Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 496

Meu Talento Se Chama Gerador

O campo de batalha estava silencioso após o fim da luta.

Nenhum de nós falou. Nossos olhos permaneciam fixos no local onde Hazel havia desaparecido completamente.

Seu irmão, o Imperador, permanecia imóvel, com a cabeça inclinada, os olhos fechados. Edgar soltou apenas um suspiro longo, enquanto North colocava a mão em meu ombro. Todos nós entendíamos naquele momento, o peso da decisão dela, a determinação que carregava até o último instante.

O silêncio foi quebrado quando uma risada baixa reverberou pelo ar, aguda o suficiente para fazer minha pele arrepiar. Todos viramos a cabeça rapidamente na direção da fonte.

Saturno.

Ou o que restou dele. Seu corpo jazia dividido ao meio, cortado limpo ao meio, mas a visão era pior que a morte. Sua carne havia desaparecido, ressecada até a pele e os ossos. Seu sangue já havia perdido a forma, transformando-se em uma borrama escura que se infiltrava na terra arruinada. Parecia um pesadelo, e mesmo assim, ele ainda não estava morto, de alguma forma.

"Aproveite o meu presente."

Sua voz ecoou através da Essência, alcançando todos nós ao mesmo tempo. E então, o último pedaço de seu corpo desapareceu, engolido pelas leis vorazes da morte. Em um piscar de olhos, ele havia desaparecido do mundo.

Dante apareceu ao lado do Imperador, com o rosto sério. O mundo ao meu redor mudou sem aviso, sombras puxando meu corpo, e, na seguinte instantânea, Edgar me puxou para o chão junto com North.

"Algo não está certo", murmurou Dante, seus olhos vasculhando a área.

Olhei ao redor. Cada rosto refletia a mesma tensão.

"Vossa Majestade?" A voz do General Cassian era baixa, quase cautelosa.

Finalmente, o Imperador se moveu. Lentamente, abriu os olhos. Estavam calmos, mas frios. Sua voz não demonstrava hesitação ao falar.

"Sim. Parece que ele foi um traidor."

Ele ergueu a mão e, com esse movimento simples, uma esfera apareceu. Flutuava acima da palma de sua mão, brilhando fracamente. Dentro dela, vi uma Essência girando, de um verde vibrante.

Não sabia exatamente o que era, não completamente, mas o ar ao meu redor dizia que era algo importante. Todo mundo fixou o olhar nela—Dante, Edgar, até os generais normalmente imperturbáveis. O silêncio deles me envolveu, e percebi que também fiquei encarando com atenção.

Por alguns momentos, a esfera parecia quase inofensiva. Então, a Essência dentro dela começou a se agitar, como se algo estivesse tentando sair de lá.

De repente, um ponto preto apareceu no centro do verde, depois outro, e mais um. Eles se alongaram, se fundiram e se torceram até que uma strandinha preta flutuava dentro da esfera, se contorcendo como se tivesse vida própria.

A voz do Imperador cortou a tensão.

"Preparem-se."

A esfera desapareceu com um movimento rápido de seu pulso, guardada em silêncio, e no lugar dela surgiu sua arma. Sua arma despertada se materializou em sua mão: uma machadada imensa, brilhando levemente com Essência.

Então, Dante se moveu. Eu nunca o tinha visto invocar sua arma despertada antes. Uma espada longa tomou forma em suas mãos.

Um por um, os outros também seguiram. Ao meu redor, armas despertadas enchiam o ar com seu poder.

E foi aí que me dei conta. A razão de existirem armas despertadas, por que elas eram diferentes. Não eram apenas símbolos de poder. Eram necessidades para o que estava por vir.

Olhei para a espada na minha mão, cujo brilho era tênue. Apertei com força.

'Eles estão vindo', pensei.

A voz de Dante cortou a tensão, afiada e desdenhosa.

"Ele foi um tolo."

O Imperador balançou a cabeça. Seu tom era firme, definitivo.

"Não. Ele foi um traidor. Isso é tudo."

Seu olhar percorreu todos nós. Então, levantou seu machado, e sua voz carregou a autoridade de uma ordem.

"Dêem tudo de si, pessoal. Seja a vitória ou a derrota, dependerá de quantos de nós conseguirmos voltar com vida."

Ele se virou para Dante, mudando o tom.

"Encontre o Bilion. Vamos precisar dele."

Edgar se aproximou de mim e de North. Tirou duas joias, ambas esculpidas em uma pedra marrom estranha. Cada uma tinha runas que brilhavam fracamente.

Ele pressionou uma na minha mão e outra na de North.

"Guarde isso o tempo todo," disse. "Não entre na luta, não importa o que aconteça."

As palavras não deixavam espaço para discussão. Antes que pudéssemos responder, ele levantou a mão. Sombras avançaram rapidamente, envolvendo-nos como uma fumaça viva.

Num piscar de olhos, o campo de batalha mudou debaixo dos meus pés, e North e eu fomos empurrados para trás, afastados do centro onde estavam o Imperador e os outros.

O olhar de North se fixou imediatamente na linha de frente. Seus lábios tremiam enquanto ela sussurrava, quase baixo demais para ouvir: "Avô."

Meus olhos a seguiram. Arkas estava logo atrás do Imperador, sua presença firme como uma montanha. E então, como se tivesse ouvido o sussurro dela mesmo à distância, ele virou a cabeça. Seus olhos encontraram os de North, e ele deu a menor das acenações.

Me aproximei dela, tocando seu braço suavemente, e sussurrei: "Vai ficar tudo bem."

Vi que todos os grandes mestres estavam prontos, suas armas firmes, suas auras controladas ao mínimo detalhe. O silêncio não era vazio, era cortante, como a calmaria antes de uma tempestade colossal demais para ser evitada.

Me preparei, o coração acelerado. Sentia a sombra do que estava por vir, se aproximando cada vez mais.

Justo então, o chão onde o corpo de Saturno havia desaparecido voltou a se mover. Três runas gigantes, cada uma do tamanho de uma cabeça humana, flutuaram para cima da terra.

Eram de um preto profundo, uma escuridão que parecia drenar a luz ao redor. De perto, percebi que não eram marcas comuns—pareciam gravadas em sangue, solidificadas na forma.

Um calafrio percorreu minha espinha.

Sem aviso, as três runas pulsaram ao mesmo tempo, brilhando com uma luz nauseante. De cada uma delas saiu uma densa névoa preta que se espalhou como fumaça de um incêndio. Meu coração apertou ao ver aquilo.

Névoa da morte.

Reconhecia aquela cor, aquela presença sufocante, mesmo antes de meu cérebro associar o nome. A mesma força corrupta de que tinha sofrido uma vez. A mesma coisa que devorava tudo que tocava.

Minha aderência à espada se tornou mais forte enquanto eu observava a névoa se espalhar.

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