Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 618

Meu Talento Se Chama Gerador

Assim que terminamos nossos negócios com Jarul, Primus o agradeceu com um aperto de mão firme. Lara, que havia ficado quieta agarrada ao braço do pai o tempo todo, acenou para o velho demônio com um sorriso tímido.

"Se cuida agora, pequena," disse Jarul com calor, dando um tapinha suave na testa dela com o dedo antes de se virar para o resto de nós. "Sua nave vai ficar guardada aqui. Marquei ela com uma permissão estendida, ninguém vai mexer."

"Obrigado," respondi. "Voltaremos para buscá-la quando terminarmos nossas pendências."

Olhei diretamente nos olhos do velho demônio. Primus confiara a ele sua própria vida, dissera que a família de Jarul era uma das ramificações menores ligadas aos Bloodreavers. Então, eu também confiei.

Jarul deu um sorriso lento e firme com a cabeça.

"Vão com segurança," disse. "Shenzhou não é perigosa, mas o universo sim."

Depois soltou um suspiro, passando a mão pela longa barba.

"E quando chegarem em casa, digam ao meu idiota de filho para não se botar em risco. Aquele desnecessário me preocupa mais do que qualquer guerra."

Com isso, deixamos o escritório de cargas e voltamos à rua principal. Nossas capuzes escondiam completamente nossos rostos e corpos, garantindo que ninguém percebesse que éramos humanos.

E agora que caminhávamos pelo coração do planeta, o verdadeiro peso do lugar se revelou.

A multidão era interminável. Cheia de Mestres e Gran-Mestres.

Acima de tudo, telas flutuantes exibiam feeds de notícias em cascata.

Continuamos avançando, nos embrenhando pela multidão agitada.

Lara apertou ainda mais o braço de Primus. "Papai... tanta gente."

"Sei," sussurrou ele, acariciando a cabeça dela. "Fica perto de mim."

Um alerta alto piscou no ar acima de nós na tela aérea.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS: FORÇAS ETERNALS VISTAS NA BORDAR DA NEBULOSA CARMESIM.

Na tela, apareceu uma matriarca naga alta, falando com tom frio e autoritário.

"Urgimos todas as forças aliadas que aumentem os níveis de alerta. Os surtos de Phantoms dobraram. Qualquer avistamento deve ser reportado imediatamente."

North demonstrou preocupação. "Parece que estamos mesmo numa ponta remota do mundo. E aqui, as pessoas estão sempre na corda bamba. Isso é verdade?"

"É," respondeu Primus simplesmente.

Steve soltou um suspiro. "Ora… hora boa pra umas férias."

Demos uma olhada para ele. Ele deu de ombros. "Que? Alguém tinha que falar isso."

Primus deu um sorriso sardônico. "Vamos lá. Próximo destino—'Segredos Matinais'."

"Isso soa tranquilo," disse North.

"Não é," respondeu Primus seco. "É uma guilda de informações."

Enquanto caminhávamos pelas ruas movimentadas, percebi algo imediatamente: todos ali carregavam suas armas despertadas à vista de todos. Espadas, báculos, lanças, até armaduras. Seus postures eram afiadas e tensas, como se estivessem prontos para uma luta a qualquer momento.

Esse lugar não era pacífico. Estava preparado.

Em quase todas as torres, pendiam telas grandes. Cada uma exibia notícias sobre a guerra que se espalhava pela galáxia, Eternal avançando em um quadrante, marés de Phantom surgindo perto de um planeta de fronteira, surtos de aberrações sendo repelidos por frotas aliadas.

As vozes dos repórteres se sobrepunham ao barulho da cidade, criando uma sensação constante de pressão.

Vi mestres andando casualmente, alguns com pouco mais de vinte anos. Isso fez Vaythos parecer uma pequena vila em comparação. A força reunida aqui era avassaladora.

Todas as raças caminhavam pelas ruas—demônios, ferans, nagas, elementais, insetoides, aquas, até alguns titãs de corpos metálicos.

Mas mesmo nesse caldeirão, grupos ficavam próximos de seus próprios semelhantes. Os demônios formavam as maiores multidões, barulhentos e ativos. As nagas andavam de forma diferente, calmas, frias, confiantes. As pessoas se desviavam sem precisar que fosse mandado.

Primus dissera que os demônios eram os mais comuns em Shenzhou. Mas as nagas… eram as mais respeitadas. Ou, talvez, o termo "temidas" seja mais adequado.

Mesmo com os capuzes, sentíamos a intensidade daquele lugar.

Depois de caminhar por várias ruas, finalmente chegamos ao destino.

O prédio era amplo, elegante e tinha formato de triângulo invertido, com símbolos que mudavam continuamente flutuando ao seu redor. Uma placa enorme pairava sobre ele:

SEGREDOS MATINAIS: A VERDADE NUNCA DORME

Por dentro, o ar tinha um cheiro agudo de metal. Dezena de seres sentados em cabines, trocando informações. Alguns sussurravam. Outros discutiam em línguas codificadas. Tablets flutuantes passavam de mão em mão.

Chegamos ao balcão onde um ser alto e bípede, parecido com uma formiga, estava atrás de um console. Seu corpo era obsidiano preto, e as mandibulas clicavam suavemente ao cumprimentar Primus.

"Cliente," o inseto rosnou. "Que conhecimento procura?"

"Armus," disse Primus. "Situação atual. Política, militar, status das clãs."

As antenas do inseto mexeram-se.

"Armus… hm. Assunto perigoso. Vai exigir uma boa quantia em pagamento."

Primus passou a taxa.

A criatura colocou as mãos sobre o console, e dezenas de arquivos holográficos surgiram diante dele. Seus olhos grandes de inseto escaneavam rapidamente.

"Situação: Armus está em guerra. Os Bloodreaver e Del Rey estão em conflito aberto."

Primus se enrijeceu. "Por quê?"

"Uma coisa levou à outra," respondeu o inseto. "Ambos os lados se acusam de assassinar seus candidatos ao trono."

Meus olhos se aguçaram.

"O que você quer dizer?" Primus exigiu calmamente.

A formiga virou lentamente a cabeça em sua direção.

"Afirmam que Primus Bloodreaver e Lana Del Rey foram assassinados… pela família oposta."

O ar congelou.

A mão de Primus tremeu levemente.

"Acham que estou morto," sussurrou.

A formiga piscou, reconhecimento brilhando em seus olhos.

"Ah… entendi," disse com suavidade. "Você é—"

Primus ergueu uma mão com força.

A criatura abaixou a cabeça respeitosamente.

"E quanto à família Ronic?"prosseguiu Primus.

"Neutra," respondeu o inseto. "Mas de olho aberto. Com as duas facções se destruindo, prevêem que a Ronic tomará Armus dentro de um ano."

Primus cerrrou a mandíbula.

"Hm. Entendo," falou em tom baixo.

"Tenha cuidado," alertou o inseto, suas antenas mexendo. "Se voltar para Armus agora… só espera perigo."

Ele pegou um pergaminho cristalino selado debaixo do balcão e entregou a Primus.

"Reuni tudo do último ano," disse. "Registros públicos, movimentos privados, deslocamento de tropas, cada detalhe que nossa rede conseguiu coletar. Se a informação era para ser conhecida ou escondida… tudo está aqui."

Primus aceitou silenciosamente o pergaminho.

"Obrigado por usar nossos serviços," finalizou o inseto, inclinado a cabeça. "E… boa sorte. Vai precisar."

Primus acenou uma vez. "Obrigado pelo aviso."

Nosso próximo destino era o centro de teletransporte.

A estrutura era imensa, como uma torre de vidro preto, rodeada por banners flutuantes exibindo horários de partida.

Milhares de pessoas entravam e saíam. Funcionários de segurança verificavam permissões na entrada.

Primus entregou nosso cartão de permissão ao guarda.

"Aprovado. Podem seguir," disse o guarda.

Dentro, o hall principal era um estrondo: seis portões circulares colossais, cada um soltando jorros de Essência brilhante enquanto multidões atravessavam.

Comunicados ecoavam constantemente.

"Somos nós," disse Primus, apontando para um dos portões.

Caminhamos em direção ao Portão Um.

Milhares de seres se dirigiam ao portão, suas capas agitadas, armaduras vibrando, asas se fechando, caudas balançando.

E, finalmente—

Entramos na luz do teletransporte.

A Essência girava ao nosso redor.

O mundo se curvou.

E o universo mudou enquanto deixávamos Shenzhou para trás… rumo direto a Armus.

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