Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 541

Meu Talento Se Chama Gerador

— Certo, certo — balancei as mãos em sinal de rendição. — Não é que eu não queira ajudar você. É só que… uma coisa atrás da outra acabava surgindo, e eu não tinha chance de focar em vocês. Enfim, primeiro me diga, quais são suas missões?

Steve olhou para North e disse: — Você começa.

Ela assentiu, respirou fundo e respondeu: — Chama-se Morte Corajosa. Tenho que eliminar doze humanos de nível 199, acertando o coração deles. A causa da morte precisa ser apenas a destruição do coração — nada de acidentes, danos colaterais, ou qualquer outra coisa.

Encostei os olhos, surpreso com a formulação. — Espere, realmente está escrito “humanos”?

Ela confirmou, com expressão séria.

— Como está o progresso até agora? — perguntei.

— Apenas quatro de doze — admitiu. — É mais difícil do que parece. Você tem que controlar cada golpe com perfeição, para que nada mais os mate antes. E encontrar humanos de nível 199 dispostos a lutar até a morte… aí é outro problema.

Assenti lentamente. A missão era brutal, mas não impossível. Ia mexer com a precisão, o controle e a resistência dela — todas características que combinavam com seu estilo de combate.

Voltei-me para Steve e indiquei que fosse a próxima.

Ele sorriu, alongando os braços atrás da cabeça. — A minha chama Repetição Abissal. Tenho que ativar minha habilidade Abismo Severança um milhão de vezes.

Fiquei encarando, surpreso. — Um milhão de vezes?

— Sim — respondeu orgulhoso, como se esse número absurdo fosse uma conquista em si.

— Caramba — murmurei, balançando a cabeça com um risinho. — Parece que o sistema está tentando te impedir de subir de nível até o século que vem.

Steve riu. — Ei, repetição constrói maestria. Quando acabar, eu provavelmente vou atravessar o próprio tempo.

— É — sorri sarcasticamente — ou sua esperança de vida.

North suspirou, sorrindo parcialmente na nossa conversa. — Então — ela disse, virando-se para mim — já ouviram os nossos. Agora, qual é o seu plano?

Cssei o queixo por alguns segundos, pensando bem, e depois olhei primeiro para ela.

— O seu deve ser mais fácil — disse. — Estamos em Peanu, um mundo com bilhões de pessoas. Encontrar humanos de nível 199 não é difícil. O verdadeiro problema é velocidade. Você precisa terminar sua missão antes que acabem os maus a serem derrotados. Mas, se isso acontecer, eu ainda posso ajudar vocês a subir para o nível 199 eu mesmo.

North me encarou, respirou fundo e assentiu com firmeza. — Certo — afirmou em voz baixa.

Depois, virei-me para Steve. — A sua, por outro lado, é bem difícil. Quantas vezes consegue ativar o Abismo Severança agora? —

— Duas por minuto — respondeu. — E isso já está no limite, me consome totalmente.

Assenti, já calculando mentalmente. — O esgotamento não é um grande problema. Posso ajudar nisso facilmente. O problema real é sua velocidade. Duas por minuto é muito pouco. Você precisa chegar a pelo menos trinta ativações por minuto para terminar em um mês, assumindo que treine sem parar, com poucas pausas.

Steve arregalou os olhos. — Você tá maluco? — zombou. — De duas pra trinta? Nem todo mundo é uma calculadora ambulante como você.

— Eu sei — respondi calmamente — mas até um mês pode ser tarde demais para gente, considerando o que vem vindo.

Ambos me olharam com expressões sérias. — Que situação? — perguntaram de conjunto.

Então, contei tudo a eles — sobre a Runas de Gênesis, a possibilidade de ela ser real, os Ferans a caminho, e meu plano de deixar aquele lugar depois disso. De ir além do nosso mundo, rumo ao centro do poder na nossa galáxia.

— Então, precisamos terminar suas missões e colocar vocês dois na classificação de Grande Mestre. Se a Runas de Gênesis for real, ou mesmo que não seja, tudo que estiver ali ainda vai nos ajudar. Pelo que calculei, vai levar pelo menos uma semana de viagem até lá. Steve, você pode continuar treinando pelo caminho, mas North, terá que concluir sua missão antes de partirmos.

A expressão de Steve ficou séria. — Mas eu não consigo ativar trinta vezes por minuto, mesmo que você cuide do meu cansaço.

Assenti. — É, esse é o problema de verdade. Mas já pensei em duas possíveis soluções para ajudar você.

Primeiro, vamos desmembrar sua habilidade e reduzir ela à sua função principal. A missão só diz para ativar, não especifica o resultado. Se apenas ativarmos a habilidade, sem usar sua forma completa, talvez você consiga contar como uma.

Seus olhos se arregalaram e ele sorriu. — Droga, por que não pensei nisso antes?

— A segunda — continuei, levantando-me — é algo que vai precisar de uma ajudinha para ser ajustado direito.

Fechei os olhos e murmurei: — Lyrate.

Uma névoa carmim saiu do meu núcleo, girando e condensando-se em forma. Lyrate apareceu com sua elegância habitual, olhos varrendo ao redor até fixarem em North.

North se levantou instintivamente, o olhar endurecendo como se confrontasse uma rival. O clima entre elas ficou carregado.

— Lyrate — cortei a tensão — tenho uma missão para você.

— Tô ouvindo — ela respondeu, sem desviar o olhar de North.

— Quero que analise a habilidade do Steve, Abismo Severança, e o ajude a ativá-la o máximo de vezes possível por minuto. Além disso, cuide do cansaço dele e da recuperação de Essência enquanto estiver nisso.

Por fim, ela virou-se para Steve, um sorriso discreto nos lábios. — Até onde posso empurrá-lo?

— Quase na morte — respondi, sorrindo de volta.

Steve congelou, olhando entre nós três. — Espera, o que—

Bati forte no ombro dele. — Você vai ficar bem. Faça o seu melhor. Tenho certeza que consegue.

O olhar de Lyrate cintilou em vermelho por um momento, e eu já sentia a Essência ao redor dela mudando enquanto se preparava.

Antes que Steve pudesse protestar, virei-me para North, puxei ela para um abraço rápido e sussurrei: — Vamos terminar sua missão rápido. Nos reuniremos assim que a sua estiver concluída.

Sorrindo levemente, deixei minha Essência fluir. O chão sob meus pés rachou ao me impulsionar para cima, emergindo como um raio violeta.

A capital destruída ficava para trás, o horizonte se estendendo vasto e vazio.

Enquanto voava pelo céu com North nos braços, estendi minha Psynapse e conectei ao núcleo do mundo de Peanu.

No começo, apareceram dezenas, depois centenas. Algumas em cidades, outras em florestas ou ilhas remotas.

Quando a varredura cobriu todo o mundo, já tinha marcado o suficiente para North completar sua missão.

Abraços meus olhos e olhei para baixo. — Encontrei — sussurei suavemente.

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