
Capítulo 620
Meu Talento Se Chama Gerador
Ampliei minha percepção no instante em que saímos da floresta. Ela se espalhou como uma onda silenciosa por toda a paisagem, sobre montanhas, rios e até a cidade demoníaca mais próxima.
Horus.
Um gigante carmesim feito de pedra.
Puxei Steve, North, Primus e Lara com uma única ondulação de espaço e fiz um teletransporte. Outro piscar de olhos, outro salto, e apareceu exatamente acima de Horus.
Daqui de cima, toda a cidade parecia um coração pulsante feito de pedra vermelha, metal negro e fornalhas acesas. Dezena de milhares de demônios enchiam as ruas abaixo. Seus auras brilham intensamente e de forma selvagem, como uma tempestade de chamas teimosa demais para ser contida.
Fiquei suspenso silenciosamente ao lado do grupo.
"Certo", eu falei. "É aqui que nos separamos."
Primus franziu a testa. "Você não vai descer?"
"Vou", eu disse. "Mas escondido. De agora até resolver toda essa questão, fico na sombra. Ninguém pode saber que um humano Transcendente está caminhando pela porta da frente deles. Deixe que os Bloodreavers vejam só vocês quatro."
Steve assobiou. "Oooooh, homem misterioso nas sombras."
Primus ignorou os dois, embora seu maxilar estivesse紧绷. "Tudo bem. Só… não desapareçam de repente."
Sorri levemente. "Não se preocupem. Agirei, mas a partir das dobras do espaço. Ninguém vai me perceber."
Com um gesto da minha mão, o espaço se abriu. Ele ficou refletivo por um momento, como vidro líquido, e eu me integrei a ele, tornando-me apenas uma ondulação atrás deles.
Sem aura.
Sem som.
Só um observador.
Os quatro começaram a descer lentamente em direção a Horus.
Primus segurava com força a mão da filha, guiando-a enquanto descendessem. Sua pequena silhueta estava envolta em um manto escuro, apenas seus dedos e a ponta dos chifres visíveis.
Abaixo de nós, a cidade se estendia por toda a largura, com construções de pedra maciça com telhados de telha vermelha, avenidas largas cheias de demônios gritando, bebendo, lutando, rindo. O ar cheirava a fumaça e sangue cru.
Os Blood Reavers eram especializados em sangue e fogo. Primus usava ambos, mas focava principalmente no fogo, pois tinha mais afinidade com ele.
Steve murmurou baixinho: "Parece que toda a cidade está brava."
Ele não estava errado.
Pedaços de conversas preenchiam as ruas enquanto passávamos.
"Não, eles atacaram primeiro! Queimem toda a tribo deles!"
"Ouviu as notícias? Atacaram durante a noite. Não era proibido?"
"Sangue por sangue!"
A atmosfera estava tensa. Violenta. Pronta para explodir ao menor estopim.
Primus desceu sem emoção, embora sua aura estivesse tensamente rígida, e Lara segurava sua mão ainda mais firme.
Chegaram diante de uma fortaleza pequena, feita de obsidiana vermelha pura, que brilhava com um calor tênue. Era horizontal, mais larga do que alta, com vários pátios internos e campos de treino atrás de muralhas de pedra grossa.
Dois guardas estavam na porta.
Ambos congelaram.
Seus olhos se arregalaram. Então, um deles caiu de joelhos tão rápido que quase rachou o chão.
"Senhor Primus! Senhora Lara!"
Sua voz tremia de incredulidade e alegria.
"V-Vocês voltaram…! Eu—preciso contar para todos agora mesmo!"
Correu para dentro, quase tropeçando, enquanto o outro guarda avançava, fazendo uma reverência e sinalizando para que entrassem.
"Isso mesmo, Senhor", Steve sussurrou por baixo do capuz, dando um leve empurrão em Primus. "Muito chique."
Primus nem se deu ao trabalho de olhar para ele. "Cala a boca."
North tentou não rir por trás da máscara.
Entraram no pátio externo, e a reação foi instantânea.
Demônios pararam no meio do treino. Outros congelaram com armas quase levantadas. Alguém soltou uma pedra enorme que carregava.
"PRIMUS?!"
"ELE ESTÁ VIVO!!"
"Irmão mais velho!"
Em poucos segundos, dezenas de demônios e demônias avançaram gritando, chamando pelo nome dele, enviando bençãos, insultos e exigências, tudo ao mesmo tempo.
"Junte-se à guerra, Primus!"
"Venha lutar conosco contra os cães do Del Rey!"
"Onde você esteve?!"
"Seus sogros ficaram loucos."
Primus não diminuiu o ritmo. "Ignore-os", ele murmurou para Steve e North. "Não respondam."
Ambos assentiram, mantendo os capuzes baixos enquanto avançavam.
Eu permaneci escondido acima deles, movendo-me silenciosamente pelo topo do prédio, como uma ondulação tênue no espaço. De onde estava, minha percepção já impediu todo o movimento na cidade.
E consegui descobrir coisas bem interessantes.
Camadas de tensão. Movimentos ocultos. Assinaturas silenciosas escondidas em cantos onde não deveriam estar.
E, claro, espiões.
De ambos os lados: Del Rey e Ronic.
Separá-los não foi difícil para mim. As chamas deles entregavam quem eram. Cada clã demoníaco carregava o cheiro da sua própria lei.
Os espiões do Del Rey carregavam sinais de fogo azul, fino, afiado, quase frio. Chama que queima alma. Sua presença provocava uma pontada cada vez que minha percepção passava por eles.
Os espiões do Ronic, por outro lado, tinham um brilho de fogo violeta, denso, corrosivo e voraz. Uma chama que consumia vitalidade juntamente com carne. Mesmo o menor traço dela era fácil de perceber.
A maioria desses espiões achava que estavam bem escondidos. Alguns se escondiam dentro de edifícios. Outros se misturavam às multidões, abafando sua aura quase até desaparecer.
Porém, para mim, tudo se destacava claramente.
As duas figuras humanas e as duas demônias chegaram ao prédio principal, uma grande sala com pilares moldados como faces demoníacas gritando, e azulejos do chão com murais antigos de rituais de sangue. As portas se abriram com um ranger para dentro.
Dentro, a sala estava lotada. Dezena de demônios estavam de pé ou sentados em filas ordenadas. Alguns idosos, outros jovens, alguns armados, outros quase nus, todos irradiando força.
E no fundo…
Um trono feito de pedra vermelha.
Sentado nele, um demônio de meia-idade, com longos chifres vermelhos e olhos ardentes vermelhos. Sua aura era poderosa, mas no fundo ele era apenas um mestre grandioso.
Ao lado dele, uma mulher.
Primus deu um passo ao centro da sala.
Sua voz ecoou clara e forte.
"Mãe. Pai. Eu voltei."
Toda a sala ficou silenciosa.
A demôniaca ao lado do trono foi a primeira a se levantar. Ela avançou como um borrão e o abraçou com força.
"Sentimos sua falta", a mãe de Primus sussurrou, com a voz trêmula, apertando-o com força.
A sala explodiu em comemoração.
Cinco demônios saltaram de suas cadeiras nas Fileiras da Esquerda e Direita. Não correram para perto dela como a mãe, mas levantaram-se abruptamente a ponto de arranhar o chão com as cadeiras.
"Irmão mais velho!" um gritou, mãos trêmulas de surpresa.
"Onde você esteve?" pediu outro, com os olhos molhados. "Você desapareceu anos a fio!"
"Pesquisa em todos os lados, em todos os cantos!" disse uma demônio mais jovem, segurando a borda do banco com tanta força que o chão rachou.
"Você não enviou uma única mensagem!" acusou um demônio alto, embora sua voz estivesse tremendo.
"Deixou o Pai bravo e a Mãe preocupada até não poder mais!" completou o último, com a voz tremendo de alívio e frustração ao mesmo tempo.
A mãe de Primus finalmente o soltou e se afastou, enxugando os olhos. Primus respirou fundo, olhando para cada um dos irmãos—cinco pares de olhos vermelhos, todos fixos nele com desespero, raiva, alegria ou confusão.
Ele deixou escapar um suspiro cansado.
"É… uma história longa."
"Você nos deve uma explicação", insistiu um irmão.
Primus levantou a mão. "Primeiro, preparem uma boa bebida."
Isso surpreendeu alguns com piscadas espantadas.
"Bebida?" perguntou seu segundo irmão. "Você ficou anos fora e agora quer uma bebida?"
Primus deu de ombros. "Confie em mim. Você vai precisar quando ouvir a história."
Uma das demôniascoverriu a boca, como se não conseguisse decidir entre rir ou chorar.
"Você foi capturado?" perguntou outra irmã, com a voz trêmula.
"Ficou encurralado pelos do Del Rey?" exigiu seu irmão mais novo.
Primus balançou a cabeça. "Não. Não eles."
"Então quem?"
Primus fez uma pausa, olhou para Lara e depois voltou aos irmãos.
"Para algumas coisas… tenho respostas."
Apontou para alguns deles. "Para outras… honestamente, não sei."
Os irmãos trocaram olhares confusos.
"O que isso quer dizer?" resmungou um dos irmãos, franzindo a testa.
Primus passou a mão no pescoço. "Exatamente o que parece. Sei onde acabei. Sei quem me ajudou. Mas como cheguei lá, por quê aconteceu… ainda não tenho todas as peças."
Primus apertou Lara com mais força, mas deixou os outros abraçarem e tocarem seus ombros, seus braços, seu rosto, como uma confirmação de que ele era real.
Então, uma voz profunda ressoou.
"Basta."
O demônio no trono levantou-se.
"Isso não é uma reunião de família."
Suas palavras cortaram o silêncio da sala, silenciando a multidão.