Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 542

Meu Talento Se Chama Gerador

[Perspectiva de Norte]

"Encontrei-os", ele disse suavemente, fixando o olhar em mim.

Antes que eu pudesse responder, o mundo se embaralhou em raios de cores.

Percebi que ele se movia em uma velocidade tremenda, mas nenhuma brisa tocou meu rosto. O ar ao nosso redor permanecia imóvel, completamente sob seu controle. Apertei um pouco os braços para sentir o calor constante do corpo dele contra o meu.

Então, tão repentinamente quanto começou, o mundo voltou ao foco.

Ele aterrissou suavemente, quase sem som, no meio de uma floresta densa. Sem sinais de civilização, apenas árvores infinitas e o som tênue de vida sob a terra.

"Só um instante", murmurou, batendo levemente o pé no chão.

Uma ondulação se espalhou, sutil à princípio, depois poderosa. A terra respondeu à sua vontade. Observei, sem palavras, enquanto árvores começavam a se dissolver em partículas finas, suas raízes se desfazendo em pó. A grama, as pedras, até a terra solta, tudo se desintegrava em ondas até formar uma clareira ampla ao nosso redor.

Ele olhou para trás, piscou e lançou um sorriso enigmático.

"Fica aí que eu já volto."

E então, desapareceu, tão rápido que parecia que o mundo tinha piscado.

Respirei lentamente e fechei os olhos.

Sabia que havia uma enorme distância entre nós. Sempre houve. Ele era algo totalmente diferente, uma anomalia que quebrava todas as regras existentes. Mas eu tinha aceitado isso há muito tempo.

Levantei a mão, chamando a Essência no ar. O vento se agitou, circulando ao meu redor, carregando o som tênue de poder. Minhas duas lâminas se materializaram na minha mão.

Olhei para elas silenciosamente. As lâminas brilhavam, afiadas o suficiente para dividir o ar. Era isso que eu desejava: ser como elas. Precisa. Implacável. Inflexível.

Para cortar tudo pelo caminho. Até minha própria hesitação. Até minha fraqueza.

Respirei e avancei, deixando o som da floresta preencher o silêncio ao meu redor. As lâminas zuniam suavemente na minha mão, uma névoa verde tênue traçando suas arestas. Comecei devagar, depois mais rápido.

O ritmo veio naturalmente. Passo, giro, corte, respiração. De novo e de novo. As sombras tremulavam a cada movimento, seguindo os rastros das minhas lâminas como se o próprio mundo se curvasse ao seu percurso.

Pensei no que aconteceu na capital de Peanu. A capital foi um mar de gritos e luz por algumas horas, e então… silêncio. Milhões de vidas desaparecidas num instante. Nem ao menos tiveram força para se defender ou reclamar do que fizeram com elas.

Alguns morreram lutando. A maioria nem entendeu o que acontecia.

A terra rachou sob meu pé enquanto rodava e cortava o ar, o vento uivando com meus movimentos.

Era assim que o mundo que vivíamos funcionava. Os fortes lutavam, e todos os demais pagavam o preço.

E isso era o que eu queria mudar.

Não com súplica. Nem esperando que alguém mais forte me protegesse. Mas me tornando tão poderosa que eu mesma fosse a protagonista dessas guerras.

Talvez por isso eu desejasse poder. Para ter a liberdade de dizer não quando os grandes jogos começassem, de sair se quisesse, e ser forte o bastante para que, se eu entrasse na jogada, minha escolha tivesse peso.

Olhei para as minhas mãos. As lâminas verdes refletiam a luz, e meu rosto tremia no metal.

Lembrei de como Billion tinha acertado o Fantasma Transcendente, aquele golpe único que fez a criatura voar como um meteoro, aquele clarão violeta que rachou o céu. Assisti aquilo e pensei: poderia ser eu. Ser o tipo de pessoa cuja ação mudasse o jogo.

Ele não esperou por permissão. Entrou e quebrou as regras. Essa imagem ficou gravada em mim.

Apertei os punhos e me movi novamente, as lâminas zunindo na minha mão. O tempo passou em acordes e respirações. Depois de quase dez minutos, Billion voltou a pousar diante de mim.

Ele não estava sozinho. Atrás, quase quarenta pessoas pendiam no ar como estátuas congeladas, homens e mulheres presos em blocos de gelo.

"Quem são eles?", perguntei, olhos dilatados.

Ele sorriu um pouco. "Estão todos no nível 199. E não se preocupe, escolhi os piores de Peanu. Se ajudar, pode chamá-los de aberrações." O tom dele era meio brincadeira, meio sério.

Ele deu de ombros e balançou a cabeça. "Não quero que minha mulher carregue isso se não precisar. Enfim, vamos começar. Como você quer fazer?"

Olhei para as figuras congeladas, depois para a clareira aberta. Já tinha feito quatro das doze; oito ainda por fazer. Quarenta alvos à minha escolha. Parecia um luxo e uma responsabilidade ao mesmo tempo. Não queria desperdiçar a oportunidade que ele me deu.

"Divida-os em cinco grupos de oito", eu planejava na cabeça. "Posicione cada grupo a uma distância razoável um do outro. Quero espaço para me mover, para ganhar ritmo. Os quatro primeiros grupos são treino, pegar o timing, aperfeiçoar o golpe. O quinto grupo é a corrida final. Se não terminar nos quatro primeiros, termino no quinto."

Billion assentiu e estalou os dedos.

Os blocos de gelo deslizaram e se reformaram no chão, cada uma formando uma formação como soldados em filas. O frio cortava o ar, mas a clareira agora parecia ordenada, moldada pelo meu plano.

Respirei fundo. Cada ataque tinha que ser preciso, sem dano colateral, sem dúvida. Eu ataria os ataques, entraria na hiperzona, cortaria o coração, avançaria. Precisão, velocidade, controle. Era essa a única maneira.

"Não vai libertá-los?" perguntei.

"Não. Sua missão não dizia que eles tinham que estar em movimento", ele respondeu. "Se estiverem presos em gelo, você precisa perfurar a casca e atingir o coração limpidamente, sem quebrar mais nada. Você tem a habilidade para isso. Pronta?"

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