Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 552

Meu Talento Se Chama Gerador

Nos despedimos de Anne em particular antes de que North e eu partíssemos para a casa de Dante. Enquanto voávamos, estendi minha conexão com a essência do mundo e convidei meus companheiros de volta. Um a um, suas presenças cintilavam na minha mente como faíscas familiares.

A mansão de Dante ficava em um canto silencioso da capital, longe do barulho e das luzes. O lugar parecia antigo, mas bem cuidado, cercado por altas paredes de pedra e um amplo pátio. Pudemos pousar suavemente no chão pavimentado.

North olhava ao redor com curiosidade. "Sabe, essa é a minha primeira vez aqui," ela disse.

"Sério? Pensei que, por você ter treinado com ele, já devia ter vindo antes." Segurei sua mão e comecei a caminhar em direção ao edifício principal.

Ela balançou a cabeça com uma risada. "Não mesmo. Na verdade, duvido que Dante mesmo venha aqui com frequência."

Antes que pudesse responder, a pesada porta de madeira se abriu sozinha. Uma mulher de meia-idade, vestida com uma túnica cinza, estava lá, fazendo uma reverência discreta.

"Sejam bem-vindos, Mestre Bilhão, Senhora North," ela disse com polidez. "Todos estão esperando por vocês lá dentro."

"Obrigado. Por favor, conduza-nos," respondi.

Seguimos-na por dois corredores longos, forrados com quadros e artefatos estranhos que brilhavam suavemente com Essência.

Por fim, a mulher parou diante de uma porta dupla larga e a abriu. Lá dentro, o ar carregava um leve aroma de incenso e uma forte essência de bebida alcoólica.

Dante estava sentado no centro do salão em um grande sofá, com sua máscara habitual escondendo seu rosto verdadeiro. Ele parecia calmo, quase excessivamente tranquilo, com uma perna cruzada sobre a outra.

Logo atrás dele, ficava Anjee, imponente e de ombros largos, mesmo trajando uma túnica preta. A expressão do homem-tigre era séia, com as mãos cruzadas atrás das costas, os olhos dourados atentos e afiados.

À esquerda de Dante, sentava-se Primus, relaxado, numa poltrona com um copo na mão. O demônio parecia demasiado à vontade, com um leve sorriso nos lábios. Sua túnica negra pendia frouxamente sobre ele, quase como se ele não ligasse muito em usar corretamente.

Do lado oposto, estava Steve, também de túnica preta, mexendo na bebida com uma expressão entediada que mal disfarçava sua inquietação.

Todo aquele cenário dava a impressão de que havíamos acabado de entrar numa reunião secreta de conselho ou num encontro de tavernas antes de algo importante acontecer.

"Olha só, o casal bonito chegou! Viva aos guardiões!" disse Steve, em um tom teatral, levantando o copo como se estivesse anunciando realeza.

Rolei os olhos. "Essa conversa matinal de bebida, Steve?" perguntei enquanto North e eu avançávamos e nos sentávamos na poltrona em frente a Dante.

Steve reclinou-se com um sorriso e respondeu: "Bem, não temos uma namorada para carregar por aí como você, então, sim, é a bebida."

Primus levantou um dedo preguiçosamente. "Não me inclui nessa. Sou casado feliz."

"Eu também," rosnou Anjee de trás de Dante. "Tenho uma família lá em casa."

Dante nem olhou pra ele. "Posso conquistar uma mulher sempre que quiser. O verdadeiro problema aqui é você, Steve."

Quase caí na gargalhada com isso.

Steve parou com o copo na metade, a bebida quase na boca. Então, com um suspiro dramático, tomou tudo de uma vez e apoiou o copo com um baque suave.

"Claro. Minhas desculpas a todos os velhos na sala," disse Steve, enchendo de novo seu copo com uma pose exagerada.

Dante colocou seu copo no tampo com um leve tilintar e se inclinou um pouco para frente. "Bom, já que todos estão acordados, vamos discutir o motivo de estarmos aqui."

"Primeiro," ele disse, voltando seu olhar para mim, "Bilhões, Anjee tem uma proposta para você."

"Ah?" Olhei para o tigre que ficava logo atrás dele.

Os bigodes de Anjee se mexeram no instante em que eu olhei para ele. Ajustou sua túnica e fez uma reverência respeitosa antes de falar. "Sim, Senhor Bilhão. Os Ferans não são seus inimigos. Somos uma raça orgulhosa, sim, e valorizamos força e combate, mas, no geral, somos um povo civilizado. Nosso desejo é apenas o melhor para nossa espécie."

Seu tom era estranho, quase como se implorasse. Levantei uma sobrancelha, olhando para Dante. "Sobre o que ele está falando?"

Dante sorriu de lado. "Ontem, ele revisou seu histórico e os registros das suas lutas desde que você despertou. Vamos dizer... que ele está um pouco assustado."

Voltei minha atenção a Anjee, que piscou duas vezes e desviou o olhar, visivelmente desconfortável sob minha avaliação. "Assustado? Por que você diria isso?"

Anjee tossiu e endireitou-se. "Bem... depois de ler sobre o que você fez em Peanu, e antes disso, na guerra de Holts, percebi que desafiar você talvez não fosse a coisa mais inteligente para nossa raça." Ele hesitou, então acrescentou: "Você... atingiu uma força impressionante antes mesmo de completar vinte anos."

Steve escarneceu ao lado. "Ele está tentando dizer que não quer fazer inimigos seus, e que nem todos os Ferans são ruins."

"Não sou tão cruel assim," afirmei com um sorriso suave.

"Talvez não cruel," murmurou Dante, "mas certamente eficiente."

Anjee parecia querer enterrar-se no chão. "Olha, tudo o que estou dizendo é que os Ferans prefeririam alianças à guerra. As missões atuais vêm de um clã, não de toda a raça."

Reclinei-me na poltrona, meio divertido. "Para mim está ótimo. Não tenho motivos para guerrear."

Ele relaxou tanto que os ombros caíram. "Ótimo. Isso... alivia meu coração."

Sorri e acrescentei: "A questão é um recurso que ambos desejamos. Vai haver competição, e sim, talvez mortes. Mas eu não quero fazer inimigos de todo um povo. Claro, se os Ferans me atacarem, responderei como for preciso."

"Justo," ele disse. "Você tem todo o direito de se defender."

Anjee assentiu com força, ansioso. Seus bigodes se mexeram ao falar novamente. "Então, o que quero é simples. Ajudar minha família, os Sharka, a ascender à liderança do clã Tigre. E, em troca, o Sharka vai ficar ao seu lado como um aliado forte sempre que precisar."

Observei-o por um momento. Era um pedido ousado, envolto em política antiga e orgulho. Os Sharka afastando os Ranthors poderiam alterar o poder na região. Também poderia significar aliados na hora de problemas de além das fronteiras.

"Se eu ajudar, o que exatamente esperam que eu faça?" perguntei. "Iniciar uma guerra por vocês?"

"Não," respondeu rapidamente, balançando a cabeça. "Nada de guerra. Influência, demonstrações de força. Mostrar que o Sharka consegue proteger melhor o clã. Fazer com que outros confiem mais em nós. Coisas pequenas que se somam."

Primus batucou no vidro, interessado. "Então, influência ao invés de espetáculo? Gosto disso. Menos barulho, menos caos."

Dante finalmente falou, com os olhos fixos em mim. "Veja como um seguro. Um clã de Tigres ao seu lado quando enfrentar rivais ou inimigos."

Deixei a ideia assentar. Era tentador; um aliado constante entre os Tigres ajudaria a garantir os recursos sem envolver Vaythos numa guerra total. Também poderia unir uma raça orgulhosa do lado do meu com honra e benefício mútuo.

"Tudo bem," disse lentamente. "Vou ajudar."

Os olhos de Anjee brilharam, a cauda deu uma leve mexida. Ele fez uma reverência profunda. "Você tem minha palavra, Senhor Bilhão. Não esqueceremos isso."

"Claro. O caminho é longo. Vamos ver no que dá," respondi com um pequeno assentimento, então voltei-me para Dante. "E aí, qual é o próximo passo?"

O velho se recostou na cadeira, com um sorriso divertido nos lábios. "Da próxima vez, quero que você use essas túnicas pretas. Não há motivo. Elas só parecem... elegantes."

Balancei a cabeça, observando-o. Desde quando Dante se importa com moda? Isso por si só já era suspeito.

Ele fez um gesto preguiçoso às túnicas dobradas cuidadosamente na mesa ao lado dele. Peguei as roupas e as desenrolei; o tecido era mais pesado do que parecia, finamente tecido, preto com fitas vermelhas finas ao longo das mangas.

Steve, já deitado com a bebida na mão, já vestia uma. O brilho vermelho reluzia suavemente sob a luz. "Não é ruim, né?" disse, sorrindo.

Dei-lhe uma olhada e examinei a túnica mais de perto. Foi aí que percebi o emblema, logo sobre o coração. Um círculo com engrenagens interligadas girando nele.

Era o mesmo desenho da marca queimar na minha pele, a tatuagem que carregava desde que despertei. A marca que pulsava suavemente toda vez que a Essência se agitava demais dentro de mim.

Comentários