastas de rolos.
No entanto, aprendi algo mais com as conversas casuais dos "funcionários". Este não era o único bastião. Havia outros espalhados pela Galáxia Espiral Azul. E, entre eles, outro era frequentemente mencionado: Base 01.
Uma filial de maior nível. Um lugar onde os funcionários queriam ser promovidos. Se essa asteroide fosse um centro de despacho… então a Base 01 provavelmente era o verdadeiro coração de toda a operação.
Dei um passo e desapareci da torre num piscar de olhos. Já tinha visto tudo o que precisava. Agora, só uma questão permanecia na minha cabeça: como destruir esse lugar? Um ataque frontal completo… ou uma desmontagem lenta e controlada?
Qualquer uma das opções funcionaria, mas eu não ia agir impulsivamente.
Para garantir, decidi fazer uma varredura completa na base inteira do asteróide antes de agir. Precisava de respostas, especialmente para a pergunta mais importante:
Por que não conseguia acessar o sistema daquele lugar?