Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 520

Meu Talento Se Chama Gerador

"Cadê o Norte?" perguntei.

"Ainda está dormindo," disse Arkas, depois lançou um olhar de lado para mim. "O que você está planejando, garoto?" perguntou, com um sorriso meio de lado, meio de advertência.

"O que quer dizer com isso?" mantive a voz tranquila.

"Não finja que não sabe," zombou ele.

"Não estou fazendo show," respondi. "Por que eu faria? Para quem eu estou jogando?" deixei a pergunta no ar e mudei de direção. O clima não precisava de mais provocações.

Steve riu baixinho ao meu lado. "Então, como é ter seu protegido te superando?" brinquei.

Ele deu uma risadinha contida. "Feliz, mas um pouco irritado. Ele precisa de modos." Arkas bagunçou sua careca como se fosse consertar algo. Queria bater forte, mas North estava envolvido, então segurei a vontade. Um dia, pensei. Um dia, eu ia conseguir dar essa tapinha.

Andamos até chegar à borda do acampamento, onde dez grandes mestres aguardavam. Eles haviam sido escolhidos para se mover às zonas de aberração.

Parei e deixei minhas palavras caírem no sussurro. "Saia." Névoa carmesim emergiu do meu núcleo, e Cavaleiro, Prata, Lyrate e Ragnar se desdobraram dela como sombras tomando forma.

Ragnar foi o primeiro a avançar, e estalou os punhos. "Então, pra onde preciso ir e destruir?" perguntou, com um sorriso largo.

Lyrate apenas sorriu. "Vou sozinho. Não quero ninguém comigo, muito risco de fogo amigo. Se algo explodir, a culpa é minha."

Cavaleiro tossiu e, naquele jeito repentino e falso sério que tinha, disse: "Aposto que é minha obrigação nomeá-los cavaleiros... destruindo primeiro e perguntando depois."

O olhar de Prata se iluminou. "Finalmente. Vou poder lutar de verdade." Parecia uma criança em feira com um brinquedo novo.

Engoli um risinho para disfarçar o sorriso que a empolgação deles me deu. Depois, estabeleci as regras. "Vocês seguem as instruções do Arkas. Ele vai dizer qual continente atacar. Liderem seus times e façam o que for preciso, contanto que o objetivo sejam as aberrações. Nada de palhaçada, sem perder tempo."

Arkas não esperou mais. "Certo, bora lá." Ele saltou para o céu, e os dez grandes mestres o acompanharam. Meus convocados os seguiram.

Steve se aproximou e sussurrou: "Caramba. Deve ser bom ter tantas summons poderosas ao seu lado."

Dei uma risadinha curta. "É, é bom. E vou continuar fortalecendo esse exército. Depois, é só relaxar e curtir a calmaria."


"Ouvi dizer que você tava me procurando," disse, com o olhar fixo em mim.

Assenti. "Sim. Encontrei algo e achei que você poderia ser a pessoa certa para julgar o que é."

"Ah?" Ele levantou uma sobrancelha enrugada. Ainda vestia o disfarce de um velho curvado, movendo-se lentamente como se as costas doíssem.

"O que foi que você encontrou?" perguntou.

Pousei o queixo na mão, pensando. "Vou te mostrar," finalmente disse. "Mas primeiro, por que você usa esses disfarces o tempo todo?"

Ele me encarou por um bate de coração, depois deu uma risada estranha, que ecoou suavemente no ar.

"Bem," disse, numa voz quase brincalhona, "não é segredo tão grande. Uso esses disfarces porque há pessoas à minha procura. Pessoas muito fortes. Pessoas que prefiro não encontrar até o momento certo. Então, me escondo."

Levantei uma sobrancelha. Se Dante tinha inimigos para esconder, eles não eram do nosso mundo, o que significava que eram de fora.

"E quem são essas pessoas?" perguntei.

Ele balançou a cabeça. "Não posso falar sobre isso. Se contar, eles vão saber." Ele riu, como se fosse uma piada ruim e um aviso ao mesmo tempo.

Steve e eu trocamos olhares. Assenti. "Tudo bem, se você diz."

"Então, o que você queria me mostrar?" perguntou.

Agitei a mão e deixei os mapas saírem do meu anel de armazenamento. Flutuaram pelo ar e caíram nas mãos de Dante.

Ele os abriu lentamente, como alguém manipular algo vivo. No total, eram quatro mapas.

Três eram claros: Vaythos, Peanu, Sukra, nossos mundos, desenhados com o cuidado detalhado que os Ferans criaram. O quarto era diferente: apenas uma área vazia de espaço, com uma marca estranha nele, sem estrelas, sem mundos, apenas uma mancha que parecia errada.

O rosto de Dante mudava enquanto os analisava. Seus olhos se estreitaram, a boca ficou fina, e depois sua sobrancelha se levantou. Ele devolveu os mapas, e eu os guardei.

"E aí, o que acha?" perguntei.

Ele ficou quieto por alguns momentos, ponderando as palavras. "Se estou certo — e provavelmente você também viu parte disso — temos que ir rápido para Sukra e capturar os Ferans lá. É onde vamos confirmar o que eles andaram fazendo."

Sorrir levemente. "Era isso que eu pensava. Mas e aquele quarto mapa? Não consigo entender."

O riso de Dante saiu baixo, quase um sussurro rouco. "Aquela mancha? Não é um mapa normal. É uma lacuna. Mas os Ferans marcaram com um sigilo. Tenho duas hipóteses, mas só vou falar delas depois de encontrar os Ferans em Sukra. De qualquer forma, Sukra é o planeta mais próximo daquela área; eles devem ter mais informações."

"E você também acredita que aquela mancha é a razão de os Ferans de repente terem se interessado pela nossa parte da galáxia?" perguntei.

Dante assentiu lentamente. "Provavelmente, sim. Deve ser a principal razão. Mas não se iluda, garoto, pode haver outras também. Os Ferans raramente se movem por um único objetivo. Ainda assim, até confirmarmos tudo lá, é só especulação."

Concordei com a cabeça. O mapa vazio pesava mais na minha mente agora.

Depois, ele inclinou a cabeça e perguntou, quase casualmente: "Aliás… quando pensa em subir de patente?"

Pisquei para ele. "Já terminei minha missão. Estou no topo do nível de grande mestre. Mas minhas leis… ainda não evoluíram."

Seu rosto enrugado se fechou, o disfarce de velho falso não escondendo a preocupação real em sua voz. "Quer dizer que está impedido?"

Balancei a cabeça com firmeza. "Não, não estou travado. É só… minha relação com as leis é um pouco diferente. Elas não se comportam como as dos outros. Mas vou descobrir algo."

Dante observou por alguns momentos em silêncio.

"Se você diz. Mas se precisar de ajuda com suas leis, pode me procurar. Não me julgue pelo meu nível, garoto. Agora, vou providenciar nossa viagem para Sukra."

Falou de forma suave, quase uma oferta. Depois, deu aquele sorriso torto e simplesmente desapareceu.

Comentários