
Capítulo 540
Meu Talento Se Chama Gerador
Chegamos em Peanu e levamos nossos prisioneiros diretamente ao acampamento temporário que havíamos construído perto da capital arruinada. Os danos ainda eram recentes: crateras, torres queimadas, e ruas inteiras reduzidas a poeira cinza. O perfume de terra queimada ainda pairava no ar.
Odin parecia horrorizado enquanto caminhava ao meu lado, com os olhos arregalados diante da destruição ao nosso redor. "Você... fez isso?" ele perguntou lentamente, a voz tremendo entre a descrença e o choque.
Balancei a cabeça. "Não. Eu te avisei antes, ele era um traidor. Houve um ataque de um Fantasma."
Odin parou por um momento. Sua expressão ficou rígida, e então ele desviou o olhar, claramente abalado. Não o culpo. Poucos seres já tinham visto um Fantasma e vivido o suficiente para contar a história.
Dante liderou o Imperador e os outros capturados em direção ao salão onde ocorreria a negociação. Eu fiquei para trás, minha mente já longe dali. Preciso encontrar North e Steve. Queria que eles me acompanhassem até o local marcado.
Enquanto elevava voo, meus pensamentos ficaram inquietos. Segundo os Ferans, a escolta deles deveria aterrissar em Peanu e encontrar Saturn aqui, mas Saturn estava morto, e os Ferans definitivamente não tinham fama de paciência.
E se eles já soubessem onde estava a Runas de Gênesis? E se esse "Carniceiro" tivesse decidido pular as formalidades e fosse lá pessoalmente? Esperar aqui poderia só desperdiçar tempo que não tínhamos.
Voei sobre as ruínas da cidade, inspecionando as ruas destruídas abaixo até finalmente avistar Steve e North em uma espécie de batalha de treinamento, numa antiga praça. O chão ao redor deles estava rachado, mas eles pareciam nem se importar.
North se moveu primeiro. Suas duas lâminas brilharam com uma luz verde tênue enquanto sua silhueta se confundia, desaparecendo por um instante antes de reaparecer bem atrás de Steve. Uma lâmina seguiu em direção à sua coluna, enquanto a outra cortava procurando seu pescoço.
Mas Steve já tinha desaparecido. Seu corpo piscou pra frente num raio de luz, esquivando-se por pouco de ambas as lâminas.
North não hesitou, seu corpo piscou novamente, mais rápido desta vez, reaparecendo exatamente atrás dele na mesma posição perfeita, com as lâminas cortando em direção aos mesmos pontos fracos de antes.
"Droga," bufou Steve, movendo-se lateralmente numa fuga rápida. Mas antes que seus pés tocassem o chão, North já estava lá de novo, com movimentos surpreendentemente fluidos, como se tivesse previsto todos os seus movimentos antes mesmo de ele fazê-los.
Observando-a, finalmente entendi o que ela fazia.
Ela não usava apenas velocidade, ela encadeava a Lei do Momentum com a arte do Corte Oculto que Dante lhe ensinara, usando cada movimento para acelerar o próximo. Cada mudança, cada respiração, construía sobre a anterior, aumentando sua velocidade até suas ataques parecerem uma tempestade de luz e aço.
Steve finalmente perdeu a cabeça. "Estouro de Velocidade!" gritou, seu corpo desaparecendo numa explosão violenta de Essência ao reaparecer bem longe do alcance de North.
North parou no meio do movimento, respirando fundo enquanto baixava as lâminas. A luz verde tênue desapareceu enquanto ela se acalmava, o suor reluzindo na testa.
"Vinte e um consecutivos," disse Steve, ainda recuperando o fôlego. "Isso é insano. Por quanto tempo consegue manter essa sequencia?"
"Vinte e quatro é meu limite atualmente," respondeu North, apoiando as mãos nos joelhos. "Entrar nesse estado de hiperzone cansa muito o corpo. Quando forçar demais, tudo desacelera de novo."
"Já é mais do que suficiente para um Mestre," falei, descendo suavemente atrás de North.
Ela se assustou e se virou rapidamente, suas lâminas ainda emitindo uma leve vibração de Essência.
"Oi, linda," sorri, com um sorriso maroto.
"Quando... quando você chegou? Não senti você de jeito nenhum," ela perguntou, ainda surpresa.
"Agora há pouco," respondi, sorrindo de canto. "Mas se você tivesse sentido minha presença, eu começaria a duvidar das minhas habilidades de disfarce, sabe?"
Steve resmungou de perto. "Pois é, lá se vai meu treino," ele disse e se jogou no chão rachado, de braços abertos.
Ignorei-o e me aproximei de North.
Ela ainda respirava ofegante da luta, com alguns arranhões visíveis nos braços. Estendi a mão e toquei suavemente seu ombro. Uma luz verde se espalhou de minha mão enquanto ativava a Extração Verdejante, canalizando vitalidade para o corpo dela. Seus ferimentos se fecharam, e a tensão em seus músculos se aliviou instantaneamente.
"Uau, que sensação boa," ela disse, soltando um suspiro de alívio. Então, sem hesitar, ela se deu na ponta dos pés e deu um beijo suave nos meus lábios.
"Droga, meus olhos!" gritou Steve dramaticamente de trás, caindo de costas no chão rachado, com os braços espalhados.
Ignorei-o e me aproximei mais de North.
A respiração dela ainda estava acelerada da luta, com alguns riscos visíveis nos braços. Toquei seu ombro delicadamente. Uma luz verde se espalhou de minhas mãos enquanto ativava a Extração Verdejante, enviando vitalidade para ela. Seus ferimentos se fecharam e a tensão se relaxou de vez.
"Nossa, que alívio," ela disse, suspirando profundamente. Então, sem pensar duas vezes, ela se colocou na ponta dos pés e colocou um beijo suave nos meus lábios.
"Droga, meus olhos!" Steve gritou dramaticamente de trás, jogado no chão.
"Você devia tomar cuidado, North," falei sério, apontando por cima do ombro dela. "Tem uma criança aí atrás."
Ela riu, balançando a cabeça, e os dois caminhamos até onde Steve estava estendido. Eu sentei ao seu lado, enquanto North se acomodou ao meu lado, os três finalmente aproveitando um momento de calma entre as ruínas.
"Então, me conte, o que está acontecendo?" perguntei, olhando alternadamente para Steve e North.
Nenhum deles respondeu. A calma durou o suficiente para eu franzir o cenho.
"Ei... o que aconteceu?" insisti novamente.
Steve suspirou, passando a mão pelos cabelos. "O que está acontecendo é que vocês estão crescendo rápido demais pra gente acompanhar, é isso."
Pisquei surpreso. "O quê?"
Ele olhou pra mim com uma expressão seca. "Ainda estamos presos nas nossas missões de promoção, e você—" ele apontou para mim, exasperado, "—provavelmente já terminou até a próxima missão, né?"
Eu tossi leve, coçando o pescoço. "Uhm... sim."
Ele revirou os olhos tão forte que achei que iriam ficar presos. "Exatamente. Ainda não somos Grandmaster, e você já está na trilha de se tornar o primeiro na história a alcançar o Rank Transcendente. Sabe como isso soa de ridículo?"
Não respondi. Em vez disso, olhei para North, que sorria suavemente, com expressão calma apesar da frustração do Steve.
"Não se preocupe comigo," ela disse. "Não ligo para o ritmo. Segundo Dante, pessoas como você são raras, ele chamou de aberrações da natureza. Na verdade, a palavra exata que ele usou foi 'falha' no universo."
Steve bufou com isso, mas North continuou, com uma tonalidade leve.
"Minha mãe ainda é uma Mestre. Meu avô alcançou Grandmaster aos quarenta anos. Meu irmão treina com Dante há anos e também ainda está na categoria de Mestre. Então, na real," ela sorriu de leve pra mim, "estou indo bem."
Sorri de volta. Não havia inveja ou frustração em seus olhos, apenas afeto. Mas antes que eu pudesse apreciar o quanto ela era compreensiva, ela falou de novo, com a voz de repente mais afiada.
"Mas," deu uma olhadinha rápida, os olhos estreitando, "isso não quer dizer que você pode sair na frente e nos deixar para trás. Você prometeu que nos levaria junto. Então, se vira e arruma uma solução, ou esquece de deixar o nosso mundo. Nunca vamos te perdoar, e nunca vamos te deixar partir."
Fiquei mudo, surpreso com a mudança repentina.
Steve pulou na conversa, concordando. "É isso aí. Você falou que tinha um plano, né? Então, mostra aí."
Suspirei, passando a mão na cabeça, enquanto ambos me olhavam esperando alguma resposta. Por um momento, parecia que eu não estava conversando com amigos, mas sendo interrogado por dois ladrões.