Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 539

Meu Talento Se Chama Gerador

Dei uma última olhada nele, depois levantei a mão em direção ao céu. A colossal palma de relâmpagos obedeceu ao meu gesto, afastando-se da cidade até pairar além da fronteira da capital.

Então, com um movimento de pulso, deixei-a cair.

BOOM!

Quando a neblina se dissipou, uma cratera jazia onde a palma tinha tocado o chão. Era colossal, profunda o bastante que o fundo não podia ser visto, suas bordas ainda brilhando, a terra queimada de preto pela eletricidade.

Virei-me novamente em direção à capital, uma última vez, e então atingi o céu com um salto.


*****

Estava de volta dentro da nave de Dante enquanto ela cortava o espaço sombrio. O zumbido dos motores enchia o silêncio, firme e constante. Conosco, presos em células de contenção, estavam o imperador de Sukra, seus grandes mestres e os três Ferans capturados.

Dante e eu estávamos na sala de controle. Através do domo de vidro à nossa frente, um planeta vermelho-acinzentado enorme passava, morto, seco e rachado como uma pedra antiga. Não havia sequer um vestígio de azul em lugar algum.

Dante quebrou o silêncio primeiro. "O que foi aquilo lá atrás, garoto?" Sua voz era calma, mas percebia-se certa preocupação.

"Nada demais," eu disse, apoiando-me no console. "Só queria acelerar a negociação."

Ele exalou fundo e balançou a cabeça. "Achei que seu poder estivesse começando a subir à cabeça."

Franzi o cenho. "O que você quer dizer com isso?"

Dante se virou para mim, seu sorriso usual desapareceu. "Você fez uma cena dessas, ameaçando destruir toda uma capital com a sua mão. Você acha que é invencível só porque sua Essência se adapta à sua vontade? É assim que a confiança excessiva mata gente como a gente."

Olhei para o lado, mas ele continuou, a voz firme.

"Você ficou forte, Billion. Não vou negar. Mais forte do que qualquer um que eu já tenha visto crescer tão rápido. Mas este universo é um lugar enorme. Existem seres lá fora que nem precisam levantar a mão para apagar tudo o que você é. Alguns nem se importam com suas leis ou seu talento, eles simplesmente existem acima de tudo."

Ele fez uma pausa, teclando na mesa de controle. "Quando você começar a achar que ninguém pode tocar em você, é aí que você para de aprender. E quando para de aprender, morre."

As palavras dele ficaram no ar. Não respondi imediatamente. Meu reflexo me encarava do vidro.

"Sei que o método foi um pouco extremo," finalmente disse. "Mas, se eu não fizer eles me temerem, não vão me ouvir. Infelizmente, eles só entendem força."

"Verdade," disse Dante calmamente. "Mas há uma diferença entre demonstrar força e se tornar imprudente. Você pode ser a lâmina mais afiada do mundo, mas se balançar sem direção, acaba se cortando."

As estrelas à nossa frente se transformaram em linhas ao o avião entrar na velocidade da luz.

Dante lançou mais um olhar para mim. "Lembre-se disso, garoto. Quanto mais alto você for, menores suas vitórias parecerão. Lá fora, alguém sempre está de olho, mais forte, mais velho, esperando o momento de você escorregar."

Olhei para o homem disfarçado e assenti rapidamente.

Minha mente voltou ao que tinha acontecido mais cedo.

Meu jeito de fazer as coisas sempre foi simples: martelar, crescer e seguir em frente.

Não sou do tipo que gosta de assustar pessoas inocentes. Observar o medo na capital não me deu satisfação. Mas o que realmente me animava… era a ideia do que eu poderia fazer.

Aquele momento em que criei a tempestade, quando o céu obedeceu e os relâmpagos se curvaram ao meu comando, isso era outra história. Poder daquele tipo, bruto e sem amarras, tinha seu próprio tipo de emoção.

A técnica que usei nem estava completamente concluída.

Era uma nova habilidade que vinha construindo aos poucos, fruto da minha compreensão da Lei da Convergência Elemental.

Ela consumia quase setenta por cento da minha Essência para ser formada, então cada uso tinha que valer a pena. Combinei meu entendimento de múltiplos elementos, forçando-os a cooperar sob uma única vontade, e usei meu controle sobre o espaço para manter tudo oculto, até dos sentidos do Dante.

Não era apenas uma demonstração de força; era um teste de controle.

A fusão de Essência, relâmpagos e espaço em uma estrutura perfeitamente equilibrada, uma tempestade que poderia destruir uma cidade, mas que permanecia silenciosa até eu desejar movê-la.

E eu ainda não a havia aperfeiçoado.

Esse pensamento acelrou meu coração. Se isso que eu podia criar enquanto ainda experimentava, então o que aconteceria quando eu dominasse de verdade ou quando subisse de nível?

Respirei fundo lentamente, meus olhos fixos na luz das estrelas lá fora. O universo era vasto, e havia seres mais fortes que eu, como disse Dante, mas isso não me incomodava. Só significava que tinha mais a aprender, mais a conquistar, mais a construir.

— E qual é o plano? — perguntei, virando-me para Dante enquanto as estrelas passavam velozes pelo visor.

— Deixamos esses caras em Peanu para o Imperador cuidar — ele respondeu calmamente, com as mãos para trás. — Depois, levamos os Ferans e seguimos direto para o ponto no mapa.

Franzi levemente o rosto. — Mas aquele lugar é bem longe. Sua nave consegue alcançar aquela região?

Ele sorriu, com um traço de orgulho na voz. — Claro que consegue. Esta nave já cruzou regiões piores que aquela. E, como temos os Ferans, eles podem nos ajudar a localizar as coordenadas exatas. Se a runa do Gênesis realmente estiver lá, nem vamos precisar da ajuda deles; os sinais vão se revelar por si só.

Encostei-me no console, meus pensamentos acelerados. — Quando os Ferans vão chegar?

A expressão de Dante mudou, a brincadeira desaparecendo. Ele olhou para a imensidão escura lá fora, como se esperasse que algo surgisse a qualquer momento.

— A qualquer hora, — ele disse em voz baixa. — Se confiarmos na linha do tempo que compartilharam antes da invasão, eles já deviam estar próximos do sistema. Mas conhecendo o Vaelix… — ele pausou, a voz baixando — podem já estar aqui.

— Ótimo, — falei finalmente. — Então, não vamos precisar esperar muito.

Dante me lançou um olhar de lado, com a boca arqueada em um meio sorriso. — Você realmente quer ver essa Runas, né?

Assenti. — Algo que pode moldar o que vem a seguir… quem que não gostaria?

Ele deu uma risadinha baixa.

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