
Capítulo 553
Meu Talento Se Chama Gerador
Olhei de volta para Dante, com um tom de suspeita na voz. "O que você está planejando, velho?"
Ele olhou nos meus olhos, seu sorriso se aprofundando o suficiente para deixar tudo ainda pior. "Nada perigoso," disse. "Só… simbólico."
"Simbólico," repeti, ainda segurando a capa.
"Exatamente," afirmou, com os olhos semi cerrados. "Esse é o ponto. Está na hora de certas pessoas começarem a reconhecer o que você é e o que representa."
Franzi o cenho. "E o que exatamente isso quer dizer?"
Dante não respondeu imediatamente. Apenas fez um gesto para o restante da sala. Steve, Primus e Anjee estavam todos me observando agora, cada um já vestindo a mesma capa.
O ambiente ficou mais pesado, o silêncio entre nós apertado como um fio esticado, prestes a romper.
Finalmente, Dante falou novamente, com um tom calmo, mas carregado daquela misteriosa e irritante aura que ele adorava usar. "Você vai entender quando chegar a hora. Por enquanto, confie em mim."
North se levantou, pegando uma das capas pretas da mesa. Cobriu os dedos na peça de tecido, as sobrancelhas levantando ligeiramente enquanto traçava o símbolo. "Estamos formando algum tipo de grupo ou organização secreta?" perguntou, meio sério, meio curioso. Dava pra perceber que ela também reconhecia o emblema, aquele mesmo estampado no meu peito.
Dante esclareceu a garganta e desviou o olhar. "Como eu disse, confie em mim por enquanto. Você vai entender seu propósito na hora certa."
North me lançou um olhar, misto de desconfiança e diversão. "Bom, se ele disse que sim," disse finalmente, dando de ombros. Pegou a capa e saiu do cômodo provavelmente pra trocar de roupa.
Voltei minha atenção para Dante. "Velho, eu não gosto de surpresas. Você devia me contar agora."
Ele balançou a cabeça teimosamente, um sorriso brincando na boca. "Não vou contar. E, já que estamos nisso, talvez você me diga como é que esse garoto—" apontou para Steve, que parecia levemente ofendido—"de repente ficou tão forte do nada. Tenho minhas suspeitas, mas preferiria ouvir de você."
Suspiro. "Tudo bem, ótimo. Mas primeiro, vou vestir essa capa. Para de agir como uma criança."
Coloquei a capa ali mesmo, ela encaixou perfeitamente, quase como se tivesse sido feita sob medida pra mim. O material era leve, mas resistente, as riscas vermelhas captando a luz tênue enquanto ajustava o colarinho.
"Ficou ótimo," disse Dante approving, levantando a taça. "Na real, você conseguiu deixá-la com uma aparência bem estilosa. Isso é novidade."
Antes que eu pudesse responder, senti uma súbita ondulação na minha percepção, assinaturas de Essência familiares roçando contra meus sentidos.
Lyrate.
"Parece que todo mundo já tá aqui," murmurou Dante, levantando-se do sofá. Com um movimento casual da mão, uma bengala apareceu do nada.
Revirei os olhos. "Sério? A bengala também?"
Ele ignorou e começou a caminhar, aquele sorriso convencido ainda estampado no rosto. North nos alcançou no meio do corredor, com a capa fluindo com elegância enquanto caminhava ao meu lado.
Saímos para o pátio da frente, onde a luz da manhã refletia nas paredes brancas da mansão.
"Ah, nem tinha me avisado que tinha que usar roupa formal," disse Lyrate, com tom brincalhão, enquanto olhava nossas capas pretas.
Primus deu uma risadinha vindo de trás. "Na verdade, tem sim. Mas não se preocupe, já preparamos uma pra você também."
Dante mexeu a mão de novo, puxando outra capa do anel. Mas antes que pudesse entregá-la, Lyrate levantou a palma da mão. "Não precisa," disse ela.
No instante seguinte, o vermelho escuro do vestido dela começou a desvanecer, fundindo-se com o preto puro. O mesmo emblema, a engrenagem dentro de um círculo, se formou no peito dela em linhas de crveno cintilantes.
Dante parou no meio do movimento, tossiu de forma constrangida e guardou a capa de volta no anel. "Bem… acho que isso também funciona."
Então, seu tom mudou, assumindo uma autoridade silenciosa, mas firme. "Espero que todo mundo esteja pronto pra viagem."
Ele bateu a bengala no chão, e um círculo brilhante se abriu sob nossos pés. O ar estremeceu, o mundo se torceu, e num piscar de olhos, estávamos na frente da nave de Dante.
Dante se virou pra mim. "Você devia mandar a Silver de volta. Os outros três podem ficar lá fora, se quiserem."
Encarei Silver e ele assentiu. Assim que ele saiu, seguimos Dante até a rampa e entramos na nave.
Dante ficou no centro, apoiando uma das mãos na bengala enquanto falava. "Nosso destino é longe. Deve levar cerca de uma semana para chegar, talvez mais, dependendo do que encontrarmos." A voz dele ficou mais grave, firme e séria. "Segundo as informações da Anjee e o que eu sei do Vaelix Ranthor, ele vai direto lá. Ele quer terminar a missão antes que outras famílias ou raças poderosas fiquem sabendo."
Ele parou por um instante. "Então, estejam prontos. Treinem, afiem suas habilidades e perguntem se precisarem de algo. Porque o que nos espera não é uma missão comum, mas uma batalha contra uma entidade de nível Transcendente."
*****
Levantar voo foi suave, a terra familiar de Vaythos diminuindo sob nossos olhos. Apoiei as mãos levemente na escada, observando as cidades e florestas desaparecendo ao longe.
Lyrate, de pé por perto, soltou um suspiro suave. "Parece lindo," murmurou, com os olhos seguindo as curvas da costa e as montanhas distantes.
Até Knight, normalmente sério e reservado, virou a cabeça levemente e disse: "Que vista." Seus olhos vermelhos refletiam o planeta lá embaixo, e pela primeira vez, a sombra habitual na sua presença tinha desaparecido.
Steve, perto do painel de visão. "Eu quero ficar forte," murmurou, cerrando os punhos. "Não tô nem aí pra planetas ou belezas agora. Eu… preciso ficar mais forte."
Primus, apoiado de forma confortável com os braços cruzados, ficou um tempo mais olhando pra Vaythos. "Ah… isso me lembra de casa," comentou, com uma suavidade rara na voz.
North apertou minha mão com delicadeza, ainda próxima. Ela não disse nada, mas eu sentia os pensamentos dela refletidos nos meus. Havia um silêncio de paz aqui, um lembrete do motivo pelo qual lutávamos e treinávamos tanto.
Até Dante, apoiado na bengala, apenas assentiu uma vez, observando as estrelas que se estendiam entre nós e o lar.
Logo, já longe de Vaythos, as Essências começaram a girar em volta dos consoles enquanto a nave se preparava para pular. Em poucos segundos, as formas familiares de planetas e estrelas se desfocaram, deixando somente linhas de cores cortando o espaço.
Olhei para o grupo e levantei a voz, o suficiente para que todos ouvissem. "Podem procurar uma cabine para vocês. Meditem, treinem, façam o que acharem que vai ajudar a consolidar suas forças. Logo vamos enfrentar uma luta difícil, e quero todo mundo no seu melhor."
Ragnar deu um grunhido de concordância e desapareceu por um dos corredores. Steve me lançou um olhar determinado antes de seguir o amigo. Knight sumiu na sombra de um piscar de olhos.
Primus perguntou, sorrindo. "Tem bebida a bordo, né?"
O sorriso de Dante era fácil e natural. "Sim. Muitas."
"Até mais," disse Primus, indo embora, claramente ansioso por um tempo de descanso e talvez um gole ou dois.
North ficou ao meu lado por um instante, com olhos sérios enquanto olhava pra mim. "Vou também. Preciso trabalhar nas minhas leis," disse ela.
Assenti e apertei a mão dela. "Boa. Aproveite ao máximo. Depois eu passo pra te ver."
Ela deu um sorriso pequeno e virou-se pra sair, com as roupas fluindo suavemente atrás dela.
Olhei para Lyrate. "Vai ajudar o Steve. E não destrói a nave enquanto estiver nisso."
"Ao seu comando," ela respondeu com um sorriso brincalhão, depois desapareceu num borrão.
Dante entrou na minha rotina, com a bengala batendo levemente no chão. "Quando você pretende subir de nível de novo?" perguntou, com tom casual, mas insistente.
"Em breve," respondi.
Ele levantou uma sobrancelha. "Pensando em verificar se é uma runa de Gênesis antes de tentar?"
"Sim," respondi simplesmente, com a determinação clara na voz.
Ele pigarreou em confirmação, dizendo mais nada, e caminhamos alguns passos em silêncio.
Parei na porta de uma das passagens da nave e me virei pra ele. "Tudo bem. Até mais."
Ele deu um leve aceno, e eu continuei o caminho.