
Capítulo 599
Meu Talento Se Chama Gerador
Finalmente, o senhor falou, sua voz suave, porém firme.
"Qual é o seu nome?"
O garoto levantou novamente a cabeça, encarando a cadeira com uma expressão desafiadora, como se nada na sala pudesse intimidá-lo.
"Theras," respondeu.
Os dedos do senhor batiam uma única vez no braço da cadeira. "Qual é o seu sobrenome?"
"Nenhum," Theras respondeu, com o rosto completamente impassível. Sem hesitação, sem emoção.
"E o que você mais gosta?"
"Minha espada."
Seu tom nunca mudou. Era uma verdade simples para ele, não orgulho ou arrogância.
"Quem é a pessoa que mais admira?" o senhor perguntou a seguir.
"Nenhuma."
Observei-o cuidadosamente. Cada resposta foi curta, direta e honesta. Não havia medo nele, nem confusão, nem vergonha. Apenas clareza.
Uma das figuras sentadas abaixo inclinou-se levemente para frente. "Ouvi dizer que você foi capturado várias vezes. Sempre causando confusão. Por quê?"
Theras não piscou. "Não gosto de ser insultado."
"Por que alguém iria insultá-lo?" o senhor perguntou com um toque de curiosidade.
"Não tenho sangue puro."
"Isso é ruim?"
"Foi isso que entendi."
"Mas você não acredita nisso?" o senhor insistiu.
Theras inclinou um pouco a cabeça e, pela primeira vez, uma pontada de sorriso quase imperceptível apareceu nos seus lábios.
"Por quê eu deveria?"
"Porque todo mundo acredita nisso," respondeu o senhor.
Theras soltou uma risada suave.
"Ainda não provaram isso pra mim," disse. "Todos aqueles que disseram isso na minha frente já testaram minha espada… e poeira."
O senhor respondeu com um som suave, uma reflexão longa que silenciou toda a sala.
"Chame o Jagur," ordenou.
O mesmo homem que havia desaparecido antes voltou a desaparecer. E, ao retornar, outro garoto estava ao seu lado.
Seu corpo era turvo, como os demais, mas dava para perceber que tinha a mesma idade de Theras.
O garoto olhou para cima, notou a cadeira e imediatamente curvou a cabeça.
"Pai," disse.
Então, aquele era o filho do senhor.
"Jagur," falou o senhor calmamente, "o garoto atrás de você não tem sangue nobre. Ele acha que não somos nobres. Por que você não mostra a ele por que você é melhor?"
Um leve tremor percorreu a sala, mas ninguém reagiu. Ninguém se moveu sequer.
Jagur levantou a cabeça lentamente e virou para encarar Theras. Não consegui enxergar sua expressão exata por causa do turvo, mas sua postura transmitia claramente: ele não tinha medo e tampouco sentiria pena.
Theras ainda não demonstrava reação alguma. Simplesmente moveu o olhar do senhor para Jagur, com a estabilidade de quem está entediado.
"Eu sou Theras," disse, como se estivesse se apresentando antes de uma batalha simples.
Jagur não respondeu. Em vez disso, levantou a mão e convocou uma espada.
A voz do senhor ecoou pela sala.
"Duelos de morte. Prove quem é melhor."
Cada cabeça virou para ele. Algumas auras piscaram, como se algumas delas quisessem protestar, mas ninguém teve coragem. A sala permaneceu em silêncio absoluto.
Senti-me inclinar para frente sem perceber.
Theras não hesitou. Não questionou. Não questionou.
Simplesmente segurou na empunhadura de sua espada nua, levantou com confiança e apontou a lâmina diretamente para Jagur.
Não havia medo nele.
Apenas uma aceitação calma, quase como se fosse algo que acontecia com ele todos os dias.
Observei os dois avançando em direção ao centro da sala. O grupo de silhuetas turvas se inclinou para frente, com as auras se tensionando de expectativa. A atmosfera estava tão pesada que, mesmo sendo apenas um espectador preso nesta visão, senti o peito apertar.
Jagur levantou a espada, que brilhava suavemente com uma aura azul. Assumiu uma postura de batalha. Sua confiança se via na maneira como recuou o pé, como endireitou os ombros.
Theras, por outro lado, simplesmente segurou sua espada branca ao lado do corpo. Sem postura de combate, sem adornos. Seus cabelos brancos e bagunçados balançavam um pouco enquanto ele inclinava a cabeça, estudando Jagur como quem observa uma árvore balançando ao vento.
O senhor levantou a mão e a abaixou.
Jagur foi o primeiro a agir.
Correu com velocidade acelerada, sua espada vibrando ao cortar o ar. Sua aura aumentou, afiada e agressiva, claramente tentando derrubar Theras com um golpe só. O garoto atacou, mirando direto no pescoço de Theras.
Theras deu um passo para a esquerda. Apenas um passo. A lâmina passou longe.
Antes que Jagur pudesse se recuperar, Theras girou o pulso e tocou a lateral da espada de Jagur com uma gentileza surpreendente. Mas o toque leve foi tão preciso que a arma de Jagur saiu do caminho, sendo empurrada com força que o fez cambalear para frente.
Jagur rangeu os dentes, girou o corpo e lançou outro ataque, desta vez mais rápido. Sua espada cortou à esquerda, depois à direita, e caiu novamente com uma sequência de golpes fechados, querendo sobrecarregar Theras.
Theras defendeu cada golpe com movimento mínimo. Sua espada quase não fazia som. Era como ver o vento desviando a água. Cada tentativa de Jagur era guiada para longe, dissolvida ou simplesmente evitada.
Nos olhos de Theras, não havia brincadeira.
Jagur ruou e avançou com toda energia, sua aura explodindo violentamente.
Theras entrou na luta.
Sua espada passou por cima da guarda de Jagur antes mesmo dele compreender o que acontecia. A lâmina nua perfurou o peito de Jagur, deslizando direto até o coração, com um som limpo e silencioso.
Assisti Jagur congelar, os olhos arregalados de choque. Theras não torceu a lâmina. Não falou nada.
Ele apenas segurou o garoto na posição, por um único sopro, e então puxou a espada de volta. O corpo de Jagur caiu aos seus pés como se toda força tivesse sido drenada dele.
O salão ficou em silêncio. Mas ninguém se mexeu para ajudar Jagur. Apenas Theras levantou a espada, deu um golpe rápido para tirar o sangue, e depois a colocou de volta na bainha.
O corpo de Jagur tremeu no chão. Ele inclinou a cabeça na direção do senhor. Abriu a boca, uma gota de sangue escorrendo enquanto tentava falar.
"Pai," gaguejou.
Porém, o senhor permaneceu imóvel. Não respondeu. Ainda assim, assistiu enquanto os olhos de Jagur rolavam para trás e sua luz se apagava lentamente.
Depois, voltou sua atenção para Theras.
"Como você se sente?" o senhor perguntou.
Theras elevou um pouco o queixo. "Forte," respondeu.
"A luta foi divertida?" o senhor continuou, com voz calma, quase curioso.
"Ele era fraco demais," disse Theras.
O senhor o estudou por um momento antes de falar novamente. "Ouvi dizer que você despertou um talento há uma semana."
"Sim."
"Qual é?"
"Não entendo," Theras respondeu. Seu tom não carregava vergonha. Era uma verdade simples, tão natural quanto dizer a cor do céu.
O senhor assentiu lentamente, como se essa resposta lhe desse mais satisfação do que qualquer outra.
Então, levantou-se do trono. A sala reagiu instantaneamente, todos se levantaram com ele.
"Nos encontraremos novamente," disse o senhor, fixando o olhar no garoto.
Seu corpo se dissolveu em luz ao desaparecer, primeiro uma suave luminescência, depois faixas brilhantes que se apagaram lentamente. Por um momento, só silêncio.
Então, sua voz ecoou de todos os cantos, profunda e autoritária, como se o próprio reino a carregasse.
"Que os Sete Reinos saibam que adotei um filho e que seu nome é Theras Prime."
O eco percorreu cada canto da sala até desaparecer lentamente.
E todos os olhares se voltaram para o garoto ali, em cima do corpo de Jagur.