Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 617

Meu Talento Se Chama Gerador

A cápsula desacelerou enquanto atravessávamos a atmosfera superior, o vidro escurecendo para proteger os passageiros do brilho intenso.

Abaixo de nós, a superfície de Shenzhou se estendia — torres prateadas altíssimas, pontes flutuantes, rios de essência brilhante correndo como veias pela cidade.

Plataformas aéreas enormes flutuavam preguiçosamente entre arranha-céus, transportando cargas do tamanho de pequenas montanhas. Em todos os lugares, naves se moviam em formação perfeita, guiadas por trilhos levemente fluorescentes que só podiam ser vistos pela percepção de Essência.

"Este lugar..." sussurrou Steve, com os olhos arregalados. "É como se um pouco de fantasia e ficção científica tivessem tido um filho."

Primus riu. "Acostume-se. Você vai ver coisas bem mais estranhas."

A cápsula pousou em um terminal enorme, semelhante a um espaçoporto fundido a um mercado. As portas se abriram e fomos atingidos por uma onda de sons.

Pessoas gritando em várias línguas. Máquinas zumbindo. Motores de essência rugindo.

O próprio terminal era imenso: altos tetos arqueados, runas brilhantes usadas como luzes, telas gigantes exibindo rotas de carga e horários de trânsito. Raças de todos os tipos se movimentavam ao nosso redor, de espíritos-elementais flutuantes a titãs de pele de pedra.

Ficamos próximos, com capas puxadas para frente.

"Para onde agora?" perguntei, ajustando o capuz.

"Para encontrar um velho amigo," respondeu Primus, acenando para nós avançar. "Ele é dono de uma empresa de transporte de cargas aqui. Se alguém consegue garantir nossa passagem segura e seus documentos sem fazer muitas perguntas, é ele."

Seguimos por fora do terminal em direção à cidade aberta.


E o que vimos nos abateu como uma tempestade.

Arranha-céus curvados em direção ao céu, como lâminas polidas. Plataformas flutuantes ziguezagueavam entre eles. Tubos transparentes transportavam cápsulas em velocidades insanas. Ruas no solo estavam repletas de criaturas e máquinas carregando mercadorias, e telas de Essência projetavam mensagens em movimento no ar.

Drones movidos a Essência zumbiam acima de nossas cabeças como besoutes brilhantes, entregando pacotes.

Ao norte, ela desacelerou, com o olhar brilhando. "Está tão... vivo."

"E tão caro," murmurou Steve ao ver várias telas de preços.

Primus riu. "Preços de turista. Você aprende a evitá-los."

Seguimos-no por uma ampla passarela de metal que serpenteava em direção a uma grande zona industrial. Aqui, a cidade se transformava com mais elevadores de carga, máquinas grandes, longas fileiras de hangares com naves entrando e saindo.

Por fim, paramos em frente a um armazém gigante, marcado com sigilos vermelhos que brilhavam fundidos às paredes.

Acima da entrada, uma placa dizia:

JARUL & SONS • CARGA INTERESTELAR • ENTREGA MAIS RÁPIDA EM SHENZHOU

Steve assobiou. "Parece chique."

Primus sorriu. "Ele mesmo colocou isso aí. E ainda é péssimo em slogans. Além do mais, não é a mais rápida."

As portas do armazém se abriram com um sibilo.

Dentro, dezenas de trabalhadores — demônios, nagas e bestas blindadas — moviam caixas com plataformas flutuantes. Motores de essência zuniam enquanto cargueiros eram carregados. Uma figura de chifres se manteve perto do centro, berrando ordens.

Era um demônio: alto, forte, com pele vermelha levemente desbotada pelo passar dos anos. Sua barba longa tinha fios grisalhos. Dois chifres espessos curled back from his head. Seus olhos brilhavam numa tonalidade de laranja suave.

Quando percebeu Primus, ficou boquiaberto.

"Primus? Primus Blood Reaver? Você está vivo?!"

Primus sorriu. "Ainda respirando, velho amigo."

O velho demônio avançou e o abraçou em um estrondo forte, levantando-o do chão.

"Eu achei que tinha morrido naquele caos no seu planeta natal! Toda a rede de comunicação dizia que você tinha morrido ou tinha sido vendido como escravo."

"É uma história longa," disse Primus, batendo nas costas dele. "Mas estou aqui. E trouxe companhia."

O demônio o soltou e finalmente nos observou.

Removemos os capuzes e avançamos.

Os olhos dele se arregalaram.

"...São esses... são esses humanos? Três deles?"

Seu olhar varreu de cima a baixo.

"E por que todos parecem tão calmos?! Vocês os sequestraram? Primus, eu juro—"

Primus rolou os olhos. "Não são cativos. São meus amigos."

O demônio piscou. "Amigos? Humanos?"

Antes que pudesse falar mais, seu olhar caiu sobre mim, na leve poça de energia que parecia exalar, apesar dos meus esforços para escondê-la.

Ele parou, congelado.

Suas narinas se dilataram. Seus olhos se aguçaram.

"...Este... este é perigoso."

Primus sorriu. "Vai lá. Diz."

O demônio estreitou os olhos, deu um passo mais perto e, de repente, recuou dois passos, com o rosto pálido.

"Você—você—transcendente?! Está louco de trazer um transcendente para aqui?! E se alguém ver?! E se alguém scanner?!"

Primus deu de ombros. "Relaxa. Ele é muito educado."

O demônio olhou para mim, completamente desacreditado. "Um transcendente humano. Primus, acho que vou precisar sentar."

Ele se jogou numa caixa de metal e fixou o olhar em mim como se eu tivesse saído de um mito.

"Se espalhar, toda a setor vai pirar. Humanos ainda não chegaram a transcender... nem sei há quanto tempo. Eles simplesmente não existem na nossa galáxia!"

Steve topou o rosto. "Bem... não estamos extintos."

A norte suspirou. "Somos apenas de um canto bem tranquilo."

O demônio ficou boquiaberto, de boca aberta.

Primus bateu nele no ombro. "Velho amigo, precisamos de passagem para casa. Temos que chegar ao meu planeta. Gostaríamos de usar seu portão de teletransporte."

O demônio saiu do susto. "Certo. Sim. Claro. Qualquer coisa que precisar. Mas primeiro—entre no meu escritório. Se alguém te vir ao ar livre, vou me afogar em papelada e assassinos."

Ele se levantou, ajustou as vestes e fez um gesto incisivo.

"Todos! Pausa! Dez minutos! Se alguém perguntar, não estou aqui!"

Seus empregados desapareceram instantaneamente, acostumados às suas manias.

Ele nos guiou até um prédio menor ligado ao armazém. Lá dentro, o escritório era bagunçado, mas acolhedor — mapas, cristais de registros, máquinas meio quebradas e pilhas de lanches espalhadas por todo lado.

Ele se jogou na cadeira, ainda olhando para mim.

"Transcendente. Um humano transcendente. Primus, você tem ideia do tipo de tempestade política que isso pode causar?"

Primus suspirou. "Sim. Por isso estamos de capas."

O demônio esfregou as têmporas. "Você deveria usar dez capas. Talvez uma tampa de caixão."

North riu suavemente. "Ele tem razão. Você é um ímã de desastres ambulante."

"Obrigado," respondi secamente.

Steve deu um cotovelo em mim. "Ela quis dizer de um jeito carinhoso."

Primus clearou a garganta. "Precisamos do seu portão. E de passar discretamente."

"Discretamente?" zombou o demônio. "Com um humano transcendente? Claro, por que não? Talvez na próxima você traga um Eterno algemado."

Eu não respondi.

Ele travou. "Foi uma piada, né?"

Primus tossiu alto. "Foca, Jarul."

Ele tremeu. "Certo, certo. Vou preparar o portão. Mas você fica escondido até lá."

Apontou para mim.

"E você... sem brilho, sem flutuar, sem tempestades de Essência, sem destruir o chão, sem liberar acidentalmente um domínio! Entendido?"

As ajustei. "Vou me comportar."

Ele parecia desconfiado.

"Pelo abismo, vou morrer," murmurou.

Primus riu. "Você vai ficar bem. E, aliás, pode registrar eles também?"

"Registrar? Quer dizer, emitir identidade?" ele perguntou, baixando um pouco a voz para olhar nossos rostos encapuzados.

"Sim," assentiu Primus. Jarul coçou a barba, pensando. "Posso atestar como comerciante, minha ocupação permite, mas o sistema decide o status final, não eu. Se o sistema detectar algo estranho, minha assinatura não vai salvar vocês."

Avancei um passo. "Não se preocupe com o sistema. Não vai ser problema."

Ele olhou de novo para Primus.

"Certo. Posso fazer a solicitação. Mas preciso do planeta de origem para o registro. Onde eu coloco?"

"Na Galáxia Espiral Azul," respondeu Primus casualmente. "Sem planeta de origem."

Jarul piscou. "Sem planeta de origem? Isso é... incomum."

Primus deu de ombros. "São viajantes."

Jarul ficou encarando por um momento, depois soltou um suspiro e assentiu.

"Muito bem. Enviarei exatamente assim. Mas, uma vez no sistema, qualquer coisa estranha será responsabilidade sua."

"Perfeito," sorriu Primus. "É tudo o que precisamos."

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